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domingo, 31 de julho de 2016

INDIGNAÇÃO DEPOIS DOS SETENTA


Luiz Carlos Formiga

Não sei se é surto psicótico, mas, estou indignado, como os que “Vem pra Rua”, neste 31 de julho.


Já expliquei anteriormente o meu problema psiquiátrico. Não o escondo, como alguns navegando no rivotril dando “canetadas adoidadas”. 

Escrevo quando sinto uma imperiosa vontade, talvez por isso, escrevo pouco. A motivação surge quando meus olhos se molham, pelo problema, pela impotência e incompetência.

Mesmo sem usar o olanzapil, depois que escrevo, desabafando prevenindo o AVC, aquele problema psiquiátrico, sensação de omissão, desaparece e fica distante por muitos dias. Santo remédio, que estou tomando agora. Nem vou necessitar ir a passeata em Copacabana.



Domingo, acordei e fui ver as notícias e meus e-mails. Sábado, através do “Espiritismo Século XXI”, tomei conhecimento que a edição de domingo de O CONSOLADOR, Ano 10, nª 476, poderia ser lida antecipadamente. Foi quando vi o interesse da leitora Renata pelos sonhos e sua interpretação.

Dei informação à revista de que tinha escrito também outro artigo: “O Sonho de Nieta e o Pesadelo de Teresa”.

Por e-mail, o diretor da revista nos informa que o encaminhará à leitora, interessada em saber mais sobre a atividade noturna do espírito, liberto parcialmente do corpo pelo sono.



Neste assunto existem alguns fatos que materialistas não podem explicar e quando isso acontece, isto é, não podem discutir os fatos, eles mudam o foco da discussão, como acontece com políticos, auxiliados pelo devido processo legal e a ampla defesa.


Mas, qual a razão de tanta indignação, causada pela notícia?

Deve ser porque fiquei sem receber pagamento, proventos de professor universitário inativo, e não pude pagar as minhas contas, ficando inadimplente. Isso aconteceu, pela primeira vez, depois dos setenta anos de idade. Ave Maria!

Acontece que li, ainda a pouco, que assaltaram a educação e a saúde. Se o leitor tiver alto grau de resistência à frustração leia a notícia completa no Josias. E depois reze uma Ave Maria.


Educação e Saúde são exatamente os locais onde pude atuar nesta reencarnação. Fui feliz, mesmo com todas as dificuldades de infraestrutura para ensino e pesquisa na UFRJ e principalmente na UERJ. Nelas sempre andei de “pires na mão”, mas até então só para fazer Ensino & Pesquisa, binômio indissociável é visão de mundo. Mas proventos é questão de lei!


Assaltaram a educação e a saúde e a notícia vem do Ministério da Transparência. Estou me sentindo impotente e incompetente. E o leitor? Vem pra Rua?Eu já estou nela, graças ao Jornal O Rebate e ao Jorge Hessen.


Neste domingo complicado não vou ampliar.

Vou rezar, com Jackie Evancho.

Vou também dizer, como uma professora que tive na Faculdade de Direito:

“Ave Maria, só Jesus!”

sábado, 30 de julho de 2016

A ONTOGÊNESE REPETE...

Fernando Rosemberg

No campo do evolucionismo, nos tempos atuais, patenteia-se, como se sabe, o neo-Darwinismo com suas evidentes provas fósseis, moleculares, adaptativas, das estruturas de analogia e de homologias, vestigiais e etc., fazendo-nos entrever uma concepção bem mais ampla do que o fixismo das espécies e mostrando-nos, assim, o avanço de tudo, de todos os seres e de todas as coisas.

Tais estudos, de ordem científica, encerram implicações filosóficas e éticas, pois induzem apreciar-se o fio condutor, o elo que harmoniza seres e coisas sobre perspectivas outras que não só de ordem material. Parece verificar-se, pois, que tudo se ordena e se coordena de modo contínuo e sábio, exigindo-se, assim, maior reverência do Homem para com a Natureza e com tudo aquilo que lhe representa biologicamente, e também, psiquicamente, pois, para o Espiritismo, como visto, sua progressividade não se verifica, apenas e tão só, ao âmbito material, mas, principalmente, ao âmbito espiritual, mostrando a espécie, o indivíduo, o Ser, em constante dinamismo e expansão de suas potências, quando vai estruturando mais perfeitos órgãos, mais sábios instrumentos de sua longa trajetória progressiva e ascensional.

