.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

OS CONTRASSENSOS HUMANOS ANTE O CALOR DAS VIRTUDES E O FRIO DA INDIFERENÇA

Margarida Azevedo
Mem Martins, 
Sintra - Portugal

Margarida Azevedo

Com o ritmo alucinante das grandes cidades, a insegurança profissional, a fragilização da estrutura familiar e o consequente desmembramento das famílias; com o lar transformado artificialmente em dormitório, a sede de conhecer à distância de um clique no computador ou no telemóvel e os novos interesses impostos aos cidadãos, sub-repticiamente por quem manda; com as práticas religiosas reduzidas a momentos fugazes na engrenagem de um tempo fugaz, as “conversas” com Deus transformadas em desabafos colectivos psicóticos, pergunta-se: Quais os valores que as religiões cristãs estão a passar para os seus fiéis? O dar a outra face, o perdão incondicional, a tolerância, interna e externa a cada igreja, a alegria da fé em Deus Todo Poderoso, a fraternidade, a igualdade de todos perante Deus, a liberdade da fé, e, muito especificamente, a santidade… 
Que sentido tem tudo isto nos tempos que correm? Ou será que os homens e as mulheres estão a leste de todos estes valores que são o fundamento da actividade religiosa, o alimento da fé? A santidade tornou-se uma matéria tabu e portanto marginal das igrejas. 
De repente todos se tornaram autónomos e auto-suficientes em matéria de fé. A santidade não traz Deus à cidade barulhenta e poluída, nem é um garante de triunfo social. Pelo contrário, é a via mais directa para ser engolido sem dó nem piedade. Logo, para não perder “adeptos”, as igrejas abafam este e muitos outros valores, caindo na apatia e nos discursos repetitivos. 
A vertente axiológica e ética das religiões tornou-se um chorrilho de preceitos desconformes com os interesses dos fiéis, por duas razões: primeiro, porque não conseguem impor um discurso de salvação onde cada fiel se sinta empenhado no seu auto-aperfeiçoamento em comunidade, isto é, dentro de um ambiente de partilha; segundo, porque insatisfeitos, os fiéis estão a desenvolver cadeias de preceitos domésticos, muitos dos quais impondo-se aos rituais colectivos das igrejas, remetendo para estas as celebrações pontuais (nascimentos, casamentos e funerais). 
Se é certo que cada vez mais há o crer sem pertencer, herança do segundo quartel do séc. XX, principalmente, não é menos certo que o isolamento da fé e das suas manifestações conduz a perigosos níveis de isolamento em que cada um começa a ter a sensação de que o seu estar e ler é o mais conforme com os textos sagrados. Paralelamente a este fenómeno de isolamento religioso, um outro surge não menos preocupante: muitas igrejas começaram a evocar Espíritos, sob o pretexto de sarar maleitas do foro psíquico. 
Como a sociedade quer impor aos seus cidadãos que as lutas pela melhoria das condições de vida é o resultado de histeria colectiva, uma vez que os Estados não podem abdicar dos seus programas políticos, então está tudo doido. Neste ponto, as igrejas têm aqui matéria superabundante para angariar gente e dinheiro. Os Espíritos são um meio fácil, porém, desconhecendo o terreno onde estão a mexer. É que, além de nunca se evocarem os Espíritos, estes não estão à disposição de ninguém, não são criados para todo o serviço. Orar pelos Espíritos e esclarecê-los, esse sim, deve ser o trabalho de todo o crente. 
Com tudo isto, os valores da fé têm-se perdido e a luta pela santidade, como forma de elevação do ser humano a outros níveis da sua espiritualidade tem vindo a ficar para trás. O que propomos é que se olhe para os valores religiosos, na sua vertente libertadora, com outros olhos. Vale a pena, e valerá sempre, lutar com todas as forças pela santidade. Ela é um nobre valor que requer um coração abençoado pelo desejo de paz, uma vida dedicada ao bem-fazer, à limpeza da mente e à consequente desvaloração de muitos dos aliciantes que a sociedade de consumo nos quer impor. 
A santidade é esclarecedora, é limpa de pensamento, é nobre de carácter, é honesta e simples na sua vivência; a santidade é o alimento mais elevado para quem quer um dia ser um membro de luz no Reino de Deus. Ninguém adquire a luz se não for santo. Aliviar o outro nas suas fadigas, sentir um desejo desmesurado de fazer o bem, procurar a gratuitidade dos gestos e das dádivas, elevar as palavras aos sentidos mais altos, tudo isso e muito, muito, muito mais são apanágios da santidade. 
Só por meio dos santos a sociedade se transformará em um conjunto fraterno dos filhos de Deus, estejamos nós onde estivermos. 

O Direito à Diferença


Luiz Carlos D. Formiga
Rio de Janeiro


Luiz Carlos Formiga
Carlos Brickmann escreveu que “Francisco falou de religião enquanto as autoridades tentavam conquistar eleitores. Mas, principalmente, ganhou o país por outro fator positivo: a tolerância. Enquanto fundamentalistas partiram para a grosseria e a intolerância (...) o papa tomou cafezinho com um pastor evangélico, conversou com dirigentes de várias religiões, monoteístas ou não, e admitiu que muitos católicos se afastaram da Igreja, porque ela não lhes dava assistência espiritual.
Há anos, é grande amigo de um rabino e com ele escreveu um livro sobre tolerância, convivência entre pessoas com crenças diferentes. O papa mostrou que discordar de um comportamento não significa discriminar pessoas. O Brasil preferiu a tolerância ao rancor.”(1)
Permitam-me revisitar a Carta Náutica do Núcleo Espírita Universitário publicada, na década anterior, na Revista Internacional de Espiritismo (2): nessa questão do aperfeiçoamento da prática sócio-afetiva enfatizamos que: Modelo e Guia, Jesus. "Os meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem". É a lição de que o progresso do conhecimento é estimulado pelo regime de diálogo franco e aberto. É convite à fraternidade, ao amor em ação, na aceitação da diversidade e no relacionamento pacífico entre os diferentes.
Tornando relativo o conhecimento humano, de modo geral, e, em particular, o das coisas espirituais, a lição nos faz suspeitar que a coexistência pacífica, proporcionada pela fraternidade autêntica, é o ambiente, favorável à produção intelectual e à tolerância das nossas diferenças, que podem ser exibidas sem conflitos, inibindo o autoritarismo, o fanatismo, o preconceito e a exclusão. Amai-vos e Instruí-vos indicou que o segundo verbo é adequado, quando apoiado pelo primeiro.
Afinal, em matéria religiosa, para que possamos desenvolver quaisquer convicções é necessário que haja a possibilidade de comunicação com outros e conseqüentemente ter acesso a diferentes pontos de vista. Num Estado de Direito, a liberdade religiosa só tem sentido em condições de reciprocidade e o direito de igualdade pressupõe o direito à diferença (3).

(2) Revista Internacional de Espiritismo, LXXVI (4): 181-182, 2001

segunda-feira, 29 de julho de 2013

REENCARNAÇÃO E EVOLUÇÃO.


