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segunda-feira, 26 de julho de 2010

Jorge Hessen participa da Semana Espírita de Londrina


O Consolador
Revista Semanal de Divulgação Espírita
Ano 4 - N° 168 - 25 de Julho de 2010
FERNANDA BORGES
fsilva81@gmail.com
Londrina, Paraná (Brasil)


19ª Semana Espírita de Londrina reúne quase 3 mil

Evento que já é tradicional na região contou com a presença de palestrantes renomados no movimento nacional; cerca de 15 grupos artísticos passaram pelo Centro Espírita Nosso Lar
Com um tema que chama a atenção nos tempos atuais, em que os principais aspectos abordados estiveram ligados a questões como doenças adquiridas pela ausência de uma vida equilibrada, a 19ª Semana Espírita de Londrina lotou o auditório do Centro Espírita Nosso Lar praticamente em todos os dias de evento. A semana foi realizada nos dias 10 a 17 de julho e reuniu cerca de 2,8 mil pessoas. Além dos palestrantes, o evento concentrou uma gama de grupos artísticos que levou a mensagem da Doutrina Espírita por meio de belíssimas canções e interpretações teatrais não só para o público adulto, mas também para as 223 crianças que participaram da 10ª Semaninha Espírita e também da 6ª Noite Cultural (fotos).
Promovida pela União das Sociedades Espíritas de Londrina - USEL, a Semana Espírita trouxe para Londrina figuras importantes e nacionalmente conhecidas no meio espírita, como os conferencistas e escritores Richard Simonetti, Orson Peter Carrara e Emanuel Cristiano. Também participaram do evento outros renomados palestrantes como o médico José Antônio Vieira de Paula, Jorge Hessen, Irvênia Prada; Dilermando Massei, Célia Xavier de Camargo e Osny Galvão, de Londrina.
Com o tema “Qualidade de Vida e Imortalidade”, o evento deste ano concentrou palestras com diretrizes importantes não só para espíritas mas principalmente para aqueles que buscam informações que possam contribuir para a sua reforma íntima. Perdão, perispírito, consciência plena, trabalho, solidariedade foram apenas alguns dos assuntos apresentados em algumas das palestras que atraíram pessoas de diversas religiões.
Os temas apresentados – Eis os temas e os palestrantes que os expuseram durante os oito dias da Semana Espírita:

Dia 10 - Emanuel Cristiano. Tema: "Trabalhadores da Casa Espírita".

Dia 11 - José Antonio Vieira de Paula. Tema: “Reencarnação baseada em evidências”.

Dia 12 - Jorge Hessen. Temas: "Cânceres e Comportamento Moral: Toda Doença será Reflexo do Estado Mental do Doente" e "Palavra de Ordem: Perdoar".

Dia 13 - Osny Galvão. Tema: “Perispírito”.

Dia 13 - Orson Peter Carrara. Tema: “Por que adoecemos?”.

Dia 14 - Orson Peter Carrara. Tema: “Fim do Mundo em 2012? Mortes coletivas, flagelos destruidores e transformação do planeta”.

Dia 14 - Dilermando Massei. Tema: “A Doutrina e o Evangelho”.

Dia 15 - Irvênia Prada. Temas: “Ciência e espiritualidade” e “A Doutrina Espírita como base para a trajetória de nossa transcendência”.

Dia 16 - Célia Xavier de Camargo. Tema: "Vivendo com a consciência espírita".

Dia 16 - Richard Simonetti. Tema: “Uma Receita de Vida”.

Dia 17 - Richard Simonetti. Tema: “Trabalho, Solidariedade e Tolerância: máxima de Kardec”.

Jorge Hessen
A importância do perdão – Com o tema “Palavra de ordem: Perdoar”, o carioca Jorge Hessen, articulista conhecido por sua atuação em inúmeros periódicos espíritas, radicado em Brasília (DF), proferiu uma palestra grandiosa e importante para uma reflexão acerca do tema. Segundo ele, o ser humano tem uma tendência natural de se sentir vítima, aborrecido com as coisas da vida e isso, de acordo com Hessen, ocasiona uma ligação imediata com Espíritos que potencializam em nós o sentimento de vingança. “Temos que nos conhecer mais para não nos sentirmos bem com as desgraças alheias. A indignação, quando constante na nossa vida, é obsessão, mas quando ocorre algumas vezes é como um estado de ânimo que precisa ser manifestado. Quem se cala diante de tudo comete um crime, é como se estivéssemos permitindo o mal tomar conta do planeta”, destacou.

O palestrante fez questão de salientar que não há santos em nosso planeta, mas que o momento presente em que todos vivemos é de mudança e transformação; portanto, segundo ele, devemos seguir numa constante melhora, educando-nos e ajudando os que convivem conosco a se educar também. “A moral se conquista com o tempo. Por isso precisamos entender que o processo de amor em nossas vidas deve começar com o nossos mais próximos”, apontou.


Jorge Hessen e M. Eleusa (Esposa)
Ainda segundo Hessen, muito acima das leis humanas, existem as leis divinas, que, segundo ele, abrangem a todos nós de maneira plena e verdadeira. Para ele, o verdadeiro perdão é quando jogamos um véu no passado. “O magoado é aquele que de alguma forma não consegue esquecer o que lhe incomodou. Precisamos exercitar o perdão e, mais que isso, o autoperdão. Quem não consegue se autoperdoar não está preparado para perdoar os que estão ao seu redor”, disse.

Por que adoecemos? – Foi com esse tema que o escritor e jornalista Orson Peter Carrara, paulista radicado em Matão (SP), falou sobre as consequências que todos enfrentam, de acordo com os ensinamentos da Doutrina de Kardec, em relação às enfermidades que vão se manifestando ao longo da vida.

Segundo o orador, todas as doenças têm origem na alma, ou Espírito. “Cada um de nós reage de uma forma diante das adversidades da vida. Há aqueles que sofrem tensões musculares, há outros que desencadeiam aftas na boca e assim por diante. Quando nos permitimos ficar tristes, nossa alma é quem fica triste. Joanna de Ângelis noslembra que devemos travar uma luta sem tréguas contra nós mesmos. Isso, segundo a mentora espiritual, deve ser feito para que possamos conquistar virtudes que nos ajudarão em nossas vidas”, disse.

Orson e Marinei

Orson Carrara

Segundo Orson, Deus estabeleceu leis sábias que nos possibilitam o retorno em benefício de nós mesmos de acordo com o que fizermos. Ele explicou que a saúde é uma condição de harmonia entre as funções da alma, do perispírito e do corpo. A doença, de acordo com o palestrante, ocorre quando há a perda dessa harmonia. “Excessos como o álcool, drogas, o comer exagerado, o sexo desenfreado, atos infelizes praticados deliberadamente ferem os tecidos sutis do perispírito alterando a forma física dele, no qual se manifestarão deficiências, que são purificadoras”, reforçou.

Para ele, a finalidade das doenças está no ato de nos reeducarmos. “A mágoa é um sentimento inútil e que só serve para tirar a nossa felicidade. Ela é uma das causas de tumores cancerígenos, além dos acionadores do processo de AVC (acidente vascular cerebral), infarto etc. A mágoa atinge diretamente nosso coração e é a causa de muitas enfermidades”, disse.

O palestrante acredita que a medida que deve ser tomada para o processo de transformação íntima está na emergência de nos tornarmos pessoas facilitadoras diante da vida. “Precisamos usar mais a gentileza, alimentar a alma com coisas que nos fazem bem. Ouvir uma música ou ver um filme que comove, ler livros que nos enobrecem a alma, voltarmos nossas atenções para as belezas da natureza, enfim, nos envolvermos em atividades que tenham como foco os ensinamentos de Jesus.” No final de sua palestra, o orador fez o sorteio de inúmeras obras espíritas para o público presente com o objetivo não só de divulgar a Doutrina, mas principalmente o de estimular o hábito da leitura naqueles que ouviram suas abordagens.

