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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

LIBERDADE E ESCRAVIDÃO NO CONTEXTO DA DOUTRINA DOS ESPÍRITOS (Jorge Hessen)

 (Jorge Hessen)
http://aluznamente.com.br

Estima-se que existam no mundo entre 12 a 27 milhões de pessoas escravizadas nas diversas atividades da indústria, serviços urbanos, agricultura e nos calabouços da prostituição. “Andrew Forrest, o 4º homem mais rico da Austrália e 211º do mundo, segundo o ranking da revista Forbes, almeja erradicar a exploração do trabalho forçado do planeta. Em 2012, ele criou a ONG Walk Free, injetou nela 8 milhões de dólares, mais doze milhões em 2013, e aliou-se ao mais famoso dos neoabolicionistas, o americano Kevin Bales. O primeiro fruto da Walk Free é um mapeamento da exploração da mão-de-obra em 162 países do mundo”.(1)
Constatamos que Forrest (talvez ele nem saiba disso) movimenta-se sob os auspícios dos ideais que alguns ricos disseminaram na Europa no século XIX. À época instituíram metas solidárias(2) para a erradicação da escravatura na sociedade, e sob essa bandeira abolicionista vários países aderiram, inclusive o Brasil.
No entanto, os envelhecidos ideários abolicionistas não conseguiram erradicar a servidão da sociedade. O termo “escravidão” constitui prática social em que um homem assume direitos de propriedade sobre outro através do engenho  da barbaridade. Em algumas sociedades, desde os tempos mais remotos, os escravos eram legalmente definidos como uma mercadoria. A expressão “escravidão”, aqui pesquisada, tem significado peculiar, pois atualmente não se compra ou se vende pessoas como outrora. No entanto, é legítima a expressão escravidão para mencionar, por exemplo, as atuais relações de cidadania ante governos autoritários e de trabalho em que os trabalhadores são constrangidos a desempenhar uma atividade contra sua vontade, sob intimidação, agressão corporal e psicológica ou outras formas de barbaridades.
Portanto, podemos dizer que há escravidão nos países, notadamente os de “soberania popular volátil”, regados a regimes totalitários, onde não se admite livre expressão do pensamento. A liberdade de consciência é uma particularidade da civilização em seu mais adiantado estágio de desenvolvimento. Uma sociedade pacata para sustentar a estabilização, a conformidade e o conforto necessita constituir preceitos coerentes, lei e códigos legais portadores de medidas disciplinadoras.
Para a Doutrina dos Espíritos, os meios compõem os fins; não se pode aspirar ao amor, à justiça, à liberdade, operando por meios impetuosos, abomináveis, políticos e partidários violentos. Na questão 837, de O Livro dos Espíritos, Kardec indagou qual seria o resultado dos entraves à liberdade de consciência. E os Espíritos responderam: "Constrangimento dos homens a agir de maneira diversa ao seu modo de pensar, o que os tornaria hipócritas".(3) As doutrinas materialistas “são as grandes chagas da sociedade”.(4) Qualquer organização social “fundada sobre base materialista traria em si mesma os germes da dissolução e os seus membros se despedaçariam entre si como animais ferozes.”(5)
Há diversos tipos de cerceamento da liberdade (“escravidão contemporânea”), a exemplo das mulheres e meninas que são “arrebatadas” para a servidão dos empregos de ocupações domésticas ou de ajudantes de serviços gerais, além de ocorrerem, em várias partes do orbe, o tráfico de mulheres para o meretrício forçado.
Impossível permanecermos impassíveis frente à brutalidade e violência contra a liberdade humana em pleno século XXI. Sou apolítico por natureza, mas avaliando diariamente os noticiários nacionais e internacionais sobre a liberdade do cidadão, apesar de revelar uma aberração, identificamos que a escravidão, sobretudo ideológica e partidária, ainda acontece em diversas partes do mundo, mormente nos países unipartidários, a exemplo da República Popular da China, República de Cuba, República Socialista do Vietname, República Democrática Popular da Coreia, República Democrática Popular de Laos.
Sobre a escravidão através do tráfico de pessoas (principalmente mulheres e crianças), nenhum país do planeta está livre dessa desonra. O trabalho escravo contemporâneo pode ser tão ou mais cruel que sua versão histórica, pois suas vítimas oferecem-se voluntariamente ao serviço, iludidas por uma promessa de emprego.
Mergulhando doutrinariamente na essência do tema “Escravidão X Abolição”, somos convidados a compulsar a monumental obra literária espírita “Brasil Coração do Mundo Pátria do Evangelho”, a fim de deter-nos na elaboração da Abolição no Brasil, inicialmente articulada no Além-Túmulo, segundo certifica o Espírito Humberto de Campos.
O célebre poeta maranhense, “Conselheiro XX” da Academia Brasileira de Letras, expõe que a Princesa Isabel reencarnou compromissada com a libertação dos escravos na “Pátria do Cruzeiro”. Todavia, todo o curso do processo já vinha sido tracejado pelas equipes de Ismael, sob as ordens de Jesus, que buscavam administrar as animações republicanas e abolicionistas com elevada quietação e muita prudência, com o intento de impedir desordens.
“Disse o Mestre:
- Ismael, o sonho da liberdade de todos os cativos deverá concretizar-se agora, sem perda de tempo. Prepararás todos os corações, a fim de que as nuvens sanguinolentas não manchem o solo abençoado da região do Cruzeiro. Todos os emissários celestes deverão conjugar esforços nesse propósito e, em breve, teremos a emancipação de todos os que sofrem os duros trabalhos do cativeiro na terra bendita do Brasil.
Sob a anuência do Governador da Terra, Ismael deu início à tarefa de erradicar a escravidão no Brasil. Influenciado pelos responsáveis invisíveis da pátria, D. Pedro II foi apartado do trono nos albores de 1888. Desta forma, a Princesa Isabel, que já havia sancionado a Lei do Ventre Livre em 1871 - lei que garantia a liberdade aos filhos dos escravos - assumia a Regência. Sob a inspiração do Divino Galileu, a princesa escolhe o Senador João Alfredo para organizar o novo ministério, que seria formado por notáveis espíritos ali encarnados.
Em 13 de maio de 1888, os abolicionistas apresentam à regente a proposta de lei que Isabel, cercada de entidades angelicais e misericordiosas, sancionou sem hesitar. Nessa data, toda uma onda de claridades compassivas descia dos céus sobre as vastidões do norte e sul da Pátria do Evangelho. Ao Rio de Janeiro afluem multidões de seres invisíveis, que se associam às grandiosas solenidades da abolição. Junto ao espírito magnânimo da princesa, permanecia Ismael com a bênção da sua generosa e tocante alegria.
Enquanto se entoavam hosanas de amor no Grupo Ismael e a Princesa Imperial sentia, na sua grande alma, as comoções mais ternas e mais doces, os pobres e os sofredores, recebendo a generosa dádiva do céu, iam reunir-se, nas asas cariciosas do sono, aos seus companheiros da imensidade, levando às alturas o preito do seu reconhecimento a Jesus que, com a sua misericórdia infinita, lhes outorgara a carta de alforria, incorporando-se, para sempre, ao organismo social da pátria generosa dos seus sublimes ensinamentos.”(6)
Na “Pátria do Evangelho”, a escravatura foi abolida oficialmente em 13 de maio de 1888, porém, lamentavelmente, 107 anos após a “Lei Áurea” (1995) o governo brasileiro admitiu a existência de condições de trabalho análogas à escravidão do século XIX. Embora haja diversos acordos e tratados internacionais que abordam a questão do trabalho escravo, muitos trabalhadores ainda não recebem salários, assistência médica nem têm direitos trabalhistas. São vigiados por pistoleiros e proibidos de sair dos locais de trabalho forçado.
Para os espíritas, é totalmente “contrária à lei de Deus toda sujeição absoluta de um homem a outro homem. A escravidão é um abuso da força. Desaparece com o progresso, como gradativamente desaparecerão todos os abusos.  É contrária à Natureza a lei humana que consagra a escravidão, pois que assemelha o homem ao irracional e o degrada física e moralmente.”(7)

