.

sábado, 25 de maio de 2019


CONTINGENCIAMENTOS, FINS E MEIOS
Luiz Carlos Formiga


Ao Materialismo, o Espiritismo prova a existência da alma. Destruindo-o, elimina a maior chaga social. Podemos contribuir para o progresso. (1, 2)
Na Tchecoslováquia os regimes políticos materialistas acabaram com o Espiritismo, o que sobreviveu ao Nazismo foi destruído pelo Comunismo.
Na resistência, Vlado nunca abandonou o ideal, mas os comunistas enlouqueceram sua esposa aplicando-lhe injeções e conseguiram produzir-lhe o ódio, contra o marido.  Em seguida a obrigaram a denunciá-lo, destruindo seu casamento e a família. (3)
Entre nós, como foi a divulgação do Espiritismo na universidade nos últimos 20 anos?
Recordemos que a política do Núcleo Espírita Universitário está voltada apenas para a do desenvolvimento da Inteligência Espiritual. (4)
Precisamos discutir liberdade religiosa no Brasil? A violência religiosa simbólica permite a liberdade de prática, mas desconstrói a base da crença, fazendo-a parecer inócua, retrógrada e ultrapassada
No Brasil encontramos elevado índice de violência simbólica?
Como o Cristianismo é predominante ele é o mais atacado?
Existe, também entre nós, um trabalho bem articulado para ridicularizar a fé cristã, minando os valores do Cristianismo?
 No Brasil a desconstrução dos valores Cristãos é promovida por blogs, sites, canais de televisão, instituições governamentais e principalmente no ambiente acadêmico.
Muitos de nossos jovens chegam despreparados, sem noção do ambiente materialista que irão enfrentar na universidade.
Jovens de formação cristã deficiente conseguem sustentar sua fé perante o discurso acadêmico de docentes relativistas?
Na universidade, jovens podem abandonar a fé, podem se tornar céticos e até ateus.  (5)
No NEU, não cuidamos de “política partidária”, mesmo quando esta nos afeta. Diante de um grande problema oramos. Entrego-me em tuas mãos, Senhor. Confio que Tua solução será o melhor para mim. Por isso, aceito. Seja feita a Tua Vontade e não a minha. Por me socorreres, agradeço-Te antecipadamente. (6)
Entrego. Confio. Aceito. Agradeço.
O filósofo Herculano Pires disse que foi graças às provas da sobrevivência da alma e à explicação racional dos problemas espirituais que a onda materialista do século XIX pôde ser refreada. O que está acontecendo, século XXI, na universidade pública brasileira? (7)
Quando o indivíduo materialista apresenta o Transtorno da Personalidade  Antissocial e se diz defensor dos pobres, está usando uma “máscara de sanidade”. Nem sempre, facilmente se revela. (8)
Fins e Meios. O contingenciamento nas universidades do governo Bolsonaro de cerca de R$2 bilhões (3,4%), parece o fim do mundo. No entanto, o mundo não acabou quando Dilma, comunista, segurou R$9,42 bilhões do MEC em 2015. (9).
Fernando de Luna, Espírito (10), nos fala do risco de ser feliz.
Com a compreensão da imortalidade e do amor, esmaecem as tempestades criadas pelo egoísmo e pelo orgulho e poderemos responder ao ultraje com o perdão, a bofetada com a paz incorruptível. Assumiste todos os riscos da empreitada, pois conhecias a jornada a seguir, desde há muito... Eis que se te apresenta a hora de embolsar o salário da hora que te resta.
Desistir, jamais.

Leia mais.

1.   Revista Espírita novembro de 1861.
(2)  
3.  
Revista Reformador (FEB )Ano 1280, nº 2171, fevereiro, 2010.
10.   Convites à Reflexão. 1° Edição. Lição 19. Risco de ser feliz. P. 107. Editora Novo Ser. Rio de Janeiro. RJ.  https://www.candeia.com/convites-a-reflexao/p

