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domingo, 30 de outubro de 2016

DEUS DENTRO DE UM LABORATÓRIO




Margarida Azevedo
Sintra/Portugal

Não é a ciência que está a imiscuir-se nos recônditos quão complexos domínios da religião, é esta, pela voz dos seus mais altos representantes, que está a submeter Deus aos seus critérios. Ou porque estão contra ela e insistem em defender que Adão e Eva foram o primeiro homem e a primeira mulher, ou porque o mundo foi criado tal como está, ou porque a Arca de Noé foi o ponto de partida para uma regeneração da fauna; ou, ainda, pretendendo submeter a religião à metodologia científica, encravam a religião na procura das provas científicas da existência de Deus.

Nada mais desconforme com a fé, linha recta para ateização da religião que, perdida nas descobertas científicas, teme perder os fiéis que, nos seus problemas diários, vêem nela (ou viam) o conforto regenerador.

Com tudo isto e muito mais, não é a ciência que ridiculariza Deus, é a religião que, obsessivamente, pretende fazer Dele um objecto do cognoscível como quem estuda um animal em plena savana, ou algo experimentável como um líquido num tubo de ensaio. A religião apoia-se nas respostas da fé em detrimento da natural insuficiência de respostas, face à imensidade de questões constantes e insasiáveis, da ciência.

Numa sociedade global tudo muda. Se é certo que não ultrapassámos os textos antigos da Filosofia, menos ainda os das Escrituras, se eles são o fiel retrato da nossa natureza, prova de que rodopiamos em torno das mesmas questões existenciais, não é menos certo que o contexto é totalmente diferente.

Os nossos inimigos já não se matam pelas armas, o infiel já não é o que segue outra confissão religiosa; o exercício oral, que impunha saber o texto de cor, já não identifica o crente no cerco fechado de palavras sem vida interpretativa. Qualquer religião ou igreja tem que dialogar sobre o texto, com os seus fiéis. Para isso, torna-se imperioso que os oiça, homens e mulheres. Nunca o leigo foi tão necessário à vida da sua igreja porque ele confere um sentido vivencial ao texto, o que muito o enriquecce. Interpretar é falar de si. Porém, na expectativa de que o texto lhe traga respostas convincentes, o leitor permite-lhe, igualmente, que ele se lhe imponha; é a busca de uma resposta de alguém, muito sábio e vivente em tempos remotos, para um problema específico.

Estamos a viver outros paradigmas: ecologia, direitos humanos, direitos das mulheres, da criança, do idoso, dos animais; a crise económica, a hiper-actividade, a fadiga psicológica provocada pela tensão e a ameaça constante de perder os meios de subsistência; o sentir-se excedentário, como os idosos que são depositados em lares, que, por mais condições que tenham, são salas de espera para a morte, porque são a primeira saída definitiva das suas casas, porque quantos são arrancados à força, levados ao engano a pensar que vão dar um passeio ou visitar um amigo, para viverem em comunidades deshumanizadas, na sua maioria; são as crianças que perdem a referência da família como fonte de afecto e a base para a socialização; é a solidão, cada vez maior; o sexo como satisfação imediata e a fragilidade dos sentimentos; o terrorismo feroz e a crueldade crescente; a impaciência provocada pela neurose do esvoaçar do tapete voador.

Há que perceber que os fiéis estão vulneráveis. Fazem parte de um humano que está cada vez mais infantilizado, recente na história da criação, e à procura, perdido, de explicações. Os fiéis não querem a ciência misturada com os afectos, mas respostas cabais para a sua situação de problematicidade. É de sofrimento e de imortalidade que se ocupam. Paradoxalmente, ao procurarem na ciência as provas da existência de Deus, as religiões temem que, se não o conseguirem, acabarão por fracassar. E disso não temos dúvidas, porque um templo não é um laboratório. Contrariamente, se a ciência continuar a sua tarefa reveladora, acabará por matar Deus, mais cedo ou mais tarde, é apenas uma questão de tempo, não pelos seus próprios meios, mas porque acolitada pela religião que abdicou das suas funções, a saber, as almas.

Ora há que perceber que a fé alongou-se. Já não é apenas uma questão de acreditar em Deus, mas também no/a próprio/a homem/mulher cá neste mundo. As condições materiais de existência tornaram-se demasiado importantes, a História tornou-se, também para os cristãos, não apenas para os Judeus, a própria manifestação de Deus. É no acontecer diário, na realidade nua e crua, que encontamos este Deus que, desta forma, nos desafia. Sim, efectivamente, vivemos os nossos desafios existenciais como caminhos, mais ou menos tortuosos, mas que não deixam de ser caminhos para a vivência real da fé, que começa, imperiosa, na relação com o outro. E se assim é, cabe à religião envolver-se também com a fé em nós mesmos. Ninguém chega a Deus sem acreditar nos(as) homens/mulheres, previamente, nem Deus existe como resultado das insuficientes ou insipientes respostas da ciência. Sejam quais forem as suas respostas, as questões existenciais prevalecerão e Deus continuará inalterável.

Neste empobrecimento religioso que estamos a viver, há quem não perceba que a imensidade de leis, o encadeamento das mesmas, o cosmos não poderiam ser aleatórios. A maior prova da existência de Deus é a Vida e a Complexidade, a Precisão. Deus não cabe nas nossas cabeças, logo também não pode ser redutível aos nossos mecanismos electrónicos. Não medimos a quantidade de amor, nem a fé que sentimos; não é possível fazer uma estatística da dor ou da felicidade, não há metodologias criteriosas nem tabelas periódicas para definir quantidades de amor, pontuar o ciúme ou a inveja. Compreender não é provar, mas reconhecer a existência de um artífice. Não é possível destronar a ciência do conforto que, ao longo dos séculos, conseguiu trazer à Humanidade. Se a religião falhou, nesta área, é porque não esteve devidamente voltada para o humano, mas para a luta desigual entre as verdades das escrituras e as da ciência; apostou em traçar caminhos para Deus mediante imposição de comportamentos desfasados, impraticáveis, desconextualizados dos factores culturais dos povos. A religião não se ocupou em questões como a salvação, a paz e o amor incondicional. Esteve, contrariamente, ocupada em criar tementes, assustados, medrosos, ignorantes, impondo ideologias exclusivistas racistas e xenófobas. As evangelizações foram autênticas torturas, no meio de algumas coisas boas, mas não deixaram de o ser. Apresentaram-se perante o outro com ares de superioridade e não num propósito fraterno.

