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domingo, 14 de maio de 2017

"É"...Único Algumas ideias que Einstein fazia sobre Deus ( Jorge Hessen )

"É"...Único


Jorge Hessen

No século XIX Kardec indagou dos Espíritos, "Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?". "Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá". Responderam os Espíritos (1) 

A nossa compreensão de Deus muda na mesma proporção em que a nossa percepção sobre a vida se amplia. É uma tarefa difícil, quando o limitado tenta alcançar o Ilimitado, ou o finito entender o Infinito. Assim somos nós diante de Deus. As opiniões científicas ainda estão divididas quanto à origem do universo, mas há unanimidade num ponto, existe ordem no universo. 

E "Sendo Deus a essência divina por excelência, unicamente os Espíritos que atingiram o mais alto grau de desmaterialização o podem perceber".(2) Assinalamos aqui uma pequena digressão: é interessante notar que geralmente, nós imaginamos Deus como alguma coisa absolutamente externa. Pensamos em Deus como um ser ou algo separado de nós, advindo muitos conflitos. 

Ora! Se o Todo-Poderoso também está dentro de nós, podemos mudar por nossa própria vontade. Mas se acreditamos que o Pai celestial está exclusivamente do lado externo, então supomos que só Ele pode nos mudar e não nos transformamos pela nossa própria vontade. Achamo-nos então, constantemente, em presença da Divindade; nenhumas das nossas ações lhe podem subtrair ao olhar; o nosso pensamento está em contato ininterrupto com o seu pensamento, havendo, pois, razão para dizer-se que Deus vê os mais profundos refolhos do nosso coração. Albert Einstein, físico alemão de origem judaica que dispensa apresentações "quando, em 1921, perguntado pelo rabino H. Goldstein, de New York, se acreditava em Deus, respondeu: "Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens"(3) . 

Nesta mesma ocasião, muitos líderes religiosos diziam que a teoria da relatividade "encobre com um manto o horrível fantasma do ateísmo, e obscurece especulações, produzindo uma dúvida universal sobre Deus e sua criação".(4) Tese que discordamos integralmente , pois Einstein confessou a um assistente que no fundo, seu único interesse era descobrir se no instante da criação Deus teve escolha de fazer um universo diferente e, caso tenha tido opção, por que é que decidiu criar esse universo singular que conhecemos e não outro qualquer? Dizia ainda, "Minha religião consiste em humilde admiração do espírito superior e ilimitado que se revela nos menores detalhes que podemos perceber em nossos espíritos frágeis e incertos. 

Essa convicção, profundamente emocional na presença de um poder racionalmente superior, que se revela no incompreensível universo, é a ideias que faço de Deus".(5) 

Outros cientistas expunham que da megaestrutura dos astros à infra-estrutura subatômica, tudo está mergulhado na substância viva da mente de Deus. O físico americano Paul Davies no seu livro intitulado Deus e a Nova Física afirma categoricamente que o universo foi desenhado por uma consciência cósmica.(6) O Universo, portanto, constituídos por esses milhões de sóis, regido por leis universais, imutáveis, completas, às quais acham-se sujeitas todas as criaturas, é a exteriorização do Pensamento Divino. Portanto, o Criador “É” Único.....

Referência bibliográficas:

1 Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio [de Janeiro]: FEB, 1994, Questão 4
2 Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Ed Feb, 2001, Cap. II - A Providência, item 34.
3 Citado em Golgher, I. O Universo Físico e humano e Albert Einstein, B.H: Oficina de Livros, 1991, p. 304.
4 Citado em Idem, ibidem, pp 304-305.
5 Einstein Albert. Extraído do livro "As mais belas orações de todos os tempos".
6 Davies, Paul. Deus e a Nova Física, Lisboa: Edições 70, 1986, p. 157.

terça-feira, 9 de maio de 2017

TRANSFORMANDO NÓ EM LAÇO

Luiz Carlos Formiga

A mãe evangelizadora permite o salto de qualidade para o pleno desenvolvimento da inteligência espiritual. Cultura e santificação representam forças inseparáveis da glória espiritual. A sabedoria e o amor são duas asas.


Assim como o uso de água e sabão podem fazer a diferença nos leitos hospitalares, onde micróbios resistentes a antibióticos costumam se alojar, a mãe portadora da vacina do amor pode realizar verdadeiros prodígios.