Referências bibliográficas:

(1) Disponível em <http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/bilionario-australiano-investe-no-fim-da-escravidao>, acessado em 15/01/2014;
(2) Consistentes teses acadêmicas comprovam que não foi e nem poderia ter sido por motivos econômicos;
(3) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, questão 837, RJ: Ed. FEB, 2006;
(4) Idem, questão 799;
(5) Idem, questão 148;
(6) Xavier, Francisco Cândido. Brasil, Coração do Mundo Pátria do Evangelho, ditado pelo espírito Humberto de Campos, RJ: ed. FEB, 2006;
(7) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, questão 829, RJ: Ed. FEB, 2006.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O Mecanismo da Evolução na Eternidade




Sabendo que tudo evolui na eternidade, inclusive a matéria, somos levados a concluir que Deus sendo a vida do universo, manifesta a mesma, na eternidade a partir da substância, plasma divino do Criador na condição de centelha divina.
Centelha esta que encerra em seu amago, um eterno vir a ser, isto é, esta centelha vai exteriorizar na eternidade os potenciais infinitos que guarda inserido em seu núcleo, e embora o ser evolua ao infinito na eternidade, nunca atingirá um ápice em sua evolução.
Mas embora este principio inteligente faça a sua evolução ao infinito, demorar-se á sempre num relativo, será apenas um ponto do universo observando outros pontos, em analogia nos demoramos tais quais os peixes e as algas no oceano; o oceano seria a substância plasma divino do Criador, os peixes seriam os seres resultantes da evolução anímica.
Embora o oceano seja limitado, não deixa de ser o universo em que a vida aquática se desenvolve, sem a massa aquática, este principio de vida não existiria, e a substância plasma divino do Criador é a energia que proporciona o desenvolvimento inteligente do ser, sem esta substância a vida no universo não existiria.
A evolução anímica inicia a sua caminhada rumo à individualidade, quando se matura na substância na condição de energia, e envolve a matéria no reino mineral, e a partir de então, este principio inteligente se transforma em um eu diretor da matéria, e a secundara em sua evolução na eternidade.
Importa porem entender, que a matéria nunca se transformara em espirito, isto digo, porque alguns espiritas que chegaram a este nível de raciocínio, tanto quanto, alguns ubaldistas acreditam que o espirito seja a resultante da evolução da matéria, na mutação porque passa de energia para matéria, de matéria para energia, e após haver a mesma vivido um processo bilenar, maturada na condição de energia, se transforma em psiquismo, ou um principio inteligente, e esta premissa não tem lógica.
Alguns estudiosos, havendo estudado A Grande Síntese, escrita por Sua Voz, através de Pietro Ubaldi interpretam as palavras do espirito amigo a letra, pois este amigo querido não explicitou com clareza a questão, provavelmente por haver superestimado a nossa capacidade de raciocínio, nos informou apenas que da substância vivendo as mutações infinitas de energia para matéria, de matéria para energia, é que o psiquismo inicia sua caminhada em busca da individualidade.
 E Sua Voz esta correto, havendo, entretanto deixado de explicitar que no núcleo da substância, em simbiose divina com o elemento que viverá a mutação de energia para matéria e vice versa, encontra-se a centelha divina do Criador, principio inteligente este que ele chama de psiquismo, porem este principio psíquico, ou centelha divina, já existia no núcleo da substância individualizado, não é a resultante da maturação do elemento matéria - energia.
Se nos demorarmos acreditando que o psiquismo, ou centelha divina, enfim o eu diretor da matéria, seja a resultante da maturação da substância após haver percorrido etapas bilenares, ora como matéria, ora como energia, estaremos antecipando o efeito à causa, pois é o psiquismo o eu inteligente que conduz a matéria em sua caminhada evolutiva na eternidade.
Lembramos, contudo, que o psiquismo, ou a centelha divina tampouco exterioriza a matéria, o psiquismo exterioriza sempre em sua evolução os elementos psíquicos, que se manifestam como energia, a ideoplastia mental, e embora o principio psíquico, ou centelha divina “espirito” e matéria se demorem em simbiose absoluta no universo, são dois momentos distintos de ser.
A matéria jamais se transformara em espirito, e o espirito, embora se demore em simbiose com a matéria na eternidade, será sempre o principio inteligente que proporcionara à matéria a possibilidade de evoluir, não existisse o principio psíquico, ou centelha divina, e a matéria não teria como assimilar as experienciações, ou vivenciações vividas em suas infinitas mutações, pois quem arquiva as experienciações em seu percurso na eternidade, é a centelha divina, eu diretor da matéria.
E como já sabemos, pois este tema sequencia outros por mim já elaborados, a matéria evolui na eternidade, assim como o espirito, isto parece estranho aos confrades presos a ortodoxia, e alguns alegam que Kardec não nos diz nada a esse respeito, será?
Encontramos em o livro dos espíritos questão 22 nosso mestre Allan Kardec apresentando ao espirito da verdade esta questão “Define-se geralmente a matéria como aquilo que tem extensão, pode impressionar os sentidos e é impenetrável. Essa definição é exata?”
-“Do vosso ponto de vista, sim, porque só falais daquilo que conheceis. Mas a matéria existe em estados que não percebeis. Ela pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil que não produza nenhuma impressão nos vossos sentidos: entretanto, será sempre matéria, embora não o seja para vós”. 
Nesta questão apresentada por Kardec ao espirito da verdade, obtemos uma resposta do mesmo, que se antecipa a física hodierna, informando-nos haver matéria em outra dimensão, antecipando-se mesmo a equação da relatividade de Einstein.
E hoje somos informados através da física de existir matéria em outra dimensão, pois a física nos diz que o elétron tem o peso atômico de 9,107x10-28 em gramas, e o diâmetro de 10-13 centímetro e se o elétron                                                                                 foi mensurado, isto quer dizer que o mesmo é matéria.
Mas os físicos foram mais longe em seus estudos e apreciações, informando-nos ainda de que o neutrino é cem vezes menor que o elétron, e embora não hajam mensurado ainda o quark, nos informam que este corpúsculo atômico, é a menor partícula da matéria.
E nós acreditamos existam partículas infinitesimais que nos escapam ainda a percepção, pois não podemos ignorar de que o espaço tempo, ou infinito, seja constituído de partículas, partículas estas que nos escapam a percepção e ainda estamos muito longe de mensura-las, e um fenômeno que nos leva a deduzir a lógica desta premissa é o buraco negro. 