quinta-feira, 16 de maio de 2019

O fim do mundo moral

O fim do mundo moral
Jane Maiolo


“...sabendo Jesus que chegara sua hora de partir desse mundo para o Pai, tendo amado os seus próprios, que estavam no mundo, amou-os até o fim.”*[1]
         Em nenhum tempo, em nenhuma pátria, em nenhuma sociedade, a rogativa por amor, justiça, paz e fraternidade se fez tão intensa.
Vivemos tempos áridos num país, cuja a expectativa espiritual é supostamente tornar-se a “pátria do Evangelho”, clamamos por reajuste urgentes, por educação de qualidade e por uma filosofia ética moral que nos liberte das crenças apequenadoras e pueris. Porém, essa filosofia se encontra entre os homens desde 1857, sob o título de Doutrina Espírita.
O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os Espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que dimanam dessas mesmas relações. [2] Seu maior objetivo é dar ao homem a liberdade de consciência no uso perfeito de sua razão.
 Como religião, Allan Kardec comenta na Revista Espírita do mês de dezembro de 1868, por ocasião do Discurso de Abertura da Sessão Anual Comemorativa dos Mortos, na Sociedade de Paris, em 01/11/1868, se o espiritismo seria uma religião? Ora, sim, sem dúvida, senhores. E explica que no sentido filosófico, o espiritismo é uma religião, e nós nos glorificamos por isto, porque é a doutrina que funda os elos da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre bases mais sólidas: as mesmas leis da natureza.”[3]
Em tempos de ansiedades e volúpias mentais é necessário refletir que temos feito para que o espiritismo consiga aglutinar as forças colaborativas para as instâncias da ciência, da filosofia e da religião?
Quais têm sido as propostas educacionais para os espíritos reencarnantes nos dias atuais?
O livro A gênese, publicado no ano de 1868, completou 150 anos em janeiro, traz-nos a informação sobre a nova geração que marcaria a era do progresso e se distinguiria pela inteligência, razão precoce e grande inclinação ao bem.
Será que o Codificador se enganou quanto a nova geração?
Será que os responsáveis pela educação libertadora da mente, temos negligenciados o efetivo papel na educação para a geração que desponta neste mundo de acelerados apelos à vida automatizada?
O episódio do “lava os pés” registrado por João consoante consta no capítulo 13 versículos 1, nos oferece pálido indicativo do trabalho edificado pelo Cristo junto aos discípulos diretos. Narra o evangelista: “... sabendo que chegaria a sua hora de partir deste mundo para o pai tendo amado os seus próprios que estavam no mundo amou-os até o fim”.[4]
Jesus contava com aqueles homens para a colaboração da divulgação de um novo princípios de vida, por isso mesmo, os educou, preparou e os amou até o fim. Não houve exclusão, nem reproche e sequer condenação. Independente de suas fraquezas, mazelas, equívocos, Jesus os amou até o fim.
Educar o espírito vai além dos valores efêmeros da contemporaneidade. Amou os até o fim, para o homem formado no pensamento cíclico do nascer, crescer e morrer, significa amou-os até a sua morte. Porém o sentido correto do amou-os até o fim ganha uma dimensão majestosa e plena. Amou-os até o fim, significa amou-os até as últimas consequências, não importando o desfecho daquela história.
Até o fim é, em primeiro lugar, até o final de uma etapa; até se concluírem todas as coisas; até completar todos os acordos. Significa ir até às últimas consequências; ao extremo da situação; levá-la a término de modo constante e perfeito.
Ao refletirmos no papel que estamos protagonizando, nesse momento da história, há de se avaliar o grau de nossa participação nesse movimento de transição dos valores.
 Será que o codificador se enganou quanto a nova geração?
Quer os pais ou aqueloutros comprometidos com tal mister, será que a atual crise moral é fruto da negligência dos educadores?
De posse a mais de 160 anos de um roteiro regenerador ainda insistimos nos velhos hábitos e crenças, repetimos os princípios do homem instintivo e sensual?
 O desânimo, a tristeza, a depressão e a ausência de intenções superiores avolumam nos variados meios sociais, haja vista o painel social, político e cultural da sociedade contemporânea.
A tristeza conduz a morte como afirmou Paulo de Tarso: “Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte.”[5]  A afirmativa paulina foi chancelada pelos filósofos do século XVII e XIX, a saber, Baruch de Espinoza e Henri Bérgson, quando proclamam que o homem possui uma potência divina, intitulada Conatus (latim para esforço; impulso, inclinação, tendência; cometimento)  , energia essa capaz de mantê-los conectados com a vida e com propósitos superiores, portando na falta dessa energia o homem entristece, definha, adoece e morre.
A tristeza é a causa primeira das enfermidades, portanto é necessário adotar o padrão comportamental do Cristo, edificando roteiros sublimes no coração e na mente para adquirirmos forças superiores de ação para gerirmos nossa administração, enquanto tutores dos reencarnantes da nova era, pois neles são assentados a esperança do mundo de regeneração.
Cultivar a potência divina em nós é revigorar nossas oportunidades de trabalho e de redenção.
A tarefa de amar até o fim é a tarefa confiada ao homem atento e que despertou para a grandeza do amor.
Amar até o fim é amar incondicionalmente até as últimas implicações do amor. A cada instante vivido na carne nos aproximamos da inevitável transposição para outras paragens na derradeira viagem rumo às regiões espirituais, em face dessa fatalidade inexorável, regulamento para a qual não há exceções, cabe refletirmos se estamos amando até as últimas consequências do amor.

Referências bibliográficas:
[1] João 13,1
[2] Kardec, Allan. O Que É O Espiritismo. Preâmbulo- 56. ed. 1. imp. – Brasília: FEB, 2013.
[3] Kardec, Allan. Revista Espírita de dezembro de 1868 (Discurso de Abertura da Sessão Anual Comemorativa dos Mortos, na Sociedade de Paris, em 01/11/1868)
[4] João 13,1
[5]2 Coríntios 7 ,10
Jane Maiolo – É professora de Ensino Fundamental, formada em Letras e pós-graduada em Psicopedagogia. Formanda em Psicanálise pelo Instituto Brasileiro de Psicanálise Contemporânea Colaboradora da Sociedade Espírita Allan Kardec de Jales. Pesquisadora do Evangelho. Colaboradora da Agenda Brasil Espírita- Jornal O Rebate /Macaé /RJ – Jornal Folha da Região de Araçatuba/SP –Blog do Bruno Tavares –Recife/PE - colaboradora do site www.kardecriopreto.com.br- Revista Verdade e Luz de Portugal, Revista Tribuna Espírita de João Pessoa, Apresentadora do Programa Sementes do Evangelho da Rede Amigo Espírita. Janemaiolo@bol.com.br -

