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terça-feira, 22 de agosto de 2017

UM GRAVE ERRO

UM GRAVE ERRO
Luiz Carlos Formiga

 
Na administração a substituição da ética pela ideologia escraviza. Na educação, objetivando o homem integral os valores éticos devem ser e ter prioridade. Não basta perseguir a meta de formar homens instruídos, se não forem capazes de lutar e vencer seus próprios vícios e paixões.
Um registro em Lucas (16:9) é de entendimento aparentemente difícil, para o leitor desatento aos valores ético-espirituais. Refiro-me ao texto que diz: “granjeai amigos com as riquezas da injustiça, para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos.”
Uma leitura superficial daquilo que diz Jesus pode levar a se pensar que o Mestre falava de um ladrão inteligente comprando o favor de advogados venais, de modo a reintegrar-se nos títulos honrosos da convenção humana, comenta Emmanuel. No entanto, sem ética não fazemos amigos, mas cumplices.
Emmanuel (Pão Nosso, 112) diz que “quando Jesus fala em amigos, refere-se a irmãos sinceros e devotados, e, quando menciona as riquezas da injustiça, inclui o passado total da criatura, com todas as lições dolorosas que o caracterizam. Assim também, quando se reporta aos tabernáculos eternos, não os localiza em paços celestiais”.
Este espírito identifica como tabernáculo sagrado o coração do homem e como amigos, aqueles que “na qualidade de discípulos mais dedicados e enobrecidos que nós, nos auxiliarão, acolhendo-nos em seus corações, convertidos em tabernáculos do Senhor. São eles que no ajudarão a obter novas possibilidades de reajustamento.”
Psiquiatras dizem que três comportamentos somam para uma boa saúde mental: possuir tempo regular para recolhimento interior, para oração, reflexão ou meditação;  fazer estudo de um material religioso e/ou espiritual e investir em amigos que possuem aspirações em termos de objetivos espirituais e / ou religiosos.
Trocar a ética pela ideologia é um grande erro, mesmo que pense na construção do belo e do bem. O indivíduo cria a ideologia, e depois acaba tendo que encaixar os fatos da realidade numa versão onde transforma cumplices em heróis.
No DNA da ideologia está o preconceito, como o do prêmio Nobel de medicina.
O professor britânico declarou durante uma Conferência, que o problema de trabalhar com mulheres no mesmo laboratório era que “você se apaixona por elas, e elas se apaixonam por você. Quando você as critica, elas choram”. Ele defendeu a ideia de laboratórios unisex, onde os homens não seriam distraídos pelo sexo oposto.
Diz uma professora universitária que “apesar dos inegáveis avanços na promoção da igualdade de gênero, sabemos que a participação de mulheres no campo da ciência continua sendo minoritária.” Enfatizou que no Brasil é muito importante o “Programa Internacional Para Mulheres na Ciência (L´Oreal-UNESCO), que desde 1998 concede bolsas e dá prêmios a mulheres cientistas (inclusive no Brasil), para ajudar a reverter essa situação de desigualdade”.(1)
Mulheres sofrem preconceito, mas foram acolhidas por Jesus e convidadas a colaborar, no inicio da implantação da Boa Nova.
Recentemente, um filme que estreou no Brasil em fevereiro de 2017, conta as histórias de mulheres, cujo esforço foi essencial para que os Estados Unidos dessem início à corrida espacialDirigido por Theodore Melfi, o longa acompanha a trajetória das matemáticas Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson, que além de enfrentarem resistência por serem mulheres, tiveram que trabalhar ainda mais para serem notadas por serem negras. (2)
A intolerância no mundo tem levado a momentos de grande tristeza. Podemos demonstrar nossa solidariedade, através da WEB, aos que estão passando por dores extenuantes em Barcelona. (3) Nesse “rincon” se diz que a morte não existe, mas existe a dor pelas ausências inesperadas. Nele pedimos a Deus que, em sua infinita misericórdia, siga iluminando a todas as criaturas que passam por provas tão dolorosas e que acolha no seu seio a todos os irmãos. Lembra-nos Francisco de Assis quando pede que sejamos instrumentos da paz, mesmo que estejamos na condição de arvore ferida, apedrejada por produzir muitos frutos.
Morrendo é que se vive para a vida eterna e aí é muito triste, quando nos descobrimos como algoz.
Rogamos pelas vítimas e pelos terroristas, que certamente não sabem o que semearam e que ainda serão seus próprios herdeiros. A colheita é obrigatória, até o último ceitil.
Muitos estão dopados, com a mente em desalinho, enlouquecidos pela ideologia, a droga que subjuga e faz abandonar a ética.  
Os escravizados desta forma e os “homens de um livro só” (*) me fazem lembrar Mario Quintana no seu “Poeminho do Contra”, quando se vinga dizendo: “todos esses que aí estão, atravancando meu caminho,  eles passarão...  eu passarinho!
Precisamos educar para a aceitação da diferença. Lulu Santos diz que “os garotos na escola estavam sempre a fim de jogar bola e ele queria tocar guitarra na TV. “
Eu não queria ser jogador de futebol nem artista. Sonhava, e quase consegui, ser cientista. “Que seja assim, enquanto é”.
Rincon Espírita com sua solidariedade diante das vítimas diretas e indiretas da tragédia deste ano em Barcelona, faz sentir a necessidade de conquistar amigos verdadeiros, como registrado por Lucas, discutido por Emmanuel em Pão Nosso.

No Rock in Rio, 1985, esse amigo de valor é cantado, de maneira inesquecível, por  James Taylor.

Muito significativo, para quem tem Jesus como modelo e Guia, é o verso que diz: “seja Inverno, primavera, verão ou outono, tudo o que você precisa fazer é chamar e eu estarei aí com você. Você tem um amigo”

(*) Este livro é sobre o fundamentalismo afetando a vida de todos. Embora não seja fenômeno recente, ele hoje ganha maior visibilidade. Comenta a transformação da mensagem de paz em sectarismo e intolerância, para que possa atender interesses puramente políticos.

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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

As bebidas alcoólicas são tóxicos fatais (Jorge Hessen)




Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com

No Brasil , a Lei Federal 9.294, de 1996 , estabelece restrições” à propaganda de álcool, todavia, o parágrafo único da lei é obscena, notemos:  "Consideram-se bebidas alcoólicas, para efeitos desta Lei, as bebidas potáveis com teor alcoólico superior a treze graus Gay Lussac". Logicamente, ficam excluídas das “proibições” as cervejinhas televisivas. Eis aí a vitória da indústria etílica com direito a “palma de ouro”.
Em verdade, mais da metade dos brasileiros afunda-se moralmente na farra dos metafóricos “treze graus Gay Lussac” de teor alcoólico. Portanto, como obra prima das “trevas”, a cerveja, que em tese possui um teor alcoólico até o limite de  treze graus Gay Lussac , por não sofrer restrições publicitárias no Brasil,  é liberada para todos , trafegando, de tal modo,  em altíssima velocidade  na contramão da legislação de trânsito que estabelece uma tolerância baixíssima com o álcool. Nesse gerigonça vão os adolescentes se expondo hoje muito mais ao álcool. Está se formando uma geração de dependência de álcool. Além dos riscos à saúde, há os perigos de dirigir embriagado, da violência e de traumatismos decorrentes do abuso de álcool.
Através das propagandas apelativas, hipnotizantes, que custam bilhões de dólares, intoxica-se a estrutura mental dos adolescentes mais tolos. Dessa forma, os jovens agem sem padrões definidos de comportamento racional, projetam-se em uma perspectiva cada vez mais próxima da derrocada em busca do entorpecimento da consciência e da razão, justificado pelo prazer alucinado no mundo das bebidas, situação, essa, que promove um mergulho no “nada” para as fugas espetaculares da realidade.
À maneira de um incêndio, que começa de uma fagulha e causa grande destruição, muitos adolescentes, a partir de um simples gole "inofensivo", precipitam-se nos escombros da miséria moral, transformando-se em uma pessoa vazia de ideais.
É assombrosa a lavagem cerebral através das mídias veiculando reiteradamente o convite para o consumo de cervejas, em razão disso, o volume consumido no Brasil está acima da média mundial. Pela televisão “o gênio das trevas” aconselha, após trinta segundos de propaganda, em tão-somente um milésimo de segundos, o famoso “beba com moderação”.
Ora, não se pode  aceitar passivamente  uma situação em que as autoridades de saúde passam uma mensagem de legalidade e possível  “moderação” ao mesmo tempo em que a indústria acena com uma publicidade maldita  e cara cujo conteúdo instiga e incentiva  o consumo da cerveja de modo avassalante.
Para o espírita, o vício de beber tem implicações muito graves, especialmente em face das repetidas advertências dos Benfeitores Espirituais, elucidando sobre os danos que causam à mediunidade, por exemplo. O médium, contaminado pelos alcoólicos torna-se mira de obsessão dos indigentes alcoolistas do além. A obsessão, através da inofensiva cervejinha, é mais generalizada do que parece.
Num contexto social permissivo, o vício da ingestão de alcoólicos torna-se expressão de "status", atestando a decadência de um período histórico que passa lento e doído.  A Doutrina Espírita adverte sobre essa influência espiritual, oculta, ou seja, o meio espiritual que respiramos pode contribuir para o surgimento de um determinado vício.  Não nos iludamos, o viciado em álcool quase sempre tem a seu lado obsessores extra físicos que o induzem à bebida, nele exercendo grande domínio e dele usufruindo as mesmas sensações etílicas.    
Pais espíritas e, absolutamente, cônscios da responsabilidade que assumiram perante a família, não devem oferecer bebidas alcoólicas para seus filhos sob quaisquer pretextos. Ao contrário disso, devem envidar todos os esforços para afastá-los das festas regadas a álcool; essa, sim, é uma atitude sensata. Creio que haja suficiente razão para não estocarmos, em casa, as esplêndidas e suntuosas garrafas de bebidas alcoólicas, normalmente, conservadas em um “atraente” barzinho, pois, nelas, está acondicionado o tóxico fatal.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

“Sim” ou “não”, eis a questão: (Jorge Hessen)



Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com

Na Tailândia não se costuma dizer “não”. Isso é evidente até mesmo nas palavras mais simples: "sim" é chai e o mais próximo a "não" que existe em tailandês é mai chai - que pode ser traduzido como "não-sim". Com uma cultura voltada para o coletivo, os tailandeses são ensinados a se preocupar mais com o grupo do que consigo mesmos. É uma sociedade altamente conservadora e tradicional, com uma tradição de que demonstrar prazer e emoção é controlada por normas sociais restritas. “Um tailandês sempre vai dizer ‘sim’ porque a etiqueta social determina que ele o faça." [1]

Do mesmo modo, aqui no ocidente alimentamos o falso conceito que quem é bom nunca diz “não”. Contudo, a negativa salutar jamais perturba. O que despedaça é o tom contundente no qual é vazado o “não”! Proferir o “sim” ou dizer o “não” exige análise reflexiva e não deve nascer de um impulso ou estado de ânimo alterado ou inerte. É evidente que "tanto quanto o ‘sim’ deve ser pronunciado sem incenso bajulatório, o ‘não’ deve ser dito sem aspereza".[2]

Há dois mil anos Jesus nos ensinou: “seja o vosso falar: sim, sim; não, não". [3] Tal princípio está contido em O Sermão do Monte, que constitui a base do código de ética do Evangelho. Sobre isso, adverte-nos Emmanuel: “o sim’ pode ser aprazível em muitas circunstâncias, entretanto o ‘não’, em alguns setores da luta humana, é mais construtivo". [4]

Consentir que os outros decidam por nós é atitude de subserviência; não é humildade e muito menos tolerância e nem brandura. Notemos que a nossa vontade é tão importante quanto a vontade do nosso semelhante. Ora, os nossos anseios, sonhos e emoções têm o mesmo valor dos das outras pessoas. Não admitamos que determinem nossas aspirações, nossas ideias, nossas convicções religiosas, nossas rotinas, nossos modos de ser. Se não agirmos com coragem seremos domados na vontade, e o que é pior, seremos reprimidos nos próprios pensamentos.

Sem ferirmos o próximo, e isso é mais do que óbvio, é imprescindível dizer o “não”. Precisamos ter o traquejo para dizer o “não” sempre que a situação nos convide a fazê-lo. Até porque, é impossível agradarmos as pessoas a todo instante. Cedermos aos desejos e vontades dos outros pode ser a forma mais fácil de relaxarmos o empenho de busca das nossas intransferíveis necessidades de crescimento espiritual. Em certas ocasiões quando dizemos “sim” para os outros, pagamos um preço elevado por isso.

Nem sempre precisamos infligir nossa vontade, contudo não podemos deixar que os outros se imponham sobre nós. Não é ajuizado dizer “sim” quando devemos dizer “não”. Porém, por que às vezes quando temos que impor o “não, cedemos ao “sim”? Cada vez que contemporizamos com o “sim” quando a situação exige o “não”, estamos nos definhando na autoridade moral, nos desmerecendo; estamos enfim dando mais importância aos outros do que a nós mesmos.

Na presunção de não magoarmos os outros, muitas vezes nos justificamos em demasia, como se estivéssemos rogando perdão por não podermos acorrer. Não carecemos de fazer isso! Não temos nenhuma necessidade de nos explicar em demasia e muito menos pedir desculpas pela nossa opção de negativa.

Ora, se não estamos fazendo nada de censurável ao priorizarmos outros compromissos, não precisamos ficar explicando ou detalhando quais são essas prioridades. Em determinadas circunstâncias, as nossas opções por fazer ou deixar de fazer algo é uma questão de autoconsciência, portando não é da jurisdição de mais ninguém.

Aprendamos a dizer “não”, ou seja, se não desejamos tal ou qual coisa, digamos “não”; se não concordamos com tal ou qual situação, pronunciemos “não’; se não almejamos compartilhar, falar ou adquirir algo, tão-somente digamos “não”.

O bom senso nos sussurra que ao dizernão” estamos apenas dando uma resposta negativa, e isso não é insulto. Cabe aqui uma dica cristã: que os nossos “nãos” sejam proferidos sem rompantes e nem severidades e ponto final.