O que é que é mais importante: Saber de cor as escrituras, ou ajudar o próximo numa aflição? Procurar a santidade ou benefícios no céu, ou ter um computador e estar em contacto com o mundo, saber o que se passa a kilómetros de distância, em segundos? Viver em austeridade ascetica, ou ter meios de subsistência, filhos saudáveis, ter acessso à saúde? Quais são os maiores problemas da actualidade? Não ter casa, viver sem condições materiais, ou haver ou não provas científicas da existência de Deus? Em que medida provar a existência de Deus, cientificamente, ainda que essa ridicularia fosse possível, tráz mais felicidade que ter um emprego certo, uma máquina de lavar roupa, um automóvel, amigos?

E ainda que fossse possível, o que faríamos com as provas científicas da existência de Deus? Não temos dúvidas, as portas da curiosidade jamais seriam fechadas e outro ou outros deuses se inventariam para recomeçar tudo de novo. É que o problema não está nas provas, mas na curiosidade insaciável do ser humano, na sua incondicional vontade de transcendência, porque é isso que efectivamente o define, a curiosidade sem fim. Mas não só. O Humano carece do não-humano, o finito do infinito, o mesurável do desmesurado. Um só tem sentido mediante o outro.

Deus não cabe num telemóvel, não é captável por observatório algum. Assumirmos que somos pequeninos nem tão pouco faz parte da humildade. Trata-se tão somente de nos confrontarmos com a nossa natureza. Humano é todo aquele que olha para as estrelas e sente-se um grão de poeira, ou então, quando olha ao seu redor, se confronta com o pouco que fez no muito que há por fazer.
















sexta-feira, 28 de outubro de 2016

A “psicoscopia”, diante da ciência atual que “lê” e “interpreta” as emoções humanas (Jorge Hessen)



Jorge Hessen
Brasília.DF

Pesquisadores do MIT (Instituto Tecnológico de Massachusetts) desenvolveram um sistema que detecta o estado emocional de uma pessoa por meio de sinais wireless (sem fio). Trata-se do EQ-Radio, um router wi-fi que tem a capacidade de “ler” as emoções. Através dos sinais de radiofrequência, o router consegue captar padrões do ritmo cardíaco e da respiração. O aparelho afere o estado emocional das pessoas em todas as circunstâncias da vida. Um médico, um psicólogo, um professor entre outros, podem acompanhar a saúde física, psíquica, emocional e intelectiva em qualquer lugar que o seu paciente e ou aluno esteja.

Ao medir as mudanças sutis dos ritmos respiratórios e cardíacos, o EQ-Radio consegue detectar se uma pessoa está animada, feliz, irritada, tensa, triste ou mentido – e pode fazer isso sem sensores colados no corpo. Dina Katabi, a líder desse projeto do Laboratório de Ciência da Computação e de Inteligência Artificial (CSAIL) no MIT, garante que o sistema poderá ser utilizado nos cuidados com a saúde, com o aprendizado, e pela indústria do cinema e da publicidade, em testes para medir a reação em tempo real dos espectadores ao assistir a um filme ou ver um anúncio, por exemplo.

Por similaridade ao assunto, recorrermos ao livro Nos Domínios da Mediunidade, psicografado há mais de meio século por Chico Xavier. Na obra lemos sobre o emprego do psicoscópio pela espiritualidade que funciona à base de eletricidade e magnetismo, utilizando-se de elementos radiantes, análogos na essência aos raios gama. É aparelho “espiritual”, constituído por óculos de estudo, com recursos disponíveis para a microfotografia transcendente. [1]

Portanto, é um equipamento eletrônico construído no além-túmulo para definir a qualidade das vibrações mentais emanadas de encarnados e de desencarnados, registrando os mais íntimos sentimentos de que são portadores aqueles que a ele são submetidos. Deste modo, o psicoscópio, dentre outras possíveis finalidades, é utilizado num grupo mediúnico, com o objetivo de análise da personalidade de seus integrantes a fim de medir-lhes as reais possibilidades de trabalho. Os instrutores do além afirmam que os encarnados são geradores de força eletromagnética, com uma oscilação por segundo, registrada pelo coração.

Os mestres transcendes elucidam que todas as substâncias vivas da Terra emitem energias, enquadradas nos domínios das radiações ultravioletas. Podem, desse modo, projetar raios mentais, em vias de sublimação, assimilando correntes superiores e enriquecendo os raios vitais de que são dínamos comuns. Somos todos fontes irradiantes de energias resultantes do produto mental, que vibram em torno de nós, propagam-se e revelam o estado de evolução em que nos encontramos.

Tal dispositivo do além funciona à semelhança de aparelhos existentes na Terra, como o estetoscópio, o eletrocardiógrafo, os raios X, os tomógrafos dentre outros que são empregados pela medicina terrena e revelam o estado orgânico do paciente, permitindo o acesso a informações inacessíveis sem o seu uso. Anotam os Espíritos que se o espectroscópio permite ao homem perquirir a natureza dos elementos químicos, localizados a enormes distâncias, através da onda luminosa que arrojam de si, com muito mais facilidade identifica-se os valores da individualidade humana pelos raios que emite. [2]

A moralidade, o sentimento, a educação e o caráter são claramente perceptíveis, através de ligeira inspeção psicoscópica. O aparelho extra físico tem esse caráter revelador e impede que os trabalhadores envolvidos no serviço mediúnico, tanto os médiuns como os espíritos comunicantes, ocultem ou dissimulem seus sentimentos e suas intenções. Portanto, também funciona como uma espécie de "detector de mentira". Diante dele, o espírito se desnuda. Nada pode ser escondido com relação aos seus sentimentos e pensamentos. Com isso, a sua utilização nas reuniões mediúnicas permite à espiritualidade superior uma melhor administração do intercâmbio mediúnico.

Ponderam os gênios do além que com a psicoscopia, por si só, dá margem a preciosas reflexões. Imaginemos uma sociedade humana que pudesse retratar a vida interior dos seus membros. Isso economizaria grandes quotas de tempo na solução de inúmeros problemas psicológicos. O estudo repousa nos alicerces das radiações humanas com o seu prodigioso campo de influenciação. [3]

A ciência dos raios imprimirá, em breve, grande renovação aos setores culturais do mundo. Aguardemos o porvir, previram os mentores de André Luiz na obra citada. Finalmente, já conquistamos o EQ-Radio. O que virá adiante?

