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sábado, 12 de janeiro de 2019

VIOLÊNCIA FAMILIAR, DROGAS E O CRISTO CONSOLADOR (*)


Luiz Carlos Formiga

Pessoas religiosas não são sempre neuróticas ou instáveis. Indivíduos com fé religiosa profunda, na realidade lidam melhor com os problemas da vida, recuperam-se mais rapidamente de depressão e apresentam menos ansiedade e outras emoções negativas, do que as pessoas menos religiosas.
A religiosidade e a espiritualidade vêm sendo claramente identificadas como fatores protetores ao consumo de drogas em diversos níveis.
Os dependentes de drogas apresentam melhores índices de recuperação quando seu tratamento é permeado por uma abordagem espiritual, de qualquer origem, quando comparados a dependentes que são tratados exclusivamente por meio médico. (1)
Para enfrentar problemas sociais no Distrito Federal, o governador I. Rocha anunciou nesta semana a criação da “Coordenação de Assuntos Religiosos”.
A pasta, sob o comando de um advogado, deverá atuar no combate à “violência familiar, às drogas e evasão escolar”. (2)
São inúmeros os artigos acadêmicos que demonstram o sinergismo entre as drogas, a violência intrafamiliar e a evasão escolar.
Devido ao forte papel de assistência social das religiões no Brasil, a exploração deste tema no contexto brasileiro pode ser de grande relevância para a saúde pública.
As entidades religiosas são importante recurso comunitário de apoio ao tratamento da dependência química.
 A mediocridade política produz desemprego, inflação e corrupção e já se disse que “a inteligência é pecado sem perdão, quando mediocridade tem poder de decisão“.
Embora a inteligência espiritual coletiva seja baixa, na nossa sociedade abduzida (3) e ainda vivamos numa cultura espiritualmente estúpida, a maioria das comunidades terapêuticas é ainda mantida por comunidades religiosas.
Por que não incentivá-las?
O Movimento de Amor ao Próximo luta com dificuldades no Rio de Janeiro. (4) Os cariocas ainda não descobriram “O Cristo Consolador” (*) - Casa de Abrigo e tratamento de dependentes químicos, situada na rua Helena Galiaco Prata, s/nº – Quadra 16 – Bairro Santa Cândida – Itaguaí – RJ – CEP: 23822-120. Anote o telefone (21) 3392-5700 – 3392-5600.
Faça uma visita http://www.map.org.br/
As drogas estão por toda parte e permeiam todas as classes sociais. Elas não têm preconceito nem com a classe média, aquela referida, por uma professora universitária, como reacionária, conservadora, ignorante, petulante, arrogante, terrorista, fascista, violenta e ignorante. (6) Esclareço ao leitor, que pertence a classe média, que tenho outra visão e que faço parte da vertente espiritualista da ciência.
Leia mais.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

A perseverança de Fernández Colavida na divulgação do espiritismo na Espanha (*)

A perseverança de Fernández Colavida na divulgação do espiritismo na Espanha  (*)
Simoni Privato Goidanich