Referencias bibliográficas:

[1]        Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/vert-tra-39450642 acessado em 01/08/2017
[2]        XAVIER, Francisco Cândido. Pão Nosso, ditado pelo Espírito Emmanuel, Cap. "O ‘não’ e a luta", RJ: Ed FEB, 1977
[3]        Mateus 5, 37

[4]        XAVIER, Francisco Cândido. Pão Nosso, ditado pelo Espírito Emmanuel, Cap. "O ‘não’ e a luta", RJ: Ed FEB, 1977

domingo, 6 de agosto de 2017

UMA ANÁLISE INTRODUTÓRIA SOBRE A COERÊNCIA DOUTRINÁRIA DA OBRA DE ANDRÉ LUIZ: "A VIDA NO MUNDO ESPIRITUAL"



Leonardo Marmo Moreira1,2* e Edmilson Marmo Moreira3*
1Centro Espírita Caminho da Paz (CECAPAZ), São João del-Rei-MG.
2Grupo Espírita Tereza de Ávila (GETA), Três Corações-MG. 3Núcleo Espírita Fraternidade e Amor (NEFA), Itajubá-MG.
*e-mail dos autores: 
leonardomarmo@gmail.com;
 edmarmo@yahoo.com.br
RESUMO

O presente artigo apresenta uma discussão introdutória sobre a questão: "Há coerência da obra de André Luiz com as bases kardequianas?". Existem autores no movimento espírita que questionam a legitimidade da obra deste Espírito, a partir de argumentos que suas informações seriam contrárias à Codificação Espírita ou com o pensamento do Codificador. Estes argumentos são baseados na originalidade de algumas informações contidas na obra ou na falta de universalidade destas informações. Neste contexto, este artigo apresenta contrapontos a estas argumentações levantando outras questões que devem estar presentes neste tipo de questionamento. É um trabalho inicial que deve ter continuidade, mas que promove uma reflexão de como deve ser a postura do estudante na análise de obras subsidiárias à Codificação de Allan Kardec.

