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domingo, 4 de maio de 2014

ANÁLISE CRÍTICA DA CUEE



Nota de esclarecimento: 
“O artigo abaixo trata-se do exercício natural do direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. Não me compete censurar opiniões, ainda mesmo que eu, Jorge Hessen, não defenda pessoalmente as concepções de Pietro Ubaldi. 
Assim, deixamos aos leitores do meu blog em O Rebate o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere a seguir, pois o mesmo direito que tem o articulista de argumentar , temos todos o mesmo direito de refutar , de aceitar, ou não, os seus argumentos.” 

FERNANDO ROSEMBERG PATROCINIO



(TITULO DO E.BOOK)
ANÁLISE  CRÍTICA  DA  CUEE


          INTRODUÇÃO

CAPÍTULO 1: PRIMEIRAS EXPLICAÇÕES

CAPÍTULO 2: O CONCEITO DA CUEE

CAPÍTULO 3: NÍVEIS DO PSIQUISMO TERRENO

CAPÍTULO 4: PARADIGMAS ESPIRITISTAS

CAPÍTULO 5: KARDEC,UBALDI E XAVIER

CAPÍTULO 6: RE-INÍCIO DA CUEE

CAPÍTULO 7: MUDANÇA DE PERSPECTIVAS

CAPÍTULO 8: AMAI-VOS: O PRIMEIRO ENSINAMENTO

CAPÍTULO 9: O CARÁCTER RELATIVO DA CUEE

CAPÍTULO 10: NOVA CONCORDÂNCIA: CUTE



INTRODUÇÃO

As idéias do presente e.book, ao referir-se ao “Modelo Evolutivo” de Kardec, que se completa no que denomino “Modelo involutivo-Evolutivo”, ou “Mecanismo Fenomênico Involutivo-Evolutivo”, poderão levantar dúvidas acerca de tais posturas que, entretanto, tentarei sanar de forma breve aqui mesmo, e, sobretudo, para os neófitos do Espiritismo.

No presente escrito, pois, estarei analisando as possibilidades de uma concepção pluralística da CUEE, onde levanto inúmeras argumentações, fatos e dados extraídos de documentações sérias para reforçar e justificar tais idéias que, entretanto, e apesar de, se questionaria:

Mas os escritos de Kardec não pautam pela clareza mesma quanto a isso e quanto a quaisquer outras questões atinentes ao Espiritismo? E respondo que Sim, é claro que sim! E haveria modos diferentes de se interpretar a CUEE? Da mesma forma, respondo que Sim!

O que significa inferir, da última dedução, que se pode interpretar e reinterpretar tal princípio ampliando-o pluralisticamente no Tempo-Evolução. É o que meu lápis intuitivo, aliado à minha racionalidade, que entendo seja de características formais, irá abordar, ou seja: levantar outras possibilidades interpretativas do mesmo, e, portanto, distende-lo no vasto campo de sua atuação filosófica e doutrinária. 

(o Autor: um aprendiz como você mesmo: Leitor)



CAPÍTULO 1: PRIMEIRAS EXPLICAÇÕES
O tempo passou celeremente desde a implantação do Espiritismo no Mundo em 1857. Passou e muita coisa mudou. E isto pelo simples fato de que Tudo é Mutável, tudo se alinha e se retifica o tempo todo pelo método que se nos aplica, a propósito, à nossa revelia, e que se entende como: Evolução. 
E o panorama espiritista do Século 20 que se findara, em termos de novos conhecimentos e de respectivos aprofundamentos, já não é mais o mesmo do Século 19 de Kardec. Tratava-se naquele tempo de se implantar uma Doutrina inteiramente nova no seio de uma sociedade agitada por tantas crenças, tantas idéias e clarões filosóficos diversificados. Tínhamos ali um caldeirão fervilhante e repleto de novos ideais. E nesse ambiente mesmo nascia não só o Espiritismo como também o Evolucionismo darwiniano em meio a um Positivismo ateu que se opunha a quase tudo e, inclusive, e, com razão, às crenças escolásticas medievais. E o Espiritismo, apesar de tantos obstáculos e de tantas perseguições, implantara-se ao seio do conhecimento terreno. 

E, tendo-se implantado, e, uma vez abertas as portas da Espiritualidade, não se tem como fechá-las, pois que, doravante, suas luzes vão se fazer brilhar mais e mais intensamente mostrando ao Homem progressista o seu glorioso futuro espiritual.

Em face de tanta luz, tantos trabalhos de confiáveis instrutores humanos e espirituais, sejam ao tempo de Kardec, e, mesmo pós-Kardec, hoje não se tem mais como ver o Espiritismo, estudá-lo e interpretá-lo - exceto pelos mais ortodoxos - tão somente pelos moldes clássicos do Codificador que, em sua lucidez, declarara em Julho de 1866, que:


“...’O Livro dos Espíritos’ não é um tratado completo do Espiritismo; apenas apresenta as bases e os pontos fundamentais, que devem se desenvolver sucessivamente pelo estudo e pela observação”. (Vide: “Revista Espírita” – Allan Kardec – Edicel).
E, em muitas outras passagens de seus importantes escritos, Kardec vai nos mostrar que o Espiritismo, com um todo, não poderia e não pudera, ainda, no seu tempo, constituir uma Doutrina Completa. Para ele:
“Não se pode exigir de uma criança o que se pode esperar de um adulto, nem de uma árvore que acaba de ser plantada o que ela dará quando estiver em toda a sua pujança”. 
E continuava:
“O Espiritismo, em vias de elaboração, somente resultados individuais podia dar; os resultados coletivos e gerais serão frutos do ‘Espiritismo Completo’, que sucessivamente se desenvolverá”. 
E, mais adiante, reconhece que o Espiritismo ainda não dera: 
“sua última palavra sobre todos os pontos”, que, entretanto, “aproxima-se do seu complemento e soou a hora de se lhe oferecer uma base forte e durável, suscetível, contudo, de receber todos os desenvolvimentos que as circunstâncias ulteriores comportem”. (Vide: “Obras Póstumas” – Allan Kardec). 
E isto, pois, se dera ao tempo da Codificação. Mas o tempo não para. Registra-se, hoje, 157 anos desde o advento consubstanciado pelo “O Livro dos Espíritos”, datado de 1857, e, um pouco menos, portanto, das considerações que Kardec fizera do Espiritismo conforme escritos de “Obras Póstumas” e da RE, de nossas anotações. Hoje, parece-me, já se pode vislumbrar que o Espiritismo é uma Doutrina Completa em vista do “Mecanismo Fenomênico Involutivo-Evolutivo” da obra de Pietro Ubaldi.
Obra que fora, aliás, ratificada por médiuns ingleses, italianos, brasileiros, e inclusive, como é óbvio, pois, da iluminada obra xavieriana que confirma tal “Mecanismo Fenomênico”. 
E o fato é que o Século 20 veio representar o período dos grandes médiuns escreventes, intuitivos, psicofônicos, propagadores do conhecimento espírita a todos os rincões, todas as classes sociais, todas as mentalidades possíveis de se alcançar. A mim parece que tudo fora previsto por Kardec que, numa das edições de sua importante RE, proclamava: 
“É, sobretudo no Século 20, que verá florescerem os grandes apóstolos do Espiritismo, e que poderá ser chamado o Século dos Messias”. (“Revista Espírita” – Allan Kardec - Março – 1868).
E, de fato, tudo confirmado:
Divaldo Pereira Franco – médium psicógrafo e orador – além de suas quase trezentas obras, se nos assemelha ao apóstolo Paulo pregando a mensagem espírita no Mundo inteiro; Chico Xavier – de mediunidade polimorfa – com suas mais de quatrocentas obras, se nos mostra como um dos mais importantes mensageiros do Cristo, do Amor Incondicional; Pietro Ubaldi – um fenômeno mediúnico de grande capacidade intuitiva e inspirativa – com suas vinte e quatro obras de cunho Cristocêntrico, porém fundamentadas em aspectos filosóficos e científicos que, por muitas revelações a ele condizentes, o colocam como sendo a reencarnação do apóstolo Pedro.
Por outro lado, é inegável que as bases científicas e filosóficas da novel Doutrina já foram consolidadas por sábios pesquisadores do Mundo todo. Mas trata-se, com efeito, de difundi-la e desenvolvê-la ainda mais, filosoficamente, moralmente, e, porque não dizer, religiosamente, mostrando sua poderosa correlação com o Reluzente Cristianismo do Mestre Nazareno.
E as luzes espiritistas se fizeram, se difundiram vastamente em sua curta história de 157 anos em nosso Mundo. Isto porque os povos estão sedentos de novas luzes e novos padrões comportamentais, de paradigmas conducentes a um Ideal Maior, de amplidões cósmicas, universais. 

