.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL (QS*) PARA A CURA SUSTENTADA

Luz Carlos Formiga
       
A narrativa sobre Jesus e a cura de 10 leprosos dá motivos para reflexões. Essas podem ser ampliadas agora, que estamos de posse dos postulados da Doutrina dos Espíritos, como Deus, Jesus, Imortalidade, Reencarnação, Lei de Ação e Reação, Causa e Efeito. Podemos pensar e obter melhores respostas para “de onde viemos e qual a nossa destinação”, sobre condutas assumidas após a cura e, ainda, sobre suas consequências espirituais.
O próprio título - A Cura dos 10 Leprosos - pode sugerir outras e novas leituras com a evolução biomédica. Hoje, estamos diante dos quimioterápicos, antibióticos e a terminologia médica pode até ser discutida e alterada.
Agora, a Lepra é vista como um fenômeno psicossocial. Por isso, este termo foi substituído, nos documentos oficiais, por Hanseníase, que é enfermidade melhor definida como uma doença infecciosa relativamente benigna, "pouco contagiosa" e não letal. A mudança foi introduzida para evitar prejuízos pedagógicos, com enfoque na Educação para a Saúde. Mesmo assim, a falta de conhecimento popular sobre a hanseníase faz com que a população, e até alguns profissionais de saúde, trabalhem com arquétipos ultrapassados ligados à lepra. O problema é que nesse terreno, o preconceito começa na linguagem. Da linguagem se transfere para a atitude, originando níveis de afastamento, gerando o ato de evitar, pela discriminação, quando finalmente acontece a segregação/exclusão. (1,2,3,4)
Com as pesquisas de Kardec, podemos questionar o destino daqueles 10 espíritos hospedados em corpos físicos. Temos certeza que colhemos conforme a plantação que tenhamos lançado à vida, sem qualquer privilégio na Justiça Divina e sabemos que “o Espiritismo nos solicita uma espécie permanente de caridade – a caridade de sua própria divulgação”. O que dizer do testemunho?
Assim podemos perguntar e refletir sobre as condutas posteriores daqueles diversos doentes curados pelo Nazareno. Leproso era qualquer doente que se apresentava com grave alteração corporal estética, facilmente visível, e, não apenas os que eram hansenianos. Como foram seus comportamentos posteriores, após a cura da “Lepra” por Jesus?
Que plantações teriam lançado à vida, depois de distantes da enfermidade cruel? Permitiram o retorno dos velhos vícios? Recuperaram a ganância pelo ouro? Perverteram a autoridade? Furtaram a segurança e a felicidade de outros? Atravessaram as cinzas da morte em desequilíbrio mental? Trocaram o templo do lar, pelas aventuras da deserção?  Voltaram ao patamar em que estavam antes de se tornarem “leprosos”? Como fazer para permanecer curado após o chamado  “milagre”?
Alguns procuram o Espiritismo, ou médiuns não espíritas com o dom de curar (5). Anseiam apenas pela cura de seus corpos perecíveis e sofridos, mas não param para refletir sobre o que a doença está querendo revelar ou dizer. Alguns, não fazem reflexão, nem antes nem depois. Seus comportamentos posteriores acabam revelando a inexistência da cura espiritual, embora haja a dos corpos. Alguns podem ser até ingratos, quando se negam a “mostrar-se aos sacerdotes, fariseus”. Falta-lhes ingerir a última e fundamental dose do medicamento, o testemunho, daí a recidiva mesmo em outra vida (6). O médico recomenda tomar o antibiótico por 10 dias, mas eles só o usam por uma semana.
No entanto, para a cura sustentada é necessário adquirir coragem para enfrentar não só os preconceitos que levam a expulsão. Isto é, não devemos tomar o medicamento, o  antibiótico, apenas durante a semana em que estamos passando pelo afastamento e a discriminação, quando ainda faltam vencer os “micróbios mais resistentes”, que são os da segregação/expulsão.
No livro onde Allan Kardec discute os milagres e as predições segundo o Espiritismo, no capítulo XV - Os milagres do Evangelho,  podemos encontrar o caso do cego de nascença,. Luiz Antonio Millecco dizia que no caso da cegueira o preconceito também começa na linguagem, onde é voltada para a visão, pois "faca cega" é a que não corta.
Após a cura, e oferecendo o seu testemunho, um homem simples, que recobrara a visão com auxílio de Jesus, não se intimidou diante das pressões sofridas.
Vejamos: “ao passar, viu um homem que era cego desde que nascera.  Jesus então cuspiu no chão e, havendo feito lama com a sua saliva, ungiu com essa lama os olhos do cego — e lhe disse: Vai lavar-te na piscina de Siloé. Ele foi, lavou-se e voltou vendo claro. Seus vizinhos perguntaram-lhe então: Como se te abriram os olhos? — Ele respondeu: Aquele homem que se chama Jesus fez um pouco de lama e passou nos meus olhos, dizendo: Vai à piscina de Siloé e lava-te. Fui, lavei-me e vejo. — Disseram-lhe: Onde está ele? Respondeu o homem: Não sei.
