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domingo, 26 de janeiro de 2020

Aborto, abortos....abortos

Aborto, abortos....abortos



Jorge Hessen
Brasília-DF

A descriminalização do aborto está circundando descarada e sorrateiramente o nosso País. Hoje, assassinar bebê no ventre materno está totalmente descriminalizado no Uruguai, em Cuba e na Cidade do México. Na Colômbia, a Corte Constitucional determinou em 2006 que o aborto é legítimo em casos de estupro, má-formação fetal ou de riscos para a vida da mãe.
Há países em que o aborto era totalmente ilegal, mas passou a ser aceito nos últimos anos se a mãe correr riscos ou se houver má-formação fetal (no Irã),   anencefalia (no Brasil) ou no caso de estupro (no Togo). Se a grávida corre grave risco de vida, conforme consta na questão 359 de O Livro dos Espíritos, é admissível o aborto induzido para salvar a gestante. (2) Oportuno acrescentar, com a evolução da Medicina, dificilmente se configura, hoje, uma situação dessa natureza extrema.
Portanto, com a cautelosa exceção da gestação que coloque em risco a vida da gestante, quaisquer outras justificativas são inadmissíveis para uma grávida ou o Estado decidir pelo extermínio de um bebê no útero. Se a mulher compreendesse as implicações gravíssimas que estão reservadas para ela, certamente refletiria bilhões vezes antes de extinguir um ser indefeso no próprio ventre.
Corinne Rocca, obstetra, ginecologista e professora  é conhecida por estar por trás de estranhíssimas pesquisas sobre aborto realizadas na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. A mais recente delas foi publicada na revista Social Science & Medicine  e mostra que 95% das 667 mulheres que participaram da pesquisa afirmam que abortar foi uma decisão “segura”. (Pasmem!)
Para Corinne, seu estudo "desmistifica" o que muitos pregam na hora de ser contra o aborto: o fato de que a mulher vai se arrepender da decisão. Rocca estruge que “por anos, alegou-se que precisamos proteger as mulheres dos danos emocionais que muitas sofrem ao fazer um aborto, mas nunca houve evidência para dizer que isso é mesmo verdade”. A pesquisadora alega que o “alívio” foi um dos sentimentos mais citados e que aparecem a longo prazo. Confesso que nunca tinha lido reportagem mais imprudente do que essa da revista Capricho. (3)
Não nos enganemos, pesquisadores e médicos que defendem e executam o aborto nos países que já legalizaram o trucidamento do bebê no ventre materno são homicidas. Não há lei humana que atenue essa situação ante a incorrutível Lei de Deus. 
Rocca, supostamente é apadrinhada por fundações internacionais pró-aborto, por isso instiga à prática desse hediondo crime. Sim, cremos que a sua pesquisa deva estar sendo financiada pelas poderosas clínicas de aborto que obstinadamente utilizam a grande mídia, no Brasil, para fazer apologia ao homicídio do nascituro.
Indubitavelmente a reportagem da revista Capricho é constrangedora e irresponsável, ao apresentar a afirmativa: “Alívio” é o que a maioria das mulheres sente após o aborto, conforme pesquisas. Que paspalhice!!!
Reflitamos com Chico Xavier sobre o tema: "os pais que cooperam nos delitos do aborto, tanto quanto os ginecologistas que o favorecem, vêm a sofrer os resultados da crueldade que praticam". (4)  Se alguns tribunais do mundo ainda condenam a prática do aborto, as Leis Divinas, por seu turno, atuam inflexivelmente sobre os que alucinadamente o provocam. Fixam essas leis no tribunal das próprias consciências tenebrosos processos de resgate que podem conduzir ao câncer e à loucura, agora ou mais tarde. (...)". (5)
Ora o primeiro dos direitos naturais do homem é o direito de viver. O primeiro dever é defender e proteger o seu primeiro direito: a vida. Chico Xavier ainda adverte "que o aborto é um dos grandes fornecedores das moléstias de etiologia obscura e das obsessões catalogáveis na patologia da mente, ocupando vastos departamentos de hospitais e prisões."(6)  
Sei que há desatinados “espíritas” (com aspas) invocando o “direito” da mulher sobre o seu próprio corpo, como argumento para a descriminalização do aborto. Contudo, o corpo do embrião não é o da mulher. O nascituro não é um objeto qualquer, qual máquina de carne, que pode ser desligada de acordo com interesses circunstanciais, porém um ser humano com direito à proteção, no lugar mais fantástico e sublime que Deus criou: o templo da vida, ou seja, o útero materno, contudo tem sido o lugar mais aterrorizante para a vida de um bebê.
Não lavramos aqui condenações irremissíveis àquelas que jazem submersas no corredor tenebroso do aborto já consumado, até para que não caiam na sarjeta profunda da desesperança. Expressamos prudências, no firme intuito de iluminá-las com o farol do esclarecimento, para que enxerguem mais adiante, elegendo por trabalhar em prol dos necessitados e, sobretudo, (se possível) acolhendo filhos abandonados (órfãos) que, atualmente, aglomeram-se nos orfanatos.
Ah! Se já erraram, não se esqueçam que com o erro se pode aprender. E ao invés de se prenderem ao remorso, consagrem a desafiadora experiência como uma adequada ocasião para o arrependimento, a expiação e a imprescindível reparação.