Roberto Cury
Roberto Cury
Fale conosco: robcury@hotmail.com
Visite meu blog: robertocury.blogspot.com



Nossa confreira Áurea, uma das pioneiras na fundação do nosso grupo espírita, ainda hoje nos contava sobre as peripécias e capacidades de seu netinho Gabriel, de menos de dois anos e que mostra um conhecimento ímpar e diferenciado das gerações anteriores além de sair-se, sempre que inquirido, com "tiradas" impressionantemente inteligentes capazes de demonstrar, de forma indiscutível, uma vivência anterior na qual a criança tenha se desenvolvido, portanto, já se encontrando preparado para enfrentar o progresso no caminho da Regeneração do globo terrestre.
Marcos Paterra, anuncia que "a reencarnação de espíritos mais adiantados e preparados faz parte da evolução da Terra" e afirma, sem receio, de que "Não é segredo que as novas gerações que vêm nascendo nos últimos 50 anos, demonstram uma inteligência acima da média; algumas chegam a ser consideradas com "alta habilidade", destacando-se das outras".
Houve um tempo e há , ainda, pessoas que acreditam no Fim do Mundo e a consequente erradicação dos seres humanos (teoria apocalíptica).
Kardec, em A Gênese, Capítulo XVIII, trata da geração nova, textualmente afirmando: "Para que na Terra sejam felizes os homens, preciso é que somente a povoem Espíritos bons, encarnados e desencarnados, que somente ao bem se dediquem. Havendo chegado o tempo, grande emigração se verifica dos que a habitam: a dos que praticam o mal pelo mal, ainda não tocados pelo sentimento do bem, os quais já não sendo dignos do planeta transformado, serão excluídos, porque, senão, lhe ocasionariam de novo perturbação e confusão e constituiriam obstáculo ao progresso. Irão expiar o endurecimento de seus corações, uns em mundos inferiores, outros em raças terrestres ainda atrasadas, equivalentes a mundos daquela ordem, aos quais levarão os conhecimentos que hajam adquirido, tendo por missão fazê-los avançar. Substituí-los-ão Espíritos melhores, que farão reinem em seu seio a justiça, a paz e a fraternidade.
A Terra, no dizer dos Espíritos, não terá de transformar-se por meio de um cataclismo que aniquile de súbito uma geração. A atual desaparecerá gradualmente e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que haja mudança alguma na ordem natural das coisas.
Tudo, pois, se processará exteriormente, como sói acontecer, com a única, mas capital diferença de que uma parte dos Espíritos que encarnavam na Terra aí não mais tornarão a encarnar. Em cada criança que nascer, em vez de um Espírito atrasado e inclinado ao mal, que antes nela encarnaria, virá um Espírito mais adiantado e propenso ao bem." (cópia ipsis litteris da tradução de Guillon Ribeiro - FEB).
Desde o advento de A Gênese, em Paris, em 6 de janeiro de 1868, muita coisa já mudou neste nosso mundão.
Os eventos apocalípticos, ao nosso ver, já aconteceram: as primeira e segunda guerras mundiais em que milhões de vidas foram ceifadas, muitas das quais já não pertencem à esfera terrestre, naturalmente excluídos para mundos inferiores.
É verdade que os conflitos ainda não terminaram, ao revés, fervilham por toda a parte, especialmente no oriente médio, onde a felicidade ainda não chegou e os reajustes reclamam correção, justiça e paz.
Entretanto, são os acertos circunscritos aos patrícios de cada país. Praticamente, não existem mais conflitos envolvendo uma nação contra outra. Eis que divergências de ordem política ou de desencontros verbais, ou, ainda, de rompantes visando a conquista pelo menor esforço, mesmo que ameaçando com bombas ou artefatos de alcance inimaginável, vizinhos creditam-se esperançosos em estender suas fronteiras pela dominação através do medo alheio. E, se o vizinho não se acovarda, mas, também responde no mesmo pé, fortalecido pelo apoio de nações ocidentais, então o empate acontece e cada um recolhe seus arsenais bélicos aos paióis ocultos ou que imaginam desconhecidos.
Mas, os desentendimentos intestinos, todos visando ou o poder pelo poder, ou a conquista de bens necessários ao progresso do país, têm sido mostrado, imediatamente, ao resto do mundo, através da televisão, da internet e das redes sociais. Nada mais fica oculto aos olhos do mundo mais do que um milésimo de segundo nos tempos de agora. Até as manifestações populares da gente ordeira querendo saúde, educação, paz, bem-estar, seriedade no trato da coisa pública, acontecem a todos os instantes exigindo ações imediatas dos governantes. Trata-se da incessante busca da melhoria da qualidade de vida, da alegria e da felicidade tão almejadas pelos encarnados terrenos.
Assim é que, também aqui no Brasil, as populações têm saído às ruas em manifestações pacíficas reclamando a ausência de melhor saúde, melhor educação, melhor segurança e melhores oportunidades na vida em geral.
Tudo se encadeia no Universo, respondem os espíritos quando tratam da Lei do Progresso inserta em O Livro dos Espíritos. Então entre uma geração e outra, o progresso da humanidade acontece sem solavancos e cada vez mais aceleradamente.
Observamos que vez ou outra, algumas pessoas aderem a sistemas estranhos e, entusiasmadas, tentam introduzir, no Movimento Espírita, conceitos e teorias absurdos, mas, que logo se derrotam naturalmente. Aqui no Brasil, principalmente. A FEB forçou com o Rustenismo e até hoje mantém a venda de "Os Quatro Evangelhos". Em Goiás, "A Corrente Magnética" fez sucesso entre orgulhosos "inovadores", mas, arrefecida, quase desapareceu. As teorias e práticas conhecidas como Cromoterapia, Psicoterapia, Musicoterapia, Hidroterapia, Cristalterapia, Fitoterapia, além de outras terapias, ainda são praticadas em algumas casas espíritas, mesmo nada tendo a ver com a Doutrina Espírita. Do exterior, chegou o livro "Crianças Índigo", editado pela Butterfly Editora, de São Paulo, de autoria de Lee Carrol, de Jan Tober e do Espírito denominado Kryon, cuja história americana considera que as crianças especiais são encarnações de espíritos puros e altamente elevados, de um conhecimento superior que poderiam ser considerados excepcionais seres que teriam vindo para impulsionar, o progresso mundial de forma inusitada e definitiva. Se as denominadas crianças índigo fossem realmente espíritos puros de extrema elevação, como explicar que , quando contrariadas, se enervam e até agridem os que se opõem a elas, ou se evadem através da ausência?
A jornalista e escritora Dora Incontri, autora de vários livros adverte: "O aspecto comprometedor que afasta o movimento espírita do rumo de Kardec é a ausência de criticidade, debates e exame livre das questões".
A reencarnação não é apenas uma questão da Doutrina Espírita, ali colocada por Allan Kardec e que várias denominações cristãs abominam porque desejam permanecer subordinando os seus fiéis aos dogmas criados por elas, para garantirem a sua própria mantença como razão de existência, enquanto a palingenesia coloca o homem diante de si mesmo para, através da liberdade de ação (Lei do Livre Arbítrio), escolher o seu caminho no progresso e no desenvolvimento de sua vida, sem depender de quem quer que seja para dirigir-lhe o destino.
