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domingo, 18 de janeiro de 2015

ALLAN KARDEC OU J. B. ROUSTAING?


Nota de esclarecimento: 
“O artigo abaixo trata-se do exercício natural do direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. Não me compete censurar opiniões, ainda mesmo que eu, Jorge Hessen, não defenda pessoalmente as concepções ubaldianas . 
Assim, deixamos aos leitores do meu blog em O Rebate o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere a seguir, pois o mesmo direito que tem o articulista de argumentar , temos todos o mesmo direito de refutar , de aceitar, ou não, os seus argumentos.” 

Fernando Rosemberg Patrocínio
f.rosemberg.p@gmail.com
http://fernandorpatrocinio.blogspot.com.br


Estarei a tratar, no presente texto, de algumas questões doutrinárias que, para mim, e, do ponto de vista ético e filosófico, não deixam de ser relevantes. 

Tratarei, pois, das conjeturas de Jesus ter sido Médium de Deus, consoante Kardec (“A Gênese” - Ide), ou, ainda, Médium do Cristo que, neste caso, seriam Entidades distintas, sendo esta última: Entidade Arcangélica e Jesus: o Espírito reencarnado como o seu médium especial conforme obra dos respeitáveis, conquanto não propriamente espíritas: Ramatis, psicografia do médium Hercílio Maes (“O Evangelho à Luz do Cosmo” – Vide: Internet). E estarei a tratar, igualmente, da Túnica Somática que o Mestre Nazareno envergara quando esteve junto aos terrícolas, e que, para mim, afinal, são todas elas teses instigantes e mui provocativas. 

Porém, ratifico que o fundamental de tudo quanto estarei a estudar e propor, haverá de ser, ontem, hoje e sempre, sua abençoada Mensagem de Luz e de Redenção de todos nós, seus degredados irmãos espirituais terrenos.

Assim sendo: pergunta-se:

1-Por que tratar de questões secundárias se o que importa mesmo é a sua Mensagem de Amor? 

2-Por que tratar de tais questões se não se pode, de modo experimental, e positivo, provar uma ou outra coisa, ou seja, se Jesus, de fato, estivera provido de um corpo de carne e osso ou de um corpo aparente, fluídico, porém, materializado por energias diversas do ambiente terreno? 

3-Por que tratar de tudo isso, se não se pode provar, a não ser por atos de fé, se Jesus teria sido Médium do Cristo ou Médium de Deus?

Ora, é evidente que seus Ensinos Morais superam tais discussões e questionamentos. Entretanto, sabe-se que uma das maiores polêmicas do nosso tempo decorre justamente da questão dois (2) acima citada, ou seja: do corpo de carne (material) ou do corpo apenas e tão-só aparente: (fluídico-materializado), cuja questão fora desencadeada modernamente na segunda metade do século dezenove por dois pensadores contemporâneos: Allan Kardec e J. B. Roustaing.

-Kardec, de modo filosófico, e, por questões morais, admite em “A Gênese” (A.K. – Ide) que o Cristo, de fato, estivera provido de um corpo carnal como o de todos nós.

Porém, na contrapartida, e aí reside o imbróglio:

-Roustaing, em maçudos livros denominados: “Os Quatro Evangelhos” (J.B.R. – Feb), apregoa que o Cristo, quando esteve entre nós, não detinha um corpo carnal e sim fluídico (perispirítico), porém, materializado.

E a cisão se fez!

De um lado, o grupo dos roustainguistas ou rustenistas, tendo como o seu maior defensor intelectual: Luciano dos Anjos; e, de outro, o dos kardecistas, com seu maior vulto: J. Herculano Pires; ambos jornalistas e escritores eruditos que, hoje, estão desencarnados, e, possivelmente, tratando de suas diferenças filosóficas no outro plano, e, quem sabe já chegaram a um acordo pela verdade una e universal em Cristo Jesus.

