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sábado, 29 de setembro de 2012

CHICO XAVIER E CONCORDÂNCIA UNIVERSAL (CUEE)

“O artigo abaixo trata-se do exercício natural do sagrado direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. Não me compete censurar opiniões, ainda mesmo que não as defenda pessoalmente na íntegra.  Assim, deixamos aos leitores de O Rebate o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere a seguir, pois o mesmo direito que tem o articulista de argumentar , temos todos o mesmo direito , de aceitar, ou não, os seus argumentos.”  Jorge Hessen





Fernando Rosemberg Patrocínio
f.rosemberg.p@gmail.com

O Espiritismo, como se sabe, não é de caráter sistêmico, ou seja, ele se nos revela como sendo arredio ao espírito de sistema, pois que não é uma Doutrina sistematicamente fechada, ou, então, lacrada pelo Pentateuco Kardequiano, mas se abre para um mundo de novas informações que lhe vão sendo adicionado, que lhe vão aprofundando e, por sua vez, engrandecendo-o vastamente no tempo.

Ao tempo da Codificação, Kardec propusera algumas condições no sentido de se preservá-lo das teorias contraditórias, das seitas que dele quereriam se apoderar em seu proveito, em suma, estabelecera condições bastante claras para protegê-lo das inverdades e das mistificações. A primeira de tais condições era, e é, sem dúvida, o da razão: que a ela deveria ser submetido tudo quanto viesse dos Espíritos, confrontando-os ainda com o bom senso e com os dados positivos obtidos até então. Mas a sua experiência no trato com o Invisível mostrara a Kardec que essa primeira situação, por si só, era incompleta.

Ela era, evidentemente, necessária, mas deveria ser ampliada com a condição de que os ensinos revelados pelos Espíritos, para ser confiável e garantidamente sério, deveriam estar em Concordância com os demais ensinos revelados espontaneamente por diversos médiuns estranhos uns aos outros e em diferentes lugares. Esta é a essência mesma da CUEE: Concordância Universal no Ensino dos Espíritos.

Paradoxalmente, por ser o Espiritismo, maravilhosamente simples, em sua conceituação, e, maravilhosamente complexo, em sua profundidade e aprofundamentos que se vão lhe enriquecendo, muitos outros médiuns, no decurso do século vinte que se findara, vieram colaborar com o seu desenvolvimento doutrinário. Atualmente, pois, é óbvio que haveremos de encontrar inúmeros livros, estudos, ditados, opiniões e princípios ventilados aqui e ali, e que ainda estão distantes do quadro conceituado pela CUEE, caso em que, deverá o estudioso espiritista procurar, consoante Kardec, ouvir a voz da razão, do bom critério e do discernimento, ou, pelo menos, no quanto lhe houver de tais, pois que, referidas faculdades são nitidamente evolutivas, e, portanto, de constante mutabilidade ascensional.
Ora, já vimos nos artigos “Níveis do Psiquismo Humano” e “Sublime Matemática do Evangelho”, já disponibilizados na net pela webartigos, que o processo evolucional no campo das consciências despertas da humanidade, nada mais é que uma ampliação de paradigmas conducente a uma conscientização cada vez maior e que vai mudar sempre para melhor, espiritualizando o Ser não mais egoisticamente, mas sim, altruisticamente.

Mesmo ao âmbito de uma determinada classe de inteligência (da pré-lógica, da concreta, ou, da formal) - que são faixas distintas, mas intrinsecamente dinâmicas do psiquismo humano, pois que se vai evoluindo, crescendo e, ciclicamente, ampliando sua capacidade mental - pode-se detectar mudanças bem apreciáveis de comportamento mental; e isto porque as camadas do saber vão se acomodando nas estruturas anímicas do Ser e abrindo novos espaços (vibracionais) para outros entendimentos, maiores e melhores que aqueles já gravitados para o nosso interior. Para exemplificar, o paradigma deste autor mesmo, nos tempos estudantis, era constituído tão somente pelo ministrado na universidade. Conheci o Espiritismo de Kardec e se lhe ampliara os padrões de entendimento delineados pelo arrogante modelo anterior. Percebi que a Ciência Oficial e a Ciência Espírita se completavam e se completam realmente.

O paradigma material juntou-se ao espiritual constituindo outra esquematização de idéias: maior e melhor. Mas como o processo evolutivo não para, o conhecimento da obra mediúnica de Chico Xavier veio proporcionar-me uma nova e mais rica tela panorâmica das coisas: a humanística, de prática vivencial cristã. Não que o trabalho de Kardec não contenha e não permita tal visão. É que a obra de Xavier veio desenvolver e aprofundar tais parâmetros: da caridade, do amor sem fronteiras e, portanto, universal.

