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segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Pós-positivismo: uma realidade científica que aproxima do Espiritismo

Vladimir Alexei

Pós-positivismo: uma realidade científica que aproxima do Espiritismo


Vladimir Alexei
Belo Horizonte das Minas Gerais,
12 de agosto de 2018.



Allan Kardec teve como contemporâneo um filósofo que influenciou – e ainda influencia –, o pensamento científico: Augusto Comte (1798-1857).

Para Comte, o conhecimento científico é a única forma de conhecimento verdadeiro. Seu modelo filosófico seguiu duas orientações: científica e psicológica. Essa, classificada por alguns autores como uma linha teórica da sociologia que investiga a natureza humana “verificável”.

É no “verificável” que o pós-positivismo atua. Não é nosso objetivo descrever métodos e concepções filosóficas ou científicas, mas apenas enuncia-las – no muito –, propondo uma conexão, como diria Vigotski em seu “zona de desenvolvimento próximo”, entre os saberes atual e futuro. O conhecimento atual, doutrinário, parte de uma ciência que é tratada de forma religiosa e filosófica em função de sua extensão e profundidade, sugerindo vários níveis de abordagem. Ainda que a abordagem seja construída sob o aspecto religioso, ela não deixa de ter métodos claros, como pode ser observado em o Evangelho Segundo o Espiritismo, quando Allan Kardec divide o estudo do Evangelho em cinco pontos (geral), tratando o aspecto considerado mais importante: moral (específico). Podemos discordar, criticar, mas jamais negar seu aspecto científico, clareza e coerência.

As suposições pós-positivistas (CRESWELL, 2009), desafiam a ideia da verdade absoluta do conhecimento quando se estuda o comportamento humano. A afirmativa parece óbvia, principalmente para aqueles que já estão afeitos ao estudo doutrinário. Porém, do ponto de vista científico, se você não consegue comprovar com as ferramentas materiais, não tem valor científico.

O pensamento pós-positivista, ainda segundo Creswell (2009), defende a ideia em que as causas provavelmente determinam os efeitos ou resultados. Lei Universal de Causa e Efeito explicada por Allan Kardec. Entretanto, essas causas ainda são buscadas, nas pesquisas “quantitativas”, com os elementos prováveis, ou seja, materiais. Todavia, já é um avanço permitir que pesquisas “qualitativas” tratem hipóteses que transcendam o “verificável” do ponto de vista material, para questões vinculadas às manifestações e presenças dos espíritos em nossas vidas, já que, de “ordinário”, são eles que nos dirigem (item 459 de O Livro dos Espíritos).

Qual a relevância do pensamento pós-positivista, já que sua abordagem ainda ocorre sob o ponto de vista material? A relevância está em entendermos que, para estudos voltados ao “comportamento” do indivíduo, na ciência de hoje, é possível formular problemas de pesquisa, hipóteses e inferir em questões cuja “causa” não é mais desconhecida e sim pode ser atribuída aos espíritos. É a ciência avançando rumo à ciência do espírito. Por isso a importância do pensamento doutrinário como processo educativo: quanto melhor estudamos a doutrina espírita, mais moldamos o pensamento com a clareza do conteúdo trazido pelos espíritos. Em termos práticos, estudar o espiritismo auxilia contra depressão, tristeza, raiva, angústias e pensamentos negativos porque auxilia na transformação do pensamento, de forma estruturada e duradoura, ainda que o assédio do pensamento antigo seja uma realidade a ser combatida diariamente.

A ciência espírita está a serviço do indivíduo, auxiliando nossa compreensão quanto a importância de se estudar a doutrina espírita e não apenas fragmentos de pensamentos de terceiros, cujo conteúdo nem sempre reflete a riqueza doutrinária. É preciso saber estudar. Enquanto muitos questionam se a ciência espírita encerra todos os ensinamentos, somos convidados pela própria doutrina à transversalidade do seu conteúdo, para que tenhamos habilidade de aplicar, no dia a dia, o que eleva a alma, em um orbe de provas e expiações.

Por fim, percebe-se que a ciência, ainda que muito materialista, com cientistas preconceituosos e dogmáticos, caminha, de forma estruturada, ao seu aprimoramento, ao passo que a ciência espírita esbarra ainda em um religiosismo exterior que limita sua compreensão ao conhecimento de seus profitentes, que insistem em práticas exteriores que não contribuem para o aperfeiçoamento do espírito.

Referência

CRESWELL, J.W. Projeto de Pesquisa – métodos qualitativo, quantitativo e misto. Reimpressão 2016. Ed.2009. ARTMED: Porto Alegre – RS.

domingo, 19 de agosto de 2018

“COMO ELE FEZ ISSO?”

Luiz Carlos Formiga



“COMO ELE FEZ ISSO?”
  
