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terça-feira, 14 de outubro de 2014

Continuum: “O Livro dos Espíritos” (1857 – 1860)


Nota de esclarecimento: 
“O artigo abaixo trata-se do exercício natural do direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. Não me compete censurar opiniões, ainda mesmo que eu, Jorge Hessen, não defenda pessoalmente as concepções de Pietro Ubaldi. 
Assim, deixamos aos leitores do meu blog em O Rebate o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere a seguir, pois o mesmo direito que tem o articulista de argumentar , temos todos o mesmo direito de refutar , de aceitar, ou não, os seus argumentos.” 
Fernando Rosemberg



Consoante texto já postado: “A Incoerência dos Engessados”, o fato de se haver duas edições de “O Livro dos Espíritos” (Allan Kardec – 1857 e 1860), tal fato não acarretaria alguma confusão da parte de seus adeptos espiritistas? 

Refletindo bem, penso que isto não se dá, pois que a segunda edição vem completar e aprofundar a primeira que, por sua vez, só é buscada para conhecimento, consulta ou outra conjectura qualquer; pois que, afinal, prevalecera, e prevalece, definitivamente, a segunda edição.

Para se ter uma ideia mais perfeita da obra, diga-se que a primeira edição (1857) se compunha de 501 perguntas de Allan Kardec e respectivas respostas, acrescidas, ao demais, de notas elucidativas do próprio Codificador; tais se achavam dispostas em apenas três partes: “Doutrina Espírita”, “Leis Morais” e “Esperanças e Consolações”. Referida edição, segundo o próprio Codificador, fora:

“... obtida pela escrita e por intermédio de vários médiuns psicógrafos”. (Vide: “Introdução” da obra).

Mais ainda, alegava Kardec, noutra parte de seus memoráveis escritos, que:

“Nós mesmos preparamos as perguntas e coordenamos o conjunto da obra; as respostas são textualmente as que foram dadas pelos Espíritos, escritas, na maioria, diante de nossos olhos, algumas extraídas de comunicações que correspondentes nos remeteram ou que coligimos por toda parte onde nos foi possível fazer estudos: para este fim, os Espíritos parecem multiplicar aos nossos olhos os assuntos de observação”. (Vide: “Revista Espírita” – AK – 1858).

No tocante ao tema de nosso interesse: das origens do Espírito humano, a questão 127 desta referida e primeira edição (1857), argumenta:

P-“A Alma do homem, não teria sido ela antes o princípio da vida dos últimos seres vivos da criação para chegar, por meio de uma lei progressiva, até ao homem, em percorrendo os diversos degraus da escala orgânica?”

R-“Não! Não! Homens nós somos desde natos. Cada coisa progride em sua espécie e em sua essência; o Homem jamais foi outra coisa que não um Homem”.

No que Kardec, nesta sua primeira edição, comenta:

“Qualquer que seja a diversidade das existências pelas quais passa o nosso Espírito ou nossa Alma, elas pertencem todas à humanidade; seria um erro acreditar que, por uma lei progressiva, o Homem passou pelos diferentes degraus da escala orgânica para chegar ao seu estado atual. Assim, sua Alma não pode ter sido antes o principio da vida dos últimos seres animados da criação para chegar sucessivamente ao degrau superior: ao Homem”.

Nesta primeira edição (1857), o que se constata, e, já era muito para a mente positivista e incrédula – de grande parte dos ocidentais europeus e americanos da época - o saber de que o Homem já tivera outras existências, vias palingenésicas, porém, reencarnando-se, sempre, em corpos de sua espécie, ou seja, da humanidade terrena, e porque não dizer, dos diversos Mundos que albergam as humanidades siderais.