Referências bibliográficas:
1              Conforme o World Population Policies 2009, da ONU que registra o estudo realizado pela ONU e pelo Instituto Guttmacher
2              Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. RJ: Ed FEB, 2003, perg. 359
3              Disponível em https://capricho.abril.com.br/vida-real/alivio-e-o-que-a-maioria-da...  acesso 18/01/2020
4              Xavier, Francisco Cândido. Leis de Amor, ditado pelo Espírito Emmanuel, SP: Ed FEESP, 1963.
5              Peralva, Martins.O Pensamento de Emmanuel.Cap. I Rio de Janeiro: Editora FEB, 1978
6              Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Religião dos Espíritos, ditado pelo Espírito Emmanuel. 14a edição. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 2001

Se alguém deve um centavo não pode "fingir" que esqueceu tal dívida

Se alguém deve um centavo não pode "fingir" que esqueceu tal dívida 




Jorge Hessen
Brasília-DF


Não somos o primeiro, o único, ou o último a divulgar sobre o cortejo de práticas desonestas entre os religiosos. A mídia em geral, frequentemente, anuncia e expõe tais fatos, francamente, abomináveis e com grande repercussão negativa. Não conseguimos ver coerência numa pessoa "meio honesta", "quase honesta" ou "mais ou menos honesta". Ou se “é honesto”, ou “desonesto, não há meio termo. Seja sua palavra Sim! Sim! - Não! Não! Ensinou-nos Jesus.
Proferimos palestras em várias casas espíritas sobre esse tema e destacamos da tribuna que o lídimo cristão é honesto em tudo que banca. Se alguém deve um centavo que seja, obrigatoriamente, tem que quitar esse débito com seu credor, por simples questão de integridade moral. Não se pode "fingir" que deslembrou tal dívida (quer seja de um centavo).
Por elevadíssima razão é indispensável haver transparência na prestação de contas, mensalmente, com os contribuintes da casa espírita. Cremos que é simples obrigação afixar, no 'quadro de avisos' ao público, a comprovação da correta aplicação dos recursos recebidos.
Os dirigentes que assim procedem veem patenteadas a credibilidade da instituição que administram e a pureza de suas intenções. Por outro lado, evitam-se rumores, do tipo: -"fulano (a) está cada vez mais rico (a)"; -"sicrano (a) construiu uma mansão com o dinheiro doado ao centro" e, -"beltrano (a) comprou um carro do ano, caríssimo", olhem só para isso!
Aconteceu conosco. Certa vez , após uma palestra sobre o “incômodo” tema, houve rumores nos corredores do centro, alguns dirigentes da casa nos arremessaram saraivadas de 'chumbo grosso' pela maledicência. “Fraternalmente” proscreveram-nos da escala de oradores. Porém, tal decisão em nada nos afetou, mesmo porque isso implicaria em que admitíssemos contemporizar com as artimanhas obscuras que faziam com dinheiro dos frequentadores.
Nos surpreendemos com as atitudes de alguns deles, desarmonizados moralmente, mas são confrades que fingem gestos de “santidade”, usam palavras “dóceis”, olhares de superioridade, julgam-se donos da verdade, determinando normas de conduta sem sustentáculo doutrinário para exemplificá-las.
É evidente que ficamos atônitos e envergonhados quando sabemos, pela imprensa, que algumas instituições "filantrópicas" desviam recursos, emitem recibos forjados de falsas doações, etc..
Há centros que dão, até, uma 'ajudazinha' aos confrades, driblando o Imposto de Renda retido na Fonte... imaginem!
Instituições outras recebem, à guisa de doações, roupas, calçados, alimentos, eletrodomésticos, etc., e os dirigentes se apropriam delas, com a maior naturalidade.
Temos conhecimento de instituições que aceitam doações, até, de objetos valiosos e que os dirigentes se apropriam dos melhores, é claro, antes de os exporem em bazares ditos "beneficentes", objetivando arrecadar fundos para obras "assistenciais". 
Daí, indagamos: isso é fruto da “minha” imaginação?
Será que estamos obsedados ao abordar tal assunto?
Não, meus irmãos! Estamos completamente conscientes da responsabilidade cristã. A prudência continua sendo a nossa melhor conselheira. É imperioso salientar que nossos argumentos não estão sendo direcionados para a instituição A, B, ou C. Dirigimo-nos a todas, indistintamente, como alerta geral. 
Difundimos esses alertas sem expor esse ou aquele grupo espírita, mas por questão de consciência ética, acreditamos que um autêntico espírita tem que ser fiel aos princípios que a doutrina estabelece e saber que HONESTIDADE é prática IMPERIOSA para todo ser humano, que dirá, para um espírita cristão?
Portanto, que seja definitivamente esconjurado todo e qualquer subterfúgio, que tente justificar sistêmicas concessões fraudulentas, como se fossem naturais para certas ocasiões. 
As falanges do mal de "cá" e do "além-túmulo" se organizam para obstruir muitos projetos cristãos. Os obsessores (encarnados e desencarnados) são inteligentes, organizados e vão dando um passo de cada vez, por conhecerem muito bem pontos vulneráveis dos incautos. É urgente advertir sobre a obrigatoriedade da conduta honesta para que o ideal espírita seja cada vez mais ético, transparente consoante os preceitos estabelecidos por Jesus.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Educação para quê?


 Jane Maiolo(*)

A Educação, se bem compreendida, é a chave do progresso moral (1)

A humanidade é, genuinamente, produtora de conhecimentos, desde os primórdios o homem procura solucionar problemas que afetariam sua sobrevivência senão utilizasse de seu bom gênio, da sua intuição, da sua inteligência.

A capacidade investigativa e criativa do homem possibilita-lhe sempre novos caminhos, novas descobertas, novas perspectivas.

Num cenário, propício a desenvolver as habilidades socioemocionais e sócio cognitivas, solidificado ao longo dos milênios, eis que surge a escola e consequentemente o professor.