sábado, 4 de maio de 2019

O Limiar da Transformação




Luiz Carlos Formiga
Sobrepairavam sombras intensas sobre aquelas cercanias... Aquela era a Galiléia dos amores em festa, dos homens simples, onde pululavam flores de inúmeras cores, convidando as criaturas ao encontro com o Criador. Vetustos arvoredos bailavam ao lado de sicômoros e pétalas perfumavam o ar que agora parecia balsamizante, para o refazimento dos viajores.
As sombras da tempestade avizinhavam-se dos corações, quando um séquito de sofredores esfarrapados adentrava as primeiras ruelas, entre as casas singelas, fazendo esbater a multidão, espavorida.
"- Afastai-vos da direção do vento ! Lepra ! " Exclamavam, revoltas e amedrontadas, as vozes ignorantes dos tempos pregressos.
Partiam todos no turbilhão desesperado, entrechocando-se e o pânico, o medo da morte – que não pode ocorrer – faziam-nos fugir espetacularmente daquele grupo de desgraçados mendicantes que tinham corações vergastados por indefiníveis aflições, que lhe caiam sobre as almas quais punhais afiados, fazendo sangrar.
Não eram mais que cinco pessoas. Duas mulheres, mãe e filha, o esposo e duas pequenas crianças, que choravam a dor do abandono dos que apregoavam o amor ao Deus que os havia liberto do Egito, mas que ainda não os havia libertado das iniquidades, do puritanismo sem pureza, da ignorância infeliz e deprimente, como se não fosse a criatura a responsável por suas escolhas.
Corriam as criaturas, fitavam os olhos súplices daquela família, mas não logravam vencer o preconceito, nem tão pouco a repulsa instintiva. Não podiam socorrer os imundos ou imundos tornar-se-iam, da mesma forma.
Jerusalém era-lhes a moradia para onde se deveriam dirigir, o cárcere entre as rochas do vale da morte, um sepulcro ao ar livre para os esquecidos pela hipocrisia, que seria desperta, igualmente, pela dor, mais tarde.
Caiam aqueles seres ao solo da degradação humana, sem teto, sem amigos, sem dignidade, sofridos, com os peitos oprimidos pela pungente, mas já esperada, decepção. Faziam recordar o antigo texto moisaico que prescrevia: "Ai do homem que confia no homem. " Aqueles eram dias de brutalidade e de desencontros, de dificuldades e de desconsideração para a alma do sofredor da estrada.
Foi neste instante que Ele surgiu. Era, então, um menino de onze anos, que saia da carpintaria, de junto de seu pai, a quem auxiliava com devoção, colocando-se na direção daqueles seres.
Sua mãe, algo apreensiva, olhava-O com algum receio, mas calava, pois sabia intimamente que Ele não pertencia ao plano terrenal das conquistas fúteis e dos homens ricos de conflitos.
O pequeno Yoshua aproximava-se deles, lentamente, como a suave aragem da manhã, que faz bailar as flores do campo, lançando o pólen da esperança, na multiplicação da vida.
A túnica era alvinitente e leve, seus passos eram carinhosos e o olhar meigo resplandecia uma luz indefinível e inesquecível, que fazia chorar.
O pai de família tombou, neste instante de angústias, vencido pelas cruciantes feridas, cansado e soterrado pela desolação.
O jovem menino aproximou-se-lhe e disse:
"- Homem, meu Pai me enviou para falar-vos de que o momento da transformação está próximo e de que o filho do homem há de restaurar na lei dos homens o pensamento divino, há muito vilipendiado e corrompido, violado e esquecido."
O pai infortunado contemplou aquele jovem. Como poderia falar com tal propriedade, em muito superior aos doutores da lei, na clareza e na sublimidade ?
"- Aproximai-vos de mim. Vinde até aqui. "
E a família acercou-se do pequeno, que então lhes falou :
"- Bem aventurados os que tem coragem para prosseguir com o coração ultrajado, mas repleto de fé, certos de que o amparo virá de cima, a maneira do Sol que ilumina e retempera os corações para a forja da luta redentora. Meu pai não anela a dor e o sofrimento, neste mundo de tormento. Ele deseja que o Seu Reino e o meu reino, de amor e de paz se multiplique no imo de cada ser, de cada filho do Seu amor soberano e onipresente. Ide ! Vós estais curados ! "
Uma única frase ... As feridas foram-se.
Não era a primeira vez e nem seria a última.
A família contemplou o jovem, agora envolvido por sua mãe e por seu pai, Yussef e Myrian, José e Maria, que se lhe aproximaram por de trás, pondo-lhes as mãos sobre os ombros que sustentariam, mais tarde, a indigência da humanidade.
Ele, então, finalizou, dizendo:
" – Prossegui, na jornada, certos de que não foi a carne curada senão porque as almas assim o foram por efeito da vossa fé e da pureza que guardais em vossos corações. Não vos equivoqueis, pois muitos serão renovados na carne e volverão ao pranto, corromper-se-ão, mas o filho do homem veio para os sedentos da cura integral. Ide em paz. "
A família compreendeu e partiu serena e agradecida. Dias após, eram todos encontrados entre os necessitados, servindo-os amavelmente na sementeira com Jesus. Haviam compreendido e sentido o momento da transformação, que se iniciara na consolação, no consequente entendimento da vida, na conversão, para que o trabalho ilumine definitivamente a vida com amor e caridade.
Iniciava-se a nova era, naqueles dias. Quem O visse ou fosse por Ele tocado, jamais seria o mesmo. Aquele era o limiar da transformação.
Esta mensagem do Espírito Filipe, faz parte das memórias do NEU-RJ na WEB. Ela foi colocada na sua página inicial, onde existe a informação de que “o trabalho do NEU é a divulgação dos postulados espíritas no ambiente universitário, acreditando que se estará contribuindo para elevar o nível de consciência da comunidade acadêmica”
Os que valorizam “memórias” encontrarão mais detalhes na história do NEU-Fundão, o primogênito de uma família universitária que foi numerosa, naqueles dias da década de 1990. (1, 2)
Filipe psicografou através do médium Marcelo Jorge Nazareth, acadêmico de medicina, 20 anos, que nos autorizou a divulgação, em 1994.
Nos dias de hoje, podemos ampliar informações sobre o médium e Psiquiatra através da página de seu livro “Convites à Reflexão”, Espírito Fernando de Luna, da Editora Novo Ser, Rio de Janeiro. (3)

