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quarta-feira, 16 de julho de 2014

MECANISMO DO PENSAMENTO CONTÍNUO

Nota de esclarecimento: 
“O artigo abaixo trata-se do exercício natural do direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. Não me compete censurar opiniões, ainda mesmo que eu, Jorge Hessen, não defenda pessoalmente as concepções de Pietro Ubaldi. 
Assim, deixamos aos leitores do meu blog em O Rebate o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere a seguir, pois o mesmo direito que tem o articulista de argumentar , temos todos o mesmo direito de refutar , de aceitar, ou não, os seus argumentos.” 
Fernando Rosemberg

Os leitores de meus modestos escritos devem ter notado meu interesse em sondar o Espírito, este componente principal de nós mesmos, que, entretanto, parece fugir às nossas indagações mais íntimas em função de nossa incapacidade psíquica, espiritual e moral, além de nos faltar, como é óbvio, sentidos outros para uma melhor análise do mesmo que, afinal, para complicar ainda mais, se distingue como:

-Espírito; 
-Corpo Mental; e, 
-Corpo Espiritual, ou Perispírito da concepção kardequiana;

Onde tudo, além do mais, encontra-se encerrado a uma máquina biológica de também mui complexa organização. Mesmo assim, não me contive em minhas indagações, e, a presente proposição também se inicia com Kardec que, na “RE” bem como em “A Gênese” trata do tema que, ao demais, também se encontra em páginas de “Obras Póstumas” como se podem conferir. Nesta última, no capítulo “Fotografia e Telegrafia do Pensamento”, Kardec pondera que:

“Sendo os fluidos o veículo do pensamento, este (o pensamento) atua sobre aqueles como o som atua sobre o ar; eles nos trazem o pensamento como o ar nos traz o som. Pode-se, pois, dizer, com verdade, que há ondas nos fluidos e radiações de pensamento, que se cruzam sem se confundirem, como há, no ar, ondas e radiações sonoras”. (Vide: “Obras Póstumas” – AK – Feb).

O que se prova, pois, não só pela Ciência Espírita como também pela provas inconcussas da Metapsíquica e da Parapsicologia: da transmissão do pensamento, ou, da telepatia entre dois elementos, demonstrando, pois, a irradiação mental dos homens, e que, portanto, prossegue além, se espraia e se difunde quem sabe ao infinito, haja vista não se ter e não se conhecer os limites da corrente mental que “parece” iniciar-se no Espírito e prosseguir além à sua revelia mesma.
E a pergunta que se faz é:

-Donde retira o Homem - o Espírito humano - tanta energia para irradiá-la e propagá-la por pensamentos durante todo o curso do dia, do seu estado de vigília?

Além do mais, para nós: os espiritistas, quando o corpo dorme refazendo suas forças, o Espírito se desprende do mesmo e prossegue mantendo suas relações habituais com os desencarnados, quando, da mesma forma irradia seus pensamentos, sua energia mental, continuamente, e sem exaurir-se ou fatigar-se.

E se reitera a pergunta:

-Quais seriam os Fundamentos da Corrente Mental? Qual seria, afinal, a mecânica transcendente de nós mesmos, ou seja, do Espírito, no tocante ao ato de pensar, de arrojar-se de Si mesmo, continuamente, sua energia mental?

-De que modo se dá referida faculdade no Homem e, portanto, de tal mecânica funcional nos demais seres e demais espécies da Natureza terrena que é tão somente parte ínfima da Natureza Universal?

Ora, se o Espírito humano despende de Si mesmo, incessantemente, tal energia do pensamento, de onde ele retira tanta força e tanta energia para um trabalho contínuo de sua Mente que, incansavelmente pensa, opera, reflete, ordena, compreende, estuda, numa dinâmica que, sem dúvida, deixa-nos atônitos perante tal problemática psíquica, ou seja:

-Donde o Espírito humano retira tamanha força e tão inesgotável energia para o tão desgastante trabalho de sua Mente que, afinal parece não desgastar-se, apesar dos desgastes da máquina cerebral?

-Seria então, de fato, a Mente humana consubstanciada por algo que nos escapa ao entendimento, e que, portanto, seria ela não de feitura exclusivamente cerebral, mas sim, de fundamento Espiritual?

-Todavia, mesmo sendo de ordem Espiritual, não seria um contra-senso cogitar de algo que: incessantemente trabalha em nós mesmos de forma tão brilhante despendendo diariamente sua energia mental, intelectual e moral para o desempenho de toda a sua dinâmica operacional?

