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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

PARÁBOLA DO FILHO PRÓDIGO

Nota de esclarecimento: 
“O artigo abaixo trata-se do exercício natural do direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. Não me compete censurar opiniões, ainda mesmo que eu, Jorge Hessen, não defenda pessoalmente os argumentos expostos no artigo abaixo. 
Assim, deixamos aos leitores do meu blog em O Rebate o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere a seguir, pois o mesmo direito que tem o articulista de argumentar , temos todos o mesmo direito de refutar , de aceitar, ou não, os seus argumentos.” 

 Fernando Rosemberg Patrocínio
 f.rosemberg.p@gmail.com
 http://fernandorpatrocinio.blogspot.com.br

Já vimos que Jesus – o Mestre Nazareno - em várias passagens suas se refere ao fenômeno da Queda Espiritual (involução) da criatura e sua Redenção Salvífica (evolução) pelo Evangelho.

Referindo-se à queda primordial, no início dos tempos, na forma de desmoronamento de altos planos espirituais – que para o nosso entendimento, torna-se mais fácil compreender como uma Queda de Espíritos Puros e Conscientes (EPC) que se tornaram Espíritos Simples e Ignorantes (ESI) nos Mundos materiais – sintetiza genialmente o Mestre Nazareno:

“Eu vi satanás cair do Céu como um relâmpago”. (Vide: Lucas – Capítulo 10, versículo 18).

E “satanás”, ao que se sabe, representa, para nós, não mais que uma expressão figurativa daquele Espírito Puro e Consciente (EPC) que perdera sintonia para com a Ordem da Lei, se rebelando, auferindo, por conseqüência, a restrição de suas potências psíquicas reaparecendo como (ESI) para então redimir-se, ou seja, evoluir pelas adversidades encontradiças nos longos processos de sua cura, de sua redenção espiritual, quando, então, retorna à sua anterior condição de Espírito Puro redimido de seus atos na condição restaurada de (EPC).

Durante tal redenção, entrementes, pode o Espírito novamente enfraquecer-se e quedar-se, e Jesus também se refere a tal Queda quando separa as ovelhas dos bodes, conduzindo estes para a sua esquerda e aqueles para a sua direita. Ou seja: os injustos irão para o “inferno eterno” e os justos para o “céu eterno”, em sua linguagem metafórica. (Vide: Mateus – Cap. 25 – versículos 31 a 46). 

Jesus, pois, ministra ensinos concernentes às diversas Quedas do Espírito, ou seja:

-Queda Espiritual Primordial: do início dos tempos, retratando o Fenômeno Involutivo-Evolutivo, ou, no que se pode expressar como Queda e Salvação da criatura (EPC) que errara, e, portanto, se condicionara como (ESI); e seu retorno ascensional como (EPC) após longos períodos de redenção evolutiva; e,

-Queda Espiritual Parcial: durante o processo evolutivo mesmo, ou seja, de uma “nova” Salvação da criatura durante sua Redenção mesma; é o que se dá justamente agora, neste momento transitório do Mundo terreno, onde os Espíritos maus serão degredados, por sua Queda, em Mundos inferiores, e os bons prosseguirão sua jornada evolutiva em um Mundo melhor: o de Regeneração. 

Todavia, em muitas ocasiões o Mestre Nazareno falara de tal problemática existencial do Espírito. Citando mais uma delas, pois que, na verdade, são mais três: ‘Parábola da Moeda Perdida’, ‘Parábola da Ovelha Perdida’ e, finalmente, a que estarei presentemente comentando: ‘Parábola do Filho Pródigo’. 

E veremos que referida situação trata-se, de fato, de uma simbologia, e, portanto, de uma metáfora expressando:

-1) A realidade do Espírito nos Altos Planos de sua criação (Sistema=S); 

-2) Sua escolha por caminhos de prodigalidade no Mundo (Anti-Sistema=AS), e: 

-3) Seu retorno ao seio de Altos Planos de sua criação (Sistema=S).

Assim, pois, vamos a tal Parábola:

Ora, sabemos bem que pródigo significa esbanjador de suas riquezas e propriedades, indivíduo que gasta mais do que tem, sendo, portanto, irresponsável e perdulário.

“Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao seu pai: Pai, quero a minha parte da herança. Assim, ele repartiu sua propriedade entre eles. Não muito tempo depois, o filho mais novo reuniu tudo o que tinha e foi para uma região distante; e lá desperdiçou os seus bens vivendo irresponsavelmente. Depois de ter gasto tudo, houve uma grande fome em toda aquela região, e ele começou a passar necessidade”. 

