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sábado, 24 de janeiro de 2015

SE HÁ TANTAS EVIDÊNCIAS A FAVOR DA REENCARNAÇÃO POR QUE NEGÁ-LA ? (Jorge Hessen)

Jorge Hessen

Reencarnar é o regresso contínuo de um mesmo Espírito à vida em diversos corpos. Reassumir a forma material é uma lei tão natural quanto nascer, viver ou desencarnar. Mas, se é tão evidente o fenômeno por que, então, a maioria dos cientistas o desconhece?” O motivo é simples: a ciência ainda está sob o jugo do materialismo e não consegue explicar tudo. O conhecimento científico é limitado, inobstante seja progressivo. As verdades aceitas pelas academias são consecutivamente efêmeras e provisórias. Nem precisa ser um cientista hoje para considerar normais os numerosos fenômenos que há menos de 6 séculos eram totalmente ignorados pelos cientistas: o movimento da Terra, as partículas subatômicas, a composição química da água, etc. 
Diariamente o cientista revê suas teses da véspera. Contudo, o conhecimento humano só avança através de pesquisa e, efetivamente, os que negam a teoria da reencarnação jamais a estudaram cuidadosamente. Entretanto, alguns cientistas de renome que a pesquisaram concluíram tratar-se de fato inegável: Thomas Edson , William Crookes , Charles Richet e tantos outros  pesquisadores que confirmaram cientificamente os mecanismos da pluralidade das existências  , a exemplo de  Ian Stevenson, Brian L. Weiss, H. N. Banerjee, Erlendur Haraldson, Hellen Wanbach, Edith Fiore , Pierre Marie Félix Janet , Hemendra Nath Banerjee, Milton H. Erickson, Morris Netherton , Amit Goswami, Jünger Keil,  Fenwick, Harold G. Koenig, Jim Tucker, Hernani Guimarães Andrade, Hermínio Correa de Miranda,  que trouxeram resultados notáveis sobre a tese reencarnacionista.  
O pesquisador Trutz Hardo narra em livro de sua autoria, intitulado “Children Who Have Lived Before: Reincarnation Today” a história do menino de 3 anos de idade, da região das Colinas de Golã (fronteira entre a Síria e Israel), que afirmou ter sido assassinado com um machado em sua vida anterior. Surpreendentemente o garoto indicou os lugares onde o seu corpo foi enterrado e o local onde foi oculta a arma do crime. Através de escavações foram encontrados um esqueleto de um homem e um machado. A criança também lembrou o nome completo do seu assassino que diante das excepcionais evidências assumiu o homicídio. [1]
A história e a constatação dos fatos relatados pelo garoto de golã   foram testemunhadas pelo Dr. Eli Lasch, conhecido por desenvolver um sistema médico de Gaza como parte de uma operação do governo israelense na década de 1960. A notícia foi bastante compartilhada nas redes sociais no início de 2015, após ter sido publicada na versão brasileira do site inglês Epoch Times. Entretanto, há quem afirme que“ não passa de enganação”, segundo o ponto de vista do obscuro analista de sistemas (idealizador do site www.e-farsas.com). 
Diz o “notório” detetive virtual que “cada um acredita no que quer, mas não há nenhuma prova científica de que a reencarnação exista de fato. A história publicada no Epoch Times é uma tradução de um artigo de 2014 sobre um livro de 2012 que narra um fato contado por um médico que morreu em 2009 e não pode ser comprovado! [2] Portanto, o livro, o episódio, as provas cabais, as testemunhas são medíocres, meros elementos de farsas, ilusão, embustes, na convicção do arrogante analista de sistemas que evidencia robusta ignorância e total incompetência para opinar sobre fatos que não abrolham ao seu embaciado “olho vivo” virtual. 
Lembramos ao sumo detetive virtual que vários cientistas investigaram cuidadosamente casos de crianças que relatam memórias de vidas passadas. Foram verificados muitos casos em que os detalhes dados por crianças (algumas vezes com uma precisão extraordinária) correspondem a pessoas falecidas.  Até porque, a reencarnação é uma lei natural há muitos milênios conhecida como consta num antigo papiro egípcio: “Antes de nascer, a criança já viveu e a morte não é o fim, A vida é um evento que passa como o dia solar que renasce”. [3] 
As pesquisas sobre a Reencarnação não se limitam e nem cessam nas teses das personalidades apontadas acima. Estudos sobre esse tema crescem, constantemente. A Física, a Genética, a Medicina, a Neurociência e várias escolas da Psicologia vêm sendo convocadas para oferecer o contributo das suas pesquisas. Destarte, avisamos ao lúdico e cético detetive virtual que atualmente, muitas universidades internacionais, legítimas referências máximas da ciência, já possuem grupos de pesquisa sobre este importante tema. Seguramente chegará o dia em que a reencarnação também constará daquela lista progressiva de assuntos comuns. 
De onde se origina minha convicção aqui expressa sobre esta questão?  Em que me alicerço para a afirmar com tanta segurança? Cumpre clarificar, que a preexistência humana não tem sido componente de ilusão dos pesquisadores arriba: é uma das convicções mais antigas da História. Conforme referimos antes, um papiro egípcio de 5000 a.C. já a menciona. Outro, mais recente, batizado de “Papiro Anana” (1320 a.C.), expõe: “O homem retorna à vida várias vezes, mas não se recorda de suas pretéritas existências, exceto algumas vezes em sonho. No fim, todas essas vidas ser-lhe-ão reveladas.”[4]
Na Grécia clássica, Pitágoras (580 a 496 a.C.), já divulgava a palingenesia (reencarnação).  No diálogo Phedon, Platão cita Sócrates (469 a 399 a.C): “É. certo que há um retorno à vida, que os vivos nascem dos mortos”. Esta mesma certeza consta da maioria das religiões antigas, como o Hinduísmo, Budismo, Druidismo, etc.   A reencarnação está assinalada na Bíblia, vejamos: Jeremias (1:4-5): “Foi-me dirigida a palavra do Senhor nestes termos: Antes que eu te formasse no ventre de tua mãe, te conheci; e, antes que tu saísses do seu seio, te santifiquei e te estabeleci profeta entre as nações.”[5] Ou, no Novo Testamento: “Digo-vos, porém, que Elias já veio e não o reconheceram.” (…) “Então os discípulos compreenderam que (Cristo) lhes tinha falado de João Batista.” [6]
A hipótese de que tenhamos uma única vida é inteiramente incompatível com a admirável perfeição existente em todo o universo conhecido.  A insustentável ideia de que “aos homens está ordenado morrer uma só vez, vindo, depois disso o Juízo” [7] nem merece comentários adicionais.  A concepção de que, após a morte do corpo físico, nossas individualidades se percam em um enigmático NADA é, certamente, risível, pois o grande jargão científico estabelece que na vida “nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. 
Portanto, se temos tantas evidências a favor da reencarnação, o que nos apresentam contra a mesma os opositores? Apenas a simples opinião dos acadêmicos que endeusam a densa matéria e de alguns obscuros e decrépitos teólogos. Todavia, queiram ou não queiram, gostem ou não gostem os descrentes e ignorantes, daqui há alguns anos, assistiremos a Academia de Ciência, declarar esta admirável comprovação como, há dois mil anos, Jesus informou a Nicodemos: “É necessário nascer de novo”. [8] 

Notas e referências bibliográficas: 

[1] Disponível em http://www.epochtimes.com.br/menino-3-anos-recorda-vida-passada-identifica-assassino-localiza-corpo-enterrado/#.VK3ae3t0eFp , acessado em 15/01/2015
[2] Disponível em http://www.e-farsas.com/menino-de-3-anos-reconhece-seu-assassino-na-vida-passada.html#ixzz3OzkP3l8A  acessado em 15/01/2015
[3] Inscrito  em papiro egípcio de 3000 a.C.
[4] Inscrito no Papiro Anana  de 1320 a.C.
[5] Jeremias 1:4-5
[6] Mateus 17:12-13
[7] Hebreus 9:27
[8] Mateus 3:3

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Manutenção do Movimento Espírita – a questão da contribuição financeira (Ricardo Gauche*)


Ricardo Gauche
gauche@unb.br



Em vez de pretexto, busquemos o contexto, com o auxílio do texto. 


