.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

SÓ APÓS MUITAS GERAÇÕES

Jorge Hessen
http://aluznamente.com.br

Durante a Revolução Francesa, a Comissão de Segurança Pública deu permissão para utilização de um castelo nos arredores de Paris como um curtume a fim de processar couro de pele dos corpos de pessoas executadas pela guilhotina. Na época, um grande número de cavalheiros usavam calças e botas da moda produzidas a partir da matéria-prima (pele humana) considerada flexível e de alta qualidade.
Faziam-se também coletes durante esse reinado do terror na França do século XVIII. À época, Saint-Just cresceu para se tornar um líder político e bárbaro comandante militar. Há uma história de que Saint-Just estava fazendo umas investidas em uma bela mulher, mas teria sido completamente desprezado. Em um dia de fúria, ele prendeu e matou a dama, sendo sua pele removida por um cirurgião, curtida e transformada em um colete da moda, que ele usava todos os dias.
Recentemente, cientistas da universidade de Harvard, nos Estados Unidos, confirmaram por meio de análises que o livro "Des destinées de l'ame", do escritor francês Arsène Houssaye, foi encadernado com pele humana pelo médico Ludovic Bouland. (1) O livro faz parte do acervo da biblioteca Houghton, dessa universidade. Entre três títulos testados, esse foi o único livro feito com a técnica conhecida como bibliopegia antropodérmica (encadernamento com pele humana). (2)
Caso semelhante está presente na coleção da biblioteca Athenaeum, de Boston, onde se encontra um livro intitulado Hic Liber Waltonis Cute Est Compactus, encadernado com a pele de George Walton, um famoso assaltante do século XIX que morreu de tuberculose na prisão em 1837. George pediu que, após sua morte, sua pele fosse utilizada para encapar um volume de sua autobiografia, que seria apresentada a John Fenno, ex-vítima de roubo que teria bravamente sobrevivido após ter sido baleado. O livro permaneceu  com a família de Fenno até ser doado à biblioteca.
Ante tais estranhas ocorrências, somos convidados a elucubrar sobre a linha limítrofe entre a racionalidade e a moralidade humana. Atualmente discorre-se bastante sobre o progresso social adquirido; contudo, o que se entende por progresso? Pode algumas vezes soar como um vocábulo vazio que reverbera nas barbaridades descritas acima. Entretanto, há 40 anos o homem pisou na Lua, dando início a eventos posteriores que evidenciaram o progresso da Ciência, no campo das descobertas espaciais. Porém, há que se observar o atraso moral do homem na Terra, apesar de todo o progresso científico-material realizado. Sabemos que o progresso material caminha na frente, ao passo que o crescimento moral vai sempre marchando em segundo plano.
Raciocinemos um pouco mais sobre isso. Elucida a Doutrina dos Espíritos que em delicado “dégradée” evolutivo o homem vai gradualmente vivenciando suas experiências nos diversos graus de desenvolvimento. Ante as diretrizes da Lei de Evolução, o “homem passa palmo a palmo da barbárie à civilização moral”. (3) Explicam os Espíritos que “o senso moral, mesmo quando não está desenvolvido, não está ausente, porque existe, em princípio, em todos os homens; é esse senso moral que os transforma mais tarde em seres bons e humanos. Ele existe no selvagem como o princípio do aroma no botão de rosa de uma flor que ainda não se abriu”. (5)
Estamos constantemente diante dos paradoxos existenciais. Como compreender a experiência de  criaturas bestiais, quase selvagens, no seio de seres ditos civilizados? “Da mesma maneira que numa árvore carregada de bons frutos existem temporãos. Elas são selvagens que só têm da civilização a aparência, lobos extraviados em meio de cordeiros. Os Espíritos de uma ordem inferior, muito atrasados, podem encarnar-se entre homens adiantados com a esperança de também se adiantarem; mas, se a prova for muito pesada, a natureza primitiva reage”. (5)
Este é um entendimento coerente, quando compreendemos a bênção da reencarnação. Como se observa na elucidação dos Luminares do além: “A Humanidade progride. Esses homens dominados pelo instinto do mal, que se encontram deslocados entre os homens de bem, desaparecerão pouco a pouco como o mau grão é separado do bom quando joeirado. Mas renascerão com outro invólucro. Então, com mais experiência, compreenderão melhor o bem e o mal. O exemplo temos nas plantas e nos animais que o homem aprendeu como aperfeiçoar, desenvolvendo-lhes qualidades novas. Só após muitas gerações que o aperfeiçoamento se torna mais completo. Esta é a imagem das diversas existências do homem”. (6)
É dessa forma que evoluímos – lentamente, renascendo e (re)morrendo nos diversos estágios dos mundos, consoante categorização proposta pelo lente lionês, designando-os de mundos “primitivos”, de “expiação e provas” (atualmente na Terra), de “regeneração”, “ditosos e divinos” até chegarmos, após milênios, ao mundo dos venturosos, onde tão-somente impera o bem e tudo é movido por anseios sublimes e todos os sentimentos são depurados.



Notas e referências bibliográficas:

(1)            No livro há uma dedicatória manuscrita por Ludovic Bouland, afirmando que a pele de uma mulher com problemas mentais, morta por um derrame, havia sido usada na capa.
(2)            Disponível em http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2014/06/04/livro-frances-tem-capa-feita-com-pele-humana-afirmam-cientistas-de-harvard.htm acesso 20/06/2014
(3)            Kardec, Allan. O Evangelho seg. o Espiritismo. 129. ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2009, cap. XXV, item 2.
(4)            Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio [de Janeiro]: Ed. FEB, 2009, questão  754
(5)            Idem questão  755
(6)            Idem questão 756

terça-feira, 24 de junho de 2014

Cientistas provam que DNA pode ser reprogramado por palavras e freqüências



O DNA HUMANO É UMA INTERNET BIOLÓGICA, e superior em muitos aspectos à nossa internet artificial. Pesquisas de cientistas russos explicam direta e indiretamente fenômenos como a clarividência, intuição, atos de cura espontâneos ou improváveis, técnicas de auto-cura, técnicas de afirmação, luzes/auras incomuns em volta das pessoas, influência da mente nos padrões climáticos e muito mais. Além disso, há evidências de um novo tipo de medicina nas quais o DNA pode ser influenciado e reprogramado por palavras e freqüências SEM cortar e substituir um único gene.
Apenas 10% do nosso DNA está sendo usado para construir proteínas. É este subconjunto do DNA que é do interesse dos pesquisadores ocidentais e está sendo examinado e categorizado. Os outros 90% são considerados “DNA lixo”. Os investigadores russos, no entanto, convencidos de que a natureza não produz nada sem uma função específica, juntou-se a lingüistas e geneticistas em uma aventura para explorar os 90% de “DNA lixo.” Seus resultados, descobertas e conclusões são simplesmente revolucionários! De acordo com eles, o nosso DNA não é apenas responsável pela construção de nosso corpo, mas também serve como armazenamento de dados e na comunicação. Os lingüistas russos descobriram que o código genético, especialmente nos aparentemente inúteis 90%, segue as mesmas regras que todas as nossas linguagens humanas. Para este fim, eles compararam as regras da sintaxe (a forma em que as palavras são unidas para frases formulário e sentenças), a semântica (o estudo do significado nas formas de linguagem) e as regras básicas da gramática. Eles descobriram que os alcalinos de nosso DNA seguem uma gramática regular e têm regras do jogo assim como nossas línguas. Línguas para humanos não aparecem por acaso, mas são um reflexo de nosso DNA inerente.
O biofísico russo e biólogo molecular Pjotr ​​Garjajev e seus colegas também exploraram o comportamento vibratório do DNA. [Para efeitos de concisão Vou dar apenas um resumo aqui. Para a exploração, por favor consulte o apêndice no final deste artigo] O resultado foi: “. Cromossomas vivos funcionam como computadores solitonicos / holográficos, usando a radiação laser endógena do DNA.” Isto significa, que conseguiram modular, por exemplo, certos padrões de frequência de raio laser e com isso influenciaram a frequência de DNA e, portanto, a própria informação genética. Uma vez que a estrutura básica dos pares de DNA e da linguagem (como explicado anteriormente) são da mesma estrutura, nenhuma decodificação do DNA é necessária. Pode-se simplesmente usar palavras e sentenças da linguagem humana! Isto, também, foi provado experimentalmente! Substância de DNA vivo (no tecido vivo, não in vitro) sempre reagirá aos raios laser de linguagem moduladas e até às ondas de rádio, se as frequências apropriadas forem usadas.
Isso explica cientificamente afinal porque as afirmações, o treinamento autógeno, hipnose e similares podem ter efeitos tão fortes nos humanos e seus corpos. É inteiramente normal e natural para o nosso DNA reagir à linguagem. Enquanto os pesquisadores ocidentais cortam genes únicos de cadeias de DNA e os inserem em outros lugares, os russos entusiasticamente trabalham em dispositivos que podem influenciar o metabolismo celular através de frequências moduladas de rádio e de luz adequadas e assim reparar defeitos genéticos.
O grupo de pesquisa de Garjajev conseguiu provar que, com este método, cromossomos danificados por raios-x, por exemplo, podem ser reparados. Eles inclusive capturaram padrões de informação de um DNA particular e o transmitiram para outro, assim reprogramando as células para outro genoma. Desta forma eles transformaram com sucesso, por exemplo, embriões de rã em embriões de salamandra simplesmente transmitindo os padrões de informação de DNA! Desta forma a informação por inteiro foi transmitida sem nenhum dos efeitos colaterais ou desarmonias encontradas quando cortam e re-inserem genes únicos do DNA. Isso representa uma inacreditável revolução e sensação de transformação do mundo! Tudo isto pela simples aplicação da vibração e da linguagem em vez do procedimento de corte arcaico. Esta experiência aponta para o imenso poder das ondas genéticas, que obviamente têm uma influência maior na formação dos organismos do que os processos bioquímicos das seqüências alcalinas.
 Místicos antigos, esotéricos e professores espirituais já sabiam há várias eras quenossos corpos são programáveis pela linguagem, palavras e pensamentos. Isso agora foi cientificamente provado e explicado. A freqüência, é claro, precisa ser correta. E é por isso que nem todos são igualmente bem sucedidos ou podem fazê-lo sempre com a mesma força. O indivíduo deve trabalhar nos processos internos e maturidade, a fim de estabelecer uma comunicação consciente com seu próprio DNA. Os pesquisadores russos trabalham em um método que não depende destes fatores, mas sempre funcionará, desde que usem a freqüência correta.
Porém, quanto maior é o desenvolvimento da conciência de um indivíduo, menos ele precisa de qualquer tipo de artifício! Cada um pode alcançar estes resultados por si só, e a ciência pode finalmente parar de rir de tais idéias e confirmar e explicar seus resultados. E não termina por aí. Os cientistas russos descobriram também que o nosso DNA pode causar padrões de perturbação no vácuo,com isso produzindo buracos-de-minhoca (Wormholes ) magnéticos! Wormholes são os equivalentes microscópicos das chamadas pontes Einstein-Rosen em proximidade com os buracos negros (deixados por estrelas que se apagam). Sãoconexões de túnel entre áreas totalmente diferentes no universo através das quais informações podem ser transmitidas fora do espaço e do tempoO DNA atrai estes pedaços de informação e as passa para a nossa consciência. Este processo de hiper-comunicaçãoé mais eficaz num estado de relaxamento. Stress, preocupações ou um intelecto hiperativo impedem a efetividade da hiper comunicação e a informação pode ser totalmente distorcida e inútil.
Traduzido do BeforItsNews
Referências:

segunda-feira, 23 de junho de 2014

ESTÁ ORDENADO QUE O HOMEM MORRA E RENASÇA VÁRIAS VEZES (Jorge Hessen)