Jorge Luiz Hessen, escritor e articulista espírita de nomeada, profundo conhecedor das questões doutrinárias, escreveu: "Casos de crianças precoces sempre despertaram a atenção dos cientistas, que atribuem esse fenômeno natural a “milagres biogenéticos”.
Mas, quem é o superdotado? O que faz na Terra? Qual é o seu porvir? Perguntas, essas, que somente podem ser respondidas, tendo a pluralidade das existências como verdade absoluta e mecanismo natural de evolução do Espírito. “O jovem Maiko Silva Pinheiro lia, sem dificuldade alguma, aos 4 anos; aprendeu a fazer contas, aos 5 e, aos 9, era repreendido pela professora, porque fazia as divisões, usando uma lógica própria, diferente do método ensinado na escola. Hoje, estuda economia no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais, sendo bolsista integral. Aos 17 anos, os diretores do Banco Brascan dizem ter se surpreendido com sua capacidade lógico-matemática”.
"O mexicano Maximiliano Arellano começou a desenvolver a extraordinária memória, aos 2 anos de idade; aos 6 anos, Maximiliano diz querer ser médico. “Maximiliano deu uma aula de fisiopatologia e osteoporose com linguajar de um residente, segundo afirmativa do Diretor da Faculdade de Medicina da Universidade Autônoma do Estado do México, Roberto Camacho”.
" Wolfgang Amadeus Mozart, que, aos dois anos de idade, já executava, com facilidade, diversas peças para piano; dominava três idiomas (alemão, francês e latim) aos três anos; tirava sons maviosos do violino aos quatro anos; apresentou-se ao público pela primeira vez e já compunha minuetos aos cinco anos; e escreveu sua primeira ópera, La finta semplice, em 1768, aos doze anos. John Stuart Mill aprendeu o alfabeto grego aos três anos de idade.
Segundo a Revista Veja, “Os sinais da inteligência, fora do comum, do jovem americano, Gregory Robert Smith, começaram muito cedo. Começou a falar com, apenas, dois meses de idade. Quando completou um ano, já memorizava o conteúdo de livros volumosos – tinha na cabeça a coleção inteira de Júlio Verne. Com 14 meses, resolvia problemas simples de matemática; com 1 ano e 2 meses, ele resolvia problemas de álgebra; aos 2 anos, lia, memorizava e recitava livros, além de corrigir os adultos que cometiam erros gramaticais; três anos depois, no jardim-de-infância, lia Júlio Verne e tentava ensinar os princípios da botânica aos coleguinhas; aos 10, ingressou na Faculdade de Matemática; aos 13, deve começar a pós-graduação”, pois já terminou a faculdade”. “Smith criou uma fundação internacional e foi indicado para o Nobel da Paz.”
Suas pretensões iam mais além, com planos de fazer carreira na diplomacia internacional e, futuramente, sentar-se na cadeira que, então, pertencia a George W. Bush. Antecipou-se, dizendo: – “Na presidência, poderei trabalhar muito pelo meu país e pelos pobres de todo o mundo”.
Zélia Ramozzi Chiarottino, que, aos quarenta e seis anos, já integrava o Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, disse: “Nos testes de inteligência, os gênios precoces costumam estar anos à frente dos colegas de classe”. Ela citou como exemplo, Fábio Dias Moreira, aluno que cursava a segunda série do curso médio, do Colégio PH, na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, que, aos 14 anos, conquistou 11 medalhas de ouro em olimpíadas de Matemática, sendo quatro delas em disputas internacionais. Segundo ele, preferia estudar, a ir a festas com os colegas, e não gostava de esportes. Sob nenhuma hipótese trocava os livros de Matemática por uma pelada com os colegas, mas conquistou a simpatia da turma, porque era quem tirava todas as dúvidas dos que apresentavam dificuldades com a matemática".
Ainda Hessen afirma: "Allan Kardec, examinando a questão da genialidade, perguntou aos Benfeitores: – Como entender esse fenômeno? Eles, então, responderam que eram “lembranças do passado; progresso anterior da alma(…)” 
Neste primeiro final de semana de julho conheci Pedro, segundo filho de Rafaela e Denis. Rafaela, filha de nossa confreira Vera e do nosso saudoso irmão e um dos construtores da nossa Casa Espírita, Mario. Pedro me surpreendeu, pois apenas com 6 meses, encarou-me com seriedade, prestando atenção em tudo o que lhe disse enquanto brincava com ele. Surpreendeu-me porque mesmo calado, percebi que ele me entendia, sentindo que queria dizer-me algo, como: - eu te conheço, te reconheço. Meu coração pareceu saltar dentro do peito. Senti que Pedro era meu amigo desde sempre. A felicidade inebriou-me então quando Rafaela me disse que ele gungunava mamã, papá esticando o olhar como querendo dizer algo.
Minha saudosa mãe me dissera que levei 2 meses só pra abrir meus olhos. As crianças de hoje chegam, na Terra, já ligados à melhor e mais alta tecnologia, com conhecimentos científicos e moral muito além da nossa imaginação.
A atuação das nossas crianças, causam-nos estupefação e surpresa pela capacidade que sobrepuja nosso simples entendimento das coisas. Entretanto, não podemos estacionar nem no espanto e muito menos na admiração porque tanto um quanto a outra seriam inibidores das reflexões a que devemos nos guindar, para então entendermos a importância dessas encarnações.
Hessen, novamente, nos socorre: "Os talentos dos superdotados são inatos, sim, uma vez que nasceram com eles, ou melhor, renasceram com eles. Tais possibilidades – e é importante que não se perca de foco – são conquistas dos gênios-mirins, em existências pregressas, pela consubstanciação de conhecimentos." 
A conclusão não deve ser difícil ao cristão que raciocina que Deus, na Sua Bondade Infinita, na equanimidade de Sua Justiça, jamais permitiria que alguns poucos fossem beneficiários de imerecidos "dons", como querem os milagreiros de plantão de algumas denominações cristãs.
Cada um destes iluminados, são detentores de suas conquistas e a surpresa que causam, em nós simples mortais, também são úteis para nos impulsionar na busca de mais conhecimentos através do estudo das ciências, da moral, da responsabilidade que temos com nosso planeta.
Hessen: "O homem é viajor do Universo e, dentro da eternidade, aufere recursos e aptidões, desenvolve potencialidades, até chegar a posição de um arcanjo. Sem a palingenesia não há como se conceber evolução, nem progresso humano.”
A reencarnação é, pois, o caminho que leva à evolução pessoal e também do globo terrestre, razão que nos concita a buscarmos conhecer cada vez mais, exemplificando-nos nessas crianças especiais que parecem quererem nos ensinar, para que, assim, venhamos a ter um novo começo na descoberta do bem maior que é a felicidade de estarmos encarnados e podendo sermos úteis ao nosso próximo e à nossa Terra.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Cisco de Francisco

