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quinta-feira, 18 de junho de 2015

ALLAN KARDEC: SUAS DESCOBERTAS

Fernando Rosemberg Patrocínio
f.rosemberg.p@gmail.com
http://fernandorpatrocinio.blogspot.com.br

O Espiritismo é, de fato, uma doutrina simples; mas também complexa; de cujo paradoxo, nasce as mais distintas opiniões, mais ou menos acertadas, sejam de seus adeptos, estudiosos, contraditores e etc., etc.

Alguns respeitáveis espiritistas referem que Kardec, como homem e como cientista, acatara o princípio de que os Espíritos iniciam sua trajetória evolutiva nos reinos inferiores da criação, desde o átomo ao arcanjo; e, se fundamenta no fato de Kardec ter dito na introdução de “O Livro dos Espíritos” que:

“Se se observar a série dos Seres, verifica-se que eles formam uma cadeia sem solução de continuidade, desde a matéria bruta, até o homem mais inteligente”. (Opus Cit.).

Mas tal dedução é a mesma da Ciência oficial; e Kardec, com tal assertiva, não diz em tempo algum que tais Seres são Espíritos em processo evolucional. Ele preconiza, isto sim, que há uma continuidade, uma espécie de cadeia, de ligação dentre tais até o homem. E só!!! E nada mais!!!

Ora, como já visto noutros textos e e.Books de minha autoria, e, sobretudo em “Kardecismo e Espiritismo”, Kardec declara numa de suas importantes obras que:

“O ponto de partida do Espírito é uma dessas questões que se prendem ao princípio das coisas e estão nos segredos de Deus. Não é dado ao homem conhecê-las de maneira absoluta, e ele não pode fazer, a esse respeito, senão suposições, construir sistemas mais ou menos prováveis”.

E, mais adiante, conclui o cientista codificador:

“Quanto as relações misteriosas que existem entre o homem e os animais, repetimos, isso está nos segredos de Deus, como muitas outras coisas, cujo conhecimento atual não importa ao nosso adiantamento e sobre as quais seria inútil insistir”. (Vide: “O Livro dos Espíritos” – AK – 1857 - Ide).

Kardec, pois, se mostrara muito mais como cientista, e, na contrapartida, muito menos como filósofo ao descrer da possibilidade do Espírito humano ter suas raízes plantadas e originadas nos animais e outros Seres inferiores da criação; opinião que levara adiante até o fim de sua vida, pois que, em sua última obra alegara:

“Sem, pois, procurar a origem da Alma, e as fieiras pelas quais pôde passar, nós a tomamos em sua entrada na Humanidade, no ponto em que, dotada do senso moral e do livre-arbítrio, ela começa a incorrer na responsabilidade de seus atos”. (Vide: “A Gênese” – 1868 – AK – Ide).

Logo, por escolha sua, e, como é do seu direito, Kardec preferira não se embrenhar por tais caminhos adotando uma postura mais científica que concluíra pela:

-Comprovação da existência de Deus pelos efeitos de Sua obra: não há efeito inteligente sem uma causa inteligente. Dizia que: “desde a organização do mais pequenino inseto e da mais insignificante semente, até à Lei que rege os mundos que circulam no espaço, tudo atesta uma ideia diretora, uma combinação, uma previdência, uma solicitude que ultrapassam todas as combinações humanas. A causa é, pois, Soberanamente Inteligente”; e mais:

-Comprovação do Mundo Espiritual, do seu estado, dos seus costumes, e etc., e, portanto, dos seus habitantes: os Espíritos humanos e, pois, sobreviventes aos despojos de sua corporeidade; e mais ainda:

-Comprovação de suas transmigrações, ou seja, de tais Espíritos que somos nós mesmos, via reencarnação.

Nisto, pois, se paralisara as comprovações do cientista Allan Kardec que, como já visto, se repete ainda hoje com renomados pesquisadores estudiosos da questão que nunca o desmentiram, mas tão só o comprovaram.

Resumindo, dir-se-ia que: estudando-se os livros codificados, o atento leitor notará com óbvia clareza que os textos de Kardec, cientista e observador dos fatos espiríticos (Ciência Espírita), se distinguem, por vezes, dos ditados dos seus maiores, ou seja, do Espiritismo (Doutrina dos Espíritos Superiores) que, à revelia de Kardec, se mostrara, e, sobretudo em seus aprofundamentos, independente, pois detinha e detém ideias próprias em suas revelações ao informar, por exemplo, que: “tudo se encadeia na natureza, desde o átomo primitivo ao arcanjo, pois que ele mesmo começou por ser átomo”; coisas que, de certa forma, instigaram Kardec e provocaram seu Consenso Universal e outras coisas mais do seu positivismo e de suas óbvias limitações.

Há, pois, Ciência Espírita de Kardec e Espiritismo como revelação dos Espíritos superiores na obra codificada; e, muitos, por falta de estudo, não sabem que eles se destoam e também se entrosam magnificamente como Verdade Universal.


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