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terça-feira, 30 de agosto de 2016

RELIGIÃO: UMA SUA PERSPECTIVA

Fernando Rosemberg

O presente e sucinto arrazoado intenciona fazer uma análise despretensiosa da questão 798 dos Espíritos sábios (AK – “OLE” – 1860 – “edição definitiva” – Ide) em sua mais importante obra, que assim sinalizara:

Pergunta:

“O Espiritismo tornar-se-á uma crença popular ou ficará circunscrito a algumas pessoas?”

Resposta:

“Certamente, ele se tornará uma crença popular, e marcará uma Nova Era na história da humanidade, porque está na Natureza e é chegado o tempo em que deve tomar lugar entre os conhecimentos humanos.” (Opus Cit.)

Notemos que tal fora ministrado no Século 19, ou seja, a 156 anos atrás. E, de lá pra cá, obviamente que muita coisa mudou; a sociedade planetária, de um modo geral, muito ampliara de suas ideias, de sua compreensão das coisas, hoje bem mais dilatada se comparada ao entendimento e à compreensão do homem nos tempos de Kardec.

E, portanto, vivemos outros tempos: da relatividade, da física quântica, do multiverso, da multiplicidade das dimensões, das viagens a lua, das comunicações em tempo real, dos computadores, da internet e tudo o mais. Ferramentas que mudaram o Mundo para sempre, modificando-nos o panorama mental.

E quando, em retrospectiva, encaramos o Espiritismo, inaugurado em 1857, até o ano de 1971, podemos destacar, pelo menos por parte do povo que constitui a miscigenada cultura brasileira, uma determinada percepção do mesmo (do Espiritismo), e, muitas das vezes, equivocada, sobretudo por falta de estudos e conhecimentos mais precisos que lhe pudesse favorecer uma sua melhor compreensão.

Todavia, posteriormente a 1971, logo após as inolvidáveis edições do Programa Pinga Fogo, com Chico Xavier, notamos o quanto o Espiritismo se robustecera com tais componentes, sendo ele, então, visto com outros olhos, de forma mais positiva, isto é, com mais respeito e compreensão por parte dos brasileiros, de um modo geral.

Antes de tais programas, pois, notamos que “o Espiritismo era um”, e depois de 1971, “transmudara-se para outro”, ganhando notoriedade e respeito do povo como Doutrina esclarecida que não só caminhava passo a passo com a Ciência, mas que também, muitas das vezes, lhe transcendia pelas vastas luzes espirituais.

E isto para falarmos, apenas, de dois programas televisos e de um grande mestre divulgador: Chico Xavier; contando ainda com o lado espiritual dos fatos, ou seja, dos Espíritos que com o mesmo trabalharam pelo seu sucesso, ou melhor: sucesso do Espiritismo, força viva e atuante da natureza dirigindo-nos rumo aos progressos inevitáveis do Espírito imortal.

O que corrobora, mais uma vez, os sábios instrutores de Allan Kardec, em dizendo que o Espiritismo está na natureza mesma, ou seja: na natureza universal.

E, mais ainda, como também proferido pelos Espíritos sábios, está destinado ao Espiritismo tomar lugar no campo dos conhecimentos oficiais, o que se confirma, apropriadamente, pelas tantas pesquisas e tantas realizações científicas que longe de desmenti-lo só o faz confirmá-lo; exceto pelos mais soberbos, arredios ao progresso espiritual.

Ora, as descobertas da Parapsicologia detectaram um componente extrafísico na Consciência humana, componente que sobrepuja o espaço e transcende o tempo, mostrando sua independência do cérebro físico, exorbitando tudo e provando, pois, sua imortalidade; os incontestáveis trabalhos de Ian Stevenson, Hernani Andrade, Hamendras Nat Banerjee, e outros mais, estão confirmando a palingenesia, cujas pesquisas ratificam as parapsicológicas de Rhine e completam as descobertas de Darwin no campo do Evolucionismo, sendo este, pois, dirigido por um princípio anímico transcendente (extrafísico), e capaz, ao que se nota, de evolucionar-se continuamente pelo transcorrer dos tempos universais.

O Espiritismo, pois, conforme predito na instrução citada, já ocupa, conquanto discretamente:

“Lugar entre os conhecimentos humanos”.

E o codificador, realçando as ideias do Espiritismo tornar-se uma crença popular e marcar uma Nova Era na história da humanidade, ministrava ao final de uma sua razoável instrução que:

“O Espiritismo só tem a edificar”.

Vindo ele, pois, não para destruir e sim para edificar mais, construir pelos infinitos degraus do nosso porvir consciencial.

E, portanto, quero crer que não importa muito o inexpressivo número de espíritas no Brasil e no Mundo, conforme diversas pesquisas a tal pertinente. O homem é um Ser de dinâmica evolutiva incessante, e, malgrado sua teimosia, ele avança e se instrui em direção à Verdade-Una, pilares do Espiritismo Cristão.

E, mais ainda, penso que as religiões e seus bilhões de adeptos no Mundo todo, não vão desaparecer da face terrena e tampouco vão ser substituídas pelo Espiritismo.

Elas vão sim retificar os seus dogmas incorporando-lhes princípios novos, sendo estes mais condizentes com a Verdade que, afinal, é a Verdade Espírita, sendo esta, como já dito: a mesma Verdade Cristã.

E, a maior prova de tal, trata-se do fato da Igreja Católica, em passado recente, ter reprimido as descobertas científicas da Genética e do Evolucionismo, e hoje, professá-las em seus discursos, e, mais ainda, autorizando o pensamento evolucionista do padre-cientista Pierre T. de Chardin, que por ela mesma, ou seja: pela Igreja, fora tão perseguido, proibido de publicar livros e, pasme: de ter de se calar em seus esforços de integrar Ciência e Teologia.

Portanto, o Espiritismo há que se tornar como previsto pelos Espíritos sábios: “uma crença popular”, sendo, pois, admitido por todos os povos, todas as filosofias de vida e todas as religiões, sem que, necessariamente, tais posturas, se digam ou se intitulem espíritas, pois as bases doutrinárias do mesmo inferem que:

“O verdadeiro espírita e o verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa”,

Independente, pois, de rótulos e fórmulas outras de sua pessoa, de sua instituição, seja religiosa, filosófica ou outra coisa que lhe caracterize a ideologia praticante.

Portanto, não nos preocupemos com o número de adeptos espiritistas em nosso País e no Mundo, pois que a abertura para novos padrões mentais se faz como verdade evolutiva incontestável, persuadindo-nos a todos, crentes e não crentes, a retificarmos nossa conduta psíquica, sobretudo ética e comportamental.

Articulista: Fernando Rosemberg Patrocínio

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