Luiz Carlos Formiga

“Se somente amardes os que vos amam que recompensa tereis disso?”
Luiz Carlos D. Formiga


A palavra cisco pode ser definida como pó, miudezas de carvão. Sendo a morte hereditária, a vida do espírito reencarnado na Terra é menos que um cisco, comparada à eternidade da alma imortal.
 “Desencarnação Processo de Transição” (1) explica que a morte é a cessação da vida orgânica e que a desencarnação é a libertação do Espírito. Não é a partida do Espírito imortal que causa a morte do corpo, uma vez que é exatamente essa que determina a sua partida, para outro plano.
 As drogas, incluindo o álcool, aprisionam o homem, tornando-o dependente. Libertar-se delas equivale, ainda na Terra, a verdadeiro renascimento. Também aqui, alguns não se libertam com facilidade, porque ainda psiquicamente acorrentados aos prazeres da carne, assim como o espírito nem sempre está em condições de deixar o corpo na morte biológica. Disse um suicida, na reunião mediúnica: “não estou morto, no entanto sinto os vermes a me roerem”.  Provavelmente a vida deste espírito na Terra estivesse fortemente ligada a valores materiais, carência de fé e ausência de Deus.
Em julho de 2013, em visita ao hospital São Francisco de Assis no Rio de Janeiro, outro Francisco tocou no problema das drogas:  "é necessário enfrentar os problemas que estão na raiz do uso". Apelou para que as pessoas se esforcem para construir um mundo mais justo e solidário: “sempre se pode colocar mais água no feijão”.
 Francisco, o papa, disse ainda:  “na sociedade atual prevalece o egoísmo. O tráfico de drogas semeia a morte. O ter, o dinheiro, o poder, podem gerar um momento de embriaguez, a ilusão de ser feliz, mas, no fim de contas, são eles que nos possuem e nos levam a querer ter sempre mais, a nunca estar saciados”.
“Coloque Cristo na sua vida, deposite nele a sua confiança e você nunca se decepcionará".
O espírito André Luiz, pelo médium Francisco, diz: “a vida física é uma escola abençoada, mas se você não se aproveitar dela a fim de aprender suficientemente lições que se destinam ao seu engrandecimento espiritual, em nada lhe valerá o ingresso no aprendizado humano.” (2)
As drogas, como o álcool, não são boas opções, pois podem nos conduzir desde a morte violenta até ao suicídio inconsciente. O próprio espírito André Luiz passou por essa experiência dolorosa. Hoje nos elucida  “que o caminho do bem é laborioso e difícil. No entanto, se você não se dispuser a segui-lo, ninguém o livrará da perigosa influência do mal.
 A compaixão se apodera de nós quando ouvimos relatos semelhantes ao da reunião mediúnica acima referida e acreditamos ser fundamental divulgar a conclusão do livro Agenda Cristã. Nela, André Luiz diz que “ a felicidade eterna incontestavelmente é realização superior, fora dos quadros transitórios da carne, no entanto se você deseja perseverar no campo dos prazeres fáceis e inferiores das esferas mais baixas, dentro delas perambulará, indefinidamente.”
Aprendemos, com Kardec, que a condição de espírito incrédulo reencarnado, distante de Deus, pode ser uma dura expiação (3). Toda expiação é construção pessoal e intransferível, uma vez que somos arquitetos do próprio destino quando fazemos escolhas e tomamos decisões. Mas, se Deus desejasse a dor, não teríamos a anestesia. Cabe-nos optar pela solidariedade, procurando aplacar sofrimentos e também procurar evitá-los. Uma boa oportunidade aproveitou o espírito André Luiz, quando nos deixou esses esclarecimentos. Diz ele que Deus está  conosco em todas as circunstâncias; todavia, se não estivermos com Ele, ninguém pode prever até onde, como espírito, desceremos  aos domínios da intranquilidade e da sombra.
O Centro Espírita Jacques Chulam, em 2013, criou uma nova equipe para estudos semanais das dependências humanas (4). No mês, são quatro dias para estudar e discutir cada um dos 12 passos dos Alcoólicos Anônimos. Buscar-se-á compreender como a aplicação dos 12 passos pode ajudar na superação da dependência, num ambiente de interação com postulados da Doutrina Espírita.
Estamos também procurando refletir sobre o melhor modo de adequar o funcionamento, por longo prazo. Enumeramos, ainda que de forma imperfeita, doze lembretes, são “ passos” nesse sentido:
1. Organizar uma estrutura de poder coerente com a busca espiritual; 2. Acreditar que a força de uma Instituição está na clareza e na nobreza de suas metas; na eficiência dos seus métodos; na intensidade do seu trabalho e na confiança recíproca dos seus membros; 3. Procurar usar a ciência e a arte de formar cidadãos conscientes, saudáveis e equilibrados nos seus atos pessoais e sociais;  4. Privilegiar o poder solidário. Aquele que se organiza para facilitar a ajuda mútua;  5. Exercitar a capacidade do trabalho em equipe, procurando se motivar para objetivos e metas do grupo; 6. Desenvolver a inteligência espiritual; 7. Libertar-se da ilusão de possuir grande saber e da infalibilidade; 8. Perseverar mantendo foco no objetivo da missão pessoal, lembrando que Jesus lecionou no sentido do atemporal e ilimitado; 9. Assumir a postura de parceiro, voltado para a formação de novos líderes; 10. Procurar lembrar que “autoridade” é crédito de competência, oferecido a quem o merece por direito; 11. Constituir um grupo de trabalho onde a unidade se dê em torno do objetivo comum, onde cada um seja estimulado no seu potencial e nunca se coloque superior ao grupo; 12. Iluminar o conceito de democracia com conhecimento, trabalho e intenção solidária.
Doze também são passos trilhados por Francisco Cândido  Xavier, homem de bem,  cidadão consciente e equilibrado que teve Jesus como modelo (5).
Ressaltamos de sua personalidade a permanente solidariedade, a capacidade de autocrítica. Quando comparado a espíritos de grande envergadura demonstrava sua verdadeira humildade, dizendo que se sentia diante deles como um cisco. Brasileiros  o indicaram ao Prêmio Nobel da Paz.
 Outro exemplo de solidariedade é a Irmandade dos Alcoólicos Anônimos que recebeu merecido prêmio (6). Ensina a vencer a adversidade ao admitir a existência de uma inteligência suprema. A pessoa, na Irmandade, passa a adquirir uma força interna capaz de ajudá-la a se transformar e se restabelecer.
Em 1950 e 1967, reconhecendo a excepcional contribuição dos Alcoólicos Anônimos à humanidade, a Ordem dos Padres Franciscanos outorgou-lhes seu Prêmio Franciscano. Um incentivo a que todos permaneçam, sem cansaço, neste exercício de transformação pessoal e solidariedade.
Em 1950, Bill disse que São Francisco de Assis tinha feito muito por ele e pelos Alcoólicos Anônimos. Francisco e Clara de Assis cultivavam três paixões ao longo de toda a vida: a paixão pelo Jesus pobre, pelos pobres e a de um pelo outro (8,9)
Quando estivermos com Deus e com Jesus poderemos começar a ver a luz da felicidade que desfrutaremos mais adiante. O passo inicial pode parecer um cisco, mas o necessário e suficiente para sairmos lá do fundo do poço.
(2) Livro Agenda Cristã. André Luiz/Chico Xavier