Mas a polêmica, aqui dentre nós espiritistas, ainda reencarnados, prossegue, e digo que, entretanto, isto não é tudo, pois que há mais! 

E isto por que outras questões paralelas se desenvolveram ao longo de todo um sesquicentenário do Espiritismo e do Espiritualismo no Mundo; e a principal delas trata-se da questão de Jesus ter sido Médium do Cristo ou Médium de Deus. E outros tantos estudiosos, outros tantos Espíritos também levantaram suas teses interessantes que, afinal, algumas delas veremos ao longo do presente labor; mas, cientes, desde já, de que tais questões, para mim, e, penso que também para você: são de âmbito pessoal e, portanto, decidam-se pelo que achar melhor para o seu entendimento, sua conduta filosófica e moral. 

Assim, pois, no século vinte que se findara quais foram as opiniões, por exemplo, de Pietro Ubaldi e de Francisco Cândido Xavier, que, para mim, foram os dois maiores Espíritos reencarnados neste período centenário terreno, conquanto nem todos possam de tal forma assim discernir e apreciar.

O que se sabe é que Ubaldi, durante algum tempo, se mostrara favorável às teses rustenistas; todavia, em sua obra derradeira: “Cristo” (Fundapu), se posicionara favorável à Encarnação de Jesus em vários capítulos da referida. No capítulo dois, por exemplo, ele se formaliza em termos claros, escrevendo: “A Encarnação e a Paixão do Cristo...”; e no capítulo quatro profere: “... que se revelou na matança feroz do Corpo do Cristo”; e logo adiante: “... que valor espiritual pode ter tal massacre físico?”; e, mais ao longo ainda: “O escopo da Encarnação do Cristo...”; e página mais adiante prossegue:

“Assim, Cristo nos aparece vivo em toda a sua lógica para dizer-nos: Fazei como Eu fiz. O que fiz também vós podeis fazê-lo. Pertenci à vossa própria raça: não fui apenas um prodígio descido do céu, com poderes excepcionais. Fui homem como vós, mas em virtude do meu incansável labor ascensional, alcancei o sistema, regressando ao seio de Deus, realizando, assim, o meu destino que é também o de todos vós”; (Opus Cit.).

Posição, pois, que ratifica Kardec!!!

No tocante a Xavier, o que se sabe é que o mesmo, pessoalmente, também se mostrara, de início, simpatizante das teses rustenistas, o que se confirma na obra “Testemunhos de Chico Xavier”, de Suely Caldas Schubert (Feb); e a obra de sua psicografia: “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho” (Espírito Humberto de Campos – Feb) também corrobora a obra de Roustaing. 

Mas há muitas discussões, de disse não-disse em torno de tal questão, e, portanto, não se sabe da opinião última de Xavier, ou seja: se o mesmo mudara de posição tal como se dera com Pietro Ubaldi em sua derradeira obra citada; ou, ainda, se a opinião de Xavier não deveria ser considerada pouco relevante no que toca à obra de Roustaing, ou seja: nas cartas por ele endereçadas à Feb (consoante S. C. Schubert), pelo fato de sua simplicidade, sua comprovada humildade, compreensão e amor, evitando temas polêmicos, e já tão controvertidos, no heterogêneo meio doutrinário de nossa atuação.

Recentemente, um livro de Carlos Baccelli lança mão de teses a princípio interessantes, concordo, mas também polêmicas quando bem sentidas e algo racionalizadas; seu título: “A Lei da Reencarnação”: Espírito Domingas (Editora Leep). Alguns sábios do citado livro, no capítulo quinto, levantas duas hipóteses para explicar o período de 18 anos que Jesus Cristo desaparecera da história, ou seja: dos 12 aos 30 anos.

