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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

ONDE O CONSENSO UNIVERSAL?

Nota de esclarecimento: 
“O artigo abaixo trata-se do exercício natural do direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. Não me compete censurar opiniões, ainda mesmo que eu, Jorge Hessen, não defenda pessoalmente as concepções de Pietro Ubaldi. 
Assim, deixamos aos leitores do meu blog em O Rebate o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere a seguir, pois o mesmo direito que tem o articulista de argumentar , temos todos o mesmo direito de refutar , de aceitar, ou não, os seus argumentos.” 

Fernando Rosemberg






Este Controle Universal é uma garantia para a unidade do Espiritismo, e anulará todas as teorias contraditórias. É nele que, no futuro, se procurará o critério da verdade. O que fez o sucesso da doutrina formulada em ‘O Livro dos Espíritos’ e em ‘O Livro dos Médiuns’, foi que, por toda parte, cada um pôde receber diretamente dos Espíritos a confirmação do que eles contêm”. (Allan Kardec – Introdução de ‘O Evangelho Segundo o Espiritismo’-Ide).

Como já dito alhures: abriram-se as portas da Espiritualidade e não se tem mais como fechá-las; e suas instruções, suas luzes altaneiras, doravante, vão brilhar para todo o sempre no continuum do tempo-evolução, ou seja: do tempo que não para, e da evolução que, de forma igual, também se faz na dinâmica cíclica de sua ampla acepção universal. 

Compondo antípodas da matéria e do Espírito, e passando pelas mais diversas formas vegetais e animais, a evolução parece atingir o seu ápice no homo-sapiens que, nada obstante, ainda não o é, pois que se demora no espaço demandado por ele até o arcanjo, o Espírito puro que um dia haveremos de construir em nós mesmos, albergando formas conscienciais crísticas, hoje ininteligíveis aos potenciais psíquicos auferidos por nossa intelectualidade.

Interessante, e curiosíssimo, é constatarmos que, em tal tempo decorrido, que já demanda 160 anos desde o início dos estudos de Kardec até a presente data, e, apesar de tantos autores clássicos, de tantos outros mais modernos, e, de variadíssima classe de médiuns colaboradores da novel Doutrina, muito pouco, ou, quase nada, se praticara do que Kardec instituíra como regra fundamental para a admissão de novos princípios ao corpo doutrinário da mesma, ou seja: da Concordância Universal no Ensino dos Espíritos, resumida como (CUEE).

Por outro lado, sabe-se que:

-“O Livro dos Espíritos” (Allan Kardec - Ide) preconiza a evolução do Ser humano, como Espírito imortal, passando pela evolução e transformação dos princípios inteligentes que estagiam nos reinos inferiores da criação; entretanto, “O Livro dos Médiuns” (Allan Kardec - Ide), que lhe sucede, Capítulo 22, diz que não há progresso no reino animal, que “tais como foram criados (os animais), tais ficaram e ficarão até a extinção de suas raças”; o que não condiz com o “OLE” e tampouco com o científico “A Origem das Espécies” (Charles Darwin – Newton Compton Editor), e tampouco, mais ainda, com o vasto conteúdo positivamente firmado pelo moderno e atual neodarwinismo.

E pergunta-se; 

-Como fora possível tamanha contradição doutrinária?

-Como entender referida questão se o próprio Kardec institui o conceito da CUEE e o posterga e o contradiz em sua aplicabilidade, em um trabalho tão importante como “O Livro dos Médiuns”, este que, na visão de Kardec mesmo, trata-se do ‘Espiritismo Experimental’, e, mais ainda, representa uma continuidade de “O Livro dos Espíritos”?

Ora, “OLM” teria de ser a expressão doutrinária, lógica e matematicamente precisa de “OLE”!

Óbvio que tal perspectiva abre ampla margem de discussão e reflexão da temática em foco; discussão e reflexão, às quais, os espiritistas mais diversos, do ortodoxo engessado aos de mente mais arejada, aberta e universalista, poderiam e deveriam fazer, opinar, buscando-se, quem sabe, os motivos para o deslize cometido nos livros iniciantes principais, bem como para a não-aplicabilidade da referida CUEE em nossos tempo, que, em princípio, sugere-se, abortara, conquanto a ênfase dada a mesma pelo insigne codificador quando estava ele, na ocasião, alçado a um ponto de grande responsabilidade doutrinária no tocante ao Advento Espírita no Mundo. 