Se a escola é um organismo vivo e complexo, cuja esperança é o currículo mais almejado, o professor é o oxigênio de todo esse corpo. Sentir-se professor é ter a lucidez da desconstrução contínua no momento histórico, líquido onde há de se reconstruir a cada instante.

O professor é o profissional cujo maior interesse é o aluno. É o aluno que interessa, que aprende, que avança, que cria, que inventa, que realiza, que lhe tira o sono, que lhe rouba a paz, que lhe impulsiona as mudanças e a aquisição de novos valores. Portanto, sem oxigênio o aluno não respira. O que seria o oxigênio se não tivesse função a cumprir? Certamente esse é um processo bilateral, aprende o aluno, mas também o professor. Talvez o professor saiba, sem saber, que a sua profissão lhe aproxima do amor ágape e que sua atuação deva ser um compêndio de valores e ações que contribuam para a transformação da sociedade tornando-a mais equilibrada, humana e socialmente justa, entretanto, educar para quê?

Notório aceitar que “a educação, se bem compreendida, é a chave do progresso moral, instrumento pelo qual a humanidade se renovará”, como afirmava o mestre lionês Hippolyte Léon Denizard Rivail.

Há décadas acompanhamos os sérios problemas dos desvios morais, do desequilíbrio no caráter e da ausência de valores elevados. O alto índice da violência como reflexo de uma sociedade sem inteligência racional, sem rumos e sem perspectivas progressistas demonstram como a revolução educacional é urgente.

Nas últimas três décadas 1,1 milhão de pessoas foram assassinadas no Brasil, o negro ainda hoje é sobre representado nos estratos sociais de mais baixa renda, o feminicídio ainda é crescente fortalecendo uma concepção de sociedade patriarcal. Relata o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) de 2013, que em 2012 foram notificados 50.617 casos de estupro no país. (2)

O Brasil é um dos países mais violentos do planeta. A cada ano mais de 53 mil pessoas são assassinadas, outras 54 mil morrem em acidentes, inclusive os de trânsito, 12 mil se suicidam e 10 mil são fatalmente vitimados de forma violenta sem que o Estado consiga definir a causa do óbito. Educar pra quê? (3)

Educação significa VIDA, vida que vale a pena preservar. Educar é parceria família e escola.

Valorizar o professor é questão de esperança nas futuras gerações. Que as políticas públicas possam contemplar o professor na sua identidade múltipla geradora de vida, sabedoria e esperança!

Os Homens, de boa vontade, se servirão de seu entendimento para iluminar os rumos da nossa Humanidade. 


Referências bibliográficas: 


(1) KARDEC, ALLAN. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB , 2007- questão 917- comentários

(2) Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) de 2013




*Jane Maiolo -É professora da Rede Municipal de Ensino, pedagoga, formada em Letras e Pós-graduada em Psicopedagogia. Formanda em Psicanálise pelo Instituto Brasileiro de Psicanálise Contemporânea. Colaboradora da Sociedade Espírita Allan Kardec de Jales. Pesquisadora do Evangelho. Colaboradora da Agenda Brasil Espírita- Jornal O Rebate /Macaé /RJ – Jornal Folha da Região de Araçatuba/SP –Blog do Bruno Tavares –Recife/PE - colaboradora do site www.kardecriopreto.com.br- Revista Verdade e Luz de Portugal, Revista Tribuna Espírita de João Pessoa, Apresentadora do Programa Sementes do Evangelho da Rede Amigo Espírita. Janemaiolo@bol.com.br - Janemaiolo@bol.com.br -


