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segunda-feira, 14 de maio de 2018

Overdose de carpe diem e os fenômenos da neuroplasticidade

Overdose de carpe diem e os fenômenos da neuroplasticidade

Jane Maiolo


Pois eu tenho a certeza de que nada pode nos separar do amor de Deus: nem a morte, nem a vida; nem os anjos, nem outras autoridades ou poderes celestiais; nem o presente, nem o futuro. (Romanos 8 : 38,39)¹
A sociedade atual experimenta uma instabilidade generalizada em face de um panorama de incertezas que se projeta no horizonte. Aqueles que concebem apenas a unicidade da experiência física deparam-se com a necessidade de prosseguir vivendo sem se afligirem com os obstáculos da caminhada, repensando meios de conquistarem a felicidade fugitiva.
As pessoas, cientes que a vida física é uma experiência do espírito imortal, devem buscar as lições norteadoras do bem, cônscios da tutela do Cristo,  a fim de buscarem a renovação dos valores essenciais nas vastas experiências nas quais todos estamos incursos. Vivemos tempos céleres, rápidos, tempestuosos. Tempos já vividos dantes, histórias que se repetem, lições abortadas e novos recomeços.
A cultura do “carpe diem” , muito difundida e tão pouco refletida , nos estimula as mais intensas emoções da matéria. Vivemos um período alucinante por sensações imediatas, onde os pensamentos desorganizam, os sentimentos se confundem e as emoções extrapolam. A rigor, “carpe diem” significa uma experiência psicoemocional imediatista e sem preocupações com o amanhã. É desfrutar a vida e os prazeres do momento em que se “vive”. Esta expressão tem o objetivo de lembrar que a vida é breve e efêmera e por isso, cada instante deve ser “vivido” apoteoticamente, por conseguinte, esse conceito é largamente aceito pelo materialista ou sensualista, que carece entorpecer  os sentidos a fim de suportar os açoites das expiações e provações e as lágrimas desconfortantes.
Entretanto, somos espiritualistas e paradoxalmente acreditamos  que devemos aproveitar ao máximo o “aqui e agora”  a fim de que o nosso amanhã seja um tanto mais proveitoso rumo ao nosso aperfeiçoamento moral.  Lamentavelmente a sociedade humana, ainda descompromissada com os valores do espírito imortal, promove essa cultura que arrasta as criaturas primárias para as experiências não aconselháveis. Haja vista a infinidade de festa open bar oferecidas aos jovens, a puerilidade dos relacionamentos e a imaturidade que encontramos nos fúnebres cenários da sociedade contemporânea.
Uma humanidade acriançada que ambiciona tão-somente o sedutor prazer da vida, deixando o dever para mais além do fugitivo imaginário. Estamos cada vez mais envoltos num clima de egocentrismo , isolamento e retraimento social, não obstante contíguo à multidão. Alguns experimentam a obscuridade moral a ponto de descobrir nos relacionamentos virtuais a válvula de escape para aliviar o turbilhão das suas carências e desditas afetivas.
Entretanto, o alerta para essas realidades é a sensação subjetiva de estar isolado e não ter para quem se expandir, falar, prantear, se regozijar, ou buscar dividir as emoções. São duas faces de uma mesma moeda. Em alguns períodos vivemos intensamente as experiências e em outros nos abatemos completamente no isolamento.
            O “carpe diem” descomedido pode até mesmo nos dar a impressão de estarmos vivendo intensamente o momento, porém , importa refletir quais são os valores que temos granjeado nessa competição alucinada pela satisfação instantânea.
            O apóstolo da gentilidade diria: “Pois eu tenho a certeza de que nada pode nos separar do amor de Deus: nem a morte, nem a vida; nem os anjos, nem outras autoridades ou poderes celestiais; nem o presente, nem o futuro; nem o mundo lá de cima, nem o mundo lá de baixo.Em todo o Universo não há nada que possa nos separar do amor de Deus, que é nosso por meio de Cristo Jesus, o nosso Senhor.” (1)
Considerando que fomos criados por uma Inteligência Suprema é importante que passamos nos sentir parte da divindade. Conectando-nos a Deus. O pensamento ilusório de que somos autossuficientes tem gerado uma série de conflitos emocionais,  promovendo um sentimento de incompetência, fracasso existêncial e incompletude. Em verdade são sentimentos conectados a apreciações que denunciam a incondicional ausência de valores morais que nos permita maior aproximação de Deus.
A aflição de viver e o eterno recomeço para a busca da vida venturosa são segmentos do processo de construção do ser na forja do tempo. Após milênios de experiências malogradas e  enriquecedoras desponta para todos  a capacidade de desenvolver as perenes potências espirituais.
Entendemos que a neuroplasticidade ou plasticidade neural,  definida como a capacidade do sistema nervoso modificar sua estrutura e função em decorrência dos padrões de experiência, e a mesma, pode ser concebida e avaliada a partir de uma perspectiva estrutural , na configuração sináptica (2) ou funcional , na modificação do comportamento.
Sob o comando do espírito consciente de suas necessidades evolutivas, através do impulso da vontade e determinação constante,  ocorre a modificação estrutural física e perispiritual. A neuroplasticidade nasce de uma necessidade da mente humana em buscar saídas assertivas. Somos seres cognitivos e não existem limites para nossas criações. A legitimidade das nossas buscas obrigará nossas estruturas fisiopsíquicas a encontrar caminhos que darão novo significado à vida.
Nada no mundo nos afastará do amor de Deus, nem a ilusão, nem solidão, nem a penumbra das emoções e nem o “carpe diem” exagerado. Tenhamos a certeza que o Amor do Criador é patrimônio que também nos pertence, por direito inalienável. Se preciso for utilizaremos de todos os recursos divinos para nos moldar a essa excelsa herança.