Jorge Hessen
http://aluznamente.com.br

No diálogo com o doutor Nicodemos, o Mestre de Nazaré foi muito objetivo quando disse: “Necessário vos é nascer de novo”. (1) Não obstante a lógica da reencarnação, ainda hoje, pastores e “bispos” evangélicos (ou protestantes), o clero católico, os reverendos anglicanos, líderes da igreja ortodoxa, teólogos “independentes” e outros teólogos recusam a Pluralidade das existências, fundamentados principalmente no “versículo 27 inserto no capítulo 9, constante na intrigante epístola conferida a Paulo, dirigida aos hebreus que narra: "aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo". (2) Pronto!... Caso encerrado. Está definitivamente decretada a “morte” da reencarnação entre os homens.
A propósito do célebre versículo 27 é óbvio que o homem carnal morre só uma vez. Quem é enterrado (ou cremado), jamais se levantará, parafraseando a narrativa de “Jó” (3) contida no capítulo7, versículo 9. Mas espiritualmente somos indestrutíveis, portanto imortais. Somos espíritos e renascemos para dar vida ao corpo perecível. E precisamos ponderar que Jesus em nenhum momento atribui para a vida física um valor decisivo para toda existência posterior à desencarnação.
Ao analisar com mais atenção a carta aos hebreus, perceberemos que não é Paulo de Tarso o seu autor. Desvia-se do estilo do Apóstolo dos Gentios. Falta-lhe o habitual cabeçalho localizável nas 13 cartas paulinas e ademais somente no último capítulo contém assunto à guisa de epístola. Orígenes, o maior escritor sobre as escrituras “sagradas”, da Idade Antiga, depois de expor os vários elementos e juízos sobre a questão da autoria da carta aos hebreus, concluiu: “para expressar o meu parecer, diria que os pensamentos são do Apóstolo [Paulo], mas... quem a redigiu só Deus o sabe”.
Diversos doutores da igreja, como Irineu de Lyon e Cipriano de Cartago, jamais aceitaram a carta aos hebreus. Tertuliano, Gregório de Elvira atribuíram-lhe autoria a “Barnabé”. Finalmente, Jerônimo, no Século V, escreve que “o costume dos latinos não admite a epístola aos hebreus entre as canônicas”. (4) Os teólogos e doutores da igreja só confirmaram tal carta aos hebreus a partir do Concílio de Trento, no Século XVI, portanto 1.600 anos após ter sido escrita.
Como se observa, até hoje o autor permanece desconhecido, mas e quanto aos destinatários? Sabe-se que tal missiva era destinada aos cristãos oriundos do judaísmo, pois é inteiramente impregnada de citações e alusões aos livros “sagrados” do Antigo Testamento. “A língua em que a epístola foi redigida afasta-nos da Judéia, na qual se falava o aramaico. Provavelmente a carta foi destinada a judeus-cristãos de Jerusalém refugiados na Fenícia, Chipre e Antioquia e noutras cidades helenísticas da costa mediterrânea.”. (5)
Os oponentes da reencarnação dogmatizaram a lição do “nascer de novo”, justificando a “ressurreição” da filha de Jairo (6),do filho da viúva de Naim (7) e do Lázaro (8). Porém, se tais personagens "ressuscitaram", como sói afiançarem os dogmáticos, como ficaria a evocação do “encantado” versículo 27 da carta aos hebreus para negar a reencarnação"? Nesse caso, basta perceber que a filha de Jairo, o filho da viúva de Naim e Lázaro "ressuscitados" (segundo a visão da fé senil), não teriam morrido uma só vez, porquanto após a “ressurreição” todos três morreram novamente, ou será que permanecem vivos até hoje? Será que se encontram escondidinhos em Qumrãn, nas ruínas ao pé das montanhas do deserto da Judéia, às margens do Mar Morto, não muito além de Jericó? Huumm!!!
A bem da verdade, as personagens “ressuscitadas” por Jesus sequer estavam mortas, tão-somente estavam acometidas de catalepsia patológica (9). E mais: o Mestre asseverou que a verdade libertaria o homem, logicamente se a verdade (reencarnação) está sendo negada aos cristãos, fica evidente que os “sabe-tudo das escrituras sagradas” não se encontram livres, ou o que é pior, estão enceguecidos na mais absoluta estupidez. Portanto, são cegos que guiam outros cegos em direção ao despenhadeiro da ignorância.
Avaliemos as narrativas a seguir e cientificaremos que ao contrário do versículo 27 aos hebreus, está ordenado que o homem morra e renasça várias vezes. Notemos: “Após a transfiguração de Jesus, no Monte Tabor, os discípulos do Mestre o interrogam: Por que dizem os escribas ser preciso que antes volte Elias? - Jesus lhes respondeu: É Verdade que Elias há de vir e restabelecer todas as coisas: - mas, eu vos declaro que Elias já veio e eles não o conheceram e o trataram como lhes aprouve [João já havia sido decapitado]. É assim que farão sofrer o Filho do Homem. Então seus discípulos compreenderam que fora de João Batista que ele falara.”. (10) Aqui não há margens para inócuas digressões teológicas. Os discípulos compreenderam por si próprios que João Batista (filho de Isabel e primo de Jesus) era o profeta Elias reencarnado.
Ora, “a ideia de que João Batista era Elias e que os profetas podiam reviver na Terra se nos depara em muitas passagens dos Evangelhos. Se fosse errônea essa crença, Jesus não houvera deixado de a combater, como combateu tantas outras. Longe disso, ele a sanciona com toda a sua autoridade e a põe por princípio e como condição necessária, quando diz: "Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo." E insiste, acrescentando: Não te admires de que eu te haja dito ser preciso nasças de novo.”. (11)
O livro dos Reis anota: “Era um homem vestido de pelos, e com os lombos cingidos dum cinto de couro. Então disse ele: É Elias.”. (12) O profeta Malaquias narra: “Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor.”. (13) O evangelista Lucas que registra: “Apareceu-lhe, então, um anjo do Senhor, em pé à direita do altar do incenso. E Zacarias [progenitor de João Batista], vendo-o, ficou turbado, e o temor o assaltou. Mas o anjo lhe disse: Não temais, Zacarias; porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João;  irá adiante dele no espírito e poder de Elias [reencarnado].”. (14)
O jovem evangelista Marcos assinala: “Então lhe perguntaram: Por que dizem os escribas que é necessário que Elias venha primeiro? Respondeu-lhes Jesus: Na verdade Elias havia de vir primeiro, a restaurar todas as coisas; e como é que está escrito acerca do Filho do homem que ele deva padecer muito a ser aviltado? Digo-vos, porém, que Elias já veio, e fizeram-lhe tudo quanto quiseram, como dele está escrito.” (15)
Mateus mais uma vez anota: “E desde os dias de João, o Batista, até agora, o reino dos céus é tomado a força, e os violentos o tomam de assalto. Pois todos os profetas e a lei profetizaram até João. E, se quereis dar crédito, é este (João Batista) o Elias que havia de vir [pela reencarnação]. Quem tem ouvidos, ouça.”. (16) "E Jesus falou aos seus discípulos, dizendo: Que dizem os homens que é o Filho do homem? E eles responderam: Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, outros ainda que é Jeremias ou algum dos profetas.". (17)
Confirmação mais clara que as declarações de Jesus acima é impossível. O Mestre, na sua excelsitude, sabia da reencanação antecedente do filho de Zacarias e Isabel, e explicou que as pessoas fizeram o que quiseram com Elias [Joao Batista], mas que não o reconheceram, e também não poderiam, pois o profeta Elias estava reencarnado no corpo de João Batista. Enfim, não é tão difícil assim compreender a realidade da reencarnação; basta recorrer aos episódios sucedidos à época de Jesus, seja diante de Nicodemos, seja a confirmação do renascimento de Elias Joao Batista e até mesmo o evento do Cego de Nascença nas cercanias da piscina de Siloé.

Referências bibliográficas:
(1) João 3
(2) Hebreus  9
(3) Jó 7
(4) Soares, Matos. Tradução da Vulgata, publicada  em São Paulo: Edições Paulinas, 1989
(5)Idem
(6) Mateus.9
(7) Lucas.7
(8) João.11
(9) No passado existiram casos de pessoas que foram enterradas vivas e na verdade estavam passando pela catalepsia patológica. Muitos especialistas, contudo, afirmam que isso não seria possível nos dias de hoje, pois já existem recursos tecnológicos que, quando corretamente utilizados, não falham ao definir os sinais vitais e permitem atestar o óbito com precisão.
(10) Kardec, Allan.  Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed FEB, 2001, Cap IV
(11) Idem
(12) 2 Reis 1
(13) Malaquias 4
(14) Lucas 1
(15) Marcos 9
(16) Mateus 11
(17) Mateus 15

IMPORTÂNCIA DO ESTUDO GRUPAL

Nota de esclarecimento: 
“O artigo abaixo trata-se do exercício natural do direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. Não me compete censurar opiniões, ainda mesmo que eu, Jorge Hessen, não defenda pessoalmente as concepções de Pietro Ubaldi. 
Assim, deixamos aos leitores do meu blog em O Rebate o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere a seguir, pois o mesmo direito que tem o articulista de argumentar , temos todos o mesmo direito de refutar , de aceitar, ou não, os seus argumentos.” 
Fernando Rosemberg Patrocinio
f.rosemberg.p@gmail.com
http://fernandorpatrocinio.blogspot.com.br


Um dos mais importantes estudos que se podem realizar, a meu ver, é o Estudo Grupal, ou seja, feito por diversas pessoas; e tanto será melhor e mais produtivo se o grupo, conquanto suas diferenças axiológicas, intelectuais e morais, estiverem se reunindo para o estudo com espírito de humildade, de se aprender com Jesus, na Correta Interpretação de Seus Ensinos e Máximas, dos quais, somos grandes descumpridores, conquanto cientes de que hoje requeremos não só aprendizado, mas, sobretudo, sua exemplificação nas práticas cotidianas.

Bem se vê que estou me referindo ao Estudo Grupal Espiritualista, e, mais exatamente, Espiritista. Tal estudo é importantíssimo, pois que nele as dúvidas surgem, mas são sanadas; as interpretações podem diferir-se, mas é sempre possível conciliá-las, pois com amor, carinho e entendimento cristão, não há barreiras que não se movam de suas precárias construções.

