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quinta-feira, 8 de maio de 2014

LUCIANO DOS ANJOS (14.02.1933 – 03.05.2014)


Nota de esclarecimento: 
“O artigo abaixo trata-se do exercício natural do direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. Não me compete censurar opiniões, ainda mesmo que eu, Jorge Hessen, não defenda pessoalmente as concepções de Pietro Ubaldi. 
Assim, deixamos aos leitores do meu blog em O Rebate o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere a seguir, pois o mesmo direito que tem o articulista de argumentar , temos todos o mesmo direito de refutar , de aceitar, ou não, os seus argumentos.” 




Articulista: Fernando Rosemberg PatrocínioEmail: f.rosemberg.p@gmail.comBlog: http://fernandorpatrocinio.blogspot.com.br


As 16h45min do dia 05 de Maio do corrente ano de 2014 recebo do querido amigo espiritista e escritor Jorge Hessen, o seu e.mail noticiando o trespasse do renomado escritor e jornalista Luciano dos Anjos.

Óbvio que o fato me entristecera, afinal, são tantos escritos do nosso “irmãozinho” Luciano, e, sobretudo, os que hoje estão disponíveis na internet, os quais me interesso, leio e releio com atenção, pois retratam a cultura e a erudição do seu autor, um dos maiores conhecedores do Espiritismo nos tempos modernos, indubitavelmente. 

E, ao querido Hessen eu respondi por aquele mesmo veículo de comunicação:

“Meu querido Hessen”:

“Hoje pela manhã me lembrei do Luciano”.

“Tanto é que aquele meu primeiro livro em formato e.Book: ‘Análise Crítica da CUEE’ que você publicou em ‘O Rebate’, eu o remeti a ele hoje cedo para que o sábio – apesar todo o conhecimento que abarcava e com posição já tomada com relação a todos os aspectos de nossa querida Doutrina – me desse sua abalizada opinião”.

“Mas é isto daí: ninguém morre: ele, pois, desencarnou, e haverá de estar ainda mais lúcido nas altas esferas da vida espiritual aonde já vinha fazendo suas excursões, sobretudo nos últimos tempos, quando a idade já avançava e o desprendia do enferrujado, mas tão útil veículo carnal”.

“Confesso a você, como já confessei a ele mesmo: o Luciano me parecia meio esnobe na expressão de toda a sua cultura, mas sou sincero meu caro Hessen: eu o amava, adorava seus escritos, sua cultura, suas tiradas geniais, sua piadas; o Luciano, para mim, era o máximo, e isto eu confessava para ele, pois está lá, registrado nos seus e.mails”.

“Que Deus o tenha meu querido Luciano...”.

“Minhas preces para ti...”.

E finalizei o e.mail com o Hessen, que é a prova viva de tudo quanto estou relatando. 

E o fato é que, dias atrás do comunicado do Hessen, eu havia tido um breve contato com o Luciano por e.mail, e até escrevi este breve texto já disposto em meu blog (Espiritismo e Política do Mundo) e que, agora, peço ao Hessen para também postá-lo em “O Rebate” ou em outro site dos muitos a sua disposição. 

O texto, na íntegra, fora este:

Quem, do meio espiritista contemporâneo, não ouvira falar de uma figura polêmica, mas, sobretudo, de uma cultura e de um conhecimento invejáveis: o jornalista, escritor e espiritista Luciano dos Anjos.

Mas por que: polêmico! Na verdade eu não o vejo assim; para mim trata-se de um ser humano de bons princípios, excelente pai de família, com seus valores próprios, suas idéias e tudo o mais. Mas os espiritistas, sobretudo os mais ortodoxos, o vêem sob a ótica do indivíduo polêmico por ser um intelectual rustenista, ou seja, por acatar e divulgar a obra de J-B Roustaing, autor de “Os Quatro Evangelhos”, (Revelação da Revelação), editada pela Feb, que, por sinal, a tenho em minha pequena biblioteca, mas confesso, apenas dei uma passada de olhos, sem muito me interessar pela mesma que, de tanta falação, de apologéticos e detratores, já a conheço relativamente bem. 
E quando preciso vou lá e dou uma espiadela, me informo independente do fato íntimo de que eu lhe seja a favor ou contra, pois que, afinal, quase nada sabemos das reais condições do veículo somático que Jesus teria envergado durante sua passagem pelo Orbe terreno.

E o fato é que não sou de jogar pedras, de condenar ou de julgar a quem quer seja; ora, ao âmbito das idéias, espiritistas ou não, somos livres pensadores; e, portanto, guardo alguma ponderação em meus atos e, já faz uns quarenta anos que estou aprendendo uma regra áurea e uma grande virtude de Kardec: o bom senso encarnado (ou melhor: reencarnado).


Do Luciano, tenho em minha biblioteca um único volume intitulado: “A Anti-História das Mensagens Co-Piadas” (2006 - Leymarie Editora), de grande interesse a todo estudioso e pensador espiritista; em sua contracapa destacam-se as seguintes palavras de apresentação:

“Reconhecido como um dos maiores conhecedores da história do Espiritismo e tendo participado dos mais importantes eventos do movimento espírita, o jornalista Luciano dos Anjos retira dos seus arquivos a verdadeira história do chamado escândalo das mensagens copiadas”. 