Referência bibliográfica:
[1]        Xavier , Francisco Cândido.  Missionários da luz, “O psicoscópio” , RJ: Ed FEB, 1988
[2]        idem


[3]        idem

terça-feira, 25 de outubro de 2016

"Eu perdoo" (Jorge Hessen)





Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com
Brasília DF

Brryan Jackson foi deliberadamente infectado pelo vírus HIV, aos 11 meses de vida, por seu próprio pai - um técnico em hematologia que estava se separando da mãe de Brryan e estava preocupado com o pagamento de pensão.

O episódio aconteceu durante uma internação hospitalar por causa de uma asma. O pai, Brian, aproveitou uma saída da mãe do quarto para injetar o vírus na corrente sanguínea do filho. Quando descobriram o que afetava o Brryan, já aos cinco anos de idade, os médicos lhe deram apenas cinco meses de vida. Os clínicos temiam não apenas os efeitos da doença, mas do coquetel de remédios que ele precisava tomar para tentar mantê-la sob controle.

Atualmente, a rotina médica de Brryan Jackson já não envolve mais andar com sondas pelo corpo, como nos tempos de escola. As 23 pílulas diárias hoje são apenas uma, embora de três em três meses ele precise ir ao médico para checar seu sistema imunológico. A doença, obviamente, afetou sua vida social. Diversos relacionamentos foram interrompidos por pais receosos.

Hoje, aos 25 anos, Jackson confessa que cogitou o suicídio, mas optou pela religião. A conversão ao Cristianismo fez com que decidisse “perdoar” o pai, que foi condenado à prisão perpétua em 1998. Conta que nunca teve contato com o progenitor. Contudo poderá ficar frente a frente com ele ainda este ano, quando uma junta examinará um pedido de liberdade condicional. Jackson, apesar de o ter “perdoado”, pretende ler um comunicado em que recomenda que o pai continue preso. (1)

Como agir diante de uma situação dessas? Será que realmente Brryan perdoou seu pai? O assunto é ingrato e merece algumas avaliações doutrinárias. Em verdade, aprendemos com os Benfeitores espirituais que se alguém nos prejudicou, não podemos permitir que o sentimento de vingança desgaste nosso estado psicoemocional. (2) Nem que seja por “egoísmo” é importante perdoar incondicionalmente. Até porque, quem sofrerá com a mágoa guardada somos nós e não quem nos lesou, causando consternação ou desgosto.

Quantos são aqueles que dizem que desejam perdoar, mas não o conseguem? Ora, distanciando-nos do caso Brryan Jackson, urge ponderar alguns aspectos. Será que quem nos magoa queria nos prejudicar propositalmente? Muitos erros são cometidos sem a intenção de nos danificar. Porém, se tiverem sido intencionais, será que o nosso agressor se arrependeu? Neste caso, será que estamos realmente dispostos a indultá-lo?

Em verdade, só podemos perdoar o outro se perdoarmos a nós mesmos. Reflitamos nos erros que cometemos com o próximo e desculpemo-nos. Livremo-nos da culpa e estaremos prontos para perdoar. efetivamente, esquecer a ofensa nos favorece porque faxina o coração da ira e da contrariedade. Perdoar alguém que nos fez mal revoga o ciclo de pensamentos negativos, que só servem para nos abater moral e espiritualmente.

É um sinal de amadurecimento, pois ofertar o perdão favorece o agressor, contudo beneficia muito mais quem perdoa. Proporciona uma duradoura percepção de liberdade. É verdade! Ao saírmos da posição de vítimas, a sensação é de grande liberdade - deixamos de ser escravizados de um sentimento que antes nos aprisionava. Ajuda-nos a retomar as rédeas da vida.

Quem profere do fundo d’alma "eu perdoo" se sente mais forte e capaz de comandar o próprio destino. 

Nota e Referência:

(1) Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/internacional-36608335 acesso 23/10/2016
(2) É aquela nossa ação interior para vivermos emoções através de nosso intelecto

domingo, 23 de outubro de 2016

Enfim, Allan Kardec não renasceu em 1910 (Jorge Hessen)


Jorge Hessen
Brasília DF

Paulo Neto
Tive a grande honra de receber (autografado) do amigo Paulo Neto, pesquisador, escritor, expositor espírita dos mais fecundos e honestos que conheço e com o qual felicita-me corresponder, o seu pujante livro "Kardec e Chico 2 Missionários". É, sem sombra dúvida, uma obra estruturada sobre fidedignas e reforçadas fontes, contendo elucidações racionalíssimas sobre o interminável debate que tem motivado muitas histerias e contestações nas hostes doutrinárias, refiro-me ao assunto: Teria Chico Xavier sido a reencarnação de Allan Kardec ? 

Paulo Neto fundamenta sua pesquisa nos necessários firmes pilares do bom senso, abrigando-se nos registros sólidos da coerência , que indiscutivelmente fragilizam todas e quaisquer ilações volúveis daqueles que ainda adejam nas ilusões, acastelando a reencarnação do mestre de Lyon em Pedro Leopoldo em 1910. 

Como pesquisador e “farejador” de fontes documentais , Paulo Neto comprova para seus leitores que contém o olhar das águias, o fôlego dos jacaré e crocodilos , a resistência dos paquidermes e velocidade dos felinos. Como afirma o sábio Eurípedes Kühl “a obra ["Kardec e Chico 2 Missionários"] “radiografa, ou melhor, “tomografa” de forma cristalina e com toda a plenitude o porquê de Kardec não ser o Chico!” 

Os argumentos do autor, as suas reflexões, seus arrazoados são brilhantes e conclusivos, não obstante, eu mesmo reconhecer que o tema é um colossal comburente para a manutenção da indesejável fogueira da cizânia, mormente advinda dos contraditores que persistirão infinitas vezes invocando consciente ou inconscientemente que Allan Kardec reencarnou em Minas Gerais. 

No criterioso enfoque, Paulo Neto suprime os pareceres discordantes e harmoniza a convicção de que os espíritas devem usar e abusar da racionalidade. Até mesmo porque, sob a poderosa arma da razão doutrinária ratifica-se a certeza de que contra os fatos (fontes consultadas pelo autor) não há contra-argumentos razoáveis, exceto provindos daqueles já ofuscados e habituais opositores que permanecerão sob os aguilhões da fascinação e ou adejando sob as asas da fábula, da convicção obstinadamente conservadas pelo ofuscamento do desvairo da sensatez ou da puerilidade doutrinária.