O Limiar da Transformação foi escrito no dia 26 de março do ano 2000, numa reunião do Centro Espírita Filhos de Deus, no grande terreno onde se situa o Hospital Estadual de Dermatologia Sanitária, conhecido “Curupaiti”.
Era nesse Centro Espírita que trabalhava um dos maiores exemplos de superação e fraternidade que tive a honra de conhecer: Amazonas Hércules, (4) que depois de desencarnado continua a oferecer a sua solidariedade. (5)

Fontes

terça-feira, 30 de abril de 2019

Oba-oba - dia nacional dos “espíritas” brasileiros(!)

Oba-oba - dia nacional dos “espíritas” brasileiros(!)  (Jorge Hessen)

Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com 
Brasília/DF

Há 12 anos, para encantamento de alguns “espíritas” , aprovou-se, na Câmara dos Deputados, em caráter conclusivo, o Projeto de Lei nº 291, de 2007, que "dispõe sobre a criação do Dia Nacional do Espiritismo" (“hein...”? humm...!!!), sem força de feriado, dispensando, portanto, os que tributam culto a outras religiões, da obrigatoriedade quanto à homenagear Kardec com os que professam e praticam a doutrina espírita. (Ufa, ufa...!!!!).
Há 12 anos, sim, há 12 anos, a febre para os dias comemorativos ao Espiritismo começou a se espalhar pelos rincões tupiniquins: Vejamos, o projeto apresentado pela Assembleia paraibana, propôs a criação de 18 de abril como “Dia Estadual do Espírita” (hã...?), que se transformou em Lei, sancionada pelo governador instituindo a data no Calendário Oficial do Estado da Paraíba, conforme Lei nº 8.251, de 20 de junho 2007, publicada no Diário Oficial do Estado, em 21 de junho de 2007. Com misso já vislumbramos a direção das enxurradas de datas comemorativas que estão por vir.
Vamos pensar um pouco! Será que o Espiritismo precisa ocupar espaços "com mais liberdade" num dia especificamente consagrado, por força de um projeto de lei?  Há os que dizem que com tais projetos, o Espiritismo não mais será alvo de "perseguições", como aconteceu em recuadas épocas. Mas, antes de qualquer consideração sobre o assunto (projeto-de-lei), peculiar e supérfluo aos objetivos doutrinários, teceremos breves comentários sobre o Parlamento brasileiro.
Entre os idos de 1999 e 2007, mais de 30 (trinta) proposições foram aprovadas, no Parlamento brasileiro , criando datas comemorativas. Nas legislaturas recentes, outras dezenas de projetos foram apresentados com essa finalidade. Enquanto as reformas essenciais se arrastam há muitos anos, os parlamentares demonstram inimagináveis arroubos de inventividade, quando o tema é a aprovação de datas memoráveis.
Não é de hoje que a instituição de datas tem grande apelo entre os parlamentares brasileiros. Para se ter uma ideia, eis algumas datas propostas, e muitas já aprovadas:"Dia Nacional do Frevo" - "Dia Nacional de Reflexão do Cantando as Diferenças" - "Dia Nacional do Ciclista" - "Dia da Televisão"- "Dia Nacional do Líder Comunitário" - "Dia Nacional do Forró" - "Dia Nacional do Poeta" - "Dia Nacional do Despachante Documentalista" - "Dia Nacional do Guarda Municipal" - "Dia Nacional do Doador Voluntário de Medula Óssea", e assim vai a fanfarra das comemorações sobre pêndulos da insensatez, nas plagas da ainda terra brasilis.
Em pesquisa feita no Centro de Documentação e Informação da Câmara dos Deputados, verificamos que, no interregno de 1999 a 2007, os deputados aprovaram 609 projetos de lei e projetos de lei complementar. Desse total, 337 foram apresentados por parlamentares, 218 pelo governo e 54 por outros órgãos. Dentre os projetos aprovados no período, de autoria dos parlamentares, cerca de 10% tratam da instituição de dias comemorativos no calendário nacional. Muitas das propostas (perdem o sentido) chegam a ser curiosas, ou mesmo extravagantes, por isso, são arquivadas. Vejamos algumas delas: No segundo mandato do Presidente Fernando Henrique Cardoso (1999-2002), os exemplos de criatividade foram muitos. Havia projetos para a instituição do"Dia Nacional da Umbanda", "Dia da Inovação", "Dia do Cozinheiro", "Dia Nacional do Taxista", "Dia da Legalidade", "Dia Nacional do Prefeito", "Dia do Presidente da República", "Dia Nacional da Reflexão Política" e "Dia Nacional do Perdão".
E as “pérolas” continuaram cultivadas no primeiro mandato do Presidente Lula (2003-2006), pois havia projetos, propondo o "Dia Nacional da Verdade", "Dia da Esperança", "Dia Nacional da Gratidão", "Dia Nacional da Caridade", "Dia do Sono", "Dia Nacional do Macarrão", "Dia Nacional do Pescador", "Dia Nacional do Teste do Pezinho", "Dia Nacional da Voz" e "Dia Nacional da Capoeira".
É verdade que o Brasil é a maior nação espírita da atualidade; que a Doutrina atende de maneira especial à demanda de milhões de brasileiros, ávidos por respostas às suas dúvidas e anseios espirituais, Que o Espiritismo é responsável por inúmeras obras de assistência social que, reconhecidamente, auxiliam inúmeras comunidades carentes em todo o País, é a pura verdade, sim, mas e daí?
Cremos que o centro espírita, ao invés de ficar comemorando e/ou, idolatrando nomes e datas festivas, tem que funcionar como um pronto-socorro espiritual, em favor das almas em desalinho, e, não, uma escola de fantasias e ilusões. O Centro tem que estar preparado para acolher um grupo cada vez mais numeroso de curiosos e de pessoas instáveis, aguilhoadas nas algemas de suas próprias defecções morais, e que estão nos abismos obscuros da ignorância.
Quanto aos defensores da idéia do "Dia Nacional do Espiritismo", nada obsta que lhes despertemos a consciência, quanto ao que já temos advertido ao público. O Espiritismo nos traz uma nova ordem religiosa, que precisa ser preservada. É a resposta sábia das dimensões elevadas do além às indagações íntimas da criatura aflita na Terra, conduzindo-a ao encontro do Criador. Por essa razão, precisamos blindá-lo da soberba dos espíritas “ oba-oba”, com suas sugestões aéreas e inóxias, uma vez que ignoram os elevados objetivos do Espiritismo e tão-somente fazem parte dos grupos, onde os contra-sensos são oferecidos.
Preservar o Espiritismo, conforme o herdamos de Allan Kardec, é nossa obrigação, mantendo-lhe a clareza dos ensinos, a limpidez dos seus conteúdos, não permitindo que se lhe instalem práticas e empolgações encafifas e ruinosas, que embaraçam os invigilantes e os menos conhecedores das Obras Básicas. Os Benfeitores alertam, ensinando-nos que os princípios espíritas produzem júbilos internos e não algazarra exterior.  
A liderança do chamado  movimento espírita brasileiro “oficial”  transformou o ideário da Codificação numa montoeira de excentricidades , sobretudo no trato com as questões essenciais do Espiritismo.
Será que já não bastam os CONGRESSOS ESPÍRITAS PAGOS destinados exclusivamente aos espíritas  apatacados?

