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domingo, 31 de janeiro de 2016

ESPIRITISMO E RAZÃO


Fernando Rosemberg

Para muitos pensadores e filósofos do Mundo, a Razão se opõe a diversa forma de atitudes e procedimentos mentais, dentre os quais resumimos alguns deles para a nossa apreciação e filosófica conclusão:

-Para tais a Razão rejeita a ilusão, a aparência das coisas, ou, a simples opinião; no que estou de pleno acordo, pois: como há opiniáticos desta ou daquela questão. Outro dia, passando por um grupo de fideistas, estive a auscultar de respeitosa senhora religiosa a “magna” expressão de que: “Eu vi Deus”. Ora, como nossa Razão haveria de apreciar referida declaração? Creio que apenas, e tão-só, por ilusão, ou pretensão da referida senhora que, de fato, pode até ter visto alguma coisa: um anjo da guarda, uma figura de sua imaginação, mas dizer que tal coisa seja Deus vai uma distância enorme!

Ora, nossas Mentes finitas não estão aptas, ainda, a ver, observar e compreender o Infinito da Mente Divina, tanto é que, todos nós, elementos bem pensantes, somos cientes e sabedores de que:

“Deus existe, não o podeis duvidar, é o essencial. Crede-me, não vades além. Não vos percais num labirinto de onde não podereis sair. Isso não vos tornaria melhores, mas talvez um pouco mais orgulhosos, porque acreditaríeis saber o que na realidade nada saberíeis. Deixai, pois, de lado, todos esses sistemas; tendes muitas coisas que vos tocam mais diretamente, a começar por vós mesmos. Estudai as vossas próprias imperfeições, a fim de vos desembaraçar delas; isto vos será mais útil do que querer penetrar o impenetrável”. (Vide: “OLE” – AK – 1857 – Ide).

Deus, portanto, existe; e isto é o essencial, pois que Deus, mais a fundo, É Impenetrável por nossas Mentes pretensiosas, tão infantis. Isto quer dizer, de modo igual, que não ousemos, ou, não queiramos, em tempo algum, e, com os restritos olhos da visão material, ver Deus, coisa que, nem com os olhos espirituais, estamos, no momento, aptos a fazê-Lo. Estamos perfazendo, ainda, um curso inicial das coisas espirituais, e temos, por conseguinte, de fazer avançar nossos Espíritos por Mundos mais adiantados que o nosso, ou seja: pelos Mundos Regeneradores, Felizes, Excelsos, e etc., etc., para então, com nossa liberação dos Mundos materiais, penetrar o Sistema Espiritual Divino, coisa que demandará, ainda, alguns milênios e milênios adiante, e, portanto: não vos iludais com tais pretensões de Espíritos pigmeus, como esta pretensão de ver Deus.
                                  
-Dir-se-iam, também, os pensadores e filósofos, que a Razão se opõe à emoção, pois os sentimentos, as paixões, muitas das vezes são elementos caóticos do Ser humano e, por vezes: dizem sim, e, de outras, dizem não, se contrapondo mutuamente. Dir-se-iam, pois, tais pensadores ainda, que a Razão se opõe ao coração. No que discordamos, pois que a Razão também pode desequilibrar-se, e o maior exemplo disto trata-se do filósofo F. Nietzche (1844 - 1900), um dos mais loucos pensadores dos tempos modernos. Ele tentara, como se fosse possível, desacreditar e destruir o Modelo Mor da Humanidade: Nosso Mestre Jesus; e, com tal medida ele pretendia, portanto, destruir o Cristianismo. E o fato é que Nietzche passou o resto da vida na extrema loucura, obsedado por trevosas forças espirituais.

Logo, não pode ser pacífico que a Razão se oponha à emoção, pois que ambas andam juntas no equilíbrio de suas forças: intelectuais, espirituais e morais. Ora, sabe-se que o Cristianismo Redivivo, ou seja: o Espiritismo tem como lema fundamental o conhecidíssimo:

“Amai-vos e Instruí-vos”.