Richard Simonetti

A máxima de Kardec – Além da palestra sobre o tema “Uma Receita de Vida”, o conhecido escritor Richard Simonetti, de Bauru (SP), ministrou um seminário em que examinou uma das máximas do Codificador do Espiritismo: “Trabalho, Solidariedade e Tolerância”. Para o orador, que é colaborador assíduo de jornais e revistas espíritas, o ser humano confunde felicidade com “não fazer nada”. “Essa tendência está tão arraigada no ser humano que algumas religiões ortodoxas chegam a pregar um céu para onde as pessoas iriam após a morte e ali viveriam em eterna contemplação sem fazer nada”, observou o palestrante.

Lembrou em seguida que a maioria das pessoas, nos tempos atuais, acreditam que paz de espírito significa ausência de responsabilidades. Segundo ele, o homem está fora do ritmo da harmonia universal. “Quem é que promoveu a evolução? Se Deus parasse de pensar um só minuto seríamos um desastre. Desde os primórdios da Terra, Jesus trabalha, então quem somos nós para ficarmos parados?”, destacou ele.

Simonetti lembrou ainda a questão número 674 de O Livro dos Espíritos que nos ensina que o trabalho é uma lei da natureza e por isso mesmo é uma necessidade. Segundo ele, quanto mais o homem vai se civilizando, mais ele precisa de trabalho. “Vestimentas, alimentação, moradia, tudo está inserido no trabalho. A imposição do trabalho é uma bênção porque é por meio dele que desenvolvemos nossas habilidades”, explicou o palestrante.

Num quadro, o expositor fez questão de ilustrar a problemática do tempo na vida de uma pessoa comum. Segundo ele, em 168 horas de uma semana, distribuindo todas as atividades realizadas ao longo desse período, aí incluídos os compromissos profissionais, os serviços domésticos, a atenção aos familiares, o repouso noturno, o tempo gasto com alimentação e higiene, há ainda uma sobra de 40 horas, um tempo que não é geralmente bem utilizado pelas pessoas. “O que é que vamos fazer com essas horas que nos sobram? Devemos nos ocupar com atividades ligadas diretamente à universalidade e à eternidade. Trabalhos que mostrem que não estamos sozinhos neste mundo e que podem ajudar nossos irmãos que necessitam de algum tipo de ajuda.”

Para Simonetti, a máxima de Kardec ainda está longe da realidade de muitas pessoas. “Tem gente que aproveita o tempo de folga e vai pra praia, outros vão pra favela. Não estamos aqui criticando aqueles que vão para a praia”, observou o palestrante. O que é lamentável é ver pessoas usarem tão mal o seu tempo, destinando-o tão-somente ao lazer. “Lazer que não se aproveita com a nossa evolução é perda de tempo. Trabalhar no campo do bem é servir, assim já diziam figuras importantes como Gandhi”, lembrou.

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sábado, 24 de julho de 2010

SE O ESPIRITISMO DEVE SE APROXIMAR DO POVO, POR QUE OS LIVROS ESPÍRITAS SÃO TÃO CAROS?



Após fazer comentários sobre livros espíritas que são vendidos a preços altos, um confrade nos retrucou: “os livros espíritas não são caros. O povo brasileiro é que ganha pouco.”(!?) Em seguida outra ouvinte argumentou: “Os livros espíritas devem ser vendidos a preço de mercado.” Explicamos aos interlocutores que o livro espírita deveria ser vendido a preço MUITO abaixo de mercado, SIM! Até porque vendê-lo barato não significaria desvalorizar a nossa doutrina e, muitíssimo menos estaríamos propondo ostentação de uma humildade aparente.
Um livro de preço mais acessível a todos vai despertar o interesse pela leitura, sem dúvida nenhuma. Em verdade, os espíritas assalariados ou até mesmo DESEMPREGADOS não têm acessos aos bons livros de André Luiz , por exemplo. Por essa razão, os menos afortunados não adquiriram cultura de ler, pois os livros sempre lhe foram negados pelo famigerado mercado. É inaceitável a velha cantilena de que se o livro for gratuito mesmo assim o espírita pobre não se interessará em lê-lo.
Um outro argumentou: “Há muitas bibliotecas espíritas disponibilizando livros para empréstimo, a custo zero, no entanto vivem às moscas. Basta pesquisar, no Brasil inteiro.” Embora, aparentemente correta a opinião ela não se sustenta em si, até porque não há pesquisa para sua comprovação - portanto - argumento falsíssimo.
Em verdade, os livros espíritas podem ser escritos de algumas maneiras: psicografados (quando são ditados pelos espíritos através de médiuns), intuídos (quando o autor se vale da intuição), fruto de pesquisa (quando o autor recorre às fontes e tece seus comentários), etc... Cada tipo de livro e autor buscam abordar o Espiritismo por certos aspectos, seja filosófico, moral (religioso) ou científico, a fim de que todos os campos da literatura sejam preenchidos e estudados à luz da Doutrina Espirita. As Obras da Cofificação (Pentateuco kardeciano) nos explicam e auxiliam a vivenciar o Espiritismo Cristão e norteiam nossos caminhos como seguidores do Cristo.
A apropriação do conhecimento doutrinário deve ser obtida obrigatoriamente através dos livros publicados por Allan Kardec e das obras literárias complementares que estão disponíveis em diversos títulos que permitem ao leitor avançar no conhecimento da Terceira Revelação. São livros para estudos, dos mais simples aos mais avançados, e livros para reflexão, que nos fazem repensar nosso modo de viver e a forma de construirmos uma vida mais equilibrada.
Os romances já consagrados (sérios), são muito populares entre os leitores, e narram a vivência do Espiritismo no dia-a-dia, não só em histórias e crônicas contadas por espíritos que as vivenciaram, mas também com histórias desenvolvidas por autores sob boas inspirações. Nos livros romanceados, existem aqueles que trazem temas destinados aos jovens e abordam assuntos específicos dos conflitos da adolescência, para que os mesmos se interessem pela literatura espírita. Há os livros infantis, escritos sempre de maneira simples e divertida, contendo ilustrações atrativas, com histórias de fácil compreensão e assimilação que propõem introduzir a criança ao Espiritismo cristão.
Em verdade, a literatura espírita é riquíssima e bastante ampla. Através dela podemos encontrar as respostas a todos nossos questionamentos pessoais, além de perceber que o mundo espiritual está muito mais presente em nosso cotidiano do que imaginamos. Por tudo isso, vale aqui algumas considerações , a propósito de como o livro espírita tem chegado ao leitor e este ao livro.
O que e como fazer a respeito da comercialização dos princípios espíritas através dos livros, sem contradizer com o compromisso doutrinário que deve favorecer o diálogo com o povo, especialmente os menos favorecidos materialmente?
Não vão nossas palavras destinadas àqueles que revertem os lucros do livro espírita em prol das comprovadas obras assistenciais (creches, asilos, hospitais etc...), mas para editoras que industrializam livros espíritas a preços escorchantes, excluindo os espíritas menos aquinhoados do nosso País.
Não cremos que o materialismo esteja sendo cada dia mais desmoralizado, como sói acreditar alguns "espíritas" (ora! a ganância ao lucro é atitude materialista indiscutivelmente). A rigor, os livros espíritas, que poderiam ajudar a população a se espiritualizar, estão cada vez mais inacessíveis e estão tornando-se artigo de luxo. Não estamos exagerando , não!!Existem publicações de livros confeccionados ricamente com capas duras e douradas, desenhadas, charmosas , que custam “o olho da cara”! (como dizia minha avó paterna). Obviamente, essas relíquias são destinados aos endinheirados. Mas, e os livros – digamos - mais populares? Até mesmo esses têm preços bastante impopulares.
O Brasil está entre os sete países com maior desigualdade social do Planeta. Na "Pátria do Evangelho" há uma multidão de brasileiros sedenta de conhecimento espírita começando a se interessar pelos livros. Parte desse contingente ou está DESEMPREGADA, ou é assalariada, trabalhadora honesta que pega no batente de sol a sol, e mal consegue recursos financeiros para transporte, aluguel, água , luz, remédios e até para comer a fim de sobreviver com dignidade. Será que nossos confrades menos favorecidos materialmente permanecerão no Espiritismo quando se sentirem aviltados nos seus bolsos em face da exploração comercial do livro?
Há pessoas que se deixam enganar com muita facilidade e acabam acreditando que “tudo tem que ser bem caro” e defendem essa idéia porque os conceitos espíritas têm muita qualidade. (pasmem!) Essa é uma opinião e como toda opinião pode ser respeitada! Porém não necessariamente aceita, por ser uma troça para confrades que sobrevivem de salários.
Sabe-se que Chico Xavier, ao doar suas produções psicográficas, durante a sua missão do livro , o fez pensando nos trabalhos em prol dos carentes e não para manter grupos de elite fechados em seus insofreáveis pendores de exploração comercial das coisas divinas.
O médium mineiro , logo quando começou a psicografar e ao saber e ver seus livros sendo vendidos , exclamou: - Que ótimo! Mas, eu ainda acho que devíamos é pagar as pessoas para lerem os livros que psicografo. Não creio que o Chico tenha se exagerado, nessa espontânea manifestação, até porque, ciente do valor do conteúdo dos livros e como instrumento dos espíritos que publicou, ele quis mostrar que não psicografava para ganhar dinheiro e sim pelo bem que os livros fariam às pessoas de TODAS AS CLASSES SOCIAIS.
Creio que o livro espírita , se não pode ser gratuito(em face do custo de produção) pelo menos que seja baratinho) isso é uma estratégia verdadeiramente cristã, principalmente em época de Internet que tem democratizado o acesso aos livros por qualquer pessoa, graças a Deus!.