A RIE publicou, recentemente, um artigo que interessa aos que se debruçam sobre a árdua tarefa de garantir o funcionamento de uma Casa Espírita (SOUZA, 2002). O tema, sem dúvida, sofre o preconceito dos que administram o Movimento Espírita, tanto quanto o dos que atuam na prática e na difusão de tão maravilhosa e consoladora Doutrina – que ao Mestre pertence, e não aos homens, que devem se responsabilizar pelo Movimento. E o Movimento exige recursos materiais para ser implementado. Em função desta exigência, surge a necessidade de analisar as questões correlatas, sempre sob a ótica do bom senso e, especialmente, dos princípios que sustentam a Doutrina Espírita, tanto quanto os que daí derivam, quando tratamos do Movimento Espírita. Há, entretanto, dois níveis de análise, com especificidades que precisam ser respeitadas. O primeiro refere-se à Casa Espírita, restrito aos limites de uma instituição. O segundo, ao Movimento Federativo, que engloba atividades que transcendem os limites da Casa, ampliando-se a interface com o público, incluindo o que freqüenta as diversas instituições e o que tem interesse pelos assuntos doutrinários, sem pertencer aos quadros do Movimento. 

Manutenção da Casa Espírita 

A manutenção de uma Casa Espírita exige gastos com água, luz, telefone, materiais de limpeza e outros, que representam encargos financeiros a serem correspondidos. Cabe aos que a dirigem gerirem a arrecadação e a utilização dos recursos necessários para a garantia dessa manutenção. Cabe aos sócios, como um dos deveres éticos e estatutários, contribuir para a manutenção da Casa, no cumprimento de seus objetivos morais e de suas obrigações sociais. Este dever envolve não só contribuições de natureza financeira, mas, também, de natureza não-financeira. A natureza da contribuição não implica, portanto, em hipótese alguma, a utilização, por parte dos responsáveis pela gestão da Casa, de restrição ao cunho financeiro. Aí, emergem problemas mais complexos do que um alegado suposto pretexto da parte dos sócios. 

Não há, como não poderia haver, qualquer prescrição da Doutrina no tocante à arrecadação de recursos para a referida manutenção, responsabilidade dos administradores do Plano Físico, exceto no que fira princípios éticos, morais e espirituais e que, portanto, deva ser evitado. 

Kardec, administrador, e não a Doutrina, oferece reflexões e propostas de gestão de sociedades espíritas, conforme pode ser encontrado em O Livro dos Médiuns, Obras Póstumas, Viagem Espírita em 1862, Revista Espírita (1865, 1866 e 1868), em contexto específico temporal e culturalmente situado. O bom senso exemplificado pelo Mestre Lionês precisa ser utilizado na administração da Casa Espírita, embora os procedimentos administrativos por ele, pessoalmente, defendidos sejam passíveis de contestação, sem ferir a Doutrina Espírita. Há que se distinguir o Codificador do administrador, sempre lembrando o contexto social e cultural, historicamente conhecido, no qual situava-se o administrador Kardec. O mais importante para os que se responsabilizam pela gestão, que assumem imensa responsabilidade nesse sentido, é garantir o funcionamento normal de todas as atividades desenvolvidas na Casa, que consomem recursos de natureza financeira, mas que, sobretudo, exigem uma coexistência harmônica, respeitosa, fraterna e nos padrões do Evangelho de Jesus, revivido pela Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec. 

A garantia dos recursos financeiros exige não só arrecadação em espécie, mas, tão importante quanto, contenção de despesas, diminuindo obviamente o montante necessário a ser arrecadado. Importante, na restrição de gastos, o recebimento de materiais e serviços que exigiriam dispêndios de natureza financeira. A importância da co-participação de todos os sócios, sem exceção, no esforço de garantir estabilidade material para o bom funcionamento espiritual das atividades implica co-responsabilidade global dos sócios, independente de participarem da instância administrativa da Casa. Temos que considerar, entretanto, a existência de diversas formas de arrecadação, além da contribuição financeira por parte de sócios, dentro dos padrões exigidos para a pureza doutrinária na gestão da Casa, tradicionalmente respeitados pelos que entendem a fidelidade que deve haver em relação à Doutrina a qual se pretende vivenciar – “A pureza da prática da Doutrina Espírita deve ser preservada a todo custo” (LUIZ, 1998, p. 52). Necessário, outrossim, avivar a consciência de que uma Casa Espírita, que nos acolhe e nos oportuniza o crescimento individual e coletivo, precisa funcionar de modo a sempre “encontrar os estudos e os raciocínios adequados à nossa necessidade de vivência em paz no mundo com a vivência igualmente do Amor uns para com os outros, segundo o ensinamento de Jesus, que nós não podemos esquecer: ‘Amai-vos uns aos outros como eu vos amei...’ ” (XAVIER, 1981). 

Na perspectiva defendida, os responsáveis pela gestão da Casa Espírita, no uso de suas atribuições e no cumprimento de seus deveres, devem responsabilizar-se pela estabilidade financeira da Instituição que dirigem, garantindo os meios materiais para o funcionamento das diversas atividades da mesma. Todos os sócios, no cumprimento de seus deveres estatutários, devem, por sua vez, contribuir para a manutenção da Casa que os acolhe, no cumprimento de seus objetivos morais e de suas obrigações sociais, consubstanciando a co-responsabilidade e a co-participação no esforço dos companheiros dirigentes em seus árduos encargos materiais e espirituais. 

A contribuição, entretanto, pode ser feita tanto em moeda corrente quanto na forma de materiais e/ou serviços prestados, sempre visando à diminuição das despesas e/ou ao aumento da receita, trazendo tranqüilidade aos dirigentes e à Casa como um todo, sempre priorizando a harmonia das relações interpessoais e a vivência dos preceitos do Evangelho de Jesus, revivido pela Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec. 

Sugere-se, assim, que os dirigentes elaborem instrumento normativo, dirigido ao sócio da Casa, no sentido de, após estar ciente de todos os direitos e de todas as responsabilidades estatutárias, explicitar a forma de contribuição a que se propõe – por exemplo, escolher uma ou mais alternativas entre: a)quantia financeira definida de modo livre pelo próprio sócio; b)serviço prestado não profissional; c)serviço prestado profissional; d)materiais etc. –, visando sempre à diminuição de despesas e/ou ao aumento da receita. Obviamente que o serviço intrínseco ao trabalho na Seara do Cristo (atividades de assistência e promoção social espíritas e similares, por exemplo) não pode ser incluído nas categorias (b) e (c), relacionadas estritamente à manutenção do patrimônio material. 

Por fim, compreendendo a natureza do Espiritismo e de uma Casa Espírita, e dos princípios filosófico administrativos que devem regê-la, assim como o papel que todos devem exercer na sua manutenção, fundamental se torna não alimentar suscetibilidades desnecessárias, sempre lembrando que o diálogo franco e cristão supera divergências e garante harmonia, mesmo na diversidade de pontos-de-vista. Como nos ensina André Luiz (1998, p. 151), “antes de criticar as instituições espíritas que julgue deficientes, contribuir, em pessoa, para que se ergam a nível mais elevado. Quem ajuda, aprecia com mais segurança.” 