Do exposto, recomendo a todos amigos a leitura de "Kardec e Chico 2 Missionários", um extraordinário empenho de pesquisa de Paulo Neto. 







quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Felicidade está dentro de nós, e deve ser partilhada (Jorge Hessen)



Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com
Brasília.DF

A felicidade é uma atraente sensação que experimentamos de euforia, uma percepção vivaz; todavia ela não ocorre em condições contínuas e permanentes, porquanto felicidade não é o mesmo que euforia. Alguns procuram estados eufóricos sob efeito dos fármacos psicoativos. Em verdade, se a felicidade não for simples, se ela for ornada em excesso, inchada de coisas inúteis, nesse caso não é felicidade, é apenas ilusão.

Nossa felicidade não se constrói com o aumento do salário, com o ganhar na loteria, com algum bem caro que possamos adquirir. Porém, muitos nos iludimos achando que a felicidade mora no ter, no possuir, no aparentar, no exibir. Todavia, a felicidade verdadeira e perene é simples e modesta.

Há pessoas que creem que a felicidade é a posse de bens materiais. Dinheiro, realmente produz uma certa euforia, porém, muito rápida, muito momentânea, muito episódica, fugaz. O endinheirado entra em processo obsessivo de imaginar que a consumolatria e a posse contínua de bens é que vão deixá-la feliz. Porém, o que ocorre normalmente é que ele vai ficar em estado de vazio existencial e de pungentes ansiedades.

A felicidade é simples e advém daquilo que é essencial, e o essencial na vida é a amizade, a fraternidade, a lealdade, a sexualidade (sadia), a religiosidade. Muita gente confunde o essencial com o fundamental. Em realidade o fundamental é o que nos ajuda a chegar ao essencial. Observemos que dinheiro não é essencial mas é fundamental, pois sem ele teremos problemas materiais. Mas dinheiro em si não nos traz felicidade, até porque não se compra amor com dinheiro, compra-se sexo (dissoluto); não se compra amizade com dinheiro, compra-seinteresse; não se compra fidelidade com dinheiro, mas compra-se reciprocidade (toma lá, dá cá).

É bem verdade que o dinheiro em si não é desprezível, mas ele não é suficiente para a realização pessoal. O equívoco está quando se procura a felicidade naquilo que é secundário, em vez de procurá-la na sua fonte primária, que é o que de fato nos dá autenticidade para usufruir a felicidade. Os Benfeitores espirituais afirmam que ainda não podemos desfrutar de completa felicidade na Terra. Por isso que a vida nos foi dada como prova ou expiação. De cada um de nós, porém, depende a suavização dos próprios males e o sermos tão felizes quanto possível na Terra.

Ponderemos que a felicidade é uma obra de construção progressiva no tempo. Somos quase sempre obreiros da própria infelicidade. Mas praticando a lei de Deus, a muitos males evitaremos e assentaremos em nós mesmos uma felicidade tão grande quanto o comporte a nossa rude existência.

Nos paradoxos da vida, muitos fogem de casa para serem felizes, porém outros retornam para casa em busca da mesma felicidade. Uns se casam, outros se divorciam, com o mesmo intuito de felicidade. Uns desejam viver sozinhos, outros desejam possuir uma grande família a fim de serem felizes. Uns desejam ser profissionais liberais para comandar a sua própria vida e poder gozar de felicidade, outros desejam apenas ter um emprego para ganharem o salário no final do mês e, assim, serem felizes.

A felicidade terrestre é relativa à posição de cada um. O que basta para a felicidade de um, constitui a desventura de outro. Nenhuma sociedade é perfeitamente feliz, e o que julgamos ser felicidade quase sempre camufla penosos desgostos. O sofrimento está em todos os lugares. As amarguras são numerosas, porque a Terra é lugar de expiação. Quando a houvermos transformado em morada do bem e de Espíritos bons, deixaremos de ser infelizes, assim, enquanto houver um gemido na paisagem em que nos movimentamos, não será lícito cogitar de felicidade isolada para nós mesmos.

Tal como concebemos, a felicidade não pode existir, até agora, na face do orbe, porque quase sempre nos encontramos endividados e não sabemos contemplar a grandeza das paisagens exteriores que nos cercam no planeta. Apesar disso, importa lembrar que é na Terra que edificaremos as bases da ventura real, pelo trabalho e pelo sacrifício, a caminho das mais sublimes aquisições para o mundo divino de nossa consciência. Portanto, quando o céu estiver em cinza, a derramar-se em chuva, meditemos na colheita farta que chegará do campo e na beleza das flores que surgirão no jardim.

A nossa felicidade será naturalmente proporcional em relação à felicidade que fizermos para os outros. Sim, a felicidade consiste na satisfação com o que temos e com o que não temos. Poucas coisas são necessárias para fazer o homem sábio feliz, ao mesmo tempo em que nenhuma fortuna satisfaz a um inconformado.

Tenhamos certeza: a única fonte de felicidade está dentro de nós, e deve ser repartida.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Os vícios e vampirismos espirituais (Jorge Hessen )


Jorge Hessen
Brasília-DF
jorgehessen@gmail.com

Para o aprendiz dos nefastos vícios humanos, o ato de fumar ou beber são puramente simbólicos. Na adolescência arrazoa que não é mais o “filhinho” da mamãe, que é “durão”, um ousado aventureiro e não um démodé. À medida que o simbolismo psicológico submerge, a conseqüência farmacológica adota a gerência para conservar a usança. 

Para o espírita, o vício de fumar ou de beber tem implicações muito graves, especialmente em face das repetidas advertências dos Benfeitores Espirituais, elucidando sobre os danos que causam à mediunidade, por exemplo. O médium, contaminado pelo tabagismo, transforma-se inteiramente numa espécie de "cachimbo" ou "piteira" nas vinculações dos fumantes crônicos do além-túmulo, e o viciado em alcoólicos torna-se mira de obsessão dos indigentes alcoolistas da dimensão espiritual.

O viciado de qualquer matiz se torna cativo ante as garras insaciáveis do parasitismo ou do vampirismo. Experiências de vida que poderiam ser nobres, dignas, proveitosas, tornam-se vergonhosas e inúteis, estimulantes de capitulações desastrosas. Famílias inteiras são, quase sempre, afetadas por essas ruínas morais de profunda repercussão. Na verdade, o vampirismo é apenas um fenômeno de simbiose, que tanto ocorre entre os encarnados quanto entre os desencarnados, isto é, nenhum vício termina com a desencarnação.