quinta-feira, 25 de julho de 2013

ENVELHECER É CONQUISTAR O SABER PELAS EXPERIÊNCIAS DIÁRIAS

Jorge Hessen
http://aluznamente.com.br

Não são raras as pessoas que têm aversão ao envelhecimento. Arriscam tudo para camuflarem a idade, seja através de cirurgias rejuvenescedoras (plásticas), seja injetando toxina botulínica (botox) e/ou demais artifícios. Cientistas de Cambridge dizem que até mesmo chocolate pode virar remédio “antivelhice”. (1) Segundo Pedro Paulo Monteiro, mestre em Gerontologia e autor dos livros "O Tempo Não Tem Idade" e "A Beleza do Corpo na Dinâmica do Envelhecer", a dificuldade em aceitar o envelhecimento é mais comum em mulheres. Segundo ele, o sexo feminino valorizara "enormemente" a estética. "Algumas mulheres têm medo de envelhecer, por que acreditam que ficarão feias, isoladas e sem atrativos. Isso não é verdade, pois existem várias pessoas que só começaram a ser felizes na velhice." (2)
Para muitas pessoas o envelhecer é uma tormenta avassaladora. Diante do espelho, entram em pânico notando a arruína da estética, músculos decaindo, pele afrouxando, enrugando a testa, enfraquecendo a psicomotricidade, submergindo o semblante, pesando as pálpebras e os olhos afundando nas tristezas do que veem.
Cremos que a decrepitude deveria ser encarada como venturosa pelo que contém de gratificante, mormente por causa das longas refregas das buscas e das realizações. Envelhecer é uma arte e uma ciência, se buscarmos rejuvenescer nossa alma. Há idosos que conquistaram a longevidade de forma sadia e feliz, contudo muitos estão largados nos asilos da vida, amargando suas enfermidades no isolamento. Há os que aceitam sua decrepitude sem rezingar e sem exigir nada dos outros; todavia igualmente indiferentes não oferecem nada a ninguém.
O tempo é inexorável e abençoado transformador de destinos. Muitas vezes não abrangemos os mistérios do tempo que se dissipa célere na vida terrena. Alguns envelhecem, e quase nada realizam nas instâncias do bem incondicional. Há, porém, aqueles que concretizam em si a vigorosa fé cristã, exercitando inteiramente o amor ao próximo. Abraham Lincoln dizia que não são os anos em sua vida que importam, mas a vida em seus anos. O pensador Alexis Carrel proferia frase semelhante, dizendo que o importante não é acrescentar anos à sua vida, mas vida aos seus anos. O médico alemão Harry Benjamin endossou as ideias de Lincoln e Carrel pronunciando: "não queira acrescentar dias à sua vida, mas vida aos seus dias.". Baseado nesses adágios, evocamos alguns personagens históricos que acrescentaram vidas a cada aniversário.
Os anos não passaram em vão na vida de David Livingstone, escritor de inesquecíveis contos literários que o projetaram no Século XIX ao lado de deuses da literatura mundial, a exemplo de Victor Hugo. David entoou os doces cânticos da Mensagem de Jesus para os nativos sul-africanos. Renunciou aos apelos da fama, abandonou a Escócia, sua terra natal, e juntou-se àquelas almas sofredoras, nascidas na mais dura dificuldade material na África.
Os anos não passaram em vão nos projetos de vida de Florence Nightingale, a ilustre "Dama da Lâmpada"; ela que vestiu a túnica da abnegação, afastando-se do convívio do esplendor inglês, a fim de adotar, voluntariamente, a penosa empreitada de socorrer as vítimas da Guerra da Criméia, no século XIX.
Os anos não passaram em vão nos projetos de vida de Jean Henrique Dunant, que inspirado nas virtudes da fundadora da primeira escola de enfermagem da Terra, escreveu o livro “Un Souvenir de Solferino”, publicado em 1862, em que sugeria a criação de grupos nacionais de ajuda para apoiar os feridos em situações de guerra, e propôs a criação de uma organização internacional que permitisse melhorar as condições de vida e prestar auxílio às vítimas da guerra. Em 1863, Dunant fundou a Cruz Vermelha Internacional, reconhecida, no ano seguinte, pela Convenção de Genebra.
Os anos não passaram em vão nos projetos de vida daquela que foi considerada uma das dez mulheres mais importantes dos Estados Unidos, no século XX. Referimo-nos a Hellen Keller, que teve de sobra coragem e determinação robusta para vencer suas limitações físicas, pois era surda, muda e cega de nascença. Contudo, um dia Keller conseguiu falar e soltou o verbo como ninguém. O vigor moral fez dela uma singular mulher, com grande projeção no cenário do mundo. Seu verbo infundia ao Homem a necessária reflexão sobre o quanto somos potencialmente ilimitados quando amamos o próximo.
Certa ocasião, o jornalista Harold Gibson disse: - "Por onde Miss Eartha andava, os famintos, os aflitos e os desamparados, de todas as idades, sentiam a sua presença compassiva e animadora.". Referia-se a Eartha Mary Magdalene White, uma verdadeira lenda no norte da Flórida, Estados Unidos. Os anos não passaram em vão nos projetos de vida de Magdalene White. Ela fundou uma Instituição de amparo ao negro americano. Desencarnou em 1974, com 95 anos de idade, deixando um segredo para vivermos a grande mensagem: - “Façam todo o bem que puderem, de todos os modos, em todos os lugares, para todas as pessoas, enquanto puderem.".
Eis aqui elencados alguns personagens reais da História que souberam envelhecer acrescentando vida aos anos de experiência física. Neste contexto, o idoso, ou a velhice, é a fase da vida em que se atinge a sabedoria, adquirida pela experiência cotidiana, mais do que pelo conhecimento. Conhecimento e sabedoria são distintos. O velho não é só sábio, mas é o sábio por excelência. Como tal deve ser reverenciado por toda a sociedade. O envelhecimento é a conquista da sabedoria pelas vivências cotidianas. Em verdade, cada instante que vivemos, cada minuto que se esvai, nos báratros do dia-a-dia, construímos o nosso destino e escrevemos com letras douradas, nas páginas da vida, os anos de experiência nos carreiros do amor que devotamos ao próximo.


Referência:
(1)               Disponível em http://super.abril.com.br/blogs/cienciamaluca/chocolate-pode-virar-remedio-antivelhice acesso em 24/07/13
(2)               Disponível em http://mulher.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2012/04/03/plasticas-exageradas-e-comportamento-imaturo-revelam-medo-desproporcional-de-envelhecer.htm acesso em 23/07/13

