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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

IDIOSSINCRASIAS DE KARDEC


Nota de esclarecimento: 
“O artigo abaixo trata-se do exercício natural do direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. Não me compete censurar opiniões, ainda mesmo que eu, Jorge Hessen, não defenda pessoalmente as concepções ubaldianas e ou rustenistas. 
Assim, deixamos aos leitores do meu blog em O Rebate o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere a seguir, pois o mesmo direito que tem o articulista de argumentar , temos todos o mesmo direito de refutar , de aceitar, ou não, os seus argumentos.” 

Fernando Rosemberg Patrocínio
f.rosemberg.p@gmail.com
http://fernandorpatrocinio.blogspot.com.br


Dando prosseguimento ao texto anterior: “Roustainguistas, Ubaldistas...”, e, estudando, e pesquisando sempre..., podemos fazer nossos recuos no tempo, bem como avançarmos com nossas perspectivas, nossos sonhos de uma nova Ciência que, aliada à Religião Pura, construirá um Mundo melhor, de harmonias sociais, filosóficas e morais.

Se viajarmos ao século dezenove, por exemplo, século de Kardec, ver-se-á que o mesmo, pessoalmente, se simpatizava com a expressão: “Espíritos Rebeldes”, desprezando a de “Espíritos Decaídos” em alegando que: “a idéia da Queda dos Espíritos presume degradação”. (Vide: o primeiro “Livro dos Espíritos”, item 61 - Internet).

Entretanto, diga-se que, na moderna concepção, uma coisa é conseqüência da outra, ou seja: a Queda é conseqüência da Rebeldia; o que Kardec não pudera atinar. Por outro lado, o Espírito, em sua Queda Espiritual não se degrada, mas apenas e tão só se despotencializa, ou seja, restringe suas potências e faculdades; dito fenômeno verifica-se o tempo todo ao nosso derredor mesmo, com todos os Seres e com todas as espécies do Mundo terreno, e, por conseguinte, com todos nós: Espíritos humanos sujeitos a reencarnação.

Vejamos como “O Livro dos Espíritos” (AK – segunda edição de 1860 - Ide) entende referido fenômeno:

Pergunta 344 - “Em que momento a Alma se une ao corpo?”
Resposta: “A união começa na concepção, mas não se completa senão no momento do nascimento. Desde o momento da concepção, o Espírito designado para habitar tal corpo, a ele se liga por um laço fluídico que vai se apertando cada vez mais, até que a criança nasça; o grito que escapa, então, da criança, anuncia que ela se conta entre os vivos e servidores de Deus”.

E, com relação ao esquecimento do passado, por meio do fato reencarnatório em si, sabe-se que o Espírito obscurece suas faculdades e demais potências suas numa espécie perturbação psíquica (esquecimento) que o restringe e o “anula” paulatinamente. Kardec, a tal fato se referindo, ministra que:

“ ... Da mesma forma que a morte do corpo é uma espécie de renascimento para o Espírito, a reencarnação é uma espécie de morte, ou antes, uma espécie de exílio e de clausura”. (Opus Cit.).

E, mais adiante, confirma relativamente ao fato da  reencarnação:

“ ... Então, nesse momento supremo, a perturbação se apodera dele, qual no homem em agonia, e essa perturbação persiste até que a nova existência esteja francamente formada. Os prelúdios da reencarnação são uma espécie de agonia para o Espírito”. (Opus Cit.).

Vemos com Kardec, pois, que a reencarnação representa para o Espírito uma espécie de morte, ou melhor, de exílio e clausura, pois suas faculdades involuem, ou seja: se restringem e se “apagam” durante a vida intra-uterina, para “acender” paulatinamente durante a vida corpórea do Homem, quando se vai despertando o Espírito durante os muitos processos maturativos e bio-psíquicos da vida corporal.

Portanto, se Kardec entendia a Queda Espiritual como degradação, ou seja, como: abjeção, baixeza, opróbio, vileza e outras indignidades mais, o presente autor, entretanto, não vê da mesma forma que o Codificador, pois que tal só se dá como culpa da criatura (EPC) que errara no início dos tempos, como até hoje, por sinal, somos capazes de errar e de, por conseqüência, cair ou quedar-se. Portanto, se tal fato assim se dá, tal só se verifica por culpa da criatura e não por culpa de Deus-Pai e Criador que não degrada suas criaturas.

O que significa entender e expressar que Deus não exclui e não rebaixa com vileza a nenhum de seus filhos, mas os corrige, pois que Deus neles acredita, bem como está Ciente de seus métodos para a correção e salvação daquele que errara. Deus, portanto, estabeleceu Leis que se fossem, e, se forem seguidas, são condutoras do bem e da felicidade ao ponto de nos tornarmos “Uno” com o Justo e Amoroso Criador.