A escassez de material de estudo e de divulgação do espiritismo era uma limitação importante na Espanha. Para amenizá-la, um dedicado espírita em Barcelona chamado José María Fernández Colavida decidiu importar uma grande quantidade de livros e jornais espíritas da França. Para isso, contou com a colaboração de Maurice Lachâtre, escritor e editor francês, que, naquela ocasião, também residia em Barcelona.
Lachâtre foi, pois, um intermediário na importação. Era Fernández Colavida o destinatário dessas obras, segundo os relatos de Amalia Domingo Soler, Miguel Vives y Vives, Bernardo Ramón Ferrer, bem como dos jornais espanhóis Luz y Unión e El Diluvio, analisados na pesquisa que realizamos e publicamos, em 2013, no livroDivulgación del Espiritismo: enseñanzas del ejemplo de José María Fernández Colavida.
A importação cumpriu com os requisitos legais. Contudo, por ordem do bispo de Barcelona, Antonio Palau y Térmens, as obras importadas foram queimadas, no dia 9 de outubro de 1861, por um sacerdote com o auxílio de funcionários da alfândega, na Cidadela de Barcelona – o mesmo lugar onde eram executados os criminosos. O episódio ficou conhecido como o Auto de Fé de Barcelona.
Muito mais que um fato histórico, o Auto de Fé de Barcelona é um símbolo dos ataques que o espiritismo, na pessoa dos trabalhadores espíritas, especialmente os que se dedicam à divulgação, podem sofrer.
Diante de uma prova de fogo, várias reações são possíveis.
Uma delas é o desânimo, que nem sempre necessita de uma fogueira para instalar-se.  Às vezes, basta um fogo de palha para consumir o entusiasmo no trabalho no bem.
Outra reação é a rebeldia, o contra-ataque, que desperdiça valiosos recursos que deveriam ser destinados ao trabalho edificante e envolve em trevas o trabalhador que teria como tarefa difundir a luz.
Também é possível o medo, que pode produzir a paralisação das tarefas, a fuga das responsabilidades e até a deserção com relação ao espiritismo.
No entanto, Fernández Colavida não teve essas reações.
Ele não se desanimou com o Auto de Fé de Barcelona, mas se sentiu estimulado. Tornou-se o primeiro tradutor para o espanhol das obras de Allan Kardec. Passou a publicá-las na Espanha e a divulgá-las naquele país e em muitos outros, sobretudo da América. Também fundou um jornal espírita de alcance internacional. Ficou conhecido como o "Kardec espanhol" por ser o maior líder e divulgador do espiritismo em língua castelhana.
Com relação aos agressores, a resposta de Fernández Colavida foi o perdão e a reconciliação. Nove meses após o Auto de Fé de Barcelona, o bispo Antonio Palau faleceu e, pouco depois, se manifestou em Espírito, arrependido, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e no centro espírita dirigido por Fernández Colavida. Desde então, o Espírito de Antonio Palau passou a trabalhar com o "Kardec espanhol" na divulgação do espiritismo. Também anunciou que a Cidadela, onde haviam sido queimadas as obras espíritas, seria transformada em um jardim, o que ocorreu poucos anos depois.
Fernández Colavida sabia que os ataques não devem ser temidos. A agressividade mediante a qual se manifestam, em lugar de ser uma demonstração de força, é, na verdade, uma confissão de debilidade, de impotência, diante do espiritismo e de todos aqueles que lhe são fiéis. Jamais poderão aniquilar nem o espiritismo nem os espíritas. De fato, o Auto de Fé de Barcelona, cuja finalidade era reprimir o espiritismo, teve uma repercussão tão intensa na população, nos meios de imprensa e até nas altas esferas do governo que serviu para divulgá-lo amplamente.
Em suma, o Auto de Fé de Barcelona e o exemplo do "Kardec espanhol" proporcionam ensinamentos muito úteis para enfrentar os desafios no trabalho espírita.

(Simoni Privato é diplomata e pesquisadora brasileira, residente em Montevidéu, no Uruguai.)

(*) Artigo publicado no jornal Correio Fraterno -  edição 484 - novembro/dezembro 2018

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

“Isso non ecziste”

“Isso non ecziste”
Luiz Carlos Formiga


Quarta-feira, 09 de janeiro de 2018 desencarnou aos 88 anos de idade Oscar Gonzáles Quevedo Bruzan, mais conhecido por Padre Quevedo.
Nem sempre Quevedo foi religioso. Quando criança e durante parte da adolescência, era um católico praticante. Ainda na juventude, tornou-se um espírita convicto para, entre os 26 e 27 anos de idade, tornar-se ateu, afastando-se de qualquer religiosidade. (1) Depois ressurgiu jesuíta.
Foi uma pena que ele não tenha visto a cirurgia, feita pelo espírito materializado, presenciada e autenticada por diversos médicos. (2, 3, 4,)
Talvez ele dissesse: “isso non ecziste”.  Agora Quevedo vai tomar conhecimento.
Qual a visão espírita da morte? A resposta depende da vertente da ciência em que se insere o pesquisador. Faça-o responder primeiro à pergunta: O que somos? Se ele responder que somos impulsos eletroquímicos num biocomputador que se originou por acaso, num universo de partículas, matérias mortas, e que se movimentam aleatoriamente, certamente a morte é o nada. Isto é apenas uma questão de fé. A ciência ainda não demonstrou que não existe vida depois da “morte”.
Com a vertente espiritualista da ciência podemos dizer que estamos diante de um novo estilo de vida. As evidências científicas estão apontando neste sentido e Jesus já havia dado aula prática sobre isso, anteriormente. (5)
Quem sabe ainda poderemos voltar a reencarnar na Terra?
Como iremos encontra-la, depois de, mais ou menos, 300 anos na erraticidade? Será que a fila da reencarnação é maior do que aquela enfrentada pelos desempregados no Brasil, ao buscar uma colocação?
Após a desencarnação o Espírito vai atualizar a consciência, com fatos das mais recentes experiências de vida na carne, numa fase chamada de “escolaridade”. Ele vai readquirir novas energias e reestudar novos procedimentos, quando finalmente, chegará à fase de “planejamento” de uma nova reencarnação, dentro dos limites das possibilidades, dos seus méritos e das Leis das probabilidades.
“Isso ecziste”, mas, a coisa parece ser demorada. Pode-se sintetizar: “Não o fatalismo, mas determinismo relativo”. Mais consciente, depois de um bom tempo, o espírito percebe que se a verdade liberta é a pacificação que o redime. (6) Pacificação é uma estrada muito longa a ser percorrida, quando somos reincidentes.