Manutenção de Eventos: Movimento Federativo 

Em relação aos eventos promovidos no âmbito do Movimento Federativo, cabem outras reflexões. Seguindo o mesmo raciocínio até agora explicitado, se uma Casa Espírita deve ter sua manutenção garantida por seus sócios, não cabendo repassar aos freqüentadores interessados tal responsabilidade, não cabe aos participantes de um evento federativo custear os respectivos gastos. Cabe, sim, aos “sócios” do Movimento Federativo, ou seja, às Casas Espíritas, pessoas jurídicas, sim, garantir sua essencial promoção, pela relevância que todos sabemos ter. Ninguém em sã consciência doutrinária negaria que a Doutrina Espírita precisa ser divulgada. Também não se pode negar a justeza da preocupação em relação ao papel do espírita no custeio dessa imprescindível tarefa. Há que se ter, no entanto, clareza dos malefícios de se importarem soluções de outros movimentos religiosos, soluções que, sabe-se, tem razões incompatíveis com a Boa Nova, com os ensinamentos sublimes do Cristo. Cobrar-se uma taxa, seja ela módica ou não, é cobrar por serviços prestados. Serviços similares aos da Casa Espírita, onde, pelo menos por enquanto, pode-se recebê-los gratuitamente, como gratuitamente foram recebidos por quem os oferece. Recursos são necessários, obviamente. Mas, como obtê-los? Fácil transferir para os participantes, não necessariamente espíritas, os custos. Fazer caridade com o dinheiro alheio é sempre muito fácil. Difícil é estruturar-se para garantir que a mensagem do Cristo seja difundida. Para isso, unificar é palavra de ordem. Nos eventos da Federação Espírita do Distrito Federal, há uma experiência bem-sucedida nesse sentido. Contribuições das Casas adesas, eventos lícitos de arrecadação – almoços beneficentes, bazares, tarde de tortas, festival do sorvete etc. – podem sustentar tranqüilamente um evento, sem exclusão dos membros materialmente impossibilitados de corresponder à exigência do pagamento de “simples taxas”, que de simples nada possuem, por caracterizarem venda camuflada de serviços. Quanto aos que podem colaborar, que o façam junto à Casa da qual participam, para municiá-la com recursos de tal destinação. Além do mais, até onde sabemos, não é praxe no Movimento publicarem-se relatórios claros e transparentes das movimentações financeiras de eventos, o que coloca suspeitas quanto à sua destinação, embora obviamente infundadas, fragilizando desnecessariamente a imagem pública da Doutrina, confundida que sempre é com o Movimento Espírita. 

Por fim, atentemos para o texto de André Luiz (1998, p. 58): 

“Para não se desviar das finalidades espíritas, selecionar, com ponderação e bom senso, os meios usados na propaganda, mormente aqueles que se relacionem com atividades comerciais ou mundanas. 

Torna-se inútil a elevação dos objetivos, sempre que haja rebaixamento moral nos meios.” 

Quanto à defesa de “impostos”, “dízimos” ou similares, roguemos a Jesus que ilumine os dirigentes de Seu Movimento, para que não cometam os mesmos erros historicamente cometidos e suficientemente conhecidos pelos que se candidatam a ser verdadeiros cristãos – dispostos, portanto a servir ao Cristo, e não a servir-se do Cristo. 

Referências Bibliográficas:


XAVIER, F. C. & EMMANUEL. Entrevistas. 3.ª edição, p. 115. Araras-SP : Instituto de Difusão Espírita,  1981.
LUIZ, A. Psicografia de Waldo Vieira. Conduta Espírita. 21.ª edição. Rio de Janeiro : Federação Espírita Brasileira, 1998.
SOUZA, P. F. Dízimo Espírita? Revista Internacional de Espiritismo Ano LXXVI – N.º 12 – p. 590-591 –Matão, Janeiro de 2002.


(*)Ricardo Gauche – Grupo Espírita “Casa do Caminho” (GECAM), no qual construiu-se coletivamente o raciocínio defendido neste artigo; Sociedade Espírita de Educação do Menor “Semente de Luz” – (SELUZ); Grupo de Estudos Espíritas na Universidade de Brasília (GEEUnB)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Francisco enumera as 15 doenças que acometem a Igreja



cúria romana
Cardeais ouvem o catálogo de doenças que assola a Cúria Romana, ou seja, eles próprios.


Quinze doenças, nomeadas e explicadas uma a uma, diante de uma plateia formada pela alta cúpula do Vaticano, a chamada Cúria Romana. O papa Francisco aproveitou sua mensagem de Natal para transmitir um duro recado aos cardeais, seus mais próximos colaboradores e também possíveis (ou eventuaisrivais de seu projeto de transformação do Igreja Católica.

“Seria bonito pensar na Cúria Romana como um pequeno modelo da Igreja, como um corpo que cuida seriamente e cotidianamente de estar mais vivo, mais saudável, mais harmonioso e mais unido com Cristo”, disse Francisco. “Mas uma cúria que não faz autocrítica, que não se atualiza, que não trata de melhorar sempre, é um corpo doente.”

Em seguida, o papa convidou os presentes a um exame de consciência, como preparação para a confissão antes do Natal, e listou as 15 “doenças e tentações” que acometem não apenas a Cúria, mas que “são naturalmente um perigo para cada cristão, cada cúria, comunidade, congregação, paróquia ou movimento religioso”.


Veja o catálogo de doenças de Francisco:


1. A doença de se sentir imortal ou indispensável


Acomete os que se sentem ”superiores a todos” e não ”a serviço de todos” . O papa recomendou uma visita a um cemitério para vermos os nomes de tantas pessoas que “talvez acreditassem que eram imortais, imunes ou indispensáveis”.


2. A doença do excesso de trabalho

Acomete os que “submergem no trabalho descuidando da melhor parte: sentar-se aos pés de Jesus”. O papa lembrou que Jesus “convidou seus discípulos a ‘descansarem um pouco’ porque descuidar do repouso leva ao estresse e à agitação".


3. A doença da fossilização mental e espiritual


Acomete os que se escondem atrás de pilhas de papel e se tornam “máquinas de práticas” em vez de homens de Deus. Ao fazer isso, perdem a capacidade de “chorar com os que choram e se alegrar com os que se alegram.”

4. A doença do excesso de planejamento


Segundo Francisco, planejar e se preparar para fazer as coisas é importante, mas “sem cair na tentação de impedir ou tentar dirigir a liberdade do Espírito Santo”.

5. A doença da má coordenação


Acomete os membros da Igreja que “perdem a comunhão uns com os outros” e se convertem em “uma orquestra que produz ruídos porque não vive o espírito de equipe”.

6. A doença de Alzheimer espiritual


Trata-se de uma “redução progressiva das faculdades espirituais” em consequência da “perda da memória” do encontro com o Senhor. O apóstolo ergue ao seu redor “muros e hábitos, quase sempre imaginários” e se torna dependente de suas paixões, caprichos e manias.


7. A doença da rivalidade e da vaidade

Quando a aparência se torna o primeiro objetivo da vida.


8. A doença da esquizofrenia existencial


Acomete os que “abandonam o serviço pastoral e se limitam às tarefas burocráticas, perdendo o contato com a realidade e as pessoas de verdade”.

9. A doença da fofoca


É a doença dos que, sem ter coragem de dizer as coisas abertamente, falam pelas costas das pessoas. Ao fazer isso, semeiam a discórdia, como Satanás.


10. A doença de divinizar os chefes

Acomete os que cortejam os superiores, são presos ao carreirismo e ao oportunismo e vivem a serviço daquilo que querem obter e não do que querem dar ao próximo.

11. A doença da indiferença com os outros


“Quando só pensamos em nós mesmos e perdemos a sinceridade e o calor das relações humanas. Quando, por inveja ou astúcia, sentimos alegria em ver o outro cair em vez de ajudá-lo a se levantar.”

12. A doença da cara de enterro

Acomete as pessoas que consideram que, para ser comprometido e consistente, “é necessário encher o rosto de melancolia e de dureza, assim como tratar os outros com rigidez e arrogância”. Segundo Francisco, o apóstolo deve transmitir alegria: “Que bem nos faz uma boa dose de humor saudável.”


13. A doença da acumulação

Quando o apóstolo, para encher um vazio existencial em seu coração, só pensa em acumular bens materiais.

14. A doença dos círculos fechadosQuando fazer parte de uma panelinha se torna algo mais forte do que ser parte da Igreja como um todo e até mesmo ser um só com Cristo.