É-nos informado pela astronomia ou pela astrofísica, que um buraco negro é a resultante da explosão de uma estrela da categoria A ou B, estas ciências nos relatam, que quando uma estrela dessa categoria explode, também implode pelo fato de a força gravitacional desses corpos serem imensuráveis.
Sabemos que a força gravitacional de um corpo, esta em relação ao quadrado da distância da massa, e por serem corpos colossais, a força gravitacional desses corpos é imensa.
Quando acontece a explosão parte da matéria se dispersa no espaço tempo, e a outra na implosão fere o espaço tempo e forma o buraco negro, e este fenômeno nos leva por uma questão lógica a conclusão de que o infinito é composto de partículas.
Fosse uma abstração, um vazio, um nada, como supúnhamos até alguns anos passados, e não ofereceria campo para ser rompido pela massa impulsionada pela força gravitacional, a lógica nos leva a deduzir que esse espaço tempo é formado por partículas infinitesimais, que é matéria em outras dimensões.
E como sei que aqueles confrades mais atentos a letra do que a essência, tentarão refutar esta premissa, alegando que Kardec nos fala de matéria em outra dimensão, mas não nos explicita que a matéria evolui, apresentarei uma mensagem de Santo Agostinho, inserida em “O Evangelho  Segundo o Espiritismo”, no capitulo três desta obra.
Embora eu já haja apresentado essa preciosidade, importa repeti-la, pois com certeza alguns confrades já a esqueceram, e alguns outros poderão não haver obtido essa informação, vejamos.
E corroborando esta afirmativa de Kardec, encontramos no Evangelho Segundo o Espiritismo, Na casa de meu pai há muitas moradas, com o subtítulo, Progressão dos mundos, uma mensagem de Santo Agostinho que confirma a evolução da matéria vejamos:  “Do mesmo passo que os seres viventes progridem moralmente, os planetas por eles habitados avançam materialmente. Quem pudesse seguir um mundo nas suas diversas fases, desde o instante em que se aglomeram os primeiros átomos constituintes, vê-lo-ia percorrer uma escala incessantemente progressiva, mas por graus insensíveis a cada geração, e oferecer aos vossos habitantes, um pouso agradável, a medida que avançam por si mesmos no caminho do progresso. Assim marcha paralelamente o progresso do homem e dos animais, seus auxiliares, o dos vegetais e o da habitação, pois nada permanece estacionado na natureza”.
Estas palavras se libertas da letra que nos asfixia a mente, tornando-a obliterada, nos permite pensar com maior amplitude, e nos é possível entender que matéria, ou energia, (substância) evoluem na eternidade, em uma simbiose sublime com o eu inteligente, mas o próprio texto que desenvolvo, vai de forma lógica explicitar a evolução da matéria, pois esta acompanhará a evolução do espirito, e mesmo quando não possamos conceber a evolução deste, a matéria em outra dimensão esta presente, formando habitats, ou equipamentos, enfim aparatos que propiciam a evolução do espirito na eternidade.
Esta premissa nos leva a meditar nas palavras de Jesus, quando nos afirmou que existem muitas moradas na casa do Pai, e esta realidade nos tem sido apresentada, pelos espíritos, principalmente por Andre Luiz, além dos infinitos mundos em que a vida se manifesta e se sustenta, temos ainda as colônias espirituais, e o que é mais interessante, observamos que quanto mais evoluído é o espírito, mais evoluído é seu habitat, fazendo uma retrospecção ao passado da humanidade e da terra, verificamos que não evoluiu apenas o homem (espírito), mas o planeta e todo o elemento de vida que nela habita, o mundo em que vivemos hoje desenvolveu uma infinidade de aparatos, no campo da tecnologia e da ciência, pois sem estes equipamentos, não teríamos campo para continuar nossa evolução, e quanto às muitas colônias que nos serve de morada passageira, até que nos recuperemos, outras como escolas abençoadas, somos informados por André Luiz, que quanto mais evoluídos são os espíritos, sentem maior necessidade de habitarem regiões mais evoluídas, e isto é um requisito da evolução.
Nosso Lar acolhe os necessitados, enfermos da alma, mas acolhe também espíritos que desejam trabalhar, e para propiciarem campo de trabalho e evolução a espíritos mais evoluídos, temos Alvorada Nova, e muitas outras, isto no que concerne a evolução dos espíritos que habitam a terra.
Isto lembro, para raciocinarmos na complexidade dos mundos em que habitam espíritos evoluídos cuja evolução, nos escapa a percepção de seu momento evolutivo, essa complexidade é necessária, pois o nosso campo de experiências, não responde mais ao momento evolutivo em que estes espíritos se demoram, em analogia nosso meio de evolução, esta para eles, como estaria para nós, o campo de evolução dos primatas, esta é só uma analogia, pois acredito que a distância seja infinitamente maior, e mais, este termo comparativo responde apenas como analogia  com os espíritos que estejam apenas alguns bilenios
a frente  na caminhada eterna, pois a evolução vai ao infinito na eternidade, e é natural que o mundo em que vivamos, esgote em um determinado momento da evolução o campo que nos possibilita evoluir, quando isto acontece, este mundo cumpriu a sua finalidade perante a vida,- e temos alguns homens profetizando o fim do mundo, entretanto a terra não cumpriu ainda a sua finalidade, vai demorar ainda muito tempo para decompor-se, então temos que partir para outros mundos, ou seja uma outra região que nos ofereça novos conhecimentos, uma região que nos propicie continuar nossa evolução, apresentando-nos novos fenômenos, pois depois de um período de vivenciação em um determinado mundo, haveremos dissecado todos os conhecimentos, todos os fenômenos referentes a este mundo, e as experiências sequenciais tornar-se iam repetitivas.
Entretanto importa lembrar que para que esgotemos as experiências e fenômenos ignotos que a terra nos reserva no campo da evolução, para que hajamos esgotado os fenômenos que a mesma nos reserva, consumiremos uma infinidade de séculos, isto se a terra não fizesse sua evolução.
Mas como sabemos que tudo evolui inclusive a matéria, e como já vimos que a evolução desta vai ao infinito na eternidade, lembrando-nos ainda de que nada morre, tudo se modifica e se transforma, informamos de que a terra jamais morrera.
Somos informados por Allan Kardec de a terra tem uma alma, isto dito quero lembrar que Kardec não quis dizer que a terra tem um espirito, mas um principio psíquico, psiquismo este que envolve a matéria, insuflando-a com seus infinitos fenômenos inteligentes, pois sem este psiquismo, a matéria do planeta seria inerte, não ofereceria correspondência a vida.