1.   “Isso non ecziste”
2.   A cura e a mudança necessária
3.   “A Face Oculta” no CREMERJ
4.  Foi Incrível
5.  Para Nossa Cura
6.  Seria eu, por acaso, um espírito. Revista O Consolador.

domingo, 6 de janeiro de 2019

Mitologia, Kardec e Maria - uma reflexão sobre natureza biológica de Jesus (Jorge Hessen)

Mitologia, Kardec e Maria - uma reflexão sobre natureza biológica de Jesus (Jorge Hessen)
Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com 
Brasília/DF

Os evangelhos de Lucas e Mateus descrevem que Maria manteve-se “virgem” e que Jesus hipoteticamente fora concebido pelo "Espírito Santo", ou seja, a concepção de Maria acontecera de forma "sobrenatural", sem a participação do esposo, conquanto já fosse recém-casada com José à época.
A crença na virgindade de Maria e a suposta “fecundação divina” nada mais é senão uma “fotocópia” rudimentar, diríamos, uma imitação burlesca, dos mitos pagãos organizados pelas castas sacerdotais ancestrais. A explicação desses pormenores históricos é indispensável ao espírita, para preservar-lhe contra as deturpações místicas impostas por longos anos pela tradicional instituição “unificadora” do Brasil. Até porque pesquisas e estudos sobre a fábula mitológica, bem como da História das Religiões, comprovam de maneira categórica a origem da alegoria do nascimento virginal.
Indubitavelmente o Evangelho sofreu a influência da mitologia grega. Por isso, devemos separar o mito helênico do que é ensinamento moral. A rigor, foi exatamente por isso que Allan Kardec, ao publicar “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, transcreveu tão somente o ensino moral de Jesus.
Historicamente, a “virgindade” de Maria embrenhou-se de tal forma no imaginário coletivo dos cristãos que se incorporou ao seu nome. É verdade! A “virgem Maria” transformou o filho Jesus em vulto mitológico, e nada melhor para exaltar o “homem-deus” do que situá-lo como filho de uma “virgem”. Por falar nisso, Allan Kardec fez oportuno ensaio comparativo a respeito das teorias do pecado original e da virgindade de Maria, situando a mãe de Jesus como virgem, não do ponto de vista biológico, mas sob o enfoque espiritual. [1]
Em conformidade com determinadas narrativas do Evangelho, Maria teria recebido a visita lendária de um “anjo” de nome Gabriel, o qual anunciou à jovem sua “fecundação” através da intervenção do "Espírito Santo". Ora, a Doutrina Espírita nos convida a desenvolver uma fé raciocinada, analisando sensatamente as narrativas do Evangelho. Ante os dilemas interpretativos dos conceitos literais escritos pelos apóstolos, o Codificador advertiu que a religião deve caminhar em consonância com a ciência, de modo que a primeira não ignore a última, e vice-versa.
Cá para nós, qual seria a desonra de Maria sobre a maternidade segundo as leis biológicas? Teria ela traído José e se “corrompido moralmente” conforme já ouvimos de alguns? O que pensar da oblata suprema de Jesus no Calvário se seu corpo fosse um sortilégio “quintessenciado”? Seria uma representação ridícula! Será que dá para conceber o Cristo (MODELO) imune de dor, em face do seu corpo ser energeticamente “sutilizado”, enquanto os primeiros cristãos mergulhados na carne seriam devorados pelas feras nas arenas romanas?
Não paira nenhuma dúvida de que Maria foi um Espírito muito elevado moralmente, razão pela qual recebeu a missão sublime de gestar o “MODELO e Guia” da humanidade. Porém, Jesus foi ridiculamente transformado numa figura mitológica e, sendo um “ídolo deificado”, não poderia ter nascido do “pecado original” das tradições adâmicas. O fato de Jesus ter sido concebido de forma “milagrosa” contradiz as vias naturais de reprodução humana, e para a Doutrina dos Espíritos esta é uma questão de elevadíssima importância, uma vez que a fecundação biológica é uma decorrência das Leis Naturais.
Em resumo, reafirmamos que a fecundação de Maria se deu por vias decididamente normais, através da respeitosa comunhão sexual com seu esposo, tal como ocorre entre todos os casais equilibrados da Terra. Em face disso, Kardec apresenta Jesus como o MODELO mais perfeito para a evolução humana; logo, o seu corpo deveria ter a mesma constituição biológica daqueles aos quais ele deveria servir de MODELO, e seu testemunho basear-se na subordinação às leis naturais.
Ah!, dizem que a ciência pode gerar um humano através da fertilização in vitro ou outros métodos não uterinos. Ora, ainda que o perispirito de Jesus seja o mais puro da Terra, Ele não derrogaria as leis de reprodução. Portanto, Jesus não poderia aparentar estar biologicamente encarnado, senão o período da manjedoura até a cruz teria sido um simulacro de um ilusionista amador ou uma caricata encenação teatral.
Sob o ponto de vista da lógica kardeciana, a humanização de Jesus torna os cristãos mais esperançosos na autotransformação moral, pois leva seus seguidores a serem mais disciplinados e conscienciosos. Do contrário, a “deificação de Jesus” faz do “MODELO e Guia” uma entidade inalcançável, e assim torna suas lições inexecutáveis, pois são atos próprios à vida de um “extraterrestre” ou do próprio “Deus” (para os místicos).
A concordância com o “Jesus mitológico” abre precedentes para outros entendimentos igualmente lendários a respeito da vida e do legado do Mestre de Nazaré, mas infelizmente, apesar de serem ideias extravagantes, acabam sendo admitidas como verdadeiras a partir da aceitação de premissas ingênuas.