Parece impossível compreender os desígnios de Deus utilizando as possibilidades limitadas da mente humana. É como se a mente não pudesse conter, em seu copo, a água do oceano, como a minúscula semente mágica retém a informação genética. No entanto, a esperança permanece, quando, vencendo o orgulho, a mente humana percebe a existência da árvore. (1)
Há momentos que nos sentimos diante de uma “caixinha de surpresas”, como acontece com o jogo de futebol que “só acaba, quando termina”.
Gosto de futebol, mas reconheço que não é tão bom para o casal como o frescobol. Pense e concordará comigo.
Voltemos ao “Maracanã”, com Gentil Cardoso, figura folclórica do esporte brasileiro, que treinou todos os grandes clubes do Rio de Janeiro. Técnico e torcedor do Bonsucesso, trabalhou com a seleção brasileira, em 1959.
Quase sempre, era chamado quando um time estava em má situação e raras vezes para treinar equipes já bem formadas. Por isso, cunhou a frase: "Só me chamam pra enterro, ninguém me convida pra comer bolo de noiva"
Foi campeão pernambucano treinando, na capital, suas três grandes equipes. Nasceu em Recife em 1906 e desencarnou no Rio de Janeiro, em 1970. Dele são duas outras frases que  ficaram famosas: quem se desloca recebe, quem pede tem preferência; o craque trata a bola de você, não de excelência". Isso se chama “intimidade”.
A frase “quem se desloca recebe” lembrou-me um médium se deslocando ao telefone, impactando a pessoa do outro lado da linha (2). Lembrou-me também o cantor (3) possuidor de enorme extensão vocal e que me levou a uma hipótese. Vou explicar.
A reencarnação é uma hipótese que pode lançar luz sobre a existência do talento desse jovem rapaz, pois não basta possuir o instrumento privilegiado, há necessidade de saber utilizá-lo.
Quem pede tem preferência lembrou-me uma cirurgia espiritual pedida pelo paciente, que era médico, e, também, a benção solicitada pelo espadachim japonês.
Vamos “rápido e rasteiro”, atendendo recomendação do técnico Gentil.
"Se a bola é feita de couro, se o couro vem da vaca e se a vaca come capim, então a bola gosta de rolar na grama e não ficar lá por cima; portanto, meus filhinhos, vamos jogar com ela no chão".
Nesse jogo, a bola chega ao fundo da rede, é o “gol,” representado pela pergunta mais honesta que se pode fazer, quando diante de um fato inusitado, gol olímpico! “Como ele fez isso?”
Divaldo P Franco estava psicografando ao som de Mozart (2), quando chegaram dois espíritos, aparência feminina. Disseram que foram atraídas pelo som de Mozart. Uma delas estava preocupada e falou que havia deixado uma filha na Terra em  momentos difíceis.  Concluíra o mestrado e o doutorado, mas agora era alcoólatra.
O Espírito-mãe forneceu a Divaldo o nome, endereço e o telefone da filha, pedindo-lhe que entrasse em contato.
Contou também que a filha lhe ofereceu o disco “Requien de Mozart”, quando completara 18 anos. Logo depois falecera deixando-a revoltada, pois não aceitava a morte.
Disse-lhe que sua filha, no início, iria tratá-lo com aspereza, mas que ele tentasse contar-lhe o ocorrido e os dados recebidos.
Ao telefone, Divaldo falou-lhe que estivera com sua mãezinha desencarnada.
Ela foi dura:  - “Vocês médiuns são na verdade telepatas, captam de nossa mente e depois nos dizem que os espíritos voltam e se comunicam conosco.”
Divaldo raciocinou com ela: - Como poderia ter encontrado seu nome e número de telefone, se não a conhecia?
A jovem doutora ficou sem argumentos. “Como ele fez isso?”
Começava a perceber que se tratava de assunto mais sério e calou-se.
Divaldo falou-lhe que estaria em sua cidade para uma palestra. Se ela quisesse poderiam conversar com ele na casa de amigos.  Ela aceitou, mostrando-se mais calma  e menos radical.
Ele lhe recomendou a leitura de “O livro dos Espíritos”, para que pudesse entender os problemas que a afligiam. Meses depois antes de proferir uma palestra, Divaldo encontrou-se com a moça que, com os olhos brilhando de felicidade, lhe disse:
- Agora estou me refazendo do alcoolismo; estudando a Doutrina Espírita. Começo a entender os seus Postulados.
Quem se desloca recebe, a “bola proteção” dos bons espíritos
O cantor ao qual me referi anteriormente é um jovem de 23 anos que possui extensão vocal de 4 oitavas e 9 semitons, indo de barítono a soprano. Além disso, é compositor e multi-instrumentista, cantando em 9 idiomas. “Como ele faz isso?”.
Veja (3) e explique, mas não me venha com a sempre lembrada “memória genética”.
O Espírito materializado, Dr. Frederick von Stein, fez cirurgia cardíaca, sem hemorragia significativa, sem utilizar instrumentos cortantes e sem anestesia convencional. Trocou válvula mitral com afecção congênita por uma nova, "construída" durante o procedimento.
“Como ele fez isso?”
Tudo na presença de dois cirurgiões - Ronaldo Luiz Gazzola e Paulo Cesar Fructuoso; um cardiologista - Luiz Augusto de Queiroz; um anestesista - José Carlos Campos. A peça foi a exame histopatológico.
Um espadachim pensava em sucesso e fama. Resolveu desafiar lutadores. Amigo de um monge Zen, antes da empreitada foi pedir sua benção. O monge fez proposta:
“- Lutaremos com espadas. Se vencer, irá com minha benção. Se eu vencer ficará aqui comigo e será  monge.”
O jovem espadachim não pode conter o riso. O monge nunca havia segurado uma espada e ele era o melhor espadachim da província.
Surpresa!  Derrotado “entrou para o mosteiro”.
“Como o velho monge fez isso?”
Allan Kardec (4) fez a pergunta honesta e passou a examinar os “milagres” do Mestre Jesus, em A Gênese.
Adorei o estudo e explicações sobre “a cura do cego de nascença”. (5)
O  bom Espírito André Luiz diz que “a espiritualidade é o caminho do amor de Deus e da harmonia entre os homens. O Amor serve para unir e um Mestre é a expressão máxima dessa união universal.”
Voltemos ao futebol e a sua “Regra 3”.
Vinicius de Morais se vinga do parceiro que era namorador, Toquinho, compondo uma segunda letra. A primeira versão havia sido recusada. O poeta expressou seu aborrecimento.
Voltou para casa e escreveu uma segunda letra, que é um gracejo, veja:  Tantas você fez que ela cansou. Porque você, rapaz, Abusou da regra três (7) Onde menos vale mais. Da primeira vez ela chorou Mas resolveu ficar. É que os momentos felizes  Tinham deixado raízes no seu penar. Depois perdeu a esperança Porque o perdão também cansa de perdoar. Tem sempre o dia em que a casa cai, Pois vai curtir o seu deserto vai. Mas deixe a lâmpada acessa se algum dia a tristeza quiser entrar. E uma bebida por perto, porque você pode estar certo que vai chorar.”
Toquinho conta em vídeo imperdível a “vingança bela e inteligente”.
Quem não tem a mediunidade, inspiração, de um poeta vai perguntar: “como ele fez isso?”
Há fatos que nos deixam perplexos. Passei por uma experiência inesquecível. O Espírito “baixou” no ambiente do estúdio de TV, caminhou de forma não convencional, usou a vidência de um médium convidado, de outro Estado, e que nunca me tinha visto pessoalmente. Aí o Juiz, não de futebol, deu-me um recado, que me arrepiou.
Joel Vaz, o entrevistador, muito ocupado com câmaras e luzes, nada percebeu. Até hoje não lhe contei. Joel participa do Grupo de Estudos Espíritas do Teatro Vannucci. (8) Se o leitor tiver curiosidade veja mais no link de número (9)
Com tantas evidências sugestivas da imortalidade, roguemos aos bons Espíritos que continuem a nos amparar e também a dar forças “a todos nós”, para que nos tornemos dignos dessa proteção. Que todos possamos ter “vivências com Jesus”. Não é Yasmim? (10).