Os vícios aqui comentados fustigam as bases da consciência espirita, desarmoniza a estrutura fisiopsíquica e as composições funcionais do perispírito, que se impregna de toxinas. O álcool e o fumo afetam os trilhões de células saturadas de vitalidade que compõem o psicossoma, deixando sequelas específicas. Em verdade, o tabagismo e o alcoolismo atormentam os desencarnados viciados que se angustiam ante a vontade de fumar e de beber, irresistivelmente potencializada.

O desgastante cenário da questão é consubstanciado na inexistência de indústrias de bebidas alcoólicas e de fábricas de cigarros na erraticidade, a fim de abastecer os finados tabagistas e alcoolistas. Em face disso, os "fantasmas" fumantes e beberrões, para materializarem suas baforadinhas e tragadinhas, tornam-se promotores protagonistas da subjugação, transformando-se em artífices da vampirização sobre os encarnados inermes de vontade. Situações em que Espíritos viciados se locupletam nos vapores etílicos e nas deletérias baforadas do malcheiroso cigarro.

Esses são motivos relevantes para nos acautelar contra quaisquer tóxicos, narcóticos, alcoólicos e contra o hábito demasiado de ingestão de drogas que contaminem a composição natural do organismo físico, até porque, disciplina, discernimento e comedimento afiançam o equilíbrio e o bem-estar da nossa casa mental.

domingo, 16 de outubro de 2016

SER CRISTÃO HOJE. A LEI DO AMOR

Luiz Carlos Formiga

Usei a palavra Amor em outras oportunidades. Em “Ciência com Amor”, na Universidade Federal do Rio de Janeiro. (1)  Depois em “A Ciência do Amor”. (2)
Hoje quero agradecer ao artista Fernando M. Correia. Se ele não existisse faria muita falta. Seu trabalho me deu e ainda dá momentos de alegria diante da beleza. É o belo produzindo o bem. Aconchego me lembra, com sua letra, a reencarnação.
Aconchego (*) é música popular brasileira que emprega palavra de difícil tradução.  “Estou de volta pro meu aconchego, trazendo na mala bastante saudade, querendo um sorriso sincero, um abraço, para aliviar meu cansaço e toda essa minha vontade...”
Para falar de saudade temos que lembrar  “A Lei do Amor”. Este é titulo de novela neste outubro de 2016. Não é sobre a novela que desejo falar, mas do amor e do “conselho de mãe”.
Sentindo desconforto físico, sem causa aparente, uma dorzinha que parecia se originar na alma recebeu rápido diagnóstico, feito pelo coração materno. “Isso é falta de conexão com a espiritualidade, com a religiosidade.”
“Meu filho vá tomar um passe no Centro Espírita”. Disse a senhora com amor de mãe ao artista da MPB.
Refiro-me a Fernando Manoel Correia, o autor de “Aconchego” e de outros grandes sucessos musicais, aqui e no exterior. No final da entrevista o artista afirma que a maior lei é  “A Lei do Amor”.
Fernando Manoel Correia fez as trilhas sonoras das novelas Tieta, Tropicaliente, Caras e Bocas, Pedra sobre Pedra, Sexo dos Anjos, Roque Santeiro, A Indomada. Essas informações foram dadas na 34º Semana Espírita de Feira de Santana. (3)
“Meu filho vá tomar um passe no Centro Espírita”. Também recebi este conselho de minha mãe. (4) Foi assim que o espírita Amazonas Hércules entrou na minha vida. Fiquei estupefato quando nele verifiquei sequela da “lepra”. (5)
Mãe que cumpre a lei,  “A Lei do Amor”, sempre está com a razão. Talvez por isso se diga que “coração de mãe não se engana”.
No final da entrevista Nando Cordel fala do homem de bem e da caridade. O compositor apoiou-se na máxima “Amar o próximo como a si mesmo”, que está no Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XI.
Nele, o Espírito Protetor relembra que “a caridade sem a fé não seria suficiente para manter entre os homens uma ordem social de fazê-los felizes, que a caridade é impossível sem a fé”. “Podemos encontrar impulsos generosos entre as pessoas sem religião, mas essa caridade austera, que só pode ser exercida pela abnegação, pelo sacrifício de todo o interesse egoísta, só a fé poderá inspirá-la, porque nada além dela nos faz carregar com coragem e perseverança a cruz desta vida.”
“A vida terrena deve servir unicamente para o nosso aperfeiçoamento moral, o qual se conquista mais facilmente com a ajuda do corpo e do mundo material.” (ESE, IV, 25).
O médico desencarnado, Dr. Bezerra repete enfaticamente o que se encontra no Evangelho, como que desejando fixar, em definitivo, o ensinamento precioso na nossa máquina de esquecer.
A história da cristandade nos fala dos mártires que caminhavam com alegria para o suplício. Hoje, na vossa sociedade, para ser cristão já não se precisa enfrentar a fogueira do mártir, nem o sacrifício da vida, mas única e simplesmente o sacrifício do egoísmo, do orgulho e da vaidade. Triunfareis, se a caridade vos inspirar e fordes sustentados pela fé.”(ESE,XI, 13)
Os que estão iniciando o estudo da Doutrina dos Espíritos costumam perguntar se a encarnação é um castigo e se somente os espíritos culpados estão sujeitos a sofrê-la, Seria um castigo reencarnar como cientista ou artista no Brasil?
Em sua resposta, o espírito São Luis em 1859, lança luz dizendo que “a passagem dos Espíritos pela vida corporal é necessária para que eles possam cumprir, por meio de uma ação material, os desígnios cuja execução Deus lhes confia. É-lhes necessária, a bem deles, o que lhes auxilia o desenvolvimento da inteligência”.
“A encarnação é apenas um estado transitório. É uma tarefa, quando iniciam a vida, como primeira experiência do uso que farão do livre-arbítrio. Os que a desempenham com zelo transpõem rapidamente os graus da iniciação e mais cedo gozam do fruto de seus labores  Os que usam mal da liberdade retardam a sua marcha e podem prolongar indefinidamente a necessidade da reencarnação e é assim que se torna um castigo.”
“Pela reencarnação Deus também quis que os Espíritos, pondo-se novamente em contato, tivessem ensejo de reparar seus danos recíprocos. Quis o Arquiteto Divino estabelecer sobre base espiritual os laços de família e apoiar numa lei natural os princípios da solidariedade, da fraternidade e da igualdade.”
“Ninguém poderá ver o Reino de Deus se não nascer de novo”.
No Evangelho uma comparação nos faz compreender melhor: “o escolar não chega aos estudos superiores da Ciência, senão depois de haver percorrido a série das classes que até lá o conduzirão.”
“Não tendes mais arenas, nem as cruzes, nem os empalhamentos, nem as fogueiras, mas tendes as paixões internas a vencer.” Bezerra/Divaldo. Congresso. Portugal. Out. 2016.