Para Haeckel, grande defensor das idéias evolucionistas no seu tempo:

“A ontogênese repete a filogênese”

Ou seja: a gênese do Ser repete a gênese das espécies. Noutros termos, e, explicando melhor, sabe-se que o embrião humano, tal como os demais de outras espécies, exibe, em seus primeiros dias, pronunciada semelhança com um peixe: tem um coração com duas cavidades, vesícula vitelina, reentrâncias branquiais e cauda recurvada como a do cavalo marinho. Após certo tempo, porém, ele vai recordar os anfíbios, pois desenvolve uma terceira cavidade cardíaca, as brânquias se atrofiam, os pulmões aparecem e a cauda regride; mais adiante, ainda, o seu coração evolve outro passo adquirindo alguma parecença com o dos répteis. E diferenciando-se um tanto mais, surgem as quatro cavidades do coração, a homotermia, a presença de pêlos no corpo indicando que o concepto alcançou a classe dos mamíferos.

Numa visão tão só biológica, nota-se que o referido concepto vai crescendo e contrariando os mais vulgares princípios de causa e efeito, haja vista que mais órgãos vão surgindo de menos órgãos que, por sua vez, crescem, se aperfeiçoam, e, ao vencer-se o prazo de nove meses vem à luz, finalmente, um novo representante da espécie que, em nosso caso: trata-se de um Ser humano ainda bebê, pequenino e frágil, em que, aos mais exigentes estudiosos, dará o que pensar, recusando-se, por isto, a concepção puramente mecânica da vida que culmina, mais tarde, na Consciência, ou, noutros termos: na Inteligência e na Moralidade humanas.

Ou a Consciência já estava lá?... no início do Ser, nas células gametas, nas proteínas, na água e em tudo o mais, ou melhor: em tudo o menos de sua gênese espetacular.

E o fato é que a célebre frase de Haeckel sugere não só evidências a favor do evolucionismo darwiniano, como também sugere haver um fator extra-físico no bojo do Ser, encerrando, em sua estrutura mesma (perispirítica) um repositório de informações ancestrais de sua lenta progressividade nas diversas espécies do Orbe que, no fundo, e, primordialmente, conterá registros de suas andanças, sua caminhada universal.

Diga-se, entretanto, que Haeckel era um céptico no tocante ao espiritual, mas nem por isto deixara de entrever e de constatar o elo conciliador e genético de todas as coisas, o que está confirmado pelo Espiritismo e por tantos luminares do Século 20, sobretudo nas obras de Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco.

O Espírito, pois, é o responsável pela gênese das coisas, e, portanto, pela gênese biológica do Homem; mas também o é, obviamente, pela recapitulação embrionária, pelos registros informacionais da filogênese da qual fora o agente principal, ou, se o preferirem: perispiritual.

Autor: Fernando Rosemberg Patrocinio

Blog: filosofia do infinito

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Só para os que foram na Disney



Luiz Carlos Formiga



Fui Aspirante a Oficial da Reserva, estávamos no quarto centenário da Cidade do Rio de Janeiro. Assim que fiz o estágio “saí” segundo tenente e fiquei  nesta “estatura”.
No quartel, lembro-me que nos colocavam em forma por altura. Foi quando descobri que apenas um aluno do CPOR era mais baixo do que eu e que deveríamos desistir de jogar basquete, como Vanessa da Mata.

Descobri coisa pior quando me fizeram fazer uma “marcha” e fomos a pé de São Cristovão à Ilha do Governador. Acho perto de carro, mas o problema não é esse. Difícil era carregar aquela mochila pesada nas costas e o capacete de aço, que cobria o de fibra, levando numa das mãos uma arma, chamada Mosquetão. Meu pulso chorava de suor.

Depois de certo tempo de caminhada, parecia que o pescoço havia encolhido e podia tocar o esterno, aquele osso chato localizado na parte anterior do tórax. Tinha a impressão de que havia perdido uns bons centímetros da modesta altura.