Leia mais
1.   Anestesia, Deus e Dor Humana.  http://www.oconsolador.com.br/ano12/578/
10. TV Nova Luz. Autodescobrimento.



terça-feira, 14 de agosto de 2018

Camelôs e vendilhões modernos na encruzilhada do movimento espírita brasileiro


Camelôs e vendilhões modernos na encruzilhada do movimento espírita brasileiro 

Jorge Hessen 
jorgehessen@gmail.com 

É intolerável os abjetos festivais de eventos “espíritas” mormente grandiosos, inócuos e excludentes a exemplo de seminários, congressos, simpósios, encontros “fraternos”, quase sempre onerosos, soberbos, luxuosos, e constantemente destinados à elite “espírita” aquinhoada. 

Nos tais eventos entronizam-se shows de oratória retumbantes (ocas de humildade), através de palestras (algumas plagiadas), desgastadas, repetidas e supérfluas. Porém os líderes espíritas atuais conservam-se sob a hipnose do “canto de sereia da fama ou da santificação”, sempre de olho na arrecadação dos recursos financeiros para desgastados programas sociais. 

É óbvio que não estão no legítimo caminho do Cristo!... Ouço com insistência nos diversos centros que frequento sobre práticas consideradas estranhas e dispensáveis para a boa difusão do Espiritismo. 

Frequentei várias instituições onde alguns divulgadores famosos são alcunhados (nos bastidores logicamente) de "camelôs ambulantes do Espiritismo", porque negociam e ofertam suas produções literárias (mediúnicas ou não), CD’s e DVD’s nos balcões de negócio preparados para que após suas “palestras espetacularizadas” sejam vendidos em “prol” do surrado assistencialismo “espírita” em que se vangloriam concretizar. 

Tal modelo propagandista do “Espiritismo” que ganhou relevo após a desencarnação do Chico Xavier é, sem dúvida nenhuma, a deterioração da proposta dos princípios espíritas destinados a todos, ao alcance de todos. 

Observemos a entrevista que o Chico Xavier concedeu ao Dr. Jarbas Leone Varanda e que foi publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, republicada no Livro “Encontro no Tempo”, organizado por Hércio M.C. Arantes e editado pela IDE em 1979. O amoroso Chico Xavier advertiu que "é preciso fugir da tendência à ‘elitização’ no seio do movimento espírita (...) o Espiritismo veio para o povo. É indispensável que o estudemos junto com as massas mais humildes, social e intelectualmente falando, e delas nos aproximemos (...). Se não nos precavermos, daqui a pouco estaremos em nossas Casas Espíritas, apenas, falando e explicando o Evangelho de Cristo às pessoas laureadas por títulos acadêmicos ou intelectuais (...)”. 

Lembro quando puliquei o artigo “INDUSTRIALIZAÇÃO DE EVENTOS ESPÍRITAS "GRANDIOSOS" [1], o ex-reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora, e escritor espírita, José Passini, afirmou: “Seu artigo, Jorge Hessen, deveria ser eternizado em placa de bronze e distribuído às instituições espíritas. Você acertou em cheio no monstro que desgraçadamente cresce em nosso meio.” 

Certamente os Benfeitores espirituais , conscientes dos despautérios sobre a desprezível “ELITIZAÇÃO DO ESPIRITISMO” estejam nos alertando para um tempo de necessárias e urgentes mudanças. 

É infame, muito deprimente mesmo! Não é fácil testemunhar esse nefasto cenário sem utilizar o brado da repulsa, através da voz (escrita) e sugerir mudanças. Sobre isso, faço a minha parte destemidamente e sem amarfanhar a própria consciência. 

É urgentíssimo dar um basta à grave vocação elitista do movimento espírita brasileiro. 

Em verdade, de duas, uma! Ou o Espiritismo chega à massa dos espíritos visíveis (encarnados) , especialmente os “filhos do Calvário”, os deserdados, para justificar suas mensagem ou submergirá no fosso profundo da hipocrisia e não haverá mais razão e nem legitimidade divulgar o Evangelho através da Terceira Revelação. 