15. A doença do prazer mundano e do exibicionismo


Quando o apóstolo transforma seu serviço em poder para obter mais proveitos mundanos e acumular ainda mais poder. São pessoas capazes de caluniar, difamar e desacreditar os demais para se exibirem e se mostrarem mais capazes do que os demais.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Almas que se complementam na eternidade

                                       
José Sola

Alguns confrades presos à ortodoxia alegam que não existem as almas gêmeas, que Emmamuel se equivocou. 
Mas o mais interessante é que os equivocados são esses confrades queridos, pois em momento algum o mentor espiritual de Francisco Candido Xavier, tentou nos passar a ideia de que existam almas que sejam uma a duplicação da outra.
Eles é que se equivocaram na extrapolação  deste tema, e infligiram a Emmanuel esta pecha, entretanto, nosso amigo espiritual, se utilizou deste vocábulo, no sentido metafórico.
Se nossos espiritas ortodoxos atentassem mais para a essência das mensagens apresentadas nos três romances escritos por Emmanuel através da psicografia de Chico Xavier, teriam se apercebido de que no desenvolver dessas obras, ele explicita com clareza de que embora nos complementando, vivemos ambos uma individualidade única.
E corroborando o que afirmo, lembro que Emmanuel nos informa de que Lívia é muito mais evoluída do que ele, fossem metades um do outro, e a lógica nos diz que equalizariam suas vidas, ou melhor, suas vidas estariam equalizadas, o que lhes permitiria viver uma mesma evolução, pois isto lhes  possibilitaria estarem juntinhos e felizes para sempre. 
Entretanto, vamos deixar de lado o vocábulo alma gêmea, pois palavras são simplesmente palavras, e realmente concordamos, e eu tenho certeza absoluta de que Emmanuel já concordava quando apaixonado nos apresentou a metáfora da alma gêmea. 
Com certeza ele não desejou de forma alguma, afirmar que os espíritos que se complementam, sejam duas metades, como sucede aos gêmeos vitelinos, pois estes são a duplicação de uma única célula. 
Mas que existem almas que se complementam é um fato, lógico, não são duas metades, são dois inteiros, duas almas individuais, pensam diferente uma da outra, tem a faculdade do livre arbítrio individualizada, mas uma apresenta a outra uma química divina que as complementa.
Esta realidade nos é apresentada também nas obras de Andre Luiz, mas nossos confrades, na ortodoxia míope que criaram como um dogma intocável para se orientarem não conforme a lógica e a razão, mas conforme a letra, não se aperceberam de que André Luiz, também nos apresenta relatos românticos de almas que se complementam uma a outra, lembraremos a principio, Ernesto Fantini e Evelina Serpa, em o livro “E a Vida Continua.” São eles os protagonistas principais desta estória,  os mesmos se reencontram no pátio de um hospital, sofrem da mesma doença, vão realizar a mesma cirurgia, e ambos desencarnam, são recolhidos na espiritualidade, no mesmo posto de assistência espiritual, reveem juntos os motivos e causas de suas enfermidades, de suas dificuldades em família, e se apercebem do amor que sentem um pelo outro, e ainda na espiritualidade confirmam este amor, e acabam reencarnando no sul do pais, para se consorciarem, e viverem a vida a dois.
Mas fosse este o único relato, e poderíamos apresentar argumentações de que os mesmos viveram esta postura, porque ainda carregavam as influencias da matéria. 
Mas temos ainda, a irmã Cecília, que conquistou uma evolução espiritual aprimorada, mas se demora com o espírito saudoso, trabalhando quanto possível para resgatar Hermínio, que se detém  na terra, vivendo ainda as paixões torpes da vida. (Ver o livro “Os Mensageiros” de André Luiz, páginas 195/196/197)
E temos o romance de Alfredo e Ismália, em que, a companheira de Alfredo se encontra em uma condição evolutiva muito maior, entretanto, comparece a casa de assistência que  nosso amigo dirige nas trevas, todos os meses, oferecendo-lhe amparo e colaboração, para que o mesmo possa crescer espiritualmente. 
E questionado por Vicente, quanto a possibilidade de Ismália permanecer constantemente a seu lado, ele responde “sei que Ismália tem trabalhado para isso, que seu ideal de união eterna é idêntico ao meu, ... mas não ignoro que foi advertida por nossos maiores, sobre as minhas atuais necessidades de esforço e solidão....
Minha esposa deseja descer para encontrar-se definitivamente comigo; entretanto é necessário que eu aprenda a subir e, por este motivo ainda não recebemos a devida permissão para o definitivo consorcio espiritual. (Ver o livro Os Mensageiros, capitulo O romance de Alfredo, página 114).
E questionado por Vicente do porque Ismália não se transfere em definitivo para a mansão que ele, Alfredo, dirige nas trevas, o mesmo responde; “Sei que Ismália tem trabalhado para isso, que seu ideal de união eterna é idêntico ao meu,...
Alfredo deixa explicitado com muita clareza que o ideal de ambos é a união eterna, e vemos lógica em suas palavras, pois o amor é eterno, não se extingue, mas se expande infinitamente na eternidade.
E corroborando a necessidade dos espíritos viverem agrupados, ou associados a outros, permutando sentimento e amor, apresento uma vez mais Andre Luiz em o livro “Nosso Lar”, página 103, vejamos. 
“Almas gêmeas, almas irmãs, almas afins, constituem pares e grupos numerosos. Unindo-se umas às outras, amparando-se mutuamente, conseguem equilíbrio no plano de redenção. Quando, porém, faltam companheiros, a criatura menos forte costuma sucumbir em meio da jornada”.
E para finalizar apresento ainda mais uma declaração de amor eterno, em o livro “Obreiros da Vida Eterna” no capitulo Exemplo Cristão página 250, e os protagonistas desse amor divino, são Fábio e Mercedes. 
Fábio se demora no leito de morte, já preste a desencarnar e num desprendimento divino, muito difícil de viver, desobriga a esposa dos elos de compromissos matrimoniais, e eu acredito que para tomar uma decisão destas, o espirito tem que ser evoluído, pois do contrario não alcança esse desprendimento, vejamos.
“Não posso exigir de você fidelidade absoluta aos elos materiais que nos unem, porque seria exercer cruel opressão a pretexto de amor. Além disso, nada quebrará nossa aliança espiritual, definitiva e eterna.”
E nosso amigo Fabio, também afirma a Mercedes que nada quebrará a aliança espiritual, de um amor definitivo e eterno, o que nos leva a concluir, que é mais generalizada do que parece a premissa das almas que se complementam, e mais, são os espíritos que vivem esse momento divino que o confirmam.  
Alguns confrades alegam de que não podemos usar as obras de Andre Luiz como parâmetro de aferição em nossos estudos, pois os espíritos que se comunicam, não são espíritos de uma evolução maior, e manifesta sua opinião particular, seu ponto de vista.
Concordo em partes, pois nosso amigo Andre nos apresenta o parecer de espíritos nos diferenciados momentos evolutivos em que se demoram, e alguns deles são ainda imaturos mesmo.
Mas não podemos nos esquecer de que os espíritos que nos estão confirmando a premissa das almas que se complementam umas as outras, são evoluídas, e que Andre Luiz sanciona essas revelações, e acredito que nosso amigo Andre não seja um espirito qualquer.
E não devemos ignorar de que Alfredo, embora fosse menos evoluído que Ismália, havia adquirido uma evolução razoável, evolução esta, que lhe propiciou condições de dirigir uma casa de socorro nas trevas, me parece que suas palavras nos merece crédito.  
Entretanto importa analisar tudo o que nos seja dito pelos homens ou pelos espíritos a luz da lógica e da razão, independente da posição evolutiva do espirito, e a premissa das almas que se complementam que se completam uma a outra, responde aos parâmetros da lógica, e da razão.
E mais embora não se utilizem da metáfora de almas gêmeas, vários espíritos, nos apresentam de maneira inconfundível a existência desse amor sublime que fortalece duas almas na caminhada gloriosa que perfazem na eternidade, e temos ainda alguns outros em outras obras de Andre Luiz, que não descrevemos, mas que corroboram esta premissa.
Apreendi com meu instrutor de doutrina de que a lógica e a razão, devem ser sempre os parâmetros de aferição de nossos estudos, e me dizia este de que a doutrina espirita se sustenta por uma lógica e uma racionalidade absolutas, e que nem mesmo se Jesus viesse afirmando em contrario daria para acreditarmos; lógico estas palavras era, apenas uma metáfora.       
 Uma amiga querida me informou que concordava com a teoria das almas gêmeas, entretanto, entende de que quando o espirito evolui, deixa de viver a necessidade de amar especificamente a alguém, e passa a viver um amor universal, isto é, amar a todos por igual, e tentando corroborar sua premissa, lembrou Jesus. 
Entretanto esta premissa apresentada pela amiga querida, não se sustenta, basta lembrarmo-nos de que somos perfectíveis, de que perfeito é só Deus.
Sabemos de que a evolução vai ao infinito na eternidade, de que existem espíritos cuja evolução nos escapa a percepção, pois Deus é eterno, eternamente manifestou a vida, e é natural de que esses Avatares hajam desenvolvido um amor infinitamente maior que o nosso, e podem dar mais.