Este psiquismo, ou alma da terra é revestido por um corpo energético, possibilitando desta forma, as células e as moléculas se aglutinem e formem o corpo solido e gasoso do planeta, apresentando a vida campo para a manifestação.
Então a lógica nos leva a concluir de que, quando um mundo símile a terra se desintegra, esta decomposição acontece apenas com a matéria, mas o psiquismo e o corpo energético continuam preexistindo, e evoluindo mesmo, e não podemos nos esquecer de que o corpo energético da terra é matéria em outra dimensão.
Nosso bom senso lógico, e nossa racionalidade, embora ainda embrionários, nos diz de que ao haver Jesus e seus assessores divinos, elaborado o psíquico da terra, não estiveram elaborando uma obra tão complexa, para num determinado momento se extinguir, morrer.
Algum confrade me dirá, mas este psiquismo tampouco ira morrer, assim como a matéria ao desintegrar-se devolve sua essência ao laboratório da vida, o mesmo acontece com o psiquismo, naturalmente em forma de energia mais rarefeita.
Importa lembrar, contudo que a constituição do corpo material da terra, não encerra a mesma complexidade que o corpo psíquico, pois é este que dá vida, que possibilita a definição característica da forma, é este que responde a vida infinita que se manifestara na terra em seus mais variados aspectos.
E acreditarmos que esse psíquico ou alma da terra, faça sua evolução na eternidade, evoluindo sempre e servindo de habitat a espíritos infinitamente evoluídos, é racional e lógico, pois se a matéria evolui na eternidade, e se o psiquismo da terra encerra uma complexidade sublime, somos levados pela lógica a crer que a terra em sua condição psíquica revestida de matéria em outra dimensão, vai evoluir na eternidade e servirá de morada aos espíritos em sua caminhada eterna.     
 A terra, é um micro universo, é um mundo laboratório, desenvolvem-se nela quatro momentos diferenciados de vida do universo através da evolução anímica, no reino mineral, a vida psíquica ainda dormita, no vegetal este principio inteligente, que não é outra coisa que não a centelha divina de Deus, conforme nos informa Kardec, começa a sonhar no reino animal, este principio inteligente agita-se, para despertar no homem e seguir sua trajetória eterna, na evolução que lhe esta reservada ao infinito na eternidade.
Mas esses quatro momentos diferenciados de vidas, não se desenvolvem sequencialmente no planeta, nós que vivemos como humanoides na terra, não fomos sequer animais neste mundo, a mutação do ser, na passagem de um reino para outro, consome bilenios, e a terra tem apenas quatro bilhões de anos, quem não entender a pluralidade dos mundos habitados, não encontrará condições para entender esta realidade divina.
 A terra desempenha a função de um micro universo, em que a vida se desenvolve nas infinitas modalidades de ser, evidentemente tendo outros mundos que se lhe associam, e para explicitar melhor, lembro que a vida é a resultante de um trabalho realizado pela evolução, em que a centelha divina estagiou por bilenios em outros mundos, antes de aportar em nosso planeta como humanoide (espirito), e cada um desses mundos que o principio inteligente percorreu para acordar na terra como um ser inteligente e racional, em analogia representa uma sala de um imenso laboratório e a terra é a sala que apresenta ao produto o acabamento de uma obra, pois o homem é a obra prima do Criador  o que deixa evidente que a mesma, não é apenas um enorme corpo ciclópico constituído de matéria.
Os elementos que estagiam na terra, vivendo no reino do minério, vegetal, e animal, estarão fazendo sua evolução em outros mundos, sequer os animais da terra irão viver a mutação de animais para humanoides aqui no planeta, pois essa transição só acontece dos animais para os primatas, os homens das cavernas, como eram os homens da terra em seu inicio, não acontece a passagem do reino animal, para o homem racional, qual nos demoramos no momento evolutivo da terra, a evolução não dá saltos, se faz ininterrupta, mas precisa, completa, sem deixar lacunas.   
No todo do universo a matéria estará sempre revestindo um principio inteligente, e a terra na sua constituição matéria, reveste um principio inteligente, lógico que não se trata de uma inteligência individualizada como o é a do espirito eterno, mas é um principio inteligente que manifesta forças das mais variadas possíveis, forças estas, ou energias, que propiciam que a vida no seu aspecto multiforme se desenvolva, no dizer de Kardec é a alma da terra, ou no dizer de Sua Voz, o principio psíquico.
Só é possível a manifestação e o desenvolvimento da vida na terra, por possuir esta um principio psíquico, pois o psiquismo das multiformes manifestações de vida que se desenvolvem na terra, trazem um psiquismo, uma centelha divina , enfim um principio inteligente , um eu diretor da matéria, e este principio inteligente, este principio psíquico, só poderá encontrar reciprocidade, isto é campo para o desenvolvimento e para a evolução, através do psiquismo, ou da alma da terra.
Uma matéria inerte, desprovida de um principio psíquico, não responde ao psiquismo, a centelha divina, ou ao espirito, e para justificarmos esta informação, lembramos de que nenhum espirito, pode se comunicar por intermédio de um cadáver, independente da faculdade mediúnica que o individuo haja possuído quando encarnado.
Alguns confrades estarão tentando refutar-me, afirmando-me de que, temos os fenômenos de transcomunicações, fenômenos estes em que os espíritos se comunicam através de computadores, rádios, televisão, telefones, e outros, e não necessitam de médiuns para se comunicarem, entretanto, isto não é verdade.
Contamos com varias experiências sendo realizadas neste sentido, todas elas se utilizam do mesmo processo, o principio de analises e de pesquisas é o mesmo, entretanto apenas alguns conseguem êxito, e eu entendo de que se utilizando de um mesmo processo, todos deveriam obter estes fenômenos, pois se houvessem se equivocado em uma ou duas experiências, corrigiriam estes equívocos e obteriam êxito.
Mas isto não acontece, e não acontece porque nem todos os experimentadores possuem a faculdade de efeitos físicos, faculdade esta que possibilita aos espíritos manipularem a matéria, e para que esses fenômenos aconteçam é necessária à doação do ectoplasma, ou ectoplasmia conforme a parapsicologia, ainda que a doação desta energia seja uma parcela menor do que a apresentada em um fenômeno de materialização.