Nessa hora, desenvolvemos a solidariedade e, vez por outra, olhava para trás, procurando ver se o meu colega, o baixinho, necessitava de alguma coisa. A água do cantil parecia evaporar com mais facilidade, embora mantido bem fechado. Uma gota vale ouro. Resistência e resiliência são relativas. O baixinho ainda me ajudou a socorrer outros, aparentemente mais fortes. 

Hoje posso entender melhor a mensagem de Emmanuel, no livro Vinha de Luz, interpretando Paulo (Efésios, 6: 17), mas aprendi  também  que “não é muito fácil” usar o capacete da salvação.

O leitor deverá compreender que estou querendo ser lacônico. O que nem sempre é fácil! Certas horas “uma gota vale muito”. Gostaria de dizer muito em pouco tempo, mas isso é coisa para “Arianos”.

No Rio de Janeiro nem os docentes-pesquisadores inativos (professores aposentados da Universidade do Estado do Rio de Janeiro) foram poupados de sofrimento semelhante, pois não receberam os proventos (água da vida material), mesmo que o ato “mate de vergonha” a Constituição (CRFB-88), com a arma da inadimplência.

Professores e funcionários, quase na morte, ficaram de pires na mão sem poder pagar contas e o plano de saúde. “Saúde não é mais dever do estado!”

http://orebate-jorgehessen.blogspot.com.br/2016/07/questao-de-fe.html
https://rinconespirita.wordpress.com/dr-luiz-carlos-formiga/


Não apenas os professores da UERJ devem invejar o advogado da ONU, Geoffrey Robertson. Ele, cobra 40 mil reais por dia.
Quem pode pagar?

Diria Ariano Suassuna: “Só os que foram na Disney.”

Na dúvida  da eventual possibilidade da existência de uma Justiça Divina, os políticos materialistas deveriam “rezar” para que a morte do corpo destrua a vida, em outras palavras, que a alma seja mortal, que os espíritos sejam criações de pessoas sem massa cerebral.

Na realidade, não deveriam se preocupar, pois para eles a “ciência já provou” que não existe vida após a morte, e não existem evidências científicas sugestivas de imortalidade e reencarnação.

O Homem não teceu a teia da vida;
Ele é apenas um fio dela.
Tudo que ele faz à teia
Ele faz a si mesmo.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

A INFÂNCIA E AS TECNOLOGIAS – PAIS, TODO CUIDADO É POUCO! (Jorge Hessen)


Jorge Hessen
Brasília/DF

As crianças de 8 a 12 anos que vivem conectadas à Internet constituem o grupo mais vulnerável para um abusador sexual. Segundo especialistas mencionados pelo diário “La Nación” de Buenos Aires, os pais que começam a se preocupar com a vida virtual de seu filho quando esse faz 12 anos estão chegando atrasados. Segundo Sebastián Bortnick, presidente da ONG argentina Cibersegura, que propôs a lei que transformou em delito a caça sexual a menores pela Internet e outros meios eletrônicos, “é preciso prestar atenção mais cedo, pois a partir dos 8 anos já correm risco”, disse. [1]

Os perigos são reais, vejamos: os argentinos estão comovidos com o assassinato de Micaela Ortega, uma adolescente de 12 anos, encontrada morta no final de semana, após permanecer 35 dias desaparecida. Segundo fontes oficiais, ela conheceu o assassino no Facebook. O promotor que investiga o caso, Rodolfo De Lucia, contou à imprensa que “Luna”, o assassino, convenceu Micaela a acompanhá-lo, dizendo que a levaria para a casa de uma amiga, a mesma que “Luna” inventou no Facebook. [2]

Para os estudiosos da temática, quase 70% das crianças (meninos e meninas) entre 10 e 12 anos, já criaram um perfil numa rede social. Naturalmente ainda são crianças, entretanto não estão mais na infância. Convivem ou sobrevivem absorvidas por emblemáticas relações virtuais, com escasso contato com o mundo real e ignoram os gravíssimos perigos que os cerca. Recordo que 50 anos atrás nos agrupávamos para brincar na casa de um amigo, de um parente, na rua ou na praça, contudo hoje em dia as crianças se agrupam nas redes virtuais (sem noção de realidade).