domingo, 5 de janeiro de 2020

O CARÁCTER TRANSITÓRIO E PRECÁRIO DAS NOSSAS DOUTRINAS

            Margarida Azevedo



           
            O humano caracteriza-se essencialmente por estar em trânsito num pluriverso no qual é movido pelas coordenadas espaço/tempo. Para uns, tal é motivo de desconforto pois vivem à procura de uma eternidade ideológica, porque assentes em  conceitos tais como valores, verdade, ética, moral, tradição, etc. Outros, pelo contrário, crêem que a ideologia permanece, mas com potencial ou capacidade para se adaptar às novas realidades sociais, novas necessidades e novas exigências. Para estes, a ideologia é elástica, pois é sempre possível acrescentar/retirar-lhe sentido quando o anterior se torna obsoleto. Depois há ainda um grupo, assaz pequeno, para quem a ideologia é totalmente transitória, aceite porque responde, de alguma forma, às necessidades da vida aqui e agora.
Nas ideologias religiosas, ou por medo dos infernos ou de se expor aos maus Espíritos, ou por desafiar a força dos deuses ou de cair em desgraça para sempre, longe de serem libertadoras são, na realidade, mecanismos aprisionadores que impedem o ser humano de viver em pleno a sua fé numa relação de felicidade com Deus e com a Natureza.
Podem ler-se os mesmos textos a vida toda, e séculos após séculos, mas se não se tiver em linha de conta a historicidade, as vivências religiosas de então, e não for feita uma leitura aberta dos mesmos, isso significa matar o texto. A vida de um texto está precisamente na constante releitura, conferindo ao leitor a liberdade da análise, a sua adaptação individual ou colectiva ao presente. Há que perceber que a ideologia do texto pode não ser a do leitor, ainda que partilhem religiosa e historicamente idênticos ideais. O que têm em comum as igrejas cristãs de hoje com as casas-igrejas dos primeiros cristãos? Para não dizer nada, dizemos muito pouco.
É motivo de excomunhão dizer que as doutrinas são tão precárias, tão débeis, tão frágeis como o vento que passa. Mas isso é a grande verdade. Elas podem durar centenas ou até milhares de anos, mas isso não significa que sejam imortais ou eternas. Um dia, inevitavelmente, chegará o seu fim e novas doutrinas surgirão. Por isso a História nos lembra esses momentos fugazes de milhares de anos, tornando-os episódios a reter na memória individual e colectiva. A religião egípcia é um bom exemplo; os cultos do deus Apolo e do deus Dionísio, na Grécia, também.
Porém, fazer da memória  elemento justificativo de práticas inaceitáveis porque desfazadas no tempo, é inverter-lhe o papel. O factor tempo é determinante para a compreensão e aceitação de todo e qualquer comportamento. Vão longe os tempos em que o rei ou chefe da tribo era um deus; vão longe os tempos da crença na imortalidade mediante a oferta sacrificial de bens, e de pessoas em holocausto, aos deuses; vão longe os tempos dos cultos dos mistérios do deus Dionísino e do deus Apolo.
            A perigosa crença na estabilidade doutrinária, na sua verdade incriticável, da sua capacidade de resposta para tudo, da sua perfeição total, enfim, é a porta escancarada para
o fundamentalismo, fanatismo, intransigência, ateísmo, luxúria, exploração do próximo, manutenção da ignorância, resistência à mudança, medo que o outro ensine, denuncie, esclareça, faça de alguma forma abanar as estruturas muito aconchegadas e muito arrumadinhas do cinismo e da arrogância.
            Não há doutrinas libertadoras, há-as momentaneamente responsáveis por algum equilíbrio, alguma resposta muito fugaz, muito sub-reptícia, uma mezinha para algum problema de momento qual remédio para um mal do presente. Passado o mal, o remédio deixa de ser necessário. Podemos guardar o frasco, mas o problema seguinte,  ainda que recorra ao mesmo remédio, já não será o mesmo nem o remédio terá o mesmo desempenho.
            Rir de nós mesmos, dos nossos fracassos ou de algumas virtudes,  é sinal de maturidade política, religiosa, cívica, é quebrar os muros. A estabilidade não é uma característica do humano; é querer à viva força que os filhos sigam tudo exactamente como os pais, transformando-os em seres castrados, agarrados a vida inteira aos pais como se estes fossem a única voz  a ouvir e a totalidade do mundo.
 Progredir é emancipar-se, é amar a vida, e aos progenitores na medida em que os compreende na sua vivência e experiências de vida. Progredir não é rejeitar, mas querer ser sempre mais, ir mais alto, aprender sem cessar. O pão pode ser sempre pão, mas os processos de fabrico acompanham o progresso tecnológico. Quem diria, há um punhado de anos, que o pão deixaria de ser fabricado à mão e seria confeccionado por máquinas? Então o pão não é sagrado? Não é o corpo de Jesus, o Cristo? Muito bem. E o que é que isso tem a ver com o processo de fabrico? Pode continuar com essa fé, quem assim o entender, que em nada é beliscada com a substituição das mãos, no difícil trabalho quão árduo de amassar quilos e quilos de farinha, por uma máquina aliviadora. Até lhe deixa tempo para ler a Bíblia…
            Os libertadores e messias de hoje, tal como os de outrora, mentirosos  e arrogantes, apoiam as suas doutrinas no passado histórico, num mundo que foi essencialmente nómada, reivindicando direitos de propriedade por razões ancestrais; falam contra a colonização e a escravatura, a xenofobia e o racismo, em jeito de vítimas, como se tais realidades não fossem transversais ao ser humano, mas apenas características de um grupo; abordam os direitos das minorias e o direito à terra, com pompa e circunstância, excluindo ou retirando a outros o direito a um lugar para viver; referem-se aos direitos humanos com altivez, quais grandes defensores, mas tudo isto é como o sino que tine porque o que os move não é o bem ao serviço de todos, mas apenas de alguns que, nas suas ideologias e mentalidades, são os verdadeiros merecedores da liberdade ou da salvação de Deus. Sementes da discórdia, do terror e da desilusão, os falsos libertadores são excelentes cozinheiros da desgraça alheia.
            Vivemos uma nova era apocalíptica, um segundo zelotismo, novos profissionais da virtude. Ora, o apocalipse não é um fim trágico, mas um recomeço em grandiosidade porque é o desocultar, revelar de algo que estava escondido; o zelotismo o fim de uma perspectiva religiosa intransigente; os profissionais da virtude um bando de indivíduos espartilhados para quem os bons prazeres da vida são pecado.
            Sim, vivemos entre dois infinitos, o do bem e o do mal. Pretende-se a redução de menos um ao segundo e a adição de mais um a o primeiro, a cada momento que passa, momento esse que tanto pode ser de um segundo como de milhões de anos, aqui ou em qualquer outro lugar. Viver é exercer essas duas acções numa constância sem cessar, numa insatisfação e num desejo ávido que esta noção de lonjura nos perpetua. Mas, no fundo, é tudo tão ténue, tão frágil e tão transitório.
A vida é uma passagem fugaz por qualquer coisa que vem de uma fundura temporal e espacial entre os infinitos mais e menos. Onde estamos? O que é pensar em algo? Porque reflectimos Deus segundo ideias que julgamos sempre tão assertivas mas que, na verdade, são insatisfatórias?! Chegar a Deus no desconforto social, numa dialéctica de subjugação e libertação é cultivar a esperança de que um dia haverá o acerto do pensamento e da fé, do desejo e do fim real de todos os desentendimentos. A transitoriedade das nossas doutrinas é reveladora de um caminho…



sábado, 14 de dezembro de 2019

Guerrilheiros da Intolerância

Guerrilheiros da Intolerância

Vladimir Alexei
Belo Horizonte das Minas Gerais,
13 de dezembro de 2019.