Conclusão, o psiquismo, a centelha divina, ou o espirito, só encontram campo de reciprocidade que lhes permita atuar, e desenvolver-se, através do principio inteligente, principio este que manifeste a vida, pois todos os elementos do universo necessitam de sintonia vibracional, isto é, de reciprocidade para se comunicarem, e se a um espirito não é possível comunicar-se através da matéria inerte, lhe é possível comunicar-se através de outro espirito, conforme nos informa André Luiz.
Após havermos compreendido que a evolução vai ai infinito na eternidade, e que tudo evolui, inclusive a matéria, é natural deduzamos que a matéria que acompanha o espirito em sua evolução eterna, em seu evoluir se torne mais sutil, mais rarefeita, para atender as necessidades evolutivas do espirito, pois quanto mais evoluído for este, mais rarefeito, mais sutil, será seu corpo energético, ou períspirito, o mesmo necessita de matéria em outra dimensão, pois lhe é impossível manipular uma matéria mais densa.
E uma vez que nos foi possível compreender que o mecanismo da evolução, é ininterrupto, inevitável, e que tudo na vida do universo evolui na eternidade, lembremo-nos de que nós somos deuses, somos a imagem e semelhança de Deus, não semelhança física, antropomórfica, mas semelhança, virtual, psíquica, pois herdamos de Deus seus atributos divinos, atributos estes que são infinitos, mas que no momento evolutivo em que nos demoramos, temos a percepção elementar de alguns deles, tais como o amor, a inteligência, o sexo, a eternidade, a imortalidade, e a insaciabilidade.
 Mas estaremos a verificar outro, e este nos propiciara a oportunidade de estarmos maturando nossas potenciações e então descobriremos infinitos outros atributos que herdamos do Ser Supremo do universo, e este atributo é maravilhoso, pois encerra todos os demais em seu núcleo, é o eterno vir a ser, pois este é um atributo divino que herdamos de Deus.
Ao conceber-nos a vida, Deus nos deu tudo o de que necessitamos na eternidade, trazemos no núcleo da alma, em nosso inconsciente puro como um eterno vir a ser, os elementos infinitos que o espirito estará maturando na eternidade, e para valorizar nosso empenho, respeita-nos as decisões, facultando-nos com o livre arbítrio, ofertando-nos a opção de escolher nosso momento de evoluir, não somos coagidos a em momento algum a fazer a nossa evolução.
Entretanto o mecanismo da evolução, através da eternidade, nos matura as potenciações em latência, e não importa os caminhos que escolhamos, quando nos demoramos ainda presos a matéria, envoltos pelas paixões torpes, e pelas vicissitudes, transgredimos a Lei Divina, esta transgressão nos provoca dores e sofrimentos, e embora não nos apercebamos, estamos evoluindo.
Quando suplantamos a matéria, nos harmonizamos com a harmonia que se manifesta de Deus na vida, vivemos conforme a Lei Divina e continuamos a evoluir, então cientes do que queremos, pois queremos o melhor para nós e para a vida, e e então podemos optar pela escolha dos caminhos que nos conduzirão na evolução que nos esta reservada na eternidade, e escolheremos caminhos suaves, caminhos que nos apresentarão meios para que façamos essa evolução, entretanto sem dores ou angustias.
E informo que o eterno vir a ser é um atributo de Deus, pois nós vamos evoluir eternamente, e esta potenciação que trazemos em nosso inconsciente puro é infinito na eternidade, não se esgotara jamais, encontraremos eternamente ignotos, ignotos estes que se exteriorizando, vão através das vivenciações infinitas se tornar contumaz em nossas vidas, mas nossos espíritos na eternidade serão sempre eternos neófitos.
E nós sabemos que Deus manifesta a vida, a partir da maturação da substância, plasma divino do Criador, quando esta, vivendo a mutação de energia para matéria, de matéria para energia por bilenios infinitos, matura-se na condição de energia, e então a centelha divina inicia a sua caminhada rumo à individualidade, conforme retro informado.
E o protótipo da vida é único, embora se manifeste na vida em múltiplas modalidades de ser, a vida se desenvolverá a partir da maturação da substância, percorrendo etapas bilenares no campo da evolução anímica, e após haver atingido a condição de espíritos “perfeitos”, suplantam a matéria, e seguem sua evolução na eternidade, então plenamente individualizados.
E importa lembrar, que a partir do momento em que a centelha divina inicia sua individualidade, não retorna jamais a fonte de origem, não acontece o que nos informam alguns setores do budismo, quando nos apresentam o panteísmo, pois esta premissa nos diz que quando atingimos a evolução voltamos a fazer parte de Deus, e perdemos a nossa individualidade, acreditar nesta possibilidade, seria o mesmo que acreditar na morte do espirito.
Esta premissa nos leva a concluir que Deus é fonte inesgotável da vida, pois a criação é ininterrupta no universo, a todo o instante Deus se demora manifestando a vida em sua condição embrionária, na maturação da substância, e como visto a vida inteligente, o espirito, tanto quanto, a matéria, não volvem jamais as condições de principio, tudo evolui na eternidade, nada na vida do universo volve a seu momento de origem.
Deus é a vida do universo, e se demora na eternidade e para a eternidade manifestando a vida, é absoluto, isto é, a vida na eternidade esta contida em Deus, no universo nada se soma ou nada se subtrai, o mesmo é completo, somar-se ao universo o que, e de onde? E subtrair-se algo ao universo, significa subtrair uma essência, um atributo de Deus, e isto seria impossível.
A vida inicia sua caminhada conforme já visto, a partir da maturação da substância, em que o psiquismo acontece, o quer dizer que esta vida já existia em Deus na eternidade, embora se demorasse em estado de latência, e através da evolução anímica inicia sua caminhada em busca da individualidade, maturando as potenciações que encerra no núcleo da alma, como um eterno vir a ser.
E embora expandindo nossas potenciações ao infinito na eternidade, estamos e estaremos eternamente contidos em Deus, seremos as centelhas divinas do Criador, então individualizadas, mas não dissociadas da fonte eterna da vida, pois se houvesse a possibilidade dessa dissociação, seria a morte do espirito.
Através desta breve síntese, somos levados pela lógica e pela racionalidade, a concluir que Deus é a fonte inexorável da vida na eternidade, e que vidas derivadas dessa suprema Vida, somos herdeiros de seus Atributos Divinos, sendo que dentre infinitos outros, este, o de encerrarmos no núcleo de nosso espirito, um eterno vir a ser, pois esta vida que nos esta reservada na eternidade vai evoluir ininterruptamente, e esta nossa evolução só nos é possível, porque a vida do universo é completa, absoluta, inesgotável.
É Deus na eternidade.
                                         Sola 
 