Ponto este, como referido, de responsabilidade doutrinária e também missionária, cargo oneroso e árduo, estando a receber, para a sua análise pessoal, as mais diversas instruções mediúnicas de todos os quadrantes planetários, percebendo-lhes o alcance, e, mais ainda, detectando-lhes os valores, os pontos concordantes para isto ou para aquilo, peneirando-lhes o que fosse verdade por concordância universal e excluindo-se o que parecesse inverdade por discordância, utilizando-se, como primeiro controle, de sua lógica e, portanto, de sua especialíssima e avançada razão, que albergava lógica de operações intelectuais formais, ou seja, das mais avançadas no contexto cognitivo dos Espíritos palingenésicos humanos.

Kardec, pois, pudera analisar e sistematizar um grande número de informações que lhe chegavam do Mundo todo, dando corpo doutrinário a tais informações de forma didática e, mais ainda: elaborando teorias racionais e sistemas instigantes e bem condizentes com tais informações. 

Todavia, referida situação de não-aplicabilidade do conceito que dimana da CUEE em nosso tempo, induz-me a crer que dito modelo é um tanto relativo, ou seja, suscetível de vertentes e visões variadas, de adaptações e reinterpretações dos novos quadros desenhados pelos grandes expositores clássicos do Espiritismo nas últimas décadas do século dezenove e início do século vinte, bem como por demais expositores daí resultantes, incluindo-se, evidentemente, os grandes médiuns de efeitos físicos, escreventes e psicofônicos desta ampla perspectiva de tempo e de progressos doutrinários. 

E digo, adaptações e reinterpretações estas, decorrentes e positivamente extraídas de um quadro sociológico e cultural que se evidenciara no decurso de um século e meio de experienciações de incontáveis cientistas, numerosos instrumentais mediúnicos, havendo sido permitidas e controladas, penso eu, pela Espiritualidade Maior, da qual Jesus, pós-Deus, é o seu comandante supremo, o diretor-mor de todas as coisas planetárias desde sua formação estelar ao âmbito das energias primárias, fonte e matriz das esferas estonteantes de formas, vida e inteligência que gravitam pelo espaço sideral.

Por tudo quanto dito, questiono: tudo deve ficar como está na Codificação mesma; ou, se deveria corrigi-la, e não só em tais tópicos, como em muitos outros concernentes como, por exemplo: 

-“A Gênese, os Milagres e as Predições” (Allan Kardec - Ide) não informa, em importante página mediúnica, que Marte tem Lua, quando hoje, sabemos, ele tem duas, Fobos e Deimos; e, no tocante ao anel de Saturno, hoje, sabemos, não se trata de apenas um, pois são muitos e não sólidos, sendo constituídos de partículas em suspensão.

-A questão da abiogênese que Kardec, afinal, era adepto e que presentemente se tem como equivocada;

-Além dos desacertos da inferioridade das raças e outros pontos mais de que os conhecimentos atuais se manifestam contrários ao que preconizava o Codificador.

-E etc., etc., não pretendendo, ao demais, ficar citando os possíveis erros contidos na obra do Espiritismo de Kardec que tanto amo e defendo em minhas labutas doutrinárias.

E, por tudo, e, muito mais, venho conjeturando a possibilidade de encarar-se um novo modo de se ver o referido conceito da CUEE em face de um tempo que se maturou neste sesquicentenário do Espiritismo no Mundo. 

Um tempo, pois, que se vive ainda agora, que se reflete em nossas vidas, em nosso entendimento filosófico e doutrinário deste início do século vinte e um, e que ainda vai perdurar pelos tempos vindouros, pois que se trata de coisas perenes, duradouras e imperecíveis.

E, portanto, questiono: o anunciado retorno de Kardec para dar prosseguimento à sua obra, se dera, ou, não se dera? Os que aportaram por aqui, e foram muitos os que se auto proclamaram como tal, não pareceram estar à altura pedagógica, filosófica e científica do Codificador.