sexta-feira, 26 de abril de 2019

EVENTOS ESPÍRITAS PAGOS O fim não justifica os meios (Adelino da Silveira *)


EVENTOS ESPÍRITAS PAGOS O fim não justifica os meios (Adelino da Silveira *)


Adelino Silveira e Chico Xavier

Lamentável o que vem acontecendo no movimento Espírita. Lamentável também é que nenhum órgão federativo levantou sua voz contra esses absurdos.

Por onde anda o Conselho Federativo Nacional?

Palestras, seminários, congressos e encontros pagos! Até preces em casamentos estão sendo cobradas!

Eventos caríssimos estão sendo realizados.

Para onde vai o movimento Espírita?

Jesus nunca cobrou por seus ensinamentos e nem por seus encontros com o povo. Ao contrário combateu quem assim procedia.

Também não consta no Evangelho que ele tenha cobrado pela sua presença nas bodas de Caná.

Um amigo, de passagem por uma cidade de Goiás, foi assistir a uma palestra espírita.
Qual, porém, não foi sua surpresa quando chegou à porta: R$ 100,00 por pessoa. Penso que todo espírita deveria fazer o que ele fez: virou as costas e foi embora.

Vamos ver o que disse Allan Kardec, Paulo de Tarso e Chico Xavier.

“Ainda uma palavra meus amigos. Indo ver-vos, uma coisa desejo: é que não haja banquetes, isto, por vários motivos. Não quero que minha visita seja ocasião para despesas que poderiam impedir a presença de alguns e privar-me do prazer de ver todos reunidos.”
(Allan Kardec – Viagem Espírita 1862).

“Por que se bem vos lembrais irmãos do nosso trabalho, pois trabalhando noite e dia para não sermos pesados a nenhum de vos, vos pregamos o Evangelho de Deus.”
(Paulo - 1º Tessalonicenses 4:6).

“Eu jamais participaria de um evento onde as pessoas precisassem pagar para me ver. Daria o que tivesse no bolso para ir embora.”
(Chico Xavier, o Apóstolo da Nova Era).

O fim não justifica os meios.

A cobrança de taxas, ingressos em palestras, encontros e seminários, sob qualquer forma ou pretexto, é limitar os ensinamentos de Jesus a quem pode pagar. Isso é uma traição à Doutrina Espírita.