Se as crenças atadas ao nível bíblico ainda se faz presente em nossos dias, face às condições Pré-Lógicas de grande parcela da Humanidade, não se pode negar que o Mundo também se renova e está tratando das renovações emancipadoras do clero e do religiosismo ultrapassado, rasteiro e comercial. Mas tudo tem seus motivos, suas razões, que, sem dúvida, se nos mostram abertamente, estando às vistas de todos nós.
Às vezes, sinto que as multidões têm mais juízo que alguns sacerdotes, pastores e condutores de seus diversos crentes no campo iniciante de sua espiritualidade, pois se vêem todos os dias que tais adeptos parecem estar cada vez mais lúcidos e aptos a aceitar os fatos da Comunicabilidade dos Espíritos, e até mesmo da Palingenesia, e outros princípios mais do Espiritismo, que os seus rasteiros condutores querem opor e condenar. 
Entretanto, externava linhas atrás, relativamente à CUEE, que existem sim, possibilidades diferentes de se pensá-la, de se reinterpretá-la, e, portanto, de se renová-la, e, fundamentalmente por quê? E respondo ser por causa dos novos tempos, dos novos quadros desenhados pelo Espiritismo, pelos grandes expositores clássicos e intuitivos da novel Doutrina, sobretudo das últimas décadas do Século 19, bem como pelos grandes médiuns escreventes e psicofônicos do Século 20 que acaba de se findar.
E, portanto, e, por tais motivos, penso que as idéias aqui esposadas não virão constituir nova heresia doutrinária. Não se trata, absolutamente, de um desrespeito ao grande Codificador do Espiritismo que admiro, albergo e tenho em tão alta estima e consideração.
Mas trata-se, indubitavelmente, de uma constatação positiva e extraída, portanto, e, cientificamente, de um posicionamento sociológico e cultural que se implantara no decurso de um Século e Meio (150 anos) de experienciações mediúnicas embasadas e permitidas, penso, pela Espiritualidade Maior sob os auspícios do nosso Mestre Jesus. 
Passando tudo a limpo: quero dizer que tudo fica como está na Codificação mesma. Ela, também para mim, é uma obra inalterável em sua superior e tão brilhante concepção; e inclusive o conceito que dimana da CUEE. O que proponho, repito, é apenas e tão somente um novo modo de se ver o referido conceito em face de um tempo que se maturou neste sesquicentenário do Espiritismo no Mundo. 
Um tempo que se vive ainda agora, que se reflete em nossas vidas, em nosso entendimento filosófico e doutrinário deste início do Século 21, e que ainda vai perdurar pelos tempos afora, pois se trata de coisas duradouras e perenais. Assim, das muitas idéias da novel Doutrina, do seu importante princípio da Concordância Universal, vou tentar produzir conceitos mais amplos, alternativos e com alguma possibilidade de solução para alguns problemas encontradiços em nosso meio. Porém, sem nunca atingir um fim, pois o que pensamos ser o fim poderá ser o recomeço de alguma outra coisa mais complexa, e assim por diante, sucessivamente.
Portanto, trago à baila a possibilidade de levantar-se o véu do que proponho seja uma espécie de Dimensão Relativística da CUEE, que, em sua dinamicidade, é conceito derivado da Razão, dependendo, pois, das análises desta, de normas relativas à sua:
-Aplicabilidade, à sua:
-Eliminabilidade, e até mesmo de uma sua possível;
-Alterabilidade.

E daí, sua relatividade intrínseca, ressaltante, pois, de uma sua possível Conceituação Pluralística, como se verá passo a passo doravante. E tudo, como é óbvio, sem isentar-se da Razão e porque não dizer: do que houver de melhor em nós mesmos em termos de qualidades morais e espirituais. 


Assim, espero que tais idéias possam trazer algum contributo, qualquer contributo, acerca da relatividade de tudo, e, até mesmo, da minha, da sua, da nossa maneira de pensar e de refletir o Mundo das Conceituações Espiritistas, como também, e, sobretudo, kardecistas. Iremos, pois:
-Da análise particular do problema à sua Idéia Mais Geral; e
-Da solução simples e inamovível à Solução Dinâmica e Inovadora.
E, tudo isso, teoricamente, como já proposto inicialmente, de se analisar as possibilidades extensíveis da CUEE.
CAPÍTULO 2
O  CONCEITO  DA  CUEE
Sabe-se que o Espiritismo é, sobretudo para mim, a Universidade do Espírito; paradoxalmente, uma Universidade notoriamente simples em sua expressividade; mas notoriamente complexa em sua profundidade.
Basta ver a quantidade de aprofundamentos que se fizera por ela, em torno dela, neste curto período de sua implantação. Apenas e tão só Xavier, o maior psicógrafo de todos os tempos da Humanidade, ultrapassara a produção de quatrocentas obras. Um fenômeno literário mundial, e, gigantesco, indubitavelmente.
Mas retornemos a Allan Kardec que, ao seu tempo, de 1857 a 1869, como se sabe, viera a traçar algumas condições objetivando preservar-se o Espiritismo das teorias controversas, das seitas que dele quereriam se apoderar em seu proveito, visando protegê-lo das inverdades e das mistificações. Ponderava em “O Evangelho Segundo o Espiritismo” (Allan Kardec – 1864 - Feb) que a primeira condição:
“... é, pois, sem contradita, o da Razão, ao qual cumpre se submeta, sem exceção, tudo o que venha dos Espíritos. Toda teoria em manifesta contradição com o bom senso, com uma lógica rigorosa e com os dados positivos já adquiridos, deve ser rejeitada, por mais respeitável que seja o nome que traga como assinatura”. (Opus Cit.).
Assim, pois, confirma-se com Kardec, que a primeira condição, é, sem dúvida, o da Razão; que a ela deveria e deve ser submetido tudo quanto venha dos Espíritos, confrontando-se ainda com o bom senso e com os dados positivos obtidos até então. Mas, sua experiência no trato com os Espíritos mostrara a Kardec que esta primeira condição, por si só, era incompleta; ela era, evidentemente, necessária, mas deveria ser ampliada com outra adicional: a da concordância.
Assim se pronunciara Kardec sobre o referido tema:
“Uma só garantia séria existe para o ensino dos Espíritos: a concordância que haja entre as revelações que eles façam espontaneamente, servindo-se de grande número de médiuns estranhos uns aos outros e em vários lugares”. (Opus Cit.).
E confirma logo a seguir, que tal se destina, sobretudo, aos princípios mesmos da Doutrina e não a questões secundárias, ou seja, de menor importância. E tal conceito kardequiano ficara registrado como:
CUEE: Concordância Universal no Ensino dos Espíritos. 
Mas sabe-se que, em “O Livro dos Médiuns” (1861), Kardec também advertira sobre a importância do conteúdo do ensino transmitido pelos Espíritos, e que a pessoa da instrumentalidade mediúnica é um tanto irrelevante, com isso pretendendo ministrar que não devemos endeusar a ninguém e tampouco os nossos médiuns. Amar e respeitar são obrigações de todo espiritista a outrem, mas endeusar é coisa bem diferente. O nosso Chico Xavier, em observância, se dizia tal como formiga das menores.
O que não se verifica com todos os médiuns, faltando-lhes humildade, desprendimento, abnegação. Atualmente, vamos nos deparar com grande quantidade de livros, estudos, opiniões, ditados e novos princípios mostrados aqui e ali, e que estão muito distantes do conceito da CUEE, casos em que deve o estudioso espiritista procurar, consoante Kardec, ouvir a Voz da Razão, ou, pelo menos, no quanto lhe houver dela, do seu Discernimento, Critério e Inteligência, uma vez que tais potências em nós, constituindo unidade na multiplicidade de suas funções, são fundamentalmente evolutivas.
Ora, Jesus falava por parábolas, numa linguagem figurada, para se fazer entender pelos seus pares, pouco evoluídos em Compreensão, Inteligência e Razão, que, afinal, se entrosam mutuamente em nossa estrutura mental.

Assim cogitando, dir-se-ia que Inteligência se define como capacidade de raciocinar, de planejar, resolver problemas, aprender e compreender, se confundindo e se entrosando, pois, com a Razão, que, para muitos, é sinônimo de Inteligência. Iniciando-se como função Pré-Lógica, o fato é que nossa Inteligência se vai desenvolvendo para a chamada Racional Concreta que, por sua vez, vai ascensionar-se ainda, e, nalguns, já pudera culminar na mais alta delas, na que se conhece como Inteligência das Operações Intelectuais Formais, sendo esta, pois, altamente teórica, pois, raciocina sobre hipóteses, consegue produzir esquemas conceituais complexos, matemáticos e outros mais avançados, trabalhando com desenvoltura nas coisas ditas abstratas, incorporando Lógica Formal, situando-se, pois, acima das que lhe precedem e que fazem parte da grande massa das Inteligências terrenas.
Assim sendo, e, só por aí, nos deparamos com uma real e imediata dificuldade: a qual Razão se referia Kardec quando de sua construção do referido conceito da CUEE? Ora, em seus antípodas temos a Razão do bárbaro numa ponta, ou seja, de indivíduos notadamente cruéis, devotados ao mal, estando tais elementos presente em todas as classes sociais terrenas; e, na outra ponta, a Razão de um Kardec mesmo, de Inteligência nitidamente Formal, que é a Razão dos mais reluzentes espiritualistas, filósofos e cientistas que, nos últimos séculos vem revolucionando o conhecimento, o saber, em todas as áreas culturais.
Para o instrutor André Luiz, da lavra xavieriana, mais da metade da Humanidade (cerca de 60%) encontra-se na infância do conhecimento; e outra parte (presumo 37%) já se alçara à Razão particularista; e o restante (em torno de 3%) tem o domínio da superconsciência, dos sentimentos mais sublimados, onde tais elementos buscam identificação e sintonia com as mais altas esferas da vida, do pensamento, da plena conscientização. (Vide: “No Mundo Maior” – André Luiz – Feb).