quarta-feira, 24 de julho de 2013

SOCIEDADE SEM RAÇAS - NUMA CONCISA COGITAÇÃO ESPÍRITA


Jorge Hessen
http://aluznamente.com.br
Para a ciência contemporânea o conceito de raça é abstrato e agressivo, pois raças humanas não existem como entes biológicos. É agressivo porque a concepção de raça tem sido usada para abonar discriminação, opressão e barbaridades. “As raças não existem, mas a mentalidade relativa às raças foi reproduzida socialmente”. (1) Do ponto de vista espírita, a percepção de que o homem possa (re) encarnar na condição de branco, negro, mulato ou índio, estabelece uma ruptura com o preconceito e a discriminação.
Infelizmente, ainda hoje na Grã-Bretanha adeptos do “neo-espiritualismo” recusam a tese da reencarnação, por não aceitarem a probabilidade de terem tido encarnações em posições inferiores quanto à raça e à condição social. Sob a ótica dos princípios espíritas, “apaga-se, naturalmente, toda a distinção estabelecida entre os homens segundo as vantagens corpóreas e mundanas, sobre as quais o orgulho fundou castas e os estúpidos preconceitos de cor”. (2) O Espiritismo não compactua, sob quaisquer pretextos, com ideologias que visem o apartheid étnico entre os grupos sociais.
A afirmação das raças biológicas multicoloridas tem sido cada vez mais rejeitada pela genética. Os pesquisadores descobriram que a natureza genética de todos nós é idêntica o bastante para que a mínima porcentagem de genes que se caracterizam na aparência física, cor da pele etc... invalide a composição da sociedade em raças. Isso porque o acanhado número de genes desiguais está comumente conectado à adequação do indivíduo ao tipo de meio ambiente em que vive.
Os brasileiros atualmente mostram-se, aparentemente, menos preconceituosos do que há duas décadas. Contudo, reconhecemos o preconceito no outro, mas não em nós mesmos. Ou, como já definiu a historiadora da USP, Lilia Moritz Schwarcz, “todo brasileiro se sente como uma ilha de democracia racial, cercado de racistas por todos os lados”. (3) É preocupante constatar que a ambivalência se mantém. Parece que os brasileiros jogam, cada vez mais, o preconceito para o outro. Eles são, mas eu não. Irrisão!
O pesquisador Sergio Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais, atesta que a cor da pele, como socialmente percebida, tem pouca relevância biológica. “Cada brasileiro tem uma proporção individual única de ancestralidade ameríndia, europeia e africana”. (4) Para os geneticistas, “a conclusão de que a raça não está nos nossos genes pode ser mais uma ferramenta no combate ao racismo, já que corrige o erro histórico dos cientistas do passado”. (5)
A discussão é muito pertinente em um momento em que ações afirmativas fundamentadas em conceitos raciais, como a lei de cotas, surgem para tentar corrigir os problemas sociais ligados ao racismo. A Constituição do Brasil estabelece que “ninguém terá tratamento desigual perante a lei e o acesso ao ensino superior se dará por mérito”. (6) As cotas para negros nas universidades, desde sua implantação no Brasil, em 2002, têm dividido opiniões. Pouco mais da metade da população, ou melhor, 51%, são favoráveis à reserva de vagas para negros, mas, paradoxalmente, 86% defendem as cotas para pessoas pobres e de baixa renda, independentemente de raça.
O mapa estatístico retrata que 53% dos brasileiros creem que estabelecer cotas para negros é humilhá-los. Todavia, contraditoriamente, 62% concebem que elas são fundamentais para ampliar o acesso de toda a população à educação. Contudo, 62% dizem que essas cotas podem gerar atos de racismo. Em verdade, “a sobrevivência da ideia de raça é deletéria, por estar ligada à crença continuada de que os grupos humanos existem em uma escala de valor”. (7)
No bojo da literatura basilar da Terceira Revelação, Kardec ressalta que, “na reencarnação desaparecem os preconceitos de raças e de castas, pois o mesmo Espírito pode tornar a nascer rico ou pobre, capitalista ou proletário, chefe ou subordinado, livre ou escravo, homem ou mulher. Se, pois, a reencarnação funda numa lei da Natureza, o princípio da fraternidade universal também funda na mesma lei o da igualdade dos direitos sociais e, por conseguinte, o da liberdade”. (8)
Num artigo publicado na Revista Espírita, de abril de 1862, “Frenologia espiritualista e espírita – Perfectibilidade da raça negra” (9), Kardec faz uma espécie de releitura dessa “ciência”, com um enfoque espiritualista, demonstrando que o “atraso” dos negros (habitantes da África à época) não se deveria a causas biológicas, mas por seus espíritos encarnados ainda serem, relativamente, jovens.
Porém, sem dúvida alguma, o racismo brasileiro, ainda escamoteado e acobertado pelo mito da “democracia racial”, é um estigma, uma nódoa presente na mente dos brasileiros, e que faz parte do cotidiano de todos nós. Deus não concedeu superioridade natural aos homens, nem pelo nascimento, nem pela morte. Diante d’Ele, todos são iguais. Dessa forma, é mais do que lógico o próprio negro entender que somente ele poderá conquistar seu espaço nas diversas áreas do conhecimento. Ninguém fará por ele aquilo que deve ser feito para o seu próprio bem estar, e isso vale para todas as raças.
A verdade é que nos grandes debates de cunho sociológico, antropológico, filosófico, psicológico etc., o Espiritismo provocará a maior revolução histórica no pensamento humano, conforme está inscrito nas questões 798 e 799 de O Livro dos Espíritos, sobretudo quando ocupar o lugar que lhe é devido na cultura e conhecimento humanos, pois seus preceitos morais advertirão os homens da urgente solidariedade que os há de unir como irmãos, apontando, por sua vez, que o progresso intelecto-moral na vida de todos os Espíritos é lei universal e tendo por modelo Jesus, que, ante os olhos do homem, é o maior arquétipo da perfeição que um Espírito pode alcançar. (10)



Referências bibliográficas:

(1)            Disponível em  http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2013/02/05/ciencia-busca-explicacoes-sociais-e-biologicas-para-explicar-o-preconceito.htm acesso em 20/07/13
(2)            Kardec, Allan. Revista Espírita de abril de 1861 págs. 297-298
(3)            Disponível em http://zelmar.blogspot.com.br/2010/09/todo-brasileiro-se-sente-uma-ilha-de.html  aceso em 22/07/13
(4)            Disponível em http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2013/02/05/racas-humanas-nao-existem-como-entidades-biologicas-diz-geneticista.htm acesso em 15/07/13
(5)            Disponível em http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2013/02/05/racas-humanas-nao-existem-como-entidades-biologicas-diz-geneticista.htm acesso  em 18/07/13
(6)            Constituição Federal, Editora Saraiva.
(7)            Sérgio Pena, autor do livro “Humanidade Sem Raças?” (Publifolha, 2008), da Série 21
(8)            Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Editora FEB, 2002, pág. 31
(9)            Publicado na Revista Espírita, artigo “Frenologia espiritualista e espírita – Perfectibilidade da raça negra”, de abril de 1862
(10)          Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Editora FEB, 2003, parte 3ª, q. 798 e 799, cap. VIII item VI – Influência do Espiritismo no Progresso.

SUELY CALDAS SCHUBERT – JORGE HESSEN E “APOMETRIA”

Suely Caldas Schubert
Suely Caldas Schubert  escreveu-nos:
Desejo falar sobre a apometria, esclarecendo que estamos no campo das idéias e jamais diminuindo aqueles que a estão adotando. Cada um é livre para fazer suas opções.
A apometria é mais uma prática surgida em nosso meio espírita que veio confundir e desviar os iniciantes, os que buscam novidades e, diria até, os invigilantes que se deixam envolver por tais idéias, que nada têm em comum com o Espiritismo..
Recomendo o artigo do nosso companheiro Jorge Hessen àqueles que desejem conhecer algumas das práticas antidoutrinárias adotadas pela apometria.
É oportuno recordarmos a importante advertência de Allan Kardec, conforme O Evangelho segundo o Espiritismo, na Introdução II , que a segurança do Espiritismo, com vistas ao futuro, deveria estar fundamentada no critério do controle universal do ensino dos Espíritos e a concordância que deve existir entre eles.
Também adverte que qualquer idéia nova que surja deve ser submetida ao crivo da razão, acrescentando, que se houver dúvida que se busque a opinião da maioria.
As práticas da apometria não têm base doutrinária em O Livro dos Médiuns, e nem nas obras consideradas fiéis à Codificação pelo critério da maioria absoluta dos espíritas, quais sejam as de André Luiz, Manoel Philomeno de Miranda, Eammanuel, Joanna de Ângelis, Camilo, e toda a obra mediúnica de Yvonne A. Pereira, isto só para falar nos autores espirituais.
A apometria, portanto, não é Espiritismo.
Suely Caldas Schubert