Referência bibliográfica:

1-        Romanos 8:38-39
2-        Algo que cria um novo caminho ou alternativa em sua vida ou de outrem, bom ou ruim. Geralmente precisa de tratamento psicológico ou quimico para ser alterado ou ainda mudança de atitude séria por parte de quem o enfrenta.

(*)Jane Maiolo – É professora de Ensino Fundamental, formada em Letras e pós-graduada em Psicopedagogia. Colaboradora da Sociedade Espírita Allan Kardec de Jales. Pesquisadora do Evangelho de Jesus. Colaboradora da Agenda Brasil Espírita- Jornal O Rebate /Macaé /RJ – Jornal Folha da Região de Araçatuba/SP –Blog do Bruno Tavares –Recife/PE - colaboradora do site www.kardecriopreto.com.br- Revista Verdade e Luz de Portugal, Revista Tribuna Espírita de João Pessoa,  Apresentadora do Programa Sementes do Evangelho da Rede Amigo Espírita. Janemaiolo@bol.com.br -

domingo, 13 de maio de 2018

Análise do Livro Brasil coração do mundo pátria do Evangelho - E-book

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ENTREVISTA COM CESAR PERRI..TV MUNDO MAIOR

SOBRE O LIVRO " UNIÃO DOS ESPIRITA , PARA ONDE VAMOS?"
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sábado, 12 de maio de 2018

Lançado União dos Espíritas. Para onde vamos?

Lançado 
União dos Espíritas. Para onde vamos?
Júlia Nezu de Oliveira e Antonio Cesar Perri de Carvalho


A Editora EME (Capivari, SP) informou no dia 18 de abril o lançamento do livro União dos Espíritas. Para onde vamos?, de autoria de Antonio Cesar Perri de Carvalho. O autor foi presidente da FEB, USE-SP, e, membro da Comissão Executiva do CEI. Reúne experiência de 54 anos de ações no movimento espírita. Contém 144 páginas.
Informa a Editora EME:
"O tema “união dos espíritas” é de fundamental importância para o bom desenvolvimento e o futuro do movimento espírita. Os acordos de união devem ser avaliados e analisados em função do histórico e de cenários do movimento espírita atual, incluindo-se um estudo sobre o “Pacto Áureo” e dos seus desdobramentos, principalmente do Conselho Federativo Nacional da FEB. As reflexões e as sugestões contemplam a trajetória dos primeiros tempos do cristianismo realizando-se algumas analogias com o movimento espírita. O presente livro se fundamenta em obras do codificador Allan Kardec e textos sobre união psicografados por Chico Xavier. O autor faz apreciações com base em sua vivência de mais de meio século de atuação no movimento espírita e evoca a afirmação de Kardec de que “se a iniciativa pertence aos espíritos, a elaboração é fruto do trabalho do homem”. Há algumas dúvidas e até eventuais desvios de caminhos que podem ser equacionados? O movimento requer reflexões continuadas. Afinal de contas são sempre válidas algumas indagações: o que pretendemos? para onde vamos?"
Informações: 
https://editoraeme.com.br/estudo/514-uniao-dos-espiritas-para-onde-vamos.html
Fone: (19) 3491-7000