Como analisamos, o Espiritismo alerta para uma visão da natureza biológica de Jesus, desmistifica a virgindade de Maria, mostrando sua grandeza maternal. A legítima literatura espírita juntamente com os ensinamentos recebidos dos espíritos superiores (durante a Codificação) garante que Deus jamais quebraria a harmonia das leis da natureza. Por que haveria Jesus de desrespeitar a lei de reprodução biológica?

Referência bibliográfica:

[1]           KARDEC, Allan. Revista Espírita, janeiro de 1862, Brasília: Ed. Edicel, 2002

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Quem tem medo de “fantasmas”? (Jorge Hessen)


Quem tem medo de “fantasmas”?  (Jorge Hessen)

Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com 
Brasília/DF

O temor de “fantasmas” é uma atitude ingênua causada pela ausência de conhecimento a respeito da natureza etérea dos “mortos”. Sobre as suas aparições são mais frequentes do que se pensa e muitos creem que a preferência dos Espíritos [“fantasmas”] é pelos ambientes escuros, mas isso é um mito e um engano. Ocorre, simplesmente, que a substância vaporosa dos períspiritos dos “fantasmas” é mais perceptível no escuro, tal como ocorre com as estrelas que só podem ser visualizadas à noite. A claridade do dia, por exemplo,  ofusca a essência sutil que constituem os corpos dos “mortos”. Isto porque os tecidos perispirituais são compostos de energia semelhante à luz , portanto, o perispírito dos “fantasmas” não é, digamos, fosco, ao contrário, é dotado de grande diafaneidade para ser perceptível  a olho nu, durante o dia.

