.

sábado, 12 de janeiro de 2019

VIOLÊNCIA FAMILIAR, DROGAS E O CRISTO CONSOLADOR (*)


Luiz Carlos Formiga

Pessoas religiosas não são sempre neuróticas ou instáveis. Indivíduos com fé religiosa profunda, na realidade lidam melhor com os problemas da vida, recuperam-se mais rapidamente de depressão e apresentam menos ansiedade e outras emoções negativas, do que as pessoas menos religiosas.
A religiosidade e a espiritualidade vêm sendo claramente identificadas como fatores protetores ao consumo de drogas em diversos níveis.
Os dependentes de drogas apresentam melhores índices de recuperação quando seu tratamento é permeado por uma abordagem espiritual, de qualquer origem, quando comparados a dependentes que são tratados exclusivamente por meio médico. (1)
Para enfrentar problemas sociais no Distrito Federal, o governador I. Rocha anunciou nesta semana a criação da “Coordenação de Assuntos Religiosos”.
A pasta, sob o comando de um advogado, deverá atuar no combate à “violência familiar, às drogas e evasão escolar”. (2)
São inúmeros os artigos acadêmicos que demonstram o sinergismo entre as drogas, a violência intrafamiliar e a evasão escolar.
Devido ao forte papel de assistência social das religiões no Brasil, a exploração deste tema no contexto brasileiro pode ser de grande relevância para a saúde pública.
As entidades religiosas são importante recurso comunitário de apoio ao tratamento da dependência química.
 A mediocridade política produz desemprego, inflação e corrupção e já se disse que “a inteligência é pecado sem perdão, quando mediocridade tem poder de decisão“.
Embora a inteligência espiritual coletiva seja baixa, na nossa sociedade abduzida (3) e ainda vivamos numa cultura espiritualmente estúpida, a maioria das comunidades terapêuticas é ainda mantida por comunidades religiosas.
Por que não incentivá-las?
O Movimento de Amor ao Próximo luta com dificuldades no Rio de Janeiro. (4) Os cariocas ainda não descobriram “O Cristo Consolador” (*) - Casa de Abrigo e tratamento de dependentes químicos, situada na rua Helena Galiaco Prata, s/nº – Quadra 16 – Bairro Santa Cândida – Itaguaí – RJ – CEP: 23822-120. Anote o telefone (21) 3392-5700 – 3392-5600.
Faça uma visita http://www.map.org.br/
As drogas estão por toda parte e permeiam todas as classes sociais. Elas não têm preconceito nem com a classe média, aquela referida, por uma professora universitária, como reacionária, conservadora, ignorante, petulante, arrogante, terrorista, fascista, violenta e ignorante. (6) Esclareço ao leitor, que pertence a classe média, que tenho outra visão e que faço parte da vertente espiritualista da ciência.
Leia mais.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

A perseverança de Fernández Colavida na divulgação do espiritismo na Espanha (*)

A perseverança de Fernández Colavida na divulgação do espiritismo na Espanha  (*)
Simoni Privato Goidanich