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Saber Viver. Amor e Perdão

Saber Viver. Amor e Perdão
Luiz Carlos Formiga

 
Qual o sentimento mais importante para uma reencarnação na Terra, nos dias de hoje, época de transição, onde o Bem e o Mal coexistem?
Um sentimento necessário para ampliar benefícios e mitigar malefícios?
Certamente é o Amor. Ele nos permite adquirir a compreensão perfeita dos desígnios do Cristo. É preciso amar para viver plenamente.
 Viver é trabalhar. Pensando nos benefícios, pode ser também interpretado também como tarefa de retirar as pedras e espinhos na jornada, na vida.
Para que esses verbos?
Para evoluir e alcançar elevada expressão de esforço com Jesus..
Viver em plenitude é também saber esperar com paciência, sonhando com a própria evolução. Aprender a subir degraus sem pressa, consciente de que é ainda calouro na universidade da sublimação.
Sonhar, com o próprio progresso, não é enlouquecer nem esperar que a vida seja feita de ilusão. Esperar é tomar providência contra o desânimo destruidor.
O Amor Total sabe perdoar os espinhos encontrados na própria vida conjugal e nas outras relações interpessoais. Mas, também é prevenir-se contra a morte na solidão.
Só o Amor pode compreender totalmente o outro e eventualmente dizer: “ando todo arranhado, mas não largo a minha gata”. Animal racional também pode não saber o que faz.
Com Amor Total poderemos conciliar as grandiosas lições do Evangelho com a indiferença do próximo, num simples ato de perdoar.
A reflexão, o leitor já percebeu, é despretensiosa, mas serve de alerta contra o arrependimento depois já do outro lado da vida, no plano espiritual.  “Eu devia ter amado mais!”
No livro Paulo e Estevão, Abgail leciona ao seu grande Amor, deixando-nos síntese fabulosa: Ama, Trabalha, Espera e Perdoa. (1, 2).
Temos uma película com visão espírita em cartaz (*)
Nenhum coração espírita deve negligenciá-la, é mapa-poesia, trazida pela Espiritualidade mais evoluída.
“Quem não tem competência não se estabelece”, dizia Catarina, uma aluna querida, na época que fazia o “Curso Biomédico”, na UERJ.
Ninguém fica em cartaz, por toda a vida, se não reunir boa letra, música e interpretação. Por isso, posso dizer que Erasmo Carlos e Roberto Carlos Braga são verdadeiros Titãs.
Quem espera que a vida / Seja feita de ilusão / Pode até ficar maluco / Ou morrer na solidão / É preciso ter cuidado / Pra mais tarde não sofrer / É preciso saber viver.
Toda pedra no caminho / Você deve retirar / Numa flor que tem espinho / Você pode se arranhar / Se o bem e o mal existem / Você pode escolher / É preciso saber viver.


Fontes.
1.  Paulo e Estevão. Emmanuel. Francisco Candido Xavier.
Emmanuel neste romance resgata a imagem de Paulo de Tarso, visto como um fariseu fanático, perseguidor de cristãos, e da então nascente doutrina cristã, apresentando-o como um ser corajoso e sincero que se arrependeu de sua postura radical, empreendeu acelerada revisão de conceitos e atendeu ao chamado de Jesus na estrada de Damasco, transformando sua vida num exemplo de trabalho, por dezenas de anos dedicados a abrir igrejas cristãs e dar-lhes assistência. "Paulo e Estevão" fará você compreender como o amor apaga a multidão de faltas cometidas. 599 páginas.
2.  Casamento Perfeito, Parceiro Ideal e o Filho Como Vai?. Texto compilado para palestras a serem realizadas dias 17 e 26 de maio de 2018.
Programado para publicação, domingo, 13 de maio de 2018. O Consolador. Revista Semanal de Divulgação Espírita.
3. Titãs.  É preciso saber viver. Titãs.
Devia ter amado mais



terça-feira, 8 de maio de 2018

Exorcismos, ah! Exorcismos! (Jorge Hessen)