Os espíritas conscientes deveriam se unir e tomar uma atitude contra esses desvios.


*O autor do texto acima conviveu com Chico Xavier durante décadas e é o autor dos livros:
Chico, de Francisco
Kardec Prossegue
Momentos com Chico Xavier


terça-feira, 23 de abril de 2019

Por que as palestras espíritas estão “chatas”?

Por que as palestras espíritas estão “chatas”?
Vladimir Alexei

 
Belo Horizonte, das Minas Gerais
06 de abril de 2019

Acompanhamos o movimento espírita brasileiro há mais de 20 anos. Nesse ínterim assistimos muitas palestras e participamos de algumas. Com a internet, tem sido possível acompanhar expositores que se tornaram famosos pela qualidade de suas palestras, sejam em termos de conteúdo ou pela capacidade expositiva.

Para fazer exposição, palestra ou apresentação em público o primeiro quesito é “querer”. Se há uma predisposição no indivíduo para falar em público, há uma grande chance desta habilidade ser desenvolvida naturalmente. Outros, porém, não gostam de falar em público, apesar de terem algum conhecimento doutrinário.

Outros mais, com profundos conhecimentos doutrinários, não eram muito afeitos a falar em público. É o caso do saudoso escritor e grande pesquisador espírita, Hermínio C. Miranda. Em 1995 ele participou do segundo Congresso Espírita promovido pela Federativa do Espírito Santo. Assim que assumiu o microfone ele disse algo parecido com: “lamento informar às senhoras e senhores que vocês não encontrarão nesta palestra o escritor” (ou algo parecido). A desenvoltura na fala era muito diferente da desenvoltura como escritor. Sua palestra foi excelente, porque era característica dos mais antigos escrever as palestras!

No exemplo do Hermínio C. Miranda, outro ponto importante surge. A preparação. Uma vez definido o tema e as referências bibliográficas sugeridas, é importante que o expositor construa sua palestra de acordo com o que foi anunciado. Palestrantes, na atualidade, no afã de tornarem suas palestras agradáveis, colocam títulos sugestivos e quando começam o estudo, abordam de quase tudo, contam piadas(compreensível e cabível sim!), mas não constroem o estudo de acordo com o título proposto. É certo, porém, que o “recorte” da palestra é feito levando em consideração o conhecimento do expositor, inspiração para o tema e as dicas que as casas oferecem para a abordagem. Esse seria um terceiro ponto importante: metodologia.

É comum, por exemplo, pedirem para falar sobre “O problema do Ser, do Destino e da Dor”. Título de uma obra do Leon Denis. O objetivo será falar sobre a obra? Se sim, seria de bom tom que a Casa Espírita anunciasse dessa forma: a palestra é sobre a obra. Essa é uma abordagem. Outra abordagem pode ser falar sobre a interpretação que o expositor faz sobre a obra citada. Nesse caso, a abordagem fica totalmente a cargo do expositor. Isso pode ser bom, quando o expositor já fez e possui algum conhecimento aprofundado sobre a obra. Mas pode ser ruim também, quando o expositor não domina o conteúdo e cria-se expectativa quanto a sua abordagem. Quem alimenta expectativa, no caso, é quem agenda a palestra. O que precisaria ser feito é sugerir a abordagem para o expositor, sem receios de melindres.

Outro ponto que cabe atenção é a coerência. O palestrante é uma pessoa comum, dotada de qualidades como todos. O que torna um expositor especial é o conteúdo que ele aborda. “Mas, se fosse assim, todos que falam sobre o Evangelho, seriam especiais! ” A reflexão é pertinente porque a diferença está na coerência entre o que o expositor vive e aquilo que ele fala. Outro ponto que chama a atenção é a maneira de falar. Alguns expositores mudam a voz, fazem gestos e trejeitos tentando dar mais credibilidade àquilo que dizem, como se somente assim as pessoas sentissem o quão importante é o que estão abordando.

A Doutrina Espírita é racional. Muitos expositores confundem, porém, a racionalidade doutrinária, com a sisudez. Na atualidade, um grande número de palestrantes, ao falarem sobre “Allan Kardec” ou o conteúdo de sua obra, tornam o estudo enfadonho. Por que? Porque alguns expositores acreditam que a “pureza doutrinária” está em recitar textos, parágrafos, capítulos e livros de Kardec, quando na realidade, a pureza é encontrada na aplicação do seu conteúdo, no uso que se faz daquilo que se aprende, estudando as obras de Kardec. Na internet está repleto de palestras em que os expositores passam muito tempo lendo trechos de obras diversas, ao invés de expor suas interpretações sobre a obra. Evidentemente, existem momentos em que cabe uma abordagem assim. Quando? Quando o conteúdo a ser lido for diferente daquele habitualmente falado, quando for o cerne do estudo, quando o expositor deseja desdobrar os ensinamentos contidos naquele fragmento do texto e outras citações particulares. Não obstante a necessidade de preparação, alguns expositores exageram nas citações de "cor", como se estivessem medindo conhecimento com o imaginário ou o inconsciente coletivo: "isso está no capítulo tal, versículo tal", "questão x, y, z" e assim por diante. A segurança do conteúdo é transmitida pela forma como entendemos e não pela citação literal, ainda que a memória falhe no ato.