Desde a popularização do rádio - inventado por Marconi, em 1895 e disseminado em grande parte do mundo até as décadas de 30 e 40 - da expansão da TV, inventada por John Baird em 1925, e disseminada no Brasil a partir dos anos 50 e da invasão da Internet, a partir da década de 90 - com a criação dos sistemas de rede (web) - atribuída a Tim Berners Lee, o nível de informação das pessoas aumentou consideravelmente. Mesmo aqueles considerados ignorantes na sociedade atual detêm um volume de informação muito maior que há cinco décadas." [3]

Em tempos de cibernética é urgente monitorarmos nossos filhos sob às regras necessárias da vigília cristã, antes que nossos rebentos completem os 11 anos. Agindo assim, podemos instrumentalizá-los de consciência crítica, a fim de lidarem com o mundo virtual, conduzindo-os à vigilância diante das arapucas advindas pela Internet.

Consequentemente, é imperioso explicar aos filhos sobre os perigos das redes sociais (Facebook, Instagram ou Snapchat), investigar diariamente o que eles acessam na Internet, o que assistem (filmes), o que ouvem (músicas) e com quem articulam mensagens. Urge fazer isso de forma amorosa, numa relação de proteção. Esse procedimento dos pais acarretará benefício aos filhos e eles perceberão que estamos cautelosos e que podem dialogar conosco sobre o que fazem e com quem conversam nos universos virtuais.

Seguramente, os pais que negligenciaram até aqui o controle das viagens dos filhos nas trilhas dos smartphones, notebooks, tablets etc., quando começarem a monitorar ficarão espantados ao adentrarem nos perfis e correspondências dos filhos (menores de 12 anos). Há cem por cento de chance de descobrirem correspondências incomodativas por lá. Toda cautela é pouca! Lembrando que no monitoramento não pode haver suspensões hostis quanto ao uso da tecnologia, até porque a “coisa proibida” é mais sedutora para eles. É necessário dimensionar aos filhos a confiança de que estão sendo vigiados para o seu próprio bem.

Apoiados no bom senso doutrinário, é importante aprendermos a enfrentar os desafios cibernéticos, com a intenção de procurar a verdade e de esclarecer nossos filhos. É bastante salutar que saibamos separar o trigo do joio. A Internet, a despeito das informações incorretas, das agressões, das infâmias, da degradação e do crime, é sem dúvida um instrumento de grandiosas realizações que dignificam o homem e preparam a sociedade para um porvir mais promissor, e nossos filhos não podem estar alheios a isso.

Vivemos num estágio social em que o mundo virtual é quase o real, mas ele nos surge como sonho. Alguns sonham com cuidado, outros se perdem nos conflitos dos delírios oníricos. Em todos esses estágios há o perigo disso virar pesadelo. Esse é o preço que a sociedade contemporânea paga pelo avanço das tecnologias, apesar de muitos cidadãos ainda não terem se dado conta de que seus atos pelas vias virtuais estão estabelecendo desastres morais de consequências imprevisíveis.

A Internet permitirá um contato mais rico com a monumental obra espírita. Hoje é possível elaborar cursos interativos, por exemplo, uma discussão das obras espíritas clássicas, assinalando links relevantes entre os diferentes textos, e com comentários feitos por autores consagrados. Os livros da Codificação podem ser disponibilizados em hipertexto, em versões de fácil consulta. Relatos específicos podem ser colecionados e indexados para pesquisa rápida etc. etc. etc.

Mas cuidado! Ora, se devemos prestar atenção redobrada ao atravessar uma avenida de trânsito intenso, devemos ter a máxima cautela ao navegar na web, pois os perigos são reais. Também nós adultos devemos estar atentos para evitar cair em emboscadas cibernéticas. Mas apesar dos riscos e temeridades, não devemos demonizar as novas tecnologias tal qual fazia a Inquisição na Idade Média, queimando os livros e dilacerando a cultura.

Referências:

[1] Disponível em http://www.jpnews.com.br/noticias/2016/2590498/pais-precisam-se-preocupar-com-a-vida-virtual-dos-filhos-desde-cedo acesso em 25/07/206

[2] Disponível em http://www.oparana.com.br/noticia/morte-de-adolescente-que-conheceu-assassino-no-facebook-comove-argentina/8371/ acesso em 25/07/2016


[3] Disponível em http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com.br/2013/03/as-novas-midias-como-locus-privilegiado.html acesso em 25/07/2016

segunda-feira, 25 de julho de 2016

OCULTA, POR ENQUANTO!