Tal gradação psíquica, como se sabe, encontra alguma semelhança com o exposto pelo pensador intuitivo Pietro Ubaldi (Vide: “Ascese Mística” – PU – Fundapu), e, sem sombra de dúvidas, com um grande pesquisador da Inteligência humana desde o seu surgimento neste Mundo. (Vide: dentre outros: “A Psicologia da Criança” - Jean Piaget e Barbel Inhelder – Editora Bertrand Brasil). Piaget, por sua vez, dava a tal classificação de André Luiz e de Ubaldi, sem conhecê-los, evidentemente, os nominativos de:
-Inteligência Pré-Lógica, Inteligência Concreta e Inteligência Formal. 
Sendo os três: André Luiz, Pietro Ubaldi e Piaget, por tudo diferente; o primeiro é um dos maiores instrutores espirituais do nosso tempo; o segundo, um Ser humano dotado de intuitividade supra-racional que, em suma, se classificaria como um médium filosófico-científico; e o terceiro, também um Ser humano, porém, um cientista e pesquisador do desenvolvimento da Inteligência humana desde o nascituro. Piaget, consoante suas pesquisas, mostrava aquela sua escala de Inteligências, uma desembocando na outra, como sendo evolutivas, tendo apurado ainda que esmagadora maioria dos jovens do seu universo de pesquisa não consegue atingir esta última: das Operações Intelectuais Formais.
O que significa dizer que nossa Humanidade constitui-se de um psiquismo variadíssimo, onde um plano de inteligência entrosa-se com outros de menor ou maior alcance conceitual, formando uma miscelânea de psiquismo bastante interessante. O que torna, já por aí, um tanto difícil conceituarmos a Razão Ideal, aquela a que se referia Kardec, pois que se verifica, além das retro citadas, a constatação de outras ainda, quais sejam: da Razão quase totalmente cega do religioso fundamentalista, e, nos seus antípodas, a Razão cética dos incrédulos, situando-se de permeio, a Razão equilibrada com a Fé, dos ditames de que:

“Fé inabalável só o é aquela que pode encarar a Razão face a face em todas as épocas da Humanidade”. (Allan Kardec).
Já por aí, pois, verifica-se uma quantidade algo inumerável de Razões, de Inteligências, de Conceitos, dificultando, pois, encontrar-se a Razão Ideal, aquela mesma da proposição kardequiana, vulnerabilizando um tanto, e, sem dúvida que enfraquecendo sua construção avaliativa da CUEE.
Para mim, portanto, a Razão, bem como Inteligência, ao que tudo indica: sinônimos, são faculdades essencialmente evolutivas, percebendo-se que, as minhas potências, por exemplo, diferem das suas, das de outrem, na infinita distinção de tudo, significando expressar que somos um tanto diferentes, conquanto iguais e de tipo único perante Deus. 
CAPÍTULO 3
NÍVEIS  DO  PSIQUISMO  TERRENO
Assim, vimos que nossa Humanidade se constitui de um psiquismo variadíssimo, onde um plano cognitivo mais alto entrosa-se com outros de menor alcance e com outros menores ainda, formando amálgama de psiquismo bastante interessante; o que não dizer de planos mais baixos ainda como, por exemplo, dos animais e seu psiquismo muito mais emocional.
Mas penso haver distintos modos de se encarar tal psiquismo em nossa Humanidade. Este aprendiz de escritor, pessoalmente, vê que a Pré-Lógica reflete o obscurantismo da maior parte de nossos pares terrenos com suas condutas rasteiras, acanhadas e anti-científicas, denotando um caráter intelectual notoriamente Simplista, deixando-se ludibriar por inverdades, magias, mitos e coisas irreais, retendo, pois, baixa compreensão das coisas e das leis que regem o Mundo em seus aspectos físico, metafísico ou espiritual. E se os vê por toda parte e, sobretudo, no campo das massas fideístas que se esquivam de argumentações e procedimentos lógicos pela imposição de sua crença arcaica e destituída de maior nível de racionalidade.
O que é compreensível; tudo se dá por evolução paulatina, expressando que o átomo, a exemplo, não chegará a ser arcanjo senão por vagarosos processos ascensionais, e não de forma abrupta e descontínua. No tocante, pois, à Inteligência Concreta, ou Transitiva, vejo que os indivíduos dela portadores fazem um bom uso da Razão, do procedimento lógico e de suas leis, mas ascenderá ainda evoluindo para mais vasta expressão: da Inteligência Formal, onde seus elementos, mais Experientes e mais sábios, são dotados de uma novíssima expressão mental, pois que operam o raciocínio teórico ou hipotético-dedutivo e que, por isso, fizeram e estão fazendo vasta reformulação no conhecimento, em especial de dois séculos para cá. 

Estes, mais experimentados nos caminhos da Evolução - o que lhes permite uma compreensão mais dilatada das coisas, da complexidade de tudo e de todos - avizinham-se, ou operam a superconsciência consagrando-se em sabedoria e valores morais. E daí, encontrarmos em todas as camadas sociais, diversa gradação de ordem Afetiva, de Critério disto ou daquilo, bem como distinta caracterização de Razão e Fé.
E, por tais variações, como encontrar-se a Razão Ideal, aquela mesma recomendada por Kardec, quando sua Razão, sabe-se, fora constituída por estruturas intelectuais representadas pelas Propriedades Formais, e, portanto, de raciocínios lógicos e sistematicamente positivos, onde pudemos vê-lo trabalhar, em suas pesquisas espiríticas, com hipóteses e com as mais distintas relações cognitivas, quando, na contrapartida, grande parte da nossa Humanidade ainda se debate e se agita nos processos evolutivos de uma mentalidade Pré-Lógica, Concreta, ansiando subir, escalar e estabelecer-se nos mais altos padrões das operações mentais, entrosando-se, pois, assim, com a superconsciência dos gênios e dos santos.
O que fazer, então? Como romper esse espesso muro de mentalidades obscuras, quando elas mesmas nem sabem que tem de progredir, de escalar, de subir? Muitos elementos, pastores e “teólogos” pentecostais, sobretudo, negam sistematicamente a Evolução quando o seu “Livro-Mor”, ou sua “Bíblia Sagrada”, a preconiza de modo bem evidente nos mostrando duas nítidas mentalidades bíblicas: a do Velho e do Novo Testamento, onde o Deus-Tirano do primeiro se transmuda para o Deus-Amor do segundo, provando que: se Deus É Imutável, o que mudara, progredira e se renovara fora a mentalidade humana, seu povo, seus indivíduos, e não Deus que em Si Mesmo nada Muda por Sua Imutabilidade. E o próprio Jesus, no Novo testamento, nos prometera “O Consolador”, o “Cristianismo Redivivo”, quando estivéssemos mais preparados e evoluídos para recebê-lo e albergá-lo.
Por outro lado, como pretender-se a Razão Ideal se mesmo no meio espiritista temos as mais diversas tendências, as mais diversas mentalidades: kardequianas, clássicas, xavierianas, universalistas e outras tantas mais? E constata-se que uns estão puxando para um lado, e outros tantos para outros lados, e assim, separadamente, como fôssemos multiplicidade sem unidade, quando o recomendável seria a Multiplicidade na Unidade, cujo Centro Único é Jesus, enviado de Deus para a implantação do Seu Evangelho Redentor.
E, então, repito: Como pretender-se a Razão Ideal se a natureza não dá saltos? O que quer dizer, indubitavelmente, que se deve esperar da Sábia Lei, sem rigores, a determinação dos caminhos já traçados colocando cada coisa em seu lugar, vagarosamente, burilando e aprimorando o Espírito com Justiça e Serenidade, pois que tais Princípios incorporam a mais plena certeza de se chegar, de se atingir o objetivo que são: os mais altos cumes da Sabedoria e do Amor Universais.
E daí recomendar-se, em nosso meio, que, em termos de Espiritismo, não se deve dar crédito a tudo quanto lhe apareça pela frente, pois que somos duas “humanidades” (encarnada e errante) em Evolução, e, portanto, imperfeitas, estando os ignorantes não só do lado de cá, mas também do lado de lá, uma vez que o errante nada mais é que um Espírito humano desencarnado, e que pode mais facilmente nos insuflar seus bons ou maus pensares, em suma: sua luz ou sua ignorância, seu falso saber.
O “Novo Testamento” já nos advertia quanto a tais:
“Meus bem amados não acrediteis em todos os Espíritos, mas experimentai se os Espíritos são de Deus, porquanto muitos falsos profetas se ergueram no Mundo”. (Vide: João – Primeira Epístola – Capítulo 4, v.1).
E apesar da advertência milenar, muitos ainda, e até mesmo médiuns bem intelectualizados, sucumbem desastrosamente.