Mas a coisa não parou por aí. Tudo veio a completar-se e constituir-se no maior paradigma de idéias científicas, filosóficas e cristãs, já alcançados pela humanidade terrena com a esplêndida obra universalista de Pietro Ubaldi. O que significa uma notável ampliação de paradigmas: um completando o outro e vice-versa. Atravessei e vivi, pelo menos, quatro modelos conceptuais que se completam e se entrosam mutuamente:

-Ciência Oficial;
-Ciência Oficial e Espiritismo de Kardec; e, juntando-lhes:
-Obra Humanística de Chico Xavier, e mais adiante, ainda em complexão:
-Obra de Espiritualismo Monista de Pietro Ubaldi.

Assim, as Inteligências humanas vão progredindo pouco a pouco, num processo lento, mas seguramente factível e realizável na prática. Da Inteligência Operacional Pré-Lógica se vai alçando à Racional Concreta que, por sua vez, em constante progressão mental, se alça para a mais alta delas, à Inteligência das Operações Formais, que, por sua vez, vai ascender ainda, mais infinitamente ainda, até atingir, bem mais tarde, a Inteligência Crística de um Ser Angelical, agregando-se: “em processo de comunhão indescritível”, com as demais Inteligências Divinas: “ao influxo do próprio Senhor Supremo” conforme descrição filosófico-científica andréluizista da obra xavieriana.

Mas voltemos ao terra-a-terra de nossas experienciações, e prossigamos na recomendação de que, em nosso meio, em matéria de Espiritismo, não se deve dar crédito a tudo quanto lhe apareça pela frente, mas que tudo seja analisado com serenidade, buscando a lógica dos ensinos pertinentes e confrontando-os com os dados de Kardec, se os houver, e, com os da Ciência, se for possível algo se fazer nesse sentido, conquanto, muitas das vezes, ser impossível, em face do seu ateísmo e sua predominância nitidamente materialista. Mas a Ciência vem mudando, e para melhor.

Ante tal problemática – recomendações de Kardec e diversificada categoria evolutiva e pensante dos seres humanos - como analisar as tantas coleções dos mais distintos médiuns psicógrafos do último século terreno? Existem algumas coleções que nem precisam ser submetidas à CUEE, em face de suas características claras e patentes de que não são obras espíritas, mas sim, dos adversários do Espiritismo, como, por exemplo, as de um Espírito Zombeteiro mostrado em meu artigo: “Espiritismo: Doutrina dos Espíritos Superiores”, já postado na net por meio do meu estimado amigo Jorge Hessen, que o editou no prestigioso Jornal eletrônico O Rebate.

Ora, um dos lemas fundamentais do Espiritismo é:

“Reconhece-se o verdadeiro espírita por sua transformação moral e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações”. (Vide: “O Evangelho Segundo o Espiritismo” – Allan Kardec).

É preciso, pois, então, elucidar aos que o desconhece, o que é, verdadeiramente, o Espiritismo: uma Doutrina consolidada por uma plêiade de Espíritos Superiores, tendo como codificador da mesma um missionário do mesmo porte: o digníssimo cientista, pedagogo, humanista e poliglota: o Sr. Allan Kardec. E, portanto, trata-se de uma Doutrina Superior que, em sua tríplice perspectiva intercomunicante de Ciência, Filosofia e Fundamentações Éticas e Religiosas, vêm constituir, integrar e consolidar a mais vasta e completa concepção do mundo, da vida e do universo. Trata-se, pois, de uma doutrina ditada pelos nossos superiores hierárquicos, e, não, de nossos inferiores de classificação espiritual atrasada, farsante, com sua enxurrada de obras desqualificadas e anti-doutrinárias.

Mas e com relação às obras de Chico Xavier?

Como fica o nosso prestigioso Chico em face da razão e da concordância universal, tidas como regras áureas de Kardec? Em face da primeira, da razão, digo que, de minha parte, de livre e espontânea vontade, acato todos os trabalhos e todos os novos ensinos do renomado médium. Obviamente que nele mesmo há de se encontrar, mas apenas minimamente, algo destoante do ponto de vista doutrinário, bem como do filosófico e científico, sendo este “algo” de total conhecimento do sábio estudioso espiritista, bem como do autor mediúnico em destaque. Mas é preciso analisar o conjunto de sua obra, a disciplina moral a que se submetera, sua ética, sua renúncia, seu amor pelos semelhantes que o qualificara como instrumental mediúnico insuspeito quanto à legitimidade e pureza de suas faculdades e de sua notável capacidade de comunicar-se com as mais altas correntes de pensamento.

Ora, não há nada que possa explicar a monumental obra desse médium, a não ser pela dedução matematicamente lógica e precisa de que ele é um Espírito muito avançado, comprometido com uma missão da mais alta envergadura junto aos homens do seu tempo e dos tempos por vindouros. Tudo isso é incontestável para mim. É o bastante para que eu credite nele a minha confiança sem os equívocos ingênuos do misticismo e da cega crença religiosa.

