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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

O CORAÇÃO TEM RAZÕES...

Fernando Rosemberg

Penso que todos nós, cultuados pela educação moderna, já leram ou ouviram a famosa sentença de Pascal, notável filósofo francês (1623 – 1662):

“O coração tem razões que a própria Razão desconhece”.

Entretanto, não se deve confundir uma coisa com a outra, pois o coração, como é óbvio, trata-se de um importantíssimo músculo físico e material de nossa esfera orgânica que, por sua vez, caíra no gosto popular como sendo o órgão representativo do sentimento, das emoções e das paixões. Óbvio que, neste caso, pois, as ‘razões’ do coração se distinguem da ‘Razão’ definida como Consciência intelectual e moral, se assim puder-se defini-la.

Mas, afinal de contas, o que é a Razão?

Como dito supra, afirmam alguns que a Razão é a Consciência intelectual e moral que existe em nós.

Outros, entretanto, dizem que a Razão é a Vontade.

E, outros, ainda, afirmam que a Razão é a Inteligência.

Mas, sobretudo com a descoberta do Evolucionismo, pensadores modernos afirmam que a Razão é um Processo, pois que, em sua dinâmica, a Razão evoluciona, progride, tanto é que, numa ponta, temos a Razão do Santo, e, noutra ponta, a Razão do Bárbaro, do selvagem, do homem cruel e sanguinário; o primeiro, trata-se de um elemento do Cristo, e o segundo, do Anti-Cristo.

Neste sentido, pois, dir-se-ia que a Razão se desdobra e se realiza ao longo do tempo-evolução; daí dizer-se que a Razão não é a medida das coisas, pois, com sua evolução no tempo, ela se modifica e se transcende, tal como vemos na Razão da criança de 10 anos (pré-Lógica) que, crescendo, se modifica para a Razão dos 15 (Concreta), dos 20 (Formal), e, assim por diante, em seu despertar racional no curso do tempo, de sua maturidade e evolução psíquica, intelectual e moral.

Porém, em termos etimológicos, o termo deriva do latim: ratio, que expressa cálculo, conta, medida, regra; que, modernamente, expressaria a faculdade humana do julgamento, do raciocínio, de compreender, de ponderar, e etc., etc. Assim, Razão expressaria nossa faculdade de pensar e de falar de modo ordenado e preciso de sorte a ser, ou, sermos compreendidos claramente pelos outros.

Mais ainda, Razão seria a capacidade da mente humana de operar conceitos em abstração, de resolver problemas, de achar sua coerência ou contradição, e de chegar a certas conclusões a partir de suposições, ou, de certas premissas obrigatórias. Por exemplo, a Razão está nitidamente associada à nossa capacidade de definir e de entender a Lei de Causa e Efeito.

Ou seja: o Universo, em sua ordem matematicamente precisa e exata, existe, e, sendo um efeito, o mesmo há que ter uma causa; e, portanto, não há efeito sem causa; e, se o homem não dera causa ao Universo, o mesmo há ter sido causado por outrem, no caso, pela Inteligência Suprema, por Deus. Alguns céticos, em sua irrisão, pretendem que a Causa do Universo seja o Nada; mas é fácil derrubar tamanha falsidade, pois o Nada não existe e, portanto, nada pode criar.

E, por isto, diz-se por aí, que os céticos do Espírito e de Deus não raciocinam muito bem, e, portanto, não são detentores de boa Razão, pois não compreendem nem a Lei de Causa e Efeito, lhe atribuindo parâmetros de notória falsidade e incompatíveis com a Inteligência Humana, com sua Razão, já que estamos tratando de tal.

Óbvio que alguns céticos constroem frases longas e belas em defesa de suas ideias equivocadas; e querem, com isso, com isso, provar o que pensam e o que crêem como é do seu direito pensar e de crer no que queiram fazê-lo; afinal, trata-se do seu direito de livres pensadores; mas tudo quanto fazem, neste sentido, não passa de sofismas para enganar trouxas, o que não se verifica com os bons pensadores, bem mais razoáveis e mais lógicos que aqueles outros.

Em suma, não condenamos, pois cada qual há que responder pelo que é, bem como pelo que faz. Ora, se são, como nós, dotados de Razão, que a operem como queira operar, mesmo que conduzidos por falsa lógica, triste premissa, louca maneira de raciocinar.

Por outro lado: Deus não tem pressa, pois opera em silêncio dentro de nós.

Fernando Rosemberg Patrocinio
Articulista, Coordenador de Estudos Doutrinários, Palestrante e Escritor.
blog: fernandorpatrocinio.blogspot.com.br      

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