E daí recomendar-se, por conseguinte, que não se deve dar crédito a tudo quanto apareça de mensagens ou de livros de ordem mediúnica, mas que tudo seja analisado com serenidade apelando pela Razão ou pela Lógica dos ensinos pertinentes, cuja bússola fundamenta-se nas primorosas instruções de Kardec, conquanto não seja infalível, coisa que ninguém o é.
Por outro lado, aí estão os mais sábios estudiosos espiritistas, cujas opiniões e textos brilhantes se podem buscar em que pese algumas divergências e opiniões por vezes contraditórias. Ora, alguns espiritistas são ortodoxos de carteirinha. Outros, os clássicos, vão um tanto mais além: admitem Kardec e figuras renomadas tais como Flammarion, Denis, Delanne, mas param por aí. E outros, mais ainda, os chamados espíritas xavierianos, além de admitir o que os primeiros e os segundos acatam, abraçariam, ou abraçam, também, os trabalhos mediúnicos de Xavier; e, na ponta extrema, dentre os quais me incluo, estão os que se podem denominar espíritas universalistas, que não só acatam o que os primeiros, os segundos e os terceiros admitem, mas vão mais longe albergando em seu plano cognitivo os dilatados conceitos monistas, filosófico-científicos de Pietro Ubaldi.
Óbvio que tal classificação nada tem de absoluta. Outras se podem trabalhar. Mas tanto esta como as demais, sem dúvida, decorrerão da complexidade doutrinária que influencia, pois, clara e objetivamente, o comportamento dos diversos espiritistas, seus mais recônditos anseios, seus níveis evolucionais, refletindo, pois, sua inegável faixa de progressos doutrinários, sua evolução psíquica: ordinariamente mental e moral. Por conseguinte, não será tarefa fácil buscar a opinião dos mais ajuizados e mais sábios estudiosos espiritistas, pois que nem tudo é harmônico no movimento espírita em função do cunho notório e específico de cada elemento portador de umas e de outras linhas doutrinárias, que refletem, por identidade de princípios, ou não, em seu psicológico, caráter e entendimento.
Mas é sempre possível encontrar um caminho que mais se aproxime da nossa personalidade, nosso modo peculiar de ser e de entender as coisas, nos identificando mais harmonicamente, ou, mais pacificamente, com certas posturas de entendimento filosófico e doutrinal.
No meu caso, especificamente, devo dizer que o conhecimento consolidado por mim num daqueles parâmetros retro citados, me refiro de Kardec a Xavier, passando pelos clássicos, conquanto me houvesse proporcionado tantos benefícios, não puderam asserenar-me a Alma nos precisos moldes da dinâmica pacífica em que se ela se mostra nos presentes tempos.
Mas isto, haverei de deixar para o próximo capítulo que, pelo visto, não tratará tão-só de argumentos racionais e filosóficos da complexidade doutrinária do Espiritismo, mas também, necessariamente, da experiência pessoal deste autor, mostrando e endossando tal temática com fatos extraídos da própria vida, das angústias do pensar e do refletir as idéias espiritistas que, agora, estão plenamente justificadas e pacificadas com a Completação da obra de Kardec com a de Pietro Ubaldi.
CAPÍTULO 4
PARADIGMAS  ESPIRITISTAS
Assim, vimos no capítulo anterior, que a presente tese não trata tão-só de argumentos filosóficos e doutrinários, mas também da experiência pessoal do referido e presente autor mostrando e endossando tal temática com exemplos de sua própria vida, das angústias do pensar e do refletir as idéias espiritistas e espiritualistas que, agora, encontram-se plenamente justificadas e pacificadas com a Completação da obra de Pietro Ubaldi com a de Allan Kardec.
É que o problema da nossa origem espiritual sempre me intrigara o instinto perquiridor. Saltava-me aos olhos que Kardec não dava solução cabal para o problema, e tampouco as obras subsidiárias até o nosso Xavier, cuja obra, entendo, melhor se enquadra aos moldes evolutivos de Kardec. (obs: mais adiante veremos que a obra de Xavier admite a queda espiritual, acatando a veracidade da obra de Ubaldi). Ora, o Mundo é feito de adversidade e dor, sobretudo nos planos subumanos; e, se questionaria: se os Espíritos são criados Simples e Ignorantes (ESI), isto é, sem culpa alguma, e desprovidos, em sua simplicidade, de qualquer forma de conhecimento, de consciência vígil e atuante, como poderia, tão ínfimos Espíritos serem jogados nos abismos da matéria, serem martirizados pela dor, pelas adversidades, pelas doenças sem conta e por tantas dificuldades que lhe são impostas durante o longo processo palingenésico, ou seja, das múltiplas reencarnações nos diferentes planos evolutivos da matéria, da vida e da animalidade?
Ora, se Deus é Amor, como combinar referido Amor com o desamor, a Misericórdia com a maldade, a Sabedoria com a ignorância, em suma: a Complexidade de Deus com a simplicidade do Espírito Ignorante criado para sofrer na dor?
Todavia, num primeiro momento, ou seja: da observação da lógica e da coerência doutrinárias, de estudos que se vão consolidando paulatinamente, até que, numa primeira visualização do problema, até que sim, que as explicações de Kardec satisfaziam. Pelos ditados de Leon Dennis, de Emmanuel, como demais exemplos do que está sendo cogitado, notava que a dor é um fator preponderantemente evolutivo, pois que educa e aprimora o princípio inteligente em sua lenta jornada progressiva rumo a perfeição. 
Até aí, pois, parecia estar tudo bem. Parecia ser esta a explicação cabal. Satisfazia-me a Alma saber que se tratava de um aprimoramento espiritual necessário. Mas o tempo é o senhor da Razão, ou seja: o tempo muda e, como conseqüência muda também a Razão, o Sentimento, a Percepção. E, de perquirição em perquirição, acabei por ver que tal solução poderia não ser a mais adequada para a momentosa questão.
Ora, o Espiritismo é revelação progressiva; e o nosso psiquismo, nossa maneira de ver as coisas também progridem incessantes. Tudo quanto sabemos vai se acomodando na interioridade anímica e parece abrir espaços para outros saberes, maiores e melhores que aqueles já gravitados para o nosso interior. Parece-me que a abertura da esfera psíquica se dilata o tempo todo. As experienciações e aquisições não se paralisam, não se estacionam, e, portanto, não se aquietam e sempre querem mais, por imposição de Progressiva Lei.
E, se nada se aquieta em nosso interior, se nada permanece sendo o que é, e tudo o que parece ser, já era: não é mais, as experiências e os aprendizados só permanecem e se aquietam no ambiente mental em que se acomoda pelo tempo necessário para a sua consolidação. Mas depois exige mais; quer mudar e se transformar por tratar-se de um impulso vital da natureza que assim o quer.
E o fato é que tudo se transforma, se modifica, muda de modo incessante e progressivo sem que o percebamos numa análise mais apressada do fenômeno que, friamente, se o analisarmos melhor, é assim que é. Somos o menino de ontem, mas também somos o velho de amanhã, na forma que muda de forma e no psiquismo que muda também. E, portanto, nossa Razão se dilata, requer novos procedimentos: intelectivos e morais. Mas a mudança das coisas, seja no corpo, seja na Alma, parece ser imposta por Algo, por uma Força a nós exterior, mas assim, absolutamente não é, pois que vivemos em Deus, estamos n’Ele que também está nós, aplicando Sua Vontade, Sua Ordem e Sua Lei.
Penso ter refeito meus paradigmas umas tantas vezes, em razão das imposições do processo educacional contido na dinâmica evolutiva de todas as coisas. Ora, em meus tempos estudantis meu paradigma era o constituído tão somente pelo ministrado na Faculdade de Engenharia Civil. Mas conheci o Espiritismo de Kardec e se ampliara os padrões de entendimento delineados pelo cético e tão arrogante modelo anterior.
Mas viera mais; surgiram, indubitavelmente, os clássicos, desenvolvendo o aspecto científico e filosófico anterior. Mas como o processo é dinâmico, conheci o gigantesco trabalho de Xavier que me concedera uma mais rica tela panorâmica das coisas: a humanística, da prática vivenciai cristã, aprofundando aspectos outros já contidos naqueles demais de minha citação. Mas a coisa não parou por aí. Tudo veio a completar-se no maior dos paradigmas já alcançados pela Humanidade terrena com a obra universalista e teológica de Pietro Ubaldi. Ora, no meu caso, o mais vivido é mais experimentado, e, quem mais vivera, palingenesicamente, mais tem de recapitular as experiências transpostas e os aprendizados espirituais. Assim pudera eu vivenciar ou experienciar na presente reencarnação ‘n’ modelos conceptuais que se entrosam e se completam mutuamente:

-Ciência Oficial, de alguns aprendizados universitários;
-Ciência Oficial e Espiritismo exclusivamente de Kardec;
-Obras Clássicas de Flammarion, Denis, Delanne, etc;
-Obra Humanística de Xavier; e 
-Obra de Espiritualismo Imparcial e Universalista de Ubaldi.
Óbvio que daí mesmo decorre alguma classificação dos mais diversos níveis encontradiços entre os espiritistas; sendo tal proveniente da complexidade doutrinária mesma, que se reflete, pois, clara e evidentemente, no comportamento axiológico e doutrinário do nosso movimento, dos seus mais diversos anseios, suas idéias propagadas pelas mais diversas mídias do universo nacional e internacional, refletindo, pois, sua inegável faixa de progressos doutrinários, sua diversa evolução. Assim, temos os mais distintos espiritistas dotados dos mais distintos níveis de assimilação e de entendimento espírita, e espiritualista, que implica nos depararmos evidentemente com as respectivas predileções doutrinárias:
-Espíritas Ortodoxos:
{Kardec}:
----------->
-Espíritas Clássicos:
{Kardec e Clássicos}
--------> ----------------->
-Espíritas Xavierianos:
{Kardec, Clássicos e Obra de Xavier}
---------> ---------------> --------------------->
-Espíritas Universalistas:
{Kardec, Clássicos, Obra de Xavier, e de Ubaldi:
----------> ----------> -------------> ------------> ... até o (oo)
Notemos que alguns deles, os Ortodoxos, por exemplo, e, como se pode constatar em nosso meio, são Kardecistas ao extremo; para alguns, quiçá em tom de zombaria de outros, vale a sentença de que: “Fora de Kardec não há salvação”, em substituição indevida ao preciosíssimo lema de que: “Fora da Caridade não há salvação”. E tais Ortodoxos não admitem mais nada, alegando ter de cumprir-se o que está descrito nos preceitos kardequianos do Consenso Universal; mas ficam de braços cruzados e nada fazem para tal.
Amigos meus, os denominados Clássicos, declaram que não estudam e não crêem nas obras reveladoras das colônias e das coisas do Mundo Espiritual, alegando não transpor o abismo existente entre os trabalhos de Kardec e dos Clássicos, com os do preclaro instrutor André Luiz. É compreensível? Sim, é claro que é; mas, como já constatado por excelentes artigos de nossos mais esclarecidos confrades, tal possibilidade não é ficção, é realidade pura. Trata-se apenas, e tão só, de um desenvolvimento lógico e natural das obras codificadas e de autores clássicos. Mas muitos não querem ver assim. 
Outros ainda, os chamados Xavierianos, não conseguem dar passo avante, ou seja, não admitem Pietro Ubaldi, e dão as costas com desculpas, exprimindo preconceito e ignorância completa de suas obras que, em seu bojo filosófico e científico, dão notável avanço e aprofundamento ao aspecto Teológico e Ontológico principiados pelo Espiritismo de Kardec. E a coisa vai por aí. Em nossas fileiras destoantes e heterogêneas temos ainda: aqueles que, não Ortodoxos, apreciam um cadinho de Kardec, desconhecem as obras clássicas, mas gostam mesmo é de André Luiz.
E, outros, ainda, dão preferência a obras romanceadas e quase tudo desconhece do aspecto filosófico e científico da Doutrina que dizem albergar. Todavia, já pude perceber também, que alguns até reconhecem a superioridade da obra de Ubaldi, mas não a compreende, não a estuda e se julga apto, ainda assim, a sentenciá-la, dizendo e contradizendo coisas próprias de quem não a estudou e que, portanto, a ignora e que, por tal, não deveriam se pronunciar. Em suma: são as mais disparatadas opiniões, do acho e ‘des-acho’, do penso isso disso, ou isso daquilo, faltando-lhes disciplina, bom senso e dilatado estudo de tudo, de Kardec a Pietro Ubaldi.
Finalizando tal perspectiva, com pequena amostragem de seus diversos modelos, acredito que o processo evolucional no campo das consciências despertas da Humanidade, e, consequentemente, dos espiritistas, nada mais é que uma ampliação de paradigmas conducente a uma conscientização e a uma iluminação cada vez ampla. Conscientização e iluminação de dinâmicas que, de estudo em estudo, de trabalho em trabalho, vai se estruturando e se reestruturando cognitivamente nas profundezas do Ser, fechando-se sobre si mesmas. 
Mas é tão só, para, de ciclo em ciclo, renascer ainda, explodir de novo e abrir-se sempre para novas perspectivas saltando para um campo de idéias que se amplia expressivamente mais, que se matura, floresce, decai em nossa decrepitude e envelhecimento natural do veículo somático, mas é tão só para renascer e progredir mais, constituindo cada vez mais vasta estruturação cognitiva e consciencial.
Portanto, tudo quanto se adquire no campo experiencial é importante e vai mudar para melhor, onde a Razão se distende ainda pelas novas formas do viver, do sentir e do pensar astruisticamente, num universo de infinitas possibilidades.
CAPÍTULO 5
KARDEC, UBALDI  E  XAVIER
Assim, vimos que o nosso interior é arredio à paralisação e está sempre mudando, parecendo-nos que o presente é um momento que se atualiza a cada instante, a cada milionésimo de segundo, dando-nos a impressão de que o presente é o futuro em ação trabalhando pela nossa felicidade; e, apesar de tal mudança, entretanto, notemos que o nosso caráter permanece único, de sua identidade mesma, conquanto mutável e mutante pelas eventualidades, pela Lei imposta à natureza de tudo, da minha, da sua, de todos nós. 
No meu caso, e, por não contentar-se nunca, notava que o meu psiquismo queria mais, exigia avançar: fosse por minha vontade, fosse pela intervenção da referida Lei. A recapitulação íntima e pessoal, repleta de conhecimentos já forjados e adquiridos, não se encerrava, não fechava suas portas para a minha curiosidade, minha eterna e incessante busca do saber; sobretudo no tocante à nossa origem espiritual. Por ela, minha Razão não se aquietava, e, por vezes, me trazia aborrecimentos por querer e não ter como resolver os problemas da adversidade e da dor, não propriamente minha que sou um devedor da Lei, mas sim, no íntimo do animal que, por si mesmo, não comete erros, não peca, inviabilizando a existência da dor mesmo que para aperfeiçoá-lo, verificando-se, neste caso, uma impropriedade e uma injustiça da Lei que cria Simples e Ignorantes que não pediram para serem criados, imprimindo-lhes defeitos congênitos, para então corrigi-los na dor imposta pela Evolução.
Seria tal como se houvesse dois “eus” manifestando-se em mim mesmo; ou seja: o do pretérito, sintetizado no meu ego inconsciente, e o outro, no ego consciencial, da vida presentemente vivida e experimentada. 
Noutros termos: havia uma solução plausível e já estabelecida nos arcanos do meu psiquismo; como também havia e há uma solução já revelada no Mundo terreno, no caso, pela obra de Ubaldi e em pequenos trechos meio que escondidos da imensa obra de Xavier, e que estavam, uma e outra solução, tão perto de mim, não podendo eu acessá-las e obtê-las, contudo.
E Kardec, e seus seguidores, não resolviam o problema. Fundamentados apenas no que se pode denominar: “Modelo Evolutivo”, eles não solucionavam o problema. Ora, mas então os animais, na condição de Espíritos Simples e Ignorantes, sofrem tanto sem saber, eles e nós, o porquê dos seus sofrimentos? Mas então se peleja e se experimenta, sem o conhecimento mínimo de suas razões? No plano das Humanidades, com a consciência desperta para o Mundo, sabemos as razões de o nosso sofrer pela expiação de erros pretéritos; mas o mesmo não se pode dizer do animal que sofre sem um porquê, e apenas por que Deus assim O quer. 
Do ponto de vista exclusivamente doutrinário, ou seja, do Pentateuco Espírita e de obras que se lhe acompanham e se lhe seguem, é assim. É o que está codificado por Kardec e outros mais, preconizando que o Espírito, tal como tabula rasa, é individualidade Simples e Ignorante que durante o longo trajeto evolutivo nas adversidades e nas dores, de progresso em progresso, de conquista em conquista, vai alcançando patamares mais altos de consciência, saber e moralidade.
Ou seja: Deus que É a Perfeição Suprema cria Espíritos imperfeitos, Simples e Ignorantes e depois os aperfeiçoa de modo adverso e tão contrário à Sua Bondade, Misericórdia e Amor. Minha consciência desperta não aceitava esse erro da natureza, não admitia o erro contido na Perfeição Divina que, sendo a Perfeição, não poderia errar e criar Espíritos de uma simplicidade extrema, pequeninos, inocentes, para fazê-los sofrer pelo seu próprio avanço e progresso.
O dúplice fator: simplicidade-ignorância do ESI criado não combina com o dúplice fator Complexidade-Sabedoria da Divindade e muito menos com a dor a ser experienciada pelo pequenino Ser. Ora, tal Ser não pecou, não cometeu nenhum ato infrator para com a Lei, então porque progredir por tão injusto método pelos numerosos séculos dos Mundos universais? Ora, o que resultaria dos dons de Sabedoria, de Justiça e de Amor Divinos com tamanha falta de sabedoria, de justiça e de amor? E o Espiritismo, em sendo o Cristianismo Redivivo, não poderia e não pode, em tempo algum, contrariar o Deus-Amor das máximas cristãs. E, por isto, Erasto, numa comunicação referente a esta questão dos ESI, observara sabiamente:
“Compreendei, se o puderdes, ou esperai a hora de uma exposição mais inteligível, isto é, mais ao alcance do vosso entendimento”. (Vide: “Revista Espírita” – Allan Kardec – Março de 1864 – Edicel).
Prestando, pois, uma informação absolutamente precisa de que tal questão, dos Espíritos terem sido criados Simples e Ignorantes, precisaria ser re-analisada e aprofundada no futuro, nos desenvolvimentos lógicos do Espiritismo filosófico e doutrinário. E assim, das dúvidas e questionamentos que este autor viera a fazer a si mesmo, e aos seus superiores hierárquicos, seu resultado viera a culminar no conhecimento da luminosa filosofia universalista unitária de Pietro Ubaldi, que tivera o dom e a capacidade de resolver a contenda que se debatia dentro de mim, que me incomodava e me afligia o Ser.
Por ela se pode constatar que o Espírito Simples e Ignorante (ESI) decorre de um fenômeno cíclico involutivo que, para o nosso parco entendimento, se pode classificar como uma espécie de despotencialização psíquica de Espíritos Conscientes, porém rebeldes à Lei; Espíritos, pois, que se denominariam Puros e Conscientes (EPC), de uma condição ontogenética anterior ao Universo físico e astronômico de nossa subida evolutiva. 
Neste caso, a simplicidade e inocência do ESI, no presente, são apenas aparentes, pois que, em sua latência psíquica, em seus arcanos psicológicos, trata-se de um Indivíduo EPC que tinha ciência do erro e que mesmo assim errara, se rebelara contra a Lei Justa e Benevolente, cuja perda de sintonia para com a mesma, o fizera quedar-se como ESI que, agora, quita seus débitos no lento despertar das adversidades e da dor, evoluindo e se corrigindo paulatinamente, até atingir na outra ponta de tão dolorosa escalada, sua nova condição de EPC.
Tal preceito, pois, amplia o Espiritismo de Kardec, onde a Dor resulta da Rebeldia, e a Evolução resulta da Involução. Fenômeno cíclico que levanta a hipótese de um ‘Princípio Doutrinário Completo dos ESI’, ampliando o Espiritismo de Kardec na sentença precisa de que:
“Os Espíritos Simples e Ignorantes (ESI) que iniciam sua potencialização intelecto-moral nas engrenagens da Evolução, decorrem de uma restrição psíquica anterior determinada pela Involução dos Espíritos Puros e Conscientes (EPC) rebeldes à Divina e Justa Lei”.
Indicando, pois, que se trata de uma cura: a vida biológica e material saneia os males da criatura rebelde que, por não saber valorizar a felicidade que Deus lhe concedera no ato da criação, vai tudo reaprender pelas adversidades e pela dor, curando-lhe os males de sua própria incúria dos tempos primordiais.
De tal forma que, na medida em que se processam estímulos evolutivos, ou, de ampliação consciencial no ESI, tais estímulos excitam-lhe, igualmente, as tendências negativas do trágico passado e que precisam dissipar-se em prol das positivas, e daí mesmo, em sua reeducação evolutiva, verificar-se a lentidão dos progressos experimentados pelo Ser que vai reconstruindo seu equilíbrio espiritual, ou seja: a anterior normalidade psíquica de obediência e de docilidade para com tudo quanto vige em seu Mundo Originário, de Plena Espiritualidade em Deus.
E daí o grande organizador da obra de Xavier recomendar:
“É indispensável romper com as alianças da Queda e assinar o pacto da Redenção”. (Vide: “Caminho, Verdade e Vida” – Lição 176 - Emmanuel – Feb);
Em que devemos romper com tudo quanto nos falira espiritualmente; romper com a rebeldia, com o desamor e consorciar-se com Jesus no pacto de uma nova vida, para a nossa mais pronta redenção. O que fora também confirmado com André Luiz, instruindo que:
“A Evolução é a nossa lenta caminhada de retorno para Deus”. (Vide: “E A Vida Continua” – André Luiz – Capítulo 21 – Feb).
E, isto, pois, devido ao que já ministrado anteriormente noutra de suas importantes obras, discorrendo sobre as escolas religiosas, preconizando que:
“São raras, todavia, as que ensinam a verdade da ‘queda consciencial’ dentro de nós mesmos...”. (Vide: “Missionários da Luz” – André Luiz – Capítulo 17 – Feb).
Eis, pois, no grande e volumoso trabalho de Xavier, dentre outras, as informações precisas e confirmantes de Ubaldi. Eis, pois, a solução para minhas dúvidas mais pungentes. Eis, pois, a montagem do quebra-cabeça da enigmática mecânica funcional do Universo, do como e do porque ele se materializara; do como e do porque ele, um dia, por meio da Evolução, da Matéria ao Espírito, vai então retornar à sua Essencialidade Divina, pois que estará de retorno às suas origens de onde procedera por involução. E, por isto, defendo o axioma contido na ‘Lei de Causalidade Ampla’ preconizando que:
“Não há efeito sem causa: a Involução, como Função Contrativa da Consciência (FCc) se dera pela rebeldia da criatura; e a Evolução, como Função Distensiva da Consciência (FDc) se dá por sua cura na adversidade”.
CAPÍTULO 6
RE-INÍCIO  DA  CUEE
Constata-se, pois, do quanto visto até o presente, que só o ‘Mecanismo Fenomênico Involutivo-Evolutivo’, como binômio inseparável, pode dar completa e ampla solução para os muitos problemas encontradiços em nosso cotidiano.
E o fato é que realmente tudo muda o tempo todo e também nós, Espíritos humanos, precisamos mudar, renovando e alcançando mais alta e mais perfeita conceituação do Universo concebível e inconcebível. E, hoje, tendo encontrado a Solução Cabal para as minhas salutares perquirições, confesso que, apesar da vibração destoante do Mundo, sinto-me harmônico com a Lei. Ora, o Espiritismo tão só de Kardec, como já destacado, aliás, noutras partes do presente escrito, e, conquanto encontrar-se:
“Fundado de acordo com o estado presente dos conhecimentos, tem ele que se modificar e se completar à medida que novas observações lhe demonstrarem as deficiências e os defeitos”. (Vide: “Obras Póstumas” – Allan Kardec).
No caso em questão, o Espiritismo continha e contêm em gérmen os mesmos princípios do Monismo ubaldiano, bastando apenas desenvolvê-los e Ubaldi, em sua honorável e altíssima missão de imparcialidade e universalidade, o faz, o completa e o desenvolve amplamente, conclusão esta que irá levantar a ira dos mais ortodoxos do nosso movimento; mas Jesus não precisa pedir licença a tais para desenvolver sua Cósmica Doutrina do Amor que vem de Deus, e não de mentalidades mesquinhas da ortodoxia que Kardec, afinal, não implantou. Naquela “Revista Espírita”, de março de 1864, o Codificador não estava inteiramente seguro de que os Espíritos são criados Simples e Ignorantes ao constatar a verdade de que: “o sofrimento dos animais (Espíritos Simples e Ignorantes) é constante”. 

