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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

UMA PITADA DE MEDIUNIDADE



Fernando Rosemberg Patrocínio
fernandorpatrocinio.blogspot.com.br


Um dos temas mais difíceis de nossos estudos, de nossa prática cotidiana, se refere, sem dúvidas, ao problema da comunicabilidade mediúnica. E não diga que isto não lhe interessa, que isto não é um problema seu; e que, portanto, tal só diz respeito a outrem, mas não a você que está imune a isto, pois que não é um médium ou coisa que o valha. 

Entretanto, e, apesar da recusa palavrória de alguns, este não é um problema tão só inerente a mim, mas a todos nós, pois que, indubitavelmente, somos Entes paranormais, ou seja, e, em linguagem espiritista, somos Espíritos reencarnados no Mundo terreno portando inúmeras potencialidades psíquicas, dentre as quais, a de comunicabilidade telepática e mediúnica que, pelos estudos já encetados, indica que o telefone “toca” tanto de lá pra cá, na forma de percepção de ideias e de fatos espiríticos, como também “toca” de cá pra lá, ou seja, de nossa influência mesma para com o Mundo Invisível, denotando, pois, que as influências são recíprocas, ininterruptas: de lá pra cá e de cá pra lá.

Entretanto, diga-se que tais fatos: da mediunidade, ou da comunicabilidade recíproca que se realiza entre os dois planos existenciais, é de todos os tempos da Humanidade; e a Bíblia Sagrada é um dos seus repositórios mais antigos, para não citar outros mais das mais diversas e mais arcaicas civilizações do nosso conhecimento. Ora, Mundo Material e Mundo Espiritual se interpenetram, se tocam, se comunicam, constituindo duas “humanidades” psíquicas: a dos Espíritos encarnados e a dos desencarnados ou desprovidos da indumentária carnal.

Todavia, como estão, ou, a que ponto chegou os estudos e os trabalhos laborados com a mediunidade nos tempos atuais? Óbvio que nunca se viu uma explosão tão expressiva de tantos médiuns, de tantas obras ditas psicografadas, mais ou menos confiáveis, mais ou menos espíritas, parecendo confirmar Joel, capítulo 3, versículos primeiros, onde se aludira que:

“Derramarei do meu espírito sobre todos os viventes, e vossos filhos e filhas profetizarão, os velhos terão sonhos e os jovens terão visões”. (Vide: “Bíblia Sagrada”).

Entretanto, se tais obras são mais ou menos confiáveis, mais ou menos espíritas, isto quer dizer que não se pode confiar em tudo que nos chega de tais profetas modernos, médiuns de todos os matizes, mas, sobretudo, da área psicográfica. O mais importante psicógrafo do século vinte alegava que:

“Todos os nossos estudos sobre mediunidade são ainda nascentes”. (Francisco Cândido Xavier).

Expressando, pois, que os estudos de quem quer seja, e, portanto, condutores de nossa prática vivencial com tal faculdade - pois que todos somos médiuns - são ainda incipientes, iniciantes e tem todo um futuro cósmico adiante para nossos estudos e práticas com a mesma, pois que, não se trata apenas da comunicabilidade dos Homens com os Espíritos, e vice-versa, mas sim, também, de Espíritos para Espíritos, e de tais para com a Inteligência Suprema, e vice-versa, quando atingirmos nossa condição espiritual máxima: de Espíritos Puros e despojados de sua ganga de paixões, de defeitos e vícios, tudo mesclado à vil e mais ignóbil materialidade.

Óbvio que não se despreza tratados especiais sobre tal potencialidade anímica, como por exemplo: “O Livro dos Médiuns” (Allan Kardec – 1861 - Ide); mas também não se pode a tudo reduzi-lo, pois o seu autor mesmo rejeita tal ideia preconizando:

“Enganar-se-ia, igualmente, quem cresse encontrar, nesta obra, uma receita universal e infalível para formar médiuns. Conquanto cada um encerre em si mesmo o germe das qualidades necessárias para tornar-se médium, essas qualidades não existem senão em graus muito diferentes, e seu desenvolvimento provém de causas que não dependem de ninguém fazê-las nascer à vontade”. (Opus Citado).

Logo, o sermos, como todos são: dotados de faculdades medianímicas, mais ou menos desenvolvidas, o fato é que não existe um estudo, um trabalho ou método específico que nos torne mais ou menos médiuns, mas sim, quero crer, normas de uma conduta pessoal o mais correta possível, pautada, pois, nos valores contidos no Evangelho de Jesus que nos torna melhores homens e, portanto, e, como consequência, melhores médiuns. 

Por outro lado, e como já esboçado, médiuns não são só aqueles que atuam numa comunidade espírita ou espiritualista qualquer. Médiuns somos todos nós durante uma vida inteira, ou, de todas as vidas, pois que a Imanência de Deus a tudo penetra, bem como a presença daqueles irmãos e anjos da guarda que velam pelos nossos destinos e pelos nossos progressos mútuos, nos encorajando e nos insuflando bons pensamentos, boas idéias, salutares procedimentos cristãos.

Logo, a faculdade mediúnica está no Espírito mesmo como Ser pensante e irradiante de suas potencialidades, e, em nosso caso, radicaliza-se no complexo orgânico, pois o veículo físico fora plasmado por forças perispiríticas de nossa contingência mesma, sendo amparadas, como o somos sempre, pelos nossos guias e instrutores de uma Humanidade cósmica, tal como relatado por André Luiz em seu importante capítulo sobre a reencarnação incluso em uma de suas mais importantes obras: “Missionários da Luz” (Psicografia Xavieriana - Feb).

Assim, pois, de estudos “ainda nascentes”’; e de faculdades mediúnicas também “nascentes” – vamos estudando, laborando, experienciando, certos de que estamos aprendendo a trabalhar com tão complexos mecanismos de nós mesmos: Espíritos de personalidade única, porém infinitos e iguais perante Deus: nosso Sábio e Amoroso Criador.


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