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segunda-feira, 23 de maio de 2016

DESCARTES: O FILÓSOFO

Fernando Rosemberg

Inicio o despretensioso texto com a seguinte indagação:

O que é a Verdade?

E replico com algumas sentenças do Mestre Nazareno que, assim, se expressava:

“Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará!” - (João 8:32).

E, no mesmo evangelista, ainda:

“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida!” (João 14:6).

Entretanto, ao ser perquirido por Pilatos sobre o que é a Verdade, constam, os escritos da época, que Jesus se calara nada pronunciando a respeito. (João 18:38).

Do meu restrito, e, mui deficiente ponto de vista penso que a Verdade é progressiva e relativa à dinâmica dos Seres, sujeitos que estão aos aperfeiçoamentos morais e cognitivos de si próprios, e, tendentes, pois, ao que seja, ou, ao que É, a Verdade Terminante: como Máxima Compreensão do Eterno e de suas Leis.

Neste sentido, a Verdade se pronuncia como uma espécie de desvelamento, ou, de retirada paulatina do véu das coisas, de algo que está sempre em construção, e que, ao seu topo, se é que se pode chegar a tal, se aproximaria dos cem por cento (100%) da Verdade Contida em Deus, ou, do paradoxal: Uno-Infinito de Deus.

Por outro lado, alegarão os céticos que: Deus não existe!

Entretanto, nunca, jamais, nenhum deles pôde estabelecer provas cabais e definitivas do que dizem: de que Deus não existe. Ora, dizer que Deus não existe é fácil. Difícil é provar. E estou bem convicto de que jamais o farão. Por outro lado o cético puro, de incredulidade absoluta, é que não existe, como já ratificado por um dos mais respeitáveis autores do Século 20 findado, esclarecendo que:

“O ateísmo ou a incredulidade absoluta não existe, a não ser no jogo de palavras dos cérebros desesperados, nas teorias do mundo, porque, no íntimo, todos os Espíritos (homens) se identificam com a idéia de Deus e da sobrevivência do Ser, que lhes é inata. Essa idéia superior pairará acima de todos os negativismos e sairá vitoriosa de todos os decretos de força que se organizem nos estados terrenos, porque constitui a luz da vida e a mais preciosa esperança das Almas”. (Vide: “Emmanuel” – 1937 – Feb).

Por outro lado, e, por mais neguem, sempre se obterá, na sua negativa mesma, a Prova Existencial do Supremo, pois que tais não negariam a existência de Deus se Ele não existisse, pois que o inexistente não existe e, portanto, não precisa ser contestado ou negado. Indubitavelmente, pois, Deus Existe! Conquanto seja indivisível, Deus Existe no aspecto Transcendente: em Si mesmo, como Deus Pessoal; e, no aspecto Imanente: nas suas criaturas, caracterizando o Deus Impessoal, no mais íntimo de nossas Consciências que não podem negá-Lo, conquanto cérebros rebelados o façam, se contrapondo, em vão, a Si próprios, como criaturas, e, se contrapondo, em vão, a Deus mesmo que lhes Diz de modo ininterrupto, expressando-lhes: “Eu Estou Aqui, Bem Dentro de Ti”!

Creio que a rebeldia de Friedrich Nietzsche (1844 – 1900) representa a não-conformidade humana, e, em seus antípodas, René Descartes (1596 - 1650) representa a conformidade plena, e, por que não dizer: científica, no próprio campo dos conhecimentos acadêmicos, provando a Existência de Deus a partir de Si mesmo, de sua existência permanente contida no “Cógito Ergo Sun”.