 
Luiz Carlos Formiga

Um pequeno texto que enviei ao O Globo, um jornal diário, tornou-se “Editorial”, numa revista de Medicina Laboratorial.
Ele foi citado na Câmara dos Deputados, durante a “Assembleia Nacional Constituinte”. Aí, fiquei repleto de orgulho com o ego envernizado, numa pintura final.
As primeiras pinceladas haviam sido dadas durante as defesas das teses de mestrado e doutorado.
Tudo conspirou na direção da vaidade, que camuflada se instalava lentamente, derrotando as minhas últimas reservas da virtude que nos dá o sentimento da nossa insignificância.
Como fui tolo!
Pensamos que sabemos tudo de mediunidade e ficamos perplexos diante de situações inusitadas como aquela narrada pelo Dr Paulo Cesar Fructuoso, em sua pesquisa.
Sua “experiência laboratorial” deu origem a um livro. Ele agora está sendo traduzido na Colômbia, conforme me informou o espírita que é médico.
Preconceito, outro sentimento que já senti e é muito perigoso.
Lembrei porque escutei o comentário abaixo, quando escrevi o texto do link acima.
“Mas as pesquisas não foram feitas em uma instituição que podemos chamar de puramente espírita!”.
Alguns estudam um pouco mais a Doutrina dos Espíritos; passam a fazer palestras; escrevem textos, que se transformam em “Editorial”; fazem parte da “Câmara dos Deputados Espíritas”, defendem teses e podem se sentir “doutores em Espiritismo”. Dessa forma poderão passar pela experiência desagradável, como eu, de verem esgotadas as reservas da virtude referida como humildade. Estarão, como fiquei, doentes.
Podem exigir hotel cinco estrelas e carro ou sentem-se missionários e passam a desejar se perpetuarem nos cargos, esquecendo-se dos encargos. Mas, isso somente ocorreria se o indivíduo estivesse doente.
O leitor não deve ficar preocupado, pois ninguém, em sã consciência, se sente doutor em Espiritismo, isto é “hipótese do absurdo” e não me parece que seja possível acontecer no meio espírita, depois dos exemplos deixados pelo médium Francisco Cândido Xavier.
"Cada carta, cada mensagem, que criam destaques em torno de meu nome, é um convite a que eu seja o que ainda não sou e que devo ser, preciso ser, e que peço a Deus ser algum dia.”
Mas, uma pessoa doente, diante de forte emoção, pode chegar até ao suicídio. Daí a importância da pesquisa sobre a imortalidade da alma.
Com metodologia científica conseguiu-se demonstrar que a morte do corpo não mata a vida. Isto faz com que o suicídio acabe sendo um ato estúpido. O médium com “talento extraordinário” me chamou a atenção e fui observar de perto.
Durante uma palestra aconteceu o fenômeno de psicofonia. Uma senhora que estava sentada na primeira fila não conseguiu resistir ao espírito, e, em choro convulsivo, exclamou: “Eu não sabia que hanseníase tinha cura, foi por isso que me suicidei!
Quando abrimos “O Evangelho Segundo o Espiritismo” e estudamos o suicídio e a loucura vemos que o preservativo da razão é a serenidade e que as ideias materialistas são excitantes ao suicídio.
Livros como o do Dr Fructuoso devem ser traduzidos para desafiarem a incredulidade materialista e informarem que depois da morte estaremos de posse de um novo estilo de vida.
Todo espírita tem o dever de “participar da divulgação do Espiritismo, a luz sagrada que já começou a realização da regeneração do próprio divulgador.”
Com a imortalidade da alma, e o espírito materializado em ação, como ocorreu no Lar de Frei Luiz, muito teremos para pensar e para modificar nossa escala de valores.
Depois disso, muitos pensarão duas vezes antes de se juntarem aos que cantam no coral pró-aborto e passarão a entoar um hino em favor da vida:
“Seja o que for, eu digo sim para amor”.

sábado, 23 de julho de 2016

SER: UM SOFTWARE ESPIRITUAL?