“Neste livro, o leitor encontrará tudo sobre as motivações da estranha carta escrita por Francisco Cândido Xavier; sobre os bastidores da crise de 1962, que sacudiu o movimento espírita; sobre o emocionante encontro na casa do presidente da Federação Espírita Brasileira. Um depoimento com todas as tensões que marcaram a década de 60, no mundo e no âmbito do movimento espírita. Um livro que revela o papel verdadeiramente cristão dos presidentes Antônio Wantuil de Freitas e Armando de Oliveira Assis. Um livro que consagra a mediunidade e analisa o comportamento dos dois maiores médiuns do mundo: Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco”. (Opus Cit.).

Trata-se de um livro, por tudo: excelente, seríssimo, coisa própria de um honesto e mui destacado intelectual. E o fato é de que alguns anos para cá, tive alguns contatos com o Luciano por e.mail, e que, de fato, constato: trata-se de um excelente ser humano, um pensador formidável que, a partir daí, passei a admirá-lo mais e mais, e sempre que oportuno temos nossos contatos, tanto é, que acabo de receber, neste primeiro dia do mês de abril de 2014, um seu e.mail intitulado: “31 de Março e 1º. de Abril de 1964”, do qual tecerei alguns breves comentários sobre “Espiritismo e Política do Mundo”, extraídos do referido e que talvez possa interessar ao estudioso espiritista. Vamos a algumas passagens do Luciano:

“Explico claramente meu entendimento nessa questão em meu livro ‘O Atalho’, no capítulo V, tópico ‘9-Espiritismo e Política’, que posso sintetizar assim”:

“O Espiritismo não é contra a Política e nem contra os Políticos. Mas ele em si não é Político e nem admite que dele se aproveitem politicamente”.

“Em artigo que fiz publicar no ‘Diário de Notícias’ de 20.05.70. p.5, fui muito taxativo”:

“Espiritismo e Política são incompatíveis. É inútil tentar um paralelo entre ambos”.

 Prosseguindo, alude o célebre jornalista:

“Ou a criatura faz Política ou faz Espiritismo. O que não invalida, é lógico, a hipótese de o Político ser espírita. E é até bom que o seja. Mas saberá sempre, com mais razão, que não se pode servir a dois senhores ao mesmo tempo, tal como prescrevem os Evangelhos. Recordemos, a propósito, a tentativa farisaica no sentido de envolver Jesus politicamente nos acontecimentos de sua época. Quiseram mesmo fazê-lo líder do movimento de libertação material dos judeus. O Mestre não apenas se furtou à manobra, mas situou clara e explicitamente a sua presença entre nós, alheando-se da política de César e tão somente preparando os homens para a redenção espiritual”. 
“A alusão a seu Reino, que não era e nem é deste mundo, desestimularia qualquer jogada política, de quem quer que fosse”.

E, após algumas necessárias digressões, prossegue:

“Não se infira disso tudo que a Política é um mal. Claro que não. Encarada apenasmente como a Arte de Governar ela tem a sua razão de ser e há inúmeros Políticos de ilibada moral e imaculado comportamento. Contudo, a cada um o seu mister. Isto porque, a Política exige às vezes tomadas de posição que não são imorais ou ilegais, mas acabam fazendo gerar incompreensões, intolerâncias, radicalismos, extremismos, para não dizer vaidades e presunções. Ela exige, não raro, atitudes em bloco de bancadas, nem sempre capazes, nos seus fins, de reunir o endosso consciencial da unanimidade. No entanto, é preciso votar”.
  
E prossegue ainda:

“E votar partidariamente, e não individualmente. Mas, isso seria um crime. Não, claro que não. O sistema partidário implica essas nuanças. Todavia, a Religião (ipso facto, o Espiritismo) não pode subjugar-se a compromissos de qualquer outra natureza que não seja o da aproximação da criatura com o seu Criador. Qualquer sistema que vise mais às vantagens humanas do que ao progresso espiritual extrapola da Doutrina de Allan Kardec. Por isso tudo é que o Espiritismo não é contra a Política, mas prefere que ela seja feita pelos Políticos. Aos espíritas, pois, cabe fazer Espiritismo e nada mais”.

E cita, mais adiante, trecho mui importante de André Luiz, da obra “Conduta Espírita” (Feb):

“Repelir acordos políticos que, com o empenho da consciência individual, pretextem defender os princípios doutrinários ou aliciar prestígio social para a Doutrina, em troca de votos ou solidariedade a partidos e candidatos. O Espiritismo não compactua com interesses puramente terrenos”. 
“Não comerciar com o voto dos companheiros de Ideal, sobre quem a sua palavra ou cooperação possam exercer alguma influência. ‘Nenhum servo pode servir a dois senhores’ - Jesus (Lucas 16-13)”.

Eis aí, pois, o que gostaria de divulgar sobre o Espiritismo e a Política do Mundo, nas opiniões e sentenças doutrinárias do Espírito André Luiz e de um dos mais ilustres pensadores do nosso movimento que é a figura impar de Luciano dos Anjos, opiniões das quais me compartilho e concordo inteiramente, ipsis litteris, ou seja: pelas mesmas palavras, mesmas letras, de forma inteira e incondicional.  

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