Graças te dou, mãe querida, por me abrigar no teu seio,
Por teu colo, teu carinho, as noites de aconchego.
E peço a Deus que te cubra com as bênçãos da Redenção.
Que te pegue pela mão e te faça caminhar
Por estradas luminosas, onde nunca exista treva.
E onde eu possa te encontrar
Num dia talvez distante,
Te abraçar e confiante, tudo recomeçar...


segunda-feira, 8 de maio de 2017

MEDIUNIDADE OU SURTO PSICÓTICO? EMEI. PEQUENA INCENTIVAÇÃO


Luiz Carlos Formiga

Participante do Primeiro EMEI, eu Luiz Carlos Formiga, tento explicar como surge a “vontade de escrever”.
Mediunidade ou surto psicótico?
A motivação surge quando meus olhos se molham, pelo tema, pelo problema, pela minha impotência, pela incompetência. Creio que isso é um problema psiquiátrico, pois escrevo para não me sentir omisso.
Já não penso em população alvo, se terei leitor e, se tiver, se ele vai me ajudar na divulgação. Todos estão sempre muito absorvidos pelos seus momentos pessoais.
Confesso que gostaria que me ajudassem, mas para isso acontecer acho que teria que ter uma “sacada genial”, capaz de lhes tocar as fibras mais íntimas e tornar úmidos seus olhos.
Acho que nem o aborto é tema capaz de realizar esse milagre.
Já escrevi sobre suicídio, drogas, AIDS, sexualidade e foi pequena a aceitação.
Não me lamento, pois aquele problema psiquiátrico, aquela sensação de omissão, desaparece e fica longe por muitos dias.
 Kardec diz que apenas 8,3% dos artigos de desencarnados, recebidos para publicação, poderiam ser divulgados e, destes, somente 5,5 apresentavam mérito. Dos artigos escritos por “encarnados” 20% apresentavam real valor.
Será que algum dos meus artigos estaria entre esses 20%?
Os blogs que os publicam estão comendo moscas?
 Numa rara oportunidade pensei  ouvir a voz de Marcondes, um espírito que fora leproso e viveu na Colônia do Curupaiti.
Veja abaixo.
Mediunidade ou surto psicótico?
Antes, permitam-me uma divagação, que é uma primeira informação.
Estive com o Dr. Reynaldo Leite, médium e Juiz de Direito num programa de TV, no Rio de Janeiro.
 Dr. Reynaldo “morreu” em 11 de maio de 2004. Deixou três filhos e dois netos. Dedicava-se à Doutrina Espírita trabalhando por sua divulgação em Programas de Rádio, TV e fazendo palestras, por todo o Brasil. Psicografou livros tendo sido um deles vertido para o Inglês.
Em São Paulo, SP, durante 37 anos foi um dos trabalhadores do Núcleo Assistencial Espírita Paz e Amor em Jesus e um dos seus fundadores.
Viajou aos Estados Unidos (Miami e New York) , Suécia (Estolcomo e Västeräs), Noruega (Oslo), França (Paris e Choisy de la Roy), Portugal (Lisboa e Sintra), Espanha (Madrid), Inglaterra (Londres), Peru (Lima e Arequipa), Japão (Tókio e Gumma-ken), Canadá (Montreal), figurando como orador no Congresso Mundial de Espiritismo sediado em Portugal (Lisboa). No ano 2000 esteve em Cuba.
Participou durante seis anos do programa “Evoluir”, na Rádio Boa Nova. AM 1450; na Rádio Mundial, programa “Arautos e Você”; no canal Comunitário de São Paulo, programa “Espiritismo com Reynaldo Leite”.
Produziu 92 cds e 200 palestras em vídeo.
