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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

ROUSTAINGUISTAS, UBALDISTAS...

Nota de esclarecimento: 
“O artigo abaixo trata-se do exercício natural do direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. Não me compete censurar opiniões, ainda mesmo que eu, Jorge Hessen, não defenda pessoalmente as concepções ubaldianas e rustenistas. 
Assim, deixamos aos leitores do meu blog em O Rebate o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere a seguir, pois o mesmo direito que tem o articulista de argumentar , temos todos o mesmo direito de refutar , de aceitar, ou não, os seus argumentos.” 


Fernando Rosemberg Patrocínio
f.rosemberg.p@gmail.com


Sabendo de nossas diferentes faixas evolutivas, não me incomoda tanto o deparar-me com indivíduos relutantes ou mesmo lacrados em sua estrutura mental e, com isso, ausentes, pelo menos por enquanto, de maiores vôos de sua inteligência, sua estrutura mental; mas me entristece um tanto quando encontro tais pessoas ao meio mesmo da doutrina de minha predileção: do Espiritismo, ou seja: da Doutrina dos Espíritos Superiores; mas vejam bem: de uma doutrina que não nos pertence, mas sim aos Espíritos mais elevados que a ditaram.

É bom que se faça tal distinção, porquanto espiritistas equivocados se acham donos do Espiritismo e tudo quer balizar a partir de tal ponto codificado, se esquecendo de que somos tão só aprendizes das novas leis que ora se revelam, e cujas portas não se fecham jamais. Ou seja: tal como se dá neste sesquicentenário do Espiritismo no Mundo, quando pesquisadores, estudiosos e médiuns de todos os matizes o ampliara muito mais.

Com efeito, constato pelo texto de respeitável espiritista: “Roustainguistas, ubaldistas e o problema gerado pela obra ubaldista: Cristo”, que os enclausurados à obra de Kardec, continuam os mesmos: engessados ao espírito de sistema que Kardec mesmo condenara. E reflito que o único meio para que eu absorva e, por conseguinte, não me aborreça com tais atitudes, está no fato de que tal elemento, tal como eu mesmo, trata-se de um livre pensador, assim como tu, ele, nós, vós e eles também somos, o que expressa liberdade de expressão sem que se imponha nossa concordância com tais idéias, bastando, pois, que, civilizadamente, nos respeitemos uns aos outros.

Mas onde fica o fulcro mesmo da questão? Creio que o problema todo reside na evolução; ou seja: está no fato da questão evolutiva que, incessantemente, nos empurra degraus acima, apesar da teimosia daqueles que insistem em permanecer nos degraus inferiores de sua tacanha forma mental.

Assim, todos nós, os humanos, como tudo o mais existente, “trafegam”, em seu existir mesmo, consoante normas determinísticas e previamente asseguradas pelo “tempo-evolução”, que se afirma como Lei da Natureza e, da qual, nada, absolutamente nada, pode escapar. De tal forma que: se o pensar, para Descartes, se “harmoniza” com o existir, num complemento filosófico a tal, dir-se-ia que o existir se “harmoniza” com o evoluir, constituindo ou formalizando o método dinâmico do existir, que, no transcurso do tempo, o Ser, forçosamente, e, conquanto lentamente, se transmuda e se modifica interiormente, cuja mudança irá refletir-se mais tarde na forma, na exterioridade física do Ser, que nem sempre se dá conta de tal mudança, de sua evolução.

Ora, olhemos para trás e vejamos o quanto mudamos em nossos valores, nossa capacidade cognitiva e moral? É que progredimos, ou re-conceituamos, de modo ininterrupto, nossas vidas e nossos valores no decurso do tempo-evolução! E isto pelo fato de que somos imperfeitos; e, como tal, e, como cristãos redivivos, nos aperfeiçoamos lentamente tal como o pretendia e o pretende o nosso Mestre nos dizeres: “sede, pois, vós outros, perfeitos, como vosso Pai celestial é Perfeito”. (Vide: “Bíblia Sagrada: Novo Testamento”).