Referencias:
1. Ciência com Amor.
2. A Ciência do Amor
3. A Lei do Amor
4. Mainha tinha razão
5. Amazonas Hércules. Laços Afetivos

(* ) 

sábado, 15 de outubro de 2016

FEMINICÍDIO: CRIME CONTRA A MULHER


Fernando Rosemberg

O Mandamento Divino é notadamente claro, e, portanto, extensível ao entendimento de todos os homens, ao preconizar:

“Não Matarás”!

Entretanto, nunca se cometeu tantos homicídios neste Mundo Provacional, que, paradoxalmente, e, por evolução, há que estar galgando, lentamente, a escalada rumo a um Mundo melhor, e, portanto, de homens também melhores, Espíritos mais avançados e praticantes leais do Evangelho Redentor.

Sinto-me constrangido de escrever, neste texto espírita, o que se propaga criminosamente por aí:

“Matar é fácil”...

Nada obstante concluem tais propagadores que:

“... difícil é conviver com isso!”;

Ou seja, conviver com as cobranças dos familiares da vítima, das leis humanas, bem como, e, principalmente, da própria Consciência que não prescinde de lhe cobrar pelo erro cometido e coisas de igual teor.

Ora, se a nossa Consciência nos felicita ou nos cobra pelos atos malsãos, que são, entretanto, atos bem menores que os de um homicida, quanto ela não nos cobraria, e, portanto, não estará cobrando, de um criminoso infeliz, atormentado por tudo, bem como, e principalmente, pela visão de sua vítima (ou vítimas) lhe recordando o Divino Mandamento:

“Não Matarás”!

E quanto maior não seria, dita cobrança consciencial, quando o crime cometido fora contra uma pessoa do sexo feminino, uma pessoa, pois, visivelmente mais débil fisicamente, e, mais sensível, em termos psíquicos e emocionais: que, afinal, são elas, nossas filhas, nossas mães que, mais ainda, são mães da humanidade inteira, mães de todos nós.

Em registros de um celular, dias atrás, certo elemento, ligando, algo abalado para uma pessoa da família, ele, com certa tristeza desabafava: “acabei de fazer uma besteira”! E, se os imbuídos, mas tão só imbuídos, da ideia de um assassinato, estivessem convictos da besteira que fariam, eles sequer pronunciariam (como se vê nas gravações de certas conversas), ameaças às suas (ex) esposas, (ex) namoradas e coisas que tais, nos termos raivosos, covardes e prepotentes de que vão acabar com suas vidas, e coisas de igual teor, que não nos cabe aqui, divulgar.

Por outro lado, ainda, o que se ganha no infeliz ato de se tirar a vida de alguém? E, no caso em questão, da vida de uma mulher indefesa, de uma esposa ou namorada, ou ex, que, aliás, ainda ontem se gostavam e trocavam juras de amor? O que se ganha, pois, pelo tirar-lhe a vida por um ou outro motivo banal, de desentendimento, ou coisa que tal? Por que, pois, além de partir para a agressão moral, tentar, ou, concretizar, o ato criminoso de ceifar a vida de alguém que, em termos psíquicos, como já lembrado, é mais sensível, e, fisicamente falando, muito mais débil, mais fraco que seu oponente agressor?

Mesmo porque, quando se mata uma pessoa, no caso, uma mulher, o fato é que não se lhe retirou a vida, pois que, afinal, a vida continua, e, portanto, dita pessoa não morreu, mas apenas transferiu-se da dimensão física para a espiritual, e, nesta outra vida, tal pessoa poderá, evidentemente, estar bem melhor, e, portanto, liberta deste Mundo de ameaças, de dores, de amargas decepções, seja na família, no trabalho, no relacionamento, ou, no que quer que seja, pois, de fato, este Mundo é inferior, doentio, provacional, e que me desmintam se eu estiver faltando com a verdade.

Mais ainda:

Se a vida, boa ou má, consoante nossos merecimentos, prossegue noutros planos existenciais, entretanto, para o agressor, ou, o homicida, a vida também continua por aqui, e se terá, o referido, se o pegarem, e, normalmente se pega, de amargar uma pena conseqüente, e, portanto, de se conviver com elementos de mesma espécie numa carceragem suja, enferma, superlotada, e, portanto, de viver uma expiação ainda mais severa e, pior, muito pior, do que se estivesse aqui fora, na sociedade livre que, por sinal, se não é fácil viver, é muito mais difícil lá dentro, na carceragem de prisões que não educam, mas, muitas das vezes, tornam o indivíduo pior, e, portanto, se afundando ainda mais.

E, por outro lado, ainda:

Quanto maior não será a imposição da Lei Divina, digo: da Lei de Causalidade, que dá ao justo a recompensa, e, ao injusto a devida e respectiva penalidade; e não estarão sendo duramente punidos os que se tornam “mocinhas” de criminosos mais doentios, mais violentos e mais fortes?

Mas tudo neste Mundo é ensinamento, e, afinal, também o é, e, sobretudo, para o Espírito transgressor, ou seja: para aquele indivíduo que amarga sua pena encarcerado nos presídios terrenais, dele dependendo ser melhor amanhã se arrepender de seu ato, para não complicar-se ainda mais.

Finalizando, pois:

Creio que é muito melhor viver aqui fora do que dentro das prisões. Aqui, pois, se pode gozar das boas amizades, de certas regalias e de liberdades que não se tem lá dentro, no mais fundo e tenebroso regime de uma carceragem institucional.

Portanto, mais que o ‘Não Matarás’, que se pratique o seu complemento divino:

“Amai-vos uns aos outros, assim como Eu vos amei”!