Ora, o próprio “O Livro dos Espíritos”, o definitivo, se refere a tal problemática; veja-se a resposta ao item 262, onde o Homem que se extraviara, tomando o mau caminho, cuja conseqüência fora explicitada nos precisos termos:

“... é o que podemos chamar a Queda do Homem”. (Opus Citado).

Ora, Queda do Homem é Queda do Espírito, seu comandante, afinal. E, ao quedar-se, é o próprio Espírito que se humilha em sua correção, pois que sua consciência, sendo responsável pelos seus atos, assim o exige e assim o quer.

Por outro lado, muito antes de Kardec, o nosso Mestre Jesus se referira à Queda Espiritual em muitas passagens do Novo Testamento. Referindo-se à queda primordial, no início dos tempos, ou seja: ao desmoronamento de altos planos espirituais que - para o nosso entendimento, torna-se mais fácil compreender como uma Queda de Espíritos Puros e Conscientes (EPC) que se tornaram Espíritos Simples e Ignorantes (ESI) nos Mundos materiais - sintetiza o Mestre Nazareno:

“Eu vi satanás cair do Céu como um relâmpago”. (Vide: “Bíblia Sagrada” - Lucas – Capítulo 10, versículo 18).

Mas, entenda-se, que: “satanás” representa, para nós, não mais que uma expressão metafórica, ou seja, não mais que a representação simbólica daquele Espírito Puro e Consciente (EPC) que perdera sintonia para com a Ordem da Lei, que se rebelara, e que, por conseqüência, restringira suas potências reaparecendo como (ESI) para então ascender, ou seja, evoluir pelas adversidades e dores encontradiças nos longos processos de sua cura, de sua redenção espiritual, quando, então, retorna à sua anterior condição de Espírito Puro e Consciente, redimido de seus atos na condição restaurada de (EPC).

Mas, durante tal redenção pode o Espírito novamente enfraquecer-se e quedar-se (Queda do Homem) como já explicitado logo atrás, e Jesus também se refere a tal Queda quando separa as ovelhas dos bodes, conduzindo estes para a sua esquerda e aqueles para a sua direita. Ou seja: os injustos irão para o “inferno eterno” e os justos para o “céu eterno”. (Vide: “Bíblia Sagrada” – Mateus – Capítulo 25 – versículos 31 a 46).

Jesus, pois, ministra ensinos concernentes às diversas Quedas do Espírito, ou seja:

-Queda Espiritual Geral: do início dos tempos, retratando o Fenômeno Involutivo-Evolutivo, ou, no que se pode expressar como Queda e Salvação da criatura (EPC) que errara se condicionando como (ESI); e seu retorno como (EPC) após longos períodos de redenção evolutiva; e,

-Queda Espiritual Parcial: durante o processo evolutivo mesmo, ou seja, de uma “nova” Salvação da criatura durante sua Redenção mesma; é o que se dá justamente agora, neste momento transitório do Mundo terreno, onde os Espíritos maus serão degredados, por sua Queda, em Mundos inferiores, e os bons prosseguirão sua jornada evolutiva em um Mundo melhor: o de Regeneração.

De tudo, pois, resume-se que:

Allan Kardec, como defensor do Fenômeno Evolutivo, adotara a Criação dos Espíritos na condição de Indivíduos Simples e Ignorantes (ESI); mas reconhecia que o sofrimento deles, na condição animal, “é constante”, e não tinha como explicar tal fato diante de um Deus-Pai que é Justo e Bom; no que Erasto – como já visto - lhe advertira:

“Compreendei, se o puderdes, ou esperai a hora de uma explicação mais inteligível, isto é, mais ao alcance do vosso entendimento”. (Vide: “Revista Espírita” – Allan Kardec - Março de 1864 – Edicel).

O que significa expressar, segundo Erasto mesmo, a condição humana de Kardec: do seu “entendimento” limitado e dos seus conhecimentos não aprofundados, que, por sua vez, entra em contradição consigo mesmo, pois admite a Criação dos Espíritos Simples e Ignorantes (ESI), mas não compreende tanto sofrimento semeado em seus passos, o que só o Fenômeno Involutivo-Evolutivo, da Queda e da Salvação, pode conceber e de forma racionalmente lógica explicar.