Exorcismos, ah! Exorcismos! (Jorge Hessen)

 Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

O Vaticano acaba de abrir as portas para seu curso anual de exorcismo em meio a uma demanda crescente de comunidades católicas ao redor do mundo. Cerca de 250 padres, vindos de 50 países, chegaram a Roma para, entre outras coisas, aprender a identificar uma "possessão demoníaca", ouvir testemunhos de colegas e conhecer os rituais para a expulsão de “demônios".

Em 2017, o papa Francisco disse a clérigos que eles "não deveriam hesitar" em encaminhar casos para exorcistas ao notarem "distúrbios espirituais genuínos". Em 1999, a Igreja Católica fez a primeira grande atualização nas regras sobre exorcismo desde 1614, distinguindo a possessão demoníaca de doenças físicas e psicológicas. [1] 

Em geral, o padre, pratica o ritual usando uma túnica branca de renda chamada sobrepeliz com uma estola roxa. A pessoa possuída pode ser atada, e água benta deve ser usada. O padre faz o sinal da cruz várias vezes em frente à pessoa ao longo do procedimento. O padre convoca santos, reza e lê trechos da Bíblia nos quais Jesus expulsa demônios de pessoas. 

Em nome de Jesus, ele pede ao demônio que se renda a Deus e vá embora, tantas vezes quanto necessário. “Assim que o padre se convence de que o exorcismo funcionou, ele reza a Deus para que impeça o espírito maligno de importunar a pessoa afetada novamente, e que, em vez disso, a "bondade e paz do nosso Senhor Jesus Cristo" se apossem dela.” [2] 

O jornal Correio Braziliense [3] publicou em 03 de julho de 2014 que o Vaticano reconheceu juridicamente a Associação Internacional de Exorcistas (AIE). A notícia foi espalhada pelo jornal L'Osservatore Romano, confirmando que a Congregação para o Clero aprovou os estatutos da associação através de um decreto. O ritual do “exorcismo” foi restaurado pelo papa João Paulo II, “quando a Igreja católica decidiu, depois de quase 400 anos, revisar o texto anterior de 1614 , devido às mudanças realizadas pelo Concílio Vaticano II (1962-1965) e aos avanços da ciência no campo da mente.[4] 

Será que existem fundamentos coerentes a prática do exorcismo? Consta que no ritual da Igreja romana tão-somente os bispos podem autorizar um sacerdote a fazer “exorcismos”. Segundo relatos, no esconjuro, os "demos" respondem com mentiras às indagações do “exorcista” sobre a identidade e/ou os motivos da subjugação. 

Amparados no bramido beneditino “vade retro satanás!” os exorcistas exortam os espíritos satânicos a saírem do corpo dos possessos, valendo-se igualmente da invocação do nome de Deus, de Cristo e todos os anjos. Ao fim das extenuantes algazarras e invocações, sempre sob o arrimo da “reza brava”, o resultado poderá aparecer de forma ligeira , sem sustento duradouro. 

Os espíritas compreendem que os tais “demônios”, “capetas”, “coisa-ruim”, “lúcifer”, “diabo”, “satanás”, “satã”, “cão”, “demo”, “besta” etc. no senso comum, não são seres votados por Deus à prática do mal, e sim seres humanos desencarnados que se desequilibraram em atitudes infelizes perante a vida. “Na raiz do problema encontramos a necessidade de considerar os chamados “espíritos das trevas” [demônios] por irmãos verdadeiros, requisitando compreensão e auxílio, a fim de se remanejarem do desajuste para o reequilíbrio neles mesmos.” [5] 

Se o célebre “exorcismo”, aplicado consoante os rituais das igrejas não funciona , como tratar o processo de subjugação espiritual? Ora, a maioria dos Centros Espíritas dispõe de trabalhos de desobsessão. Embora saibamos que a tarefa de tratamento espiritual não é simples , pois muitas vezes obsedado e obsessor comungam um mesmo estado mental, dificultando a identificação de quem é vítima de quem. 