E lembramos ainda de que são as experienciações e vivenciações que percorremos em comum, que estreitam nossos laços de afinidade e de amor, e não estaremos a conviver na intimidade com todos os espíritos.
É lógico de que quando houvermos suplantado a matéria, quando o amor houver se exteriorizado com maior amplitude, estaremos a amar a todos, pois só teremos amor para dar, mas não por igual, pois nos demoramos no relativo, só Deus pode amar a todos e a tudo por igual, pois está no absoluto, é a vida do universo. 
O amor de Deus a manifestar-se na vida é idêntico, pois como já vimos em outras oportunidades, este amor se manifesta em unicidade, tanto no Campo do macro como no micro, nos infinitos fenômenos que o universo nos apresenta, este amor atende a evolução nos infinitos momentos em que esta se manifesta.
E como somos a obra prima do Criador, trazemos este amor em potenciação no absoluto, pois embora não venhamos jamais a atingir a perfeição, e tampouco atinjamos o absoluto, entretanto, o mesmo está contido em nosso inconsciente puro, como um eterno vir a ser, desde toda a eternidade, e para toda a eternidade, pois somos uma centelha divina de Deus, e Este é eterno. 
Deus não manifesta seu amor diferenciado, na condição de amor de mãe, amor de pai, amor de almas gêmeas, etc., Deus manifesta o amor, como uma essência única, essência esta que atende a vida em seus momentos evolutivos infinitos. 
E somos nós que maturando esta essência através das vivenciações e experienciações infinitas, desenvolvemos as modalidades variadas de amor, que de momento a nossa maturação nos permite conceber, mas a lógica nos diz, de que estaremos a expandir ao infinito este amor, pois o trazemos absoluto em nosso ser eterno. 
E quanto a Jesus, assim como todos nós outros, temos nossa alma gêmea, a lógica nos diz que sim, Ele também a tem, pois ele é nosso irmão maior, mas é vida derivada da vida de Deus como o somos, e já apreendemos de que não existem parias nem privilegiados, que somos centelhas divinas do Criador, que a herança sublime que obtivemos do Eterno é equitativa para todos, sem distinção.
Não temos como provar essa possibilidade, embora a médium espanhola Amália Domingos Soler haja escrito o livro Perdoou-te, e neste apresente um enredo romântico em que pretende apresentar uma encarnação em que Jesus se chamava Tulio e tenha convivido com sua alma gêmea que se chamava Iris, o enredo é lindo,  mas esta revelação permanece  insustentável, pois não temos uma prova cabal, apenas um relato amoroso, e embora a lógica corrobore esta possibilidade, é apenas uma possibilidade. 
Mas acreditamos que esta química divina que faz duas almas complementarem-se por um período longo da evolução, como acontece com Publius e Lívia não se extinga jamais, pois o amor é eterno, e se expandirá eternamente, a menos que acreditemos existir um ápice evolutivo, entretanto, a evolução do ser na eternidade é enfatizada na doutrina espirita, e mais, se justifica pela lógica.
Esse amor sublime que envolve duas almas, propiciando-lhes a benção de se complementarem uma a outra (almas gêmeas), lhes amplia a visão, possibilitando-lhes a percepção de uma beleza intrínseca, que trazemos em potenciação no núcleo da alma, esta potenciação é um atributo que herdamos de Deus na vida. 
De momento ainda não entendemos que a beleza seja um atributo de Deus no universo, e isto acontece, pelo fato de não compreendermos de que existem infinitos atributos a manifestarem-se de Deus na vida, mas não podemos nos esquecer de que evoluímos na eternidade. E que esta evolução na eternidade nos reserva infinitos ignotos, que trazemos inseridos em nosso inconsciente puro como um eterno vir a ser, e que com a maturação de nosso ser, iremos maturar uma infinidade desses atributos.
Assim como o amor, a beleza sendo um atributo do Eterno se manifesta em unicidade na vida do universo, atendendo os infinitos momentos de ser da evolução, o que torna a beleza que apreciamos uma beleza relativa, pois a beleza esta intrínseca ao espirito, e se expandira ao infinito na eternidade com a evolução deste.    
A beleza se manifesta de Deus na vida, no todo do universo, e no momento evolutivo em que nos demoramos a podemos apreciar manifesta pela natureza, nos jardins floridos e perfumados, nas cataratas que se derramam por entre as pedras, na apreciação dos animais, etc.; e quem não se deixa quedar vislumbrado na apreciação de um por de sol quando este declina no horizonte?
Vemos que a beleza é um atributo de Deus na vida, está presente em todas as manifestações da natureza, e como nós não somos seres apartes a natureza, pois somos a resultante da maturação dos elementos que compõe a mesma, trazemos esta beleza inserida em nosso eu eterno. 
Sendo uma potenciação do espirito, a beleza como todas as demais potenciações, sofre mutações no seu processo de maturação. 
E sendo o espirito o eu inteligente que encerra as infinitas potenciações herdadas de Deus na vida, dependendo de seu momento evolutivo adultera esse atributo divino. 
Assim como acontece com o amor na sua condição embrionária, pois já compreendemos de que o ódio é inconsistente na vida do universo, este não é outra coisa que não, o amor que em sua fase embrionária, enquanto nos demoramos vivendo o desejo de posse. 
Se o parceiro por quem estamos apaixonados nos deixar, de imediato estaremos transformando esta paixão em ódio, lógico isto só acontece, na fase evolutiva do ser, em que o espirito ainda não suplantou a matéria.
E com a beleza não é diferente, enquanto ainda nos demoramos em desarmonia com as leis naturais, com a Lei Divina, adulteramos a mesma, tornando nossas almas feias, e as vezes horrendas mesmo.  
E no intento de corroborar minhas palavras, me utilizo mais uma vez de informações apresentadas por Andre  Luiz, em o Livro “Libertação” páginas 134 e 135, não as vou descrever na integra, utilizarei minhas palavras, mas vale a pena ler estas duas páginas. 
Andre Luiz nos relata que havendo acompanhado o medico que diagnosticou Margarida, foi informado por Mauricio, entidade amiga que pretendia auxiliar o médico, tanto quanto a família do mesmo, mas que infelizmente não encontrava possibilidade, devido às péssimas condições vibracionais ai reinante.
O medico havia enviuvado, e embora possuísse uma idade já madura, houvera consorciado uma jovem bonita, mas orgulhosa, leviana, mulher está que em seus caprichos, exigia-lhe sacrifícios enormes.
E havendo terminado de almoçar, discutiu com o esposo, e logo após foi se deitar num divã confortável para fazer a sesta, e André nos narra que esta mulher, bela em sua aparência física, desprendida do corpo físico, se transformara em uma bruxa, a ponto de fazer fugir a primeira esposa do medico, que se demorava presa ao ambiente do lar. 
E ainda somos informados por Andre Luiz, e também por vários videntes, de que as entidades que se demoram nas trevas apresentam uma característica feia, e algumas delas apresentam deformações acentuadas em seus corpos energéticos (períspirito).
Deparamo-nos com homens e mulheres, que apresentam uma beleza física impecável, suscetível de provocar a admiração do sexo oposto, entretanto quando nos aproximamos destes deuses da beleza física, nos apercebemos de que os mesmos são vazios, e em muitas oportunidades são arrogantes, prepotentes, orgulhosos, levando-nos de imediato a modificar nossa apreciação, pois a beleza aparente se esvaiu com a exteriorização da feiura intima dessa alma.      
Ao passo que temos aqueles que fisicamente não apresentam uma beleza física, mas espiritualmente são belos, e para sintetizar, lembramos nosso inesquecível Chico, pois fisicamente ele não era belo, mas espiritualmente ele era lindo, estar junto de Chico, ouvi-lo falar, sempre foi algo que nos inebriou o coração, posso vos confessar que nunca tive tempo ou vivi a preocupação para verificar uma ruga que seja no rosto de Chico, só me apercebi nele de sua beleza espiritual.
 Entretanto não estamos pretendendo afirmar, que todos os feios no corpo físico sejam bonitos de alma, e que todos os bonitos de físico, sejam espiritualmente feios, pois temos aqueles que são feios fisicamente, e essa feiura é um reflexo do espirito, tanto quanto, temos aqueles que são fisicamente bonitos, sendo também bonitos espiritualmente, são pessoas dóceis, amorosas. e afáveis.
Mas não podemos nos esquecer de que a beleza está intrínseca ao espirito, como retro informado, é um atributo de Deus que trazemos como herança divina, e que como os atributos da inteligência e do amor, se matura e se expande ao infinito na eternidade.
E não podemos nos esquecer de que no momento evolutivo em que nos demoramos, o Criador nos comtempla com sua beleza divina, pois esta está presente em toda parte na natureza.
E não temos como negar que a mesma se encontra interiorizada em nosso inconsciente puro, pois quando nascemos, e conforme vamos crescendo, somos os seres mais lindos do mundo para as nossas mamães. 
E no que respeita as almas gêmeas, estas não se apercebem apenas da beleza física, que nem sempre ultrapassa a beleza comum da humanidade, mas apreciam a beleza interior do parceiro amado, e o veem como o ser mais lindo do universo; isto nos leva a concluir de que a beleza está direta e proporcionalmente relacionada ao amor.