E alegava a sua falta de inteligência (de Kardec mesmo) para compreender racionalmente as tantas misérias experienciadas pelos nossos irmãos mais pequeninos. Mas resolvera, em sua prudência, não imputar culpa alguma ao Criador por desconhecer-Lhe as Razões. E, hoje, constatamos, a culpa foi da criatura (EPC) que errou e tem de consertar o erro em condições tais (ESI) que lhe sublimam vagarosamente suas muitas perspectivas, subindo e alcançando na outra ponta, como EPC, o Justo e Misericordioso Criador.
A revelação, afirmava Kardec, é essencialmente progressiva. Sem dúvida, em um Mundo atrasado como o nosso, como querer que não há mais nada para aprender e por revelar-se da Divina Lei? E daí, a necessidade imperiosa da referida ‘Análise’ mostrando a real possibilidade de tal completação doutrinária dos dois grandes gênios da Humanidade: Allan Kardec e Pietro Ubaldi, missionários de Jesus. Donde entender-se, pois, de forma objetiva e clara que: O ‘Modelo Evolutivo’ de Kardec é completado pelo ‘Modelo Involutivo-Evolutivo’ de Pietro Ubaldi, indubitavelmente.
Mesmo assim, alguns insistirão que a obra de Ubaldi não passou pelo critério da Concordância Universal, o que demonstrei por diversos artigos de minha autoria não ser verdade. Médiuns italianos, brasileiros e ingleses, distantes uns dos outros, ratificaram o trabalho ubaldiano, firmando de vez o que Kardec entendia, e esperava vir como ‘Espiritismo Completo’, Integral, juntando assim duas fontes notáveis de conhecimentos por meio da revelação do “Espírito de Verdade” e de “Sua Voz”, muito provavelmente, a mesma autoridade do Astral.
Por outro lado, se desprezarem-se os sólidos argumentos retro citados, como fazer então para constatar alguma outra forma de Consenso em tais obras, se Kardec encontra-se ausente do nosso instante evolutivo para, então, item por item, princípio por princípio, tudo submeter ao critério da CUEE?


Ou seja: de todos aqueles numerosos problemas da grandiosa e estupenda fenomenologia universal, de todas aquelas transcendentes questões que Pietro Ubaldi descreve em “A Grande Síntese”, bem como todos os problemas contido em “Deus e Universo”, “O Sistema” e “Queda e Salvação”, que, aliás, se entrosam mutuamente não se desmentindo em tempo algum, mas só ratificando e se confirmando mutuamente? Até que alguns ‘Kardec’s apareceram por aí, no decurso do Século 20, ‘Kardec’s, aliás, um tanto deficitários, destituídos da grandeza científica e pedagógica que caracterizava o eminente pensador.
Mas outros espiritistas modernos não poderiam tentar estabelecer um Consenso Universal? Óbvio que sim. E, tenho notícias de que alguns respeitosos confrades, honestamente, até que se agruparam para o reinício do controle científico das informações mediúnicas; mas tais elementos alegam terem sido barrados pelo religiosismo dominante, como também pelo misticismo, ambos reinantes no meio espiritista de sua pesquisa e trabalho de campo. E, então, desistiram da empreitada. Todavia, se supormos que um novo Kardec, não falso, mas sim verdadeiro, estivesse reencarnado em nosso tempo:
1-Como se procederia para tudo submeter a CUEE? Haveria colaboradores mediúnicos suficientes, insuspeitos, e com tanta evolução espiritual, e, portanto, com bagagem conceptual o bastante para que tudo se verificasse e se resolvesse pelo aludido método kardequiano?
2-Questiono isto pelo fato, por exemplo, de Ubaldi e Xavier, estarem um tanto acima da média dos Espíritos por aqui reencarnados, e que, portanto, estarão a exigir, dada às suas condições excepcionais, instrumentais mediúnicos de similares capacidades, não é mesmo?
3-E haveria tais instrumentos mediúnicos, de mesmo gabarito, para receberem seus Espíritos superiores e confirmarem ou não os novos preceitos daqueles outros?
4-Ou seriam médiuns comuns trabalhando com Espíritos elevados e dando apenas respostas de tipo sim ou não, autorizando ou desautorizando esta ou aquela questão?
5-E quanto à presença da Equipe Espiritual Superior, do exame da coerência e teor de sua linguagem nas comunicações?
6-E o confronto com as verdades positivas já instaladas?
7-Bem como da comparação dos ensinos e instruções dos diferentes médiuns, de diferentes lugares, sobre o mesmo tema?
8-E, em tal caso, dever-se-ia, como óbvio, apurar-se os ensinos de instrumentais mediúnicos do Mundo inteiro, assumindo o caráter de concordância universal, para que a coisa não fique regionalizada e, portanto, deturpada, não é mesmo?
9-Além do mais, me refiro, ainda, à delicada questão da subjetividade de tais elementos, tornando-se uma tarefa árdua a de se analisar tais situações nos referidos colaboradores mediúnicos, e, mais uma vez, do Mundo inteiro, não é bem assim?
10-E quantas comunicações seriam necessárias para que se determinasse como sendo suficiente para se constatar um fato, uma verdade, um novo princípio doutrinário?
11-E o que fazer com as respostas contrárias ao sim, ou seja, ao que se verificou, supostamente, como sendo inverdade? Uma inverdade hoje não poderia ser uma verdade do amanhã?
12-Se tivéssemos, por exemplo, para um mesmo questionamento, 35% de sim, 40% de não e 25% de respostas imprecisas, como se faria para constatar o que houve de influência cultural, de grau evolutivo, e, portanto, de conhecimentos do médium, deturpando ou não tais resultados?
13-E isto pelo fato da cultura dos ingleses ser diferente da dos brasileiros, dos mexicanos, dos africanos, e etc, estou certo?