Palavras-chave: André Luiz; Obras subsidiárias; Coerência doutrinária.
1 INTRODUÇÃO
A obra de André Luiz foi psicografada por Francisco Cândido Xavier como médium único majoritariamente e pela parceria mediúnica entre Francisco C. Xavier e Waldo Vieira em alguns livros. O trabalho de André Luiz, no que se refere à chamada série “Nosso Lar”, consiste em um relato do cotidiano da vida no mundo espiritual. A respectiva vivência espiritual é narrada por um Espírito que tenta se adaptar, aprender e crescer intelecto-moralmente ampliando seus valores e aptidões, a partir da constatação de seu estado de Espírito desencarnado em zona de sofrimento. Vale registrar, como já foi explicitado pelo professor José Herculano Pires no programa de rádio “No Limiar do Amanhã”, do início da década de 1970, disponível na internet e que vem sendo publicado pela “Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires”, e artigo referente ao tema (MOREIRA, 2016), que Herculano, ao contrário do que asseveram alguns confrades, nunca combateu Emmanuel ou André Luiz. Ele chega a dizer que “é fã de Emmanuel”.
Vale registrar que baseado no programa “No Limiar do Amanhã”, a referida Fundação já publicou, por exemplo, o livro “O Evangelho de Jesus em Espírito e Verdade por J. Herculano Pires” [Pires, 2016]).
André Luiz jamais coloca-se como mentor em suas obras, mas como um aprendiz, que busca transmitir o que vai assimilando a cada momento, o que é enfatizado por Herculano Pires no programa “No Limiar do Amanhã”. Com uma linguagem concisa e escorreita, André Luiz, com grande capacidade de síntese, informa o que vai apreendendo a cada momento da vida espiritual, seja em contato com mentores mais elevados, seja na crosta terrestre. Ele observa os processos espirituais que ocorrem com os seres encarnados e suas implicações. Nesse último tópico, faz estudos sobre processos relevantes doutrinariamente como emancipação da alma através do sono, obsessão, fenômenos mediúnicos, processos desencarnatórios, entre outros, sendo que muitos desses episódios são estudados em centros espíritas e reuniões de evangelho no lar.
Apesar da qualidade literária do texto, diversidade de ensinamentos morais e informações científicas, a obra deste espírito, em especial os livros da chamada série "A vida no mundo espiritual", sofre diversas críticas e resistência de alguns confrades do movimento espírita que argumentam que o seu conteúdo não está em conformidade com a obra básica da Doutrina Espírita. Neste cenário, este artigo promove uma discussão introdutória sobre esta questão, apresentando algumas características destas obras e confrontando os principais argumentos de resistência com o conteúdo das obras da Codificação e, também, do pensamento do Codificador do Espiritismo, conforme consta de suas anotações e observações nas obras básicas e na Revista Espírita.
Este artigo está estruturado da seguinte forma: a próxima seção faz uma breve explanação das principais características da obra de André Luiz, em especial a série "A vida no mundo espiritual". A seção 3 apresenta os principais argumentos daqueles que se opõem a este obra como conteúdo espírita. A seção 4, discute os argumentos levantados na seção anterior e a seção 5 conclui o artigo.
2 A OBRA DE ANDRÉ LUIZ: "A VIDA NO MUNDO ESPIRITUAL"
Para o propósito deste artigo, esta discussão é principalmente circunscrita aos treze livros da série "Nosso Lar", também conhecida como série “A Vida no Mundo Espiritual”. De fato, o autor espiritual também redigiu outros livros mais focados em conteúdo moral, tais como “Agenda Cristã”, e/ou em orientação de diretrizes comportamentais para espíritas militantes, como é o caso das obras “Conduta Espírita” (pelo médium Waldo Vieira) e “Desobsessão” (pelos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira). André Luiz também é autor de outros livros de mensagens morais como autor espiritual único ou em parceria com o benfeitor espiritual Emmanuel, mentor espiritual de Chico Xavier e orientador da mediunidade e dos livros obtidos pela mediunidade de Francisco C. Xavier.
Os treze livros são:
1.      Nosso Lar
2.      Os Mensageiros
3.      Missionários da Luz
4.      Obreiros da Vida Eterna
5.      No Mundo Maior
6.      Libertação
7.      Entre a Terra e o Céu
8.      Nos Domínios da Mediunidade
9.      Ação e Reação
10.Evolução em Dois Mundos
11.Mecanismo da Mediunidade
12.Sexo e Destino
13.E a Vida Continua
Os treze livros da chamada “Série Nosso Lar” apresentam vários pontos em comum, mas também algumas diferenças significativas. A maioria deles, ou seja, onze dos treze livros, constituem narrativas, sendo que dos onze, dez são relatos elaborados na primeira pessoa do singular, ou seja, André Luiz é o narradorprotagonista dos acontecimentos, participando ativamente dos eventos narrados (a exceção é a última obra da série denominada “E a Vida Continua”, que constitui uma narrativa em que o escritor-narrador, André Luiz, não participa diretamente). Essa forma de escrita é um dos fatores responsáveis pelo sucesso editorial das obras de André Luiz, uma vez que o público espírita (e também espiritualista simpatizante do Espiritismo) brasileiro tem grande predileção pela leitura de romances. No entanto, André Luiz destaca-se de outras obras de estilo semelhante por apresentar maior volume de informações assim como uma significativa consistência, uma vez que muitas passagens e ensinamentos de um livro são corroborados por ensinos de outras obras.
André Luiz escolhe, via de regra, não citar explicitamente as obras de Allan Kardec na análise dos eventos dos quais participa, muito embora o Codificador do Espiritismo seja exaltado em vários prefácios de suas obras, assim como em obras como “Conduta Espírita”. Talvez o objetivo fosse tornar a leitura mais leve, objetiva e diretamente associada às vivências propriamente ditas, deixando as correlações e inferências doutrinárias para estudos comparativos posteriores. Essas possíveis análises comparativas vêm, de fato, motivando estudos por parte de vários confrades, muito embora consideremos que um maior nível de aprofundamento em tais avaliações ainda está por ser desenvolvido.
O fato de André Luiz não ter sido espírita em sua vida física talvez tenha favorecido o estabelecimento do estilo de escrita romanceada, o qual será mantido mesmo quando André Luiz passa a deixar claro seu comprometimento com o ideal espírita.
Emmanuel também enfatiza, o que pode ser constatado através de informações registradas nos prefácios, contracapas e notas explicativas de algumas edições das obras de André Luiz, que o médico desencarnado foi um autor “escolhido a dedo” para desenvolver aquela tarefa de ser uma espécie de “repórter/jornalista investigativo do mundo espiritual” (tais informações estão redigidas, por exemplo, na chamada “orelha” de todos os livros da primeira edição especial de 2003, como, por exemplo, em “Missionários da Luz” (XAVIER, 2003)). Emmanuel, muito provavelmente, participou de forma direta dessa escolha, encontrando em André Luiz as características morais, a personalidade, o estilo de escrita e a adequação intelecto-fluídica às instrumentações mediúnicas ― primeiramente só Chico Xavier e, em um segundo momento, a Chico Xavier e Waldo
Vieira ―, que seriam necessárias para que o texto atingisse um padrão de qualidade e didática imprescindíveis para os objetivos que a missão associada à mediunidade de Chico Xavier fosse levada a bom termo.
Seja como for, uma obra que tratasse do dia-a-dia do mundo espiritual não poderia deixar de estar sujeita a várias polêmicas, mesmo dentro do contexto do movimento espírita. Emmanuel, mentor de Chico Xavier e supervisor de todas as obras obtidas pelo médium de Pedro Leopoldo, mesmo aquelas que não eram de sua autoria, deveria estar, obviamente, ciente dessas dificuldades, o que, inclusive, pode ser inferido a partir de alguns de seus prefácios, tais como o prefácio de “Missionários da Luz”. Vejamos o início do último parágrafo do respectivo prefácio de Emmanuel:
...Se a leitura te assombra, se as afirmativas do Mensageiro te parecem revolucionárias, recorre à oração e agradece ao Senhor o aprendizado, pedindo-lhe te esclareça e ilumine, para que a ilusão não te retenha em suas malhas. Lembra-te de que a revelação da verdade é progressiva e, rogando o socorro divino para o teu coração, atende aos sagrados deveres que a Terra te designou para cada dia... (XAVIER, 2003, p. 10)
3 ARGUMENTOS CONTRÁRIOS À OBRA DE ANDRÉ LUIZ
Quando André Luiz começa a escrever com Chico Xavier, Emmanuel já tinha publicado várias obras de sua própria autoria, e já obtinha, pelo menos dentro do movimento espírita, significativo respeito por boa parte dos confrades encarnados. Vale registrar que as obras “A Caminho da Luz” e “Paulo e Estevão” foram publicadas anteriormente aos livros escritos por André Luiz. De fato, “A Caminho da Luz” foi publicado em 1939 e “Paulo e Estevão” foi publicado em 1942. Por outro lado, os dois primeiros livros de André Luiz, “Nosso Lar” e “Os Mensageiros” foram publicados em 1944, sendo seguidos por “Missionários da Luz” em 1945 e “Obreiros da Vida Eterna” em 1946.
Provavelmente prevendo as dificuldades naturais de aceitação e assimilação dos conteúdos que André Luiz trazia à lume, em função da inerente complexidade da temática a respeito da vida espiritual, Emmanuel fez questão de apresentar, chancelar e colocar seu “capital moral e doutrinário” dentro do movimento espírita em prol das obras de André Luiz. De fato, Emmanuel prefacia todas as trezes obras da série “A Vida no Mundo Espiritual”, além de prefaciar outros livros do referido autor, tais como “Conduta Espírita” e “Desobsessão”, introduzindo os temas, valorizando e analisando as discussões e chancelando os conteúdos do parceiro. Vale registrar que Emmanuel não prefacia todos os livros obtidos pela mediunidade de Chico Xavier, o que destaca esse cuidado em relação à obra de André Luiz.
Os principais argumentos de contestação das informações contidas na obra de André Luiz tratam da veracidade da realidade significativamente material do mundo espiritual, com substancial semelhança em relação à vida física na crosta terrestre, abrangendo “construções físicas”, instituições hierarquicamente organizadas, ministérios constituídos com especialidades que abrangem tarefas específicas (algumas delas relacionadas às ciências estudadas na Terra). Além disso, outras informações, que são pontos de divergência, dizem respeito às variações apresentadas pelo perispírito, tais como deformações e mesmo destruições parciais do psicossoma, além de prováveis níveis de densidade altamente variáveis de veículos de manifestação dos Espíritos Imortais. É digno de nota a resistência ao conceito de centros de força, exarado na obra “Evolução em Dois Mundos”, também ao conceito de “Corpo Vital ou Duplo Etérico” e igualmente em relação ao conceito de “zooantropia”, os quais aparecem na obra “Libertação”, conforme é possível verificar no prefácio redigido por Francisco Thiesen, então presidente da FEB, na obra “Diálogo com as Sombras” de Hermínio Corrêa de Miranda (MIRANDA, 2006). Vejamos pequena transcrição do prefácio de Francisco Thiesen da referida obra:
Questão séria, para a qual gostaríamos de pedir atenção, é a da zoantropia, mais comumente citada como licantropia. O autor trata detalhadamente desse assunto, com proficiência. A propósito, recordamos o livro “Libertação”, de André Luiz: quando os originais foram-nos enviados, o Diretor incumbido da análise inicial dessas páginas mediúnicas considerou um tanto “exageradas” umas afirmativas e detalhes pertinentes a um caso de licantropia. Pediu confirmação ao Espírito e recebeu, como resposta, uma carta do médium F. C. Xavier, em que transmitia a solicitação do autor espiritual, no sentido de retirar dos originais aquelas palavras que lhe haviam suscitado dúvidas, com a explicação seguinte: “Se o nosso amigo não pôde admitir isso, é sinal que precisamos aguardar outra oportunidade, pois os leitores, com maior razão, também não admitirão.” As palavras da carta do médium eram aproximadamente essas, mas o sentido exatamente esse.