A primeira tese do livro defende que o Espírito de Jesus, mesmo que, a longa distância do seu corpo, pelo dom da ubiqüidade, poderia controlá-lo e, com isso, aguardar o tempo certo de a ele retornar para o cumprimento de sua jornada evangelizadora. E a segunda hipótese seria a de que outro Espírito lhe substituíra, em seu corpo, por aquele referido espaço de tempo, quando Jesus, então, a ele retornara e o retomara para o cumprimento de sua missão.

Não devo, entretanto, entrar no mérito de mais uma questão polêmica, pois que, afinal, eles se referem a conjecturas e hipóteses.

Entretanto, constatamos que Jesus, para Kardec, para Pietro Ubaldi e para Ramatis, era detentor de um corpo carnal similar ao nosso mesmo; entretanto, Ramatis tem sua opinião própria, e distinta dos demais, ao postular que Jesus de Nazaré era médium do Cristo, Entidade Arcangélica como citado logo atrás.

Mesmo que não importe, digo que o presente articulista, de modo não extremado, e, não apaixonado, o que difere de alguns mais exaltados, está tendente a crer na postura filosófica de Kardec, de Ubaldi e de Ramatis, no tocante ao corpo carnal de Jesus; mas um tanto incrédulo, ainda, no tocante a Jesus e ao Cristo da postura filosófica do controverso Ramatis que, como se sabe, fora o autor de escritos extravagantes do fim dos tempos para o final do segundo milênio, o que, Graças a Deus, não se verificara. 

Por outro lado, uma importante obra de Xavier em parceria com Vieira: “Mecanismos da Mediunidade” (Feb), ditada pelo Espírito André Luiz, em seu capítulo final, temos:

“Em ‘A Gênese’, anota Allan Kardec, com referência aos fenômenos da mediunidade em Jesus”:

“Agiria como médium nas curas que operava? Poder-se-ia considerá-lo poderoso médium curador? Não, porquanto o médium é um intermediário, um instrumento de que se servem os Espíritos desencarnados e o Cristo não precisava de assistência, pois que era Ele quem assistia os outros. Agia por si mesmo, em virtude do seu poder pessoal, como o podem fazer, em certos casos, os encarnados, na medida de suas forças. Que Espírito, ao demais, ousaria insuflar-lhe seus próprios pensamentos e encarregá-lo de os transmitir? Se algum influxo estranho recebia, esse só de Deus lhe poderia vir. Segundo definição dada por um Espírito, ele era Médium de Deus” – (Nota indicada pelo autor espiritual: André Luiz).

E, mais adiante, no mesmo capítulo, assegura a obra andreluiziana:

“Cedo começa para o Mestre Divino, erguido à posição de ‘Médium de Deus’, o apostolado excelso em que lhe caberia carrear as noções da vida imperecível para a existência na Terra”. (e etc., etc.).

Óbvio que a tendência doutrinária deste autor obscuro, que sou eu mesmo, em se garantir na instrução de Kardec e de André Luiz, não desmerece Ramatis, mesmo porque, sua doutrina tem o mérito de nos mostrar degraus metafísicos além de Jesus, ou seja, do Cristo como Entidade Arcangélica, mais próxima ainda do psiquismo Supremo do Criador.

Entretanto, há mais!

Como se sabe, André Luiz declara a um dado momento de seus ensinos, que Jesus:

“Em Jerusalém, no templo, desaparece de chofre, desmaterializando-se, ante a expectação geral (João, 7:30), e, na mesma cidade, perante a multidão, produz-se a voz direta, em que bênçãos divinas lhe assinalam a rota (João, 12:28-30). Em cada acontecimento, sentimo-lo a governar a matéria, dissociando-lhe os agentes e reintegrando-os à vontade, com a colaboração dos servidores espirituais que lhe assessoram o ministério de luz”. (Opus Cit.).

Minha despretensiosa opinião sobre referida questão, é que André Luiz pode e deve, sim, ter suas razões. O que não se pode e não se deve é condenar o que se desconhece, sobretudo agora quando se fazem os mais relevantes estudos da eletricidade, do magnetismo, da energia, dos campos da vida, bioplasmáticos, bem como da relatividade, das certezas e incertezas da física quântica e das mais interessantes e sábias instruções da Espiritualidade Maior.

