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domingo, 12 de julho de 2015

ALLAN KARDEC: TEATRAIS REENCARNAÇÕES


Fernando Rosemberg
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Em ‘Prolegômenos’ (noções preliminares de uma ciência) de “O Livro dos Espíritos” (1857 - Ide) o Sr. Allan Kardec preconiza que: “Este livro é a compilação dos seus ensinamentos. Foi escrito por ordem e sob o ditado dos Espíritos Superiores para estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional, livre dos preconceitos do espírito de sistema”. (Opus Cit.).

E, tais Espíritos, ao término de uma sua mui sábia e expressiva dissertação, alegam no referido texto:

“Lembra-te de que os bons Espíritos não assistem senão aqueles que servem a Deus com humildade e desinteresse, e repudiam a qualquer que procure, no caminho do céu, um degrau para as coisas da Terra. Eles se distanciam do orgulhoso e do ambicioso. O orgulho e a ambição serão sempre uma barreira entre o homem e Deus; é um véu atirado sobre as claridades celestes, e Deus não pode se servir do cego para fazer compreender a luz”. (Opus Cit.).

E tais Espíritos assinam:

“São João Evangelista, Santo Agostinho, São Vicente de Paulo, São Luis, o Espírito de Verdade, Sócrates, Platão, Fénelon, Franklin, Swedenborg, etc., etc.”

E, em toda a Codificação, vamos encontrar as instruções de tais Espíritos organizando e elucidando todos os pontos mais difíceis, todas as questões atinentes a tão vasta e tão complexa Doutrina do Espiritismo – Terceira Revelação da Lei de Deus - consoante promessa de Jesus de nos enviar ‘O Consolador’ que nos ensinaria todas as coisas e ficaria eternamente conosco.

Entretanto, qual a razão mesma deste arrazoado de título: ‘Allan Kardec: Teatrais Reencarnações’?

Sua razão fundamenta-se em Kardec mesmo que, noutra de suas obras, recomenda que leiamos tudo quanto houver sobre a matéria, e, ao final, preceitua: “cabe ao leitor apartar o bom do mau, o verdadeiro do falso”. (Vide: “OLM” – AK – 1861 - Ide).

Presentemente, neste início do Século 21, é sabido por trabalhos mediúnicos do respeitoso Senhor Carlos Baccelli (“Fundação Emmanuel”), que o Espírito a que se difunde em nosso meio pelo nome de Dr. Inácio, presta informações de que Kardec teria sido a reencarnação de Platão!

Entretanto, a obra de Kardec, como visto supra, contém instruções do Espírito de Platão! Ou seria um falso Platão!!!??? Ou malabarismos de Kardec e de Platão??? Não ouso acreditar que uma obra séria como a de Kardec, contenha espetáculos teatrais de tal ordem de mistificação.

E, mais: em outro trabalho de sua lavra mediúnica (“Eu Também Voltei” – Irmão Zaqueu – 2013 - Leep), aquele mesmo Espírito do Dr. Inácio, diz com todas as letras no capítulo 43, que Chico Xavier foi o apóstolo João Evangelista!!! Ou seja, Chico teria sido a reencarnação de Allan Kardec, do apóstolo João Evangelista e de Platão.

Noutros termos: se a obra de Kardec, como visto supra, contém instruções do Espírito de Platão, do Espírito de João Evangelista, como poderia Kardec ter animado tais homens no passado, se a sua obra codificada contém instruções dos mesmos? Ou seja: dos Espíritos de Platão e do Evangelista João? Ou, Platão e João, de sua obra, seriam mistificações, pois Kardec, no passado, é que teria sido Platão e, logo após, João - o São João Evangelista?

Logo, pelo embaraço disseminado em nosso meio, óbvio está que eu, este modesto autor de tais escritos, priorizo estar com a renomada obra de Allan Kardec, até que se prove, por métodos incontestáveis, que sua obra se equivocara e que tais livros mediúnicos da atualidade são justos, verdadeiros e, doutrinariamente: corretos.

Noutros termos, antes de condenar, transmito aos autores Baccelli e Dr. Inácio, o benefício da dúvida: provem-nos suas assertivas, justifiquem-nas, que com elas estaremos acordes e de braços abertos à sua aceitação e ampla divulgação.

Mesmo por que, resgatando Sócrates:

“Há sabedoria em não crer saber aquilo que tu não sabes”.

Assim, pois, se a obra de Kardec pode conter algum equívoco, é preciso prová-lo com fatos como eu mesmo já o fiz algumas vezes; mas não apenas com palavras soltas, algo desconexa e sem as devidas provas do que se propaga em nosso meio já tão complexo e tão difícil de se trabalhar.

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