Mas o comentário particular de Chico Xavier, a pessoa que nos merece a maior credibilidade, foi este: “E na verdade, mesmo com a parte que André Luiz sugeriu fosse eliminada do texto, as coisas ainda ficavam bem longe da realidade, que é bem pior do que pensamos (Chico Xavier)”. Francisco Thiesen, 22/06/1979 (MIRANDA, 2006)
Estes pontos apresentados serão discutidos com argumentação própria na próxima seção.
4 DISCUSSÃO SOBRE OS ARGUMENTOS CONTRÁRIOS
É importante registrar que a obra mediúnica de Francisco C. Xavier apresenta, obviamente, em toda a sua totalidade, significativo valor em termos de conteúdo. Entretanto, isso não significa, de maneira alguma, que todos os livros têm o mesmo nível de profundidade e de riqueza de informações, assim como não significa que todos os autores espirituais que escreveram por Chico Xavier têm o mesmo nível de contribuição em nosso crescimento espiritual e em nossa busca pela Verdade.
Considerando o critério do Controle da Concordância Universal do Ensino dos Espíritos (CCUEE), os prefácios de Emmanuel na obra de André Luiz são relevantes, pois denotam que, majoritariamente, Emmanuel concorda com as ideias de André Luiz. Obviamente, ambos utilizavam a mesma instrumentação mediúnica, mas são autores com características claramente distintas, o que não impediu Emmanuel de respaldar as narrações e discussões de André Luiz.
A obra “Voltei” de Irmão Jacob, pseudônimo de Frederico Figner, ex-diretor da Federação Espírita Brasileira (FEB) (XAVIER, 2001), relata eventos nos quais vários ex-diretores da FEB e espíritas de escol como Cairbar Schutel aparecem. E a referida obra também corrobora várias informações de André Luiz a respeito do mundo espiritual.
De qualquer maneira, muitos podem alegar que se tratam de obras obtidas por apenas dois médiuns, ou seja, apenas por Chico Xavier e Waldo Vieira, o que é verdade. Entretanto, as ideias básicas registradas por André Luiz também aparecem na obra “Memórias de Um Suicida” de Yvonne do Amaral Pereira (PEREIRA, 2013), o que é muito representativo, sobretudo se lembrarmos que tal obra, em sua versão final, segundo a própria médium Yvonne revela, tem apenas 30% de texto de autoria de Camilo Castelo Branco, que corresponderiam às narrativas do livro, sendo que os 70% restantes (portanto, o conteúdo majoritário da obra) são de autoria de Léon Denis (vide a sexta entrevista da própria Yvonne Pereira no livro “Pelos Caminhos da Mediunidade Serena” (PEREIRA, 2006)). Essa informação é importante, pois juntamente com Gabriel Delanne, Léon Denis foi talvez o único trabalhador que tenha, de fato, merecido o título de “Apóstolo do Espiritismo”. Ademais, é importante considerar que Léon Denis desencarnado, muitos anos após sua morte física, deveria ter uma compreensão das questões espirituais muito maior que aquela que ele detinha quando encarnado, e que, obviamente, já não era pouca. O Espírito não regride e, sem a obstrução da matéria, aumenta muito sua compreensão de certas realidades mais difíceis de serem acessadas pelos encarnados, sobretudo no que se refere ao mundo espiritual. A não ser que se considere que Yvonne do Amaral Pereira não tenha sido uma boa médium para receber “Memórias de Um Suicida”, mesmo com o apoio dos Espíritos Bezerra de Menezes e Charles, além, obviamente, do auxílio dos autores do livro, é pouco provável que tal obra não tenha substancial fidedignidade, considerando os Espíritos envolvidos nesse projeto.
Vale frisar que as ideias fundamentais exaradas por André Luiz em sua série “A Vida no Mundo Espiritual” são igualmente apoiadas pelos livros da série sobre obsessão de Manoel Philomeno de Miranda, obtidos pela psicografia de Divaldo Pereira Franco.
Em relação às questões sobre a realidade significativamente material do mundo espiritual e das informações a respeito das variações apresentadas pelo perispírito, é preciso considerar que, apesar de Allan Kardec não ter podido explorar muitas dessas nuances, em função do pouco tempo de vida física que ele teve na elaboração da Codificação, em princípio, não se pode afirmar taxativamente que tais informações estão em oposição às bases kardequianas, mas apenas que desenvolvem aspectos iniciados pelo trabalho do Mestre de Lyon.
É igualmente digno de nota que o livro “Evolução em Dois Mundos”, primeiro da parceria mediúnica entre Chico Xavier e Waldo Vieira, foi obtido de uma forma muito peculiar. Waldo Vieira recebia os capítulos ímpares em Uberaba-MG e Chico Xavier recebia os capítulos pares em Pedro Leopoldo-MG. A coerência e o encadeamento lógico entre os textos obtidos pelos dois diferentes médiuns, em uma época de grande dificuldade de comunicação em relação aos dias atuais, não deixa de ser um respaldo à mediunidade de ambos. E isso limita muito a possibilidade da hipótese de significativa influência de fenômeno anímico no recebimento da obra de André Luiz. Os referidos médiuns chegaram a comentar que muitas vezes ficavam surpresos com o conteúdo que André Luiz trazia em cada capítulo. Posteriormente, com ambos trabalhando juntos em Uberaba, cada um recebeu uma parte do livro “Sexo e Destino”, o que, igualmente, deve ser considerado em termos de análise de autenticidade do fenômeno mediúnico.
Seria algo surpreendente defender que Chico Xavier, Waldo Vieira, Yvonne do Amaral Pereira e Divaldo Pereira Franco trouxeram obras equivocadas doutrinariamente, apesar de seus conceitos apoiarem-se reciprocamente. A corroboração mútua entre as principais informações obtidas por esses médiuns, além de concordâncias com obras como “A Crise da Morte” de Ernesto Bozzano (BOZZANO, 2015) e “A Vida Além do Véu” do Reverendo Vale Owen (OWEN, 1998) não deixa de ser indício da Universalidade do Ensino dos Espíritos, que é o critério que Allan Kardec sugeriu que fosse utilizado para avaliar a veracidade da informação, sobretudo em se tratando de dados sobre o mundo espiritual, os quais são de difícil averiguação.
Do ponto de vista espiritual, também é possível considerar uma corroboração entre André Luiz, Emmanuel, Irmão Jacob, Camilo Castelo Branco, Léon Denis e Manoel Philomeno de Miranda.
Recentemente, o próprio Manoel Philomeno de Miranda, pela mediunidade de Divaldo Franco, redigiu a “Apresentação” de um trabalho publicado pela FEB que consiste em um estudo crítico da obra de André Luiz, na qual o estudioso da obsessão afirma: “...Podemos dividir os períodos que dizem respeito ao desdobramento das revelações espíritas a respeito do mundo transcendente em antes e depois de André Luiz, embora tenha havido contribuições valiosas de outros médiuns no exterior e no Brasil...”.  Seria difícil frisar mais enfaticamente a relevância da obra de André Luiz do que a acima mencionada análise de Manoel Philomeno de Miranda, pela mediunidade de Divaldo Franco. A obra em questão é denominada “A Vida no Mundo Espiritual – Estudo da Obra de André Luiz” (SOBRINHO, 2012).
