.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

MÉDIUNS VIDENTES

Leonardo Paixão (*)


Quanto aos médiuns videntes, propriamente ditos, ainda são mais raros e há muito que desconfiar dos que se inculcam possuidores dessa faculdade. É prudente não se lhes dar crédito, senão diante de provas positivas” – Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, 2ª Parte, capítulo XIV, item 171.


Allan Kardec, o bom-senso encarnado, no dizer de Camille Flammarion, nos deixa bem claro que a mediunidade da vidência, isto é, a que possibilita ver os Espíritos, é a de que mais se deve desconfiar.

O médium vidente é aquele que não diz apenas que há um Espírito ao nosso lado, é o que nos dará as características do Espírito: cor dos cabelos, altura, vestimenta, sexo, podendo até perceber a personalidade do Espírito, se sério, de bom humor, etc. Infelizmente há médiuns ou supostos médiuns que a todo o momento estão (ou dizem estar) a ver Espíritos, luzes, nuvens escuras, etc., esquecidos de que o Codificador em O Livro dos Médiuns alerta para o fato de que a faculdade de ver os Espíritos é intermitente e que, muito raro é quem a tenha em caráter permanente, assim sendo, o que dirá se se é médium vidente é a frequência com que se vê os Espíritos, por exemplo, a médium Yvonne do Amaral Pereira relata que em trabalhos mediúnicos na Casa Espírita ela, em geral, via os Espíritos, mas que, fora destes trabalhos esta percepção não lhe era acionada, a não ser em raríssimos casos.

Se a mediunidade vidente é a que mais se presta à desconfiança, o médium vidente deve ser o primeiro a desconfiar de suas visões e, para tanto, deverá o médium estar sempre, diariamente, a estudar a Codificação e o Evangelho, buscando ainda, em pessoas sérias e experientes na Doutrina aconselhamentos e orientações. A frequência ás reuniões de estudos doutrinários em Grupo é de fundamental importância, pois, as reuniões de estudo trazem discernimento, um dos dons espirituais de que fala Paulo, o Apóstolo em I Coríntios, 12:10.

Em nossa pequena experiência no Espiritismo e com médiuns, percebemos o quão raro é encontrarmos médiuns ostensivos, especialmente médiuns videntes, mas, como falamos acima, é muito comum encontrarmos os que desejando se promover dizem ver quando nada veem, são os que não compreendendo a Doutrina, deixam passar o tempo e nada produzem, quando a Seara é imensa e os trabalhadores são tão poucos. Há diversos setores em que se pode trabalhar: evangelização, passes, oratória, assistência aos necessitados, enfim, Espiritismo não é só trabalho mediúnico.

Fixar o pensamento em uma faculdade que não se possui ou se possui, mas não em um grau satisfatório, é estar a um passo da fascinação, promovendo tristes quadros de mistificação. Por outro lado, há médiuns positivos que com o passar do tempo, devido a não se disciplinarem, passam a ter visões que não retratam a realidade e, quando isto se diz a eles, fingem aceitar para logo depois darem justificativas e tentarem reverter o quadro, no desejo profundo de serem aceitos, o que revela a falta de humildade e também de sinceridade consigo mesmos.

Conhecemos médiuns videntes que, ao verem que seus interesses próprios não estavam a ser atendidos neste ou naquele Grupo de trabalhos mediúnicos, começaram a explanar para os membros do Grupo que já não viam mais tal ou qual Espírito; que médium tal não deveria ser acreditado, quando à vista dos observadores (incluindo nós), o respectivo médium é idôneo e responsável em seu trabalho; que não veem os Espíritos necessitados na Casa, como se o fato de ver ou não ver fosse o que determina se o Grupo é sério ou não. Tais relatos devem ser recebidos pela direção dos trabalhos com extrema prudência, pois a confiança irrestrita em médiuns videntes é postura contrária ao que nos adverte o Codificador, levando médiuns e dirigentes à derrocada.

Dediquemo-nos aos estudos, pratiquemos todo o bem que nos for possível realizar, oremos pelos que nos pedem preces, visitemos os enfermos e, na medida em que isto fizermos, a nossa intuição frutificará em aljôfares de paz. Eis o caminho para nos elevarmos à mediunidade gloriosa.

(*) - Leonardo Paixão é trabalhador espírita em Campos dos Goytacazes, RJ, colaborando no Grupo Espírita Semeadores da Paz.

1 Comentários:

  • De fato é frequente a quantidade de pessoas que se dizem médiuns videntes. Essa faculdade é rarissima. A vontade é de muitos é grande, mas a aptidāo é rara. Ademais, alem de saber se o suposto médium realmente é vidente, deve ser filtrada a qualidade da entidade que se manifesta.

    Por Blogger Cláudio Rocha, às 23 de fevereiro de 2016 15:31  

Postar um comentário

<< Home