        


  





terça-feira, 14 de janeiro de 2014

PASSES COM JESUS: SIM; MAS COM ARROTOS, NÃO!

Nota de esclarecimento: 
“O artigo abaixo trata-se do exercício natural do direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. Não me compete censurar opiniões, ainda mesmo que eu, Jorge Hessen, não defenda pessoalmente as concepções de Pietro Ubaldi. 
Assim, deixamos aos leitores do meu blog em O Rebate o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere a seguir, pois o mesmo direito que tem o articulista de argumentar , temos todos o mesmo direito de refutar , de aceitar, ou não, os seus argumentos.” 



Fernando Rosemberg Patrocínio
  fernandorpatrocinio.blogspot.com.br


Oportuníssimo texto doutrinário: “Peripécias e Eficácias do Passe nos Centros Espíritas”, assinado pelo amigo do coração: Jorge Hessen.

No tocante ao arroto, esta questão é antiga e de profundo mau gosto. Um amigo meu, que se dizia espírita, promovia freqüentes arrotos durante os passes que aplicava. De tanto lhe chamarem a atenção, por fim, desistira de tal. E o fato é que por aqui, em Uberaba/MG, em um grande e muito movimentado Centro Espírita, parentes muito próximos a mim, me garantem que os arrotos ali é uma prática normal no decurso do passe. Fui conferir, e constatei a verdade. Em respeito às normas da casa, me calei. E, é bem possível que seus médiuns desconheçam que o mesmo seja desnecessário; além de passar uma má impressão aos seus freqüentadores que ali se localizam para um alívio, um socorro, ao corpo ou ao Espírito, das tantas dores e dificuldades deste mundo provacional.

O arroto, pois, me parece uma prática não recomendável, bem como não autorizada, ao que eu saiba, por nenhuma obra que se diga ou que se possa conceituá-la como sendo legitimamente espírita, e, portanto, tal prática do arroto é desaconselhável, e penso seja perpetrada por médiuns-trabalhadores de boa vontade, porém, sem o devido estudo de obras sérias e aprovadas pelo meio doutrinário espírita, e que, por tão aberrante procedimento, estão revelando, bem como aconselhando aos jovens espiritistas de amanhã, e aos mais diversos freqüentadores do Centro, uma prática que, além de ser desnecessária, é deselegante, deseducada, grosseira, e, doutrinariamente, não recomendável.

Ora, não há coisa mais respeitosa, e digna de aplausos, por sua nobre e exemplar atividade cristã, do que adentrarmos uma casa espírita de passes; casa bastante singela, mas muito organizada, limpa e asseada, sujeita que está aos mais diversos cuidados dos seus tarefeiros: espiritistas-cristãos.

Nela, seus humildes e atenciosos médiuns, receptivos à mensagem consoladora do Mestre Nazareno, nos recebem de braços abertos, tão amáveis e absolutamente prontos a nos ouvir e a nos compreender. Tais médiuns, a meu ver, estão disseminando as bênçãos do Cristianismo Redivivo; estão divulgando as virtudes de uma Espiritualidade Benfazeja, curativa do corpo e da Alma, nos amenizando as milenares feridas provacionais; estão disseminando, portanto, que não estamos sós e abandonados, e sim, cercados de almas amigas, simpatizantes, familiares que já partiram em cumprimento aos ditames de sua missão, da Vida Maior que, na hora certa, lhe reclamara a presença noutro espaço dimensional, e que, portanto, não morreram, mas estão bem vivos e atuantes com a Medicina da Alma, e do veículo somático também.

E, portanto, como compreender, que uma reunião de tantos predicados e tão excelentes virtudes, possa, de quando em vez, e, às vezes, repetidamente, permitir que alguns de seus membros venham a emitir grosseiros e estrondosos arrotos como se estivéssemos ao meio de uma burlesca refeição, de uma mesa cercada de seres abrutalhados e prontos para qualquer coisa, menos o de agradecer a Deus pela dádiva recebida?

Ora, o arroto barulhento, além de grosseiro e deselegante é incompatível com uma associação espiritista, onde elementos dos dois planos estão munidos das mais sagradas disposições axiológicas, éticas e cristãs, sendo descabido a ela – como digna associação espiritista que é - procedimentos alheios a princípios de caridade, de respeito e amor ao semelhante carente, e nalgumas vezes, só e abandonado.

Passes com Jesus: Sim; mas com arrotos: Não!


domingo, 12 de janeiro de 2014

O DESPERTAR VOLITIVO NO HOMEM

Nota de esclarecimento: 
“O artigo abaixo trata-se do exercício natural do direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. Não me compete censurar opiniões, ainda mesmo que eu, Jorge Hessen, não defenda pessoalmente as concepções de Pietro Ubaldi. 
Assim, deixamos aos leitores do meu blog em O Rebate o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere a seguir, pois o mesmo direito que tem o articulista de argumentar , temos todos o mesmo direito de refutar , de aceitar, ou não, os seus argumentos.” 


Fernando Rosemberg Patrocinio
f.rosemberg.p@gmail.com
fernandorpatrocinio.blogspot.com.br

Quais as principais Potências da Alma, ou, do Espírito imortal em nós mesmos, Seres evolutivos que se despertam do longo sono do mundo, da ignorância, da ilusão da vida sensualista e exclusivamente material? Podemos conhecer tais Potências? Podemos estudá-las, esquadrinhá-las? Mas qual o motivo e a utilidade prática de se conhecê-las? Digo que tal se objetiva colocá-las a nosso favor, a nosso benefício e de nosso irmão, que nem sempre as utiliza corretamente, perdendo-se, alguns, nas garras do vício que não só lhe destrói o cérebro, a vida como um todo, e o mais importante de si mesmo, degradando-lhe: seu Espírito imortal.

Neste aspecto, de tão negras perspectivas, o consumo das drogas persiste crescendo, sobretudo em nosso país. Dias atrás, um especialista informava que de cada dez internados para livrar-se do vício da droga, sete retornavam à mesma, não conseguindo dela apartar-se. Mas o que lhes faltara? Apoio dos familiares? Da sociedade? Ou fora a falta de Vontade, de Querer libertar-se do vício, que lhe degrada? Ou, quem sabe ainda, falta de Fé em tal empreendimento, se beneficiando da liberdade, de não mais ser um seu escravo, e sim, senhor? Capacidade, todos nós temos para libertar-se das amarras do Mundo, bastando que reúna Força de Vontade e Firmeza de Caráter, nos predispondo à vitória, à alegria de constatarmos que somos superiores aos alucinantes infernais.