Os vizinhos levaram o homem que estivera cego aos fariseus. — Ora, fora num dia de sábado que Jesus fizera aquela lama e lhe abrira os olhos. Também os fariseus o interrogaram para saber como recobrara a vista. Ele lhes disse: Ele me pôs lama nos olhos, eu me lavei e vejo. — Ao que alguns fariseus retrucaram: Esse homem não é enviado de Deus, pois que não guarda o sábado. Outros, porém, diziam: Como poderia um homem mau fazer prodígios tais? Havia, a propósito, dissensão entre eles. Disseram de novo ao que fora cego: E tu, que dizes desse homem que te abriu os olhos? Ele respondeu: Digo que é um profeta.
Os fariseus chamaram, pela segunda vez, o homem que estivera cego e lhe disseram: Glorifica a Deus; sabemos que esse homem é um pecador. Ele lhes respondeu: Se é um pecador, não sei, tudo o que sei é que estava cego e agora vejo. — Tornaram a perguntar-lhe: Que te fez ele e como te abriu os olhos? — Respondeu o homem: Já vo-lo disse e bem o ouvistes; por que quereis ouvi-lo pela segunda vez? Será que queirais tornar-vos seus discípulos? — Ao que eles o carregaram de injúrias e lhe disseram: Sê tu seu discípulo; quanto a nós, somos discípulos de Moisés. — Sabemos que Deus falou a Moisés, ao passo que este, não sabemos donde saiu.
O homem lhes respondeu: É de espantar que não saibais donde ele é e que ele me tenha aberto os olhos. — Ora, sabemos que Deus não elogia os pecadores; mas, àquele que o honre e faça a sua vontade, a esse Deus engrandece. Desde que o mundo existe jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. Se esse homem não fosse um enviado de Deus, nada poderia fazer de tudo o que tem feito.
Disseram-lhe os fariseus: Tu és todo pecado, desde o ventre de tua mãe, e queres ensinar-nos a nós? E o expulsaram. (7)
Dissemos anteriormente que alguns são até ingratos, quando se negam a “mostrar-se aos sacerdotes”(6)
Emmanuel diz que em muitas situações de inexistência de mudança de comportamento, de esforços para domar inclinações menos éticas, na existência de ingratidão, “a única terapêutica é a volta aos berços de sombra em que, através da reencarnação redentora, ressurgem no vaso físico — cela preciosa de tratamento —, na condição de crianças-problemas em dolorosas perturbações.
O mentor de Chico Xavier recomenda então que se recebemos no lar anjos tristes, no eclipse da razão, devemos praticar o aconchego, com paciência e ternura, porquanto são, quase sempre, laços enfermos de nosso próprio passado, inteligências que decerto auxiliamos irrefletidamente a se perderem e que, hoje, retornam à concha de nossos braços, esmolando entendimento e carinho, para que se refaçam para a bênção da liberdade e para a glória da luz.”(8).
Voltemos à “Lepra”. O que teria acontecido posteriormente com os 10 leprosos? Qual terá sido a trajetória do único que voltou para agradecer?
Sobre eles, como o episódio foi narrado por Lucas  (17:12-19) ?
11 A caminho de Jerusalém, Jesus passou pela divisa entre Samaria e Galileia.
12 Ao entrar num povoado, dez leprosos dirigiram-se a ele. Ficaram a certa distância
13 e gritaram em alta voz: "Jesus, Mestre, tem piedade de nós!"
14 Ao vê-los, ele disse: "Vão mostrar-se aos sacerdotes". Enquanto eles iam, foram purificados.
15 Um deles, quando viu que estava curado, voltou, louvando a Deus em alta voz.
16 Prostrou-se aos pés de Jesus e lhe agradeceu. Este era samaritano.
17 Jesus perguntou: "Não foram purificados todos os dez? Onde estão os outros nove?
18 Não se achou nenhum que voltasse e desse louvor a Deus, a não ser este estrangeiro?"
19 Então ele lhe disse: "Levante-se e vá; a sua fé o salvou".
Por economia de espaço-tempo destacamos: um dos doentes voltou para agradecer, exatamente um samaritano, que a fé salvou. O que significam esses três pontos?
O Mestre, no “Plano de Ensino” usou parábolas como “estratégia” e assim “lecionou” com propriedade.
Com o 1º Fórum Nacional de Paranormalidade e Mediunidade, realizado em Florianópolis, outubro de 2011, chegamos à conclusão que o autoconhecimento, o esforço pessoal permanente e a mudança comportamental são pressupostos básicos para que o indivíduo possa  alcançar a cura e, certamente, são também fundamentais para nela permaneçer.
“A Ciência propriamente dita tem por objeto o estudo das leis do princípio material, o objeto especial do Espiritismo é o conhecimento das leis do princípio espiritual”. Podemos fazer analogias.
O dom de educar é dom de curar. Educadores são médicos da alma ainda pouco valorizados na sociedade atual. A Educação Espiritual é tratamento, mas principalmente vacinação. (5) Como na de aplicação intramuscular, pode produzir na “musculatura mental” a sensação de dor, durante a fase de conscientização; no momento do testemunho; durante o exercício de divulgação ao próximo (6). Depois do grande estímulo antigênico vacinal, colheremos a resposta mental/imunológica, traduzida em saúde sustentada e paz interior, ainda nessa e em outras encarnações. Por isso o espírito asseverou que “evangelização é desafio de urgência”. Outro pediu: “Evangelize coopere com Jesus.”