Pelo menos, d’Ele mesmo, ou seja, do Divino Mestre Nazareno, teremos, conforme sua promessa, uma vida melhor, das bem aventuranças, seja na Terra regenerada ou nas cumeadas de planos celestiais.

Isto é: se o merecermos!

NO MAIS, UM GRANDE ABRAÇO A TODOS:

Fernando Rosemberg Patrocinio
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sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Justiça Divina






Na pergunta n° 873 do “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec consulta aos Espíritos: O sentimento da justiça está em a natureza, ou é resultado de idéias adquiridas? Eles respondem: “Está de tal modo em a natureza, que vos revoltais à simples idéia de uma injustiça. É fora de dúvida que o progresso moral desenvolve esse sentimento, mas não o dá. Deus o pôs no coração do homem” (...)

Este princípio Divino, este sentimento moral da justiça, leva-nos a considerar que Deus dá as mesmas possibilidades de crescimento a cada um de seus filhos, sem abrir nenhuma concessão a quem quer que seja, e que partimos todos do mesmo ponto, rumo ao nosso aperfeiçoamento intelecto-moral. É o que nos orientam os espíritos superiores na resposta n° 133, no mesmo livro: “Todos são criados simples e ignorantes e se instruem nas lutas e tribulações da vida corporal. Deus, que é justo, não podia fazer felizes a uns, sem fadigas e trabalhos, conseguintemente sem mérito.” 

Segundo tal convicção, Deus não deu existência aos chamados demônios, seres dotados de princípios negativos, inferiores, maus. Se são mencionados nas escrituras, o são somente como uma figuração, como uma metáfora, para idealizar um ser mau, facilitando a compreensão do homem que só entende as coisas por sua imagem. Como também não criou anjos, seres originalmente bons, perfeitos, sem algo ter feito para tal merecer. Qualquer justificativa em contrário seria prejudicar a uns, e beneficiar a outros. Se nós, seres inferiores, não criaríamos se possível fosse, um nosso filho inferior, imperfeito, infeliz, e outro, superior, perfeito, feliz, muito menos a Divindade!..

Por outra, não poderíamos admitir um demônio por si mesmo criado pois, aí, teríamos que aceitar a existência de um outro criador, a competir com Deus, o que provocaria desarmonia. O desconhecimento humano argumenta ainda que Deus criou os anjos, e estes se rebelaram contra Ele, tornando-se demônios. Nesse caso, teríamos que admitir tal criação imperfeita, consequentemente Deus, sem levar ainda em consideração que todo ser perfeito estaria despido de ignorância, egoísmo, vaidade, orgulho, não enfrentando a Deus por possuir inteligência bastante, submetendo-se a Sua grandeza.

Chegaríamos, portanto, à conclusão racional e lógica que Deus cria todos os seres partindo do neutro, e com as mesmas oportunidades para evoluir, proporcionando-os as encarnações, quando usariam o esforço no bem, e o livre arbítrio, doado por misericórdia, para chegarem à perfeição. É o que nos orienta Allan Kardec ao se expressar no livro “O Céu e o Inferno”, 1ª parte, cap. III, 8: “A encarnação é necessária ao duplo progresso moral e intelectual do espírito: ao progresso intelectual pela atividade obrigatória do trabalho; ao progresso moral pela necessidade recíproca dos homens entre si”. (...)

A certeza do aperfeiçoamento do homem através das suas lutas, pelas encarnações fecha “uma questão de justiça”, pois faz jus ao seu esforço na busca da sua perfeição, angelitude e felicidades.

Cachoeiro de Itapemirim, ES.
Domingos Cocco
Rua Raul Sampaio Cocco n° 30 
Antiga Neca Bongosto Bairro Sumaré
Telefone: (28) - 3522-4053 –
CEP 29304-506 Cachoeiro de Itapemirim, E. do Esp. Santo

sábado, 8 de outubro de 2016

SUICÍDIO, “NÃO LAVE AS MÃOS”