Entretanto, os vícios humanos não são só tais; os vícios humanos são também os defeitos da Alma, tais como os da preguiça, da sensualidade, da desonestidade, do orgulho de achar-se melhor que tudo e todos, do egoísmo de pensar em si somente, menosprezando os demais. Portanto, a complexidade do problema é maior do que se supõe, e a solução para ele todos já sabem, já ouviram falar, mas muitos, por ignorância, ou fraqueza de caráter se recusam, não reconhecendo os benéficos efeitos da Religião Pura, do Evangelho de Jesus.

Assim, pois, o Evangelho desponta-se como definitiva solução, pois não descuida da educação do Homem, da Alma, do Espírito Imorredouro e responsável por tudo quanto faz a si mesmo e a outrem; por tal conhecimento, observa-se que o Espírito não é um epifenômeno do campo cerebral, pelo contrário, tal campo, e o corpo organizado como um todo, é que são produtos do Espírito, pois que foram plasmados, dirigidos e orquestrados por aquele outro desde suas mínimas porções celulares, sendo o Espírito, pois, de Natureza e Potencialidade Superior, porque Transcende e Sobrevive à matéria; dirige-lhe e governa-lhe desde ontem; ou melhor: desde que o Mundo é Mundo, sendo ele, pois, a fonte de tudo, de mim, de você, de nós todos, detentores de corpos humanamente organizados, mas corpos sujeitos à morte fatal.

E quais são, além das Possibilidades e Potências já citadas, quais são as demais faculdades do Espírito imortal? Trata-se, genesicamente, de três potencialidades: do Pensamento, do Sentimento e da Vontade, aliando-se a outras que surgiram e se reforçaram a posteriori (Razão, Livre-Arbítrio, Consciência, e etc), e que com tais interagem nos processos mentais, sendo aquelas, por conseguinte, as bases do Espírito, constituindo-lhe uma Tríade de Potências Mentais. Segundo André Luiz (1), a energia ou porção (partícula) minimizada do Pensamento:

“..., embora viva e poderosa na composição em que se derrama do Espírito que a produz, é igualmente passiva perante o Sentimento que lhe dá forma e natureza para o bem ou para o mal, convertendo-se, por acumulação, em fluido gravitante ou libertador, ácido ou balsâmico, doce ou amargo, alimentício ou esgotante, vivificador ou mortífero, segundo a força do Sentimento que o tipifica e configura, nomeável, à falta de terminologia equivalente, como ‘raio da emoção’ ou ‘raio do desejo’, força essa que lhe opera a diferenciação de massa e trajeto, impacto e estrutura”.


Sendo o Pensamento, pois, como Força Mental e como Ato de Pensar, uma energia neutra relativamente aos Valores Afetivos; o que não se verifica, pois, com o Sentimento, que dá tonalidade diversa a tal energia, tipificando-lhe para o bem ou para o mal, operando-lhe notável diferenciação consoante os Desejos e os Sentimentos de quem lhe produz. 

Assim, o Pensamento é a Linguagem do Espírito; e as imagens que resultam de nossas idéias estão revestidas do nosso bom ou nefasto Sentimento, expressando nossas disposições mais íntimas por intermédio de palavras e atitudes diversas do nosso comportamento. E é justamente aí que entra a Potência Volitiva, ou seja: da Vontade: como elemento de controle, de direção, após análises da Razão e do Livre-Arbítrio. 

De retorno, pois, ao tema inicialmente citado, nós, como Espíritos imortais, dotados de Inteligência, de Sentimento e de Vontade, auxiliados pela Razão e pela Liberdade, já em suas fases humanas mais adiantadas, temos a Capacidade de dominar, e de abolir de vez, nossos vícios e defeitos diversos, pois que somos Potências superiores a tais; bastando, pois, de nós mesmos, a Vontade firme, o Querer, o termos Fé em nossos atos e, porque não, Fé em Deus, que depositara tantas Potências em nosso Espírito no ato da Criação, bastando a nós desenvolvê-las e colocá-las a nosso favor com o Ato do Querer: Ato Soberano da Soberana Vontade. 

Para finalizar, uma proposta interessante, ainda, é a contida na obra central do Pentateuco Kardequiano (2), que assim se nos dirige acerca da Fé em Deus e da Fé em nós próprios:

“... se todas as criaturas encarnadas estivessem suficientemente persuadidas da Força que trazem consigo, e se quisessem colocar a sua Vontade a serviço dessa Força, seriam capazes de realizar o que até hoje chamais de prodígios, e que é simplesmente o desenvolvimento das faculdades humanas”.

Certamente que tão resumido texto não encerra tudo acerca das Potencialidades da Alma humana, e, de sua Capacidade Volitiva na solução de seus inúmeros problemas, vícios e defeitos; mas não deixa de chamar a atenção daqueles que se importam consigo mesmo, com o seu próximo que, afinal, é seu irmão, e que, se ouvi-lo, quem sabe não contabilizemos para Jesus, mais uma ovelha desgarrada que retorna pela ajuda de outrem, mas também por Vontade Própria, e, por Evolução, ao seu divino rebanho.

Obras Citadas:

(1) – “Evolução Em Dois Mundos” – André Luiz – Feb; 
(2) – “O Evangelho Segundo o Espiritismo” – A. Kardec – Feb.



sábado, 11 de janeiro de 2014

PERIPÉCIAS E EFICÁCIAS DO “PASSE” NOS CENTROS ESPÍRITAS (Jorge Hessen)