Se pudesse hoje relatar as tantas alegrias vividas com os colegas de estudo, as tantas opiniões que, por vezes divergiam, mas, ao final, se conformavam; se pudesse hoje relatar as provas vivas de que tais estudos são dirigidos por um Fator Convergente, que de modo benévolo e construtivo, orquestra seu andamento e nos proporciona, sempre, um final de estudos prazeroso e feliz; todos estes relatos provariam e provam haver sim, uma Espiritualidade Benfazeja que, com zelo e carinho cuida de nós todos para o Império do Bem Maior, pois pertence às falanges do Mestre Divino, ora redivivo pelo Espiritismo. 

Lembro-me que, certa vez, nos fora aberta uma página do Evangelho onde o Senhor explanava conforme Mateus:

“... Aprendeste o que foi dito: olho por olho e dente por dente. – Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal que se vos queiram fazer; que se alguém vos bater na face direita, lhe apresenteis também a outra; - e que se alguém quiser pleitear contra vós, para tomar vossa túnica, entregueis também vosso manto; - e que se alguém vos obrigar a caminhar mil passos com ele, caminheis mais dois mil. – Dai àquele que vos pedir e não repilais aquele que vos quer tomar emprestado. (cap. 5, vv. 38 a 42). 

E, logo após tal prédica, um neófito do nosso grupo, muito inteligente por sinal, mas algo precipitado, e, estranhando tais sentenças do próprio verbo de Jesus, questionara:

“Mas Jesus, com tais palavras, não faz apologia ao roubo? Não lhe autoriza de forma clara e precisa? O que os mais autorizados pela Doutrina argumentariam para me convencer do contrário?” E prosseguia: “Quando Ele diz para não resistirmos ao mal; quando Ele recomenda nossa inação quanto ao fato de alguém nos tomar a túnica, e que também entreguemos o manto; quando nos força a andar mil passos com ele, que andemos mais dois mil, ou seja, que atendamos tudo o que mal queira de nós; noutros termos: se alguém nos roubar alguma coisa diante de nossos olhos, que entreguemos mais, e, não só o dinheiro, mas também os documentos, a chave da casa, nossos bens, e tudo o mais! Isto não seria uma apologia ao roubo, ou uma sua expressa autorização? Jesus não estaria a favor do meliante e contra a nossa inocente pessoa?”.

E a resposta de um dos mais velhos e experientes do nosso grupo fora a de que:

“Se você considerar uma única existência do Espírito humano no Mundo terreno, então, com toda certeza, você está certo, eu diria: corretíssimo!” E prosseguia...

“Entretanto, a Filosofia Ética do Evangelho não se refere a uma só e única vida no Mundo terreno, mas sim a uma infinidade de vidas que, inclusive, não se restringe apenas e tão só ao plano terreno, mas sim, ao plano universal, levando em conta, mais ainda, a imortalidade do Espírito que um dia desfrutará de existencialidade a um Plano de Eternidade Plena, e não só o acanhado, passageiro e restrito plano dos que tem em mente uma só e tão curta existência terrena”.

“Quando Jesus diz para não resistirmos ao mal que se nos queiram fazer, Ele, em Sua Sabedoria, considerava nossas faltas pretéritas, reconhecia que somos devedores do passado que, por isso, temos de resgatar e de expiar para a pronta quitação dos nossos débitos, erros e malefícios de antanho. Quem nos garantirá que ontem, em nosso passado reencarnatório, não roubamos, não matamos, não espoliamos? Inocente, aqui neste Mundo, ninguém é!”

“Por outro lado, não se deve tomar ao pé da letra tal instrução do Mestre Divino que, com certeza, condenava a vingança, mas em tempo algum interditava a defesa, o que implicaria deixar campo livre aos maus”.

“Penso, assim, que a Correta Interpretação do Cristo, de suas palavras e de seus abrangentes ensinos, está neste Novo Espiritualismo ora Codificado, ou seja: no Espiritismo de tantas bênçãos, de tantas luzes, tantas demonstrações de que somos hoje o produto de tudo quanto fizemos ontem, no imenso rosário das vidas sucessivas”.

Com tamanha sabedoria e abrangência de resposta, o inteligente neófito reconhecera que sua assertiva de apologia ao roubo, autorizada por Jesus, estava inteiramente equivocada; que devemos amar e perdoar o semelhante para que não perpetuemos nossos erros e nossas dívidas para com a Lei, que, no tempo certo, cobrará do infeliz meliante sua dívida, redirecionando seus passos, agora trôpegos, sem um norte e sem um rumo em que, afinal, ele é apenas e tão só: um escravo da Lei, do Bem Maior que é Deus, que não pune o filho, mas por imensamente Amá-lo, o endireita pela devida correção na prova e nas adversidades da expiação.

Vê-se, pois, que muitos ensinos de Jesus só encontram uma explicação lógica e racional se considerar-se o fenômeno palingenésico, que o Mestre mesmo ensinara em muitas passagens do seu Evangelho, hoje clarificado e desenvolvido pelas sentenças magnânimas do Espiritismo codificado.

Indubitavelmente, o Espiritismo é o Consolador Prometido que, com uma Plêiade de Espíritos Superiores, se consolidara em meados do século dezenove tendo como organizador doutrinário um dos maiores missionários de Jesus, responsável, pois, pela nossa atual e Moderna Fase de Cristianização do Mundo terreno. 

Incontestavelmente, o Codificador foi um dos maiores missionários de Jesus já reencarnados na face terrena: digníssimo pedagogo, humanista, poliglota e cientista que incorporava, mais ainda, uma habilidosa argumentação filosófica de tão brilhantes teses, cujo nome renascera de um antigo sacerdote gaulês: não mais, não menos, que Allan Kardec.


VISITE OS BLOGS :

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Herculano Pires e as obras de André Luiz

Paulo Neto
Introdução

Em razão de alguns companheiros afirmarem que o jornalista e escritor J. Herculano Pires (1914-1979), justamente designado de “o melhor metro que mediu Kardec”, passou a ter uma visão crítica das obras de André Luiz, resolvemos pesquisar na produção literária de Herculano Pires para saber se, de fato, houve alguma mudança de opinião, como dizem por aí.
Não tivemos como colocar as obras de Herculano Pires na ordem em que foram escritas, razão pela qual tivemos que colocá-las pela ordem de publicação. Optamos por colocar o teor de todos os textos, para evitar alguma descontextualização que pudesse levar o leitor a uma conclusão diferente daquilo que Herculano Pires realmente quis dizer.
As fontes para análise
Não usaremos como de praxe nas citações a fonte menor e o afastamento maior, conforme normas da ABNT, por serem longas e de fácil identificação, nas quais os negritos são nossos.
1) O Espírito e o Tempo, Edicel, 1964.
Na obra Vampirismo, que será mencionada mais à frente, constam também como datas de publicação os anos de 1977 e 1979, do que presumimos ter havido algum acréscimo à primeira versão.
[…] O estudo e os debates devem cingir-se às obras da Codificação. Substituir as obras fundamentais por outras, psicografadas ou não, é um inconveniente que se deve evitar. Seria o mesmo que, num concurso de especialização em Pedagogia, passar-se a ler e discutir assuntos de Mecânica, a pretexto de variar os temas. O aprendizado doutrinário requer unidade e sequência, para que se possa alcançar uma visão global da Doutrina. Todas as obras de Kardec devem constar desses trabalhos, desde os livros iniciáticos, passando pela Codificação propriamente dita, até aos volumes da Revista Espírita. Precisamos nos convencer desta realidade que nem todos alcançam: Espiritismo é Kardec Porque foi ele o estruturador da Doutrina, permanentemente assistido pelo Espírito da Verdade. Todos os demais livros espíritas, mediúnicos ou não, são subsidiários. Estudar, por exemplo, uma obra de Emmanuel ou André Luiz sem relacioná-la com as obras de Kardec, a pretexto de que esses autores espirituais superaram o Mestre (cujas obras ainda não conhecemos suficientemente) é demonstrar falta de compreensão do sentido e da natureza da Doutrina. Esses e outros autores respeitáveis dão sua contribuição para a nossa maior compreensão de Kardec. Não podem substituí-lo. E bom lembrar a regra do “consenso universal”, segundo a qual nenhum espírito ou criatura humana dispõem, sozinhos, por si mesmos, de recursos e conhecimentos para nos fazerem revelações pessoais. Esse tipo de revelações individuais pertence ao passado, aos tempos anteriores ao advento da Doutrina. Um novo ensinamento, a revelação de uma “verdade nova” depende das exigências doutrinárias de:
a) Concordância universal de manifestações a respeito;
b) Concordância da questão com os princípios básicos da Doutrina;
c) Concordância com os princípios culturais do estágio de conhecimento atingido pelo nosso mundo;
d) Concordância com os princípios racionais, lógicos e logísticos do nosso tempo.
Fora desse quadro de concordâncias necessárias, que constituem o “consenso universal”, nada pode ser aceito como válido. Opiniões pessoais, sejam de sábios terrenos ou do mundo espiritual, nada valem para a Doutrina. O mesmo ocorre nas Ciências e em todos os ramos do Conhecimento na Terra. Porque o Conhecimento é uma estrutura orgânica, derivada da estrutura exterior da realidade e nunca sujeita a caprichos individuais. Por isso é temeridade aceitar-se e propagar-se princípios deste espírito ou daquele homem como se fossem elementos doutrinários. Quem se arrisca a isso revela falta de senso e falta absoluta de critério lógico, além de falta de convicção doutrinária, O Espiritismo não é uma doutrina fechada ou estática, mas aberta ao futuro. Não obstante, essa abertura está necessariamente condicionada às regras de equilíbrio e de ordem que sustentam a validade e a eficácia da sua estrutura doutrinária. (PIRES, 2003, p. 190-191, grifo nosso).