Fernando Rosemberg


Os estudos científicos do Espírito foram realizados por sábios do Espiritismo (Kardec, Delane, Denis, Flammarion, e etc.), da Metapsíquica (Richet, Crookes, e muitos outros mais), das diversas Sociedades de Pesquisas, bem como, mais recentemente, pela Parapsicologia de Rhine e Mc Dougal que redefiniram a Mente humana nos termos de algo ‘não-físico’, ou, ‘extrafísico’, sendo, portanto, de ordem espiritual.

Assim, pois, o cérebro humano, fazendo-lhe uma comparação um tanto inadequada com um computador, se distingue do Espírito, sendo este, pois, o “programa” daquele outro: com suas memórias, experiências, saberes e valores adquiridos no imenso curso palingenésico das vidas transpostas no curso temporal da evolução.

Logo, nosso cérebro, tal como um “hardware”, é tão só instrumento do Espírito, ou seja, do “software” do que este Espírito se constitui, e que, portanto, colabora e contribui com sua lógica e com o conjunto de instruções e dados a serem processados pela circuitária “eletrônica” do cérebro, nesta breve comparação de uma coisa com a outra.

Ou seja:

Computador = Software + Hardware

E, nós, os humanos, de modo matemático já definido:

Homem = Espírito + Bio-Matéria

Com a diferença de que: o computador fora criado pelo Homem; e o Homem o fora por Deus.

O que expressaria, com razão, que o Homem é, de fato, um co-Criador e não Criador propriamente falando, pois tudo quanto o Homem realiza, ele tão somente o faz por sua dependência filial de Outrem, ou seja: de Deus que Tudo Sabe (Onisciência), Tudo Pode (Onipotência) e Tudo Presencia (Imanência) por Sua Infinitude que Tudo abarca e Tudo abrange todas as coisas, de Sua Infindável Criação.

Todavia, pergunta-se: O que é, mais intimamente, o Espírito, o Ser que comanda as coisas de nós mesmos como entidade biofísica e corporal?

Do que Ele se estrutura, se forma e se constitui?

Aí mesmo param nossas lucubrações e pesquisas, tendo-se por perspectiva, apenas e tão-só, o fato de que somos uma centelha anímica derivada da Centelha Divina do Criador, nos permitindo concluir daí: que eu sou, que tu és, e que somos, portanto: um fato existencial da Existencialidade Suprema, cabendo, pois, ao cético, provar o contrário, isto é, se o puderes: ontem, hoje ou amanhã, pois que ninguém, até então, lograra fazê-lo por sua incapacidade de provar o impossível:

Que não és, enquanto Tu És!

UM GRANDE ABRAÇO A TODOS:
Fernando Rosemberg Patrocinio

sexta-feira, 22 de julho de 2016

EUTANÁSIA - A FALSA PORTA DA “PAZ ETERNA” (Jorge Hessen)


Jorge Hessen
Brasília/DF

Lamentavelmente a eutanásia é legal na Bélgica desde 2002. A lei belga estabelece que, para ter direito à eutanásia, os pacientes precisam demonstrar constante e insuportável sofrimento psicológico ou físico. Em 2013 houve 1.807 casos de eutanásia no país, a maioria deles de pessoas idosas sofrendo de doenças terminais (apenas 4% tinham distúrbios psiquiátricos).

A eutanásia tem suscitado controvérsias nos meios jurídicos. No Brasil, a Constituição e o Direito Penal são bem claros: a eutanásia constitui assassínio comum. Nas hostes médicas, sob o ponto de vista da ética da medicina, a vida é considerada um dom sagrado, e portanto é vedada ao médico a pretensão de ser juiz da vida ou da morte de alguém. A propósito, é importante deixar consignado que a Associação Mundial de Medicina, desde 1987, na Declaração de Madrid, considera a eutanásia como sendo um procedimento eticamente inadequado.