São assuntos que demandam tempo, estudos aprofundados da temática, mas também boa dose de intuição, de inspiração de amigos da Espiritualidade, haja vista não se ter no Mundo terreno, algo que explicite de forma clara e precisa o modo funcional do pensamento contínuo do Homem e, já por aí mesmo, portanto, nossas dificuldades. 

Entretanto, sabemos que tudo vem de Deus, está em Deus e n’Ele permanece sob Seu influxo, ou seja, sob Sua Incessante Influência, Sua Idéia, Sua Atuação. Em Sua Jurisdição mesma, portanto, em Deus existimos e em Deus nos movemos como já dizia renomado pensador aos tempos do cristianismo nascente. O que significa dizer noutros termos, e, talvez, resumidamente, que, como criaturas pensantes, axiológicas e morais - e, conquanto não saibamos quando e por que fomos criados, e do que realmente nos compomos em nossa mais íntima elaboração psíquica – que, simplesmente: 

Somos o que Somos! Criaturas de pensamento ágil, leve e solto, incansável em sua mecânica mesma, pois somos o que somos: Espíritos derivados de uma substância divina desconhecida de nós todos, e que, por falta de termos mais adequados, dizemos que somos substância individualizada de outra substância amorfa, composta, estranhamente, de algum caráter cognitivo, e, por isto, somos Espíritos de pensamento dinâmico, que não se desgasta, não se cansa, em sua forma natural de Ser e de viver, de pensar e de trabalhar, com vistas a um futuro que se desconhece, mas que, se crê, seja melhor que o presente, repleto de lutas, de dores, de conquistas que não se satisfazem, sobretudo no campo da matéria, dos prazeres fugazes, das inglórias decepções.

Mas acima de tudo somos criaturas pensantes, conquanto ignoremos, por agora, a mecânica do nosso Eu, do nosso pensar, que, inobstante, deriva de Sua Existência, do Seu Pensar, de Sua Transcendência, que, ainda assim, permanecera Imanente no Espírito-filho, razão de ser de Sua existência em nós, Amorosamente nos dirigindo, nos encaminhando e nos influenciando desde nosso nascimento, cuja influência e inspiração haver-se-ão de dar por toda a nossa imortalidade.

Assim, pois, se existimos, só o “somos” em função do “Eu Sou Supremo”, que É a razão do nosso Ser, nosso existir e nosso incessante pensar. Entretanto, diga-se que as idéias presentemente elaboradas não são só do presente autor, mas decorrem de textos e afirmativas de um outro autor abalizado: André Luiz, e por que não, de Emmanuel que no-lo apresenta como esclarecido irmão, repórter, intérprete e médium de altas esferas espirituais.

Segundo André Luiz, nos aspectos genéticos de tudo:

“O fluido cósmico é o plasma divino, hausto do Criador ou força nervosa do Todo-Sábio. Nesse elemento primordial, vibram e vivem constelações e sóis, mundos e seres, como peixes no oceano”. (Vide: “Evolução Em Dois Mundos” - André Luiz – 1958 - Feb).
E continua:

“Nessa substância original, ao influxo do próprio Senhor Supremo...”. (Opus Cit.).

Mas paremos para algumas análises já por aí, e notemos que, em dita “Substância Original”, que é também tratada pelo referido como “Hálito Espiritual”, já se contata que tudo está ao “Influxo” da Inteligência Suprema, ao Seu controle, Sua divina influenciação. Ou seja, tudo se encontra ou se acha submetido a tal influxo, sem o qual, presume-se, nada poderia existir ou funcionar, e, por conseqüência, se pode dizer, pelo menos em tese:
Que só funcionamos, mentalmente, em função de algo que nos precede fundamentalmente. Ou seja, em função do: “Hálito Espiritual” ou energia cognitiva primordial onde vibramos e vivemos como peixes no oceano imensurável de tal substância, que emana do próprio Criador. Quero crer, pois, que só por ela somos o que somos; que só por ela agimos, operamos e trabalhamos de modo natural e espontâneo, e mais especificamente, ainda, com a naturalíssima mecânica do pensamento contínuo e dinâmico de nós mesmos. Porém, definamos melhor nossa linha de entendimento:

-“Hálito Espiritual”, ou “Energia Mental”, 

Que dimana de Deus-Criador; e,

-“Pensamento Concreto do Criador”,

Este último seria o Hálito Espiritual transformado em Algo Concreto tal como o define o citado “Evolução Em Dois Mundos” e o seu complemento monumental, se assim se puder conceituar o também mui útil e valoroso: “Mecanismos da Mediunidade” (André Luiz – 1959 - Feb). Portanto, outras considerações de André Luiz fazem supor que a coisa seja, realmente, algo parecido ao que se está vislumbrando por agora. Todavia, naquele seu outro trabalho, referido autor alega que:

“Em identidade de circunstâncias, apesar da diversidade dos processos, toda partícula da corrente mental, nascida das emoções e desejos recônditos do Espírito, através dos fenômenos íntimos e profundos da consciência, cuja estrutura ainda não se consegue abordar, se desloca, produzindo irradiações eletromagnéticas, cuja freqüência varia conforme os estados mentais do emissor, qual acontece na chama, cujos fótons arremessados em todas as direções são constituídos por grânulos de força cujo poder se revela mais, ou menos intenso, segundo a freqüência da onda em que se expressam”. (“Mecanismos da Mediunidade”);

Daqui se podem extrair conclusões interessantíssimas, como por exemplo, de que: a mecânica do pensamento contínuo no Homem, ou, no Espírito, tão só se arroja de si pela existência de alguma fonte, algo inesgotável da criação, e aqui, suponho, que seja o “Hálito Espiritual Divino”, onde o Espírito atua sobre o mesmo tal como um Modulador de tal “Hálito” ou, de tal “Energia Divina”, modulando e gerenciando referido campo de energia ao seu bel prazer, mas respondendo, todavia, pelo que resulte de sua co-criação, pois Criador só há um, reservando ao Espírito-filho o papel secundário de co-Criador, pois este viera d’Aquele, o Pai e Soberano Criador.

Ora, já refletimos a possibilidade de que: só funcionamos mentalmente, e, portanto, nos fazemos funcionar, agir e trabalhar com a mecânica do pensamento contínuo de nós mesmos, em razão da existência de algo que nos precede basicamente: o “Hálito Espiritual” ou energia cognitiva primordial onde vibramos e vivemos na imensurabilidade de tal substância divina, pois que emanada do próprio Criador. E sua comparação está em André Luiz mesmo quando alude, logo acima:

“Qual acontece na chama”;

Ora, a chama depende de uma fonte, e, para tanto, imaginemos a chama que decorre de uma porção de madeira (fonte), e, por extensão, e comparação com o Espírito, imaginemo-lo, com o seu pensamento irradiando continuamente de Si mesmo, onde tal, pois, depende de um elemento primordial (fonte), sendo que, no caso em questão, tal elemento e tal fonte seria o “Hálito Espiritual Divino”, fonte básica do pensamento de nós mesmos que se arroja pelos espaços celestes da criação, ou do “Pensamento Concreto do Criador”. 

Mas vejamos, da própria obra inspiradora do presente livro, como trata do assunto o prestigioso André Luiz; segundo ele, o fluxo energético do pensamento contínuo:

“Nasce das profundezas da mente, em circunstâncias por agora inacessíveis ao nosso conhecimento, porque, em verdade, a criatura, pensando, cria sobre a Criação ou Pensamento Concreto do Criador”. (“Mecanismos”).

Ora, nada “nasce” do nada, pois que o nada, nada pode produzir. Algo, para o nascer, este só o fará secundariamente, ou seja, em função de alguma já primordialmente existente. Com efeito: donde nasce o cafeeiro senão da semente do café; donde nasce a mangueira senão da semente da manga; donde nasce o Espírito senão de uma substância espiritual primeira; e donde nasce tal substância senão de Deus: o Criador. 

Mas imaginemos mais: cogitemos do brotar ou do nascimento das águas doces minando de alguma fonte terrena; tais águas só nascem de um manancial pré-existente situado ao fundo das superfícies e rochas terrenas. E, portanto, se o pensamento do Espírito nasce das profundezas da mente, ele não nasce do nada, mas de algo existente e real, o que se pode tipificar como “Hálito Mental Divino”, de que o Espírito se utiliza para reproduzir, gerenciar e administrar tal “Hálito” com suas expressões mentais mesmas, qual o conhecemos na forma de pensamento contínuo que se arroja do Ser e se expande para além de sua finita e imorredoura jurisdição. E, então, temos o seguinte gráfico: 

                                          ^ ^
                                           |  |
                             pensamento contínuo
                                           //\\
                                         //     \\
             hálito mental    // esp. \\   hálito mental
                            ---- >    \\        //    < ----
                              ---- >   \\-----//   < ----
                                    hálito mental
                                           ^ ^
                                            |  | 


Gráfico este, pois, da produção mental do Espírito (esp.) que atua como modulador ou gerenciador do hálito mental divino, passando-lhe ou transmitindo-lhe o caráter mesmo de sua maneira de Ser e de viver: culta ou inculta, criminosa ou correta, materializada ou espiritualizada, esteja ele reencarnado ou livre nos imensos espaços siderais; e onde o pensamento contínuo, pois, não nasce do nada, mas sim de uma imensurável energia cognitiva, ou, hálito primordial que dimana da fonte inesgotável do Criador.