Entretanto, em seu “epílogo”, Kardec declarava o seguinte:

“O ensino dado pelos Espíritos prossegue neste momento sobre diversas partes, cuja publicação eles adiaram a fim de termos tempo para elaborá-las e completá-las (sublinhado deste autor). A próxima publicação que se seguirá (ou seja: a de 1860) aos três livros (ou três partes) contidos nesta primeira obra, compreenderá, entre outras coisas (sublinhado deste autor), os meios práticos, etc. e etc.”. 

O que confirma, aliás, o contido em “Obras Póstumas” (AK), onde o “Espírito de Verdade”, em 17 de Junho de 1856, alertava Kardec sobre o seu primeiro “Livro dos Espíritos” (1857):

“Por muito importante que seja esse primeiro trabalho, ele não é, de certo modo, mais do que uma introdução. (sublinhado deste autor). Assumirá proporções que longe estás agora de suspeitar. Tu mesmo compreenderás que certas partes só muito mais tarde e gradualmente poderão ser dadas a lume, à medida que as novas ideias se desenvolverem e enraizarem. Dar tudo de uma só vez fora imprudente; importa dar tempo a que a opinião se forme” (sublinhado deste autor). (“Opus Cit.”).

E tais sublinhados (deste autor) comprovam a sabedoria daqueles que ditaram o seu mais importante “Livro”, ou seja, o Livro dos Espíritos superiores; tratava-se, o mesmo, pois, de uma introdução; importava dar tempo a que opinião se formasse; e tais advertências parecem circunscrever-se não somente ao espiritista e aos espiritualistas de um modo geral, mas também à comunidade científica, pois que, em 1859, surge o livro de Charles Darwin, o “A Origem das Espécies”, preconizando que o Homem não passa de um descendente de espécies primitivas, ou seja, um descendente dos reinos inferiores da criação.

O que alteraria, referida obra de Darwin, e, dir-se-ia, por completo, a opinião dos sábios, dos crentes e não crentes, dos filósofos e opiniáticos do assunto.

Ou seja: sobre a Seleção Natural contida na própria natureza e que acabaria por redundar: na conservação das espécies mais preparadas (evoluídas) para o agressivo meio terrestre; o que, aliás, dera estrutura à formalização do novo e mais completo “O Livro dos Espíritos”, o de 1860, cujo resumo, no tocante as origens do Espírito humano, se estendem às espécies inferiores dos demais reinos, ideia que prevalece, repito, até nossos dias.

O que se constata, finalmente, é que:

-Do ponto de vista das referidas publicações, Darwin antecipa Kardec no tocante às origens e progressividade das espécies primitivas até ao Homem, faltando ao primeiro, entretanto, o seu elemento principal, ou seja: o Espírito ascendente e promotor da forma, o que fora devidamente completado por Kardec.

-Mas, do ponto de vista espiritual, e, como Kardec e os Espíritos já trabalhavam com o segundo e definitivo “O Livro dos Espíritos”, dir-se-ia, e, talvez um tanto indevidamente, que Kardec antecipa Darwin em sua famosa teoria, conquanto este, também, a estivesse elaborando desde suas primeiras viagens de observação da natureza pelo Mundo todo, muitos anos antes.

Em suma, respeitando os que pensam diferentemente, não considero improfícuo ficar-se discutindo temas tão importantes, como também entrosantes, onde Espíritos e homens - que não passam de Espíritos reencarnados – estão, todos eles, laborando com suas idéias, suas concepções mais ou menos avançadas, onde tudo influencia tudo do campo mental das humanidades: encarnada e desencarnada; quando, ao mesmo tempo, todos progridem e avançam novos degraus da sabedoria que, em suma, resume cérebro e coração, ciência e afetividade, ou, mais amplamente: conhecimento, verdade e amor.

Finalizando, poder-se-ia, de tudo, conceber uma espécie de continuum “O Livro dos Espíritos” (1857 – 1860), porém, que se passa do primeiro para o segundo, e nunca o seu inverso.

Articulista: Fernando Rosemberg Patrocínio

E-mail: f.rosemberg.p@gmail.com

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