Em título homônimo, Hermínio C. de Miranda escreveu uma obra que retrata convergências psicológicas especulativas a respeito da trajetória de um mesmo espírito ao longo de algumas reencarnações.

O que caracterizou o espírito retratado na obra, foi a perseguição religiosa. Tal perseguição teria ocorrido desde quando o espírito em estudo foi a filósofa e matemática de Alexandria, com o nome Hipácia, passando pela figura mais conhecida de Giordano Bruno, até culminar em Anne Bessant. Esse espírito despertou o lado sombrio dos movimentos religiosos organizados, retratado em essência na obra.

As perseguições religiosas são tão odientas quanto os crimes cometidos contra as religiões. É um mar de ilusões perpetrado por lideranças que insuflam a salvação a troco da propagação de um Deus exclusivo, celetista, tendencioso e arbitrário.

Estamos sujeitos a que aconteçam esses movimentos de perseguição. Podemos vislumbra-los no espiritismo, em breves relatos nesse ano de 2019, próximo de encerrar.

Vimos manifestações em redes sociais virulentas, agressivas, destemperadas, causando estranhamento entre profitentes como se fossem torcidas organizadas. Isso, no movimento espírita. Companheiros com obras de divulgação doutrinária, descendo o nível dos argumentos a ponto de proferir palavras de baixo calão, como a lembrar algo próximo da barbárie. Aqueles que se aproximam e buscam o espiritismo por sua riqueza de Luz e seus ensinamentos tão caros ao coração, questionam como pode ser tão antagônico, agir dessa forma e pregar entendimento diante das adversidades.

Alguns doutos, ao lerem, dirão que se trata de movimento isolado, outros mais precavidos dirão que faz parte do processo de aprendizado e que não cai uma folha da árvore sem que Deus não saiba. Os mais inconformados, escrevem.

Escrever talvez seja o último recurso de alguém que tem pouco, ou quase nenhum talento, para chamar a atenção de que, ainda que faça parte realmente do processo de aprendizado, o arrastamento que existe na sociedade pode sofrer ações voluntárias de nossa parte para frear o recrudescimento das almas em transe obsessivo que estimulam a desavença, o desentendimento e a separação. Traduzindo: precisamos rever os rumos tomados pelo movimento espírita!

Vimos espíritas fazendo fama e dinheiro, se lançando como paladinos da gestão pessoal, com arroubos de coaching and mentoring. Vimos espíritas inconformados com as “conquistas” deles e por isso abriram franca perseguição, como se pudessem fazer algo a respeito ou tivessem algum respaldo do Além.

Em 2019 vimos divulgadores questionando o festival de encontros e congressos caríssimos, outros aceitando quando são baratos e outros ainda, no qual faço parte, questionando se de fato há necessidade para tais eventos.

O ano não foi para brincadeiras. Cursos oferecidos por “celebridades” doutrinárias, mas que não eram cursos espíritas e que só existem graças ao que o Espiritismo proporcionou, a valores impronunciáveis, de tão caros.

Vimos também a "cláusula pétrea" do Roustainguismo cair, para reaproximar corações que poderiam ajudar a reerguer a Federação, sem porém, solução de continuidade...

Vimos ainda espíritas se defendendo de espíritas. Alguns tiveram que se intitular “progressistas” porque espíritas apoiadores da “situação” fizeram crer, ao vulgo, que os espíritos superiores estão do lado deles e todos que pensam diferente merecem a fogueira do “Campo de Fiori” – a mesma que queimou Giordano Bruno.

Vimos espíritas pensando diferente do Legado de Allan Kardec, muito mais preocupados em apresentar-se com títulos, pompas e circunstâncias, para dizer que não há nada demais na vergonhosa adulteração realizada na obra A gênese, do que contribuindo para um debate enriquecedor.

Por fim, vimos que a tendência dessas idiossincrasias é se alastrar por um tempo mais, enquanto o espírita tenta encaixar os movimentos da vida presente nas teorias descritas pelas obras fundamentais e obras mediúnicas de grande valor.

Por falar em obras mediúnicas, não poderíamos encerrar nossa “tertúlia virtual”, sem falar o quanto a mediunidade vem sendo barateada entre os espíritas que se arvoram estudiosos do assunto. É estarrecedor o quanto fazem para chamar a atenção e aparecer, em nome da possível, quem sabe, talvez, sabe-se lá, presença de algum espírito que nem de longe é quem estão pensando e sim aqueles que idealizam. Enfim, caso crítico de obsessão avançada, preocupante. Preocupa de forma que, alguns divulgadores para validar suas teorias, dizem, sem a menor pecha, que os espíritos estão do lado deles ditando as sandices que andam dizendo por aí. É mais ou menos assim: “o espírito de luz que está aqui comigo disse para vocês terem fé!”. Amigos, a presença de um Espírito Superior próximo de nós, ainda que distante em termos de sintonia, provocaria o que há de mais sublime e profundo em nós e não palavras que são barateadas em médiuns vaidosos e invigilantes.

Diante de tudo isso, por incrível que possa parecer, não lamentamos absolutamente nada que vivemos ou presenciamos. Primeiro porque não nos move a inveja de querer ser algo que não somos. Segundo porque sabemos que a fama, os holofotes não são para todos. Terceiro, o brilho na Terra não tem a mesma intensidade que o brilho no Mundo Espiritual. E por último, porque identificamos essas fragilidades, buscando alternativas para não cairmos nos mesmos erros que criticamos.