Jorge Hessen
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quinta-feira, 22 de julho de 2010

REFLEXÕES ESPIRITAS SOBRE A EXISTÊNCIA DE VIDAS FORA DA TERRA




O astrofísico Carl Sagan(1) encarou o assunto da pluralidade dos planetas habitados sem estardalhaço e com muita seriedade. Ouçamos seu testemunho: “descoberta da inexistência de micróbios em Marte era questão extremamente importante. Estamos sozinhos no universo ou há outros seres? Existem micróbios em outros mundos? E vida inteligente? Não há respostas fáceis, não basta pousar uma vez em Marte para saber se existem por lá uns seres esverdeados ou não. Como poderíamos, hoje, concluir que não há vida no resto do universo se existem 400 bilhões de sóis apenas na Via Láctea, a galáxia em que está a Terra, e se há pelo menos mais 100 bilhões de galáxias além da nossa? A química que produz a vida é reproduzida facilmente por todo o cosmo. Por que seríamos tão privilegiados? O universo é três vezes mais velho que a Terra; devem existir, portanto, lugares em que houve mais tempo para a evolução biológica que em nosso planeta. Parece improvável que sejamos os únicos seres inteligentes. É possível, mas é improvável.”(2)

Nos EUA a NASA tem informado que há uma calota rica em gelo polar com aproximadamente 1.000 km no planeta Marte. Nessa linha de descobertas , recentes análises identificaram que o oceano da lua “Europa”, na órbita de Júpiter, descoberta em 1610 por Galileu Galilei, deve ter mais oxigênio do que os oceanos da Terra, segundo “Richard Greenberg, cientista da Universidade do Arizona.”(3) Essa descoberta é uma pista de que o satélite jupteriano tem o poder de abrigar vida, como na Terra, mesmo que seja apenas microbiana. A lua Europa, que tem aproximadamente o mesmo tamanho da Lua da Terra, tem um oceano com cerca de 160 km de profundidade. Pelo que sabemos a partir da Terra, onde há água existe chance de ter vida.

No livro “Cartas de Uma Morta” o Espírito Maria João de Deus, mãe de Chico Xavier, descreve aspectos interessantes e surpreendentes sobre a vida noutros orbes. Em “Novas Mensagens” , livro ditado pelo Espírito Humberto de Campos, nos traz informações interessantes sobre a vida marciana. Sabemos que até hoje as mais variadas incursões científicas (atavés de sondas espaciais) não foram capazes de comprovar vida por lá. Diversas imagens nos foram transmitidas, entretanto, em momento algum foram encontrados quaisquer indícios de vida orgânica, como a temos na Terra. Destarte, a que dimensão de vida, se referiram os Espíritos Humberto de Campos e Maria João de Deus em suas narrativas?.

Muitas revelações demonstram contradição “aparentes” sobre vida em outros mundos, por isso, Kardec cautelosamente, ao tratar da vida humana “material” fora da terra , procurou não adentrar em minúcias , seguindo pela análise do viés moral dos habitantes de outros orbes. O mestre de Lyon indagou aos Benfeitores: “Os seres que habitam os diferentes mundos têm corpos semelhantes aos nossos?” Os Mentores explicaram: “Sem dúvida possuem corpo, porque é preciso que o Espírito esteja revestido de matéria para agir sobre a matéria. Porém, esse corpo é mais ou menos material, de acordo com o grau de pureza a que chegaram os Espíritos. E é isso que diferencia os mundos que devem percorrer; porque há muitas moradas na casa de nosso Pai e, portanto, muitos graus .” (4) O Codificador insiste na indagação: “Há mundos em que o Espírito, deixando de habitar um corpo material, tem apenas como envoltório o perispírito?” Os de “lá” explicaram: “Sim, há. Nesses mundos até mesmo esse envoltório, o perispírito, torna-se tão etéreo que para vós é como se não existisse.”(5)

Em verdade a Doutrina Espírita, em seus princípios, preconiza a pluralidade dos mundos habitados. Em “O Livro dos Espíritos” no cap. III (Da Criação, questões 55 a 58), deixa claro essa possibilidade, mostrando a importância do assunto, bem como em outras obras da Codificação. “Deus povoou de seres vivos os mundos, concorrendo todos esses seres para o objetivo final da Providência. Acreditar que só os haja no planeta que habitamos fora duvidar da sabedoria de Deus, que não fez coisa alguma inútil. Certo, a esses mundos há de Ele ter dado uma destinação mais séria do que a de nos recrearem a vista. Aliás, nada há, nem na posição, nem no volume, nem na constituição física da Terra, que possa induzir à suposição de que ela goze do privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos milhares de milhões de mundos semelhantes”.(6) Aprendemos com os Espíritos que “há mundos cujas condições morais dos seus habitantes são inferiores às da Terra; em outros, são da mesma categoria; há mundos mais ou menos superiores e, finalmente, há aqueles nos quais a vida é, por assim dizer, toda espiritual.”(7) Aliás, até mesmo o Sol, embora não tenha habitantes; “contudo, é local de reunião de espíritos superiores.”(8)

Desde as mais remotas eras o Universo tem nos mostrado sobre a possibilidade de existência de vida fora da Terra. O bom senso nos impõe a certeza de que Deus não ergueria bilhões de corpos celestes apenas para nosso deleite visual noturno. Emmanuel no livro “A Caminho da Luz” narra sobre um sistema planetário distante da Terra (cerca de 42 anos-luz), localizada na Constelação de Cocheiro que, entre nós, foi batizado pelo nome de Cabra ou Capela. Segundo o Benfeitor , “há muitos milênios, um dos orbes de Capela, que guarda muitas afinidades com o globo terrestre, atingira a culminância de um dos seus extraordinários ciclos evolutivos. Alguns milhões de Espíritos rebeldes lá existiam, no caminho da evolução geral, dificultando a consolidação das penosas conquistas daqueles povos cheios de piedade e virtudes, mas uma ação de saneamento geral os alijaria daquela humanidade, que fizera jus à concórdia perpétua, para a edificação dos seus elevados trabalhos As grandes comunidades espirituais, diretoras do Cosmos, deliberam, então, localizar aquelas entidades, que se tornaram pertinazes no crime, aqui na Terra longínqua, onde aprenderiam a realizar, na dor e nos trabalhos penosos do seu ambiente, as grandes conquistas do coração e impulsionando, simultaneamente, o progresso dos seus irmãos inferiores.” (9)