[…] Como esse processo se passa entre mundos de dimensões materiais diferentes, Rhine concordou em chamá-los de extrafísicos, o que na verdade não está certo, pois o plano espiritual também possui densidade física e a própria Física foi obrigada a reconhecer essa realidade em nossos dias. […]. (PIRES, 2003, p. 194, grifo nosso).
[…] O espírito liberto passa a viver no plano espiritual, que se constitui de matéria em estado rarefeito. Esse mundo semimaterial tem várias hipóstases, sendo que a mais inferior só existe com o plano material, interpenetrado com ele. Por isso os espíritos convivem conosco no mesmo espaço cósmico ocupado pelo planeta. Assim, os espíritos influem sobre nós e nós sobre eles. Não podemos percebê-los pelos sentidos físicos, mas podemos vê-los e ouvi-los pelo espírito, embora tenhamos a impressão de percebê-los pelos sentidos. […]. (PIRES, 2003, p. 209).
2) Diálogo dos vivos, GEEM, 1974.
O Grupo Espírita Emmanuel – GEEM publica essa obra, na qual participam Herculano Pires e Chico Xavier. Do Prefácio, de autoria de Herculano Pires, selecionamos:
Há mais de quarenta anos, Chico Xavier vem servindo de instrumento mediúnico para os diálogos da preparação. É impressionante o poder do diálogo. (XAVIER e PIRES, 2011, p. 17).
Os críticos acríticos que hoje pretendem criticar a forma dialogada de O Livro dos Espíritos merecem o perdão de Deus, pois não sabem o que fazem. O mesmo se dá com as críticas formuladas aos diálogos de Chico Xavier que, em Uberaba, como o Oráculo de Delfos, se coloca entre os homens e os espíritos, para que os vivos da Terra possam conversar com os vivos do Além. Cada mensagem recebida por Chico Xavier é uma resposta às indagações humanas.
Não é Chico, nem são os espíritos que propõem os temas do grande debate. […]. (XAVIER e PIRES, 2011, p. 18-19, grifo nosso).
Querem uma prova? Basta perguntar-se o que foi feito até agora da obra de Emmanuel e de André Luiz. Salvo raras tentativas ingênuas, onde estão os comentaristas profundos, os analistas, os estudiosos dessas obras em nosso meio? Onde?! (XAVIER e PIRES, 2011, p. 20, grifo nosso).
[…] As vozes do Além, quando legítimas, não se destinam apenas a consolar os aflitos, mas também e sobretudo a ensinar, esclarecer e abrir perspectivas novas ao entendimento dos problemas espirituais. Menosprezar a importância das mensagens mediúnicas é negar o valor do trabalho abnegado dos Espíritos Superiores em nosso benefício. (XAVIER e PIRES, 2011, p. 22, grifo nosso).
Chico Xavier hoje o realiza, com inteira abnegação de si mesmo, a serviço da causa humana e divina do Espiritismo. Não há nada a temer nem a reclamar. Só uma coisa temos a fazer: trabalhar! (XAVIER e PIRES, 2011, p. 27).
Herculano Pires, assinando com o pseudônimo de “Irmão Saulo” escreve vários artigos, dos quais destacamos os seguintes trechos:
A mensagem de André Luiz toca num ponto essencial da Filosofia Espírita – o seu aspecto existencialista. […]. (XAVIER e PIRES, 2011, p. 78).
É bastante conhecida da frase de Sartre: “Os outros são o Inferno”. Mas André Luiz nos propõe o contrário: os outros são o Céu. (XAVIER e PIRES, 2011, p. 91).
Chico Xavier recebeu psicograficamente, na série Nosso Lar, de André Luiz, e em outros escritos, descrições curiosas dos espíritos sobre a influência espiritual em nossas vidas através dos sonhos. E o episódio que nos relata constitui uma prova espontânea da legitimidade da teoria espírita dos sonhos, constante de O Livro dos Espíritos. Uma prova a m (XAVIER e PIRES, 2011, p. 143, grifo nosso).
3) Mediunidade, Paideia, jul/1978.
Pode-se alegar a existência do mediunato da vidência. Mas esse mediunato jamais é concedido para as aventuras de espíritos de vivos no plano espiritual, porque isso seria condenar o médium a uma situação de dualidade perigosa na vida terrena. O mediunato da vidência existe, mas para fins de auxílio às pesquisas ou para demonstrações da verdade espírita, mas nunca para a criação de condições anômalas no campo mediúnico. As próprias obras mediúnicas, psicografadas, que descrevem com excesso de minúcias a vida no plano espiritual, devem ser encaradas com reserva pelos espíritas estudiosos. Emmanuel explica, prefaciando um livro de André Luiz, que o autor espiritual se serve de figuras analógicas para explicar fatos e coisas que não poderiam ser explicados de maneira fidedigna em nossa linguagem humana. São perigosas as duas posições extremadas: a dos que não aceitam essas obras como válidas e a dos que pretendem substituir por elas as obras de Kardec. Os princípios da Codificação não podem ser alterados pela obra de um espírito isolado. A Codificação não é obra de vidência, mas de pesquisa científica realizada por Kardec sob orientação e vigilância dos Espíritos Superiores. (PIRES, 1987, p. 27, grifo nosso).
[…] Livros como No Invisível, de Léon Denis, e os livros de orientação mediúnica de Emmanuel e André Luiz podem também ser usados como subsidiários, mas jamais colocados como obras básicas da doutrina. Sem esse critério, muitos Centros e Grupos, e até mesmo grandes instituições, caíram num plano de misticismo igrejeiro e de autoritarismo sacerdotal que desfiguram e ridicularizam o Espiritismo. […]. (PIRES, 1987, p. 55, grifo nosso).
4) Na hora do testemunho, Paideia, set/1978.
O remédio contra esse estado mórbido depende de medidas que não foram tomadas: o afastamento dos responsáveis pela adulteração dos cargos diretivos da instituição; a reformulação imediata dos cursos de doutrina e de médiuns, com exclusão dos livros, folhetos e apostilas adulterantes; o retorno imediato aos livros básicos de Kardec como únicas fontes legítimas de ensino espírita; o reconhecimento da posição subsidiária das obras de André Luiz, hoje superpostas às de Kardec; a condenação e exclusão total das obras de mistificação ou de mistura indébita de doutrinas estranhas. Enquanto isso não for feito, as raízes amargas da adulteração continuarão a fermentar no meio espírita e a alimentar a vaidade de pretensos instrutores e mestres. Temos de escolher entre ser espíritas ou ser mistificadores da doutrina. (PIRES e XAVIER, 1978, p. 7, grifo nosso).
No cumprimento de seu luminoso mediunato, sem claudicar no tocante à fidelidade a Kardec, aos princípios básicos da Doutrina Espírita, Chico Xavier se impôs ao meio espírita do Brasil e do Mundo como um exemplo digno de admiração e respeito. Quando certos confrades começaram a proclamar que os livros de Emmanuel e André Luiz constituíam uma reforma doutrinária, esses dois espíritos, seguidos por Bezerra de Menezes e outros luminares da Espiritualidade, começaram a transmitir mensagens de valorização da obra de Kardec. Emmanuel, ante a aparecimento de correntes chamadas de emmanuelistas e andréluizistas chegou mesmo a transmitir uma série de livros correspondentes a cada uma das obras da Codificação comentando os trechos fundamentais dessas obras.
Chico Xavier jamais pretendeu sobrepor-se a Kardec, jamais se alistou entre os reformistas e superadores do Codificador. Nem mesmo aceitou, em tempo algum, que o considerassem como um líder espírita. Manteve-se sempre na sua posição de médium, de intermediário dos espíritos, considerando-se humilde servidor do Espiritismo. A carta de que destacamos esse trecho decisivo ele nos dirigiu a 8 de junho do ano passado. Não achamos necessário divulgar essa nova profissão de fé kardeciana. Mas agora, quando a obra de Kardec, está sofrendo a primeira agressão dentro do próprio meio espírita, e quando se anuncia o prosseguimento do trabalho de adulteração, não podíamos deixar essa declaração escondida em nosso arquivo, a pretexto de preservar o médium. Pelo contrário, a preservação do médium exige esta divulgação na secção em que ele mesmo sempre solicita a nossa ajuda, a nossa colaboração no esclarecimento dos problemas doutrinários. Premido pelas obrigações da recepção de títulos de cidadania e pelos compromissos de lançamento de novos livros, Chico Xavier não pode enviar-nos a mensagem habitual para estas colunas. Sua presença em São Paulo neste momento, participando do lançamento promovido por um grupo que se colocou ao lado da adulteração, poderia aumentar os boatos de que Chico aprovaria esse absurdo atentado à obra de Kardec. Cabia-nos revelar a firmeza de sua posição doutrinária, reafirmada de maneira tão eloquente quanto necessária, na carta que nos enviara.
São muitos os leitores que nos interpelam a respeito da posição do médium nesse caso. Damos a todos a resposta do próprio médium, uma resposta categórica, iniludível. Chico reafirma que precisamos preservar a obra de Kardec, acima de tudo. Outros nos perguntam por que motivo modificamos o programa No Limiar do Amanhã, furtando-nos ao dever de defender no mesmo a obra do mestre. Informamos a todos que deixamos a direção do programa por termos sido impedidos de tratar do assunto no mesmo. Nosso penúltimo programa sobre o caso foi desgravado misteriosamente e nosso último programa foi arquivado e substituído par outro, de que não participamos nem poderíamos participar. Nem sequer o direito legal de anunciar a nossa retirada nos foi concedido. O que aconteceu a nós não acontecerá a Chico Xavier. A divulgação do seu trecho-mensagem será suficiente para mostrar aos leitores destas colunas que o grande médium mantém a sua fidelidade a Kardec, sustentando de maneira eloquente que a doutrina deve estar acima de tudo. (PIRES e XAVIER, 1978, p. 34-35, grifo nosso).
5) Vampirismo, Paideia, 1980.