Que a simbologia de fim de ano, arrefeça os corações armados, perfume o verbo encandecido de inconformidades, e acalente as almas perseguidas por aqueles que um dia foram luz e alcançarão a Luz. Que em 2020 estejamos todos preparados para mais mudanças (palavras do autor e nada mediúnicas). Feliz Natal e até a próxima, se Deus assim permitir!

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

O livro “Maria de Nazaré” do autor espiritual Miramez pela mediunidade de João Nunes Maia: Uma análise crítica”


Leonardo Marmo Moreira



O zelo doutrinário e o cuidado em não aceitar utopias antes delas serem confirmadas é o mínimo de critério que todo espírita consciente deve ter antes de admitir algo dentro do contexto do estudo espírita. Esse critério deve ser ainda mais rigoroso antes do espiritista sair divulgando ou citando, enquanto expositor ou articulista espirita, tais dados ou informações como corroborações a qualquer ideia ou informações, ainda mais quando digam respeito a realidades de difícil constatação, tais como detalhes da vida do mundo espiritual; eventos espirituais envolvendo Espíritos de elevadíssima condição, episódios espirituais de um passado distante, entre outros. Esse tipo de escrúpulo é o que faz com que o Espiritismo não seja apenas uma religião convencional, mas esteja sustentado em um tripé científico-filosófico-religioso, cujo material de conexão dos vértices desse triângulo é a fé raciocinada. 

Temos observado confrades citarem a obra “Maria de Nazaré”, atribuída ao Espírito Miramez pela mediunidade de João Nunes Maia, sem a conhecerem minimamente. Por outras vezes, percebemos escritores pinçando somente aquilo que possa corroborar seus próprios pensamentos, sem levarem em conta que quando uma obra tem uma série de problemas, todo o seu conteúdo passa a ficar sob suspeita. Aliás, esse tipo de corroboração é muito perigoso, pois passa uma ideia de confirmação de conceitos dentro do âmbito doutrinário, o que não necessariamente é o caso. 

A Universalidade do Ensino dos Espíritos só é identificada com a seleção correta de obras que tenham condições para serem pré-selecionadas. Ou seja, o controle da concordância universal do ensino dos Espíritos só funciona para as corroborações de autores e/ou obras que previamente passaram por vários crivos, abrangendo pré-requisitos mediúnicos, morais, intelectuais etc.

Na obra “Maria de Nazaré” de Miramez/João Nunes Maia, o autor, para defender o mito católico da suposta virgindade de Maria (antes, durante e após a concepção, a gestação e o nascimento de Jesus) e para encontrar uma espécie de “meio-termo” em relação à antiga polêmica dentro do movimento espírita sobre o corpo de Jesus (para Kardec, o corpo de Jesus seria de carne, tal como o de qualquer ser humano e para Roustaing, seria um corpo fluídico, diferenciado de todos os outros seres humanos que já nasceram aqui na Terra), encontra uma hipótese deveras inusitada (nesse sentido, muito próxima de Roustaing pela tendência ao pensamento mágico e aos fenômenos miraculosos, bem ao estilo do Velho Testamento). De fato, o autor defende que Jesus nasceu realmente de um óvulo fisiológico (material) normal de Maria, mas o espermatozoide que o fecundou era espiritual, ou se preferirmos, perispiritual (ou seja, o gameta masculino seria uma espécie de gameta do mundo espiritual ou gameta do espaço, sem uma definição de origem, ou seja, sem um pai determinado). Essa constitui uma das utopias mais surreais já apresentadas no movimento espírita. Dificilmente, encontraremos uma proposta mais bizarra, das várias que já foram enunciadas em obras que são difundidas como obras espíritas e, infelizmente, permeiam nosso movimento.

Seria o caso de se questionar: Miramez foi o único Espírito que teve acesso a essa informação (já que, somente ele, que se saiba, defendeu essa ideia heterodoxa)? E se foi o único deve ser rejeitada por todo espírita lúcido, uma vez que não passa pelo critério da Universalidade do Ensino dos Espíritos.

É curioso que, com base no texto bíblico, a famosa passagem que Jesus teria afirmado “…dos nascidos de mulher, João Batista é o maior…” (ele dizia isso porque se referia e Ele mesmo como “O Filho do Homem”, pelo menos em concordância com o texto do Evangelho) ficaria totalmente sem sentido. Realmente, na hipótese de Miramez, ninguém teria nascido tanto de mulher, e só de mulher, quanto Jesus.

O autor alega que “…Ele era de natureza humana e divina…” (p.314), demonstrando a tentação de recorrer a uma espécie de “Santíssima trindade” para explicar Jesus. Portanto, o catolicismo marcante para destacar a “eterna virgindade” de Maria é reforçado pela ideia de Divindade de Jesus. 