Com Marcondinho estive no "leprosário".  Amigo de fé e irmão camarada.
Ele aprendeu a amar a Religião dos Espíritos, no Centro Espírita Filhos de Deus, a “Casa do Caminho”, em Jacarepaguá. Se sua mãe soubesse que a Hanseníase o deixaria cego, com braços e pernas atrofiados, numa cadeira de rodas, talvez fizesse a opção pelo aborto. Mesmo assim, trabalhava na desobsessão.
Outra divagação-informação.
Minha mulher passou por um aborto espontâneo. O que nos deixou marcados na alma. Tivemos que fazer opção diante de um surto de rubéola. Dois partos anteriores nos deram filhas normais. Mas, com o vírus da rubéola o papo é outro!
Decidimos confiar na Providência Divina e deixamos a gravidez prosseguir seu curso natural.
Ao mesmo tempo, com auxílio de uma colega da UFRJ, no Instituto de Microbiologia, realizamos exames laboratoriais com o soro da Sonia-gestante.
Chegamos à conclusão que era competente sob o ponto de vista Imunológico, mas havia a possibilidade do vírus romper a barreira de defesa. Diante da explicação, minha mulher seguiu confiante, mas o neném desistiu.
Retornemos ao estúdio de Televisão.
Quando o representante da TV me telefonou pedi para ligar no dia seguinte.
Procurei saída honrosa dizendo que necessitava estudar a agenda e as aulas marcadas na universidade.
Levantei-me cedo, decidido a dizer não. Afinal, poderiam usar o Plano B.
A pauta não me agradava. Sentia-me de saia justa e sapatos apertados.
Estava só, quando a voz falou-me dentro do cérebro: “Está com medo do tema complicado?”
Parecia a voz do Marcondinho.
Seus lábios retorcidos pela doença ofereciam um som característico, mesmo depois de morto?
Quem não tem medo de falar em público?
Imagine na TV!
“Estou fora!”
Mentalmente respondi que não me sentia confortável para falar de um tema como aquele.
A voz me desafiou a ir gravar o programa e ainda a abrir um espaço para dizer que “Hanseníase Tinha Cura.”
Senti-me paciente psiquiátrico, não sou médium ostensivo. Mas, depois do surto psicótico, como dizer não?
As luzes não estavam acesas, mas tudo já estava preparado.
Marcondinho foi descrito como espírito deformado pelo Dr. Reynaldo, médium-Juiz.  Mas, não foi no Centro Espírita, enfatizo que tudo se passou num estúdio de gravação de um programa de TV.
Sentados à mesa, o entrevistador, profissional de TV experimentado, Reynaldo Leite e eu.
A pauta era o aborto.
Creio que ali estava pela minha luta no Núcleo Espírita Universitário, em favor da vida intrauterina.
Antes do início do programa, Reynaldo relatou sua vidência.
Fiquei pasmo!
Disse-me:
Formiga, um espírito, que se diz seu amigo, me pediu para lhe dar um recado. Disse também que vai identificá-lo facilmente.
Ele surgiu ali na entrada, mas veio rolando pelo chão, apresentando-se com pernas e braços muito atrofiados. Postou-se a seu lado e disse que “estaria junto”.
Em seguida, exibindo radical transformação, pediu-me para lhe descrever na forma, como se encontra no mundo espiritual.
 Aí surgiu um belo espírito de luz.
Formiga, você o conhece?
Sim, eu o conhecia e aprendera a admirá-lo.
Abençoado surto psicótico, fiquei tranquilo, feliz e ainda fiz o meu comercial.