No entanto, na Bélgica, Sébastien, um belga, tem reivindicado uma autorização legal para morrer através da eutanásia. Para isso, argumenta que sofre psicologicamente por não conseguir aceitar sua homossexualidade. Vive numa constante sensação de vergonha e de cansaço mental por estar atraído sexualmente por quem não deveria, segundo crê. É como se tudo fosse ao contrário do que gostaria de ser, alega. Há gigantesco apoio popular à eutanásia na Bélgica. O número total de casos aprovados tem crescido anualmente desde 2002.

A lei foi modificada em 2013 para consentir a prática inclusive para crianças em estado terminal. A lei estabelece que todas as mortes por eutanásia no país devem ser inspecionadas por um comitê de médicos e advogados. Para Gilles Genicot, professor de legislação médica da Universidade de Liége e membro do comitê que revê os casos de eutanásia, o desejo de Sébastian, por exemplo, não preenche o critério legal para a prática. [1]

Sem exteriorizar aqui nosso juízo sobre a auto rejeição da sexualidade de Sébastian, privilegiaremos as ponderações doutrinárias em torno do contra-senso da eutanásia oficializada. Sim! Não cabe ao homem, em circunstância alguma, ou sob qualquer pretexto legal, o direito de escolher e deliberar sobre a vida ou a morte de seu próximo, e a eutanásia, essa falsa piedade, atrapalha a terapêutica divina nos processos redentores da reabilitação espiritual.

Nós, espíritas, sabemos que a agonia física e emocional prolongada pode ter finalidade preciosa para a alma e a enfermidade pertinaz pode ser, em verdade, um bem. A questão 920, de O Livro dos Espíritos, registra que “a vida na Terra foi dada como prova e expiação, e depende do próprio homem lutar, com todas as forças, para ser feliz o quanto puder, amenizando as suas dores”. [2]

Muitos infelizes crêem que a solução para seus sofrimentos é a morte através da eutanásia oficializada. Todavia, afirmamos que além de sofrer no mundo espiritual as dolorosas consequências de seu gesto equivocado de acovardamento e revolta diante das leis da vida, aquele que procura recursos para morrer pela eutanásia (uma espécie de suicídio indireto) ainda renascerá com todas as sequelas físicas resultantes da deliberação da morte antecipada, e terá que enfrentar novamente a mesma situação dolorosa que a sua inexistente fé e distanciamento de Deus não lhe permitiram o êxito existencial.

O verdadeiro espírita porta-se, sempre, em favor da manutenção da vida, respeitando os desígnios de Deus, buscando não só minorar seus próprios sofrimentos, mas também se esforçar para amenizar as dores do próximo (sem eutanásias), confiando na justiça perfeita e na bondade do Criador, até porque, nos Estatutos Dele não há espaço para injustiças e cada qual recebe da vida segundo suas necessidades e méritos. É da Lei maior!

Referências:

[1] Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/internacional-36591159 acessado em 15/07/2016


[2] Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB, 2002, pergunta 920

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Mulheres, Umbral e AIDS


Luiz Carlos Formiga .