Quem ler apenas esse trecho que comenta sobre a “inseminação espiritual” para constituir o chamado “corpo híbrido” ou “biocorpo” certamente ficará impactado pela extravagância das explicações, mas, talvez, não perceba o porquê desse mirabolante tipo de narrativa/discussão. No entanto, aqueles que, como esse que vos escreve, lerem as quase 500 páginas do livro notaram o contexto que está por detrás de tais ideias. De fato, o livro parece ser uma obra de ficção elaborada por alguém que tem profundas influências católicas e também “místicas”, entendo mística em um sentido de predileção por abordagens heterodoxas, de preferência com um viés de sociedade secreta, isto é, conteúdo de certa forma “hermético”. Ademais, o movimento espírita não tem passado incólume à grande “tentação” que sofrem seus palestrantes, escritores e editores de ficarem famosos. Nós sofremos uma intensa “tentação”, mesmo que inconsciente, de buscar originalidade e, quiçá, de fazer história com uma descoberta “genial”, o que projetaria nosso nome à fama, mesmo que estejamos correndo o risco de contar uma grande mentira. Triste é a situação do trabalhador espírita que prefere a fama e o reconhecimento do mundo material em vez do trabalho de qualidade, divulgando a Verdade, mesmo que de forma mais anônima e sem projeção. Essa busca por notoriedade costuma cegar todos os cuidados críticos dos autores e, no que diz respeito aos editores, muitas vezes o potencial mercadológico prevalente em relação aos cuidados doutrinários, gerando a atual crise de qualidade do livro espírita. Lamentavelmente, ideias esdrúxulas costumam atrair mais atenção do que reflexões sóbrias, calcadas na realidade e no estudo persistente e sereno dos temas espirituais. 

Não satisfeito em defender tamanha “inovação”, o autor alega que a “inseminação espiritual” ocorreu para Jesus e também para vários outros missionários (antes e depois de Cristo), tais como Apolônio de Tiana; Melquisedech; Krishna; Buda, entre outros. Seria o caso de se questionar: esses missionários também tinham uma natureza dupla, humana e divina?!

Na obra, “Jesus” afirma que “não é contra a cobrança do dízimo”. Posição estranhíssima se analisarmos o conjunto dos ensinamentos do Mestre de Nazaré. Jesus também usa expressões estranhas para a época, tais como “direitos humanos”. Ora, tal expressão só surgiu, com seus significados atuais, muitíssimo tempo depois.

Em oposição a Emmanuel (“A Caminho da Luz”), “Jesus” achou mais conveniente para “se preparar melhor” para sua missão, ficar um tempo com os essênios após os treze anos. Ora, “Antes de Abraão ser, Eu sou”, teria dito o Mestre. Ele não tinha nada para aprender com os essênios que justificasse o afastamento de Suas obrigações crescentes que teria com sua família material, dada a idade avançada de seu pai, José de Nazaré, e os vários irmãos que ele precisava ajudar, além de sua própria mãe.

Segundo o texto de Miramez, o casamento de “Jesus” foi meio que “arrumado” (p.266) pelos religiosos da época (José nem conhecia Maria…) e muita gente já sabia (antes, durante e depois do nascimento de Jesus) da (suposta) situação de “virgindade eternal” de Maria. 

Aliás, quando jovem, muito estranhamente Maria fazia muitas pregações e era admirada por vários grupos diferentes de religiosos em uma época de extremado patriarcalismo (“machismo”), sobretudo por parte dos judeus daquele tempo. Isso parece razoável?

Segundo o livro da mediunidade de João Nunes Maia, José sentia-se inferiorizado em relação à Maria. A idolatria à Maria, levada a verdadeiros exageros, costuma, infelizmente, para exaltá-la em nível extremo, rebaixar, incompreensivelmente, o valor do Espírito José de Nazaré. Emmanuel, em um dos seus livros de mensagem da série Fonte Viva afirma que ambos já eram Espíritos muitíssimo elevados. Portanto, mais uma vez, Miramez está em oposição a Emmanuel. José, segundo o volumoso livro de Miramez, teve que ser conscientizado e convencido de que a sua missão e a de seu casamento não seriam nem de perto próximas de um casamento real da Terra e, por isso, ele não poderia ter contato íntimo com Maria (mais uma vez os atavismos da cultura religiosa mitológica pesando no texto).

De acordo com Miramez, um curioso fato aconteceu nos últimos anos de vida de Maria. Apolônio de Tiana a procurou para chamá-la de mãe (p. 479).

O livro é cheio de expressões estranhas ao Espiritismo, tais como “A Queda de um Anjo” (p.21), e também defende ideias extravagantes como aquela que estabelece que Jesus veio se aproximando da Terra gradualmente, oriundo das esferas superiores (p.339). Ora, Ele não está aqui entre nós? Ele não é o governador da Terra, conforme Emmanuel e até Kardec em “Revista Espírita”? E quando elevamos a sintonia não nos conectamos, cada vez mais com Ele? A “distância” não seria apenas vibratória, conforme aprendemos com Allan Kardec e as obras subsidiárias respeitáveis do Espiritismo?

A obra também repete exaustivamente que “Jesus” seria da “linhagem de Davi e de Salomão” (por exemplo, na página 266). Em primeiro lugar, se somente o óvulo era de Maria e o espermatozoide não era de José de Nazaré, isso está certo?! Não é José o descendente de Davi e Salomão? E o que é mais importante: que diferença isso faz?! Altera a elevação espiritual de Jesus ou de seu conteúdo libertador, O Evangelho?!

No prefácio da obra (p.10), o Espírito Lancellin (outra entidade que publicava com João Nunes Maia) revela que Miramez era o “mancebo rico” que teria encontrado Jesus e que, convidado a segui-lo após dar seus bens aos pobres, teria se afastado entristecido. Informação que atrai o interesse de curiosos de plantão, mas que não temos como avaliar. Ademais, observam-se excessivos elogios no prefácio ao autor espiritual e ao livro tratado como “essa misericórdia, transformada em livro…”.

Teríamos um número muito maior de itens para ilustrar as colocações no mínimo questionáveis dessa obra de Miramez, mas consideramos que esse pequeno resumo já possa induzir uma pequena reflexão sobre a qualidade intrínseca da obra em questão.