Referências
 (1)  O Espiritismo não veio para curar corpos materiais
(2 )Mancha anestésica social
( 3) O estigma da lepra.
(4)  O Poder das Palavras.
(5)  O Dom de Curar
(6) Proselitismo e Divulgação. Onde a Fronteira
 (7) As Ciências Biomédicas, os Doutores, o Espiritismo e os Cegos de Nascença.
(8 )Religião dos Espíritos, Questão nº 373 Emmanuel & FCXavier, FEB

Palestra relacionada com o texto

Leitura opcional
(QS*)  Inteligência Espiritual e Chico Xavier
Para a nossa cura
Preconceito, Exclusão

1 Comentários:

  • Realmente o caminho é a Evangelização e fui buscar no dicionário Aulete e encontrei a seguinte definição:
    1 Rel. Ação ou resultado de evangelizar, de pregar o Evangelho.
    2 Fig. Ensino ou divulgação de uma doutrina, de um sistema etc.: a evangelização das ideias modernas.
    Então o caminho é o ensino ou divulgação dos postulados da Doutrina Espírita para todas as idades e também desencarnados (dialogo na reunião mediúnica) e como fazemos isso?
    Estudando a codificação de forma compartilhada com amor e dedicação sem preconceito.
    Eu acredito ser o remédio para todos os males atuais: depressão, corrupção, violência, cura das doenças do corpo e da alma.
    Assisti a palestra no link e recomendo: http://www.youtube.com/watch?v=qyzWrgNS1lM&feature=plcp&context=C3a75f8fUDOEgsToPDskLQ8je78n7ZNEYZQAvdmCTZ
    Vamos em frente.
    Marcos

    Por Blogger Marcao, às 7 de setembro de 2013 03:23  

Postar um comentário

<< Home