Com isso, os palestrantes que citam Kardec – e muitos só citam mesmo, abordam muito pouco o conteúdo da obra –, criticam aqueles que usam tom mais leve e por isso cativante para com aqueles que ouvem e assistem. Nesse ponto, está, talvez, o aspecto mais importante para não se ter uma "palestra chata": um estudo apresentado em forma de palestra, não deve ser desenvolvido como se fosse apresentado apenas para o próprio expositor. Muitos estudos são chatos porque o palestrante fala como se todos gostassem da mesma forma que ele, como se todos fossem eruditos como ele. Ao assumir a tribuna, o expositor passa a ser um instrumento dos Espíritos. Imagine o trabalho que o expositor dá para os espíritos quando cisma que a “pureza doutrinária” só é alcançada citando Kardec, fechando olhos e ouvidos para outros trabalhos que podem muito bem caminhar juntos, de mãos dadas com a obra de Kardec!

Mãos dadas porque a Doutrina Espírita não se coloca acima de nenhuma outra. Mãos dadas porque não está em disputa “quem é maior” – isso só existe na mente fechada de alguns expositores. O mais importante é levar essa abnegada Doutrina a outros corações que carecem de incentivo, assim como mostrar o quanto a Doutrina é atual e dialoga com outros campos do conhecimento, sem, porém, deixar de ser Doutrina Espírita. E quando citamos Doutrina Espírita, falamos no sentido puro da expressão, de acordo com os pilares construídos por Allan Kardec a partir da revelação dos Espíritos Superiores.

Por fim, uma palestra se torna chata quando é feita apenas de “causos”, quando o expositor busca apenas concordâncias com sua fala, quando o expositor quer aparecer mais do que o conteúdo ministrado, quando o palestrante fala muito alto ou muito baixo, quando o estudo não é preparado adequadamente, quando o expositor não tem a sensibilidade necessária para dosar suas abordagens, quando o expositor se solta além do necessário, distraindo as pessoas e não descontraindo, quando o expositor quer ser o centro das atenções.

Por um movimento espírita mais leve, menos aleivoso, mais fraterno e com mais alegria de ser Espírita!

segunda-feira, 22 de abril de 2019

18 de abril de 1857

Vladimir Alexei


Belo Horizonte das Minas Gerais,
21 de abril de 2019


Há 162 anos um trabalho gigantesco, de dimensões inimagináveis, tomou forma com a publicação de O Livro dos Espíritos. Surgia uma Doutrina estruturada, com revelações do Mundo Espiritual confirmando aquilo que as humanidades, no Oriente e Ocidente, já comentavam espaçadamente. O materialismo que sufocou a relação com os espíritos durante milênios, se curvou à lógica insofismável de um projeto educativo com bases superiores.

Um homem maduro intelectualmente, seria o protagonista, escolhido pelos Espíritos Superiores para conduzir, no campo dos encarnados, todo trabalho de construção dessa nova Doutrina. Tamanha capacidade só poderia ser reconhecida em figuras como de Allan Kardec. Um Missionário. Foram pouco mais de dois anos, desde a primeira reunião em que ele participou e dialogou com o Espírito “Zéfiro”, para que pudesse compreender, estudar, estruturar e adaptar conhecimentos e teorias, transformando-as em uma Filosofia com a publicação da primeira edição de O Livro dos Espíritos. Tal filosofia resgatou o processo dialético adotado pelos gregos há mais de dois mil anos, como se estivesse fazendo uma correção na rota da educação vigente na humanidade. Não foi à toa que o primeiro espírito superior com que Allan Kardec, então Hippolyte, conversou, manifestou-se com um nome grego (“Zephyros”).

Desde então, a investigação científica se fez presente na personalidade de um homem de pouco mais de cinquenta anos. Usou todo conhecimento possível para reunir informações do mundo espiritual que se avolumavam de forma arquitetada, em diversos pontos do planeta. Para aqueles que não são afeitos aos trabalhos acadêmicos, pode parecer "simples" essa organização, entretanto, sabe-se que a reunião de informações, principalmente depoimentos, documentos não catalogados, sem padrão, torna o trabalho extremamente mais difícil. Agrava-se a complexidade quando a forma de escrever a mesma ideia, ocorre de maneira diferente, de acordo com a cultura em que foi recebida, exigindo ainda mais métodos de trabalho.

Por que o Espiritismo surgiu dessa forma? Porque a Verdade precisava ser revelada de forma estruturada, de acordo com os avanços científicos da época – alguns adotados até hoje como o positivismo –, independentemente da condição humana. Nada ocorreu, porém, sem um propósito superior e nem de forma isolada. De tempos em tempos a humanidade recebe arroubos evolutivos que permitem compreender o quanto ainda se tem a progredir até atingir a perfeição. E esse progresso não se dá apenas em uma perspectiva da vida e sim em várias, se não em todas, o que torna a evolução algo “multíplice”, ou seja, não basta apenas conhecer e saber que existe uma Doutrina com revelações do mundo espiritual, de onde viemos e para onde retornaremos. É preciso compreender melhor o que fazer nesse interregno, aplicando seus ensinamentos no dia-a-dia.

Em Moisés se viu uma das primeiras investidas, no Ocidente, quando se criou critérios que trouxessem justiça para a humanidade se reorganizar. Em seguida, após tentativas frustradas de se diminuir as distâncias entre os homens, o Amor mais genuíno e superior aportou na Terra, traçando novos roteiros, iluminando caminhos em noites de ignorância, perfumando corações com o perdão das ofensas, sublimando sentimentos de forma jamais vista até então. Entretanto, como ocorreu com a revelação de Moisés, a humanidade ainda não estaria preparada para receber ensinamentos tão sublimes.