Por fim, seria interessante um último registro. Na versão utilizada na presente leitura e análise, há um interessante anexo no fim do livro (p.486-487), redigido em forma de perguntas e respostas, no qual os editores (editora FONTE VIVA) da respectiva publicação tentam justificar o adiamento e, por fim, a decisão pela publicação do livro “Maria de Nazaré” em função do avanço da ciência de 1983 até a virada do século (2000/2001) e do amadurecimento doutrinário dos próprios editores. Isso ocorre porque o prefácio do livro é de 25 de dezembro de 1983 e os editores resolveram publicar dezessete (17) anos depois, uma vez que, segundo eles, a chamada “Panspermia – que afirma que a vida chegou do espaço…” dá respaldo às propostas exaradas do livro (o médium desencarnou em 1991 e, consequentemente, não estava fisicamente presente para opinar na virada do milênio). De lá para cá, 72.000 exemplares já foram publicados (a versão lida por esse articulista é da décima nona (19) edição – segunda reimpressão). Resta saber que avanço científico os editores identificaram, acompanharam e compreenderam que justifique um retorno tão drástico a mitos religiosos do passado e a “elucidação” do nascimento de Jesus, e de outros líderes religiosos, com, talvez, a proposta mais extravagante (entre muitos fortes candidatos) já publicada.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Netflix e o grupelho Porta dos fundos achincalham o Cristo e os cristãos (Jorge Hessen)

Netflix e o grupelho Porta dos fundos achincalham o Cristo e os cristãos (Jorge Hessen)





Jorge Hessen             
Brasília-DF

Paulo de Tarso escreveu aos Gálatas: "Que ninguém se iluda porque de Deus [e Suas Leis] não se zomba, aquilo que o homem semear ele vai colher." [1] Esse alerta é para o grupelho Porta dos Fundos e a Netflix porque decidiram zombar de Jesus e da religiosidade da grande maioria dos brasileiros.
É o que está ocorrendo atualmente, como o lançamento do filmeco “A Primeira Tentação de Cristo”, previsto para a data máxima da cristandade (Natal). Na verdade, trata-se de repugnante “comédia”, para claramente zombar da venerável figura do Cristo.
Alguns “atores-espantalhos”, jugulados por irracionais ideologias avermelhadas, fidedignos “comédias ambulantes” e desajustados consigo mesmos apostam chacotear os consagrados valores éticos, morais e religiosos dos cristãos. Notabilizado por peças de “humor pervertido” que tendem importunar a fé cristã, o tal grupelho Porta dos Fundos nunca disfarçou a aversão contra a estrutura religiosa cristã.
Para o próximo Natal, o repugnante grupelho montou o ignóbil “filmeco”, que já está disponível no Netflix. Na sinopse desse lixo dito cinematográfico, “José” e “Maria” prepararam uma festa surpresa para “Jesus”, porém “Jesus” aparece na festa acompanhado de seu “namorado”. Na festança, um dos convidados revela ser o próprio “Deus”, e informa a missão de Jesus, o que parece contrariar os planos de Jesus que deseja gozar a vida.
lixo cinematográfico expõe “Jesus” corrompido pelo sexo, mostrando um relacionamento homossexual d’Ele e Satanás, além de um triângulo amoroso entre “Deus”, “Maria” e “José”. Inclusive, em alguns trechos do “filmeco”, Jesus aparece tomando chá alucinógeno e se questionando sobre sua própria missão na terra.
Será que a Carta Magna do Brasil afiança esses irresponsáveis autores o direito de se manifestarem com tais insultos? O direito constitucional à liberdade de expressão não justifica agressões morais. A Constituição não é salvo conduto para abusos e atos blasfemos, moralmente condenáveis e absolutamente desrespeitosos.
A atitude do abominável grupelho Porta dos Fundos golpeia a liberdade religiosa e desfigura fortemente o legítimo conceito de arte. Desde que uma suposta obra dita de arte ofende seriamente a crença de uma admirável e pacata população, há um excesso sujeito à punição, porque injuria a honra da tradição cristã.
É um lixo cinematográfico que promove intolerância religiosa camuflado de liberdade de expressão. Além do quê, a memória e imagem de Jesus devem ser respeitadas e veneradas no alcance máximo da liberdade humana.
Portanto, é uma agressão brutal e completamente desnecessária como tantos outros desrespeitos já praticados sob a “proteção” da vilipendiada liberdade de expressão, que culmina atingindo o sentimento de todos aqueles que têm Jesus como exemplo de moral, caráter, bondade, amor, humildade.
Que talento desprezível desse “grupelho”! Tratam, o mais supremo dos seres da criação como um "João ninguém".
Estejam cientes, “panelinha do Porta dos fundos”, que os espíritas cristãos assentamos a Mensagem de Jesus na linguagem do amor, com as devidas explicações racionais, filosóficas e científicas. Todavia, sem abdicarmos e sem deixarmos de lado o aspecto emocional que é colocado na sua expressão mais alta, tal como o pretendeu Jesus.
Apesar desse desrespeitoso “grupelho”, inobstante não ser a experiência humana uma estação de prazer, ainda assim continuaremos trabalhando no ministério de Jesus, recordando que, por servir ao próximo, com modéstia, sem agressões e arrogâncias, Ele foi tido por insensato e gay (pelo grupelho), infrator da lei e opositor da população, sendo indicado por essa mesma turba para receber com a cruz a gloriosa coroa de espinhos, entretanto sob a força do Amor Jesus venceu o mundo!
Uma conveniente atitude cristã seria o boicote à Netflix, que tal?

Referência bibliográfica:

[1]       Gálatas 6:7