Referencia: 

domingo, 12 de agosto de 2018

Armar a população ou amá-la


Armar a população ou amá-la 
Jorge Hessen 
jorgehessen@gmail.com 

Em 24 de março de 2018, mais de 2 milhões de pessoas tomaram as ruas dos Estados Unidos em protestos contra a violência. Lá cidadãos têm de 300 a 350 milhões de armas e a taxa de homicídio por arma de fogo é 25 vezes maior do que as taxas de outras nações abastadas. 
Segundo Jeffrey Swanson, professor de Psiquiatria e Ciência Comportamental da Escola de Medicina da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, cerca de cem pessoas morrem no país diariamente por causa de um tiro. Por outro lado, a política de desarmamento da Austrália fornece evidências reais e convincentes de que ter menos armas disponíveis para a população está relacionado a uma redução significativa em mortes. Ou seja, o risco de morrer por tiros na Austrália caiu mais de 50%, e não houve nenhum sinal de aumento nos últimos 22 anos. 
Mas há os que ainda defendem o armamento da população. Alguns pesquisadores afirmam que a mera presença de uma arma torna o comportamento do homem mais agressivo, um fenômeno chamado "efeito das armas". Pronunciam que a história comprova que a violência está entranhada na natureza humana, e armas de fogo não são, de forma alguma, um pré-requisito para a violência social. Ou seja, se todas as armas de fogo desaparecessem da face da Terra, guerras e conflitos civis continuariam a acontecer por outros meios. 
Não somos tão ingênuos a ponto de acreditar que a restrição (proibição) do uso de armas de fogo equacione definitiva e imediatamente o problema da violência. Uma arma de fogo pode ser substituída por outras, talvez não tão eficientes. E mais, na ausência de estrutura da aparelhagem repressora e preventiva do Estado, as armas de fogo continuarão chegando às mãos dos indivíduos descompromissados com o bem e fazendo suas vítimas. Por isso, é importantíssimo meditar que devemos aprender a desarmar, antes de tudo, nossos espíritos, e isso só se consegue pelo exercício do amor e da fraternidade. 
Consterna-nos saber que o Brasil é um dos líderes mundiais em casos de mortes produzidas com a utilização de armas de fogo, destarte, a sociedade clama por soluções efetivas para o problema da violência urbana. Cremos ser falsa a segurança oferecida pelas armas, especialmente considerando o potencial de alto risco do uso da arma por familiares não habilitados, que podem causar efeitos danosos irreparáveis na vida doméstica do cidadão de bem. 
Os espíritas conscienciosos creem, obviamente, que uma das soluções para a criminalidade seria a proibição da venda de armas de fogo em todo o território nacional, ressalvada a aquisição pelos órgãos de segurança pública federal e estadual, municipal e pelas empresas de segurança privada regularmente constituída, na forma prevista em Lei. 
É com inquietação que acompanhamos a crescente popularidade de certo “candidato à presidência” que, não obstante, jaza como um ponto fora da curva dos corrompidos, entretanto tem discorrido sobre o aparelhamento da população através da obtenção de armas de fogo. É óbvio que tal discurso preocupa bastante. Não duvidamos da integridade moral de tal candidato, contudo, suas promessas de governo têm sido controversas, ainda mesmo que esteja imbuído de boas intenções, e até mesmo reunir a seu favor excelentes cidadãos brasileiros. Todavia, insistimos dizer que o seu discurso “messiânico” para transformação social sob o látego do contra-ataque através de armas de fogo é cabalmente desfavorável à paz social. Acreditamos mais nas flores. 
As leis e a ordem impostas à sociedade como resposta à exigência coletiva são aceitáveis e compreensíveis, porém, conforme advertem os Benfeitores espirituais é mais coerente nos amarmos ao invés de nos armarmos e desta forma fazermos aos outros o que desejaríamos que os outros nos fizessem. 
Nesse contexto o ensinamento espírita em seu esboço filosófico e religioso (ético-moral) é e sempre será a ferramenta por excelência determinante para transformação social pela não violência. 

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Divaldo Franco: um médium em três tempos


Divaldo Franco: um médium em três tempos  (*)

A propósito do anúncio feito pela Mansão do Caminho, para o evento intitulado “Encontro Fraterno com Divaldo Franco”, a realizar-se no próximo mês de setembro, na Bahia.

Os médiuns sempre chamam a atenção por uma ou outra razão. Aqueles que se projetam no cenário social colocam-se sob holofotes permanentes e não conseguem fugir das vistas dos observadores, seja por seu comportamento enquanto médium, seja pela vida que levam. São indivíduos públicos, tanto quanto outros que exercem atividades no âmbito da comunicação, da política e assim por diante. Suas vidas particulares, em certo momento, se confundem com suas atividades e é dessa forma que se tornam visíveis para a parcela da sociedade a que alcançam. Só com muito esforço conseguem manter uma certa privacidade, de modo a proteger a vida íntima, sua e dos seus. Se o homem comum tem imensas dificuldades na sociedade contemporânea para distinguir o público do privado, muito mais difícil será essa distinção para aqueles que se tornam personalidades públicas, tal como ocorre com os médiuns de grande destaque.

Em 1973, Divaldo Franco fez uma palestra na Federação Espírita de São Paulo especialmente para dirigentes e trabalhadores de centros espíritas, por convite do seu Departamento Federativo. O objetivo era fugir do estilo conhecido de oratória do tribuno e colocá-lo mais próximo da realidade das casas espíritas, conversando sobre seus objetivos, necessidades e situações factuais, ao falar diretamente com os dirigentes.