[…] O Espiritismo põe sua ênfase no estudo e na investigação dos espíritos humanos, que são os do nosso plano evolutivo, dotado de consciência e inteligência racional mais desenvolvida. Os parasitas já pertencem ao plano humano. São considerados na Teosofia e em outras correntes espiritualistas como larvas astrais. Na verdade não são larvas nem elementares, são entidades que necessitam da ajuda da doutrinação. Os teosofistas atribuem também as comunicações espíritas aos chamados cascões astrais, que são para eles invólucros espirituais, perispíritos abandonados pelos mortos e de que se servem os elementares ou espíritos brincalhões para se manifestarem nas sessões mediúnicas como sendo os espíritos desses mortos. A teoria dos cascões foi criada por Mme. Blavatski, após uma sessão mediúnica que assistiu em New York. O Sr. Sinet declara em seu livro Incidentes da Vida da Sra. Blavatski que ela cometeu então um engano de observação, ao qual nunca mais se referiu. Sinet, teósofo de projeção e companheiro de Blavatski, discorda dos teosofistas que continuam a aceitar essa falsa teoria. André Luiz refere-se a ovóides, espíritos que perderam o seu corpo espiritual e se veem fechados em si mesmos, envoltos numa espécie de membrana. Isso lembra a teoria de Sartre sobre o em-si, forma anterior do ser espiritual, que a rompe ao se projetar na existência por necessidade de comunicação. A ação vampiresca desses ovóides é aceita por muitos espíritas amantes de novidades. Mas essa novidade não tem condições científicas nem respaldo metodológico para ser integrada na doutrina. Não passa de uma informação isolada de um espírito. Nenhuma pesquisa séria, por pesquisadores competentes, provou a realidade dessa teoria. Não basta o conceito do médium para validá-la. As exigências doutrinárias são muito mais rigorosas no tocante à aceitação de novidades. O Espiritismo estaria sujeito à mais completa deformação, se os espíritas se entregassem ao delírio dos caçadores de novidades. André Luiz manifesta-se como um neófito empolgado pela doutrina, empregando às vezes termos que destoam da terminologia doutrinária e conceitos que nem sempre se ajustam aos princípios espíritas. A ampla liberdade que o Espiritismo faculta aos adeptos têm os seus limites rigorosamente fixados na metodologia kardeciana.
No caso do parasitismo e do vampirismo, todo rigor é pouco, pois os erros e os enganos de interpretação podem levar os trabalhos de cura a descaminhos perigosos. (PIRES, 1980, p. 14-16, grifo nosso).
6) O mistério do bem e do mal, Correio Fraterno, 1989.
Descrições da vida espiritual nas zonas inferiores do espaço
Regiões em que os espíritos continuam apegados às formas da vida material – “Ação e Reação”, de André Luiz, uma contribuição dos espíritos para as comemorações do centenário.
O primeiro centenário do Espiritismo teve, também as suas comemorações no outro lado da vida. Não foi apenas em nosso plano material, neste reverso da vida em que nos arrastamos, apegados à densidade da matéria grosseira, que o grande acontecimento despertou entusiasmos. Embora o advento do Espiritismo nos pareça um fato específico do nosso mundo, pois a doutrina veio para orientar os homens encarnados, a verdade é que esse fato se refere também aos planos espirituais. E o que é mais importante: esse fato tem tanta significação para nós, quanto para os Espíritos.
Todos os que militam no movimento espírita sabem que os Espíritos participam ativamente dos trabalhos doutrinários. Nada mais natural, portanto, do que a sua intensiva participação nas comemorações do centenário. Uma prova concreta dessa participação acaba de ser dada pela publicação de mais um livro psicografado por Francisco Cândido Xavier, livro que traz no prefácio de Emmanuel, as seguintes frases: “Um século de trabalho, de renovação e de luz. Para contribuir nas homenagens ao memorável acontecimento, grafou, André Luiz, as páginas deste livro”.
Como se vê, “Ação e Reação”, novo livro de André Luiz, que a Federação Espírita Brasileira acaba de publicar, é uma contribuição espiritual para as comemorações do centenário. E que excelente contribuição! O título é suficiente para indicar o conteúdo. André Luiz faz uma ampla exposição do problema de ação e reação, através de exemplos colhidos diretamente nas zonas sombrias em que vivem os espíritos sofredores.
Os livros de André Luiz, que já constituem volumosa coleção, valem por um verdadeiro trabalho de ilustração dos princípios espíritas, por meio de relatos de episódios vividos nos planos espirituais. Em Nosso Lar, primeiro volume da série, temos a descrição pormenorizada de uma cidade espiritual, destinada à preparação das criaturas para a espiritualidade superior. Em Os Mensageiros, a descrição dantesca das zonas de sofrimento, regiões purgatoriais ou infernais – como queiram –, em que se arrastam as almas dos que não souberam compreender as oportunidades da encarnação terrena. Mensageiros são os Espíritos superiores, que descem às zonas sombrias ou à própria face da terra para trazerem socorro às criaturas entregues ao desespero, à angústia, ao remorso e a todas as formas de sofrimento espiritual.
Em “Ação e Reação” os fatos se passam, também, numa zona espiritual densamente carregada de influências materiais. Em meio a uma região aparentemente abandonada, em que as “almas brutas e bravas”, a que se refere Dante, rugem, choram, esbravejam e gemem, perdidas nas sombras e resgatadas pela ventania de suas próprias iniquidades, ergue-se um conjunto arquitetônico que oferece asilo, conforto e cura aos que se puseram em condições de ser socorridos, ou seja, aos Espíritos que começaram a se arrepender de seus erros.
“O estabelecimento – diz André Luiz – situado nas regiões inferiores, era bem uma espécie de Mosteiro São Bernardo, em zona castigada por natureza hostil, com a diferença de que a neve, quase constante em torno do célebre convento encravado nos desfiladeiros, entre a Suíça e a Itália, era ali substituída pela sombra espessa, que, naquela hora, se adensava ao redor da instituição, como se tocada por ventania incessante.”
Para os que não conhecem os princípios da Doutrina Espírita e não estão familiarizados com descrições das zonas espirituais mais próximas da crosta terrestre, tudo isso pode parecer ilusório, imaginário, pouco provável. Mas os que sabem que os Espíritos não são mais do que homens desencarnados e que, como os homens terrenos, vivem a sua vida, executam os seus trabalhos e realizam as suas construções, compreendem bem as descrições de André Luiz.
Há quem não admita a existência de coisas tão concretas no plano espiritual. André Luiz se refere, porém, às zonas inferiores, aquelas em que os Espíritos, ainda demasiado apegados às formas da vida material, não conseguiram “libertar-se em espírito”. É edificante ver, em “Ação e Reação”, como os Espíritos Superiores trabalham nessas regiões, prestando sua assistência caridosa aos irmãos que se transviaram nas sendas egoístas da vida terrena. (PIRES, 1992, p. 72-74, grifo nosso).
7) O infinito e o finito, Correio Fraterno, 1989.
Mensagens espíritas no exterior confirmam as recebidas no Brasil
Livros de Chico Xavier em confronto com obras francesas e inglesas – “A Vida nos Mundos Invisíveis”, do reverendo anglicano Robert Hugh Benson, publicado em português
Muitas pessoas encontram dificuldades em aceitar as descrições da vida de além-túmulo, dos livros de André Luiz, psicografados por Chico Xavier. Mesmo entre os espíritas, já habituados a tratar dos problemas do “outro lado da vida”, essas descrições encontraram no princípio, e ainda hoje encontram, certa relutância. Emmanuel explicou, de maneira bastante clara e feliz, no prefácio de Os Mensageiros, que os relatos de André Luz não devem ser tomados ao pé da letra, mas como um esforço para objetivar, em linguagem terrena, as visões do mundo espiritual. Apesar disso, a extrema semelhança da vida no espaço com a vida na terra ainda perturba algumas pessoas e provoca várias críticas de religiosos e materialistas.
A incompreensão a respeito é natural, em virtude principalmente de dois motivos fundamentais: primeiro, o hábito arraigado de considerar-se a vida post-mortem como misteriosa, inacessível à compreensão dos mortais; segundo, a confusão habitual entre corpo e espírito, fonte do materialismo, que impede muita gente de admitir a existência de vida fora da matéria. Este segundo motivo é o reverso do primeiro e os dois representam posições extremadas diante do problema da sobrevivência. O Espiritismo nos mostra que a vida além da morte não é inacessível à nossa compreensão e desfaz, ao mesmo tempo, a confusão materialista entre corpo e espírito.
Sir Oliver Lodge, o grande físico inglês, entendia que o Espiritismo realiza uma nova revolução copérnica. Essa revolução consiste exatamente na modificação da nossa atitude em face do problema da vida. Se Copérnico destruiu a concepção geocêntrica do universo, o Espiritismo, por sua vez, destrói a concepção organocêntrica da vida. Do ponto de vista organocêntrico, que caracteriza o materialismo, a vida só é possível nos organismos vegetais e animais. O Espiritismo afirma e prova o contrário, ou seja, que a vida independe desses organismos e se manifesta por mil formas e maneiras diferentes, no universo infinito.
Os religiosos que criticam as descrições mediúnicas do além não deixam de aceitar essa descentralização da vida, mas não admitem a sua interpretação ou explicação racional. Apegam-se a dogmas, a princípios rígidos de fé, mantendo-se no plano do mistério. Entretanto, se convivessem um pouco mais com os textos sagrados de suas próprias religiões, veriam que a existência de cidades espirituais no além-túmulo, de habitações, vegetais e animais, não é, como supõem, uma invenção dos espíritas. O Velho Testamento e o Novo Testamento, por exemplo, estão cheios de descrições dessa ordem. Basta lembrar-se o que diz Isaías (33:17,20) sobre “a terra de longe” e a “Sião da solenidade”, e o Apocalipse de João sobre a Jerusalém celeste.