Hanseníase tem Cura!




sábado, 6 de maio de 2017

ESPERA QUE VOLTE A PRIMAVERA NA FORÇA DA ORAÇÃO

Luiz Carlos Formiga


Em 1948, a cidade do Rio de Janeiro recebia a visita de moços congressistas e seus acompanhantes de outros Estados. (1) Dias felizes. Como era o Rio nessa época?
Faça retrospectiva com Alcione Nonato Buzar e Chico Anísio em Rio Antigo “Como Nos Velhos Tempos”. (2)
Era aquele bate-papo na esquina, com crianças na calçada, brincando sem perigo, sem metrô e sem frescão.
Naquela época se pegava o bonde 12 de Ipanema, para ver o Oscarito e o Grande Otelo, domingo, no cinema.
Havia o pregão do garrafeiro, Zizinho no gramado, o samba sincopado, o bonde, taioba, bagageiro, e o desafinado que o Jobim “sacou”.
Era época de Leopoldo Machado, casado com Marília Barbosa, companheira do seu ideal em todos os sentidos. Não tiveram filhos e decidiram fundar o “Lar de Jesus”, recebendo, desde a inauguração, trinta e duas crianças carentes desde os primeiros dias. Simultaneamente, fundaram o Centro Espírita “Fé, Esperança e Caridade”.
Ao atingirem à maior idade, as 32 “filhas” tornaram-se patrimônio da sociedade, tanto como exemplares donas-de-casa quanto eficientes funcionárias, mediante concurso.
Chico Anísio e Nonato dizem que todos ouviam a novela pelo rádio, iam a Lapa fazer lanche no Capela ou saborear um bife lá no Lamas. Como Deus a havia criado, a cidade não tinha aterro.
Foi num domingo ensolarado, no elegante Teatro João Caetano, completamente lotado, que teve início o Primeiro Congresso de Mocidades Espíritas no Brasil. Seu idealizador foi o Professor Leopoldo Machado.
As Sessões de estudos e debates doutrinários integrando jovens e adultos ocuparam, durante uma semana, o auditório e as dependências da Sociedade de Medicina e Espiritismo, na Avenida Rio Branco 4, 15° andar.
É bom recordar o Rio antigo quando havia baile com Valdir Calmon, ouvia-se o Trio de Ouro, com a Estrela Dalva do Brasil e se encontrava Sergio Porto com seu bom humor.
Participaram do Primeiro Congresso mais de quinhentas pessoas, entre jovens congressistas e seus acompanhantes.
Por sugestão do Professor Leopoldo Machado os participantes dos Estados foram carinhosamente hospedados nas residências dos seus confrades, como convinha a uma convivência fraternal.
O Rio era aquele onde havia programa de calouros com Ari Barroso e o Lamartine ensinava o Lá-lá-la gostoso.
Chico e Nonato nos fazem lembrar da Cinelândia estreando “E o Vento Levou”, recordam um velho samba do Ataufo, do carnaval com serpentina, da Copa Roca, de Brasil e Argentina, dos Anjos do Inferno e dos Quatro Ases e um Coringa.
A presença e a contribuição de Leopoldo ao Movimento Espírita no Brasil integram o patrimônio eterno da Doutrina dos Espíritos em nosso país, chegando a transpor fronteiras.
Ao ensejo do cinquentenário do Primeiro Congresso de Mocidades Espíritas no Brasil várias solenidades foram realizadas, tanto no Rio de Janeiro, quanto nos outros Estados.
 “São as palavras que orientam as mãos e os olhos. O primeiro ato de domínio exige que o dominado esqueça o seu nome, perca a memória do seu passado, não mais se lembre de sua dignidade, e aceite os nomes que o senhor impõe. A perda da memória é um evento escravizador. É por isto mesmo que a mais antiga tradição filosófica do mundo ocidental afirma que o nosso destino depende de nossa capacidade e vontade de recuperar memórias perdidas.” (Rubem Alves)
Leopoldo é o autor de “Uma Grande Vida”. Um Estudo Biográfico de Cairbar Schutel, Casa Editora O Clarim, SP.
Chico Anísio e Nonato cantaram “O Rio Antigo”. Disseram que naqueles dias “as valsas eram do Orestes e acontecia o som de fossa de Dolores”.
Pelas mãos de Brunilde M. do Espirito Santo, psicografia, Dolores, retorna com uma “Cantiga de paz”. Para seu deleite. (3)
Se quiseres sentir a paz dentro de ti, escuta meu irmão.
Faze silêncio, espera que volte a primavera na força da oração.
Transforma o teu soluço em riso de esperança no amanhã que vem.
Depois da tempestade surge sempre a bonança agora ou mais além.
Em tua longa estrada, só tu tens o poder de transformar espinhos em flores perfumadas, que ao sol da confiança enfeitem os teus caminhos.
Olhando ao teu redor verás que almas tristes te pedirão amor.
Tua tristeza esquece, sorri, ampara e aquece, seja o irmão quem for.
Sofrendo chuva e vento o trigo doura o campo, sem falar de sua dor e, assim que a nuvem passa, a terra generosa desabotoa em flor.
Imita a natureza que se desfaz em luz até o entardecer e, quando a noite chega, o céu acende estrelas, até o amanhecer.

1. Cinquenta anos depois.
2. Alcione.
3. Cantiga de paz

terça-feira, 2 de maio de 2017

“Mediúnica” aberta ou fechada? (Jorge Hessen)



Jorge Hessen

Um leitor levanta um tema conveniente para elucidarmos. Descreve que frequenta várias casas com reuniões mediúnicas “abertas” (públicas). Acredita ser o modo correto. Embora com o passar dos anos tenha conhecido outras casas com as reuniões mediúnicas “fechadas” (privativas).