A inteligência de Kardec, portanto, não podia compreender a Queda Espiritual, não podia, no dizer de Erasto, fazer o “entendimento” da questão por suas limitações intelectivas, sendo tal problema, não só de Kardec do século dezenove (19) como de grande parte de seus seguidores deste início de século vinte e um (21), onde tal fato só se verifica, e só se deve, pois, ao problema evolutivo, do aprofundamento da questão, onde uns estão prontos para encetar novas jornadas e outros necessitam, ainda, de maiores maturações psíquicas oportunizadas pelo tempo-evolução.

Ora, o fato contraditório de se supor um Deus que é todo Amor e Misericórdia, e que, em contrapartida, cria Espíritos Simples e Ignorantes (ESI) que não pediram para serem criados e, mais ainda, lhes coloca nas dores e adversidades dos Mundos materiais para evoluir e se aperfeiçoar por milênios e milênios sem conta, tal fato implica em um Deus Imperfeito que, ao criar, autoriza atrocidades, dores e truculências ao filho inocente, que, ao invés de realçá-lo como Deus Perfeito, Justo e Sábio, o rebaixa como Soberano Injusto e Cruel.

Ora, se tenho por minha filha um amor de pai capaz de sangrar e de se sacrificar pela sua felicidade, quanto mais Deus não seria capaz de sangrar e de se sacrificar pelo Amor que o Mesmo teria e tem pelos seus filhos tão amados?

Não, meus senhores, Deus não criou Simples e Ignorantes (ESI), mas sim, Espíritos Puros e Conscientes (EPC) regidos pela Lei do Amor que, afinal, integra o Sistema Transcendente de Sua Espiritualidade; e, mais, deu-lhes ampla liberdade de escolha pelo bem ou pelo mau, e, se tais elementos falharam fora por culpa sua e não de Deus que não falha, não tem culpa e deseja o melhor aos seus filhos amados, mesmo rebeldes, pois que os busca e os salva pela redenção espiritual.

De retorno a Kardec, chego a pensar que o Codificador não tivera tempo de refletir melhor, de pensar e repensar aprofundando o tema da Criação Espiritual, pois cuidava de outros temas também relevantes; e mais: por suas idiossincrasias próprias, peculiaridades, temperamento, e por que não dizer, por sua teimosia mesma, cometera o seu maior descuido filosófico considerando que a Queda Espiritual havia sido rejeitada pelo Consenso Universal (Vide: “A Gênese” – AK – 1868 – Ide); o que não retrata a mais fiel verdade, pois tal Consenso - de sua elaboração mesma – é por vezes inviável, de resultados inconsistentes na prática como já visto em meu texto “Onde o Consenso Universal?”, o que pode ser constatado ainda em: “Análise Crítica da CUEE” e “O Espiritismo Completo”, primeiros livros digitais deste autor, e que os espíritas endeusadores de Kardec dão as costas, pois que seu deus-Kardec fora abalado em suas instruções mesmas, e, afinal, o seu deus-codificador, em tempo algum, para tais ortodoxos, pode ser contrariado ou contestado.

Ora, Kardec, como qualquer um de nós, não é, e não pode ser, infalível; Kardec - ele mesmo - evoluíra e crescera durante os trabalhos de sua Codificação e como, pois, considerá-lo um deus infalível e não sujeito a qualquer equívoco ou desacerto de suas instruções?

Para todos os fins e efeitos, analisemos melhor referida questão ao âmbito mesmo da doutrina que organizava.

Se consultarmos o primeiro “O Livro dos Espíritos” veremos a seguinte postura do gênio codificador:

-1857: Evolução do Espírito humano apenas ao plano das humanidades siderais; e, no segundo “O Livro dos Espíritos”:

-1860: Evolução do Espírito humano do átomo ao arcanjo, passando, assim, pela série contida nos reinos inferiores da natureza que, por fim, adentra o plano das humanidades siderais.

Ou seja, no tocante às origens do Espírito humano, a questão 127 da referida primeira edição (1857), argumenta:

P-“A Alma do homem, não teria sido ela antes o princípio da vida dos últimos Seres vivos da criação para chegar, por meio de uma lei progressiva, até ao Homem, em percorrendo os diversos degraus da escala orgânica?”

R-“Não! Não! Homens nós somos desde natos.”

“Cada coisa progride em sua espécie e em sua essência; o Homem jamais foi outra coisa que não um Homem”.

No que Kardec, nesta sua primeira edição, comenta:

“Qualquer que seja a diversidade das existências pelas quais passa o nosso Espírito ou nossa Alma, elas pertencem todas à humanidade; seria um erro acreditar que, por uma lei progressiva, o Homem passou pelos diferentes degraus da escala orgânica para chegar ao seu estado atual. Assim, sua Alma não pode ter sido antes o principio da vida dos últimos Seres animados da criação para chegar sucessivamente ao degrau superior: ao Homem”.