No tocante às revelações mediúnicas, as descrições de André Luiz não constituem novidade, a não ser quanto ao que trazem de pessoal, da maneira de ver do autor. Já em O Céu e o Inferno, Kardec apresenta descrições semelhantes. Na Revue Spirite, o codificador publicou numerosos relatos de além-túmulo no mesmo sentido. Sir Oliver Lodge apresenta quadros semelhantes em Raymond, Denis Bradley em Rumo às Estrelas, e assim por diante. Agora, a Editora O Pensamento, desta capital, acaba de lançar a tradução de Life in the World Unseen, de Anthony Borgia, com a versão do título para A Vida nos Mundos Invisíveis. O trabalho de tradução foi confiado a J. Escobar Faria, que realizou primoroso trabalho.
Temos nesse livro curioso uma nova versão da vida no além, com pormenores que confirmam plenamente as descrições de André Luiz. O autor espiritual é o ex-reverendo Robert Hugh Benson, filho de um ex-arcebispo de Cantuária, que à maneira de André Luz, relata sua passagem para o lado de lá e descreve esse lado. A segunda parte do livro oferece-nos uma espécie de geografia dos planos espirituais mais próximos da face da Terra. Benson, que na vida terrena escrevera a propósito de assuntos espirituais, dando interpretação capciosa a algumas de suas experiências psíquicas, procura corrigir nesse livro os seus erros dogmáticos de então. Os religiosos em geral, e os espíritas em particular, encontrarão em A Vida nos Mundos Invisíveis muito material para comparação com as descrições dos textos sagrados e das comunicações mediúnicas obtidas em nosso país. Esse confronto, para os espíritas, atende a um dos requisitos do método doutrinário, para aceitação das informações espirituais: o do consenso universal, estabelecido pelo codificador. (PIRES, 1989, p. 105-10, grifo nosso).
8) Por Jorge Rizzini: J. Herculano Pires o Apóstolo de Kardec, Paideia, 2001.
Há uma revelação luisina?
Começaremos transcrevendo uma crônica sua assinada com o pseudônimo “Irmão Saulo” intitulada “Há uma revelação luisina?”, a qual refuta um artigo de Salvador Gentile (diretor de “Anuário Espírita”, editado em Araras, Estado de São Paulo), a propósito da obra “Nosso Lar”, psicografada por Chico Xavier. A crônica de Herculano Pires estampada no “Diário de São Paulo” reveste-se de importância porque ao surgirem as primeiras obras do Espírito André Luiz alguns líderes, demonstrando imaturidade doutrinária, proclamaram nas tribunas e pelos jornais que elas eram a “Quarta Revelação”…
Leiamos as considerações de Herculano Pires:
“O aparecimento em Tóquio de uma edição japonesa do livro “Nosso Lar, de André Luiz, leva o confrade Salvador Gentile a reviver, no “Anuário Espírita 1969”, a tese da “revelação luisina”. Essa tese conquistou certa voga no meio espírita (alguns dizem “andréluisina”), mas arrefeceu logo porque Emmanuel e André Luiz foram os primeiros a botar água na fervura. Gentile a ressuscita em termos de revisionismo doutrinário, de “superação” de Kardec, não se esquecendo de criticar “os ortodoxos que fazem de Kardec um dogma intangível”. Respeitar a codificação é ser dogmático, segundo as acusações dos divinistas e outros renovadores.
“Gentile parte da suposição de que a obra de Kardec ficou em generalidades. Deseja informações particulares, mais concretas, que André Luiz fornece sobre a vida dos Espíritos. Mas se tivessem recorrido ao prefácio de Emmanuel no livro “Os Mensageiros” veria que essa concretização é simbólica e, portanto, abstrata. A obra de André Luiz é ilustrativa da revelação espírita, e não propriamente complementar, no sentido de superação que o articulista pretende. É uma grande e bela contribuição nos estudos espíritas, mas sua pedra de toque é a codificação.
“O que mais impressionou a Gentile foi a “revelação” de cidades espirituais no espaço. Mas a Bíblia já nos falava da Jerusalém Celeste e as revelações antigas estão cheias de ideias semelhantes. Tratam-se de planos ainda materializados da vida espiritual e não dos planos superiores. A “Revista Espírita” apresenta numerosos relatos dessa vida que se assemelha à terrena. Mas Gentile vai mais longe e afirma que certos conceitos de Kardec são reformulados em “Nosso Lar”, por exemplo: o conceito de espíritos errantes, o de acampamento, o de perispírito sem órgãos de tipo material.
“A crítica de Gentile a esses conceitos não tem razão. Kardec explica no item 226 de O Livro dos Espíritos que são errantes todos os espíritos que ainda terão de reencarnar-se, mesmo os mais evoluídos. A erraticidade não implica apenas a permanência em planos inferiores, mas uma condição do espírito em seu processo evolutivo. Trata-se de um conceito relativo, ou seja, que diz respeito à relação do espírito com a sua passagem pelas fases inferiores da encarnação terrena. O conceito ou a noção de acampamento não tem em Kardec a aplicação que Gentile lhe deu. Refere-se aos mundos transitórios e não aos planos espirituais. O de perispírito sem órgãos físicos, que não necessita de restauração de suas forças, é também relativo e está bem explicado no item 254, onde se lê isto, em letras de forma: “A espécie de fadiga que os espíritos podem provar está na razão da sua inferioridade, pois quanto mais se elevam, de menos repouso necessitam”.
“Partindo de premissas falsas, o articulista só poderia chegar a conclusões falsas. Não há nenhuma razão para se falar em “revelação luisina”, mesmo porque a própria tese de Kardec é a da revelação contínua a partir da aceitação e do conhecimento da mediunidade. Antes de pensar em “novas revelações”, o de que precisamos com urgência é de estudo sistemático e mais aprofundado da obra de Kardec, incluindo não só os tomos da Codificação, mas também a “Revista Espírita”, por ele mesmo indicada como indispensável ao bom conhecimento da doutrina.” (RIZZINI, 2001, p. 244-246, grifo nosso).
Conclusão
O que vimos foi exatamente o contrário do que se insinua, pois Herculano Pires foi, na verdade, um defensor das obras de André Luiz; combateu, é fato, os de sua época que queriam transformá-las na “Quarta Relevação”, o que significava deixar totalmente em segundo plano (ou até mesmo renegar) as obras de Kardec, reconhecidamente, a “Terceira Revelação”; e, aí, meu amigo, “o apóstolo de Kardec”, como diria, Rizzini, não poupou críticas a eles.
Por outro lado, Herculano não se mostrou tão intransigente a ponto de considerar todas informações promanadas da literatura de André Luiz como verdades absolutas; tinha, como se viu, sérios questionamentos como, por exemplo, a questão da existência dos “ovoides”, conforme se vê em um dos cinco textos acima. A princípio até pensamos que Herculano havia entendido mal as informações de André Luiz, mas não, por este autor espiritual, os espíritos que se encontram na condição de ovoides perderam o corpo perispiritual, o que, certamente, é contrário ao que podemos depreender da Codificação kardeciana. Entretanto, devemos compreender que todos nós, por não sermos ainda Espíritos Puros, somos passíveis de erros, inclusive, o próprio Herculano Pires, na mesma obra em questão – Vampirismo –, acabou por cometer este:
O homossexualismo, nos dois sexos, por sua intensidade nas civilizações antigas e sua revivência brutal em nosso tempo é, a mais grave dessas anormalidades que hoje se pretende declarar normais. […]. Qualquer justificativa dessas anormalidades não passa de sofisma atentatório da própria existência da espécie. […]. (PIRES, 1980, p. 29 e 30, grifo nosso).
Herculano Pires, certamente, não se lembrou dessa fala de Kardec, constante do artigo “As mulheres têm alma?”, publicado na Revista Espírita 1866:
[…] pode ocorrer que o Espírito percorra uma série de existências num mesmo sexo, o que faz que, durante muito tempo, ele possa conservar, no estado de Espírito, o caráter de homem ou de mulher do qual a marca permaneceu nele. […].
Se essa influência repercute da vida corpórea à vida espiritual, ocorre o mesmo quando o Espírito passa da vida espiritual à vida corpórea. Numa nova encarnação, ele trará o caráter e as inclinações que tinha como Espírito; se for avançado, fará um homem avançado; se for atrasado, fará um homem atrasado. Mudando de sexo, poderá, pois, sob essa impressão e em sua nova encarnação, conservar os gostos, as tendências e o caráter inerentes ao sexo que acaba de deixar. Assim se explicam certas anomalias aparentes que se notam no caráter de certos homens e de certas mulheres. (KARDEC, 1993i, p. 4).
A seguir a rigor o que disse Herculano, poder-se-ia dizer que Kardec se utilizou de sofisma para explicar alguns casos de homossexualismo.
Acreditamos que a forma um tanto quanto pejorativa com que Herculano Pires tratou André Luiz na obra Vampirismo, mesmo sem conseguirmos precisar quando tomou da pena para escrevê-la, nós o consideramos, plenamente, reabilitado, por tudo quanto diz nas suas outras obras a respeito daquele que exerceu a função de “repórter do além”.
Em J. Herculano Pires, o apóstolo de Kardec, o autor, Jorge Rizzini (1924-2008), faz uma biografia de Herculano e não fala absolutamente nada sobre uma possível mudança de pensamento dele em relação às obras de André Luiz, ou que tenha passando a considerá-lo, em todos os pontos como “neófito empolgado pela doutrina”, já que as suas colocações são circunstanciais à tese de Salvador Gentile, publicada no Anuário Espírita 1969, de que esse autor espiritual é portador da “Quarta Revelação”. Retomamos ao trecho: “André Luiz manifesta-se como um neófito empolgado pela doutrina, empregando às vezes termos que destoam da terminologia doutrinária e conceitos que nem sempre se ajustam aos princípios espíritas”. É bom ressaltarmos que disso não se pode generalizar, pois Herculano Pires deixa claro que somente “às vezes” é que André Luiz empregava termos que destoavam da terminologia doutrinária, e não que “tudo” que ele produziu destoava, como parece ser o entendimento de alguns companheiros.