O perispírito, no seu estado normal, é invisível; mas, como é formado de substância etérea, o Espírito, em certos casos, pode, vontade própria, fazê-lo passar por uma modificação molecular que o torna momentaneamente visível. É assim que se produzem as aparições, que não se dão, do mesmo modo que outros fenômenos, fora das leis da Natureza. Conforme o grau de condensação do fluido perispiritual, a aparição é às vezes vaga e vaporosa; de outra, mais nitidamente definida; em outras, enfim, com todas as aparências da matéria tangível. Pode mesmo chegar à tangibilidade real, ao ponto do observador se enganar com relação à natureza do ser que tem diante de si. [1]

A pesquisadora Elizabeth Tucker, da Universidade Estadual de Binghamton, em Nova York, apresenta diversos relatos de aparições [Espíritos] em campus universitário. Conta-se que os fantasmas revelam o lado sombrio da ética. Suas aparições são muitas vezes um lembrete de que a ética e a moral transcendem nossas vidas e que deslizes podem resultar em um pesado fardo espiritual. No entanto, as histórias de fantasmas também trazem esperança. Ao sugerir a existência de uma vida após a morte, elas oferecem uma chance de estar em contato com aqueles que já morreram e, portanto, uma oportunidade de redenção - uma forma de reparar erros do passado.[2]

A crença nos “fantasmas” é comum, pois baseia-se na percepção que temos na existência e sobrevivência dos Espíritos e na possibilidade de comunicar-se com eles. Deste modo, todo Ser espiritual que manifesta a sua presença sob várias circunstâncias é um Espírito que no senso comum é chamado de “fantasma”. Comumente, pelo conhecimento vulgar, são imaginados sob uma aparência fúnebre, vindo de preferência à noite, e sobretudo nas noites mais sombrias, em horas fatais, em lugares sinistros, cobertos de lençóis ou bizarramente cobertos. Todavia, os tais “fantasmas” assustadores , longe de serem atemorizantes, são, comumente, parentes ou amigos que se apresentam por simpatia, entretanto podem ser Espíritos infelizes que eventualmente são assistidos; “algumas vezes, são farsantes do mundo Espírita que se divertem às nossas custas e se riem do medo que causam; Mas supondo-se mesmo que seja um mau Espírito, que mal poderia ele fazer, e não se teria cem vezes mais a temer de um bandido vivo que de um bandido morto e tornado Espírito!”[3] 

Todos que vemos um “fantasma” podemos conversar com ele, e é o que se deve fazer nesse caso, podendo perguntar-lhe quem é, o que deseja e o que se pode fazer por ele. Se o Espírito for infeliz e sofredor, o testemunho de comiseração o aliviará. Se for um Espírito bondoso, pode acontecer que traga a intenção de dar bons conselhos. Tais  Espíritos [“fantasmas”] poderão responder, muitas vezes verbalizando mesmo, porém na maioria das vezes o fazem por transmissão de pensamentos.” [4]

Os “fantasmas” afáveis, quando surgem, têm intenções elevadas ou, no mínimo para confortarem pessoas queridas que padecem com a desencarnação de entes queridos e ou com a dúvida sobre a continuação da vida post-mortem; oferecerem sugestões ou, ainda, solicitarem auxílio para si mesmos, “o que pode ser feito através de orações e boas ações, no sentido de corrigir ou compensar as transgressões do morto. Mas os espíritos perversos também aparecem e estes, sim, têm o intuito de "assombrar" os encarnados movidos por sentimentos negativos.” [5]

Os “fantasmas” , aliás, estão por toda parte e não temos a necessidade de vê-los para saber que podem estar ao nosso lado. “O Espírito [“fantasma”]que queira causar perturbação pode fazê-lo, e até com mais penhor, sem ser visto. Ele não é perigoso por ser Espírito [“fantasma”], mas pela influência que pode exercer em nosso pensamento, desviando-nos do bem e impelindo-nos ao mal.” [6]

Em resumo, não é lógico assustar-nos mesmo diante da “assombração de um morto”.  Se raciocinarmos com calma compreenderemos que um “fantasma”, qualquer que seja, é menos perigoso do que certos espíritos encarnados que existem à sombra das leis humanas (marginais).


Referências bibliográficas:

[1]       KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns, II parte “das manifestações espíritas” capitulo VI “manifestações visuais”, RJ: Ed FEB 2000

[2]      Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-46515221   acessado em 25/12/2018.