Em face dele ler muito e observar, analisar, colher opiniões, sobretudo as que escrevemos para o Movimento Espírita Brasileiro, resolveu fazer a seguinte afirmativa: a quantidade de pessoas que passam a frequentar as casas espíritas após assistirem a comunicações do além “abertas” ao público é mais expressiva.

Obviamente, sob o imperium da racionalidade espírita, não podemos concordar com a afirmativa desse nosso leitor, embora reconheçamos que ocorrem montões de convites às pessoas recém-chegadas ao centro para assistir e/ou frequentar as reuniões mediúnicas, o que representa uma extraordinária leviandade. Aliás, isso seria transformar o grupo mediúnico numa estranha sala de espetáculos de picadeiro espiritual.

As sessões mediúnicas devem merecer dos dirigentes espíritas uma maior atenção. Não se compreende, pois, que uma sessão mediúnica, seja ela aberta a pessoas com pouca formação teórica do Espiritismo ou a curiosos e/ou a neófitos, contrariando as orientações dos Benfeitores. Allan Kardec abordou o tema quando respondeu aos leitores que lhe propunham abrisse ao público as sessões da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, medida com a qual não concordava em absoluto. [1]

Kardec sugere além disso grupos pequenos, em face das potências mentais heterogêneas que há nos “grupões”. Uma reunião mediúnica “aberta ao público” é uma imponderação dispensável, porque tem acesso pessoas carregadas de anseios diversificados, que irão embaraçar, invariavelmente, o exercício espontâneo da mediunidade.

Os Instrutores do além afiançam que uma reunião mediúnica é um grave trabalho, que se desenvolve na estrutura perispirítica, e se a equipe é inábil, é compreensível que muitos embaraços psíquicos sucedam por negligência da mesma. Em face disso, o intercâmbio com o além não deve ser aberto ao público porque, conforme proferimos acima, transformaria-se numa arena circense com feição especulativa, exibicionista, destituída de intuito elevado, costumes tais que ferem mortalmente os postulados reveladores da Doutrina Espírita.

Mesmo nas reuniões mediúnicas privativas deve-se manter um número ideal de membros, não excedente a 20 pessoas, para que se evitem essas perturbações naturais nos grupamentos massivos. É óbvio que quaisquer argumentos utilizados para defender as reuniões mediúnicas "fechadas ao público" não isentam os grupos "fechados" das influências, pensamentos, desequilíbrios e desarmonias. Contudo, isso é dificuldade moral do grupo e não da especificidade privativa da mesma.

Não podemos e nem devemos esquecer que o Espírito de Verdade nos recomenda: "Espiritas, amai-vos uns aos outros, eis o primeiro ensinamento, instrui-vos eis o segundo". [2] Este alerta nos conscientiza do tamanho da responsabilidade que nos pesa sobre os ombros. Grupos mediúnicos sérios fazem reuniões periódicas de avaliação das atividades e assim todos os integrantes da equipe possam se afinizar e conversar, eliminando algum conflito doutrinário que possa haver entre si.

Ademais, para que não se abra espaço para a teatralização de “psicofonias” (quase sempre anímicas – “tipo Bezerra/Divaldo”) e “psicografias” em público, lembremos que não há médiuns especiais e ninguém é melhor que ninguém, devendo todos estarem abertos ao aprendizado permanente e seu devido aperfeiçoamento. Dizem que Divaldo recebe Bezerra em público e Chico psicografava em público. Sim, é verdade, mas será que temos novos Chicos e Divaldos? Exceto os imitadores!

Ah!, para concluir nossos esclarecimentos, recomendamos que se algum confrade quiser frequentar uma reunião mediúnica para ouvir e instruir-se (ao vivo) as supostas “mensagens do além”, que trate de estudar as Obras codificadas por Allan Kardec.

Referências bibliográficas:

[1] KARDEC. Allan. Revista Espírita, maio 1861, pág. 140, Brasília: Ed Edicel, 2002.


[2] KARDEC. Allan O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. VI, item 5, RJ: Ed. FEB, 2002