Por outro lado, não se descarta por completo a possibilidade de que Kardec tenha retornado, ou seja, reencarnado no século vinte que se findara; mas não há nada que indique tal reencarnação de modo indiscutível, e sim, e tão só, palavras, sofismas e discussões estéreis que a nada levam, não se verificando, como seria de se exigir e de se mostrar, Consenso Universal, seja dos homens, seja dos Espíritos, mas tão-só verificou-se e verificam-se opiniões extremadas umas, fora de propósito outras, se evidenciando, mais ainda, ofensas descabidas e onde o bom senso, outra regra áurea de Kardec, não se aplica em tempo algum pelos mais diversos componentes de tal contenda e debates intermináveis.

Em suma, por tantas opiniões dos “doutores” em Espiritismo, este, por sua vez, só se salva por constituir Doutrina Consolidada pelos mais eminentes sábios do Mundo, e não pelos opiniáticos prós e contras do nosso tempo, que prescrevem e entendem ser suas opiniões mais importantes que os fatos, os documentos positivos e comprobatórios de suas palavras, autenticando o que tão fartamente verbalizam aos quatro ventos.

Assim, para tão magna questão, não se aplicara, em tempo algum, e, de fato não há: Documentação Comprobatória de Consenso Universal; o que há, pois, e, tão somente, são opiniões e opiniões desencontradas e desprovidas de positividade científica, tão importante em casos e situações como as que ora se levantam. O que me leva à óbvia constatação de que os espiritistas intelectuais ou cientistas, ortodoxos ou universalistas ou de quaisquer outras denominações possíveis e imagináveis, não operaram positivamente, e, em tempo algum, e, portanto, ao modo do que se preconiza como cientifico, com a Regra Consensual firmada por Kardec:

-Nem para balizar se as instruções dos mais diversos médiuns poderiam integrar a Doutrina Codificada; e

-Nem para confirmar-se o retorno dele mesmo, ou seja, do Codificador Allan Kardec, consoante informações do seu retorno para o desenvolvimento e continuação de sua obra.

Em face de tão incontestáveis fatos, concluo pelo caráter relativo da CUEE, onde tal medida fora de especial importância ao tempo de Kardec, e onde, como missionário de méritos incalculáveis, pudera, com o auxílio da Espiritualidade, tornar-se pólo centralizador e, portanto, capaz de receber instruções mediúnicas de cerca de mil centros espíritas sérios espalhados pelo Mundo.

Hoje, só no território brasileiro, contamos com aproximadamente quinze mil centros espíritas registrados, ou não, tendo-se ampliado vastamente o grau de complexidade para a devida apuração dos dados da fenomenologia mediúnica e, a partir daí, fazer-se o que tem de ser feito.

Ou seja:

-A formulação dos novos ensinos suscetíveis de constituir parte de tudo quanto já está doutrinariamente codificado; e

-A comprovação positiva, e, portanto, científica de que Kardec de fato reencarnara e prosseguira com sua honorável missão.

Para mim, não resta dúvida de que a Codificação Espírita decorrera de um momento muito especial, minuciosamente e trabalhosamente planejado pelas hostes maiores sob o comando de Jesus, momento especial este, reflito: não ser repetível nos moldes do que ocorrera no passado, e, portanto: não se verificará novamente, seja em nosso tempo, seja noutros da futuridade terrena e estelar!

E, como conseqüência, penso seja preciso mudar nossas perspectivas em relação a CUEE e procedermos uma sua readaptação aos novos tempos se não quisermos ficar encarcerados ao restrito período de quinze anos que demandara a implantação do Espiritismo na face terrena. Implantação esta, entendo, e ratifico, como o seu marco inicial, sujeito, pois, aos aprofundamentos e progressos decorrentes no tempo, que, incessantemente, nos mostra outras e muitas outras facetas da grande e infinita realidade universal.

Ora: já se passaram quase dois séculos de lá para cá.

E pensam, os mais arraigados à Codificação, que tudo quanto se fez em termos de Espiritismo no Mundo, digo, obviamente, do seu desenvolvimento e de seus avanços, de tantos e tantos trabalhos notáveis e sérios, e pensam que tudo isto não esteve sob o comando e o amparo do Altíssimo, de Deus e de Jesus? Ou será que tudo quanto houve, nestes cento e sessenta anos de sua propagação e, creio, do seu desenvolvimento doutrinário, teria ou terá sido apenas e tão somente uma grande fraude, uma mistificação de amplitude global?