Ora, o Cosmos de nossa morada universal, já não é mais o das coisas físicas e sim das não-físicas, das ondas, dos elétrons, das eternas oscilações de um vasto mundo e de uma vasta rede de corpúsculos dinâmicos que nos envolve, e de que, afinal, somos constituídos, feitos e refeitos a todo instante na incessante renovação da matéria que nos serve de base e de composição temporária neste Mundo provacional.

E, se o nosso organismo se renova permanentemente, conquanto a um longo prazo, porque o corpo do Ente Maior, que é Jesus Cristo, não poderia também renovar-se, porém, de forma instantânea e quando assim o quisesse, no instante mesmo de Sua soberana vontade, como acima descrito por André Luiz?

Cogita-se, pois, com a possibilidade do Cristo ter sido portador de um organismo biologicamente humano, mas capaz de tomar aspectos visíveis da forma fluídico-materializada e, também, com a possibilidade de tornar-se invisível aos olhos carnais humanos, encerrando uma forma transcendental, ou, puramente espiritual, quando assim o quisesse e fosse o desejo de Sua Suprema Vontade que, só a Deus, se submete e subordina.

Jesus, pois, quando esteve entre nós, poderia e pode ter-se apresentado com um corpo de carne e osso que, graças à sua imensurável evolução, seus poderes e determinações de um Ser Crístico, poderia transmudar-se para as mais diversas formas situadas entre tal condição humana até às mais altas e mais puras situações da refinada espiritualidade, quando assim o pretendesse.

Assim, Jesus poderia estar na Terra e no Céu, entre os homens e Deus, com o qual é Uno desde eras transcorridas do tempo-evolução. Nosso Mestre Maior, portanto, sofrera como todo homem teria sofrido para levar sua cruz ao calvário que lhe sacrificara o corpo carnal; mas não cometera, e, não cometeria tão indigno simulacro de sofrer quando não sofria, de chorar quando não chorava, de se derramar em sangue quando não sangrava, paródia indigna dos Espíritos de Luz reunindo Sabedoria, Honestidade e Amor.

Assim, pois, o presente articulista ministra a possibilidade de Jesus Cristo ter sido Médium de Deus, ter sido, como todos nós o somos, um Espírito encarnado à matéria do Mundo terreno, porém, dotado de um Corpo Transfísico, ou seja: Biologicamente Humano, porém, dotado de Capacidade Transfísica, coisa típica (?) de um Ente que é Uno com o Pai, estando aqui e lá mesmo, nas transcendências desconhecidas por nossa esfera consciencial.

Obras Consultadas:
-“A Gênese”: Allan Kardec: Feb;
-“Cristo”: Pietro Ubaldi: Fundapu;
-“Mecanismos da Mediunidade”: Chico Xavier e Waldo Vieira: Espírito: André Luiz: Feb;
-“Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”: Chico Xavier: Espírito Humberto de Campos: Feb;
-“Os Quatro Evangelhos”: J.B.Roustaing: Feb;
-“Elucidações Evangélicas”: Antonio Luiz Sayão: Feb;
-“O Cristo de Deus”: Manuel Quintão: Feb;
-“O Corpo Fluídico”: Wilson Garcia: Correio Fraterno;
-“Pureza Doutrinária”: Ary Lex: Feesp;
-“Testemunhos de Chico Xavier”: Suely C. Schubert: Feb;
-“O Evangelho à Luz do Cosmo”: Hercílio Maes: Espírito Ramatis: Vide Internet; 
-“A Lei da Reencarnação”: Carlos Baccelli: Espírito Domingas: Editora Leep; e:
-“Bíblia Sagrada”: duas edições: Pastoral e Católica.


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