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terça-feira, 8 de março de 2016

MEDIUNIDADE XAVIERIANA


Fernando Rosemberg
Ora, sabemos bem, desde a publicação do “Tratado de Espiritismo Experimental”, mais conhecido como “O Livro dos Médiuns” (Allan Kardec – 1861), que uma mensagem ditada por um Espírito comunicante poderá ser mais ou menos afetada pela aparelhagem mediúnica durante o processo em que a mesma é transmitida, pois que tal fenômeno tem estrita relação com a sua capacidade, seus conhecimentos atuais e os arquivados em seu perispírito.

Com efeito, verifica-se que, por uma espécie de fusão fluídica entre seus corpos etéreos (perispiríticos) é que se inicia o intercâmbio entre o Espírito livre (emissor) e o Espírito do médium (receptor) reencarnado no Mundo terreno. Havendo a concordância do médium a tal comando, verifica-se o circuito mediúnico por onde vai percorrer-se a corrente mental, isto é, o pensamento que se queira transmitir, sendo que a vestidura do mesmo pela palavra vem a seguir, quando então, o primeiro retira do cérebro do segundo os componentes que possam dar forma ao que queira transmitir.

Existem, porém, algumas dificuldades a se transpor desde o início do intercâmbio.

-Primeiro: terá de se fazer uma espécie de associação entre duas mentes que, por mais se afinem, intelectualmente e moralmente, são diferentes entre si.

-Segundo: havendo a associação mental e a permissão do médium para tal expediente, este deverá, conquanto o domínio e o comando mental do comunicante, assimilar e compreender o seu pensamento, pois que, embora parcialmente fundidos um no outro, são Seres de identidades próprias e distintas;

-Terceiro: o médium deverá exprimir o pensamento estranho o mais exato possível, pois existem conceitos que estão muito acima do seu entendimento, inexistindo, pois, palavras e códigos gramaticais que possa torná-los inteligíveis ao seu entendimento.

Isto quer dizer que os ditados que o médium obtém estão a reproduzir, quanto à forma e ao colorido, o cunho mesmo de sua personalidade, do que lhe é estritamente pessoal; do que se conclui que: se ao Espírito pertencem a informação e o conceito, ao médium pertencem a interpretação e a forma que, certamente, serão influenciadas pelas qualidades inerentes à sua personalidade, seu particular e exclusivo campo psíquico-emocional.

Com efeito, se o pensamento do Espírito comunicante pode ser, de alguma forma, influenciado pela instrumentação mediúnica, pode ele, então, ressentir-se da imperfeição dos meios à sua disposição e não reproduzir exatamente aquilo que se cogitava e se gostaria de transmitir.

Mais ainda: por qualquer desarranjo psíquico ou emocional do médium poderá ocorrer que a mensagem recebida não seja o mais fiel retrato do pensamento comunicante, sendo tal irregularidade possível de suceder mesmo com os melhores, mais perfeitos e moralizados médiuns existentes. Recordemos, para tanto, a Nota da Editora constante no livro psicografado por Xavier: “O Consolador” (Emmanuel – 1940 – Feb), em que referido Espírito corrigiu o texto da questão 378 do livro, devido, em suas palavras mesmas, a perturbações na filtragem mediúnica, onde o seu pensamento fora prejudicado.

Obviamente que com um médium de tamanha envergadura, como Francisco Cândido Xavier, tais ocorrências constituem raríssimas exceções face aos refinamentos de sua avançada instrumentação mediúnica e inegável condicionamento ético e disciplinar. Mas serviram para mostrar que também ele estivera sujeito a tais contingências, e isto em razão de uma existência, como a de todos nós, repleta de dores, árduas provações, rotinas comuns, estafantes trabalhos profissionais e demais preocupações de todo e qualquer Ser humano que, mesmo exercendo rigorosa disciplina sobre si, ainda, assim, pode afetar a recepção mediúnica.

E mais: em estando Xavier dotado de uma sofisticada aparelhagem receptora, aparelhagem que, por sinal, trata-se dele próprio (Espírito e Perispírito) jungido às disposições orgânicas de seu veículo somático, que, por sua vez, sujeitam-se a interferências e oscilações de todo e qualquer Espírito reencarnado, óbvio se demande tempo para que o conjunto todo se harmonize por completo. Mas, ainda aí, há outro problema, pois o campo em que labora o Espírito livre é inteiramente diverso do nosso. Exceto pelos Espíritos de condições medianas, dir-se-ia que estamos no relativo de nossas grosseiras concepções, e os Espíritos, no infinito de sutilezas cósmicas inconcebíveis.

Lembrando, pois, que a transformação da força contida no pensamento cósmico, em elementos do nosso cotidiano, pode acarretar distorções no seu pensamento prejudicando e alterando a essência conceptual originária, de sua ideação.

Fernando Rosemberg Patrocinio:
Fundador de Casa Espírita, Coordenador de Estudos Doutrinários, Articulista, Palestrante e Escritor de diversos livros digitais (e.Books) dispostos gratuitos na Web-Artigos, bem como em seu mais recente blog:

filosofia do infinito
Ou, se o quiserem:

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