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domingo, 22 de maio de 2016

PENSO, LOGO EXISTO!


Fernando Rosemberg

Sabe-se que, no campo das ideias, aparecera na segunda metade do Século 19, o mais tempestuoso filósofo da humanidade terrena, autor, por exemplo, dos livros: “Humano Demasiado Humano”, “O Anti-Cristo”, “Assim Falava Zaratustra”, assinados por Friedrich Nietzsche.

Assim como alguns escrevem na intenção de defender e de aplaudir o ceticismo e a acidez cósmica de Nietzsche - que terminou seus últimos onze anos de vida em crises de loucura pelo seu psiquismo doentio - também nós, os espiritualistas, nos achamos no direito defender a Verdade em Cristo Jesus, Enviado Divino.

Proclamam os adoradores de Nietzsche: que ele superara a Metafísica, como também a Filosofia, e que o Mundo não tem outra realidade senão a realidade de si mesmo, não havendo, pois, uma substância original que o explique e, por conseguinte, não existe uma Realidade Divina do Mundo, pois que tudo, e todos, surgem espontaneamente do Nada; e onde Deus, bem como o Filho que se transcendera dos despojos carnais, tais, simplesmente não existem na concepção niilista da mente desconexa do citado filósofo, tão pobre de mais exatas e coerentes perspectivas ontológicas e teológicas.

E, portanto, só por aí, constata-se os enganos de um homem extremamente rebelde, pretensioso e apedeuta de sua natureza divina e imortal; e mais ainda: anti-científico, pois tenta desfazer um princípio fundamental da Ciência: o da Lei de Causalidade, em que na há efeito sem causa na racionalidade matemática de que:

“Dado B, necessariamente houve A”.

Ou seja: Não há efeito (B) sem causa (A).

Que, estendendo um tanto mais: Não há efeito inteligente sem uma causa inteligente que o justifique no plano de sua consecução. Noutros termos: O efeito (B-Inteligente) só se verifica em função de uma causa (A-Inteligente).

Assim: o Universo (B), de nossos estudos astronômicos que inclui, obviamente, o Mundo terreno, só se verifica em função de (A), não havendo outra regra que lhe justifique, salvo por uma mentalidade desprovida de lógica, e, portanto, enceguecida da perfeita construção do Universo, de suas Leis Matemáticas, Inteligentes, portando-se, pois, referida mentalidade, como sendo pouco coerente e pouco racional, pois que o Nada, nada produz de si mesmo, pois que sendo Nada: Nada é.

E, portanto: Não há Universo (B), repleto de Inteligência, de Mundos, Sistemas, Galáxias flutuando pelos espaços siderais; repleto, pois, de Ordem, de Leis Matemáticas que os regem individualmente, e coletivamente; não há, pois, o referido Universo (B) sem o Seu Autor (A), o Princípio Causal de Tudo, do átomo às estrelas monumentais.

Ora, o que sustentaria, no espaço vazio, um Orbe sideral tão pesado como o planeta Terra? O que o faz equilibrar-se com, pelo menos, três grandes Leis: de Rotação, Translação e de Precessão dos Equinócios, onde esta última, a Precessão, permite-lhe girar, no curso de 26.000 anos, tal como um pião que, algo balouçante, ao perder sua força de giro, produz dois cones opostos pelo vértice? Quem seria o Autor Inteligente de tais Leis, e que, a propósito, não nos pedira autorização para o seu estabelecimento e ativos movimentos que se fazem, afinal, muito além do nosso plano, pois se estendem ao Todo, ao Sistema Solar, sua Galáxia, e outras dimensões do Multiverso cósmico e estelar.

Salvo se o Nada, ou, aquilo que se justifica por sua mais pura e mais completa Nadificação, tenha produzido Tudo com tanta Maestria, Inteligência, Esmero e Matematicidade tudo quanto existe no Universo, no Mundo e em nós mesmos: Seres humanos de complexa organicidade e criatividade.
  
Criatividade que, contando com aproximadamente 50 trilhões de células, vai combinando sistemas e órgãos diversificados, e onde cada coisa fora projetada para estar em seu próprio lugar, suas devidas especializações, operando e trabalhando por nossa conservação, higidez e pela complexa unidade do todo, sendo que, tal Nada, ao que se vê, seria a caracterização do Deus dos filósofos céticos, exercendo, é claro, o direito que lhes é concedido como livres pensadores, aos quais devo sincero respeito, em que pese algo incoerente em seu modo de agir e de raciocinar.

Direito que também nós, espiritualistas, e, espiritistas por convicção, também temos e exigimos como filosofia de vida eticamente saudável e positivamente firmada na Lógica de um Deus Bom, Criador de tudo e de todos, céticos ou não.

Por outro lado, afirmar-se que Nietzsche superara a Filosofia, é outra afirmação no mínimo imprudente! Ora, como poderia superar-se, do ponto de vista da cultura humana, um Sócrates, um Platão, tidos, consensualmente, como os maiores e mais completos filósofos de todos os tempos da humanidade? Ou, então, Descartes que, à ótica acadêmica, chegara à conclusão precisa e óbvia do mais importante postulado imortalista de todos os tempos, o do:

“Penso, Logo Existo”!

Sendo tal, extraído de sua experiência mesma: de que o pensar independe do corpo, do cérebro, e que, portanto, pensamos por algo que nos transcende biologicamente, por algo, pois, além do cérebro denso e material.

Admitir que o cérebro pensa é a mais incoerente e absurda das proposições céticas, não-científicas, sendo o cérebro, pois, apenas um transmissor e executor dos nossos pensamentos, cujo Comando, Vontade e Inteligência, lhe ultrapassa as funções.

O cérebro não produz, e não produziria, jamais, a Consciência, a Razão, os Valores éticos e espirituais da humanidade, sendo tais, atributos do Ser cognitivo e moral.

Pergunto:

Salvo por sofismas, como poderia a embriogênese, a gestação física e biológica do Homem ter como produto final a Consciência, a Razão e demais condições axiológicas do Ser, onde os primeiros, ou seja, os gametas, são entes estritamente biológicos e materiais, e, os segundos são elementos abstratos e espirituais?

Se o menos não pode produzir o mais, o Ser há que estar presente na embriogênese, nos gametas, de tudo: iniciais. E mais ainda, evocando Descartes: se não damos existência a nós próprios, que, inobstante, existimos, então o existir vem de Outrem, confirmando-se, assim, que o Homem, como tudo em a natureza, exige um Criador, uma filiação necessária; salvo se, mais uma vez, ousarmos atropelar o bom senso e a razão.

Finalmente, não pretendo, com tais linhas, quiçá indelicadas, dissuadir a mentalidade e a filosofia de vida de quem quer que seja, direito este inalienável do “sujet” pensador.

Priorizo tão só que se abra o leque de possibilidades e de dúvidas concernentes, onde a Ciência oficial encaminha-se, incontestavelmente, para a admissão de um Fator Não-físico na Consciência humana, e, portanto, para a idéia de que a Ordem da Natureza não exclui, pelo contrário: exige e inclui a existência de um Poder Supremo, onde a Harmonia da Mecânica Celeste implica, necessariamente, um Projetista de Tudo, um Criador.

Como se referira “O Livro dos Espíritos” (1857):

“Tendes um provérbio que diz: pela obra se reconhece o artífice. Pois bem! Olhar a obra e procurai o artífice. É o orgulho que engendra a incredulidade. O homem orgulhoso não vê nada acima dele e é por isto que ele se proclama de espírito forte. Pobre ser, que um sopro de Deus pode abater”. (Opus Cit.).
  
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