[3]       KARDEC, Allan . Revista Espírita, julho de 1860, DF: Ed Edicel, 2002
[4]       KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns , II parte “das manifestações espíritas” capitulo VI “manifestações visuais”, RJ: Ed FEB 2000
[5]       KARDEC, Allan . Revista Espírita, julho de 1860, DF: Ed Edicel, 2002
[6]       KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns , II parte “das manifestações espíritas” capitulo VI “manifestações visuais”, RJ: Ed FEB 2000

domingo, 23 de dezembro de 2018

NATAL COMUNISTA, FILHOS E AMOR



 
Luiz  Carlos  Formiga 
Muitos estudaram os vínculos afetivos. Winnicott associou seus estudos a questões educacionais e tornou-se importante referência. “Somente se há uma mãe suficientemente boa é que a criança inicia um processo de desenvolvimento que seja pessoal e real. Se a maternagem não é suficientemente boa, então a criança torna-se uma coleção de reações à imposição, e a verdadeira identidade da criança falha em se formar ou se torna escondida atrás de uma falsa identidade..."
No estudo dos amores da vida adulta destaca-se Bauman em “O Amor Líquido”.
“A fragilidade dos vínculos amorosos na atualidade em todas as relações, desde as mais íntimas (na família, por exemplo). A indiferença na relação entre os cidadãos é a expressão radical da prevalência dos interesses pessoais sobre os coletivos. Relaciona essa fragilidade com o excesso de individualismo e aponta a solidão das pessoas como um de seus efeitos.”
O sociólogo moderno exemplifica com: “o uso do telefone celular em um grupo de pessoas (uma família) estando todos também conectados com outros universos/pessoas que podem estar em vários lugares do mundo. Nenhuma delas está verdadeiramente presente, escutando o outro naquele grupo presencial. Há uma copresença. Essa conectividade com o mundo é marcada pela rapidez e pela superficialidade”. (1)
Educador consciente sabe que o período infantil é o mais propício para a internalização de valores ético-morais. "Os pais têm por missão desenvolver os valores de seus filhos pela educação, tarefa pela qual se tornarão culpados, se vierem a falir no seu desempenho".
Nestes dias de “amor líquido” teremos que unir esforços para poder oferecer aos nossos amores a certeza de que “a vida continua”. (2) Como ensinar esta realidade a essas almas ainda no corpo infantil? Com jovens interessados o processo é mais fácil. Podemos nos socorrer da Ciência Espírita, aquela que traz de volta a mensagem de Deus.
No plano de ensino e nas estratégias podemos explorar as diversas evidências científicas sugestivas disponíveis, elas favorecerão o surgimento da religiosidade amadurecida, aquela que é capaz de encarar a razão face a face e possui grande poder transformador.
Nossos objetivos serão formulados tendo em conta a “inteligência espiritual”, além dos domínios cognitivo, afetivo e psicomotor. São esses os objetivos que quando alcançados nos transformam em pessoas dinâmicas e sem nos tornar fanáticos.
Nossas iniciativas farão a revolução do pensamento no autoconhecimento, levando em conta o invisível, o impalpável, o imponderável e o adimensional na busca da verdade. Com o jovem é mais fácil trabalhar, mas como ensinar espíritos reencarnados ainda no corpo infantil?
Lembro-me de uma conversa com uma pedagoga, que aprendemos a chamar carinhosamente de “Tia Vilma”. (3)
“Com a criança, no ensino da imortalidade da alma, somente teremos bons resultados se lhe demonstrarmos como se vive, quando sabemos que somos imortal.” Falava da Pedagogia de Jesus.
Como será o Natal num país comunista?
Certamente isso já é um sério desafio.
A Academia Chinesa de Ciências Sociais teme o avanço da cristianização. Faixas de “Feliz Natal!” são abertamente expostas nas ruas comerciais da China comunista. Alguns acham que tudo é uma abordagem puramente comercial; outros que é o apelo cultural da modernidade, associada com o Ocidente.
Entre as entidades intelectuais mais próximas do poder central, este fascínio pelo Natal é observado com cautela, quando não com hostilidade. O fenômeno é visto como “contrário ao espírito de patriotismo”.
Em 2014, a Academia chegou a publicar um livro para detalhar os “mais sérios desafios” que estão surgindo no país e citou explicitamente quatro: os ideais democráticos exportados pelas nações ocidentais; a hegemonia cultural ocidental; a disseminação da informação através da internet e a infiltração religiosa.
Pouco depois, dez estudantes de doutorado chineses publicaram um artigo em que analisam o fenômeno denunciado como “frenesi do Natal” e apelam ao povo chinês para rejeitá-lo.
A hostilidade é justificada porque nos jardins de infância e nas escolas primárias e secundárias, os professores compartilham com as crianças a festa da Sagrada Natividade, montam árvores do nascimento de Jesus e  distribuem presentes pelo seu nascimento. Assim, imperceptivelmente, semeiam na alma das crianças uma cultura importada e uma religião estrangeira.
Por mais que o governo tente sufocar o cristianismo no país o fato é que os encontros com Cristo continuam cada vez mais frequentes, definitivos e imparáveis na China.
Aguardemos a regeneração. Nada como um dia atrás do outro.
Como será quando os chineses descobrirem que Jesus voltou para dar aula prática para Tomé? (5)