Há trabalhos de “desobsessão”, conforme garantem os incautos , que são mais “fortes” e “imediatos”, contudo infelizmente nesses estranhíssimos “tratamentos espirituais” são fixados apenas um imperativo urgente, o afastamento rápido do obsessor. Mas será que esse instantâneo banimento espiritual é possível? Ora, “como rebentar, de um instante para outro, algemas [mentais] seculares forjadas nos compromissos recíprocos da vida em comum?”[6] 

Portanto, são inteiramente inúteis as fórmulas e rituais exteriores para “exorcismos”, o que importa é a autoridade moral do doutrinador. Nesse sentido, a técnica da conversação [doutrinação] com os perseguidores do além estabelece uma das grandes contribuições do Espiritismo para a melhora das relações entre encarnados e desencarnados. Em face disso as reuniões de desobsessão bem orientadas são de grandiosa força revolucionária, por disseminar nas suas sessões o convite amorável do Mestre sobre o amor e o perdão. 

Referências bibliográficas:


[1]           Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/geral-43819104   acessado em 04 de maio de 2018
[2]           Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/geral-43819104   acessado em 04 de maio de 2018
[5]           XAVIER Francisco Cândido. Caminhos de Volta, ditado por espíritos diversos, SP: edição GEEM, 1980



[6]           XAVIER, F. C. Missionários da Luz, pelo Espírito André Luiz. 8. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1970.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Selfies associadas às carências afetivas (Jorge Hessen)

Selfies associadas às carências afetivas (Jorge Hessen)


Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com

Três jovens da cidade de Xinguara, no norte do Piauí, caíram de uma ponte ao tentar tirar uma foto no dia 22 de abril de 2018. De acordo com a polícia local, as garotas tentavam fazer uma selfies quando a lateral da ponte desabou, fazendo com que elas despencassem de uma altura de 10 metros, fraturando as pernas e pés. A ponte passa sobre o rio Cais e é utilizada como linha férrea, apesar de degastada com o tempo. As adolescentes estavam tirando selfies no local, quando a plataforma da lateral desabou com elas. [1]
Essa não é a primeira vez que uma tentativa de selfies termina mal. Na Rússia, o governo chegou a criar um manual para evitar novas mortes por esse motivo. Entre as indicações há a exibição de riscos ao subir em pontes, parar no meio da rua ou mesmo se esticar em uma plataforma de trem.
Uma pessoa de bem consigo mesma, na maioria das vezes, posta selfiess com imagens mais espontâneas, ao invés daquelas estrategicamente montadas e editadas. Pessoas mais desatentas tendem a postar selfiess às vezes mais erotizadas e exibicionistas, com o intuito de receber o maior número de “curtidas”, e com isso obterem uma falsa percepção de que são “amadas”.
Há aqueles que fazem selfiess nas academias retratando os corpos “sarados”, e se não tiverem “curtidas” e “comentários” ficam frustrados, deprimidos e aumentam os exercícios para esculturar o visual. Há, sem dúvida,  alguns transtornos que podem estar associados ao comportamento descontrolado da produção desses selfiess, como depressão, fobia social, transtorno afetivo bipolar e transtorno dismórfico corporal [2]. Tais transtornos trazem prejuízos concretos à vida do indivíduo, como isolamento social, anorexia, bulimia, automutilação e, no extremo, até suicídio.
Nesse sentido, o vício de tirar centenas de selfiess não é uma prática recomendável, até porque a “auto representação seletiva” não aumenta a autoestima e nem a autoconfiança. Normalmente, carências afetivas são as principais causas da necessidade de se expor, de chamar a atenção. Quando não preenchidas, comumente provocam situações psicopatológicas extremas.
Há pessoas (alucinadas) que vão tirar selfies próximas a animais ferozes, subindo no trilho de um trem, equilibrando-se no parapeito de uma ponte, nas culminâncias das torres ou ainda nos pontos mais altos de edifícios gigantes, que aliás têm sido uma das "modas" mais perigosas dos últimos tempos, e isso tem trazido consequências graves.
A tecnologia de registro de imagens precisa estar a nosso favor e a benefício da sociedade. Que tal se, em vez de postar constantemente o próprio retrato, postássemos imagens com informações culturais ou compartilhássemos projetos sociais importantes? Isso sim seria muito útil à sociedade. Obviamente não será através da postagem de milhares de fotos de si mesmo que se estará colaborando com a melhoria da vida no planeta.
O sentimento de inferioridade ou de baixa autoestima associa os viciados nas selfiess a uma auto exposição exagerada, a uma autonegligência ou desmazelo das coisas pessoais. O nosso avanço espiritual consiste, exclusivamente, na forma de vermos a vida, e isso nada mais é do que a demonstração de uma nova visão otimista de nós mesmos e do mundo ao nosso redor.
Pensemos nisso!
Referências:
[2]            Termo usado para designar a discrepância ou diferença entre aquilo que a pessoa acredita ser, em termos de imagem corporal, e aquilo que realmente é.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Diante das dores não existe injustiça no código de Deus (Jorge Hessen)