Divaldo surpreendeu positivamente. Quem o conhecia somente pela forma tradicional de oratória teve oportunidade de conhecer uma outra face do tribuno, livre, informal, dialógica, de tom coloquial. Divaldo exemplificou situações, contou casos, riu e fez rir. A começar pela jocosa comparação de família que fez, aproveitando a presença de Eurípedes de Castro ao seu lado. Disse que este estava tentando competir com ele, Divaldo, com sua numerosa prole de 11 filhos naturais, mas não teria sucesso, pois o médium já contava, então, com 40 crianças na Mansão do Caminho, que chamava de filhos seus e assim de fato os tinha, legalmente, pelas vias da adoção.

Os principais temas relativos às atividades dos centros espíritas foram objeto de reflexão de Divaldo durante quase duas horas. Passes, assistência social, mediunidade, estudos doutrinários, administração, relações humanas e mais. Um pouco da história mitológicaque se teimava já construir em torno da figura de Divaldo Franco foi deixada de lado naquele instante, tendo em vista que ele se deixava ver sem a cortina do extraordinário e do fantástico que o envolviam. Divaldo era humano! A palestra, pela forma como foi desenvolvida, criou um ambiente potencial para o feed back dos presentes e poderia ter sido ainda melhor, nesse sentido, se tivesse sido dado espaço para a manifestação do público, na forma de questionamentos. Mas convenhamos, tirar de Divaldo espaço para perguntas enquanto está na tribuna é coisa difícil, pois tem ele o condão de utilizar o tempo que lhe é oferecido ao máximo. Ademais, a ideia então era de que permitia perguntas à plateia, mesmo que selecionada como era, determinava um risco que não se deveria correr.

Já então o médium, o tribuno e o homem se misturavam. Quando falava às plateias, corria a história de que eram os espíritos que se manifestavam, levando-o a apenas reproduzir o pensamento destes. Divaldo podia, assim, falar de qualquer coisa e até mesmo não se preocupar com os assuntos sobre os quais deveria discorrer. Bastava abrir a boca para que o tema rolasse. Mas não era verdade. Talvez jamais tenha sido. Quem criava essa aura mística sobre Divaldo? Ele próprio? Aqueles que formavam o seu entorno? O público ingênuo e ávido de histórias fantásticas? Não se sabe. O fato é que já se construía o pedestal do mito e o busto subia puxado pelo balancim dos desejos. Com sua morte um dia, restará inaugurá-lo para deleite dos sonhadores e românticos.

As biografias de Divaldo dão conta que ele é um funcionário público aposentado, de cuja renda resgata suas despesas pessoais. Desde sempre, porém, se informa que o médium e tribuno viaja Brasil e mundo afora com todas as despesas custeadas, aí compreendendo transporte, estadia e alimentação. Já na ocasião aludida acima, assim era. Complementa-se essa informação com a de que as vendas de livros, que passaram a integrar o roteiro depois que Divaldo passou a publicá-los, servia para as despesas com a manutenção da Mansão do Caminho, obra que construiu em Salvador, Bahia.

Estudiosos afirmam que Divaldo teria sido na França o inteligentíssimo e sinistro personagem conhecido por Padre José, consagrado como a eminência parda e braço direito de outro personagem histórico e também famoso, o Cardeal Richelieu, que governou a França com braço forte durante 14 anos, no reinado de Luis XIII. Amigos próximos de Divaldo confirmam que ele próprio aceitava essa história. O fato é que, revestido da personalidade do hoje reconhecido tribuno constrói seu caminho como divulgador da obra do francês Allan Kardec. Mas, como ocorre com qualquer outra criatura humana reencarnada, as personalidades vividas no passado fazem parte do acervo individual de cada um, sendo, pois, elas, mais ou menos presentes e participativas no atual cotidiano do ser. O quanto exercem influência nas escolhas e decisões da vida atual não se sabe e não se tem estudos precisos desse fenômeno; talvez não se tenha jamais. Apenas se sabe que as vidas passadas e presente se entrelaçam e se completam.

Há que se reconhecer que Divaldo, como tribuno e médium, é também um bom estrategista com uma virtude rara: é capaz de formar e comandar uma equipe fiel e dedicada. Extremamente organizado, foi aos poucos colecionando seguidores mais próximos, aos quais distribuiu responsabilidades de modo a que sua agenda, que controla com braço firme, contemple as diversas atividades que integram seus objetivos. No início de tudo, preocupava-se com a obra iniciante e as palestras, posteriormente, instituiu o plano de venda dos livros com primazia sobre os demais, nos eventos em que estava presente pessoalmente. Em paralelo, a obra da Mansão do Caminho crescia em várias direções. Divaldo tornou-se um catalizador de atenção e recursos para a obra.

O tribuno e cronista

Há uma particularidade na vida dos médiuns, senão de todos, de muitos deles. Trata-se da condição em que a personalidade deseja se colocar perante a sociedade. Explica-se. Alguns médiuns substituem muitos de seus projetos de vida para dedicar tempo maior ou integral à atividade mediúnica. Abdicam, pois, dos sonhos que naturalmente os seres humanos alimentam e concentram seus esforços naquele que julgam valer a pena. Outros, porém, mesmo com grande dedicação à atividade mediúnica, jamais deixam de lado o desejo de realizar sonhos pessoais. A interpretação via mediunidade do pensamento dos espíritos, conquanto importante, não lhes basta.

A personalidade humana ambiciona mostrar-se e igualar-se em capacidade a outros seres reconhecidos por suas ideias. Vive no mundo, pertence-lhe, é um ser pensante e produtivo, desejoso de influir na sociedade, no seu destino e no destino dos seres humanos, com contribuição pessoal, nascida de si e para além das ideias dos espíritos, apenas. As vidas anteriores onde essa condição se mostrou forte estão hoje aí na forma de pressão inconsciente para conduzir o ser à busca de oportunidades onde o indivíduo ombreie com o médium e alcance um certo grau de respeitabilidade que então só seria votada ao médium.