terça-feira, 23 de julho de 2013

O DIREITO À VIDA, O PAPA, O PARTIDO E O MINISTRO DO ABORTO

Luiz Carlos Formiga


“Em pouco mais de dois meses, sob a proteção de um gritante silêncio, foi aprovado um projeto que abre portas para a ampliação do aborto no Brasil. Segundo informação do jornal interno da Câmara dos Deputados, a iniciativa partiu do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Em reunião com deputado Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara dos Deputados, em fevereiro deste ano, Padilha pediu que, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, fosse votado no plenário da Câmara, em regime de urgência, o Projeto de Lei 60/1999. O projeto trata do atendimento prioritário nos hospitais à mulher vítima de violência.
Como resultado do acordo entre o ministro da Saúde e o presidente da Câmara, o deputado José Guimarães, irmão do deputado José Genoíno e líder do PT na Câmara, pediu a tramitação do projeto em regime de urgência. Na ausência por motivo de viagem do deputado Henrique Eduardo Alves, a presidência da Câmara foi assumida pelo deputado André Vargas, secretário nacional de comunicação do PT.
O regime de urgência foi, então, aprovado por uma reunião de líderes das bancadas dos diversos partidos. Em seguida, no mesmo dia, o projeto foi emendado e apresentado ao Plenário da Câmara. O projeto foi aprovado no dia 5 de março. Três dias depois foi encaminhado para ser apreciado pelo Senado. Velocidade incomum para os padrões parlamentares.
No dia 10 de abril, já renomeado como Projeto de Lei Originário da Câmara 3/2013, ou PLC 3/2013, o texto foi aprovado pela Comissão de Direitos Humanos do Senado, após leitura de relatório favorável da Senadora Ana Rita, do PT do Espírito Santo.
No dia 19 de junho, após relatório favorável da Senadora Angela Portela, do PT de Roraima, o projeto foi também aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado. Finalmente, no dia 4 de julho, sem que houvesse sido apresentado um único pedido de emenda, o PLC 3/2013 foi aprovado no Plenário do Senado e, em seguida, encaminhado à Presidência da República para ser sancionado.”
As passeatas mostram o nascimento de um novo Brasil. Os cidadãos exigem transparência dos seus governantes e liberdade para manifestar seus pontos de vista. E o que está em jogo não é coisa pequena. É a preservação de um valor fundamental: o direito à vida.
Alertei, pedi aos espíritas para, antes de votar, perguntar aos candidatos sobre o aborto. Mesmo assim foram eleitos. Santo de casa não faz milagres. Meus parentes também votaram neles. Vejo-os arrependidos.
Afinal o Papa Francisco disse que não trouxe ouro nem prata, mas trouxe Jesus Cristo.
O brasileiro vai voltar às ruas. Veta Dilma. Não perdi a esperança. Ainda quero ter olhos pra ver a maldade, do ministro, desaparecer.

sábado, 20 de julho de 2013

A Ordem das Paixões


Luiz Carlos D. Formiga
Rio de Janeiro

Luiz Carlos Formiga
Para Jorge, “Santa Clara Clareou e aqui quando chegar vai clarear.” (1) Mas ainda está obscuro. Vou contar para vocês, deixando a questão sobre qual a razão da coincidência.
16 de julho de 2013, no escritório, na casa de uma das filhas pensava em na neta Elis, do filho distante, e ao mesmo tempo procurava algo na minha pasta que pudesse ler e descansar. Confortável aquela cadeira de amamentar! Alice, 2 anos, outra neta, brincava com Luiza e Maria, que são mais velhas. Sempre queremos todos reunidos, mas nem sempre é possível.
Fazendo viagem retrospectiva, revi palestra recente. No Grupo Espírita Fraternidade Irmão Abrahão, GEFIA (*) discutimos a importância da escala de valores ético-espíritas na prevenção do uso e abuso de drogas. Surgiu-me, na tela mental, Santa Clara. O que Clara tem a ver com isso?
Lembrei-me da diretoria e só encontrei mulheres. Será que aquela Casa Espírita é orientada por Clarissas?
Curioso, enviei pergunta, por e-mail a Sonia, Segunda Secretária. No pensamento apareceu a escritora de livros infanto-juvenis. Fiquei de “saia justa” quando Cléo me pediu um prefácio (**). Naqueles dias de AIDS, sentia dificuldade em iniciar.
Minha mulher faria palestra em cidade distante. As horas, no ônibus fizeram-me refletir e resolvi escrever sobre a clareza e concisão no livro e seu enfoque na Pedagogia Regeneradora.
Cléo se dedicou ao magistério e havia ajudado a formar inúmeras professoras na Escola Normal. A professora primária, naquela época, era valorizada e entrou na letra da MPB. (***).
Por ser namorado de uma delas, posso ser testemunha daquele prestígio adquirido através da credibilidade e competência. Um dia na rua, um homem alto e forte deu-lhe um proporcional abraço. O Oficial das Forças Armadas tinha sido aluno em uma das suas primeiras turmas. Cléo vivenciou esses dias. Como poderia negar-lhe um pedido?
No ônibus, também lembrei de Clara de Assis e meus olhos revelaram a emoção. O mesmo acontece quando penso em Santa Sara (3). Não sei explicar. Como dizem os espíritas, deve ser emoção de adversário de outras vidas, arrependido.
A proposta de Cléo clareava, era a opção pelo Amor na prevenção da dor. Aquele Amor de Clara por Francisco e por Jesus dos pobres.
Ainda no ônibus, pedi a Sonia, minha mulher estudiosa do Evangelho, que me falasse de Clara e Francisco. Antes de chegar ao destino o prefácio estava pronto (**).
O que Clara tem a ver com o GEFIA? 
Sobre Clara destaco pontos num resumo imperfeito (2).
Na noite de 19 de março de 1212, dia seguinte à festa de Domingos de Ramos, Clara de Assis uniu-se ao grupo de Francisco de Assis na capelinha da Porciúncula. As clarissas, e toda a família franciscana, celebram este dia como o da fundação da Ordem de Santa Clara, a Ordem das Clarissas.
Ela e Francisco cultivaram três paixões ao longo de toda vida: a paixão pelo Jesus pobre, a paixão pelos pobres e a de um pelo outro, nesta ordem. Eles não queriam fazer caridade para pobres, mas viver como e com eles.
Em sinal de sua incorporação ao grupo, Francisco lhe cortou os cabelos louros. Clara foi vestida com as roupas dos pobres, não tingidas, mais um saco que um vestido. Depois da alegria, das canções dos trovadores franceses e das orações, foi levada para dormir no convento das beneditinas, a 4 km de Assis.
Inês, sua irmã mais nova, uniu-se a ela 16 dias depois. A família tentou retirar as filhas, mas Clara agarrada às toalhas do altar resistiu, mostrando a cabeça raspada. O mesmo destemor ela mostrou quando Inocêncio III não quis aprovar o voto de pobreza absoluta. Lutou e o Papa enfim consentiu.
Seu corpo intacto depois de 800 anos comprova, uma vez mais, que o amor é mais forte que a morte.
No escritório da filha resolvi procurar na WEB. Esses celulares são “uma mão na roda”. A tela me mostrou a figura de Clara e data de seu nascimento, 16 de julho de 1194.
Perguntei a Luiza, outra neta: “Lu, que dia é hoje?”. 16, Vô.
1194/2013. Fiquei arrepiado.
Sonia, secretária no GEFIA, prontamente respondeu.
“Não sei se é coincidência, mas a Igreja Católica do Jabour é Santa Inês, irmã de Clara. E também temos uma casa espírita no bairro intitulada de Irmã Carla.
Já tivemos uma casa das freiras aqui no bairro durante muito tempo. No nosso trabalho mediúnico sempre sentíamos a presença de irmãs de caridade.
 Resolvemos perguntar a espiritualidade o nome do mentor (a) de maneira muito acanhada, pelo receio da responsabilidade que é. A resposta não apareceu de imediato. Quando menos esperávamos, (...) surgiu à comunicação – Clara de Assis é a mentora. Acredito que todas as irmãs de caridade façam parte da Ordem das Clarissas.
“O Dsapse do GEFIA atende no momento 20 famílias e mais gestantes que recebem enxoval. Doamos bolsas com lanche e Evangelho. O Centro Irmã Carla atende mais crianças (quase 100) com sopa todos os dias e café da manhã. (...) a mentora é Clara de Assis.”
Vamos ficar com vontade de “quero mais” ou Santa Clara Clareou?
Permitam-me repetir: “Alguns até que gostariam de pegar um espírito na ponta de uma pinça ou observá-lo num microscópio.”(4)

(*) GEFIA. Rua Zopiro Goulart, 351. Jabour. RJ.RJ, tel 2404-3428
(**) As Drogas e a Pedagogia Regeneradora . Rio de Janeiro, maio de 1997 
Prefácio do Livro de Cléo de Albuquerque Melo 
 “De Olhos Bem Abertos”. Editora Lachatre. RJ. 
http://www.iqm.unicamp.br/~formiga/neu/deolhosbemabertos.pdf
(***) Normalista. Nelson Gonçalves.  Trazendo um sorriso franco,  no rostinho encantador,  minha linda normalista rapidamente conquista meu coração sem amor.