Diante das dores não existe injustiça no código de Deus (Jorge Hessen)

Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com

Letícia Franco, de 36 anos, médica de Cuiabá já foi internada dezenas vezes desde 2010.  Só na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) foram 34 vezes. O grande sofrimento é causado por uma doença crônica degenerativa que fez com que ela postasse recentemente, uma espécie de despedida nas redes sociais: "Em 16 dias estarei longe, na Suíça, fazendo o que me deixará livre da dor e do medo. Acho que amanhã ou depois desligo esse facebook [...] (sic) Toda minha família deixo meu mais sincero amor", postou no dia 1º de março de 2018. [1]
Foi em 2017, quando esteve  internada e fez a traqueostomia para poder respirar, que começou a pensar no suicídio assistido. Como médica, ela sempre defendeu que pacientes de doenças incuráveis ou com morte cerebral pudessem ter essa opção. A decisão de colocar fim à vida, segundo Letícia Franco, foi extremamente difícil e envolveu questões religiosas. No momento, Franco afirma ter suspendido o plano - a possibilidade de poder ter seu caso estudado e ajudar outras pessoas que tenham a mesma doença a levou a mudar de ideia. [2]
A viagem à Suíça citada na mensagem apontava para o plano de “eutanásia” ou suicídio assistido em uma conhecida clínica que oferece esse serviço para pacientes terminais que desejam por um fim a sua vida, prática que é legal naquele país, ao contrário do que acontece no Brasil.
No Brasil, a Constituição e o Direito Penal são bem claros: a eutanásia constitui assassínio comum. Nas hostes médicas, sob o ponto de vista da ética da medicina, a vida é considerada um dom sagrado, e, portanto, é vedada ao médico a pretensão de ser juiz da vida ou da morte de alguém. A propósito, é importante deixar consignado que a Associação Mundial de Medicina, desde 1987, na Declaração de Madrid, considera a eutanásia como sendo um procedimento eticamente inadequado.
Não cabe ao homem, em circunstância alguma, ou sob qualquer pretexto, o direito de escolher e deliberar sobre a vida ou a morte de seu próximo, e a eutanásia , essa falsa piedade, atrapalha a terapêutica divina nos processos redentores da reabilitação. Nós, espíritas, sabemos que a agonia prolongada pode ter finalidade preciosa para a alma e a moléstia incurável pode ser, em verdade, um bem..
Nós, espíritas, sabemos que a agonia física e emocional prolongada pode ter finalidade preciosa para a alma e a enfermidade pertinaz pode ser, em verdade, um bem. A questão 920, de O Livro dos Espíritos, registra que “a vida na Terra foi dada como prova e expiação, e depende do próprio homem lutar, com todas as forças, para ser feliz o quanto puder, amenizando as suas dores”. [3]
O verdadeiro espírita porta-se, sempre, em favor da manutenção da vida, respeitando os desígnios de Deus, buscando não só minorar seus próprios sofrimentos, mas também se esforçar para amenizar as dores do próximo (sem eutanásias), confiando na justiça perfeita e na bondade do Criador, até porque, nos Estatutos Dele não há espaço para injustiças e cada qual recebe da vida segundo suas necessidades e méritos. É da Lei maior!

Referências bibliográficas:
[1]     Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/brasil-43575735, acesso em 10/04/2018
[2]     Idem
[3]     KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB, 2002, pergunta 920