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sábado, 30 de julho de 2016

A ONTOGÊNESE REPETE...

Fernando Rosemberg

No campo do evolucionismo, nos tempos atuais, patenteia-se, como se sabe, o neo-Darwinismo com suas evidentes provas fósseis, moleculares, adaptativas, das estruturas de analogia e de homologias, vestigiais e etc., fazendo-nos entrever uma concepção bem mais ampla do que o fixismo das espécies e mostrando-nos, assim, o avanço de tudo, de todos os seres e de todas as coisas.

Tais estudos, de ordem científica, encerram implicações filosóficas e éticas, pois induzem apreciar-se o fio condutor, o elo que harmoniza seres e coisas sobre perspectivas outras que não só de ordem material. Parece verificar-se, pois, que tudo se ordena e se coordena de modo contínuo e sábio, exigindo-se, assim, maior reverência do Homem para com a Natureza e com tudo aquilo que lhe representa biologicamente, e também, psiquicamente, pois, para o Espiritismo, como visto, sua progressividade não se verifica, apenas e tão só, ao âmbito material, mas, principalmente, ao âmbito espiritual, mostrando a espécie, o indivíduo, o Ser, em constante dinamismo e expansão de suas potências, quando vai estruturando mais perfeitos órgãos, mais sábios instrumentos de sua longa trajetória progressiva e ascensional.

Para Haeckel, grande defensor das idéias evolucionistas no seu tempo:

“A ontogênese repete a filogênese”

Ou seja: a gênese do Ser repete a gênese das espécies. Noutros termos, e, explicando melhor, sabe-se que o embrião humano, tal como os demais de outras espécies, exibe, em seus primeiros dias, pronunciada semelhança com um peixe: tem um coração com duas cavidades, vesícula vitelina, reentrâncias branquiais e cauda recurvada como a do cavalo marinho. Após certo tempo, porém, ele vai recordar os anfíbios, pois desenvolve uma terceira cavidade cardíaca, as brânquias se atrofiam, os pulmões aparecem e a cauda regride; mais adiante, ainda, o seu coração evolve outro passo adquirindo alguma parecença com o dos répteis. E diferenciando-se um tanto mais, surgem as quatro cavidades do coração, a homotermia, a presença de pêlos no corpo indicando que o concepto alcançou a classe dos mamíferos.

Numa visão tão só biológica, nota-se que o referido concepto vai crescendo e contrariando os mais vulgares princípios de causa e efeito, haja vista que mais órgãos vão surgindo de menos órgãos que, por sua vez, crescem, se aperfeiçoam, e, ao vencer-se o prazo de nove meses vem à luz, finalmente, um novo representante da espécie que, em nosso caso: trata-se de um Ser humano ainda bebê, pequenino e frágil, em que, aos mais exigentes estudiosos, dará o que pensar, recusando-se, por isto, a concepção puramente mecânica da vida que culmina, mais tarde, na Consciência, ou, noutros termos: na Inteligência e na Moralidade humanas.

Ou a Consciência já estava lá?... no início do Ser, nas células gametas, nas proteínas, na água e em tudo o mais, ou melhor: em tudo o menos de sua gênese espetacular.

E o fato é que a célebre frase de Haeckel sugere não só evidências a favor do evolucionismo darwiniano, como também sugere haver um fator extra-físico no bojo do Ser, encerrando, em sua estrutura mesma (perispirítica) um repositório de informações ancestrais de sua lenta progressividade nas diversas espécies do Orbe que, no fundo, e, primordialmente, conterá registros de suas andanças, sua caminhada universal.

Diga-se, entretanto, que Haeckel era um céptico no tocante ao espiritual, mas nem por isto deixara de entrever e de constatar o elo conciliador e genético de todas as coisas, o que está confirmado pelo Espiritismo e por tantos luminares do Século 20, sobretudo nas obras de Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco.

O Espírito, pois, é o responsável pela gênese das coisas, e, portanto, pela gênese biológica do Homem; mas também o é, obviamente, pela recapitulação embrionária, pelos registros informacionais da filogênese da qual fora o agente principal, ou, se o preferirem: perispiritual.

Autor: Fernando Rosemberg Patrocinio

Blog: filosofia do infinito

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