domingo, 18 de janeiro de 2015

A PENA DE MORTE NÃO RESGUARDA A SOCIEDADE CONTRA O CRIMINOSO (Jorge Hessen)

Jorge Hessen

Registra a história que, durante a Idade Média, muitos pensadores foram excomungados pela Igreja e, com o aval ou o silêncio do monarca, condenados à morte. Qualquer avanço da ciência, que pusesse em xeque o ensinamento eclesiástico, era tido como obra do demônio e classificado como heresia. Tomás de Aquino achava "louvável e salutar, para a conservação do bem comum, pôr à morte aquele que se tornar perigoso para a comunidade e causa de perdição para ela". [1]

Em 2013 (últimos dados disponíveis da Anistia Internacional), houve 778 execuções no mundo, 96 a mais do que em 2012. Há cerca de 23 mil pessoas em corredores morte pelo mundo. Os métodos de execução variam. Decapitação (Arábia Saudita), eletrocução (Estados Unidos), enforcamento (Afeganistão, Bangladesh, Índia, Irã, Iraque, Japão, Kuwait, Malásia, Nigéria, Autoridade Palestina – Hamas, Sudão do Sul), injeção letal (China, Vietnã e Estados Unidos), fuzilamento (China, Indonésia, Coreia do Norte, Arábia Saudita, Somália, Taiwan e Iêmen). A China não divulga quantas pessoas executa anualmente e alega que o número é segredo de Estado.

A presidente do Brasil pediu clemência (por telefone) no dia 16 de janeiro de 2014 ao presidente da Indonésia, Joko Widodo, visando livrar da condenação à pena de morte de dois brasileiros, porém, não conseguiu remissão para Marco Archer Cardoso Moreira e Rodrigo Muxfeldt, ambos condenados por tráfico de drogas. Dilma Rousseff destacou que o ordenamento jurídico brasileiro não comporta a pena de morte e que seu enfático apelo pessoal expressava o sentimento da sociedade. Porém, Widodo é conhecido por manter uma postura rígida contra o tráfico de drogas por isso, além do brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, outros quatro estrangeiros serão executados (fuzilamento) na Indonésia no domingo (que corresponde ao sábado no Brasil - 17/01/2015): um da Nigéria, um do Malaui, um do Vietnã e outro da Holanda. 

Será que a aplicação da pena de morte reduz os níveis de criminalidade? Nos Estados Unidos a ampla maioria dos criminologistas avalia que não. Para eles as execuções deveriam ser substituídas pela pena de prisão perpétua sem possibilidade de soltura, medida menos drástica e igualmente capaz de tirar os criminosos mais perigosos das ruas. Mas, um estudo de pesquisadores da Universidade de Houston afirma que cada execução no Texas preveniu entre 11 e 18 homicídios no Estado. Por outro lado, uma pesquisa da Universidade de Michigan indica que um a cada 25 condenados à morte nos EUA é inocente. 

Em verdade, as estatísticas mostram que os Estados Unidos têm diminuído a aplicação da pena de morte e há um declínio do apoio popular à pena fatal. No Brasil, a rejeição à pena de morte é maioria. Segundo pesquisa do Datafolha de 2013, 50% dos brasileiros acham que não cabe à Justiça determinar a morte de uma pessoa, mesmo que ela tenha cometido um crime grave. Outros 46% se disseram favoráveis à punição. Mas, na Pátria do Evangelho, uma cláusula pétrea da Constituição proíbe a pena de morte. 

Nos chamados “programas policiais”, exibidos no Brasil, os apresentadores, completamente vingativos insistem pela legalização da pena de morte no País. Agindo assim, tais jornalistas “justiceiros”, exacerbam a violência social (há casos de linchamentos entusiasmados pelas mídias). Insistem tais jornalistas na tese da Pena Capital, com o chavão da "legítima defesa da Sociedade", contra os altos níveis de criminalidade, visando estabelecer a maior "segurança" dos cidadãos indefesos, diante da violência. Porém, "será ilusão infeliz e criminosa a instituição de um Estado homicida e uma Justiça assassina, para viabilizar a paz social através da crueldade e do desforço".[2]

A Pena de Morte não livra a Sociedade da ação maléfica do criminoso condenado. Matá-los não resolve: eles não morrem. Eliminar o corpo físico não significa transformar as tendências do homem criminoso. Seus corpos descerão à sepultura, mas, eles, Espíritos imortais, surgirão vivos e ativos, pesando, negativamente, no ar que respiramos. O que equivale a afirmar que o criminoso executado ganha o benefício da invisibilidade e passa a assediar pessoas com tendência à criminalidade, ampliando-a, causam estragos no psiquismo humano, na medida em que as pessoas se mostrem vulneráveis, psiquicamente, à sua influência. 

Em face disso, o Espírito Humberto de Campo, elucida em Cartas e Crônicas: "um assassinado, quando não possui energia suficiente para desculpar a ofensa e esquecê-la, habitualmente, passa a gravitar em torno daquele que lhe arrancou a vida, criando os fenômenos comuns da obsessão; e as vítimas da forca ou do fuzilamento, do machado ou da cadeira elétrica, se não se constituem padrões de heroísmo e renunciação, de imediato, além-túmulo, vampirizam o organismo social que lhes impôs o afastamento do veículo físico, transformando-se em quistos vivos de fermentação da discórdia e da indisciplina ".[3]

Aconselha Emmanuel - "Desterrai, em definitivo, a espada e o cutelo, o garrote e a forca, a guilhotina e o fuzil, a cadeira elétrica e a câmara de gás dos quadros de vossa penologia, e oremos, todos juntos, suplicando a Deus nos inspire paciência e misericórdia, uns para com os outros, porque, ainda hoje, em todos os nossos julgamentos, será possível ouvir, no ádito da consciência, o aviso celestial do nosso Divino Mestre, condenado à morte sem culpa: "Quem estiver sem pecado, atire a primeira pedra!"[4] O Espiritismo demonstra que "a pena de morte desaparecerá, incontestavelmente, e sua supressão assinalará um progresso para a humanidade. Quando os homens forem mais esclarecidos, a pena de morte será completamente abolida da Terra".[5]

A sociedade não tem o direito de matar “legalmente”, eliminando do tecido social um criminoso, "há outros meios de ele (o homem) se preservar do perigo, que não matando. Demais, é preciso abrir e não fechar aos criminosos a porta do arrependimento."[6] Desta forma, é necessário que tomemos, urgentemente, um posicionamento definitivo contra a pena de morte, até porque, a violência gera violência. A educação, a instrução religiosa, aliada à fé raciocinada, garantem a solução para os problemas da violência social. 