Esta parece ser a ou uma das explicações para que médiuns como Divaldo Franco assumam atividades para além do lápis mediúnico e da tribuna espírita e, no caso de Divaldo, passem a assinar com seu nome civil colunas de jornais e outras tantas atividades. O médium continua presente no ser, mas agora é o homem quem obra, quem dá origem a ideias, quem fala de moto próprio. Ao mesmo tempo em que assume essa postura, o indivíduo se coloca de maneira inevitável à análise e às opiniões do público, no direito delas de julgar as ideias tornadas públicas.

Por certo, haverá quem acredite que mesmo quando assina uma coluna de jornal, o indivíduo (Divaldo, no exemplo) está sob a assistência e condução dos espíritos que assinam os livros. O equívoco, aqui, é julgar que tudo é mediúnico, que o médium é um ser predominantemente passivo e submetido à vontade do invisível, colocando-o como incapaz de ter ideias próprias e nem sempre alinhadas com as dos espíritos orientadores. É preciso dizer que nem tudo é mediúnico, assim como nem tudo é apenas do próprio indivíduo. A explicação está dada por Kardec e magistralmente traduzida na expressão interexistencialidade de José Herculano Pires. É de se recordar, também, que o livre-arbítrio pertence tanto ao indivíduo encarnado quanto ao desencarnado, podendo um como o outro defender posições diferentes e opostas sobre o mesmo assunto. Se a passividade total, do ponto de vista de como opera a ação mediúnica, inexiste, o mesmo se dá quanto às relações do ponto de vista da interexistencialidade, onde mentes visíveis e invisíveis dialogam permanentemente em regime de intimidade.

Deve-se, pois, perceber que o cronista Divaldo Franco se ocupa no espaço do jornal de expor as ideias pelas quais opta, realizando, assim, o seu desejo de não simplesmente tornar essas ideias conhecidas, mas, complementarmente, imprimir no discurso uma mostra do seu próprio sentir em relação aos fatos do cotidiano social, no amplo espectro em que se manifestam. Independente de ser um individuo interexistencial, é ali o homem com suas ideologias e seu modo de ver os acontecimentos em acordo ou desacordo com outros olhares e sentimentos.

Tendo em vista essa condição, não deveria causar espanto quando o indivíduo Divaldo Franco revela ideias controversas ou contraditórias, até mesmo em desacordo com o pensamento considerado correto e com os conhecimentos científicos atuais, como ocorreu recentemente sobre o tema dos gêneros. O embate se tornou inevitável e necessário para a clareza do assunto e o ajuste dos pontos de vista.

O tribuno e os desvios

Divaldo Franco é. Mesmo depois de desencarnado continuará sendo. Sua vida longeva lhe proporciona experiências inúmeras e sua posição pública, nas diversas formas de participação na sociedade, oferecem possibilidades diversas de análise. Divaldo é o ser humano e o espírito. Quando partir, o ser humano continuará com o espírito, nesta realidade indivisível do ser, pois ambos formam a experiência individualizada num ponto qualquer do espaço. A compreensão dessa realidade imortal e progressiva nasce da consciência que se forma com a maturidade, que surge no ser depois de muitos acertos e desacertos, fracassos e conquistas, tempos findos e tempos de reinício.

Dito isso, entremos na questão dos recursos financeiros que estão em volta das atividades exercidas por Divaldo Franco, especialmente nos eventos doutrinários. Ninguém em sã consciência pode olvidar que o meio espírita vive um problema sério na atualidade, com a exploração que pouco a pouco se institucionaliza na forma de pagamentos de palestras, despesas de hospedagem, estadias, participação na vendagem de livros e nos cursos e seminários, tendo como consequência o aparecimento de palestrantes do tipo profissionais de inevitáveis danos à doutrina espírita e sua expansão.

A história de Divaldo tem muito a haver com isso, tenha ele contribuído direta ou indiretamente para tal situação. No princípio era o verbo, ou seja, o aparecimento do orador precoce, jovem, com uma verve a emocionar plateias, de poucos recursos pessoais, o que justificava o pagamento de transporte e hospedagem por parte daqueles que o queriam se apresentando em suas instituições ou sob o patrocínio delas. O fenômeno inusitado se revelava ótimo comunicador dos princípios filosóficos do espiritismo e seria despropositada atitude pretender que ele arcasse com os custos de suas viagens para o que não possuía condições.

Mas o fato de haver criado uma meritória instituição para o amparo à criança, junto ao seu primo Nilson, vai exigir mais do que transporte e estadia às suas apresentações, inicialmente dentro do país e depois no Exterior. Com o aparecimento dos livros de origem mediúnica, tem-se em mãos um produto importante como gerador também de recursos e neste aspecto a aquiescência aos convites que surgiam de todas as partes para palestras passou a ter um componente obrigatório (poderia ser espontâneo, mas não seguiu por este caminho): a colocação de bancas de livros exclusivos da lavra mediúnica de Divaldo Franco para venda. As ordens eram explicitas em muitas ocasiões: livros para venda no local do evento? Apenas do Divaldo. Uma equipe estava sempre pronta para montar o estande e promover a venda. Em ocasiões em que essa regra não fora observada à risca, viu-se conflitos intensos surgirem, ante o descontentamento da equipe do médium. Então, já não se tem mais apenas a responsabilidade por parte dos promotores do evento pela hospedagem e transporte do médium, mas também com a cessão do espaço para a venda do livro sem permitir concorrência. Havia aí um outro aspecto que não se pode relegar: os livros de Divaldo sempre foram de difícil vendagem, especialmente a venda espontânea gerada pela exposição nas prateleiras das livrarias. Sua linguagem era considerada rebuscada, de difícil compreensão, mas as vendas durante os eventos, como se sabe, possuem o componente emotivo como força persuasiva para o consumidor e é quando o médium, de fato, mais convence o povo a adquirir suas obras. Questionado na ocasião sobre o seu estilo de escrever, disse ele mais ou menos assim: “é como eu sei fazer”.