Neste caso, pois, o referido Consenso Universal falhara já no seu início com o primeiro “O Livro dos Espíritos” em relação segundo; e falhara mais adiante quando se compara tal “Livro”, já definitivo, com “O Livro dos Médiuns”, ou seja, das edições revistas e atualizadas, informando uma coisa no primeiro e lhe contradizendo no segundo, como já visto e já citado no referido texto “Onde o Consenso Universal?”.

Ora, que Concordância Universal é esta que, escancaradamente, expressa, em muitos pontos, discordância?

Como os cientistas, do presente e do futuro, sejam eles espiritistas ou não, poderão ver alguma forma de confiabilidade em tal preceito de concordância que se discorda?

O que expressa, indubitavelmente, que o Kardec do século dezenove não é infalível, e tampouco um deus, ou semi-deus como querem alguns engessados entender, e, aos quatro ventos, proclamar. A doutrina que Kardec codificara, pois, é apenas o “abc” do Espiritismo que precisa não só ser revisto, estudado, como também complementado, como o fora, vastamente, no século vinte, sobretudo por Pietro Ubaldi e por Francisco Cândido Xavier, nas vozes universais de ‘Sua Voz’, ‘André Luiz’ e ‘Emmanuel’.

Espiritistas mais ortodoxos a Kardec, insistem em perseguir e difamar a Doutrina Monista de Pietro Ubaldi, bem como sua Teologia matemática e científica, insistindo em mostrar suas possíveis falhas doutrinais e medianímicas; e alguns outros perseguem, também, a confiável e astronômica obra de Xavier. Mas tais contestadores, em sua imaturidade e despreparo intelecto-moral, são incapazes de conceber sínteses universais justas e sábias como as defendidas por ‘Sua Voz’ e apoiadas por ‘Emmanuel’, ‘André Luiz’ e outros Espíritos da lavra xavieriana que, escancaradamente, em pelo menos quatro opúsculos, citaram e ministraram o fenômeno da Queda Espiritual. (Vide: texto: “Queda Espiritual na Obra de Xavier” e outros livros do presente autor).

Kardec, repiso com veemência, é apenas e tão-só o início, o “abc” do Espiritismo; Kardec, valoroso missionário, tinha e tem, como todos nós, suas limitações, idiossincrasias caracterizando suas qualidades e seus defeitos que, num Mundo provacional e atrasado como o nosso, não se deve condenar; mas também não se pode “passar-lhe a mão na cabeça” e tudo acatar-lhe incondicionalmente; e isto eu não faço porque trabalho, estudo, analiso friamente as mais diversas questões e delas extraio minhas conclusões sejam elas as mais acertadas ou não.

Portanto, repiso que: se sou um estudioso apreciador de Kardec, também lhe sou, em minha consciência mesma, um seu observador e crítico sincero, apesar de ser, eu mesmo, um amaldiçoado por aqueles que detestam minha pena intuitiva com os imortais da Espiritualidade.

Kardec, pois, dos grandes missionários do Mundo terreno, é o único ponto dissonante da referida questão, ou seja: da Queda Espiritual, pois tal fato s
e mostrara com lógica consistente e insofismável por uma verdadeira consensualidade universal ao plano das grandes revelações conforme já citado: ou seja: pelos Profetas Bíblicos, pelo Cristo, e, pós Kardec, por Ubaldi e Xavier.

Ou seja, antes de Kardec, temos os muitos profetas bíblicos e até mesmo o Mestre Nazareno relatando os fatos da Queda Espiritual; e depois de Kardec, vemos os mesmos relatos com Pietro Ubaldi (‘Sua Voz’) e com Espíritos operando com médiuns estranhos uns aos outros e dando suas comunicações no Mundo inteiro para ratificar as verdades ubaldianas; além dos Espíritos ‘Emmanuel’, ‘André Luiz’, ‘Augusto dos Anjos’ pela mediunidade altaneira de Xavier, sendo mui coerente, pois, que não se despreze referida consensualidade, pois que, como já dito:

O Espiritismo é Ciência do Infinito, que se completa no continuum formado pelo tempo-evolução e até mesmo além dele, na Transcendente e Divina Espiritualidade do Criador.

No mais: lembremos que somos livres pensadores, e, enquanto novos surtos evolutivos não se verifiquem para os que se encontram paralisados no século dezenove, tratemos de nos respeitar mais, ou, como já o disse no texto anterior: tratemos de construir pontes e não muros que nos lacram no espírito de sistema, tão condenado por Kardec.


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