Referências bibliográficas: 

[1] Fonte: (Suma Teológica, Questão LXIV, Art. 11.)

[2] Transcrito de "Reformador", pág. 290, outubro de 1981.

[3] Xavier, Francisco Cândido. Cartas e Crônicas, ditado pelo Espírito Humberto de Campos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999.

[4] Xavier, Francisco Cândido. Religião dos Espíritos, Ditado pelo Espírito Emmanuel, cap. 50, Rio de Janeiro: ed. FEB, 2001

[5] Kardec, Allan. Livro dos Espíritos. Rio de janeiro: Ed. FEB, 2003, questão 760

[6] Kardec, Allan. Livro dos Espíritos. Rio de janeiro: Ed. FEB, 2003, questão 761

ALLAN KARDEC OU J. B. ROUSTAING?


Nota de esclarecimento: 
“O artigo abaixo trata-se do exercício natural do direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. Não me compete censurar opiniões, ainda mesmo que eu, Jorge Hessen, não defenda pessoalmente as concepções ubaldianas . 
Assim, deixamos aos leitores do meu blog em O Rebate o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere a seguir, pois o mesmo direito que tem o articulista de argumentar , temos todos o mesmo direito de refutar , de aceitar, ou não, os seus argumentos.” 

Fernando Rosemberg Patrocínio
f.rosemberg.p@gmail.com
http://fernandorpatrocinio.blogspot.com.br


Estarei a tratar, no presente texto, de algumas questões doutrinárias que, para mim, e, do ponto de vista ético e filosófico, não deixam de ser relevantes. 

Tratarei, pois, das conjeturas de Jesus ter sido Médium de Deus, consoante Kardec (“A Gênese” - Ide), ou, ainda, Médium do Cristo que, neste caso, seriam Entidades distintas, sendo esta última: Entidade Arcangélica e Jesus: o Espírito reencarnado como o seu médium especial conforme obra dos respeitáveis, conquanto não propriamente espíritas: Ramatis, psicografia do médium Hercílio Maes (“O Evangelho à Luz do Cosmo” – Vide: Internet). E estarei a tratar, igualmente, da Túnica Somática que o Mestre Nazareno envergara quando esteve junto aos terrícolas, e que, para mim, afinal, são todas elas teses instigantes e mui provocativas. 

Porém, ratifico que o fundamental de tudo quanto estarei a estudar e propor, haverá de ser, ontem, hoje e sempre, sua abençoada Mensagem de Luz e de Redenção de todos nós, seus degredados irmãos espirituais terrenos.

Assim sendo: pergunta-se:

1-Por que tratar de questões secundárias se o que importa mesmo é a sua Mensagem de Amor? 

2-Por que tratar de tais questões se não se pode, de modo experimental, e positivo, provar uma ou outra coisa, ou seja, se Jesus, de fato, estivera provido de um corpo de carne e osso ou de um corpo aparente, fluídico, porém, materializado por energias diversas do ambiente terreno? 

3-Por que tratar de tudo isso, se não se pode provar, a não ser por atos de fé, se Jesus teria sido Médium do Cristo ou Médium de Deus?

Ora, é evidente que seus Ensinos Morais superam tais discussões e questionamentos. Entretanto, sabe-se que uma das maiores polêmicas do nosso tempo decorre justamente da questão dois (2) acima citada, ou seja: do corpo de carne (material) ou do corpo apenas e tão-só aparente: (fluídico-materializado), cuja questão fora desencadeada modernamente na segunda metade do século dezenove por dois pensadores contemporâneos: Allan Kardec e J. B. Roustaing.

-Kardec, de modo filosófico, e, por questões morais, admite em “A Gênese” (A.K. – Ide) que o Cristo, de fato, estivera provido de um corpo carnal como o de todos nós.

Porém, na contrapartida, e aí reside o imbróglio:

-Roustaing, em maçudos livros denominados: “Os Quatro Evangelhos” (J.B.R. – Feb), apregoa que o Cristo, quando esteve entre nós, não detinha um corpo carnal e sim fluídico (perispirítico), porém, materializado.

E a cisão se fez!

De um lado, o grupo dos roustainguistas ou rustenistas, tendo como o seu maior defensor intelectual: Luciano dos Anjos; e, de outro, o dos kardecistas, com seu maior vulto: J. Herculano Pires; ambos jornalistas e escritores eruditos que, hoje, estão desencarnados, e, possivelmente, tratando de suas diferenças filosóficas no outro plano, e, quem sabe já chegaram a um acordo pela verdade una e universal em Cristo Jesus.

Mas a polêmica, aqui dentre nós espiritistas, ainda reencarnados, prossegue, e digo que, entretanto, isto não é tudo, pois que há mais! 

E isto por que outras questões paralelas se desenvolveram ao longo de todo um sesquicentenário do Espiritismo e do Espiritualismo no Mundo; e a principal delas trata-se da questão de Jesus ter sido Médium do Cristo ou Médium de Deus. E outros tantos estudiosos, outros tantos Espíritos também levantaram suas teses interessantes que, afinal, algumas delas veremos ao longo do presente labor; mas, cientes, desde já, de que tais questões, para mim, e, penso que também para você: são de âmbito pessoal e, portanto, decidam-se pelo que achar melhor para o seu entendimento, sua conduta filosófica e moral. 

Assim, pois, no século vinte que se findara quais foram as opiniões, por exemplo, de Pietro Ubaldi e de Francisco Cândido Xavier, que, para mim, foram os dois maiores Espíritos reencarnados neste período centenário terreno, conquanto nem todos possam de tal forma assim discernir e apreciar.

O que se sabe é que Ubaldi, durante algum tempo, se mostrara favorável às teses rustenistas; todavia, em sua obra derradeira: “Cristo” (Fundapu), se posicionara favorável à Encarnação de Jesus em vários capítulos da referida. No capítulo dois, por exemplo, ele se formaliza em termos claros, escrevendo: “A Encarnação e a Paixão do Cristo...”; e no capítulo quatro profere: “... que se revelou na matança feroz do Corpo do Cristo”; e logo adiante: “... que valor espiritual pode ter tal massacre físico?”; e, mais ao longo ainda: “O escopo da Encarnação do Cristo...”; e página mais adiante prossegue:

“Assim, Cristo nos aparece vivo em toda a sua lógica para dizer-nos: Fazei como Eu fiz. O que fiz também vós podeis fazê-lo. Pertenci à vossa própria raça: não fui apenas um prodígio descido do céu, com poderes excepcionais. Fui homem como vós, mas em virtude do meu incansável labor ascensional, alcancei o sistema, regressando ao seio de Deus, realizando, assim, o meu destino que é também o de todos vós”; (Opus Cit.).

Posição, pois, que ratifica Kardec!!!

No tocante a Xavier, o que se sabe é que o mesmo, pessoalmente, também se mostrara, de início, simpatizante das teses rustenistas, o que se confirma na obra “Testemunhos de Chico Xavier”, de Suely Caldas Schubert (Feb); e a obra de sua psicografia: “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho” (Espírito Humberto de Campos – Feb) também corrobora a obra de Roustaing. 

Mas há muitas discussões, de disse não-disse em torno de tal questão, e, portanto, não se sabe da opinião última de Xavier, ou seja: se o mesmo mudara de posição tal como se dera com Pietro Ubaldi em sua derradeira obra citada; ou, ainda, se a opinião de Xavier não deveria ser considerada pouco relevante no que toca à obra de Roustaing, ou seja: nas cartas por ele endereçadas à Feb (consoante S. C. Schubert), pelo fato de sua simplicidade, sua comprovada humildade, compreensão e amor, evitando temas polêmicos, e já tão controvertidos, no heterogêneo meio doutrinário de nossa atuação.

