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terça-feira, 11 de abril de 2017

UNIVERSITÁRIOS E ÉTICA

Luiz Carlos Formiga




       Estudantes de medicina postam foto com gesto obsceno, “pintos nervosos”. O Conselho Regional de Medicina confirmou a veracidade da postagem.
Estivemos na AME-Carioca falando resumidamente sobre a questão ética. Os slides foram disponibilizados.
Procuramos deixar contribuição, embora saibamos que é investimento que deve ser feito no período infantil. A responsabilidade é paterna. O exemplo arrasta. A cobrança será posterior no tribunal da consciência.
A vergonha paterna pode chegar antes da formatura. Sofrem no trote, onde já tivemos homicídio, não sei se culposo.
Fui feliz como calouro, Na década de 1960, o trote era integração.
Quando cheguei, os veteranos me avisaram: “o trote é doação de sangue, como você não tem peso nem altura não vai doar”. Fiquei muito feliz, pois assim escapava da sangria e eventualmente do desmaio humilhante.
O alívio durou pouco. Atlético veterano com voz de “Zé Grosso” falou-me: “quem não doa vai tirar”. Foi aula prática de punção venosa, no diretório acadêmico. Fui apresentado à “bailarina”.
 Uma de minhas filhas não teve a mesma sorte. Fui encontrá-la em um sinal de trânsito, com as roupas trocadas, pelo avesso, pedindo esmola, para os veteranos gastarem no bar.
Nossos valores estão em baixa. O mal é audacioso e os homens de bem continuam muito tímidos. No entanto, posteriormente, alunos entregaram o que arrecadaram em mantimentos à instituição que indiquei - Lar Anália Franco.
 Precisamos agir contra o trote violento, puro sadismo, apenas para humilhar, sem a finalidade integradora e pedagógica.
Uma estatística me impressiona. Espero que a doutora esteja errada. Em “Mentes Perigosas”, a psiquiatra Ana Beatriz B. Silva alerta que os psicopatas podem permanecer uma vida inteira sem serem descobertos. São 4% da população, 3% são homens.  Façam as contas e ficarão assustados. Seus atos criminosos provêm de um raciocínio frio e calculista combinado com a incapacidade de perceber pessoas como seres humanos.
Calouros humilhados e apavorados podem oferecer reações inesperadas e consequências graves precisam ser evitadas. Essas coisas acontecem quando o “meio de cultura” oferece condições ótimas de crescimento do micróbio veterano, patogênico por excelência.
Um aluno veterano nos confidenciou: “o dinheiro arrecadado na temporada de caça ao calouro é gasto em álcool e maconha”. A maconha na Revista de Neurociência foi  relacionada com a esquizofrenia.
Sobre a foto infame com as calças abaixadas escreveu uma internauta: “nós mulheres queremos passar longe!”.

Na universidade, o salto de qualidade será da informação para a formação de uma nova consciência profissional com sua especificidade humana. Uma mente perigosa não consegue dar esse salto. Precisamos identificá-la para as devidas providências. Prevenir é melhor. Há ocasiões que não se pode mais remediar.

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