Não cogito que alguma mentalidade espiritista, em sã consciência, possa de tal forma pensar, e, por isto, repiso que: muitos outros missionários já vieram, já desenvolveram sobejamente o Espiritismo e creio que, fixar-se tão somente na Codificação é não compreender-lhe o sentido progressivo, de seus avanços inevitáveis, sua natural continuidade no tempo-evolução.

Assim, parecendo-me infactível sua prática no cotidiano de nossas vidas, óbvio que tal inexequibilidade sugere o pensar e o repensar-se do conceito que dimana da CUEE, aplicável ao tempo de Kardec (?), e parecendo-me, presentemente, dotado de alguma elasticidade interpretativa com novas formas de entendimento de sua aplicabilidade conforme já explicitado de forma mais abrangente em “Análise Crítica da CUEE” e “O Espiritismo Completo”, primeiro e segundo e.Books de minha modesta autoria já postados em meu blog. 

Estou aberto, evidentemente, a perspectivas e visões outras distintas da que ora se esboça, pois que hipóteses, teorias e sistemas fazem parte do bojo mesmo do Espiritismo de Kardec onde, como livres pensadores, não só temos o direito como também a obrigação de participar ou, tão-só de opinar, favoravelmente ou não; no que haverei de expressar minha gratidão e o meu profundo respeito por todas as propostas e idéias levantadas.

Encerrando, creio que o fato mais relevante, e indiscutível, é, pois, que a CUEE, como instrumento de apuração de novos ensinos, derrapara já em seu início, como já visto e citado com o “OLE” e com o “OLM”, e, mais ainda, não surtira os efeitos desejados no futuro que hoje se faz presente, valendo-se, hodiernamente, menos como medida científica e muito mais como medida urgente. e por que não dizer filosófica, tal como a que espelha a presente proposta, sendo, assim pois, suscetível de novas visões e novas aplicações da mesma e de suas possíveis variantes, tal como a CUTE (Consenso Universal no Tempo-Evolução) de minha proposta já mencionada e constante dos referidos e.Books, como é óbvio.

Assim, penso que a regra disposta pela CUEE, fora aplicável e validada (?) para os tempos de Kardec; porém, de aplicação e validade relativa em nosso tempo, consoante o pensar e repensar-se de cada qual, se corajosos formos o suficiente para admitirmos tal elasticidade interpretativa.

E, portanto, sou tendente a cogitar que a CUEE não será adotada como regra científica dos pesquisadores do futuro, espiritistas ou não, ou seja, da ciência dita oficial.

É que, em admitindo os fatos do Espírito, tais pesquisadores criarão sua própria e específica metodologia aplicável às observações propiciadas pelo fenômeno espirítico, atinando-se que o mesmo, como se compreende, e se compreenderá, não depende da nossa livre e espontânea vontade, sendo assim, absolutamente necessário nosso harmonizar-se com a vontade extra-física, ou seja, com os ditames dos sábios comunicantes e promotores fenomênicos do além.

E, como haverei de ser severamente acusado, adianto que não sou um desconstrutor da CUEE, e, portanto, não destruo o que fora construído por Kardec como já me posicionara; apenas o vejo com a lente do nosso tempo, firmando-me nos fatos da presente realidade sociológica, cultural e mediúnica do meio espiritista, e, portanto, nos cento e sessenta anos de sua não-aplicabilidade, fato inédito para um critério que se pretende seja científico; mas de notória relatividade, indubitavelmente!

Tudo resumindo: a CUEE não pode mais ser vista como uma sentença de ordem científica, se é que assim já se houvera de concebê-la; mas sim, creio eu, como uma versátil norma interpretativa dos fatos espiríticos e paranormais de uma época, a do renomado codificador do Espiritismo: Allan Kardec: cujo método teve, presumo, sua validade interpretativa por seus méritos mesmos, mas não parece ser aplicável, como não fora, no decurso de quase dois séculos de sua instituição.

Obras Consultadas:

-O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – Ide;

-O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – Ide;

-O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec – Ide;

-A Origem das Espécies – C. Darwin – N. C. Editor;

-Análise Crítica da CUEE – e.Book deste autor; e

-O Espiritismo Completo – e.Book deste autor.


Articulista: Fernando Rosemberg Patrocínio

E-mail: f.rosemberg.p@gmail.com





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