Se todos esses médiuns e autores espirituais estiverem equivocados na maioria das suas informações, restaria questionar os críticos sobre quem seriam os médiuns e autores espirituais dignos de crédito. Alguns poderão responder que apenas a obra de Allan Kardec é válida, o que nos levaria a outras reflexões. O texto de Allan Kardec tem valor científico? Ou é um texto sagrado? Por que se tiver valor científico, assim como ocorre com todas as ciências, pode evoluir e não consiste em propriedade exclusiva de um único autor, por mais admirável que seja o Codificador do Espiritismo.
Seria conveniente recorrer, então, ao próprio Codificador para analisar alguns parâmetros. Primeiramente, Allan Kardec deixa claro que o Espiritismo evoluiria e que seu trabalho não tinha dito a última palavra em matéria de Espiritismo (KARDEC, 2010). Admitiu, inclusive, a hipótese da Codificação ter algum equívoco, que, se ficasse efetivamente comprovado, deveria ser corrigido pelos confrades, que deveria seguir o aprofundamento dos estudos em coerência com os conhecimentos científicos. Ou seja, Kardec não dá à sua própria obra o caráter de “texto sagrado”.
Se o Espiritismo evolui, por ser ciência, seria surpreendente que o Espiritismo estivesse estagnado desde a morte de Allan Kardec, isto é, há quase cento e cinquenta anos, o que seria o caso se todos os autores respeitáveis que escreveram sobre Espiritismo não tenham logrado nem ao menos desenvolver alguns conceitos doutrinários mínimos. Admitir tal posicionamento seria negar o caráter científico do Espiritismo, pois seria algo totalmente inédito, pois nenhuma outra ciência estaria estagnada em tão significativo intervalo de tempo. Muito pelo contrário, muitas ciências tiveram avanços quase que inimagináveis, da época de Allan Kardec aos dias atuais.
Além disso, vale lembrar que Kardec não foi médium psicógrafo e que não foi médium da Codificação. Será que todos os respeitáveis médiuns supracitados são inferiores aos médiuns utilizadas por Allan Kardec? Se essa hipótese for considerada, surgirão vários problemas, pois os médiuns da Codificação variaram muito durante a obtenção dos livros. Por exemplo, as filhas do Senhor Baudin, Caroline e Julie, somente contribuíram com a obtenção de “O Livro dos Espíritos”, afastando-se do movimento, quando Kardec trabalhou nos outros livros. Será que todo e qualquer médium utilizado por Allan Kardec foi superior aos médiuns Chico Xavier, Waldo Vieira, Yvonne Pereira e Divaldo Franco?
Cabe mais uma reflexão: O Espiritismo foi totalmente concluído em catorze anos incompletos de trabalho de Allan Kardec? Sem margem para qualquer avanço? Novamente, tem-se uma hipótese contrária às próprias ideias kardequianas e que, ademais, impede que se considere o Espiritismo uma ciência, limitando seu conteúdo apenas ao aspecto religioso, ou, no máximo, a um conjunto filosóficoreligioso.
Se nada poderia avançar no conteúdo doutrinário, por que será que Allan Kardec esforçou-se com tanto esmero para estudar, orientar e padronizar os cuidados que se deveria ter ao desenvolver reuniões mediúnicas? Elas só serviriam para consolar Espíritos sofredores, sem possibilidade de nenhum avanço em termos de informações novas? Esses Espíritos não poderiam, mesmo sendo inferiores, fornecer informações e detalhes não enfatizados previamente (vale lembrar que Allan Kardec aprendeu muito não só com mentores espirituais, mas igualmente com Espíritos medianos e mesmo com Espíritos sofredores)?
É evidente que estamos apenas começando a compreender o mundo
espiritual, mas, se nenhuma obra tem valor significativo, como se pode avançar? O que esta sendo feito de errado? Por que será que Chico Xavier psicografou quase quinhentos livros e Divaldo Pereira Franco quase trezentos? Só tem valor aqueles que não comentam sobre o mundo espiritual?
Allan Kardec elaborou uma obra conceitual, com várias ilustrações de casos de entidades em determinadas situações morais/espirituais específicas, tais como os grupos de Espíritos em diferentes situações relatados na segunda parte da obra “O Céu e o Inferno”. Todavia, Kardec não teve tempo para destrinchar os detalhes das diversas nuances do contexto de vida espiritual de cada entidade. Portanto, não seria lícito rejeitar André Luiz pelo que Allan Kardec não escreveu. Se, eventualmente, André Luiz estiver em oposição a Kardec em algum ponto, deve-se aprofundar o estudo e, se for o caso, rejeitar a ideia do autor espiritual, o que não significa, necessariamente, rejeitar toda a obra de André Luiz por Chico Xavier.
A título de ilustração, pode-se citar a famosa pesquisa elaborada pela Editora Candeia de 1999 (CANDEIA, 2017). Na referida avaliação, foram consultados proeminentes trabalhadores espíritas de todo o Brasil (Vejamos quem participou da pesquisa: Adalgiza Campos Balieiro, Adelino da Silveira, Alexandre Sech, Alysson Leandro Mascaro, Amílcar Del Chiaro Filho,  Armando Fernandes de Oliveira, Ary Lex,  Celso de Almeida Afonso, César Soares dos Reis, Cleyton B. Levy, Domério de Oliveira, Durval Ciamponi, Éder Fávaro, Eliseu F. Mota Jr., Felipe Antônio G. Macedo Salomão, Francisco Cajazeiras, Hércio M. C. Arantes, Humberto Carlos Pazian, Ivan Renê Franzolim, Juvanir Borges de Souza, Lamartine Palhano Júnior, Maria Gertrudes Coelho,  Nancy Puhlmann Di Girolamo, Nélson Moraes, Ney Lobo, Oneida Terra, Orson Peter Carrara, Ricardo Di Bernardi, Ricardo Magalhães, Rita Foelker, Rogério Coelho, Saara Nousiainem, Suely Caldas Schubert, Telmo J. Souto Maior, Waldo Lima do Valle, Walter Oliveira Alves e Washington Luiz Nogueira Fernandes). 
Nesta pesquisa, que elegeu os dez melhores livros espíritas do século XX, constata-se que três livros da série “A Vida no Mundo Espiritual” de André Luiz estão presentes: “Nosso Lar”; “Evolução em Dois Mundos”; e “Missionários da Luz”. Ademais, a obra “Nosso Lar” obteve o primeiro lugar. Também é digno de nota que três obras de Emmanuel, prefaciador e “patrocinador” de André Luiz, estão entre as dez classificadas: “Paulo e Estevão”, que ficou em segundo lugar (logo atrás, portanto, de “Nosso Lar”); “A Caminho da Luz”; e “Há Dois Mil Anos”. Interessante notar que a única obra que não tem relação direta com os autores espirituais e médiuns anteriormente citados é a obra “O Espírito e o Tempo” de José Herculano Pires, eleita como a sétima obra espírita do século XX. Seria admirável se todos esses confrades votantes, espíritas militantes, estivessem tão equivocados. O quadro 1, a seguir, apresenta a classificação dos dez primeiros livros.
 Quadro 1: Resultado da pesquisa da editora Candeia