“Por isso foi empregar-se com um dos cidadãos daquela região, que o mandou para o seu campo a fim de cuidar de porcos. Ele desejava encher o estômago com as vagens de alfarrobeira que os porcos comiam, mas ninguém lhe dava nada. Caindo em si, ele disse: Quantos empregados de meu pai têm comida de sobra, e eu aqui, morrendo de fome! Eu me porei a caminho e voltarei para meu pai e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e contra ti. Não sou mais digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados”. 

“A seguir, levantou-se e foi para a casa do pai. Estando ainda longe, seu pai o viu e, cheio de compaixão, correu para seu filho, e o abraçou e beijou. O filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e contra ti. Não sou mais digno de ser chamado ter filho. Mas o pai disse aos seus servos: ‘Ide depressa, trazei a melhor túnica e revesti-o com ela, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o novilho cevado e matai-o; comamos e festejemos, pois este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi reencontrado”.

“E começaram a festejar. Seu filho mais velho estava no campo. Quando voltava, já perto de casa ouviu músicas e danças. Chamando um servo, perguntou-lhe o que estava acontecendo. E este lhe disse: É teu irmão que voltou e teu pai matou o novilho cevado, porque o recuperou com saúde. Então ele ficou com muita raiva e não queria entrar. Seu pai saiu para suplicar-lhe. Ele, porém, respondeu a seu pai: Há tantos anos que te sirvo, e jamais transgredi um só dos teus mandamentos, e nunca me deste um cabrito para festejar com meus amigos. Contudo, veio esse teu filho que devorou teus bens com prostitutas, e para ele matas o novilho cevado!”. 

“Mas o pai lhe disse: Filho, tu estás comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso que festejássemos e nos alegrássemos, pois esse teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi reencontrado”. (Vide: Lucas 15-11).

Assim, pois, tal parábola expressa o Sistema Espiritual Perfeito (S) em Deus Pai e Criador comparando-o à situação de uma moradia terrena, de um pai e de seus dois filhos: um obediente e o outro rebelde na figura do filho pródigo; este, pois, expressa como filho perdulário, nossa ausência de Deus por nossa própria incúria e desamor que, por tal mesmo, nos ausentara da Espiritualidade Plena (S) e nos encerrara nos Mundos Materiais (AS) com suas ilusões, suas criminalidades, dores e decepções. 

Chega um dia, porém, que cansados de suas perdições (AS), nos decidimos, arrependidos, retornar à Casa do Pai (S) que, de braços abertos nos recebe com alegrias e festanças, pois o filho que estava morto tornou a viver; estava perdido e foi encontrado.

Mais ainda, vemos por tal parábola que o Sistema Perfeito em Deus (S), trata-se de um plano altíssimo e muito além de nossa compreensão, porém, em seu excelente primor, é ainda detentor de reduzidas imperfeições. E isto está claramente retratado pelo Nazareno quando nos mostra o ressentimento daquele filho que não decaíra, e que, por sua vez, se mostrara algo insatisfeito com a festa promovida para o arrependido filho pródigo que retornava à casa paterna.

Mas o referido pai, na figura representativa do  Misericordioso Criador, em sua extremada piedade para com teus filhos perdidos, Lhe falara:

“Filho, tu estás comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso que festejássemos e nos alegrássemos, pois esse teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi reencontrado”. (Opus Cit.).

Noutros termos e, como já descrito num de meus e.Books:

“Deus É Um Estado de Perfeição”

E, nós, teus filhos, bem como nossos irmãos dos mais altos planos da espiritualidade, são apenas Teus filhos muito amados que, nada obstante, jamais chegarão ao Estado Espiritual Perfeito de Deus Pai e Criador que, como se sabe e se apregoa, é a Perfeição Infinita, reunindo Amor e Suprema Bondade para com todos, mas, sobretudo, para com aqueles seus filhos que se tornaram transgressores de Suas Tão Sábias e Tão Misericordiosas Leis.

O que se confirma noutra passagem de Jesus mesmo, onde Ele, ao que se sabe, é cidadão partícipe de Altos Planos Espirituais (S), que, por sua vez, sabia que não era bom e perfeito como o Pai-Criador, uma vez que, em dado momento, o Mestre retruca:

“Por que me chamas de bom? Ninguém é bom, a não ser um só: Deus que está nos Céus”! (Vide: Lucas 18:19).

Eis aí, pois, nossas assertivas do Mestre Nazareno confirmando o Complexo Fenomênico Involutivo-Evolutivo, ou, noutros termos: a queda espiritual da criatura e sua respectiva salvação.


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