Ressalte-se, porém, que, muito embora decaídos moralmente, aquela falange de exilados manteve em seu inconsciente todos os progressos intelectuais e formaram desse modo o grupo dos árias, a civilização do Egito, o povo de Israel e as castas da Índia. Cremos que seres de outros sistemas planetários, ainda hoje, têm reencarnado na Terra. Na questão 172, de O Livro dos Espíritos, Kardec perguntou: “As nossas diversas existências corporais se verificam todas na Terra?” os Espíritos responderam: “Não; vivemo-las em diferentes mundos. As que aqui passamos não são as primeiras, nem as últimas; são, porém, das mais materiais e das mais distantes da perfeição.” (10)“De acordo com o ensinamento dos Espíritos, de todos os globos que compõem o nosso sistema planetário, “a Terra é onde os habitantes são menos avançados, tanto física como moralmente .”(11)

A Astrofísica demonstra que a matéria do nosso planeta, tem os mesmos elementos químicos dos astros distantes. As leis físicas daqui são exatamente as mesmas que vigoram lá. Não há mais razão para negar ou afirmar que a Terra é o único planeta habitado do Universo. Até porque desde toda a eternidade Deus criou mundos materiais e seres espirituais, pois se assim não fora tais mundos careceriam de finalidade.”(12)

Jorge Hessen

http://jorgehessen.net

Fontes:

(1) Ex-diretor do Laboratório de estudos Planetários e professor de Astronomia da Universidade de Cornell de Ithaca. Autor de obras de divulgação científica de grande sucesso. Foi conselheiro científico da NASA e colaborou nos programas das sondas planetárias Viking e Voyager

(2) Disponível em http://veja.abril.com.br/especiais/35_anos/p_094.html

(3) Disponível em http://Space.com

(4) Na questão 181

(5) Kardec, Allan; O Livro dos Espiritos, Rio de Janeiro, Ed FEB, 2000, questão 186

(6) Idem questão 55

(7) Kardec, Allan; O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro, Ed FEB, 2001, 3º Cap. itens 3 e 4

(8) Kardec, Allan; O Livro dos Espiritos, Rio de Janeiro, Ed FEB, 2000, questões 172 a 188

(9) Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da Luz , ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro, 1999

(10) Kardec, Allan; O Livro dos Espiritos, Rio de Janeiro, Ed FEB, 2000, questão 172

(11) idem 188

(12) Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro, Ed FEB, 2003, Cap. XI, n°s 7 a 9

segunda-feira, 19 de julho de 2010

IMENSA É A LUTA

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No século treze, ao Sul da França, nos arredores da cidade de Albi, propagava-se uma seita religiosa de origem eslava considerada herética pela religião dominante. Seus adeptos eram denominados albigenses (naturais de Albi) ou mais propriamente, cátaros, que em grego quer dizer puros. Nesse contexto, Gregório IX organizou um tribunal especificamente dedicado a tratar a heresia dos albigenses. Um dos movimentos que mais tinha certas ligações com os cátaros era a Ordem dos Templários, criado na Terra Santa, e que representavam uma associação militar cristã, oficialmente protetora das peregrinações religiosas e responsável pela guarda e câmbio de bens, mas igualmente aberta ao estudo e discussão de assuntos místicos. Mas, a Ordem de São Domingos foi convocada para dizimar os Cátaros e os dominicanos fizeram com que a ação desse famigerado tribunal se propagasse a todo mundo cristão impiedosamente. Sobretudo na Itália e na Espanha o tribunal tomou o conhecido nome do Santo Ofício, que transformou-se uma instituição poderosíssima onde se distinguiram pela crueldade os inquisidores TORQUEMADA E XIMENES.
Mais tarde ocorreram as cruzadas, onde milhões de "bravos soldados do Cristo", partindo da França, da Inglaterra, da Itália, da Espanha sob o comando de Urbano II, que propunha aos seus seguidores banharam-se no sangue dos "infiéis" (violadores dos lugares santos da Palestina).
Movimento que esse que prenunciou a terrível Cruzada ulterior contra as CONSCIÊNCIAS – a ignóbil "INQUISITIONE". Os escritos históricos registram suas bárbaras atrocidades: GIORDANO BRUNO é queimado vivo em Roma no campo Fiore. GALILEU teve que negar a tese heliocêntrica e torna-se um prisioneiro em seu próprio domicílio, TOMMASO CAMPANELLA é ´perseguido durante 27 anos, sofre numa masmorra pelo terrível crime de querer pensar em LIBERDADE! JOÃO HUSS foi condenado à fogueira por ter proposto trinta e nove questões religiosas que o Concílio de Constança julgou heréticas. JERÔNIMO DE PRAGA, VANINI e SAVANAROLA tiveram a mesma sorte que HUSS. Muitos outros mártires mantiveram a luta pela emancipação do pensamento. Até que na Renascença bradou-se o grito de liberdade intelectual do homem. Essa aurora alvissareira ofuscava os monstros do obscurantismo e da tirania do cristianismo da época.
Tendo sedimentado seu total controle na Europa ocidental, a Igreja dominante constituia-se em uma instituição poderosa econômica, política e militarmente. Equiparava-se a um gigantesco feudo, e sua organização impunha uma violenta censura e controle espiritual e intelectual (ou crer ou morrer), submissão total à autoridade eclesiástica, etc. Em brutal e explícita oposição ao socialismo humanista dos primeiros cristãos, a Igreja de Roma punha-se com toda a violência que dispunha contra todos os que questionassem a legitimidade cristã de tais atitudes.
Enfim, difícil, dificílimo mesmo é compreendermos esses testemunhos históricos do cristianismo, porquanto Jesus ensinou-nos o amor ao próximo como a nós mesmos, inclusive aos inimigos. A fazermos o bem aos que nos odeiam. Orarmos pelos que nos perseguem e caluniam. Por tudo isso afirmamos que A MISSÃO do Espiritismo, tanto quanto o ministério do Cristianismo, não será destruir as escolas de fé, até agora existentes. Jesus acolheu a revelação de Moisés. A Doutrina dos Espíritos respeita os princípios superiores de todos os sistemas religiosos. Jesus respeitou os Profetas do Velho Testamento. O Consolador Prometido não vem para perseguir os pioneiros dessa ou daquela forma de crer em Deus até porque o Espiritismo é, acima de tudo, o processo libertador das consciências, a fim de que a visão do homem alcance horizontes mais altos.



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TODA DOENÇA SEMPRE SERÁ REFLEXO DO ESTADO MENTAL DO DOENTE



Em caso raro, ocorrido no Japão, falha no sistema imunológico do bebê fez as células cancerígenas da mãe, de 28 anos, serem transferidas para a criança ainda no útero. Os pesquisadores detectaram que células de leucemia tinham atravessado a placenta da gestante e afetado a saúde de seu bebê. Por esse motivo, equipe do Instituto de Pesquisa do Câncer, da Universidade de Londres, trabalhando em conjunto com médicos japoneses, tem se esforçado para apresentar mais provas, a fim de demonstrar que o câncer pode ser transmitido durante a gestação.