E daí minha adesão aos seus novos ensinos e novos princípios doutrinários. Falo, pois, pela minha intuição, pelo nível de fé e de racionalidade por mim alcançados. Racionalidade esta, aliás, tão recomendada por Kardec, como vimos, como primeira condição de nossos trabalhos com as coisas espirituais, prestando-se, ainda, ao uso do bom senso e do confronto com os dados positivos cientificamente apurados. Outros, igualmente, falarão por si mesmos, em vista das mais diferentes formas de entendimento, de razão e de fé, que coexistem e avançam evolutivamente dentro de cada um de nós, espiritistas ou não.

E, quanto à Concordância Universal, considero a obra de Chico Xavier como a concordância de Espíritos Elevados em torno de um mesmo objetivo: ampliação da Codificação Kardequiana nos precisos moldes do seu enquadramento filosófico e doutrinário. E mais: concordo ser esta uma das mais positivas empreitadas da Vida Espiritual Organizada, a ponto de se poder compará-la à chegada dos Espíritos Elevados que fecharam com Kardec a consolidação do Espiritismo na face terrena. É obvio que muitos críticos não vêem a coisa sob tal prisma. Mas o Chico convivera amistosamente com os maiores intelectuais e os maiores críticos de sua época e, a bem da verdade, o mesmo fizera calar muitos de seus opositores pela sua pena psicográfica, seu acendrado amor pelo semelhante, sua caridade legitimamente cristã.

Ora, os que criticam levianamente não têm nada de bom a oferecer. Estes não fazem e nunca fizeram algo realmente digno de nota e tampouco vão fazer, pois que só sabem criticar. Porque não produzem algo tão bom como, por exemplo, a “Série André Luiz” (Feb), ou, quem sabe, as inolvidáveis páginas do “Cristianismo Nascente” (Feb) retratadas por Emmanuel?

Os observadores críticos, na verdade, parecem morrer de inveja de um trabalho maravilhoso como, por exemplo: “Nosso Lar”, classificada, entre dez obras espíritas, como a primeiríssima e mais importante obra do século vinte. Porque tais críticos não produzem algo pelo menos similar aos ensinos contidos no capítulo alusivo à “Reencarnação de Segismundo”, retratada no livro andreluizista de título: “Missionários da Luz” (Feb)? Ora, façam isso que certamente eu vou ler, e, mais ainda, vou aplaudir e recomendar indubitavelmente.

Assim, humildemente, estou sugerindo uma reinterpretação da CUEE ministrada por Allan Kardec, e vejo, no caso de Chico Xavier:

“Uma Concordância Geral dos homens que acataram ou acatam a sua Obra Mediúnica e uma Concordância Geral dos Espíritos que a consolidaram no mundo, sendo que no tópico – homens – é feita a seguinte ressalva: são apenas alguns poucos que a desaprovaram ou que a desaprova em alguns poucos itens, sendo, pois, de uma condição e de um caráter irrelevante em face de sua ampla e total aprovação pela intelectualidade espírita, ou não”.

Mesmo um tanto diferente do preceituado na Codificação, posso afirmar com toda segurança, portanto, que há indícios de Concordância Universal na obra de Chico Xavier. Ora, as divergências são mínimas e perdoáveis, sendo suscetíveis de se encontrar em toda grande obra. Por outro lado, estamos assistindo essa concordância de olhos escancarados, pois que os seus novos ensinos estão sendo confirmados, paulatinamente, por outros Espíritos, bem como pelos homens de Ciência, espiritistas ou não, consolidando assim a sua genuína autenticidade e validade doutrinária por seu consenso e universalidade.

E, por outro lado, Jesus não se engana. Ao nos enviar Chico Xavier, penso que Jesus tinha e tem uma maneira diferente da nossa de enxergar o princípio que dimana da CUEE. Uma maneira não só relativa a cada caso em particular, mas, sobretudo, de uma forma elástica, refinada e bem mais engrandecida que a nossa, pois que a Sua visão é mais panorâmica, se estende ao infinito de insondáveis perquirições e entendimentos puramente humanos e, portanto, de nossa falha e equivocada interpretação conceitual.

Em sua majestosa Visão, o princípio da CUEE não se limitaria às incertezas de nossa visão ordinária, mas se abriria para um aspecto ilimitado de mais largas conceituações doutrinárias e espirituais.

Na minha observação do problema, pois, vejo que o referido princípio codificado da CUEE não é um conceito estático; ele também é suscetível de desdobramentos que, em sua dinâmica conceitual, incorpora e compreende outras nuanças suas mesmas, de sua lógica intrínseca, sua coerência e praticidade.

A imutabilidade é uma ilusão dos nossos sentidos: tudo é essencialmente evolutivo, e também é possível compreender-se novas conceituações do Consenso Universal como princípio positivamente mutável pelas eventualidades e sucessivos avanços doutrinários.

Finalmente: o princípio codificado da CUEE é necessário, mas não necessariamente estático, pois que se adapta à dinâmica do alterar-se, positivamente, é claro, pela onda mutável de todas as coisas; a não ser que queiramos contraditar a Vontade do Cristo, Nosso Eterno Mestre e Diretor de todas as coisas desde suas primeiras formações atômicas e moleculares.

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