Em seu célebre: “Discurso Sobre o Método”, mais conhecido como “Discurso do Método”, parte quatro, após exposição de suas mais importantes e mais profundas elucubrações pessoais, envolvendo aspectos de teor científico, e, onde descobrira o que considerava como sendo o mais importante princípio filosófico, (Penso, Logo Existo), proferia Descartes ao constatar que podia existir e pensar, independentemente da existência do corpo - o que mais modernamente se constata por criteriosas pesquisas, sejam elas espiríticas (Allan Kardec, Denis, Delanne e demais clássicos), metapsíquicas (Richet, Geley, Crookes e outros das demais sociedades de pesquisa), parapsicológicas (Rhine, Mc Dougal, e etc.) - que:

“De maneira que eu, ou seja, a Alma, por causa da qual sou o que sou, é completamente distinta do corpo, e, também, que é mais fácil de conhecer do que ele, e, mesmo que este corpo nada fosse ela não deixaria de ser tudo o que é”. (Vide: “Discurso do Método” - Descartes).

E, mais adiante, o ilustre sábio conclui pela Existência de Deus por sermos detentores da idéia da Perfeição, ou, simplesmente, do que seja Perfeito, pois que, não podendo tal idéia ter por princípio o próprio Homem, em toda a sua imperfeição e mazela, a causa da mesma provém de algo Perfeito, provém de Deus.

E, mais ainda: o notável filósofo irá completar logo adiante suas elucubrações acerca do Existir de Deus pelo fato de que, afinal: eu não me dou a mim mesmo, ou, noutros termos, eu não surjo neste Mundo por mim mesmo; eu não me dou existência e não me crio por minha própria e específica vontade, e, portanto, devo a minha existência a Outrem, à Vontade Suprema, ou seja:

-À Existência de Deus-Criador.

É tudo muito simples; mas os soberbos antes de Nietsche e posteriores a tal, apreciam a discórdia de si próprios, se negando quando simplesmente São, e, negando o Criador que simplesmente É, pois que eles próprios não se deram a Si mesmos, não se criaram e não se estabeleceram no Mundo por Si, e, sim, por Vontade de Outrem, por Vontade do Criador.

E afirmava, se acrescente ainda, a genialidade cartesiana:

“..., por exemplo, eu percebia muito bem que, ao imaginar um triângulo, fazia-se necessário que seus três ângulos fossem iguais a dois retos; porém, malgrado isso, nada via que garantisse existir no Mundo qualquer triângulo”. (Opus Cit.).

E prosseguia adiante seu indubitável pensamento:

“Enquanto, ao voltar a examinar a idéia que eu tinha de um Ser Perfeito, verificava que a existência estava aí inclusa, da mesma maneira que na de um triângulo está incluso serem seus três ângulos iguais a dois retos, ou na de uma esfera ser todas as suas partes igualmente distantes do seu centro, ou ainda mais, evidentemente; e que, por conseguinte, é pelo menos tão certo que Deus, que É esse Ser Perfeito, É ou Existe quanto seria qualquer demonstração de Geometria”. (Opus Cit.).

Eis aí, por conseguinte, algumas descobertas de um verdadeiro gênio da humanidade que, amparado por sérias elucubrações filosóficas e matemáticas, e, portanto, por critérios favoravelmente científicos, encontrou a Verdade de sua existência imortal, e, indo além, encontrou a Verdade da Existência de Deus, o Criador.

De fato, para os Espíritos superiores, com o renomado Kardec:

“Deus existe, não o podeis duvidar, é o essencial. Crede-me, não vades além. Não vos percais num labirinto de onde não poderíes sair”. (“OLE”).

Ou seja: Não há como duvidar de Deus, inserido que está na própria Consciência do Homem; mas pela sua impotência em penetrar mais fundo a grandeza do que É, de momento, tão impenetrável, muitos dos nossos pares, em sua soberba fala, ao invés de se submeterem, combatem o Espírito e sua Consciência mesma, discursando que Tudo surgira do nada, nesta arrogante aversão que tais elementos tem pelo Criador, para eles: o não-Ser, o inconcebível de um nada, porquanto Deus, que Tudo É, para tais elementos nada representa, pois em sua fala, Ele nada é!

Portanto, nossa Consciência só existe em função da Consciência do Criador que Tudo Abarca e Tudo Vê, não nos sendo possível negá-Lo quando tão-só existimos em função de Sua Suprema Existência.


Fernando Rosemberg Patrocinio
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