A escassez de material de estudo e de divulgação do espiritismo era uma limitação importante na Espanha. Para amenizá-la, um dedicado espírita em Barcelona chamado José María Fernández Colavida decidiu importar uma grande quantidade de livros e jornais espíritas da França. Para isso, contou com a colaboração de Maurice Lachâtre, escritor e editor francês, que, naquela ocasião, também residia em Barcelona.
Lachâtre foi, pois, um intermediário na importação. Era Fernández Colavida o destinatário dessas obras, segundo os relatos de Amalia Domingo Soler, Miguel Vives y Vives, Bernardo Ramón Ferrer, bem como dos jornais espanhóis Luz y Unión e El Diluvio, analisados na pesquisa que realizamos e publicamos, em 2013, no livroDivulgación del Espiritismo: enseñanzas del ejemplo de José María Fernández Colavida.
A importação cumpriu com os requisitos legais. Contudo, por ordem do bispo de Barcelona, Antonio Palau y Térmens, as obras importadas foram queimadas, no dia 9 de outubro de 1861, por um sacerdote com o auxílio de funcionários da alfândega, na Cidadela de Barcelona – o mesmo lugar onde eram executados os criminosos. O episódio ficou conhecido como o Auto de Fé de Barcelona.
Muito mais que um fato histórico, o Auto de Fé de Barcelona é um símbolo dos ataques que o espiritismo, na pessoa dos trabalhadores espíritas, especialmente os que se dedicam à divulgação, podem sofrer.
Diante de uma prova de fogo, várias reações são possíveis.
Uma delas é o desânimo, que nem sempre necessita de uma fogueira para instalar-se.  Às vezes, basta um fogo de palha para consumir o entusiasmo no trabalho no bem.
Outra reação é a rebeldia, o contra-ataque, que desperdiça valiosos recursos que deveriam ser destinados ao trabalho edificante e envolve em trevas o trabalhador que teria como tarefa difundir a luz.
Também é possível o medo, que pode produzir a paralisação das tarefas, a fuga das responsabilidades e até a deserção com relação ao espiritismo.
No entanto, Fernández Colavida não teve essas reações.
Ele não se desanimou com o Auto de Fé de Barcelona, mas se sentiu estimulado. Tornou-se o primeiro tradutor para o espanhol das obras de Allan Kardec. Passou a publicá-las na Espanha e a divulgá-las naquele país e em muitos outros, sobretudo da América. Também fundou um jornal espírita de alcance internacional. Ficou conhecido como o "Kardec espanhol" por ser o maior líder e divulgador do espiritismo em língua castelhana.
Com relação aos agressores, a resposta de Fernández Colavida foi o perdão e a reconciliação. Nove meses após o Auto de Fé de Barcelona, o bispo Antonio Palau faleceu e, pouco depois, se manifestou em Espírito, arrependido, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e no centro espírita dirigido por Fernández Colavida. Desde então, o Espírito de Antonio Palau passou a trabalhar com o "Kardec espanhol" na divulgação do espiritismo. Também anunciou que a Cidadela, onde haviam sido queimadas as obras espíritas, seria transformada em um jardim, o que ocorreu poucos anos depois.
Fernández Colavida sabia que os ataques não devem ser temidos. A agressividade mediante a qual se manifestam, em lugar de ser uma demonstração de força, é, na verdade, uma confissão de debilidade, de impotência, diante do espiritismo e de todos aqueles que lhe são fiéis. Jamais poderão aniquilar nem o espiritismo nem os espíritas. De fato, o Auto de Fé de Barcelona, cuja finalidade era reprimir o espiritismo, teve uma repercussão tão intensa na população, nos meios de imprensa e até nas altas esferas do governo que serviu para divulgá-lo amplamente.
Em suma, o Auto de Fé de Barcelona e o exemplo do "Kardec espanhol" proporcionam ensinamentos muito úteis para enfrentar os desafios no trabalho espírita.

(Simoni Privato é diplomata e pesquisadora brasileira, residente em Montevidéu, no Uruguai.)

(*) Artigo publicado no jornal Correio Fraterno -  edição 484 - novembro/dezembro 2018

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

“Isso non ecziste”