Um mês após o nascimento do bebê, a mãe foi diagnosticada em estágio avançado de leucemia e faleceu. Quando o bebê completou 11 meses de idade, foi levado ao hospital com a face direita do rosto inchada. Exames mostraram que a criança tinha um tumor em seu maxilar e o câncer já havia se espalhado para os pulmões. Os médicos japoneses suspeitaram de uma ligação com a leucemia que levou sua mãe a óbito. Foram examinados os genes das células cancerosas no bebê e encontraram uma mutação, ou seja, um “apagamento” em uma região do DNA que controla a expressão do lócus principal de histocompatibilidade (1), que é responsável pela imunidade do indivíduo. Essa falha, para os médicos, impediu que o sistema imunológico do bebê reconhecesse que as células de câncer eram “invasores” e, por isso, elas não foram destruídas.

As conclusões foram publicadas em um artigo da revista Proceedings of the National Academy of Sciences, no qual os pesquisadores explicam como usaram a genética para demonstrar que as células do câncer vieram da mãe. O que há de mais instigante no câncer é que, em tese, ele é parte do nosso próprio corpo - uma parte que resolveu se “rebelar” contra o resto. As células cancerosas se tornam "traiçoeiras" ao sofrerem mutações em seu DNA. Várias das mutações que levam a um câncer são bem conhecidas e estão relacionadas a danos em genes responsáveis pela capacidade das células de controlar sua multiplicação.

No que se refere ao bebê em questão, considerando os mecanismos da reencarnação, transmitindo-se, ou não, células malignas materna, durante a gestação, indiferentemente, a doença se instalaria, ou não, pois toda patologia sempre será reflexo do estado mental do doente. No caso analisado, se há cumplicidade entre a mãe e o bebê, obviamente, o roteiro da existência seguirá consoante a Lei de Ação e Reação. Ora, se o bebê não trouxesse uma pendência do passado fincada ao câncer, por exemplo, não ocorreria a transmissão de célula cancerosa da mãe para a criança na vida intra-uterina, porém, ainda que eventualmente ocorresse essa transmissão, as células doentes não se desenvolveriam no corpo do rebento, pis não teria campo para isso. É a Justiça da Lei de Deus! Até porque, das patologias humanas, o câncer é o mais, fortemente, enraizado aos erros morais do passado (recente ou remoto).

O conhecimento espírita nos auxilia a transformar a carga mental da culpa, incrustada no perispírito, e nos possibilita maior serenidade ante os desafios da doença. Isso influenciará no sistema imunológico. Os reflexos dos sentimentos e pensamentos negativos que alimentamos se voltam sobre nós mesmos, depois de transformados em ondas mentais, tumultuando nossas funções orgânicas.

Todavia, será crível que a carga mental positiva, por meio de um estado psicológico ou emocional, tem a capacidade de curar doenças? Para alguns, o fato de as pessoas com câncer estarem otimistas ou pessimistas, em relação à cura, não influencia, diretamente, nas chances de sobrevivência à doença. Evidentemente, discordamos desses argumentos, uma vez que diversas provas registram que, no caso de doenças graves, a mente pode influenciar no resultado de recuperação.

Em que pese considerarmos a importância dos médicos e o valioso contributo da ciência, quando não apoiados na mudança de comportamento mental do doente, somente o bom relacionamento médico-paciente é limitado e insuficiente para atacar as causas da doença e a angústia dela decorrente. O paciente, ao chegar ao hospital, traz consigo, além da doença, sua trajetória de vida atual e passada. O seu estado emotivo é resultante de alguns vetores como a estrutura da personalidade, interpretação e vivência dos acontecimentos, considerando aspectos do imaginário e do real, além de outras variáveis de causas patogênicas.

Os espíritas sabem que a matéria mental é criação de energia que se exterioriza do Espírito e se difunde por um fluxo de partículas e ondas, como qualquer outra forma de propagação de energia existente no Universo. Pensar é um processo de projeção de matéria mental e essa matéria é o instrumento sutil da vontade, atuando nas formações da matéria física, gerando as motivações de prazer ou desgosto, alegria ou dor, otimismo ou desespero, saúde ou doenças, que não se reduzem, efetivamente, a abstrações, por representarem turbilhões de forças em que a alma cria os seus próprios estados de mentação indutiva, atraindo, para si mesma, os agentes [por enquanto imponderáveis], de luz ou sombra, vitória ou derrota, infortúnio ou felicidade, conforme conceitua o Espiritismo.

Nesse aspecto, o estado mental, fruto das experiências de vida passada e presente, deixa de ter uma dimensão intangível para se consubstanciar na condição de matéria em movimento. Muitos pacientes, diante do diagnóstico da doença, transformam a dor em esperança e despertam, neles, a vontade de lutar por uma vida melhor. Outros, porém, desistem e se entregam, admitindo que estão sob uma sentença de morte. Cada caso é um caso e, a cada um, a vida responde segundo seus merecimentos.

Do exposto, urge que busquemos, acima de tudo, os hábitos salutares da oração, da meditação e do trabalho, procurando enriquecer-nos de esperança e de alegria, para nunca desanimarmos diante dos desafios de qualquer doença, ainda que sob o guante de nossos delitos do passado “esquecido”. Lembremos, sempre, que o Evangelho do Senhor nos esclarece que o pensamento puro e operante é a força que nos arroja das trevas para a luz, do ódio ao amor, da dor à alegria.

Para todos os males e quaisquer doenças, centremos nossos pensamentos em Jesus, pois nosso remédio é, e será sempre, o Cristo. Ajustemo-nos ao Evangelho Redentor, pois o Mestre dos mestres é a meta de nossa renovação.

Jorge Hessen

http://jorgehessen.net

jorgehessen@gmail.com


Nota

1 Compatibilidade de tecidos; grau de similitude de seus caracteres antigênicos, de que depende a não-rejeição de enxertos e transplantes de órgãos.


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quinta-feira, 15 de julho de 2010