Paulo da Silva Neto Sobrinho
jun/2014




Referência bibliográfica:
KARDEC, A. Revista Espírita 1866. Araras, SP: IDE, 1993i.
PIRES, H. J. Mediunidade: conceituação da mediunidade e análise geral dos seus problemas atuais. São Paulo: Edicel, 1987.
PIRES, J. H. e XAVIER, F. Na hora do testemunho. São Paulo: Paideia, 1978.
PIRES, J. H. O Espírito e o tempo. São Paulo: Edicel, 2003.
PIRES, J. H. O infinito e o finito. São Bernardo do Campo, SP: Correio Fraterno, 1989.
PIRES, J. H. O mistério do bem e do mal. S. Bernardo do Campo: Correio Fraterno, 1992.
PIRES, J. H. Vampirismo. São Paulo: Paideia, 1980.
RIZZINI, J. J. Herculano Pires, o apóstolo de Kardec. São Paulo: Paideia, 2001.

XAVIER, F. C. E PIRES, J. H. Diálogo dos vivos. São Bernado do Campo, SP: GEEM, 2011.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Concepção do períspirito

José Sola

Nossos confrades extrapolam as questões do Livro dos Espíritos, de forma equivocada, pois os mesmos, afirmam categoricamente que o períspirito esta externo ao corpo, eu entendo que para extrapolarmos as obras básicas, temos que fazer uso da logica e da razão, e não é o que tem acontecido.
Então  vou sintetizar algo, pois este tema é complexo, e não nos é possível defini-lo apresentando um texto, mas estarei apenas a apresentar algumas refutações as extrapolações apresentadas, pois estas não se sustentam, explicando entretanto o que esta equivocado, e como entendo seja o certo, e espero que os que me desejem replicar, usem do mesmo método, pois do contrario não entenderei como replica, mas como perlenga.
Allan Kardec em o livro “A Gênese” nos apresenta uma analogia informando-nos  que o universo esta para Deus, tanto quanto, nosso corpo esta para nosso espirito.
Nosso espírito está no todo de nosso corpo, seja o energético (períspirito), ou o corpo material; é ele o “eu” diretor de todas as manifestações e sensações que acontecem no homem.
Deus está no todo do Universo infinito, seja no Universo espaço tempo, tanto quanto, no Universo matéria, manifestando a vida, nas infinitas modalidades de ser.
Entretanto, como têm acontecido com outras questões, nossos confrades tem se atido a letra, e apresentaram uma extrapolação equivocada a esta questão apresentada por Kardec ao espirito da verdade, vejamos.
93 - O espirito propriamente dito vive a descoberto, ou como pretendem alguns, envolvidos por uma substância? 
R - O Espirito é envolvido por uma substância que é vaporosa para ti, mas ainda bastante grosseira para nós; suficientemente vaporosa, entretanto, para que ele possa elevar-se na atmosfera e transportar-se para onde quiser.
Como a semente de um fruto é envolvido pelo perisperma o espirito propriamente dito é revestido de um envoltório, por comparação, se pode chamar períspirito.
Se aplicarmos a lógica, verificaremos que esta analogia não esta equivocada, pois realmente o períspirito reveste o espirito, entretanto não apenas a parte externa deste, mas em seu todo, incluindo os órgãos internos, pois pelo que já aprendemos na doutrina espirita, é o períspirito, ou corpo energético, o elemento plasmático que possibilita a aderência das células ao espirito.
Se aceitarmos a premissa resultante da extrapolação equivocada apresentada por alguns confrades de que o períspirito reveste tão somente a parte externa do espirito, como é que acontece a formação dos órgãos internos?
E Conforme Kardec, o períspirito reveste o espirito, mesmo que nos demoremos a letra, e aceitemos a hipótese de ser o corpo energético um envoltório que reveste apenas a parte externa do espirito como uma capa a envolver o mesmo; como explicar o períspirito externo ao  corpo, como se fosse um balão flutuante?
Se o mesmo estivesse externo ao corpo material, o espirito também, infelizmente esta premissa da parte de alguns confrades não se sustenta, e o pior é que a apresentam dando-lhe ênfase, com desenhos coloridos e tudo mais, mas completamente desprovidos de lógica e racionalidade. 
E mais, esta premissa não atende sequer a letra, pois Kardec nos informa que o períspirito envolve o espirito, e a lógica nos diz que espirito e períspirito envolvem a matéria, não se demoram afastados desta, pois o corpo energético e o elemento plasmático que possibilita, as células se agrupem ao espírito, não fosse o períspirito, e o corpo de matéria não teria como formar-se.  
E se nos detivermos no dogma que nos apresentam alguns confrades, encontraremos uma dificuldade imensa em confirmar a evolução do ser, através da evolução anímica, pois atidos a letra, nada preocupados com a essência da mensagem, entendem nas palavras de nosso mestre Allan Kardec, que o períspirito, ou corpo energético, seja apenas um envoltório do espirito, a partir do momento em que atingimos a condição de humanoides; será?  
Entretanto, a lógica nos leva a concluir de que sem o corpo energético que reveste o psiquismo ou centelha divina, enfim o eu diretor da matéria, tornar-se- ia impraticável a evolução do ser, pois já apreendemos em doutrina espirita que o períspirito é o elemento plasmático que possibilita as células agrupar-se ao espirito, é o corpo energético, ou períspirito que medeia a associação de espirito e matéria, e como sabemos através da evolução anímica, a evolução desses corpos em condições vibracionais diferenciadas, acontece em simbiose.
Resumindo, se o corpo energético fosse criado quando a centelha divina houvesse conquistado a condição de humanoide, não aconteceria a criação do mesmo, pois a centelha divina ou principio psíquico, que é o eu diretor da matéria, não teria campo para fazer sua evolução, então só nos resta entender que o períspirito, inicia a sua formação, junto ao espirito, no reino do minério, lógico não na condição de períspirito, mas de corpo energético. 
Pois este corpo energético só pode ser chamado de períspirito, a partir do momento em que a centelha divina se maturou o suficiente e se transformou em espirito, não podemos chamar de espirito esta centelha, quando ainda se demora animando o mineral, ou o vegetal, o correto é denominarmos este momento evolutivo do ser, de principio psíquico, ou eu diretor da matéria, pois o principio inteligente do universo, ainda não conquistou a sua individualidade.
Esta centelha divina, ou este principio psíquico, só conquista a sua individualidade, no reino animal, enquanto se demora no reino mineral, e no reino vegetal, ao dividirmos a matéria, dividimos também o psiquismo, e isto é fácil de observarmos, basta-nos apreciar uma barra de imã, ao ser esta dividida, continua preservando as suas polaridades, sabemos que sinais iguais se repelem, sinais diferentes se atraem, e aproximando as metades seccionadas dessa barra, verificaremos que o principio de atração e repulsão continua existindo em ambas.
No reino vegetal tampouco aconteceu ainda a individualidade da centelha divina ou psiquismo, pois retiramos um galho de uma planta o replantamos, e este se transforma em outra planta, e isto quer dizer que parte do psiquismo da planta originária deste galho, se deslocou com o mesmo, pois sem este principio psíquico a planta estaria resumida a matéria, e morreria, faltar-lhe -ia o eu diretor da matéria, enfim a fonte que sustenta a vida.
Entretanto já no reino animal, racional, ou irracional, a individualidade aconteceu, pois se extrairmos um membro de um animal, ou de um humano este membro vai apodrecer, embora exista o transplante de órgãos, lembramos que este órgão transplantado, não carrega consigo parte do espirito do doador, apenas parte do magnetismo, ou dos fluidos do mesmo, que em algumas ocasiões, provoca a rejeição. 
Somos, contudo levados a crer, que o corpo energético, é um corpo composto de uma energia rarefeita, sutil, e que conforme o dizer de Kardec se reveste da energia do mundo em que o principio inteligente se demore, envolvendo-se das energias que atendam seu momento evolutivo. 
Em nosso planeta, o principio inteligente se reveste dessa energia, independente de demorar-se nos reinos, mineral, vegetal, animal, ou humanoide, o que nos leva a deduzir que essa mesma energia atenda o eu inteligente nos seus momentos evolutivos diferenciados. 
E não sou eu o único que tem  essa percepção, pois o amigo Clarêncio nos informa esta premissa em o livro “Entre a Terra e o Céu” no capitulo Conversação Edificante, pagina 132, escrito por Andre Luiz, através das mãos saudosas do médium Francisco cândido Xavier, vejamos.
“O prodigioso corpo do homem na Crosta Terrestre foi erigido pacientemente, no curso dos séculos, e o delicado veiculo do Espirito nos planos mais elevados, vem sendo construído, célula a célula na esteira dos milênios incessantes...”
Atentos a lógica somos levados a concluir que o períspirito, ou corpo energético do principio inteligente, seja intrínseco ao espirito, pois nos reinos inferiores da natureza o mesmo esta presente, acompanha o eu diretor da matéria na evolução em que este desenvolve através da evolução anímica, até que o psiquismo ou centelha divina, atinja a condição de espirito, e acompanhara o espirito na eternidade. 
É  ilógico acreditarmos que uma substância que se mantem em simbiose plena com o espirito, pois o corpo energético inicia junto ao espirito sua caminhada em busca da individualidade, já no reino do minério permite ao principio inteligente fazer a matéria fremir de vida, o acompanha em sua evolução, não reveste o espirito apenas quando este se demora encarnado, mas o acompanha em sua trajetória na espiritualidade, venha a se desintegrar, isto é morrer, quando da evolução do espirito na eternidade.
 Sendo ainda o veiculo que propicia aconteça a palingênesia no reino do  minério e no reino vegetal,  que oferece campo para a reencarnação no reino animal e no reino humanoide, a lógica nos leva a concluir que  o períspirito é eterno como o espirito, e que se demora intrínseco ao mesmo, em simbiose plena, e o acompanhara na eternidade.  
Fosse o períspirito, uma energia que reveste o espírito no ato da concepção, e com a morte estaria se dissolvendo, como acontece com o princípio vital, no entanto, o períspirito permanece associado ao espírito, depura-se e evolui com este, é uma energia consistente, que permite mesmo ao espirito, desprender-se em parte, é logico, e permanecer sem diluir-se, sem perder a forma característica que assumiu em sua romagem em simbiose com o espirito, e é André Luiz em seu livro ”Nosso Lar” que pelas mãos maravilhosas de nosso médium inesquecível de Uberaba, nos informa, de haver se desprendido do períspirito.
Informa-nos este espirito maravilhoso, que após um dia de trabalho árduo, pois neste seu momento evolutivo o mesmo ainda não exercia a profissão de médico, limpava o chão, o vomito das entidades infelizes, - e isto fazia para eliminar o seu orgulho, - havendo se deitado para repousar, se desprendeu do períspirito, e foi conduzido ao encontro de sua mamãe.
E este desprendimento acontece tal qual quando o espirito, revestido do períspirito se desprende da matéria através do sono, e somos levados a concluir que quando o espirito se desprende do períspirito, através do sono, quando desencarnado, como sucedeu a Andre Luiz, permanece ainda ligado ao mesmo. 
Como já pudemos analisar o espirito esta em simbiose com o períspirito, não acontece jamais um desprendimento absoluto, qual ocorre com o corpo material, este corpo energético acompanha o espirito na vida espiritual, e o companha quando o mesmo reencarna, sendo o elemento que estará propiciando ao espirito a oportunidade da reencarnação, pois como já informado ele é o elemento plasmático que possibilita as células se agrupem formando o corpo material.
Como já visto em outros textos, mas importa aqui relembra-lo, não vivemos no planeta terra, a condição de minerais, tampouco a de vegetais, ou de animais, pois a transposição de um reino para outro consome biênios, e a terra tem aproximadamente quatro bilhões de anos.
E isto nos permite deduzir de maneira lógica e racional, que nosso períspirito ou corpo energético, se revestiu na passagem desses reinos, através da evolução anímica, da energia mais densa dos mundos em que estagiávamos como centelha divina, ou principio psíquico. André Luiz, em seu livro “libertação”, nos relata uma experiência vivida por uma entidade infeliz que sofreu a dissociação de seu corpo energético (períspirito), transformando-se num ovoide.
Este relato parece contrariar o conceito que estamos apresentando, pois se acontece esta dissociação por demorar-se o espírito pertinente ao vício e a inferioridade, não pode ser o corpo energético a resultante da evolução do ser pelos reinos inferiores da natureza, importa lembrar, contudo que esta desintegração (morte) do elemento mais denso, só acontece na condição de humanoides.  
Nos reinos inferiores da natureza, ou seja, no reino mineral, vegetal, e animal, não havendo ainda o eu inteligente despertado para a luz da razão, a consciência não afere o complexo de culpa, e por resultante a energia que envolve o corpo energético não se deteriora, pois esta energia é natural do meio ambiente, não foi adulterada pela mente conturbada do espirito.     
Entendemos, que o períspirito em sua essência é constituído de uma energia extremamente sutil e rarefeita, que se desenvolve e se demora em simbiose com o espírito, sofrendo, a adulteração de seus princípios, quando nós espíritos nos desarmonizamos com a Lei Divina, absorvemos as energias desarmônicas que se demoram no meio ambiente; é desta energia densa e pesada que o períspirito se libera, quando a acumula em excesso.