Recentemente, um livro de Carlos Baccelli lança mão de teses a princípio interessantes, concordo, mas também polêmicas quando bem sentidas e algo racionalizadas; seu título: “A Lei da Reencarnação”: Espírito Domingas (Editora Leep). Alguns sábios do citado livro, no capítulo quinto, levantas duas hipóteses para explicar o período de 18 anos que Jesus Cristo desaparecera da história, ou seja: dos 12 aos 30 anos.

A primeira tese do livro defende que o Espírito de Jesus, mesmo que, a longa distância do seu corpo, pelo dom da ubiqüidade, poderia controlá-lo e, com isso, aguardar o tempo certo de a ele retornar para o cumprimento de sua jornada evangelizadora. E a segunda hipótese seria a de que outro Espírito lhe substituíra, em seu corpo, por aquele referido espaço de tempo, quando Jesus, então, a ele retornara e o retomara para o cumprimento de sua missão.

Não devo, entretanto, entrar no mérito de mais uma questão polêmica, pois que, afinal, eles se referem a conjecturas e hipóteses.

Entretanto, constatamos que Jesus, para Kardec, para Pietro Ubaldi e para Ramatis, era detentor de um corpo carnal similar ao nosso mesmo; entretanto, Ramatis tem sua opinião própria, e distinta dos demais, ao postular que Jesus de Nazaré era médium do Cristo, Entidade Arcangélica como citado logo atrás.

Mesmo que não importe, digo que o presente articulista, de modo não extremado, e, não apaixonado, o que difere de alguns mais exaltados, está tendente a crer na postura filosófica de Kardec, de Ubaldi e de Ramatis, no tocante ao corpo carnal de Jesus; mas um tanto incrédulo, ainda, no tocante a Jesus e ao Cristo da postura filosófica do controverso Ramatis que, como se sabe, fora o autor de escritos extravagantes do fim dos tempos para o final do segundo milênio, o que, Graças a Deus, não se verificara. 

Por outro lado, uma importante obra de Xavier em parceria com Vieira: “Mecanismos da Mediunidade” (Feb), ditada pelo Espírito André Luiz, em seu capítulo final, temos:

“Em ‘A Gênese’, anota Allan Kardec, com referência aos fenômenos da mediunidade em Jesus”:

“Agiria como médium nas curas que operava? Poder-se-ia considerá-lo poderoso médium curador? Não, porquanto o médium é um intermediário, um instrumento de que se servem os Espíritos desencarnados e o Cristo não precisava de assistência, pois que era Ele quem assistia os outros. Agia por si mesmo, em virtude do seu poder pessoal, como o podem fazer, em certos casos, os encarnados, na medida de suas forças. Que Espírito, ao demais, ousaria insuflar-lhe seus próprios pensamentos e encarregá-lo de os transmitir? Se algum influxo estranho recebia, esse só de Deus lhe poderia vir. Segundo definição dada por um Espírito, ele era Médium de Deus” – (Nota indicada pelo autor espiritual: André Luiz).

E, mais adiante, no mesmo capítulo, assegura a obra andreluiziana:

“Cedo começa para o Mestre Divino, erguido à posição de ‘Médium de Deus’, o apostolado excelso em que lhe caberia carrear as noções da vida imperecível para a existência na Terra”. (e etc., etc.).

Óbvio que a tendência doutrinária deste autor obscuro, que sou eu mesmo, em se garantir na instrução de Kardec e de André Luiz, não desmerece Ramatis, mesmo porque, sua doutrina tem o mérito de nos mostrar degraus metafísicos além de Jesus, ou seja, do Cristo como Entidade Arcangélica, mais próxima ainda do psiquismo Supremo do Criador.

Entretanto, há mais!

Como se sabe, André Luiz declara a um dado momento de seus ensinos, que Jesus:

“Em Jerusalém, no templo, desaparece de chofre, desmaterializando-se, ante a expectação geral (João, 7:30), e, na mesma cidade, perante a multidão, produz-se a voz direta, em que bênçãos divinas lhe assinalam a rota (João, 12:28-30). Em cada acontecimento, sentimo-lo a governar a matéria, dissociando-lhe os agentes e reintegrando-os à vontade, com a colaboração dos servidores espirituais que lhe assessoram o ministério de luz”. (Opus Cit.).

Minha despretensiosa opinião sobre referida questão, é que André Luiz pode e deve, sim, ter suas razões. O que não se pode e não se deve é condenar o que se desconhece, sobretudo agora quando se fazem os mais relevantes estudos da eletricidade, do magnetismo, da energia, dos campos da vida, bioplasmáticos, bem como da relatividade, das certezas e incertezas da física quântica e das mais interessantes e sábias instruções da Espiritualidade Maior.

Ora, o Cosmos de nossa morada universal, já não é mais o das coisas físicas e sim das não-físicas, das ondas, dos elétrons, das eternas oscilações de um vasto mundo e de uma vasta rede de corpúsculos dinâmicos que nos envolve, e de que, afinal, somos constituídos, feitos e refeitos a todo instante na incessante renovação da matéria que nos serve de base e de composição temporária neste Mundo provacional.

E, se o nosso organismo se renova permanentemente, conquanto a um longo prazo, porque o corpo do Ente Maior, que é Jesus Cristo, não poderia também renovar-se, porém, de forma instantânea e quando assim o quisesse, no instante mesmo de Sua soberana vontade, como acima descrito por André Luiz?

Cogita-se, pois, com a possibilidade do Cristo ter sido portador de um organismo biologicamente humano, mas capaz de tomar aspectos visíveis da forma fluídico-materializada e, também, com a possibilidade de tornar-se invisível aos olhos carnais humanos, encerrando uma forma transcendental, ou, puramente espiritual, quando assim o quisesse e fosse o desejo de Sua Suprema Vontade que, só a Deus, se submete e subordina.

Jesus, pois, quando esteve entre nós, poderia e pode ter-se apresentado com um corpo de carne e osso que, graças à sua imensurável evolução, seus poderes e determinações de um Ser Crístico, poderia transmudar-se para as mais diversas formas situadas entre tal condição humana até às mais altas e mais puras situações da refinada espiritualidade, quando assim o pretendesse.

Assim, Jesus poderia estar na Terra e no Céu, entre os homens e Deus, com o qual é Uno desde eras transcorridas do tempo-evolução. Nosso Mestre Maior, portanto, sofrera como todo homem teria sofrido para levar sua cruz ao calvário que lhe sacrificara o corpo carnal; mas não cometera, e, não cometeria tão indigno simulacro de sofrer quando não sofria, de chorar quando não chorava, de se derramar em sangue quando não sangrava, paródia indigna dos Espíritos de Luz reunindo Sabedoria, Honestidade e Amor.

Assim, pois, o presente articulista ministra a possibilidade de Jesus Cristo ter sido Médium de Deus, ter sido, como todos nós o somos, um Espírito encarnado à matéria do Mundo terreno, porém, dotado de um Corpo Transfísico, ou seja: Biologicamente Humano, porém, dotado de Capacidade Transfísica, coisa típica (?) de um Ente que é Uno com o Pai, estando aqui e lá mesmo, nas transcendências desconhecidas por nossa esfera consciencial.

Obras Consultadas:
-“A Gênese”: Allan Kardec: Feb;
-“Cristo”: Pietro Ubaldi: Fundapu;
-“Mecanismos da Mediunidade”: Chico Xavier e Waldo Vieira: Espírito: André Luiz: Feb;
-“Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”: Chico Xavier: Espírito Humberto de Campos: Feb;
-“Os Quatro Evangelhos”: J.B.Roustaing: Feb;
-“Elucidações Evangélicas”: Antonio Luiz Sayão: Feb;
-“O Cristo de Deus”: Manuel Quintão: Feb;
-“O Corpo Fluídico”: Wilson Garcia: Correio Fraterno;
-“Pureza Doutrinária”: Ary Lex: Feesp;
-“Testemunhos de Chico Xavier”: Suely C. Schubert: Feb;
-“O Evangelho à Luz do Cosmo”: Hercílio Maes: Espírito Ramatis: Vide Internet; 
-“A Lei da Reencarnação”: Carlos Baccelli: Espírito Domingas: Editora Leep; e:
-“Bíblia Sagrada”: duas edições: Pastoral e Católica.


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