Constituindo o Amor e a Caridade tão importantes, ou até, mais importantes que o Conhecimento, a Sabedoria e a Instrução. Mais ainda, devemos recordar que nosso acesso às coisas não se dá tão só pela Razão, mas também pela sensação e pela percepção, com as quais captamos, sentimos, percebemos as coisas exteriores. Logo, perceber, sentir, captar faz parte de um mesmo processo cognitivo do Espírito que, em resumo, se notabiliza pela seguinte conexão (=c=) equacionaria:

[( Pensar )] (=c=) [( Sentir )]

Ou, então, pela conexão dentre tais componentes:

[( Razão )] (=c=) [( Coração )]

Sendo tais, atributos inseparáveis do Ser que, por evolução, realiza, paulatinamente, sua interpretação esquemática da realidade; ou, noutros termos, o princípio inteligente (ESI) encerra em si os germes da Razão que a experiência sensorial - ou seja, do Sentir - tudo nele desabrocha e o faz crescer. Razão e Sentimento, pois, conquanto se distingam, tais, paradoxalmente, se completam e se juntam desde os primeiros tempos seus: sua gênese espiritual.

Vejamos ainda uma outra questão relativa a tal.

Notemos que Kardec em perquirindo os Espíritos superiores, indaga-lhes:

Pergunta 6: O sentimento íntimo que temos em nós mesmos da existência de Deus, não seria o fato da educação e o produto de ideias adquiridas?

Resposta: Se assim fosse, porque os vossos selvagens teriam esse sentimento?

E, notemos, curiosamente, como Kardec coloca a questão. Ou seja: ele questiona sobre “o sentimento íntimo”, tal como se, nos primórdios de nossa evolução, o sentir pudesse sobrepujar o pensar, ou, o cognitivo, o intelectual, em suma, o que hoje chamamos de Razão; e, notemos mais: que os Espíritos superiores, em respondendo, não excluem o verbo “sentir” de sua retórica, mas o confirmam, tal como se o sentir (emocional) constituísse com o pensar (racional), um equilíbrio de forças integrantes do Espírito palingenésico, e, como tal: de imortalidade incontestável.
                                                                 
 -Outros pensadores, ainda, preconizam que a Razão se opõe à Crença pura e simplesmente, pois que esta é concedida pela Fé, pela Crença numa Revelação de ordem divina; e querem, pois, que a Razão se oponha à Revelação. E afirmam que a Razão, como luz natural, se distingue da Revelação, como luz sobrenatural.

O que não expressa, no todo, uma verdade, pois que, se há revelação apócrifa e mentirosa, também há Revelação séria e verdadeira. Não se pode jogar tudo num mesmo saco sem o devido juízo, a devida apreciação. Ora, o que seria do homem sem a Revelação? O que seria do homem, sem os profetas (1ª. Revelação), sem Jesus (2ª. Revelação), e, por conseguinte, sem o Espiritismo (3ª. Revelação), consagrado como Cristianismo Redivivo.

E, por outro lado, Deus, como já dito, não se mostra, mas se revela permanentemente por Suas obras: o que configura: Revelação; e os Espíritos, Mensageiros Seus, são uma constante em nossas vidas, nos guiando, nos protegendo, nos amando, exceto se os afastarmos por nossa rebeldia e falta de cuidados para com a vida verdadeira, a vida espiritual.

Em nosso caso, de espiritistas que o somos, definimos a Revelação, pois, como uma bênção do Altíssimo ao homem que, por sua rebeldia, precisa do re-ligare (ligar de novo, e daí o termo: religião) a Deus-Pai, do qual se ausentara, temporariamente.

Logo, temos o Espiritismo, tal como codificado, como a Terceira Revelação da Lei de Deus. E sua Fé, não se distancia da Razão, pois preconiza que:

“Não há Fé inabalável senão aquela que pode encarar a Razão face a face, em todas as épocas da humanidade”. (Allan Kardec).

Por outro lado, se os pensadores e filósofos mais ortodoxos anseiam tão só a Razão: como luz natural, se opondo à revelação como luz sobrenatural, que se informe ainda que o Espiritismo é Lei da Natureza, e, como Lei Natural, dispensa o sobrenatural.

Articulista: Fernando Rosemberg Patrocinio
Coordenador de Estudos Doutrinários, Palestrante e Autor de diversos e.Books gratuitos em seu blog:

fernandorpatrocinio.blogspot.com.br

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