Luiz Carlos Formiga

Um auxiliar de Palocci, ministro da ex-presidente Dilma, tentou suicídio numa cela da Lava Jato, na República de Curitiba. (1)
O que o leitor sentiria se encontrasse nas estatísticas de suicídio a maior frequência entre os espíritas?
O planejamento suicida ocorre quando a pessoa organizou mentalmente estratégias sobre a forma com que irá tirar a própria vida. Espíritas fariam um planejamento assim?
Diante de visíveis sinais de suicídio, o leitor procuraria ajuda comentando com outras pessoas o problema encontrado?
O Evangelho Segundo o Espiritismo (ESE), cap. X, item 21, diz que "Se as imperfeições de uma pessoa só a ela prejudicam, nenhuma utilidade haverá em divulgá-la. Se, porém, podem acarretar prejuízo a terceiros, deve-se atender de preferência ao interesse do maior número. Segundo as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode constituir um dever."
Mas, o suicida é um hipócrita?
Quando é conveniente desvendar o mal e divulgar a imperfeição do próximo?
No Evangelho encontramos a resposta dizendo que depende. Mas, como assim?
Divulgar o mal já não é o próprio mal a propagar-se?
Devemos lembrar que, o comportamento suicida abrange gradações da intenção de se matar, que transitam desde a ideação, planejamento, chegando ao suicídio propriamente dito. Existem sinais desse comportamento que podem ser observados e a intervenção em momento adequado pode evitar a morte.
Podemos nos sentir incompetentes ou impotentes?
Conforme relatório da Organização Mundial de Saúde 10 a 20 milhões de pessoas no mundo tentam se suicidar. O Brasil está entre os dez países com maior número absoluto de suicídios. Já o encontramos entre os espíritas?
Epidemiologicamente relevante e complexo, o suicídio é um problema de saúde pública para o qual não existe uma única causa ou uma única razão. Resulta de uma intrincada interação de fatores biológicos, genéticos, psicológicos, sociais, culturais, ambientais e espirituais.
O comportamento suicida representa um momento de crise, sendo uma emergência psiquiátrica. Por isso quando leigos nos sentimos desconfortáveis diante da própria desinformação, que não tem a ver com lavar as mãos. Lavamos as mãos num hospital, mas não estamos vendo micróbios contaminantes, com a vista desarmada. Talvez por isso não paremos para pensar nos problemas suicídio e política, da maneira que é necessária e que eles merecem. O adepto da Doutrina Espírita não admite a possibilidade de quem estudou Kardec chegar ao suicídio, achando que isso seria um contracenso, pois todos já foram informados do intenso sofrimento espiritual, que acomete ao morto voluntário.
Ocorre o comportamento semelhante quando estamos diante do acontecimento político, que equivale, guardada as proporções, a uma emergência psiquiátrica, para o leigo.
O espírita, ser social, deve participar da sociedade e colaborar na sua transformação.
A pessoa vê a sociedade como algo abstrato e fica com a sensação de que não faz parte dela e eventualmente “lava as mãos”. (2)
Hoje escutei que não adiantaria enviar um artigo a uma determinada pessoa. Ela quando percebe que há citação política desiste imediatamente do texto completo. Mesmo o indivíduo suicida fosse espírita “corrupto”.
Espírita suicida não existe, quanto mais corrupto!
A corrupção pode levar ao suicídio do indivíduo, preso, mas também daquele que ficou desempregado ou sem salário, na terceira idade, por causa do político corrupto, que é o pior dos ladrões.
Aquele que se mata e aquele que lava as mãos são espíritas verdadeiros?
Verdadeiros, mas desinformados?
Pior é que é da ignorância política que nasce a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista e corrupto. (3)
O que está sentindo a pessoa que comete “o ato estúpido”?
A corrupção possui efeito corrosivo, compromete a democracia, o Estado de Direito e ainda permite que o crime organizado prospere.
Eleitores frustrados descobriram o dia internacional contra a corrupção. Com 2,2 milhões de assinaturas surgiu o projeto anticorrupção. O eixo central da proposta é aperfeiçoar leis repressivas e preventivas à corrupção.
Entre as medidas, estão mecanismos para dar mais celeridade à Justiça brasileira, reduzindo a margem para recursos protelatórios de ações em andamento e a proposta que amplia a classificação penal do crime de corrupção para hediondo. (4)
Esse projeto dá ao espírita oportunidade de participar na prevenção.
A corrupção é o cupim da República e que pode induzir o suicídio naqueles que foram infectados por esse “micróbio”, patogênico por excelência.
Examine sua possibilidade de ajudar nessa desinfecção.
Ao contrário do que eu recomendaria no hospital, recomendo “não  lave as mãos”.
Acredite na boa semente. (5) Não se recuse a lançá-la no bom terreno.
Lute pelas 10 medidas contra a corrupção clicando neste link 6 lá no final. (6). Depois, compartilhe. Não cometa suicídio político ou homicídio culposo. Ou, crime de lesa-humanidade do terceiro milênio.


sexta-feira, 7 de outubro de 2016

FENÔMENO DO SÉCULO 20


Fernando Rosemberg

Como discorrer sobre um dos mais importantes missionários deste Século 20 que se findara: Francisco Cândido Xavier, ou, simplesmente: Chico Xavier como apreciava ser chamado?

Mas seria, de fato, um dos mais importantes, ou, melhor dizendo, o mais importante missionário do Século que, por sua popularidade, nos parecera ser o homem não das elites, mas sim do povo, porquanto dele mesmo recebera os honrosos títulos de:

-‘O Mineiro do Século’;

Como também o de ser, com certeza:

-‘O Brasileiro Mais Importante de Todos os Tempos’;

Quando, por sinal, recebera ainda o título de ser:

-‘O Maior Instrumental Mediúnico do Mundo terreno’.

Que, dentre seus inumeráveis feitos, está o fato de haver psicografado cerca de dez mil cartas de Espíritos se comunicando com seus familiares terrenos, e de ter elaborado, com seus superiores espirituais, mais de 450 livros, tendo vendido algo em torno de cinqüenta milhões de exemplares.

Acho que dá pra sentir, da inferioridade dos Espíritos mundanos, uma sua pontinha de inveja de um homem tão simples e tão complexo, tão humilde e tão poderoso, que, por sinal, detinha apenas o curso primário, mas revolucionara o mundo acadêmico e o mundo espiritista com suas revelações humanas e extra-humanas, materiais e espirituais.

Mas alguém poderia perquirir?

Como um indivíduo tão simples e tão humilde poderia escrever tantos livros que percorrem distintas áreas da atividade humana: a acadêmica e a científica, a filosófica e a ética, a dos costumes e da axiologia, das letras e de tudo o mais, se ele era detentor apenas de um curso primário?

Ocorre que, para nós, um pouco mais versados em Espiritismo, prevalece a máxima de que nada, do nosso psiquismo, ou seja, do quanto adquirimos em nossas experiências transpostas, se perde, pois que tudo, absolutamente tudo, fica registrado em nossa memória perispirítica, nosso cérebro espiritual. Tais aquisições, pois, podem até ser restringidas pela matéria somática da atual reencarnação, mas não se perdem jamais.

Do que se concebe, por aí, que o nosso Chico, na soma de suas experiências transpostas, é, na verdade, um homem absolutamente rico de virtudes, de sabedoria, conquanto, como Chico, e, pois, como homem, detinha apenas e tão só o curso primário da presente e última existencialidade no Mundo terreno.

O que significa expressar que a façanha grandiosa de sua obra mediúnica tem alguma relação com suas capacidades de antanho, seus saberes adquiridos, e pois, arquivados em sua memória espiritual.

Assim, pois, em se verificando a associação mental do Espírito comunicante com o Espírito do médium, e, com sua permissão para tal expediente, este deverá, conquanto o domínio e o comando mental do comunicante, assimilar e compreender o seu pensamento, pois que, embora parcialmente fundidos um no outro, são Seres de identidades próprias e distintas.

Sendo que, no caso em questão, Chico se afinava, quase em perfeita sintonia, com o Espírito Emmanuel, que, por sua vez, tudo coordenava da missão mediúnica do Chico, e, portanto, interferia, amorosamente, e, com a permissão divina, para a grandiosa tarefa da mediunidade com Jesus.

Chico, pois, mais que homem, fora instrumento do Altíssimo para a fenomenal tarefa, no Século 20, de ampliação do Espiritismo kardequiano implantado no Século 19, que, sendo a base de nossos saberes espiritistas, e, de nossos atos ao nível do Evangelho Redentor, nem por isso se pode negar, como Kardec mesmo acentuara, seu caráter essencialmente evolutivo, ampliando e melhorando seus conceitos filosóficos e científicos ao longo do tempo, de nossa evolução cognitiva, axiológica, espiritual e moral.

UM FORTE ABRAÇO A TODOS:

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