Alguns perguntarão como se dá o funcionamento mais íntimo de tal questão em nós mesmos? Como trabalhamos tão bem essa questão do refletir, do cogitar e do pensar continuamente, que nos parecem coisas tão naturais e tão óbvios de nossa intimidade mesma? 

Aliás, tão natural como se nem percebêssemos sua atuação em nós, que, inobstante, se dá, o que indica, pois, nossa ignorância de coisas tão próximas e tão inerentes a nós mesmos, pois se verifica em nossa intimidade anímica e não sabemos como tal se verifica tamanha sua espontaneidade, como se a Potencialidade divina nos constrangesse a ser assim e não assado, e que, afinal, somos os seus autores sem sê-lo, por tratar-se de algo um tanto independente de mim, de você, e, em que, na verdade, parecemos cegos e ignorantes do trabalho cognitivo em nós mesmos, do seu modus operandis, sua atuação.

Isto nos dá a medida exata dos nossos conhecimentos, ou seja, que nem a nós próprios conhecemos: não sabemos o que somos e tampouco como funcionamos continuamente e tem gente por aí achando que sabe tudo quando nem de Si próprios sabem, pois que tudo ignora: de Si, de Outrem, do Criador. E, por isto quero crer que: quando retornarmos à nossa simplicidade, à nossa interioridade espiritual: saberemos; mas enquanto permanecermos na arrogância e na enganosa exterioridade das coisas: não saberemos. 

Ser é mais que ter! 

O interior parece importar mais que o exterior!

Mas um outro detalhe ainda não nos deve passar despercebido. Notem naquela sua lição que o autor nos fala de uma espécie de corrente mental e a cita diversas vezes em seu valoroso opúsculo, sendo que o Espírito pode ser imaginado:

-“Como sendo um dínamo gerador, indutor, transformador e coletor, ao mesmo tempo, com capacidade de assimilar correntes contínuas de forças e exteriorizá-las simultaneamente”. (“Mecanismos”).

-“Como alicerce vivo de todas as realizações nos planos físicos e extra físicos, encontramos o pensamento por agente essencial. Entretanto, ele ainda é matéria, - a matéria mental,...”. (“Mecanismos”).

-”... Imaginemos a Mente humana no lugar da chama em atividade. Assim como a intensidade de influência da chama diminui com a distância do núcleo de energias em combustão, demonstrando fração cada vez menor, sem nunca atingir a zero, a corrente mental se espraia, segundo o mesmo princípio, não obstante a diferença de condições”. (“Mecanismos”).

Ora, se considerar-se o Espírito como sendo um dínamo gerador da corrente mental, pergunta-se:

-‘De onde’ ou ‘do que’ o Espírito produz dita corrente mental?

-E mais: ‘corrente’ subentendem-se elos da mesma, de suas ligações recíprocas, e, questiona-se, por isto, onde se inicia tais elos?

Ora, se o Espírito se assemelha a um dínamo gerador, ele não gera do nada, mas sim, de alguma coisa que lhe preceda na ordem natural das coisas, e, portanto, ainda aqui, creio que ele gera do referido “Hálito Espiritual” divino; local onde se inicia os elos primeiros da referida corrente mental que se espraia universalmente.

Mas, por outro lado: ‘corrente’ é algo que está em curso, fazendo um determinado movimento e, no caso em questão, um mover-se de um lugar para outro, ou seja, do Espírito para fora, para além de Si mesmo, irradiando e arrojando de uma fonte primária, e, não sendo o Espírito tal fonte primária, ele não passaria de um Ponto deveras importante da cadeia, mas não o próprio manancial.

Tal Ponto, pois, trata-se do Espírito mesmo, de seus mecanismos imponderáveis, sua natureza mesma, e que parecem funcionar de modo discreto, silente e incansável em sua vigência mesma, e que, por ora, principiamos cogitar e mais, fundamentalmente, conhecer. Por outro lado, não estou sozinho em minhas perspectivas quando André Luiz informa que o Espírito está dotado da:

“Capacidade de assimilar correntes contínuas de forças e de exteriorizá-las simultaneamente”. 

Significando dizer, portanto, que a mecânica do pensar e do cogitar incessante do Espírito reencarnado, ou livre pelos espaços metafísicos, se dê, pelo menos teoricamente, nos moldes das idéias aqui propostas e do gráfico simplificado supra, razões de ser da presente proposição que ora encerro para um dia prosseguir, quando de maior e melhor perspectiva conceitual; e, sobretudo, espiritual.




Articulista: Fernando Rosemberg Patrocínio

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