Posição       Livro                                                Autor / Médium

  Nosso Lar                                         André Luiz / Francisco C. Xavier
  Paulo e Estevão                               Emmanuel / Francisco C. Xavier 
  Parnaso de Além-Túmulo               Espíritos diversos /  Francisco C. Xavier
   O problema do ser,  do destino e da dor       Léon Denis
    Memórias de um suicida               Camilo Castelo Branco / Yvonne A Pereira
    A caminho da luz                           Emmanuel / Francisco C. Xavier 
    O espírito e o tempo                       José Herculano Pires
    Há 2000 anos                                   Emmanuel / Francisco C. Xavier 
    Evolução em 2 mundos                   André Luiz / Francisco C. Xavier
10º    Missionários da luz                       André Luiz / Francisco C. Xavier
  Fonte: http://candeia.com/sub/livrosdoseculo
Seria o caso de analisar a opinião de Herculano Pires sobre Emmanuel e André Luiz, uma vez que o professor Herculano Pires é o único autor de obra entre as dez melhor classificados na pesquisa que não tem uma relação direta com os médiuns e/ou autores espirituais que corroboram as ideias espirituais de André Luiz. Entretanto, já foi demonstrado que, ao contrário do que é pregado por alguns confrades, Herculano podia divergir em um ou outro tópico sobre as obras de Emmanuel e André Luiz, mas não rejeitava ambas majoritariamente (MOREIRA, 2016).
Ademais, não se pode olvidar que a problemática da revisão editorial, muitas vezes menosprezada nas discussões concernentes à qualidade do conteúdo de uma obra espírita, deveria ser considerada. As editoras podem, eventualmente, fazer revisões que alterem para melhor ou para pior a qualidade do texto, o que, em alguns casos, transcende à liberdade de ação do autor espiritual e até do médium.
Alguns confrades alegam que André Luiz não era, enquanto indivíduo encarnado, trabalhador espírita, o que é um fato que em nada desmerece o conteúdo de sua obra. Se esse argumento fosse válido para desmerecer algum trabalho ou trabalhador espírita, seria necessário analisar quanto tempo de Espiritismo alguns confrades têm, e, se não tivessem um número mínimo, somente por isso suas opiniões deveriam ser descartadas.
A supracitada alegação não faz sentido, pois se André Luiz não era espírita militante enquanto encarnado, certamente tornou-se um “Espírito Espírita”, que é uma expressão empregada por Divaldo P. Franco, citando o Espírito de Bezerra de Menezes (vide “As Vidas de Joanna de Ângelis” (FRANCO, 2014)), em seus estudos no mundo espiritual. E essa conversão fica evidente em obras como “Conduta Espírita” e “Desobsessão”. Além dessas, pode-se mencionar a obra “Opinião Espírita”, que André Luiz escreve em parceria com Emmanuel, na qual fica enfatizado o compromisso de ambos com Allan Kardec.
Mas, e se André Luiz e Emmanuel realmente erraram em relação a algum princípio kardequiano? Em primeiro lugar, é preciso considerar que todos os Espíritos que nasceram e/ou vivem no mundo espiritual jungido à Terra podem errar e eventualmente erram (com exceção de Jesus). Nem mesmo o Codificador Allan Kardec estaria isento dessa possibilidade, em que pese o caráter elevado da Codificação (o que não quer dizer “infalível”). Dar um caráter de “infalibilidade” ao texto kardequiano é fugir dos próprios princípios espíritas de fé raciocinada, e demonstrar incompreensão em relação ao próprio texto do Mestre de Lyon.
Assim, André Luiz e Emmanuel podem ter cometidos erros, o que é natural. Por outro lado, eles demonstram várias e reiteradas vezes, um compromisso sincero e abnegado com o ideal espírita e com as bases kardequianas. Se eventualmente erraram, não deixam de ser trabalhadores respeitáveis do ideal espírita. Assim sendo, deve-se analisar caso a caso os supostos equívocos de André Luiz, à luz do conhecimento espírita. A não ser que se considere que a qualidade do trabalho desses dois autores (André Luiz e Emmanuel) é muito fraco doutrinariamente; fraco ao ponto de nem merecerem o benefício da dúvida e da leitura mais aprofundada. Nesse caso, em que pese nosso respeito pessoal pelos respectivos autores, deveríamos evitar citar e valorizar suas obras. Mas, não parece ser esse o caso. A nosso ver, não parece haver subsídios para sustentar uma refutação consistente das contribuições de André Luiz e Emmanuel, pelo menos no que se refere ao conteúdo majoritário de suas respectivas obras.
6   CONSIDERAÇÕES FINAIS
Pode-se considerar, até certo ponto, legítimas algumas críticas de confrades à tendência de não haver estudos de correlação entre as obras espíritas. Textos considerados, a priori, de elevado conteúdo, necessitam de corroboração mútua, em concordância com a busca pela “Universalidade de Ensino dos Espíritos (UEE)”. Tal critério kardequiano de avaliação da veracidade da informação que advém do mundo espiritual, principalmente quando essa informação diz respeito ao próprio mundo espiritual, é fundamental para a obtenção de noções fidedignas. De fato, para nós encarnados, é muito difícil acessar, com precisão objetiva, a realidade espiritual. A avaliação da UEE é fundamental para que não sejamos iludidos por quaisquer conceitos atraentes, porém falsos.
A supracitada constatação, no entanto, não significa que devamos rejeitar importantes contribuições de autores espirituais que ilustram e até desenvolvem as bases kardequianas. O que devemos fazer é estudá-las de forma mais efetiva, buscando uma seleção pelo conteúdo da mensagem; pelo caráter moral do médium; e, por último, pela identificação do autor espiritual, como nos ensina Allan Kardec. A partir dessa análise qualitativa prévia, a obra deve ser colocada em uma espécie de “quarentena” para que, a médio e longo prazos, possa ser confirmada quantitativamente. Ou seja, subsequentemente, possa ser respaldada, se for corroborada por outras mensagens, de outros médiuns, pertencentes a outros grupos mediúnicos, o que constitui uma análise quantitativa.
Nesse contexto, não se pode desvalorizar as contribuições de autores como Léon Denis, Gabriel Delanne, Yvonne do Amaral Pereira, André Luiz e Emmanuel, entre outros, simplesmente porque não foi feito, em relação às suas respectivas obras, um esforço de corroboração entre vários médiuns e autores espirituais. No atual cenário, pode-se inferir que tal esforço deve ser elaborado por espíritas militantes estudiosos e dedicados, que buscam o CCUEE após a publicação das respectivas obras. Não é uma tarefa trivial, mas também não é um trabalho inviável.
Buscar a corroboração das informações das obras espíritas é fundamental, porém requer uma grande dedicação ao estudo, tanto das bases kardequianas, nossa fundamental e principal referência, como das obras pré-selecionadas pelo seu conteúdo. Tal processo tem por objetivo um aprofundamento e, talvez, um desenvolvimento dos conceitos básicos da Codificação.
Dentro dessa proposta, não se pode relegar a segundo plano a obra de André Luiz, que pode não ser infalível, como ocorre com todas as obras, mas apresenta várias nuances sobre o mundo espiritual que Allan Kardec não teve tempo (em termos de vida física) de analisar e publicar. Estudemos, portanto, a obra de André Luiz, em uma avaliação comparativa com as bases kardequianas, e encontraremos um grande número de corroborações e um vasto campo de aprofundamento do próprio conhecimento doutrinário.
7   REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BOZZANO, E. A Crise da Morte – Segundo o depoimento dos Espíritos que se comunicam. Décima primeira edição. Brasília, Distrito Federal (DF): Federação Espírita Brasileira (FEB), 2015. 151p.
CANDEIA. Os Melhores Livros do Século XX. Disponível em: http://candeia.com/sub/livrosdoseculo. Pesquisado em: 31/07/2017.
FRANCO, D. P. As Vidas de Joanna de Ângelis. Editora Entrevidas [sob licença da Federação Espírita Brasileira (FEB), 2014. DVD.
KARDEC, A. A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo.
[Tradução de Victor Tollendal Pacheco/Apresentação e Notas de J. Herculano Pires]. Vigésima terceira edição. São Paulo, São Paulo (SP): Livraria Allan Kardec Editora (LAKE), 2010. 358p.
MIRANDA, H. C. Diálogo com as Sombras [prefácio de Francisco Thiesen]. Vigésima primeira edição. Brasília, Distrito Federal (DF): Federação Espírita Brasileira (FEB), 2006. 289p.
MOREIRA, L. M. A opinião de Herculano Pires sobre Emmanuel, André  Luiz e Chico Xavier. O Consolador (Revista Semanal de Divulgação Espírita). Crônicas e Artigos. Ano 10. n. 463. 1/05/2016.
OWEN, G.V. A Vida Além do Véu – Mensagens espíritas recebidas e escritas pelo Rev. G. Vale Owen, Vigário de Orford, Lancashire/As Regiões Inferiores do Céu. Sexta Edição. Brasília, Distrito Federal (DF): Federação Espírita Brasileira (FEB), 1998. 208p.
PEREIRA, Y. A. [ditado pelo Espírito Camilo Cândido Botelho]. Memórias de Um Suicida. Vigésima sétima edição. Brasília, Distrito Federal (DF): Federação Espírita Brasileira (FEB), 2013. 542p.