Assim, o Ser se transforma e muda o tempo todo, e, nem sempre por sua livre e espontânea vontade, seu querer; mas por determinismo contido nas Leis mesmas da Natureza que assim se revela e se patenteia em todas as coisas, sendo mais claramente visível em nós mesmos, ou seja, Seres humanos de individualidades psíquicas diferentes em seus aspectos evolutivos, mas essencialmente similares; ou seja, e tudo resumindo, de Consciências mais ou menos esclarecidas desta comunidade terrena e porque não dizer: universal. De tal maneira que a supracitada “harmonização” do pensar, do existir e do evoluir, poderia assim equalizar-se:

[(Pensar) = (Existir) = (Evoluir)]

Onde tais termos, mesmo não sendo exatamente iguais (=), o primeiro deles, filosoficamente, acaba por desembocar-se no segundo, pois que o Ser, pensando, ele só pensa porque existe, e existindo, se sujeita à Lei da qual é filho, se transformando e evoluindo passo a passo de sua inevitável redenção. Assim, a sentença cartesiana do:

“Penso, Logo Existo”,

Diante das leis evolutivas, e, palingenésicas, bem mais tarde postas cientificamente a descoberto, se transmudaria sentenciando que:

“Penso, Logo Existo: na Forma Evolutiva do Ser”.

E isto porque o que somos - em realidade nua e crua – nós, absolutamente, e, com toda certeza, não somos; pois que o presente de nós mesmos é algo fugidio no tempo-evolução que, no próximo milésimo de segundo confirma que já não sou mais o mesmo, ou melhor: não somos mais os mesmos, pois que já nos transformamos qualitativamente, e, por infinitésimos fracionais, em nosso interior, em nosso Cognitivo experiencial que abarca valores espirituais e morais.

Entretanto, há aqueles que param, se estacionam, não querem evoluir, mas que, paradoxalmente, serão forçados a tal; o que expressa, mais uma vez, que, definitivamente não somos, mas, tão-só: seremos, pelo fato de que a única coisa constante no Mundo, ou, no Universo como um todo, é a inconstância de tudo, de nós mesmos, na forma interior e exterior de nossa representatividade mundana. 

A evolução, portanto, é algo inabalável e incessante, que, por sinal, se dá e se verifica não apenas no presente existencial de nós mesmos, mas sim, no concerto cíclico das muitas vidas, da reencarnação, conforme dados e informações dos mais respeitáveis pesquisadores espiritistas e metapsiquistas de antanho, bem como nos da atualidade parapsicológica do Mundo, tais como: Banerjee, Stevenson, Hernani Andrade, e muitos outros mais.

Entretanto, que abarquemos mais; que compreendamos que ambos - tempo e evolução - na estrutura dimensional do referido conceito, só se patenteiam na relatividade evolutiva do Ser que, de futuro, haverão de se consumir e desaparecer no modo existencial da eternidade, tido como Imóvel na Perfeição, onde o Ser executaria movimentos de outro tipo, sem as correrias, as dores, decepções e canseiras da temporalidade evolutiva do Mundo terreno; movimentos de outro tipo que, se acredita, estariam estabilizados na posição correta e definitiva da obra concluída, realizada, obra então definitivamente perfeita, além das imposições do tempo e da evolução, que estarão relegados a um momento que se fora, e que, afinal, surgiram e surgem como formas e degraus de aperfeiçoamento do filho que, certamente, deveria e deverá espelhar-se na Divina e Infinita Perfeição.

Assim, tempo e evolução, paradoxalmente, são fatores dimensionais abstratos e também factuais; e, por outro lado: finitos, pois que se encerram e deixam de existir na Perfeição, num plano de Dimensão Absoluta, eterna por não comportar começo e tampouco fim. Coisas que nossas mentes infantis e encarceradas nas densas formas de cérebros animais, são incapazes de compreender por sua restrita condição psíquica, sua relatividade no tempo que se transmuda em evolução, para, um dia, asserenar-se na Eterna Quietude do Infinito, da Obra Perfeita de um Deus Absolutamente Perfeito.