Fontes:

(1) Santa Clara Clareou
 http://www.youtube.com/watch?v=MnN0dhkaHdo
(2) Boff, L. 25/3/2012. Clara de Assis: a coragem de uma mulher apaixonada. 
http://leonardoboff.wordpress.com/
(3) Preconceito, Exclusão, Espíritas, Umbandistas e Ciganos.
http://www.espiritualidades.com.br/Artigos/F_autores/FORMIGA_
Luiz_tit_Preconceito_Exclusao_Espiritas_Umbandistas_e_Ciganos.htm
(4) Efeito Inteligente
http://www.aeradoespirito.net/ArtigosLCF/EFEITO_INTELIGENTE_LCF.html
http://www.espiritualidades.com.br/NOT/Not_2009/2009_07_20_
Cirurgia_bisturi_invisivel.htm

quarta-feira, 17 de julho de 2013

EM SUMA: TUDO SÃO CELAS, CADEIAS, PRESÍDIOS, CÁRCERES, EXOVIAS, CALABOUÇOS, XADREZES, XILINDRÓS, PRISÕES ETC ...

 Jorge Hessen
http://aluznamente.com.br

Maquiavel já dizia que o caminho para o inferno é pavimentado de boas intenções. Na Holanda, a secretária de Estado da Justiça, Nebahat Albayrak, anunciou o intuito do encerramento de oito prisões (para alguns são hotéis de grande luxo, super equipados). O encerramento provocará a supressão de 1.200 empregos. Atualmente, o sistema penitenciário conta com 14.000 celas, o que já não corresponde às necessidades reais, de “apenas” 12.000 cubículos penitenciários. O fechamento dos xilindrós será por falta de “delinquentes” (falta de delinquentes?????) Os holandeses garantem que a “diminuição” da taxa de criminalidade se deve à utilização de tornozeleiras com rastreadores em substituição à cadeia.
Há 5 anos a imprensa internacional noticiou que a “redução” da criminalidade na Holanda levou o governo a anunciar o fechamento das unidades prisionais, pois sob o guante  da lei de “mercado” a baixa oferta de bandidos provoca a pouca procura de carcereiros. Para evitar demissões dos agentes carcerários está sendo estudada a possibilidade de importação de 500 marginais da Bélgica, a fim de manter um contingente “mínimo” nas enxovias. (1)
É um paradoxo tal situação. Será plausível os holandeses ensinarem virtudes ao mundo? Na Holanda o comércio e consumo de drogas é praticamente livre. Amsterdã é uma das mais apetitosas rotas mundiais do tráfico de drogas. A circulação e o comércio de drogas são considerados legítimos por lá; por isso, os traficantes, que deveriam estar encarcerados, permanecem livres, leves e soltos e, pior, sem tornezeleiras, o que esclarece, em boa paródia, a “carência” de criminosos na terra de Maurício de Nassau.
No Brasil, segundo o Ministério da Justiça, há 514 mil presos e 306 mil vagas em todo o sistema carcerário. Resultado: superlotação. Diz-se que os presídios no “país  do futebol” são medievais e escolas do crime. Quem entra em um presídio como pequeno delinquente muitas vezes sai como membro de uma organização criminosa para praticar grandes delitos. Há tempos se fala na humanização no sistema carcerário brasileiro, em face de sua falência. Hoje há prisões em péssimas condições, agentes desqualificados, Leis esparsas etc. A somatória de todos estes fatores contribui para a reincidência do reeducando.
Muitos afirmam que a Lei Penal brasileira é pusilânime. Mas cremos que o desígnio da lei não é punir puramente, entretanto igualmente possibilitar a recuperação do indivíduo. “Em verdade vos digo – todas as vezes que faltastes com a assistência a um destes mais pequenos, deixastes de tê-la para comigo mesmo”. (2) Para os especialistas do assunto, a pena é uma resposta estatal punitiva contra um determinado crime e deve ser proporcional à extensão do dano, jamais poderá violar a dignidade humana, pois estaria reparando um erro com outro erro. A punição por si só não muda o comportamento transgressor do ser humano socialmente opresso; é preciso reeducá-lo para que possa compreender a importância da liberdade. A ausência de políticas públicas com objetivo de reintegrar o preso à sociedade inviabiliza qualquer possibilidade de reabilitação quando este torna-se egresso do sistema prisional.
Todos os seres humanos que erraram devem ter oportunidade de recompor-se. Para tanto, a sociedade e o governo lhes devem condições dignas. Até mesmo os presos tidos por “irrecuperáveis” foram e são vítimas do sistema. A sociedade precisa ser transformada. Esse conjunto de fatores dificulta uma necessária, providencial e humanitária reinserção do detento no mercado de trabalho, e consequentemente ao convívio social.
Os Benfeitores Espirituais nos instruem que devemos “amar os criminosos como criaturas que são, de Deus, às quais o perdão e a misericórdia serão concedidos, se se arrependerem, como também a nós, pelas faltas que cometemos contra sua Lei”. (3) Muitas vezes somos “mais repreensíveis, mais culpados do que aqueles a quem negamos perdão e comiseração, pois, as mais das vezes, eles não conhecem Deus como O conhecemos, e muito menos lhes será pedido do que a nós”. (4)
Por várias razões, não podemos nem devemos julgar nenhuma pessoa, porquanto “o juízo que proferirmos ainda mais severamente nos será aplicado e precisamos de indulgência para as iniquidades em que sem cessar incorremos. Não podemos ignorar que há muitas ações que são crimes ante os ditames da Lei de Deus e que o mundo nem sequer como faltas leves considera”. (5)
Nas prisões, a reeducação deverá ser feita por meio da implantação de frentes de trabalho para profissionalização, e não apenas para tirar apenados da ociosidade, mas também abrindo segura perspectiva de integração futura na sociedade. Sabemos que existem grupos de religiosos que vêm desenvolvendo projetos que visam a recuperação do preso, por intermédio de uma efetiva coordenação de visitas permanentes aos presídios. Palestras de valorização humana, divulgação doutrinária, instituição de voluntários padrinhos, contato com parentes, distribuição de cestas básicas para familiares dos recuperandos. Estes são alguns dos métodos levados a efeito por alguns grupos de visita, para a materialização do aumento do índice de recuperação dos internos nos presídios no Brasil.
Em suma, diante dos criminosos devemos “observar o nosso modelo: Jesus. Que diria Ele, se visse junto de si um desses desgraçados? Lamentá-lo-ia; considerá-lo-ia um doente bem digno de piedade; estender-lhe-ia a mão. Em realidade, se não podemos fazer o mesmo, podemos pelo menos orar pelos criminosos. Podem eles ser tocados de arrependimento, se orarmos com fé”. (6)



Referências bibliográficas:
(1)           Disponível em  http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2013/06/governo-holandes-estuda-fechar-prisoes-devido-falta-de-criminosos.html acesso em 14/07/13
(2)           Mt 25:31-46
(3)           Kardec, Allan . O Evangelho Segundo O  Espiritismo. Cap. XI “Amar o próximo como a si mesmo – Caridade para com os criminosos”, RJ: Ed FEB, 1990
(4)           Idem
(5)           Idem
(6)           Idem