“Isso non ecziste”
Luiz Carlos Formiga


Quarta-feira, 09 de janeiro de 2018 desencarnou aos 88 anos de idade Oscar Gonzáles Quevedo Bruzan, mais conhecido por Padre Quevedo.
Nem sempre Quevedo foi religioso. Quando criança e durante parte da adolescência, era um católico praticante. Ainda na juventude, tornou-se um espírita convicto para, entre os 26 e 27 anos de idade, tornar-se ateu, afastando-se de qualquer religiosidade. (1) Depois ressurgiu jesuíta.
Foi uma pena que ele não tenha visto a cirurgia, feita pelo espírito materializado, presenciada e autenticada por diversos médicos. (2, 3, 4,)
Talvez ele dissesse: “isso non ecziste”.  Agora Quevedo vai tomar conhecimento.
Qual a visão espírita da morte? A resposta depende da vertente da ciência em que se insere o pesquisador. Faça-o responder primeiro à pergunta: O que somos? Se ele responder que somos impulsos eletroquímicos num biocomputador que se originou por acaso, num universo de partículas, matérias mortas, e que se movimentam aleatoriamente, certamente a morte é o nada. Isto é apenas uma questão de fé. A ciência ainda não demonstrou que não existe vida depois da “morte”.
Com a vertente espiritualista da ciência podemos dizer que estamos diante de um novo estilo de vida. As evidências científicas estão apontando neste sentido e Jesus já havia dado aula prática sobre isso, anteriormente. (5)
Quem sabe ainda poderemos voltar a reencarnar na Terra?
Como iremos encontra-la, depois de, mais ou menos, 300 anos na erraticidade? Será que a fila da reencarnação é maior do que aquela enfrentada pelos desempregados no Brasil, ao buscar uma colocação?
Após a desencarnação o Espírito vai atualizar a consciência, com fatos das mais recentes experiências de vida na carne, numa fase chamada de “escolaridade”. Ele vai readquirir novas energias e reestudar novos procedimentos, quando finalmente, chegará à fase de “planejamento” de uma nova reencarnação, dentro dos limites das possibilidades, dos seus méritos e das Leis das probabilidades.
“Isso ecziste”, mas, a coisa parece ser demorada. Pode-se sintetizar: “Não o fatalismo, mas determinismo relativo”. Mais consciente, depois de um bom tempo, o espírito percebe que se a verdade liberta é a pacificação que o redime. (6) Pacificação é uma estrada muito longa a ser percorrida, quando somos reincidentes.

1.   “Isso non ecziste”
2.   A cura e a mudança necessária
3.   “A Face Oculta” no CREMERJ
4.  Foi Incrível
5.  Para Nossa Cura
6.  Seria eu, por acaso, um espírito. Revista O Consolador.

domingo, 6 de janeiro de 2019

Mitologia, Kardec e Maria - uma reflexão sobre natureza biológica de Jesus (Jorge Hessen)

Mitologia, Kardec e Maria - uma reflexão sobre natureza biológica de Jesus (Jorge Hessen)
Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com 
Brasília/DF

