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sábado, 8 de fevereiro de 2014

Sexo, Divino Instinto, Amor e Solidão

Luiz Carlos Formiga

Viver é resistir. A vida vai nos oferecer solidão. Faz parte. Até achamos que ela é traiçoeira, como as águas do mar. Na viuvez surgem horas difíceis. Contam que toda tristeza que tem na Bahia, nasceu de uns olhos morenos, molhados de mar. Não sei se é conto de areia ou é fantasia.  Um dia, Morena abriu seu sorriso de moça e pediu pra dançar. A noite emprestou as estrelas, bordadas de prata, e as águas da praia eram gotas de luar. Observando, os dois, se podia perceber um peito só, cheio de promessa. Mas o destino trouxe a solidão, prova ou expiação.
Quem foi que mandou o seu amor se fazer de canoeiro? O vento que rola das palmas, arrasta o veleiro e leva pro meio das águas de Iemanjá. O mestre valente vagueia, olhando pra areia sem poder chegar. Adeus, meu amor, não me espera, porque eu já vou embora.  Desfia colares de conchas pra vida passar E deixa de olhar pros veleiros. Adeus meu amor, eu não vou mais voltar.(1)
Pensando diferente, alguns apostam que as relações monogâmicas estão com seus dias contados. Um artigo traz questões: “As relações monogâmicas estão superadas como único modelo de sucesso para o relacionamento amoroso?  O amor romântico, aquele que prega exclusividade do outro, ainda está em crédito? O amor livre e os relacionamentos múltiplos serão a tônica dos relacionamentos no futuro?”
Especialistas falam do tema “amor livre”: “essa não é uma tendência afetiva para onde caminham os relacionamentos. Isso se chamava casamento aberto, agora mudou de nome. É uma tendência, mas uma tendência minoritária" (Flávio Gikovate).  Já para Regina Navarro Lins a relação ideal é aquela em que cada pessoa pode escolher a sua forma de viver. No entanto, ela acredita que, dentro de algumas décadas, menos pessoas vão querer se fechar numa relação a dois e cada vez mais elas vão optar por ter relações múltiplas.  Para Renata Yamasak, “as relações monogâmicas não estão superadas porque, no âmago da existência do ser humano, encontra-se o desejo de intimidade e de ser amado" (2). Outros especialistas apontam no mesmo sentido (3)
Programados geneticamente, sempre estamos pensando na reprodução da espécie. Este instinto possui a mesma intensidade, tanto no homem quanto na mulher. Nas primeiras encarnações até deveria ser usado precocemente, antes que fossemos devorados, por algum predador. Talvez por isso digam que a carne é fraca, quando ainda somos espíritos imaturos. Agora mais evoluídos, ainda não sabemos distinguir amor e paixão. A realidade é que o domínio da cognição não consegue oferecer boas orientações, quando colocado diante das coisas do coração.
O divino instinto pode ser disciplinado. O indivíduo quando convivendo com inseguranças e sentimentos de rejeição, busca o sexo como forma de auto-afirmação e alívio de incertezas ou carências. Troca sexo por companhia, tentando diminuir o vazio da solidão. No entanto, possuindo responsabilidade já não são mais governados pelo sexo,  como as pessoas fisiologicamente adultas, mas emocionalmente infantis. (4, 5)
Diz Joanna de Angelis que “inseguranças e medos, muito comuns na adolescência, procedem das atividades mal vividas nas jornadas anteriores, que imprimiram matrizes emocionais ou limitações orgânicas, deficiências ou exaltação da libido, preferências perturbadoras que exigem correta orientação, assim como terapia especializada.”
A cantora Mariene de Castro faz interpretação desta triste solidão: “Agora estou num cais, onde há uma eterna calmaria. E, não aguento mais viver em paz, sem companhia”(6)
Pode este divino instinto levar ao crime? Estupro é constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso.(7) E quando o estuprador possui irmão gêmeo? O DNA distinguirá o autor do crime? A Justiça pode indiciar os gêmeos?(8)
Com apoio de David Luiz, Ramires e Oscar, brasileiros que atuam no futebol inglês e na Seleção Brasileira, entidades de proteção aos direitos das crianças lançaram uma campanha no Reino Unido para combater a prostituição infantil durante a Copa do Mundo no Brasil. O objetivo é alertar turistas britânicos sobre o risco de pagar inadvertidamente por sexo com menores de 17 anos, o que é considerado crime segundo as leis brasileiras.
No ano passado, o Comando de Exploração das Crianças e de Proteção Online (CEOP) da Agência Nacional de Crimes do Reino Unido já havia alertado, em seu relatório anual, que o fluxo elevado de turistas durante a Copa poderia aumentar o mercado de prostituição infantil no Brasil. Em 2011, 10.425 crianças e adolescentes foram vítimas de violência sexual no Brasil, 83% eram mulheres. Estimativas do Mapa da Violência revelam que a violência sexual é o segundo tipo de agressão mais encontrado contra crianças entre 10 e 14 anos no Brasil.(9)
A prevenção da exploração sexual é preocupação do Ministério do Turismo. Surge assim uma publicação para orientar professores, gestores públicos, líderes comunitários, ONGS e demais entidades no combate à violência e à exploração sexual.(10)
Uma campanha contra exploração sexual de crianças e adolescentes será lançada no dia 9 de dezembro nas cidades que sediarão jogos da Copa do Mundo de Futebol de 2014. Esse foi um dos temas da primeira das 13 oficinas da segunda fase do Projeto de Prevenção à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes no Turismo, voltado às 12 cidades-sedes da competição.
“A idéia é fazer com que todo trabalhador do segmento - hotéis, bares, restaurantes, asseio e conservação e até cabeleireiros estejam imbuídos desse propósito de combater e tentar erradicar a exploração sexual, principalmente juvenil, mostrando que isso não é turismo, e sim, um crime.”(11)
A Lei da Castração é considerada cruel, desumana ou degradante. É assim que alguns se referem a do projeto de lei  em tramitação no Senado (552/2007). Nele se prevê acréscimo ao Código Penal, art. 216-B, redação: “Nas hipóteses em que o autor dos crimes tipificados nos arts. 213, 214, 218 e 224 for considerado pedófilo, conforme o Código Internacional de Doenças, fica cominada a pena de castração química”.(12)

Referências: 

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