Observando a entidade que ali se demorava, André Luiz não podia ver outra coisa que não, um ovoide, entretanto, seu orientador Gubio, com seu poder magnético mais desenvolto, mais evoluído, podia enxergar a entidade, pois esta possuía ainda seu períspirito, desprovido das energias mais densas, mas associado ao espírito, pois acreditamos que o espírito é constituído de uma energia mais sutil, mais rarefeita, tornando difícil, se não impossível sua percepção, exceto da parte de espíritos altamente sublimados.
Em analogia, apresento o espírito revestido do períspirito, quando desencarna se demora por um período de tempo, carregando ainda a influencia da matéria, leva um bom tempo para desvencilhar-se da mesma, e as influencias da matéria, que provocam dores e sofrimentos em um espirito desencarnado, só encontram campo para se manifestarem através do períspirito, pois assim como não é possível o agrupamento das células diretamente ao espirito, para formar o corpo de matéria, tampouco haveria campo para a manifestação dessas influencias.
E apreciamos este acontecimento realizando-se paulatinamente nos espíritos através do mecanismo da evolução, pois conforme o espirito vai evoluindo, vai se desprendendo das influencias da matéria, e sabemos que existem espíritos dotados de uma evolução maior, que não podem ser vistos por outros espíritos, embora estes outros já hajam alcançado evolução e luz, isto porque, quanto mais evoluído é o espirito, mais sutil, mais rarefeito é o períspirito. 
Isto nos leva a crer que em sua essência o períspirito é de uma constituição energética, sutil, rarefeita, e que conforme o mesmo vai se desprendendo da matéria, e evoluindo junto ao espirito, torna sua substância sempre mais maleável, apta a atender o espirito em sua evolução na eternidade, pois somos e seremos eternamente perfectíveis, nos demoraremos sempre no relativo, só Deus é perfeito, e se demora no absoluto.
Como retro esclarecido, o períspirito ou corpo energético é uma propriedade intrínseca ao espirito, pois se manifesta junto ao mesmo já no reino mineral, e acompanha o espirito através da evolução anímica, até que o espirito atinja o reino humanoide, e com certeza acompanha-lo - a na eternidade, pois se o espirito é eterno e se o corpo energético se manifesta junto a este quando o principio inteligente ainda é um psiquismo, somos levados pela lógica a crer que o corpo energético (períspirito) é eterno. 
Não dá para acreditar que uma propriedade que é inata ao espirito venha a morrer com a evolução como o pretendem alguns confrades, pois isto seria o mesmo que acreditar que o amor, a inteligência, o sexo, pudessem morrer, e é Clarêncio quem nos informa que o delicado veiculo do Espirito nos planos mais elevados, vem sendo construído, célula a célula na esteira dos milênios incessantes.
Ao informar -nos Clarêncio que o delicado veiculo  do espirito, nos planos mais elevados, vem sendo construído célula a célula na esteira dos milênios incessantes, nos quer informar que o períspirito antecede ao corpo físico, não é criado no momento da concepção do corpo de matéria, mas que é ele o elemento que permitiu a mutação da matéria através dos milênios, permitindo a centelha divina atingir a configuração de humanoide (espírito).
E ao informar-nos Clarêncio que o períspirito é o delicado corpo do espirito nos planos mais elevados, nos esclarece que o períspirito acompanha o espirito em sua evolução na eternidade, pois usando de um pouco de lógica, não dá para aceitar a possibilidade, de que um corpo energético que se demora em simbiose absoluta com o espirito, quando da evolução do mesmo, este corpo venha a morrer.  
Não compreenderam ainda, meus queridos confrades, de que no universo nada morre, tudo se modifica e se transforma, que o universo é um eterno vir a ser, tampouco de que Deus é a vida do universo, e o Mesmo é absoluto, então a lógica nos diz, que nada se subtrai e nada se adiciona, o universo é completo em seu todo infinito.  
Isto quer dizer que este corpo energético, inicia sua “construção” nos primórdios da manifestação do eu inteligente, e acompanhara o espirito para a eternidade, pois o mesmo nos diz que esse corpo acompanha o espirito em sua evolução eterna.
Mas infelizmente temos alguns espiritas que acreditam que o amor de alma gêmea, com a evolução do espirito na eternidade, se extingue, os mesmos estão conforme os nossos irmãos de catolicidade, quando lhes informamos que o inferno eterno não existe, pois se existisse. o paraíso seria uma utopia, como é que uma mãe que ama extremadamente seu filho, poderia se sentir no paraíso, enquanto este se requeima em trevas densas para toda a eternidade.  
E os mesmos nos respondem de que Deus apaga da mente dessa mãe, o amor que a mesma  sente pelo filho, então podemos concluir de que o amor não passa de uma utopia, mas o que é pior é que nós espiritas apreendemos que o amor é um atributo eterno que recebemos de Deus como herança divina.
Dois ou mais corpos de matéria não ocupam o mesmo lugar nos espaço, esta é uma lei da física, e muito lógica por sinal, e na formação do ser humano temos três corpos vibrando em condições diferenciadas, mas esses corpos não estão ocupando o mesmo espaço, mas se ajustam ocupando o vazio interno e externo dos átomos.  
É Impossível em experiências realizadas pela física ou pela química estar fundindo um elétron a outro, transformando-o em um único elétron. 
Entretanto como visto, nós temos três corpos aparentemente ocupando o mesmo lugar no espaço, espirito, períspirito, e matéria, e a esta aparente possibilidade, dizemos que isto acontece, por serem corpos de diferentes dimensões; será isto uma realidade?
Neste caso não. E isto a física também o demonstra, pois apreendemos em física o vazio interno do átomo individual e o vazio externo entre átomos, e a física nos informa que, a produção das indústrias siderúrgicas de um ano, se transformada em pasta nuclear, - em que os vazios dos átomos seriam eliminados, - caberiam na casca de um ovo, um edifício equivalente ao edifício Itália, se tornaria do tamanho de uma agulha de coser, o corpo humano, se transformaria em um bacilo, etc., isto dito apenas para que tenhamos uma ideia do vazio dos átomos.
Ainda conforme a física, uma barra de ferro que nos parece tão compacta, somente se permite aquecer devido o vazio dos átomos, a luz atravessa a vidraça, devido a este mesmo vazio etc.
Então somos levados a compreender que esses três corpos, vivendo vibrações dimensionais diferenciadas ocupam os vazios internos dos átomos, e os vazios externos entre átomos, não esta acontecendo a fusão desses três corpos em um único, como o supomos, pena que a física nos apresente estas informações maravilhosas, mas lhes falte a crença na imortalidade, e que perca quando os espiritas acordados para a luz da vida, se deixam quedar no campo da ortodoxia e desprezam essas informações maravilhosas.
Exercendo suas funções naturais, o períspirito (corpo energético), é um elo que une o espírito a matéria, entretanto, em casos extraordinários como nos fenômenos de materializações, o períspirito é o elemento fundamental que permite as manifestações dos mesmos.
O períspirito (corpo energético), é revestido da energia inerente ao mundo que o espírito habita, propiciando ao mesmo, condições de ordenar as células, na formação do corpo físico.
A analogia apresentada por Allan Kardec em o livro “A Gênese” , quando nos informa que o universo esta para Deus assim como nosso corpo esta para nosso espirito, se reveste de uma lógica e de uma racionalidade inconfundível, não é possível entender como é que alguns confrades ainda se confundem, e nos apresentam extrapolações tão equivocadas. 
No universo espaço-tempo encontramos partículas energéticas (corpúsculos atômicos), tais como: elétrons, prótons, nêutrons, neutrinos, mésons, fóton, quark, léptons, gráviton, glúon, bósons, tanto quanto, de anti-partículas, tais como: pósitron ou anti-elétron, anti-próton, anti-neutro, anti-neutrinos, anti-mesons, e infinitos outros, que nos escapam à percepção.
Mas o universo espaço-tempo, (infinito) é constituído de partículas que nos escapa a concepção, entretanto o espaço não é uma abstração, um vazio, um nada, e isto é a própria física quem nos informa, quando nos diz que um buraco negro acontece a partir da explosão e da implosão de uma estrela da categoria A ou B. 
Quando uma estrela de primeira magnitude explode, também implode, devido a força gravitacional intensa, pois a força gravitacional esta em relação a distância do quadrado da massa, e esta explosão provoca o rompimento do Espaço tempo(infinito), e então acontece o buraco negro, se o universo não fosse constituído de partículas, fosse uma abstração, um vazio, enfim, não fosse consistente, não teria como se romper. 
É no Universo espaço-tempo, que o espírito absoluto de Deus se manifesta, em seus atributos divinos de inteligência e amor, como fonte originária da vida.
Neste campo energético, é que acontece o universo matéria, propiciando na formação da nebulosa, o nascimento de mundos e sois, seres e criaturas.
 O Universo espaço-tempo (infinito), é que propicia campo de manifestação das ondas longas, médias e curtas, das ondas sonoras, ondas luminosas, como também, das quatro forças interagentes do mesmo, tais como: forças nucleares, eletromagnéticas, fracas e gravitacionais.
Não fosse o Universo espaço-tempo, constituído de partículas, energéticas, e não haveria campo para a difusão da luz, do som, do calor, da radiação cósmica, nem tampouco, da força gravitacional que ordena e equilibra a atração dos mundos e sois.
Podemos expandir essa analogia maravilhosa apresentada por Kardec e afirmarmos que Deus é a inteligência suprema e absoluta, a fonte de vida do universo, e que o infinito, (espaço tempo) é o corpo energético em que o Ser Supremo da vida manifesta a mesma, na sua expressão suprema e absoluta, na condição de matéria ou de energia, pois como já sabemos a substância de matéria e energia é única, matéria é energia em movimento, em aceleração, em velocidade; energia é matéria degradada.   
O micro reproduz o macro em sua manifestação, no que se refere ao princípio diretor, ao corpo energético, ou ao corpo matéria; não há um corpo qualquer que não seja dotado de um corpo energético.
No que se refere ao princípio diretor da forma, temos o princípio psíquico, a fazê-las fremer de vida, enquanto se demore nos reinos inferiores da natureza; no reino humanoide, o espírito, revestido do períspirito é o eu diretor, modelando e dando vida ao corpo material (espírito), a partir do momento em que este acontece, como resultante da maturação da substância, a partir do minério, como principio psíquico, acompanhando-o na caminhada que lhe esta reservada, na evolução anímica, é este corpo energético que permite ao psiquismo ou espírito, manifestar a evolução na matéria, pois o corpo de matéria tem evoluído desde os homens pré-históricos, e hoje as crianças já nascem prontas, só falta nascerem falando.
 Observando a evolução do mesmo, verificamos a evolução da forma ou dos corpos, acontecendo gradativamente, levando estes elementos ao aperfeiçoamento; sem um corpo energético, a associação do princípio inteligente com a matéria não aconteceria. 
Verificando no reino do minério, os corpos ditos inanimados, tanto quanto, as plantas, no reino vegetal, ou ainda os animais, nos apercebemos da presença deste corpo energético.
O casal Kirlian fotografou a aura das plantas; os anais da metapsíquica nos relatam casos em que se obtiveram fotografias do psiquismo (espírito) do animal, ao lado de seu dono, temos ainda relatos da materialização de animais nas reuniões de efeitos físicos ou materializações.
Fosse o períspirito, uma energia que reveste o espírito no ato da concepção, e com a morte estaria se dissolvendo, como acontece com o princípio vital, no entanto, o períspirito permanece associado ao espírito, depura-se e evolui com este.
Entendemos, no entanto, que o períspirito em sua essência é constituído de uma energia extremamente sutil e rarefeita, que se desenvolve e se demora em simbiose com o espírito, sofrendo, entretanto a adulteração de seus princípios, quando nós espíritos nos desarmonizamos com a lei divina, absorvemos as energias desarmônicas que se demoram no meio ambiente; é desta energia densa e pesada que o períspirito se libera, quando a acumula em excesso. 
Embora imaginemos que o espírito quando alcança a perfeição se libera do períspirito, não é verdade, pois a perfeição vai ao infinito, e, a lei da evolução determina que na maturação da substância, o psiquismo ou o espírito, volva ao princípio de origem, insuflando a matéria de vida, e, portanto, por mais perfeito seja o espírito, necessita intervir na vida, atuando na matéria, cooperando com o mecanismo da evolução.
É do fluido Universal, energético do Criador, que nosso corpo energético (períspirito) se origina ordenado por um princípio inteligente, um eu diretor e organizador da forma, o psiquismo ou espírito.
A doutrina espírita, como ciência que é, nos leva a buscar as explicações lógicas de todos os fenômenos, pois não existem mistérios, os mistérios não passam de ignotos por nós vividos diante do desconhecido; com o avanço da ciência, ruiu por terra o monumental edifício dos mistérios. 
Tudo é explicável, com a evolução do eu eterno em sua caminhada evolutiva, mas que benção, teremos sempre a oportunidade de saciar nossa insaciabilidade, pois a evolução vai ao infinito, na eternidade.

Sola