Mas estamos muito distantes ainda da Quietude Universal. E, por isto, prossigamos nossos estudos na Inquietude Evolutiva de todos nós. Portanto, que ampliemos nosso entendimento do que se pode denominar: “continuum tempo-evolução”, e vejamos como as coisas se sucedem no campo do entendimento espírita. Kardec, apesar de sua brilhante inteligência, declara, humildemente, não saber as causas da dor, mais especificamente, do sofrimento experienciado pelo animal, explicitando, por exemplo, que:

“O sofrimento dos animais é constante. Mas é racional imputar esses sofrimentos à imprevidência de Deus ou a uma falta de bondade de sua parte pelo fato de a causa escapar à nossa inteligência, como a utilidade dos deveres e da disciplina escapa ao escolar?” (Vide: “Revista Espírita” – Março de 1864 - AK - Edicel).

E, logo adiante, Kardec é advertido pela espiritualidade (Erasto), a lhe informar que há mais que apenas o tão-só, e tão restrito, aspecto evolutivo das coisas, nos termos de que:

“Compreendei, se o puderdes, ou esperai a hora de uma exposição mais inteligível, isto é, mais ao alcance do vosso entendimento”. (Opus Cit.)

Ora, substancialmente, o que é o animal senão um Espírito Simples e Ignorante (ESI), um princípio inteligente em processo fenomênico de evolução. E, se tal princípio perfaz sua escalada evolutiva associada ao sofrimento constante, o que o mesmo aprontara para uma tão infeliz conseqüência de progresso e de dor? Só, por aí, constata-se que as luzes espiritistas se vão fazendo aos poucos, oportunizando a vinda de muitos outros missionários divulgadores da verdade única, da verdade em Deus. 

E Kardec, naquele mesmo texto, dizia:

“Ensina-nos o Espiritismo e nos prova que o sofrimento no homem é útil ao seu avanço moral. Quem nos diz que o dos animais não tem utilidades? Que na sua esfera e conforme certa ordem de coisas, não seja causa de progresso?”. (Opus citado). 

O mesmo afiançaria Leon Denis nos termos de que a dor e o sofrimento são fatores evolucionais importantes na economia da vida, e temos isto de modo claro e evidente como, por exemplo, em tal passagem:

“O sofrimento, nos animais, é um trabalho de evolução para o princípio de vida neles existente, que adquirem por esse modo os primeiros rudimentos de consciência”. (Vide: “Depois da Morte” – Leon Denis – Feb).

E outros esclarecimentos se fazem e se harmonizam, como, por exemplo, com o Espírito Manoel P. Miranda, dentre outros, e inclusive com Emmanuel que destaca:

“... a dor é sofrimento educativo de primeira ordem, sem o qual o mais rudimentar aperfeiçoamento das criaturas e das coisas seria claramente impossível”. (Vide: “Janela Para a Vida” – F. Worm – Gráfica Metrópole).

E assim vai, de modo concordante e universal nas informações positivadas por notáveis e confiáveis espiritistas pós-Kardec, encarnados e desencarnados, desenvolvendo-o e ampliando-o vastamente.

E onde se constata que o conceito do “continuum tempo-evolução” também se engrandece doutrinariamente, pois que a adversidade, cujo fulcro central é a “Dor”, entra como um componente de magna importância na formulação de tal princípio, cuja técnica consiste em impelir o psiquismo de todos os Seres às culminâncias celestiais do Espírito Puro da Eterna Serenidade, da Infinita Perfeição em Deus.

Assim, tal técnica, atuando como mola impulsionadora do Ser, reside na adversidade das coisas, nas forças ambientais contrárias, nos problemas e tribulações encontradiços em nosso meio que, em seu conjunto, ou síntese, significa e expressa “Dor”, sendo que tal, isoladamente, ou conjuntamente, são excitantes de todas as formas de reação e de luta, de defesa e de atividade, tendo como resultado algum desenvolvimento psíquico, objetivo primacial da evolução.