Mas Divaldo não ficou somente nisso. A partir de certo momento, passou a atender solicitações para seminários, que seguiram o mesmo caminho de sucesso das palestras, mas agregaram um valor a mais: a possibilidade de cobrança de ingresso, gerando, então, ainda mais recursos financeiros. Independente da qualidade do conteúdo dessas apresentações, o estímulo para a presença nesses eventos existia e era explorado mercadologicamente, como um produto de origem capitalista, com apelos tipo lugares limitados justificando os preços estabelecidos, com datas limites para descontos, etc.

Evidentemente, a projeção social do médium e tribuno constituía o maior atrativo para tais ocasiões. Todavia, o exemplo se espalhou e a comunidade espírita como um todo, ressalvadas as felizes exceções, passou a utilizar do expediente de promover palestras, seminários e outros eventos assemelhados com cobrança de ingresso, de um lado, justificando a necessidade de gerar recursos para manutenção da instituição, e de outro fechando os olhos para o fato de estar abrindo espaço para uma profissionalização marginal, ou seja, os indivíduos interessados em viver disso não se tornam do tipo pastores, remunerados, mas são da mesma forma movidos pela oportunidade de realizarem um trabalho prazeroso sem se preocuparem demasiado com a sua sustentação própria e familiar, como se o ideal espírita justificasse tal escolha. Acresça-se mais, aqueles indivíduos que se envolvem na produção e operação dos eventos e que se locupletam desonestamente com parte dos resultados financeiros. Tudo isso dá margem ao aparecimento de organizações legais ou não, interessadas em se especializar na realização de eventos espíritas, com vistas basicamente a obter lucros. E a doutrina espírita com sua extraordinária filosofia torna-se, então, o valor menor no rol de todas as preocupações que assaltam os envolvidos.

No plano internacional isso, então, alcança níveis inimagináveis. Médiuns de pintura, que sempre são uma atração para o público, especialmente o cético, passaram a atender (quando não a se oferecer) a convites vindos de diversos países para apresentação de suas faculdades. Recebiam transporte, estadia e os resultados da venda de seus quadros ao público. A avidez vergonhosa que se instalou com isso chegou ao ponto de estabelecer verdadeiras guerras entre dois ou mais médiuns convidados para os mesmos eventos, por ciúmes e ganância, deixando estupefatos aqueles que os promoviam e hospedavam. Quando não eram os médiuns pintores, eram autores de livros que se lançavam à aventura de viajar ao Exterior, na convicção de obter retorno financeiro para custear sua aventura, tudo em nome de uma doutrina respeitável, construída com o suor do corpo e o empenho das próprias economias por um punhado de abnegados colaboradores, tendo à frente o exemplar homem Allan Kardec.

Quando a atividade e o resultado mediúnico se transformam em produto, inserem-se, automaticamente, nas regras do sistema vigente e podem conduzir – se isso não é inevitável – à busca do máximo lucro. Para alcançar esse lucro, passam a ser “normais” o emprego de todos os esforços de ética duvidosa, inclusive aqueles que sempre foram condenados desde o nascimento do espiritismo: a farsa, a mentira, o engodo, na crença absurda de que os fins justificam os meios. É quando os médiuns, pressionados a apresentar resultados prometidos se vêm abandonados pelos espíritos e fingem tê-los disponíveis. Enganam na tribuna, enganam na pintura, enganam na psicografia, enganam nos efeitos físicos. É a nossa fake espírita!

O auge dessa situação em relação ao médium Divaldo Franco parece estar no fato anunciado para daqui a pouco, cuja mostra com todos os detalhes aparece no anúncio do evento, publicado pelo site do médium, o mesmo da Mansão do Caminho e marcado para os dias 20 a 23 de setembro próximo. Divaldo segue os passos do recém-desencarnado Gasparetto, o médium dos pintores invisíveis. Não sei e não posso dizer se à revelia dos espíritos, mas pode-se concluir que um evento desse porte e com tais requisitos financeiros não deixa a dever nada aos pomposos eventos dos pastores e igrejas neopentecostais contemporâneos. Estes vendem a peso de ouro um suposto bem-estar no agora e uma garantia futura de que Deus é fiel. Divaldo oferece: “3 dias de palestras espíritas, visualizações terapêuticas e ensinamentos baseados na Psicologia Transpessoal”. Não sei o que vem a ser “visualizações terapêuticas” e nem se essa Psicologia Transpessoal prometida tem a ver com a doutrina espírita. Ou seja, Divaldo vende uma expectativa de usufruírem de sua companhia naqueles dias e a cobiçada esperança de um bem-estar magnífico que, certamente, os corações românticos de poder aquisitivo elevado não deixarão de adquirir. Afinal, ninguém quer perder uma rara ocasião dessas. E se tudo isso não for suficiente ou eventualmente não agradar por completo, o participante terá à sua disposição uma enorme oferta de bem-estar e comodidades oferecidas pelo resort. Nem o eufemismo apelativo criado pelas inteligências do marketing escapa. Ninguém paga inscrição, faz um investimento que, afinal, vale quanto pesa ou… enquanto dure.