A primeira revelação foi uma ação específica, com um objetivo claro de primeiro, organizar para, em seguida, crescer e prosperar. Todavia, prosperar na linguagem do homem limitava-se apenas a melhoria da condição material e neste quesito houve franco progresso. Homens abastados conseguiram levar o progresso à sociedade, as custas de outros homens, que, por sua vez, nem sempre aceitaram muito bem a forma como foram tratados, criando um ciclo vicioso de ódios e rancores intermináveis. Aparentemente intermináveis...

Na segunda revelação, o Amor manifestou-se mostrando que esse ciclo aparentemente interminável deveria ser rompido por uma ação fortemente contrária a tudo que estava sendo alimentado até então. Para que o ser humano conseguisse praticar esses ensinamentos, recomendava-se desaprender sobre tudo aquilo que valorizava e causava inquietação para a alma, substituindo por princípios e valores transcendentes, em que a ferrugem e a traça não seriam capazes de aniquilar.

A segunda revelação se faz presente, assim como a primeira. O “espaço tempo” em que ocorreram não significa dizer que não são importantes. Ainda se faz necessário aprimorar o senso de justiça porque, até hoje, há predomínio do egoísmo. Doses intercaladas de Justiça e Amor vem nutrindo a humanidade durante milênios, como o agricultor cuidadoso diante de sua plantação. Alguns brotaram e renderam frutos maravilhosos, outros deixaram seus frutos caírem. Algumas sementes encontram-se ainda submersas, enquanto outras já criaram raízes e romperam o solo em busca de uma nova oportunidade para servir...

A humanidade poderia continuar vivendo sem uma terceira revelação? De certo que sim, porém, seu progresso seria mais lento. Por isso, após diversas investidas em mais de mil e oitocentos anos, uma outra revelação se fez necessária para impulsionar a humanidade convidando-a a uma nova releitura sobre tudo aquilo que havia sido revelado.

Com a Terceira Revelação, nova fase da humanidade passou a vigorar. Quanto mais caminha a humanidade em desenvolvimento intelectual e progresso material, mais se faz necessário calibrar, rever, reexaminar o progresso moral, aquele que se leva para a Vida Maior, que é a vida espiritual.

Como tudo aquilo que é novo, resistências surgiram em diversos campos. Homens cultos e influentes foram sacudidos em suas convicções, como ocorreu com Sir Willian Crookes, descobridor do elemento químico “tálio”, pertencente à Família do Boro, na tabela periódica dos elementos químicos usados até hoje.

Eminente pesquisador, presidiu por diversas vezes a Sociedade Química de Londres, com efeitos extensivos ao campo do conhecimento da Física. Por que notória expressão social, pertencente a um grupo seleto de pesquisadores se viu às voltas com o mundo espiritual? Para que o fenômeno do intercâmbio deixasse de ser algo isolado, apreendido por parábolas e pudesse ser aceito por formadores de opinião, capazes de influenciar outros membros daquele nível social, assim como de outros níveis também.

Pode-se inferir com isso, que, além de validar o fenômeno espiritual, o desenvolvimento intelectual precisava ser reconduzido de forma a não ignorar a influência moral exercida pelo comportamento de seus mais eminentes pesquisadores. Para que um exímio pesquisador alcance resultados expressivos, se faz necessário também que seu comportamento acompanhe tais cometimentos. Diríamos que, compreender a necessidade de se traçar esse paralelo (desenvolvimento profissional e desenvolvimento espiritual) só foi possível a partir do advento da Doutrina Espírita. Se o pesquisador continua desenvolvendo-se de forma acelerada quanto aos rumos de suas pesquisas, é oportuno saber que, no tempo em que ele não está dedicado aos laboratórios, seu convite é para atuar no desenvolvimento da vida familiar e social.

O que ocorre com um pesquisador pode ser estendido a outros campos de atuação do ser humano. Um profissional que se dedica demais ao trabalho, é convidado também a dedicar-se a Família e ao convívio social. Com o espírita não é diferente: de que adianta dedicar-se diuturnamente à divulgação doutrinária se a vida familiar, social e profissional for negligenciada?

É por isso, dentre infinitos outros motivos, que a terceira revelação, classifica-se como “Verdade”. A verdade revelada pelos Espíritos Superiores mostra uma missão muito maior para cada um de nós, do que aquilo que temos feito no dia-a-dia, absorvidos pela rotina de reclamações, lamúrias e queixumes. Apreenda o que puder, administre o que der conta, viva intensamente os momentos que se tem, para aprender a valorizar aquilo que, de fato, é mais importante: viver e auxiliar o próximo a viver superando os obstáculos que cada um se propôs, seja por provas ou expiações.

18 de abril de 1857 foi o início de uma nova trajetória para a humanidade. Um dos pontos  relevantes é saber que a Vida Continua. Sendo que a Vida continua, o que é preciso fazer no presente para que o futuro seja melhor? Confiar, amar, aprender, refletir, refazer caminhos, progredir sempre, sabendo que a ordem dos fatores varia de acordo com a necessidade de cada um. Nisso reside a beleza que faz brotar a compreensão, compaixão e a tolerância em dias melhores.