Em 1991, publicamos um artigo sobre Aids, Jornal Espírita, da FEESP, SP. As Epidemias e essas Pobres Crianças.
Nele, dissemos que   “a doença atinge todas as classes sociais afetando não apenas a saúde física. Nesta situação é que percebemos quanto somos frágeis, dependentes e quanto, não nos conhecemos. A rejeição, a desconfiança e a solidão desequilibram a vida afetiva. O estigma impossibilita o exercício pleno dos direitos humanos básicos. O que acontece quando estamos diante de uma criança?”
Os jovens de hoje não viveram o “boom” da epidemia, não viram os artistas morrerem e tratam a Aids, como doença crônica, aquela que não põe em risco a vida das pessoas num prazo curto, como a hipertensão, não sendo emergência médica.
O jovem espírita não é diferente, mas na mocidade são alertados para a existência da “cidade do sexo”, no plano espiritual.
Situada no Umbral é rotulada de “Cidade Estranha”.
Vinte e cinco anos depois, não mudaríamos o título “As Epidemias e essas Pobres Crianças”, porque a 21º Conferência Internacional sobre a doença a coloca como a segunda causa de morte entre jovens.
Isso nos deixa perplexos, assim como ficou o diretor-executivo do Unicef:
"depois de tantas vidas salvas e melhor cuidadas graças à prevenção, tratamento e cuidado; depois de todas as batalhas ganhas contra o preconceito e a ignorância relacionados à doença; depois de todos os maravilhosos marcos alcançados, a Aids permanece como a segunda causa de morte entre jovens de 10 a 19 anos em todo o mundo - e causa número um na África". 
Em 1989, durante o Congresso Internacional no Canadá, ouviu-se que: “uma vacina eficaz era remota."
Qual a possibilidade de vacinação em 2016
Somos informados de que “desde o ano 2000, mortes relacionadas à Aids mais do que duplicaram entre adolescentes em todo o mundo. A estimativa é que, a cada hora, 29 pessoas, de 15 a 19 anos, são infectadas pelo HIV, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef)”
De acordo com o relatório, “meninas são mais vulneráveis, representando 65%  das novas infecções em adolescentes no mundo. Na África Subsaariana, região onde estão aproximadamente 70% das pessoas que vivem com HIV no planeta, três em cada quatro adolescentes infectados em 2015 eram meninas.”
A noção de morte é nebulosa não só no universo infantil. Para elas o que é assustador é a reação dos adultos à sua volta. A saúde depende também de um ambiente físico, emocional e espiritual equilibrado. Quando o adulto não sabe o que fazer a criança se sente perdida e sua saúde é abalada.
Para que o adulto viva na plena consciência da existência será necessário que no período infantil seja atendida a sua necessidade maior, que é encontrar um sentido para a vida.
A existência da alma e sua sobrevivência após a morte é tema crucial para a educação, porque pode influenciar a hierarquia de valores, padrões éticos e o comportamento humano.
Quando já sabemos que retornamos com as mesmas almas em diferentes relacionamentos nos tornamos mais atentos, com as relações afetivo-emocionais. Percebemos com maior nitidez que a liberdade tem os seus limites e também os seus compromissos. A educação passa a ser um processo de formação de valores e de libertação espiritual.
Para isso é necessário desafiar a incredulidade, principalmente entre os portadores de diplomas universitários, que são formadores de opinião.
Teríamos que avançar, mas não vamos, e tocar na questão “política”, que desagrada grande parte dos leitores. No entanto, mesmo sendo enfadonho, devemos relembrar que é “da ignorância política que nasce a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista e corrupto”.
O espírita, como ser social deve participar da sociedade e colaborar na sua transformação.
O que fazer diante dos menores abandonados que podem ser encontrados na rua? Anália Franco disse e poderia repetir hoje o seu pensamento: “a lágrima mais sentida é a do órfão desvalido”. Vivem desde cedo em ambiente hostil, onde não existem barreiras para o uso de drogas e iniciação precoce da vida sexual. Como afastá-los do risco de contaminação? Como não marginalizá-los ainda mais depois da infecção?
“O medo de passar pelo exame, segundo o Unicef, faz com que muitos jovens não tenham conhecimento de sua situação - apenas 13% das meninas e 9% dos rapazes foram testados no último ano. Pesquisa conduzida pelo próprio fundo das Nações Unidas em 16 países constatou que 68% dos 52 mil jovens entrevistados não querem fazer o exame por medo de um resultado positivo e por preocupação com estigma social.”
Quando o adulto não sabe o que fazer a criança se sente perdida e sua saúde é abalada.
O leitor deve estar se perguntando, o que podemos fazer?
Qual  resposta deve ter dado o Dr. Anthony Lake, diretor- executivo do Unicef?
A sociedade contemporânea trafega por extremos: os extremos da miséria, os extremos da violência, os extremos da falta de informação, os extremos do excesso de informações. As cidades brasileiras não fogem a esse imaginário, elas são paradoxais.
Na falta da imunização ativa contra a Aids a melhor vacina ainda é a informação. Em qualquer doença, onde seus portadores carregam estigmas, ela é crucial e a comunicação dirigida uma possível solução.
Rosa, A.T.; Formiga, L.C.D. & Freitas, R.F. 1994. A Hanseníase, a Lepra e a Comunicação Dirigida. Escola de Enfermagem Anna Néry & Instituto de Microbiologia, UFRJ. Apresentado no XVII Encontro Nacional dos Estudantes de Enfermagem, Universidade Estadual do Ceará, Fortaleza. Monografia. 43 p.