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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

ESPIRITISMO: DOUTRINA DOS ESPÍRITOS SUPERIORES


“O artigo abaixo trata-se do exercício natural do sagrado direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. Não me compete censurar opiniões, ainda mesmo que não as defenda pessoalmente na íntegra.  Assim, deixamos aos leitores de O Rebate o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere a seguir, pois o mesmo direito que tem o articulista de argumentar , temos todos o mesmo direito , de aceitar, ou não, os seus argumentos.”  Jorge Hessen





Fernando Rosemberg Patrocínio
f.rosemberg.p@gmail.com

Nada é tão sério, tão brilhante e de tamanha grandeza quanto o é o Espiritismo kardequiano. Em sua superioridade doutrinária, assente em bases consolidadas pelos maiores sábios do mundo, é óbvio que o Espiritismo transcende os padrões éticos, filosóficos e religiosos contemporâneos e, por isto, em sua altíssima concepção, Ele tem de aguardar o progresso das massas, que detêm ainda características mentais simplistas ou pré-lógicas em termos de conhecimentos superiores e, portanto, da mais autêntica moralidade cristã.
Assim sendo, se existe alguma forma de marasmo no mundo, há que se dizer que o mesmo se verifica no tocante às massas humanas que vagarosamente caminham, quase que sem um rumo norteador de suas ações.
Mas, antes de qualquer coisa, é preciso compreender que tudo quanto vivenciamos faz parte do nosso aprendizado, nosso crescimento e aprimoramento espiritual. Sob tal prisma, portanto, e, relativamente ao Espiritismo, pode-se dizer que tudo está sob as mãos do Altíssimo. Não se pode e não se deve exigir das pessoas, ou mesmo dos espiritistas, mais do que eles podem dar e compreender em termos de uma Doutrina tão abrangente e tão complexa com a preconizada pelos nossos maiores da Espiritualidade, e que acaba por entrosar-se com áreas culturais tão complexas como a nossa mesma. Em nossos estudos, tenho procurado fazer alguma coisa, tenho tentado mostrar a poderosa correlação de Kardec com os novos tempos e, dos novos tempos com Kardec, por meio do desenvolvimento doutrinário já estabelecido pelos mais sábios estudiosos encarnados e desencarnados.
Mas vejo confrades de longa data confundindo trabalhos sérios com outros nitidamente desqualificados e tudo o mais; e, como eles não possuem razoável compreensão dos primeiros, tendem à aceitação de tudo, e, principalmente, dos segundos, que lhes parece de mais fácil digestão intelectual.
Com isso, vejo que lhes falta aprofundamentos não só no Espiritismo codificado e de sérios trabalhos subseqüentes, mas também, e com maior ênfase, nos ligados às áreas acadêmicas contemporâneas.
Ora, J. H. Pires desenvolvera brilhantes estudos de Antropologia Cultural em sua obra “O Espírito e o Tempo” (Edicel); Rino Curti completou as descobertas da Epistemologia Genética de Piaget em seu “Espiritismo e Conhecimento” (Lake); Jorge Andréa ampliou o Evolucionismo Biológico com o trabalho “Impulsos Criativos da Evolução” (Arte e Cultura), e etc, etc. Mas, se nem todos os espiritistas conseguem aprofundar-se em Kardec, apesar de toda a sua clareza e simplicidade expositiva, quanto mais não conseguiriam, e não conseguem, fazer estudos de trabalhos culturais e acadêmicos de notável seriedade como estes aqui descritos?
E é aí, sobretudo, que posso constatar as mais diversas gradações conceituais, de entendimento e de evolução dos espiritistas; sendo que, muitos deles, preferem obras estilo romanceadas e coisas que tais. E o que se nos mostra, com clareza granítica e evidente, é o fato de constituirmos um conjunto de infinitas variantes intelectuais e morais.
Mas é preciso, sempre que possível, alertar e orientar os desatentos quanto à questão do que não é, e do que é, verdadeiramente, a Doutrina Espírita, cujos tentáculos culturais foram implantados por uma plêiade de Espíritos Superiores de inegável sabedoria e moralidade, sendo, pois, uma Doutrina Sua, e não nossa, pois que estamos na condição de meros aprendizes das novas luzes espirituais.
E o fato é que novas coleções de livros mediúnicos, de autorias duvidosas, vem causando um verdadeiro rebuliço no meio espírita, com prós e contras, favoráveis e desfavoráveis. Citemos um exemplo. No livro “Trabalhadores da Última Hora” (Espírito: Dr. Inácio Ferreira – médium: Carlos Baccelli – Editora Didier), o referido médico, em seu Capítulo 35, vem fazer um gracejo na forma de um brinde ao que ele chamou de “macaco espírita”, completando, tal irreverência, nos termos de que somos: “quase um mico de circo”; e isto só pelo fato de alguns confrades nossos pretender que ele nos apresente uma prova mais condizente de que realmente existe o que ele mesmo proclama como: “reencarnação no mundo espiritual”.
Ora, reafirme-se que: a nossa Doutrina não é nossa: e sim, dos Espíritos Superiores que a ditaram em cumprimento às profecias de Jesus Cristo de nos enviar “O Consolador”, o “Espírito de Verdade”, que haveria de fazer-nos lembrar o que Ele, Jesus, havia dito e feito e que haveria de ficar eternamente conosco.
Mas, vejam bem:
Doutrina dos Espíritos Superiores, e, portanto, superiores em sabedoria e moralidade, situados, pois, nos antípodas do que pretendem certos autores encarnados e desencarnados que, sem dúvida, pela liberdade de que gozam, tem todo o direito de dizer e de proclamar tudo, absolutamente tudo, o que queiram dizer e proclamar.
Mas nós, como Espíritos encarnados, igualmente dotados de liberdade, temos o direito de aceitar ou não aceitar, de acatar ou de não acatar, o que venha do Mundo Espiritual para nos instruir ou nos destruir, nos moralizar ou nos desmoralizar, nos alçar ou nos rebaixar, pois que estamos não só com os Espíritos Superiores que ditaram tão sublime Doutrina, bem como com os dizeres do mestre lyonês que ao seu tempo já nos instruía e proclamava:
“É preciso saiba que o Espiritismo aprecia toda obra realizada com critério, mas que também repudia todas as publicações excêntricas. Todos os espíritas que, de coração, vigiam para que a Doutrina não seja comprometida, devem, pois, sem hesitação, denunciá-las. Tanto mais porque, se algumas delas são produtos de boa-fé, outras constituem trabalho dos próprios inimigos do Espiritismo, que visam desacreditá-lo e poder motivar acusações contra ele. É necessário saibamos distinguir aquilo que a Doutrina Espírita aceita, daquilo que ela repudia”. (Vide: “Viagem Espírita” – Allan Kardec).



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