A DETERIORIZAÇÃO DO MEIO AMBIENTE NUMA ANÁLISE ESPÍRITA

A Natureza é sempre o livro divino, onde Deus escreveu a história de sua sabedoria, livro da vida que constitui a escola de progresso espiritual do homem. Todavia, o atual e desenfreado sistema econômico é uma das barreiras que impedem a consciência sustentabilidade ambiental. Não é preciso ter o dom da profecia, sabermos o catastrófico cenário no porvir do nosso Planeta.
Estamos na iminência de desastres ecológicos, de conseqüências imprevisíveis, em face da rota de colisão entre o homem e o meio ambiente. Um relatório de uma comissão da ONU (Organização das Nações Unidas) que estudou as mudanças climáticas, é sombrio: "Até o fim do século, três de cada dez espécies de seres vivos desaparecerão do Planeta, e a vida humana será profundamente afetada".(1)
Estudos indicam que a “mudança climática tem matado cerca de 315 mil pessoas por ano, de fome, de doenças ou de desastres naturais, e o número deve subir para 500 mil, até 2030”.(2) O estudo estima que o problema do clima afete 325 milhões de pessoas, anualmente, e que, em duas décadas, esse número irá dobrar, atingindo o equivalente a 10% da população mundial da atualidade.
As conseqüências dessa síndrome são alarmantes, como o aquecimento e a alteração do clima, precipitando a ocorrência de furacões, tempestades severas e, até, terremotos; o efeito do "El Ninõ e La Niña", também é aterrorizante, pois que acelera o degelo das calotas polares, aumentando, conseqüentemente, o nível do mar e inundando regiões litorâneas. Quase 25% da população mundial estão ameaçados pelas inundações, em consequência do degelo do Ártico. São reais os registros de diminuição das geleiras no Himalaia, nos Andes, no Monte Kilimanjaro, e a única estação de esqui da Bolívia, Chacaltaya, pôs fim à sua atividade, pela escassez de neve naquela região.
Os recursos "renováveis" que se consome e o impacto sobre o meio ambiente não podem ser relegados a questões de menor importância, principalmente, levando-se em consideração a utilização da água potável. Certamente no futuro a sua posse (da água) pode ser o motivo mais explícito de confronto bélico planetário.
É urgente que se crie uma mentalidade crítica, que permita estabelecer novos comportamentos com foco na sustentabilidade da vida humana. A sociedade deve formatar novos modelos de convivência, lastreados na fraternidade e no amor.
A falta de percepção, da interdependência e complementaridade, entre os indivíduos, gera, cada vez mais intensamente, o desequilíbrio da natureza. O cientista Stephen Hawking, no livro "O Universo numa Casca de Noz", comenta que: "Uma borboleta batendo as asas em Tóquio pode causar chuva no Central Park de Nova Iorque”.(3) Hawking explica, que "não é o bater das asas, pura e simplesmente, que gerará a chuva, mas a influência deste pequeno movimento sobre outros eventos em outros lugares é que pode levar, por fim, a influenciar o clima.”(4)
Ao se desmatar as florestas, modificar cursos de rios, aterrar áreas alagadas e desestabilizar o clima, estamos destroçando as bases de uma rede de segurança ecológica extremamente sensível."O meio ambiente em que a alma renasceu, muitas vezes constitui a prova expiatória; com poderosas influências sobre a personalidade, faz-se indispensável que o coração esclarecido coopere na sua transformação para o bem, melhorando e elevando as condições materiais e morais de todos os que vivem na sua zona de influência"(5)
Lamentavelmente ainda amargamos os contrastes de uma suprema tecnologia no campo da informática, das viagens espaciais, dos supersônicos, dos raios laser, ao tempo que ainda temos que conviver com esse desrespeito oficializado. Por outro lado , a necessidade de destruição da natureza “se enfraquece no homem, à medida que o Espírito sobrepuja a matéria.”(6) Realmente a consciência de proteção ambiental cresce com o nosso desenvolvimento intelectual e moral.
Devido a esses estertores de aguda dor da natureza, surgem, em várias partes do mundo, grupos de pessoas fanáticas, que criam seitas e cultos estranhos; abandonam emprego, família, à espera do “juízo final". “Na França há cerca de 200 seitas catastrofistas, com 300 mil adeptos. Nos Estados Unidos, 55 milhões de americanos acham que falta pouco para o mundo acabar.”(7)
Os terremotos, os furações, as inundações, as erupções vulcânicas e outras catástrofes naturais são e serão parte inevitável da dinâmica da natureza. Isso não significa dizer que não possamos fazer alguma coisa para nos tornarmos menos vulneráveis. "Aprender com as catástrofes de hoje para fazer frente às ameaças futuras”.(8) Somos esclarecidos por Allan Kardec, que os grandes fenômenos da Natureza, aqueles que são considerados uma perturbação dos elementos, não são de causas imprevistas, pois "tudo tem uma razão de ser e nada acontece sem a permissão de Deus."(9)
O Livros dos Espiritos afirma ser “preciso que tudo se destrua para renascer e se regenerar. Porque, o que chamamos destruição não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e melhoria dos seres vivos.”(10) Porém, qualquer destruição não pode ocorrer antes do tempo. “Toda destruição antecipada obsta ao desenvolvimento do princípio inteligente.”(11)
Os flagelos da natureza pode ter utilidade, do ponto de vista físico, não obstante os males que ocasionam, pois que “muitas vezes mudam as condições de uma região. Mas, o bem que deles resulta só as gerações vindouras o experimentam.”(12) A Terra não terá de transformar-se por meio de uma hecatombe que destrua de vez uma geração inteira. Até porque os preceitos espíritas indicam que a atual geração desaparecerá gradativamente e uma nova lhe sucederá naturalmente, ou seja, uma parte dos espíritos que encarnavam na Terra não mais tornarão a encarnar.
Por mais difíceis que sejam os desafios a enfrentar, por conta da própria incúria humana, dinamizemos a vontade de nos harmonizar com a mãe natureza. Não podemos esquecer que Jesus é o Caminho que nos induz aos iluminados conceitos da Verdade, onde recebemos as gloriosas sementes da sabedoria, que dominarão os séculos vindouros, preparando nossa vida terrena para as culminâncias do amor universal no mais profundo respeito à natureza.
Ante os impactos ambientais recordemos sempre que a mensagem do Cristo é o grande edifício da redenção da natureza e da sociedade, que haverá de penetrar em todas as consciências humanas, como um dia penetrou nas consciências de Vicente de Paulo, da irmã Dulce, de Francisco de Assis, da Teresa de Calcutá, de Chico Xavier e de Mahatma Gandhi.

Jorge Hessen
http://jorgehessen.net


Fontes:

(1) Relatório da comissão que estuda as mudanças climáticas, da ONU (Organização das Nações Unidas), 2007
(2) Conforme Relatório Fórum Humanitário Global (FHG), instituição com sede em Genebra
(3) Hawking, Stephen. O Universo Numa Casca de Noz, São Paulo: Ed. Mandarim, 2a Edição, (2002).
(4) Hawking, Stephen. O Universo Numa Casca de Noz, São Paulo: Ed. Mandarim, 2a Edição, (2002).
(5) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001, questão 121
(6) Kardec Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2001, perg. 733.
(7) Publicado na Revista ISTO É, de 4 de agosto de 1999
(8) Mensagem do ex-Secretário-Geral da ONU , Kofi Annan, Por ocasião do Dia Internacional Para a Redução das Catástrofes Naturais, de 11 de Outubro de 2006, conforme veiculada pelo Centro Regional de Informação da ONU em Bruxelas – RUNIC.
(9) Kardec Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2001, perg. 536
(10) idem, questão 728
(11) idem, questão 729.
(12) idem, questão 739.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