Vê-se, pois, que o conceito do “continuum tempo-evolução” é um tanto mais complexo do que se imagina, bem como o será, de procedimento variavelmente elástico nos diversos planos da natureza, onde as passadas evolutivas são extremamente diferentes, ou seja: “nula” ou “quase nula” na forma mineral e assaz dinâmica na forma hominal, no plano, pois, das humanidades, dos progressos sociais, científicos e culturais. Assim, se “tempo é dinheiro” para os gananciosos do Mundo, dir-se-ia em mais digna e mais alta acepção filosófica que:

“Tempo é Evolução”!

Sua forma resumida, sintética, conquanto se saiba de sua mais profunda e mais dilatada função, a atuar não só nas formas biológicas, ou, biopsíquicas do Mundo, mas, também, do Universo em sua totalidade física e astronômica a desembocar na eterna Quietude e Suprema Serenidade que é o Plano de Deus Transcendente que, por sua vez, se espraia na Imanência por Amor ao filho, alçando-o em sua interioridade psíquica imortal.

Mas, sendo Deus um Estado de Perfeição; sendo Deus, Expressão Máxima do Amor, o Espírito-filho, portanto, não pode ter sido criado Simples e Ignorante (ESI) para vivenciar a dor como forma de se aperfeiçoar no continuum verificado pelo tempo-evolução, o que seria injusto por parte de um Deus que É Justo, que É Ordem, que É Lei. 

A evolução pela dor, portanto, não passa de uma escolha sua, quando, na condição de Espírito Puro e Consciente (EPC), deliberara insurgir-se da Ordem contida na Lei, verificando-se, em conseqüência, sua desconstrução e queda na forma condicionada de Simples e Ignorante (ESI) a evoluir pela dor, curando-o de suas mazelas, de suas imperfeições.

O que se confirma pelos Profetas Bíblicos, pelo Mestre Jesus, pelo maior médium intuitivo de nossa modernidade: Pietro Ubaldi (Vide: “Coleção Completa” – PU – Fundapu), e, pelo maior médium psicógrafo do Mundo com Augusto dos Anjos, Emmanuel e André Luiz, estes dois últimos, nas obras: “O Consolador”, “Caminho, Verdade e Vida”, (de Emmanuel), e, “Missionários da Luz”, “E a Vida Continua”, (de André Luiz), todas da Feb editora.

O que confirma Erasto quando advertira a Kardec sobre a “exposição mais inteligível”, “mais ao alcance do vosso entendimento”, pois Kardec, em seu não aprofundamento do tema, não entendia uma possível “Queda Espiritual”, no que se equivocara, e, de forma concomitante, até mesmo lhe concebendo um possível Consenso Universal (Vide: “A Gênese” – AK – Ide).

Eis assim, pois: as definições do Sistema Perfeito em Deus e do Anti-Sistema concebido como Universo físico e astronômico de nossa subida evolutiva, que constituem, na verdade, um Sistema Único, Monista, estando Deus em um e em outro, pois que Deus sendo Um, Ele, por sua vez, não se divide, mas se encontra, por Sua Infinitude, tanto em um quanto em outro de nossas lutas redencionais.

Observação:

No próximo texto: “Idiossincrasias de Kardec”, veremos o quanto Kardec relutava com o tema dos “Espíritos Decaídos”; e veremos isto passo a passo, o que demonstra não só sua relutância, mas também sua teimosia em não acatar tal realidade do Espírito, o que significa dizer, noutros termos: que Kardec não fora um secretário, digamos assim, tão dócil ao Espírito de Verdade. O que prova, por outro lado, um seu aspecto até mesmo positivo, pois que o Espiritismo, em sua Codificação mesma, não ensina tudo, e, Kardec, por sua vez, não pudera tudo abranger e tudo operar, a não ser como síntese, cujos pilares se engrandecem e se ampliam no continuum estabelecido pelo tempo-evolução. 

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