http://aluznamente.com.br

Ainda muito jovem fomos convidados para “receber” um “passezinho” no centro espírita. Após ouvir a palestra, adentramos na sala de passes , postamo-nos diante do passista e, de modo repentino, o passista deu início a estrondosos e arrepiantes “ARROTOS” na sala. Procuramos consultar o que estava ocorrendo e fomos informados, pasmem! Que o ARROTO era um tratamento de “dispersão” fluídica concentrada no ambiente.  Naquela época não professávamos o Espiritismo, obviamente ficamos muito indignados. 
Os anos advieram, estudamos  as obras de Allan Kardec , adotamos a proposta da Doutrina dos Espíritos como ideal de vida, contudo, tragicamente ainda hoje temos informações sobre “técnicas” terapêuticas curiosíssimas, realizadas em algumas casas “espíritas”. Atualmente existem instituições que oferecem sessões de passes para todos os gostos e interesses, a exemplo do passe “normal” aplicado obrigatoriamente  após as palestras públicas, normalmente destinado aos famosos papa-passes; do passe “forte” (com direito a arremedos de exorcismos de obsessores na presença do obsedado); do passe “ultra forte” do tipo CURA TUDO  (destinado a enfermos graves, obsedados, psicóticos etc., com direito a acorrentamento de obsessores e até "engarrafamento e enrolhamento” dos algozes das trevas); do passe "virtual", VIRTUAL (!? hummm...) etc. Seria caricata se não fosse patética tal ocorrência.
Há os que “transmitem” passes através de gestos desabridos, malabarismos manuais, choques bizarros com tremeliques corporais, estalos de dedos, cantos peculiares, e ainda os famigerados ARROTOS, isso mesmo! ARROTOS...! Há passistas que incorporam “entidades” durante o passe, esquecidos de que não se deve aplicar passe mediunizado porque não é prática espírita. Não há necessidade de incorporação mediúnica nas sessões de passe. O passista pode até agir sob a influência da entidade, mas não carece verbalizar, aconselhar ou transmitir mensagens outras concomitantes ao passe. É contraproducente!  O assunto é recorrente, mas não há como ignorá-lo, até porque a aplicação do passe magnético não comporta atitudes imprudentes, nem admite desatino nas suas expressões. Exige, sim, um estudo contínuo dos seus mecanismos, sobretudo quanto à necessidade de sua aplicação.
Conhecemos médiuns que só aplicam passes com roupas brancas, ou debaixo de pirâmides metalizadas. Há os que terceirizam para o além o passe através das viagens astrais (através das  milagrosas apometrias), e mais uma infinidade de métodos, para todos os (des)gostos. Isso, sem deixar de citar que  aplica-se passes magnéticos nas paredes dos centros espíritas para "descontaminá-las" das energias negativas.  
Afastando-nos dessas peripécias passistas, analisemos efetivamente o significado do tema na instituição espírita. Vimos que existem inúmeras práticas não compatíveis com a sã Doutrina Espírita que urge sejam arguidas à exaustão, nas bases da compostura cristã, sem nenhuma  pecha  de intolerância , obviamente. Até porque a verdadeira prática Espírita é a expressão da moral cristã, consubstanciada no Evangelho do Cristo. 
O bom emprego do passe não admite qualquer expediente espetaculoso. As encenações preparatórias – “mãos erguidas ao alto e abertas, para suposta captação de fluidos pelo passista, mãos abertas sobre os joelhos, pelo paciente, para melhor assimilação fluídica, braços e pernas descruzados para não impedir a livre passagem dos fluidos, e assim por diante – só servem para ridicularizar o passe, o passista e o paciente. A formação das chamadas “correntes” mediúnicas, com o ajuntamento de médiuns em torno do paciente, “as ‘correntes’ de mãos dadas ou de dedos se tocando sobre a mesa – condenadas por Kardec – nada mais são do que resíduos do mesmerismo do século XIX, inúteis, supersticiosos e ridicularizantes.”(1)
O passe deverá sempre ser ministrado de modo silencioso, com naturalidade. Os espíritas não são proibidos de nada, todavia práticas alucinadas são inaceitáveis.  A propósito do legítimo passe,“assim como a transfusão de sangue representa uma renovação das forças físicas, o passe é uma transfusão de energias psíquicas, com a diferença de que os recursos orgânicos (físicos) são retirados de um reservatório limitado, e os elementos psíquicos o são do reservatório ilimitado das forças espirituais.” – explica o Espírito Emmanuel.(2) Recordemos que Jesus utilizou o passe "impondo as mãos" sobre os enfermos e os perturbados espiritualmente para beneficiá-los. E ensinou essa prática aos seus discípulos e apóstolos, que também a empregaram largamente. Entretanto, é nas hostes espíritas que o passe é melhor compreendido, mais largamente difundido e utilizado.
O Evangelista Mateus numa das suas narrativas assegura que "Jesus, estendendo a mão , tocou-lhe dizendo: Quero, fica limpo! E imediatamente ele ficou limpo de sua lepra".(3)  Mas o que é efetivamente o passe? “É uma transfusão de energias, capaz de alterar o campo celular.” (4)Na definição do “Aurélio”, o passe seria o “ato de passar as mãos repetidamente ante os olhos de uma pessoa para magnetizá-la, ou sobre uma parte doente de uma pessoa para curá-la.”(5) No Pentateuco mosaico  localizamos o seguinte evento:  "Josué, filho de Num estava cheio do espírito de sabedoria, porquanto Moisés havia posto sobre ele suas mãos : assim os filhos de Israel lhe deram ouvidos, e fizeram como o Senhor ordenara a Moisés.”(6) 
Sabemos que "é muito comum a faculdade de curar pela influência fluídica e pode desenvolver-se por meio do exercício.” (7)Mas cabe esclarecer que o passe e imposição de mãos não são a mesma coisa. Tem-se a imposição de mãos como apenas um método, mas naturalmente  uma pessoa desprovida  dos braços pode fornecer  um passe pela força do desejo e pelo auxílio dos Espíritos. O fluxo magnético se sustenta e se arremessa à custa da vontade tanto do passista quanto de seres desencarnadas que o acodem na conciliação dos fluídos. 
O evangelista Marcos descreve  sobre um dos  chefes da sinagoga, “chamado Jairo que logo após avistar a Jesus, lançou-se-lhe aos pés. E lhe rogava com instância, dizendo: Minha filhinha está nas últimas; rogo-te que venhas e lhe imponhas as mãos  para que sare e viva.”(8)  Na obra Mecanismos da Mediunidade, André Luiz explana que “o passe, como gênero de auxilio, invariavelmente aplicado sem qualquer contraindicação, é sempre valioso no tratamento devido aos enfermos de toda classe”(9)
Em suma, não é demasiado recordar  que o exercício das práticas espíritas sem a devida base moral será, fatalmente, uma incursão invariável no mundo da inadvertência e, consequentemente, nas teias das ESCURIDÕES TRANSCENDENTAIS.


Referência Bibliográfica:

(1) Pires, José Herculano. Artigo “O Passe” disponível emhttp://www.espirito.org.br/portal/publicacoes/herculano/opd-12.html> acessado em 07/11/2011
(2) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de janeiro: Ed FEB, 2000, perg. 98
(3) Mateus 8: 3.
(4) Xavier, Francisco Cândido. Nos Domínios da Mediunidade, ditado pelo espírito André Luiz, Rio de janeiro: Ed FEB, 2004, Cap. XVII.
(5) Aurélio Buarque de Holanda Ferreira . Novo Dicionário da Língua Portuguesa, SP: editora Nova Fronteira, 2001 
(6) Deuteronômio 34: 9 -12.
(7) Kardec Allan. A Gênese, RJ: Ed FEB, 2004, Cap. XIV, item 34.
(8) Marcos 5: 21 - 23).
(9) Xavier, Francisco Cândido. Nos Domínios da Mediunidade, ditado pelo espírito André Luiz, Rio de janeiro: Ed FEB, 2004, Cap. XII