O SUICÍDIO É A NEGAÇÃO ABSOLUTA DA LEI DO AMOR


Em Taiwan, a fabricante de eletrônicos Foxconn “anunciou que vai contratar dois mil profissionais de saúde mental para tentar conter uma onda de suicídios em suas fábricas na China”.(1) A empresa conta com 700 mil funcionários - cerca de 300 mil deles na China -, fabrica vários produtos para multinacionais, como o celular iPhone, da Apple, os consoles de games PlayStation, da Sony, Wii, da Nintendo, e Xbox, da Microsoft, e o leitor eletrônico Kindle, da Amazon..
Na França, como se não bastasse o preocupante “Dia nacional prevensão ao suicídio”, a Justiça francesa está investigando a onda de suicídios na operadora de telefonia France Telecom. Nos últimos dois anos, 46 funcionários da companhia se mataram - 11 deles apenas em 2010, segundo dados da direção da empresa e dos sindicatos.
Nos EUA a Universidade de Cornell, no estado americano de Nova York, lançou recentemente uma campanha de prevenção ao suicídio. A universidade já carrega há muito tempo a fama negativa de ser uma escola marcada por suicídios. Entre 2000 e 2005, houve 10 casos de suicídio confirmados na Cornell.
O número de suicídios na Terra estarrece, analisemos: há dez anos foram “815.000 pessoas que cometeram suicídio. Países do Leste Europeu são os recordistas em média de suicídio por 100.000 habitantes. A Lituânia (41,9), Estônia (40,1), Rússia (37,6) (a taxa de suicídio na Rússia é a segunda no mundo, abaixo somente da Lituânia e leste europeu), Letônia (33,9) e Hungria (32,9). Guatemala, Filipinas, e Albânia estão no lado oposto, com a menor taxa, variando entre 0,5 e 2. Os demais estão na faixa de 10 a 16. Em números absolutos, porém, a República Popular da China lidera as estatísticas. Foram 195 mil suicídios no ano de 2000, seguido pela Índia com 87 mil, os Estados Unidos com 31 mil, o Japão com 20 mil (em 2008 o suicído entre os jovens bateu novo recorde no Japão)e a Alemanha com 12,5 mil.” (2)
O suicídio é um ato exclusivamente humano e está presente em todas as culturas. Suas matrizes causais são numerosas e complexas. Alguns vêem o suicídio como um assunto legítimo de escolha pessoal e um direito humano (absurdamente conhecido como o "direito de morrer"), e alegam que ninguém deveria ser obrigado a sofrer contra a sua vontade, sobretudo nas condições como doenças incuráveis, doenças mentais, e idade avançada que não têm nenhuma possibilidade de melhoria.
Nenhuma religião admite o suicídio. Essa unanimidade evidencia tratar-se de algo contrário às leis divinas. Mas , algumas seitas paranóicas fazem cultos ao suicídio, como a Ordem do Templo Solar, a Heaven’s gate, a Peoples Temples e outras. Adeptos “notáveis” dessa escola de pensamento inclui o filósofo pessimista Arthur Schopenhauer, Friedrich Nietzsche, e o empirista escocês David Hume.
Sob o ponto de vista sociológico, o suicídio é um ato que se produz no marco de situações anômicas(3), em que os indivíduos se vêem forçados a tirar a própria vida para evitar conflitos ou tensões inter-humanas, para eles insuportáveis. Em verdade para os espíritas o "suicídio é o ato sumamente covarde de quem opta por fugir, despertando em realidade mais vigorosa, sem outra alternativa de escapar".(4)
O suicida não quer matar a si próprio, mas alguma coisa que carrega dentro de si e que, sinteticamente, pode ser nominado de sentimento de culpa e vontade de querer matar alguém com quem se identifica. Como as restrições morais o impedem, ele acaba se autodestruindo. Assim, o suicida mata uma outra pessoa que vive dentro dele e que o incomoda, profundamente. O pensador Émile Durkheim teoriza que a "causa do suicídio, quase sempre, é de raiz social, ou seja, o ser individual é abatido pelo ser social. Absorvido pelos valores [sem valor], como o consumismo, a busca do prazer imediato, a competitividade, a necessidade de não ser um perdedor, de ser o melhor, de não falhar, a pessoa se afasta de si mesmo e de sua natureza. Sobrevive de ‘aparências’, para representar um ‘papel social’ como protagonista do meio. Nessa vivência neurotizante, ele deixa de desenvolver suas potencialidades, não se abre, nem expõe suas emoções e se esmaga na sua intimidade solitária."(5)
Curiosamente, há casos e casos. Em incêndios de edifícios, algumas pessoas presas em andares superiores, ter pulado para a morte, ante a proximidade das chamas. Não podemos considerar essa situação como um ato suicida. Há apenas um gesto instintivo de fuga. O calor, nessa situação, é tão intenso que, literalmente, pode levar a pessoa ao estado de absoluta inconsciência.
Situação grave que merece ser analisada é a obsessão que pode ser definida como um constrangimento que um indivíduo, suicida em potencial ou não, sente, pela presença perturbadora de um obsessor(encarnado ou desencarnado). Há suicídios que se afiguram como verdadeiros assassinatos, cometidos por perseguidores desencarnados (e encarnados também). Esses seres envolvem de tal forma a vítima que a induzem a matar-se. Obviamente que o suicida nesse caso não estará isento de responsabilidade. Até porque um obsessor não obriga ninguém ao suicídio. Ele sugere telepaticamente ao ato , porém a decisão será sempre do autocida.
A simples idéia, repetida várias vezes, leva o indivíduo à fascinação, à subjugação, e, por fim, ao suicídio. Emmanuel adverte que o suicídio é como alguém que “pula no escuro sobre um precipício de brasas. Após o ato, sobrevêm a infeliz a sede, a fome, o frio, o cansaço, a insônia, os irresistíveis desejos carnais, a promiscuidade e as tempestades com constantes inundações de lamas fétidas.”(6) Em verdade, "de todos os desvios da vida humana o suicídio é, talvez, o maior deles pela sua característica de falso heroísmo, de negação absoluta da lei do amor e de suprema rebeldia à vontade de Deus, cuja justiça nunca se fez sentir, junto dos homens, sem a luz da misericórdia"(7)
Refletindo sobre a questão 945 de "O Livro dos Espíritos", que pensar do suicídio que tem por causa o desgosto da vida? Os Espíritos responderam: "Insensatos! Por que não trabalhavam? A existência não lhes seria uma carga!"(8) O suicídio é a mais desastrada maneira de fugir das provas ou expiações pelas quais devemos passar. É uma porta falsa em que o indivíduo, julgando libertar-se de seus males, precipita-se em situação muito pior. Arrojado violentamente para o Além-túmulo, em plena vitalidade física, revive, intermitentemente, por muito tempo, as chicotadas de consciência e sensações dos derradeiros instantes, além de ficar submerso em regiões de penumbras, onde seus tormentos serão importantes para o sacrossanto aprendizado, flexibilizando-o e credenciando-o a respeitar a vida com mais empenho.
Na literatura espírita encontramos livros que comentam o assunto. Temos como exemplo: "O Martírio dos Suicidas", de Almerindo Martins de Castro, e "Memórias de um Suicida", de Yvonne A. Pereira. O mestre de Lyon , em o livro "O Céu e o Inferno" deixa enorme contribuição em exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual e, especificamente, no capítulo V, da Segunda parte, onde aborda a questão dos suicidas.
Quando um indivíduo perde a capacidade de se amar, quando a auto-estima está debilitada, passa a ter dificuldade de manter a saúde física, psíquica e somática. André Luiz explica que "os estados da mente são projetados sobre o corpo através dos bióforos que são unidades de força psicossomáticas, que se localizam nas mitocôndrias. A mente transmite seus estados felizes ou infelizes a todas as células do nosso organismo, através dos bióforos. Ela funciona ora como um sol irradiando calor e luz, equilibrando e harmonizando todas as células do nosso organismo, e ora como tempestades, gerando raios e faíscas destruidoras que desequilibram o ser, principalmente em atingindo as células nervosas"(9)
O mais grave é que o suicida acarreta danos ao seu perispírito. Quando reencarnar, além de enfrentar os velhos problemas ainda não solucionados, verá acrescida a necessidade de reajustar a sua lesão perispiritual. Portanto, adiar dívida significa reencontrá-la mais tarde, com juros cuidadosamente calculados e cobrados, sem moratória. A questão 920, do Livro Espíritos, registra que a vida na Terra foi dada como prova e expiação, e depende do próprio homem lutar, com todas as forças, para ser feliz o quanto puder, amenizando as suas dores.(10)
Ante o impositivo da Lei da fraternidade, devemos orar pelos nossos irmãos que deram fim às suas vidas, compadecendo-nos de suas angústias, sem condená-los. Até porque, todos os suicidas, sem exceção, lamentam o ato praticado e são acordes na informação de que somente a oração em seu favor aliviam as atrozes dores conscienciais em que se encontram e que lhes parecem eternas.