Os evangelhos de Lucas e Mateus descrevem que Maria manteve-se “virgem” e que Jesus hipoteticamente fora concebido pelo "Espírito Santo", ou seja, a concepção de Maria acontecera de forma "sobrenatural", sem a participação do esposo, conquanto já fosse recém-casada com José à época.
A crença na virgindade de Maria e a suposta “fecundação divina” nada mais é senão uma “fotocópia” rudimentar, diríamos, uma imitação burlesca, dos mitos pagãos organizados pelas castas sacerdotais ancestrais. A explicação desses pormenores históricos é indispensável ao espírita, para preservar-lhe contra as deturpações místicas impostas por longos anos pela tradicional instituição “unificadora” do Brasil. Até porque pesquisas e estudos sobre a fábula mitológica, bem como da História das Religiões, comprovam de maneira categórica a origem da alegoria do nascimento virginal.
Indubitavelmente o Evangelho sofreu a influência da mitologia grega. Por isso, devemos separar o mito helênico do que é ensinamento moral. A rigor, foi exatamente por isso que Allan Kardec, ao publicar “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, transcreveu tão somente o ensino moral de Jesus.
Historicamente, a “virgindade” de Maria embrenhou-se de tal forma no imaginário coletivo dos cristãos que se incorporou ao seu nome. É verdade! A “virgem Maria” transformou o filho Jesus em vulto mitológico, e nada melhor para exaltar o “homem-deus” do que situá-lo como filho de uma “virgem”. Por falar nisso, Allan Kardec fez oportuno ensaio comparativo a respeito das teorias do pecado original e da virgindade de Maria, situando a mãe de Jesus como virgem, não do ponto de vista biológico, mas sob o enfoque espiritual. [1]
Em conformidade com determinadas narrativas do Evangelho, Maria teria recebido a visita lendária de um “anjo” de nome Gabriel, o qual anunciou à jovem sua “fecundação” através da intervenção do "Espírito Santo". Ora, a Doutrina Espírita nos convida a desenvolver uma fé raciocinada, analisando sensatamente as narrativas do Evangelho. Ante os dilemas interpretativos dos conceitos literais escritos pelos apóstolos, o Codificador advertiu que a religião deve caminhar em consonância com a ciência, de modo que a primeira não ignore a última, e vice-versa.
Cá para nós, qual seria a desonra de Maria sobre a maternidade segundo as leis biológicas? Teria ela traído José e se “corrompido moralmente” conforme já ouvimos de alguns? O que pensar da oblata suprema de Jesus no Calvário se seu corpo fosse um sortilégio “quintessenciado”? Seria uma representação ridícula! Será que dá para conceber o Cristo (MODELO) imune de dor, em face do seu corpo ser energeticamente “sutilizado”, enquanto os primeiros cristãos mergulhados na carne seriam devorados pelas feras nas arenas romanas?
Não paira nenhuma dúvida de que Maria foi um Espírito muito elevado moralmente, razão pela qual recebeu a missão sublime de gestar o “MODELO e Guia” da humanidade. Porém, Jesus foi ridiculamente transformado numa figura mitológica e, sendo um “ídolo deificado”, não poderia ter nascido do “pecado original” das tradições adâmicas. O fato de Jesus ter sido concebido de forma “milagrosa” contradiz as vias naturais de reprodução humana, e para a Doutrina dos Espíritos esta é uma questão de elevadíssima importância, uma vez que a fecundação biológica é uma decorrência das Leis Naturais.
Em resumo, reafirmamos que a fecundação de Maria se deu por vias decididamente normais, através da respeitosa comunhão sexual com seu esposo, tal como ocorre entre todos os casais equilibrados da Terra. Em face disso, Kardec apresenta Jesus como o MODELO mais perfeito para a evolução humana; logo, o seu corpo deveria ter a mesma constituição biológica daqueles aos quais ele deveria servir de MODELO, e seu testemunho basear-se na subordinação às leis naturais.
Ah!, dizem que a ciência pode gerar um humano através da fertilização in vitro ou outros métodos não uterinos. Ora, ainda que o perispirito de Jesus seja o mais puro da Terra, Ele não derrogaria as leis de reprodução. Portanto, Jesus não poderia aparentar estar biologicamente encarnado, senão o período da manjedoura até a cruz teria sido um simulacro de um ilusionista amador ou uma caricata encenação teatral.
Sob o ponto de vista da lógica kardeciana, a humanização de Jesus torna os cristãos mais esperançosos na autotransformação moral, pois leva seus seguidores a serem mais disciplinados e conscienciosos. Do contrário, a “deificação de Jesus” faz do “MODELO e Guia” uma entidade inalcançável, e assim torna suas lições inexecutáveis, pois são atos próprios à vida de um “extraterrestre” ou do próprio “Deus” (para os místicos).
A concordância com o “Jesus mitológico” abre precedentes para outros entendimentos igualmente lendários a respeito da vida e do legado do Mestre de Nazaré, mas infelizmente, apesar de serem ideias extravagantes, acabam sendo admitidas como verdadeiras a partir da aceitação de premissas ingênuas.

Como analisamos, o Espiritismo alerta para uma visão da natureza biológica de Jesus, desmistifica a virgindade de Maria, mostrando sua grandeza maternal. A legítima literatura espírita juntamente com os ensinamentos recebidos dos espíritos superiores (durante a Codificação) garante que Deus jamais quebraria a harmonia das leis da natureza. Por que haveria Jesus de desrespeitar a lei de reprodução biológica?

Referência bibliográfica:

[1]           KARDEC, Allan. Revista Espírita, janeiro de 1862, Brasília: Ed. Edicel, 2002