1.   Bock, A. Psicologias. Uma Introdução ao Estudo da Psicologia. São Paulo. Saraiva, 2008.



quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

A doença não pode ser instrumento de punição (Jorge Hessen)

A doença não pode ser instrumento de punição   (Jorge Hessen)

Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com 
Brasília/DF

Os órgãos do corpo físico respondem a todos os estímulos (internos ou externos), determinando um encadeamento de reações, além dos estímulos físicos que impactam, através dos sentidos, as emoções ou sentimentos que também provocam reações. Estas excitam ou bloqueiam os mecanismos de funcionamento. Em verdade, o processo de preservação e deterioração de qualquer órgão tem uma relação direta com as emoções e os sentimentos.
A cólera, a raiva, o temor, a ansiedade, a depressão, o desgosto, a aflição, assim como todas as emoções derivadas delas, sobrecarregam a economia saudável do corpo. Há outros fatores emocionais que podem influenciar patologias físicas, como relacionamentos afetivos infelizes, penúria econômica, desigualdade de renda e estresse relacionado ao trabalho profissional. Quando estamos tristes e depressivos por uma desilusão amorosa, ou quando estamos ansiosos e irritados por causa de dívidas, também desenvolvemos enfermidades.
Mens sana in corpore sano ("uma mente sã num corpo são") é uma célebre frase latina, proveniente da Sátira X do poeta romano Juvenal. Nós somos o que sentimos. René Descartes já dizia que somos aquilo que pensamos. Quando as nossas emoções são reprimidas, elas acabam se constituindo na fonte de um conflito emocional crônico, segundo Sigmund Freud, que gerará distúrbios físicos ou psicológicos, se não forem aliviadas, mediante os canais fisiológicos competentes.
O estresse é como um conjunto de reações fisiológicas produzidas pelo nosso organismo para reagir e se adaptar às situações apresentadas no dia a dia. O problema é que tais reações, psíquicas e orgânicas, podem provocar um desequilíbrio no nosso organismo caso ocorram de forma exagerada ou intensa, dependendo também do tempo de duração. Quanto mais durar o estresse, obviamente a ruína será maior.
Adquirimos doenças porque não conseguimos conviver em harmonia com o meio e com as pessoas ao nosso redor. Enfermamos porque mantemos antipatias, inimizades, desgostos, culpas, arrependimentos, ressentimentos, temores e frustrações que não queremos superar. Por desconhecermos as nossas próprias emoções, muitas vezes desejamos ocultá-las dos outros, e de nós mesmos, mormente os pensamentos e os sentimentos egoísticos.
Cada doença, cada dor, cada sofrimento, cada frustração, cada sintoma traz uma mensagem única e exclusiva para nós e apenas para nós. Quando estivermos prontos para abrigá-los e compreendermos o que elas querem nos dizer, estaremos aptos a andar firmes pelo caminho do nosso aperfeiçoamento espiritual que decisivamente passa pelas vias da nossa saúde moral.
Naturalmente, as nossas doenças são advertências da vida para que venhamos a ter mais consciência de nós mesmos e dos nossos compromissos na família, na natureza e na sociedade, governando-nos pela vida caridosa, solidária e amorosa.
Precisamos ter consciência de que doença e saúde são consequências das nossas livres escolhas através das emoções ou sentimentos, e tal responsabilidade não pode ser terceirizada. Além do quê, a doença não pode ser instrumento de punição. Na verdade, deve ser um expediente de aprendizado, na sábia pedagogia divina, convidando-nos ao exercício do amor