Jorge Hessen
http://jorgehessen.net


Fontes:
(1) Cf. informa a edição online do jornal de Hong Kong South China Morning Post
(2) Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Suic%C3%ADdio
(3) Anomia é um estado de falta de objetivos e perda de identidade, provocado pelas intensas transformações ocorrentes no mundo social moderno
(4) Franco, Divaldo, Momentos de Iluminação, Ditado pelo Espírito Joanna de Angelis, RJ: ed. FEB
(5) Durkheim, Emile. Título: El suicidio. P.imprenta: Tlahuapan, Puebla. Premiá. 1987. 343 p. Edición; 2a ed. Descriptores: Suicidio. Sociología. Aspectos psicológicos
(6) Xavier, Francisco Cândido e Vieira, Waldo. Leis Do Amor, ditado pelo espírito Emmanuel, Ed. FEESP, 1970
(7) Xavier, Francisco Cândido, O Consolador, Ditado pelo Espírito Emmanuel RJ: Ed. FEB - 13ª edição pergunta 154
(8) Kardec , Allan, O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB, 2001, perg. 945
(9) Xavier, Francisco Cândido, Missionário da Luz, Ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed. FEB 2003
(10) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB, 2002, pergunta 920

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sábado, 3 de julho de 2010

COMENTÁRIOS DE UM AMIGO SOBRE ARTIGO PUBLICADO

por Roberto Cury
robcury@hotmail.com

Caríssimo Jorge.
Alegria e felicidades sempre.
Li o teu artigo "Espiritismo e Ciência não se contrapõem", publicado hoje no DM.
Tenho gostado muito dos teus últimos artigos. Sei que estou repetindo, mas, a repetição é exatamente pela abrangência dos teus escritos, pela concisão, mas, pela coerência e principalmente pela clareza.
Particularmente, "Espiritismo e Ciência não se Contrapõem" encantou-me pelo reforço do alicerce "Ciência", da tríade doutrinária. A importância que a Ciência tem para o desenvolvimento dos paradigmas do Espiritismo.
Confesso-te que a descoberta desse alicerce na constituição da Doutrina convenceu-me, de vez, a ingressar nas fileiras dos aprendizes do Espiritismo. E te explico a razão, ou razões.
Vim do Catolicismo e lá vivi várias encarnações tiradas na batina.
Desde o berço, tinha o conhecimento e o recolhimento próprios dos religiosos.
Mas, vivi durante 33 anos angustiado porque não aceitava a fé sem raciocínio.
Nunca enxerguei milagres nos fenômenos (sempre busquei as razões que levaram a transformação de alguns peixes e pães em centenas de milhares desses alimentos que mataram a fome dos que ouviam Jesus), não consegui aceitar vivência única na Terra pra poder "ir pro céu", porque isso era um absurdo e contra toda a natureza, pois, até as folhas das árvores que pareciam mortas no inverno, despeladas, ressequidas, com o outono, retornavam, enfolhadas, enflorescidas, e logo frutificando.
O aspecto Religião (entenda-se Evangelho) em mim nunca pesara, em face do discernimento razoável que detinha.
A Filosofia encheu-me de alegria porque apesar de nunca ter visto sequer uma linha nos estudos regulares, lembrava-me dos princípios socráticos aprendidos no tempo de não sei quando e como discípulo de Jean Jacques Rousseau, no período antecedente à Revolução Francesa: Libertè, egalitè, fraternitè. Faltava-me o aspecto Científico que ainda não se casara no meu imo com os outros enfeixamentos.
Foi então que vi e entendi o encadeamento dos fenômenos físicos e espirituais, explicados pelo bom senso e pela razão.
De preocupado e confuso passei à certeza de que deveria ler livros espíritas.
Sem saber por onde começar, procurei amigos que eram espíritas e acabei agraciado com alguns livros (O que é o Espiritismo, O Livro do Espíritos, O Livro dos Médiuns).
A Leitura Dinâmica acelerou o aprendizado. Gastei meia hora para ler e entender "O que é o Espiritismo" e me surpreendi na leitura que me pareceu conhecidíssima.

Daí parti para O Livro dos Espíritos. Nem quis ler os Prolegômenos, indo direto para a primeira e mais importante questão ao meu ver: Que é Deus? Suprema Inteligência e Causa Primária de todas as coisas.
Acabara de achar o Deus que sempre procurara. Não o deus barbudo, velho e cansado que fez o mundo em 6 dias e no sétimo teve de descansar, nem o deus fajuto que se arrependeu de ter criado o homem; não o deus que exigia sacrifícios, inclusive humanos; não o deus que precisou vir à Terra para ensinar os homens, esquecendo-se do restante do Universo.
Amigo, relendo o teu artigo revivi todo o meu passado de busca e me emocionei relembrando: "Por isso Allan Kardec disse que O Espiritismo, caminhando com o progresso, não será jamais ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrarem que está em erro sobre um ponto, ele se modificará sobre esse ponto; se uma nova verdade se revelar, ele a aceitará".
Recordei-me de uma parenta carola, responsável pela minha alfabetização aos 4 e 1/2 anos de idade que se horrorizou sabendo-me espírita e que eu tinha me desabalado daqui de Goiânia para Andradina, no extremo noroeste do Estado de São Paulo, para falar num seminário sobre assunto do qual nem me recordo mais e ofereceu-me um livro de um frei que condenava o Espiritismo. Li-o e então tive de dizer-lhe, com suavidade e respeito, que a boa religião é aquela que respeita as demais doutrinas e filosofias cristãs. Que o Espiritismo respeita a Religião que ela professava e que ela , por uma questão de caridade cristã, naturalmente, também deveria respeitar a Doutrina Espírita.
C'est la vie, comme dire mon ami Clovis (espírito primeiro médico negro do Brasil).
Tornei-me espírita e vou seguindo as pegadas do Divino Mestre sem deixar de olhar as veredas da Filosofia e as certezas da Ciência. Se estiver errado, que me apontem a Verdade, pois como disse o Cristo: Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará.

ESPIRITISMO E CIENCIA NÃO SE CONTRAPÕEM


Nos tempos medievais, havia o consenso de oposição entre fé e razão. Tudo era explicado pelas imposições religiosas. Na Renascença, ocorreu a revolução do pensamento científico, mormente a partir de Galileu e, posteriormente, de Newton. Nos fenômenos espirituais defrontamos com limitações no que se refere à experimentação científica. Esta classe de fenômenos é, ainda, muito pouco estudada, quando comparada com outros objetos de estudo das ciências. Para muitos, apesar de ainda polêmico, há coexistência entre Ciência e espiritualidade, configurando-se em novo paradigma acadêmico. A rigor, os inconcebíveis fenômenos da percepção extrasensorial parecem ser menos absurdos, comparados aos inconcebíveis fenômenos da física. Kardec não se deixou levar na onda da psicose de adequação ao paradigma materialista, positivista e reducionista das Ciências do Século XIX.
O nó da questão é que o "espiritual", no senso comum, tende ao "sobrenatural", desta forma, não pode ser testado. Alguns fenômenos quânticos possuem a característica de serem imprevisíveis e "imateriais". Tem-se comprovado a participação da consciência do observador como elemento determinante no desenrolar de fenômenos físicos.
Para a teoria quântica, a matéria nem possui uma existência física real, mas uma probabilidade à existência. O que faz a matéria emergir do universo probalístico, para irromper como onda ou partícula, é a consciência do observador. A consciência, mais do que interferir sobre a matéria, é o elemento que torna possível a própria existência da matéria analisada e, como ela não pode ser causa e efeito ao mesmo tempo, é necessário admitir que consciência e matéria possuem naturezas distintas.
Quando citamos ciência e espiritualidade, não estamos referindo a coisas incompatíveis e opostas. Todavia, devemos reconhecer que o objeto fundamental do Espiritismo não se pode comparar ao das ciências tradicionais, salvo nas interfaces ou nos pontos comuns. O Espiritismo toca domínios, até agora, reservados às religiões. Porém, em metodologia, o Espiritismo difere, radicalmente, das religiões, porque rejeita a fé dogmática, a crença cega, as práticas ritualizadas, o culto exterior. Se não é justo que a Ciência imponha diretrizes à religião, não é razoável que a religião obrigue a Ciência à adoção de normas inconciliáveis com as suas exigências do raciocínio.
A Ciência, sem a Revelação espirita, não consegue explicar alguns fenômenos só pela concepção materialista. A Doutrina Espirita, sem o contributo da academia de ciência, seria mais limitada para a comprovação dos fatos “imateriais”. Por isso urge que exista alguma coisa para preencher o vazio que as separava espírito e matéria, um traço de união que as aproximasse; esse traço de união está no conhecimento das leis que regem o mundo espiritual e suas relações com o mundo corporal.
Por isso Allan Kardec disse que O Espiritismo, caminhando com o progresso, não será jamais ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrarem que está em erro sobre um ponto, ele se modificará sobre esse ponto; se uma nova verdade se revelar, ele a aceitará.
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net