(*) Fonte: http://www.expedienteonline.com.br/divaldo-franco-um-medium-em-tres-tempos/#more-3428

ELEIÇÕES E ÉTICA

Luiz Carlos Formiga

Li “Espiritismo e Política – um Manifesto” (1) e lembrei reunião em 2012, no RJ.RJ. Valores Ético-Espíritas: Influência nos profissionais de Saúde foi tema. (2)
Desde o milênio passado, as pesquisas no laboratório mediúnico revelam a existência da alma e a sua sobrevivência (espírito) após a morte do corpo físico. Essas descobertas são importantes não só para a educação em Saúde, mas para todos os setores da atividade humana, porque influenciam na hierarquia de valores, nos padrões éticos e no comportamento do cidadão. (3) Certamente as pessoas se transformam, depois de presenciar uma cirurgia realizada por um médico materializado (espírito). Isso aconteceu no Rio de Janeiro. (4)
Depois das diversas evidências científicas da imortalidade a Ética ganha novos contornos, uma vez que ao ampliar a comunidade e a intersubjetividade, ao incluir nas discussões os espíritos desencarnados, eventualmente materializados, passa a examinar novos argumentos. Argumentos com pontos de vista diferentes. (5)
          Em livro de Allan Kardec, dos Médiuns, XXXI, IX, encontramos: Espíritas, amai-vos, este é o primeiro mandamento, instruí-vos, este é o segundo.
Considerando os valores éticos e a eventual eleição de candidatos ficha-suja, temos que ter cautela. Alguns políticos são grandes enganadores. Precisamos afastar os portadores do Transtorno da Personalidade Antissocial. (6, 7).
“Instruí-vos, é o segundo mandamento”
Na Bioética esses valores, trazidos a partir de um novo ponto de vista ajudam a prevenir imprudências, negligências e imperícias, uma vez que visamos o bem a ser conquistado e não apenas ao mal que deve ser evitado. (8)
Vejamos a ficha corrida do nosso candidato. (9)

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Comerciantes mirins, novas gerações e o mundo de regeneração (Jorge Hessen)

Comerciantes mirins, novas gerações e o mundo de regeneração (Jorge Hessen) 



Jorge Hessen 

Novas gerações, velhas provocações diante dos atuais desafios da inteligência infanto-juvenil. Realmente observamos os pequenos (crianças e adolescentes) como exímios empreendedores que se sobressaem quais proeminentes alienígenas negociantes e habitantes da Terra. 
São indicativos panoramas para uma Nova Era sob as ondas das informações ultrarrápidas e estímulos ao empreendedorismo, cujos efeitos são os surgimentos dos mirins fenomenais que nestes tempos de vida apressada hão faturado alto antes mesmo de completarem a maioridade. Quiçá estejamos diante do convite à solidariedade, inobstante o acúmulo de bens que paradoxalmente poderá diminuir a desigualdade das riquezas. 
Além de Mikaila Ulmer, uma das empresárias mais jovens dos EUA, com a criação do BeeSweet Lemonade, comerciando 360 mil garrafas de sua limonada por ano em lojas sofisticadas, como a rede de supermercados Whole Foods, listamos aqui outros empreendedores mirins da Nova era. É o caso de Pixies Bows, responsável pela loja virtual Pixies Bows, em que vende laços e tiaras, os dois acessórios mais marcantes de seu estilo. As peças estão à venda entre US$ 15 e US$ 24 (R$ 45 e R$ 72). 
Lembramos de Charlis Crafty Kitchen, de 8 anos, que já virou uma celebridade na internet e fatura cerca de US$ 128 mil com vídeos em que ensina receitas. Outro fenômeno é o pequeno Evan, que desde 2011 faz vídeos no YouTube. Atualmente, seu canal EvanTubeHD já tem mais de 1 bilhão de visualizações e 1,3 milhão de assinantes e fatura mais de US$ 1 milhão. 
Outro exemplo é Rachel Zietz, de 18 anos que detém marca para vender equipamentos esportivos. A jovem lançou sua empresa, a Gladiator Lacrosse, e já faturou mais de 1 milhão de dólares. 
Noa Mintz tinha apenas 15 anos e já faturava cerca de US$ 500 mil por ano. Sua empresa cobra uma taxa de US$ 5 por serviço de baby-sitter arranjado, e uma taxa de 15% sobre o primeiro salário das babás, que varia entre US$ 64 mil e US$ 100 mil por ano. 
Seguramente teremos que aprender a conviver com a pós-modernidade considerando a presença do capital e o consumismo licenciosos, da difusão de conhecimento e tecnologia avançada apressando a automação da vida terrestre, da carência de valores morais, da extenuação dos sistemas de ideias, do desalento dos vínculos afetivos e do egocentrismo acentuado. 
Eis aí algumas particularidades da Nova Era que ainda suscitam incertezas de um porvir de um planeta mais pacífico e fraterno. Todas essas mudanças velozes de empreendimentos precoces e as crises presentes nas inquietas esferas sociais indiciam a (pré)construção do mundo de regeneração, que não poderá ser regido pelo convite materialista ainda vigente em nosso atual estágio evolutivo. 
A geração da Nova Era, encarnada ou em via de encarnar neste período sensível de mudanças paradigmáticas, obviamente traz uma bagagem moral e intelectual específica do mundo extrafísico e tem ciência sobre a sua fascinante incumbência de tomar as rédeas desse patrimônio civilizacional em nome de um multiculturalismo econômico às vezes insano. 
Sim, geração que deve estar comprometida com missões diferentes para o bem coletivo, com o desígnio de agenciar as transformações imprescindíveis que estão antevistas na Lei do Progresso. 
Deste modo, não estamos diante de uma geração de seres perfeitos para iniciar uma revolução prodigiosa na Terra, mas tão somente de Espíritos mais experientes nas diversas (re)encarnações terrestres que, mais perspicazes e ilustrados, esquadrinham um indulto na consciência com vista a edificação do amanhã brilhante, cientes de que, sem o enriquecimento moral por meio da observância da Lei de amor, justiça e caridade, será impraticável a concretização do mundo de regeneração.