_________. Pelos Caminhos da Mediunidade Serena. Primeira Edição. Editora La

segunda-feira, 31 de julho de 2017

“Bruna Andressa”- um suicídio “ao vivo”, seus pais e muitas agonias (Jorge Hessen)




Jorge Hessen

A jovem Bruna Andressa Borges, de 19 anos, se suicidou e transmitiu ao vivo o ato na tarde do dia 26 de julho de 2017 na casa de seus pais, na Vila Militar do bairro Bosque, em Rio Branco, Acre. O vídeo foi transmitido através do Instagram para 286 seguidores. Bruna era estudante de Ciências Sociais na Universidade Federal do Acre (Ufac). Antes de se enforcar também publicou mensagens no Facebook. “Já fui abandonada e julgada pela pessoa que achei que seria minha melhor amiga, a pessoa que amei me humilhou e riu da minha cara, me chamou de ridícula. Talvez eu seja, mas não pretendo continuar perguntando para saber”, escreveu.

Os pais de Bruna foram encontrados mortos dois dias depois em casa. Os corpos do subtenente Márcio Augusto de Brito Borges, de 45 anos, e da esposa, a ex-sargento Claudineia da Silva Borges, 39, estavam na casa onde moravam, na Vila Militar. As informações da perícia dão conta de que o casal foi encontrado no mesmo local em que sua filha Bruna cometera suicídio dois dias antes.

Há 7 anos uma jovem  de 15 anos suicidou-se com um tiro de revolver, dentro de uma escola, em Curitiba. Não houve grito nem pedido de socorro. Em silêncio, ela entrou no banheiro e se trancou em uma das cinco cabines. Sentada sobre o vaso sanitário, disparou contra a boca. Três meses antes da tragédia, a jovem procurou os pais e pediu para que eles a levassem a um psicólogo. Dizia sentir-se triste e desmotivada. O pai passou a pegá-la na aula de pintura e levá-la, semanalmente, a um psiquiatra. No inquérito policial sobre o suicídio, apurou-se que ela tomava benzodiazepínicos (soníferos) para dormir, e outros medicamentos para controlar a ansiedade que sentia.

Diante dos dilemas acima indagamos: Como os pais podem proteger os filhos dos desequilíbrios emocionais que assolam a juventude de hoje? Obviamente, precisam estar atentos. Interpretar qualquer tentativa ou prenúncio de potencial suicídio como sinal de alerta. O ideal é procurar ajuda especializada de um psicólogo e, para os pais espíritas, os recursos terapêuticos dos centros espíritas. Aproximar-se com mais afinco do filho que apresenta sinais fortes de introspecção ou depressão. O isolamento e o desamparo podem terminar com aguda depressão e ódio da vida.

É evidente que sugerir serem os pais os únicos responsáveis pelo autocídio de um filho é algo muito delicado e preocupante, pois trata-se um ato pessoal de extremo desequilíbrio da personalidade, gerado por circunstâncias atuais ou por reminiscências de existências passadas. Se há culpa dos pais, atribui-se à negligência, à desatenção, a não perceber as mudanças no comportamento do filho e a tudo que acontece à sua volta. Sobre isso, estamos convictos de que a sociedade como um todo é igualmente culpada. Antes de colocar o fardo da culpa nos pais em primeiro lugar, reflitamos: quem pode controlar a pressão psicológica que uma montanha de apelos vazios faz na cabeça dos jovens diariamente?

O suicídio é um ato exclusivamente humano e está presente em todas as culturas. Suas matrizes causais são numerosas e complexas. Os determinantes do suicídio patológico estão nas perturbações mentais, depressões graves, melancolias, desequilíbrios emocionais, delírios crônicos etc. Algumas pessoas nascem com certas desordens psíquicas, tal como a esquizofrenia e o alcoolismo, o que aumenta o risco de suicídio. Há os processos depressivos, em que existem perdas de energia vital no organismo, desvitalizando-o, e, consequentemente, interferindo em todo o mecanismo imunológico da pessoa.

A religião, a moral e todas as filosofias condenam o suicídio como contrário às leis da Natureza. Todas asseveram que ninguém tem o direito de abreviar, voluntariamente, a vida. Entretanto, por que não se tem esse direito? Por que não é livre o homem de por termo aos seus sofrimentos? Ao Espiritismo estava reservado demonstrar, pelo exemplo dos que sucumbiram, que o suicídio não é uma falta somente por constituir infração de uma lei moral - consideração esta de pouco peso para certos indivíduos –, mas também um ato estúpido, pois que nada ganha quem o pratica. Antes, o contrário, é o que se dá com eles na existência espiritual após esse ato tão insano.

A rigor, não existe pessoa "fraca", a ponto de não suportar um problema, por julgá-lo superior às suas forças. O que de fato ocorre é que essa criatura não sabe como mobilizar a sua vontade própria e enfrentar os desafios. Na Terra, é preciso ter tranquilidade para viver, até porque não há tormentos e problemas que durem uma eternidade. Recordemos que Jesus nos assegurou que "O Pai não dá fardos mais pesados que nossos ombros" e "aquele que perseverar até o fim, será salvo". [1]

Referência bibliográfica:

[1] Mt. 24,13