14-E, depois de tudo isso, o mais relevante ainda, tudo submeter à Espiritualidade Maior para que conferisse e endossasse, ou não, o exaustivo trabalho, pois que a Doutrina não pertence a nós, e sim a ela, ou seja, à comunidade de Espíritos superiores, não é fato?
Tão gigantesco trabalho parece meio custoso e bastante inviável a certos padrões de inteligência terrena, sobretudo para os ‘Kardec’s falsos, distantes do caráter científico e das profundidades filosóficas do verdadeiro Codificador.
E será que ele retornará, de fato, para completar sua grande missão? Haja vista que no Século 20 não nos deparamos com tal competência de forma incontestável, o que traduziria, quiçá, uma sua possível volta neste Século 21 ou em outro mais distante, quem sabe?...
Só Deus o sabe...
CAPÍTULO 7
MUDANÇA  DE  PERSPECTIVAS
Pude encerrar o capítulo anterior com pelo menos quatorze (14) itens ou questões a serem solucionados pelos observadores rígidos dos dizeres da Concordância Universal do nosso mestre Codificador.
Itens que, na prática, não seriam impossíveis de se apurar, conquanto custoso de tudo se obter como certeza inquebrantável de todos os novos ensinos, por exemplo, encerrados em “A Grande Síntese” bem como nos demais tratados da coleção que, para mim, são tão importantes e tão vitais como o primeiro de sua formidável concepção.
Somando-se a isto, e, contando com a possibilidade de se tentar tal empreitada, teríamos também de confirmar uma série de novos ensinos contidos em Xavier, Divaldo e outros tantos conteúdos doutrinários de tantos outros médiuns do território nacional e internacional. E até que seria bom, pois se haveria de constatar, também, tropeços e inverdades de obras consideradas suspeitas, apesar de algumas delas nem serem preciso tal análise por sua flagrante mistificação.
Assim, apesar de tal constituir um labor bastante complicado, penso que o mesmo não seria impossível, quero crer, para um Espírito do mesmo naipe do grande Codificador, ou, ele próprio, se por aqui reencarnasse. Mas questiono ainda, dando seqüência aos quatorze itens relacionados:
15-Tais instrumentos mediúnicos: Pietro Ubaldi, Xavier, Divaldo, Gilson Freire, Raul Teixeira, e etc., etc., (ou, pelo menos os que estão ainda reencarnados), tais médiuns serviriam para aquelas cogitações levantadas nos quatorze (14) itens, ou seja, para as apurações concordantes, devidas ou indevidas, de si mesmos e dos outros?

Mas vamos a mais três (3) dúvidas por mim levantadas:
16-E se este novo Kardec, dentre nós, se dispusesse a retificar e ampliar o referido conceito da CUEE, será que o aceitaríamos como sendo o mesmo Codificador do Século 19, ou será que o rejeitaríamos como sendo um herege e mistificador?
17-Se a metodologia científica tem suas retificações de quando em quando, será que admitiríamos as retificações atualizadas do novo Kardec?
18-Eis aí outro grande problema, pois o Codificador teria feito seus progressos e retificado pontos de vista anteriormente firmados, e será que lhe acataríamos?
Penso, em face de tantas dificuldades, e, como o mestre de Lyon já não está mais entre nós, e tampouco reencarnado, convenhamos, com o perdão da sentença:
Ubaldi, Xavier, Divaldo, Raul, Freire, Yvonne, e etc: Século 20, das conquistas espaciais, dos computadores, da internet, dos novos paradigmas, dos reformadores científicos dotados de Lógica Formal, tais como Einstein, Minkowski, Planck, Einsenberg, e, porque não dizer também, ora essa, Século de Emmanuel, André Luiz, Joanna de Ângelis, etc., etc., que trouxeram, tantos uns, quanto outros, benefícios de monta em nossos raciocínios e modos de ver e de interpretar as coisas.
É preciso, pois, que tenhamos inteligência para admitir que nem tudo, no tocante ao Espiritismo, pode basear-se no estritamente codificado pelo prestigioso Kardec do Século 19, mesmo que o Kardec do Século 20 não tenha estado reencarnado por aqui, ou, se reencarnou, não foi reconhecido e não laborou como quereríamos que laborasse. Ao seu tempo, Kardec, como missionário de méritos incalculáveis, pudera, com o auxílio da Espiritualidade, tornar-se um pólo centralizador e, portanto, capaz de receber comunicações mediúnicas de cerca de mil centros espíritas sérios espalhados pelo Mundo. 
Hoje, só no território brasileiro, contamos com aproximadamente quinze (15) mil centros espíritas registrados ou não. Ou seja: alterou-se o grau de complexidade para a apuração dos dados da fenomenologia mediúnica.
Todavia, questionemos mais ainda:
a - Outro líder espiritista não poderia concretizar dito trabalho?
b – E quem, na atualidade, teria a honra e a distinção de receber tais comunicações não só no Brasil como do Mundo todo e com envergadura missionária para tal?
c – Quem, pergunto, teria a grandeza moral, o conhecimento e a capacidade de analisá-las friamente, criteriosamente, de confrontá-las, e, por fim, consolidar a formulação dos novos ensinos e dos princípios doutrinários?
d – Quem teria a capacidade e a honestidade suficientes para tamanha missão, com o respaldo, inclusive, e necessário, da Espiritualidade Maior?
e – Se tal missionário não se despontou dentre nós, não será porque Jesus, de fato, não o teria enviado, porque, afinal, seus planos são outros e não os que apaixonadamente, queixosamente, e, com grande equívoco, almejamos?
f – Ou será que nossos planos mesquinhos, arrogantes e dês-importantes são mais relevantes que os Planos de Jesus?
Noutros termos, quero acreditar que a Codificação Espírita decorrera de um momento muito especial, minuciosamente e trabalhosamente planejado pelas hostes maiores da Espiritualidade sob o comando do Espírito de Verdade, ou, de Jesus mesmo, momento especial este, venho refletindo e ouso argumentar com todas as letras:

Não ser repetível nos moldes do que ocorrera no passado; ou seja: Não Vai Verificar-se Novamente!
E, como conseqüência, torna-se preciso mudar nossas perspectivas em relação a CUEE e procedermos a uma sua readaptação aos novos tempos se não quisermos ficar encarcerados ao restrito período de quinze anos que demandara a implantação do Espiritismo de Kardec na face terrena. Implantação esta, entendo, como o seu Marco Inicial, sujeito, pois, aos aprofundamentos e progressos decorrentes no tempo, que, incessantemente, vem nos mostrar outras facetas da grande realidade universal.
Ora, já se passaram cento e sessenta anos (160), desde as primeiras observações de Kardec, para cá. E pensam os ortodoxos que tudo quanto se fez em termos de Espiritismo, digo, obviamente, do seu desenvolvimento progressivo, não esteve sob a égide, a responsabilidade e proteção do Altíssimo? Ou será que tudo quanto houve, neste tantos anos, terá sido uma grande fraude, uma mistificação de amplitude global?
Não creio que alguma mentalidade espiritista, em sã consciência, possa de tal modo pensar, e, por isto, repito:
Já se passaram cento e sessenta anos (160) desde o início da Codificação Kardequiana, e, portanto, muitos outros missionários do Cristo já vieram desenvolvê-la sobejamente. Fixar-se tão somente nela é não compreender-lhe o sentido progressivo incessante. E, por isto, sem ofensas, tenho a conjectura de que os espíritas mais ortodoxos tendem a reduzir-se drasticamente de nossas fileiras por dois motivos fundamentais:
-Primeiro: por sua teimosia irracional e estagnação doutrinária e subseqüentes brandura e evolução de seus pontos de vista adotando novas e mais altas posturas conceituais; e
-Segundo: pela incapacidade deles mesmos fazerem o que tem de ser feito, de arregaçarem as mangas e cumprirem suas obrigações de confirmar os novos ensinos e princípios suscetíveis de serem incorporados à Doutrina.
Se eles são assim tão observadores das normas kardecistas, que as façam valer na prática ao invés de, em sua comodidade, ficar cobrando dos médiuns e divulgadores o que eles mesmos deveriam e devem fazer a nível universal para que a coisa não fique regionalizada, e, como já o disse: suscetível de receber sérias acusações de fraude, de inverdades científicas, filosóficas e doutrinárias.
CAPÍTULO 8
AMAI-VOS:  O  PRIMEIRO  ENSINAMENTO
Por tudo quanto dito nos capítulos precedentes, e, pela sua não aplicabilidade nestes quase dois Séculos já decorridos, minhas conclusões, a respeito do conceito que dimana da CUEE, são as de que tal conceito é relativo e não absoluto; um conceito, pois, mutável pelas eventualidades e sucessivos progressos doutrinários no Tempo-Evolução. Tais conclusões parecem precipitadas, a princípio, mas passaram por reflexões, concluindo-se que, pelo tempo decorrido de sua não-aplicabilidade, não sobrara alternativa outra senão a do entendimento de que tal princípio fora sim, necessário, mas não necessariamente estático. 
E explico. Ele vem a ser, nesta nova e mais abrangente visão: de uma conceituação relativística, dinâmica e suscetível de alterar-se pela onda mutável de todas as coisas. E, antes do leitor discordar, peço ao mesmo que siga nossos raciocínios e intuições até mais adiante para que possa compreender a extensão de tais, quando, após tal, fique a vontade para descrer e, na mídia mesma, criticar e discordar.
Mas em termos doutrinários, o que não muda, pois?
Apenas os princípios fundamentais do Espiritismo não mudam, ou seja: imortalidade da Alma, reencarnação, comunicabilidade mediúnica, existência de Deus, dentre outros; mais tudo o mais é suscetível de ajustes, de novos entendimentos, pois que tudo é profundamente complexo no Universo e paralisar-se apenas no já codificado é paralisar-se a si próprio e não admitir a dinamicidade progressiva de todas as coisas. E mesmo tais princípios fundamentais imutáveis, são suscetíveis de novas visões ampliando-os, mas não os desmentindo em tempo algum, como é o caso da Evolução, hoje distendida e compreendida como Involução-Evolução.
Assim, o conceito da CUEE não é princípio estanque e tampouco estático; ele também é suscetível de desdobramentos outros que, em sua dinâmica e elasticidade vai incorporando e compreendendo outras nuanças suas mesmas, de sua lógica intrínseca, sua coerência e praticidade, já, agora, vistas de outro modo que, por ser relativo, incorpora outras dimensões. A imutabilidade é uma ilusão dos nossos sentidos; tudo é essencialmente evolutivo, exceto Deus.
Ora, se os conceitos da Ciência convencional são abalados de quando em quando, porque não também alguns poucos conceitos kardequianos por mais graves que o sejam. Até, porque, no caso em questão, não se trata de um abalo, de uma desconstrução do referido princípio, mas sim, de uma sua nova e mais ampla visão em face de um tempo que se maturara no decurso do Século vinte (20), dos grandes médiuns escreventes e psicofônicos como já referido.
Penso que Jesus, ao nos enviar Pietro Ubaldi, Chico Xavier e outros grandes e confiáveis médiuns do nosso movimento, tinha Ele uma percepção diferente do conceito que dimana da CUEE, uma percepção elástica e, portanto, bem mais engrandecida que a nossa, pois que sua visão, universalmente panorâmica, se estende ao infinito de insondáveis perquirições. Em sua majestosa visão, o princípio da CUEE não se limitaria às incertezas de nossa visão ordinária, mas abriria campo para o ilimitado de mais largas conceituações doutrinárias, espirituais, celestiais.
Assim, dir-se-ia que Xavier, por exemplo, em nome do Amor, do Cristianismo Puro que ele tão bem compreendeu e exemplificou, é o próprio Consenso Universal no Ensino dos Espíritos confiáveis que laboraram com ele, em torno dele, fazendo chegar suas luzes a um nível internacional, abraçando a Humanidade inteira, seja ela humana ou errante dos planos rarefeitos e compostos de outras densidades físicas, corporais, mais ou menos espirituais.
Vejo, pois, que o Século dezenove (19) representara o período de implantação da Doutrina Espírita no Mundo como Terceira Revelação da Lei de Deus, período este caracterizado pelos médiuns de efeitos físicos e inteligentes que estiveram na lida para as provas científicas da sobrevivência espiritual; já, o Século vinte (20), por sua vez, aparece-me como sendo o dos grandes médiuns psicofônicos, escreventes, e suas portentosas obras divulgadoras do Espiritismo nos moldes de mais dilatados esclarecimentos e da exemplificação da caridade, do amor, da verdadeira religiosidade, porque também a fé representa uma peça de grande importância nos roteiros da Alma com vistas aos planos maiores de sua inevitável destinação.
Preocupa-se muito com a intelectualidade, com a Ciência, esquecendo-se que a Religião é o mais importante meio de se fazer o nosso retorno ao amplexo do Amoroso Pai. Ora, Religião explicita Re-ligar, ou seja, religar o filho que se desprendeu do Pai por desobediência e Involução. Jesus, portanto, não visa tão somente a nossa desenvoltura filosófica e científica, mas também e, sobretudo, o nosso aprimoramento ético, axiológico e religioso tal como enseja a obra central do Pentateuco Kardequiano relembrando ao homem, primeiramente: “Amai-vos”, e, secundariamente: “Instruí-vos”, mostrando que as regras do bom viver por meio dos princípios ético-religiosos do Evangelho são fundamentais para o nosso desenvolvimento espiritual, e falando ao nosso íntimo, pois, que: Ciência e Filosofia são meios, o Evangelho é o fim, como já preconizado pelo sábio instrutor Emmanuel numa de suas inesquecíveis obras.
Em suma, o Espiritismo é Religião sim; uma Religião em Espírito e Verdade.
Alguns espiritistas não gostam do termo, preferindo entender o Espiritismo apenas como Ciência do Espírito, ou, no máximo, admitem compreende-lo como uma Filosofia científica, como se fosse possível um Espiritismo Laico, sem Deus e sem Jesus.
CAPÍTULO 9
O CARÁTER  RELATIVO  DA  CUEE
Minha análise do princípio codificado da CUEE, pois, conclui pela postura de que o mesmo é um referencial importante, mas não inamovível em seus conceitos mesmos. Sabe-se que a essência de tudo é fundamentalmente evolutiva. Até compreendo os posicionamentos de certos espiritistas mais ortodoxos; também eles devem ter o seu relevante papel no meio em que se inserem. Mas também eles, quero crer, serão convocados, cedo ou tarde, às devidas ampliações de seus horizontes culturais e espirituais, sobrelevando-se, os sentimentos morais e religiosos, conquanto hoje possam discordar.
Portanto, os sucessivos avanços e desdobramentos doutrinários se fizeram e vão continuar se fazendo e se estabelecendo paulatinamente, enquanto necessário, sem que se pretenda uma reforma da Codificação que deve ser respeitada e mantida em sua forma original autorizada pelo Espírito de Verdade. Mas desenvolver a Doutrina não é desrespeitá-la, mas sim estar coerente com ela mesma por constar de seus princípios. Reformá-la seria deturpá-la, mas, por amor a ela, não nos cabe sua deturpação.
Mas quero acreditar igualmente, que o conceito da CUEE, por sua relatividade intrínseca, também é suscetível do desdobrar-se, do renovar-se na forma de novos entendimentos como sugere o presente estudo, até que um dia, se desdobrando e se renovando, tal conceito desaparecerá por si mesmo por nossa condição de Espíritos puros, onde o Consenso se transmudará para a Pessoa e a Vontade de Deus. Óbvio, pois então, que o mesmo está destinado a desaparecer um dia para converter-se com a transcendência de nós mesmos, onde, como Espíritos puros, seremos iguais aos nossos superiores para sermos Unos com a Vontade de Deus.

Mas como esse tempo ainda tarda a chegar, retornemos ao nosso cotidiano de estudos e de seus lógicos desenvolvimentos. Vimos, no primeiro capítulo deste arrazoado, que este autor pretendia demonstrar a Dimensão Relativística da CUEE, que, em sua dinamicidade, é conceito derivado da Razão, dependendo, pois, das análises desta, de normas relativas à sua:
-Aplicabilidade, à sua:
-Eliminabilidade, e até mesmo de uma sua possível:
-Alterabilidade.
Mas poderia, de fato, a Razão subestimar a CUEE?
Deixemos tal resposta aos cuidados do nosso prestigioso Codificador, mais exatamente com “O Livro dos Espíritos” (Allan Kardec – 1857 – Feb), parte segunda, capítulo 5: ‘Considerações Sobre a Pluralidade das Existências’, onde Kardec, em dado instante de seus lógicos esclarecimentos, declara:
“Examinemos de outro ponto de vista a matéria, e, abstraindo de qualquer intervenção dos Espíritos, deixemo-los de lado, por enquanto”. (Opus Cit.).
Ou seja: Kardec, em tal momento, está, nada mais, nada menos, que: abstraindo-se da CUEE, deixando-a de lado, por enquanto. E, em pelo menos três laudas, ele vai dar ampla explicação do tema enfocado se utilizando apenas da Razão, da lógica brilhante de sua mente genial. A inteligência inferior, Pré-Lógica, jamais operaria de modo semelhante. A de um religioso qualquer, por exemplo, não conseguiria sistematizar tão dilatadas idéias, e não somente por estar, pessoalmente, comprometido com o nível bíblico de sua atuação, mas também porque, e, sobretudo, digo-o ainda, pelo modus operandis limitado de sua mente juvenil.
A de Kardec, no caso, dimana de uma inteligência madura, superior, dotada de Lógica Formal, onde o indivíduo vai refletir coerentes suposições e descrever razoáveis hipóteses, produzindo uma verdadeira revolução no mundo das idéias e das crenças mais pueris. E, um pouco mais adiante do seu longo texto, o Codificador, quase concluindo, vai proclamar, outra vez, abstraindo-se da CUEE.
“Temos raciocinado, abstraindo, como dissemos de qualquer ensinamento espírita que, para certas pessoas, carece de autoridade. Não é somente porque veio dos Espíritos que nós e tantos outros nos fizemos adeptos da Pluralidade das Existências. É porque essa doutrina nos pareceu a mais lógica e porque só ela resolve questões até então insolúveis”. (Opus Cit.).
Mas, fundamentalmente, o que isto quer dizer?
Quer dizer que: há casos e situações, sim, em que a Razão, fazendo abstração da CUEE, poderá, isoladamente, extrair suas próprias e também certeiras conclusões, independentemente, pois, do conceito que dimana da Concordância Universal. E, mais adiante, vejam a afirmativa de Kardec, proferindo que teria repelido a Pluralidade das Existências, mesmo sendo proveniente dos Espíritos, se ela fosse contrária à Razão.
Significando conceituar que:
A CUEE é realmente de caráter relativo, e não absoluto, e Kardec tinha conhecimento de tal fato. E constato isso ao verificar o peso bastante considerável de sua melhor lógica, de sua considerável Razão, no trato não somente desta questão como de muitas outras atinentes ao Espiritismo. Noutros termos, quero deduzir que sua melhor Razão, por vezes, parece imperar sobre tudo, inclusive sobre o conceito da CUEE, impondo, muitas vezes, pura e simplesmente: sua Eliminação.
Há sim, pois, uma condição de Eliminabilidade da CUEE.
E sua supressão se daria e se dará pela coerência e pela mais avançada Razão que, afinal, estabelecera tal princípio como coadjuvante e tem nele o seu direcionamento ou não, dando-lhe crédito ou não, nas mais diversas situações. Vê-se, pois, que a Razão o aplicara diversamente na expansibilidade do Tempo-Evolução que vão sendo comportados pela dinâmica incessante do Espiritismo que não para, mas segue avante acompanhando o progresso das coisas, das Humanidades em suas mudanças e transformações.
Resumindo: vejo que o principio estabelecido como CUEE não é tudo, doutrinariamente falando; e sim parte, de relativa aplicabilidade, ou seja: de uso restrito e sujeito à Razão.
Assim, pois, o princípio da CUEE não é um conceito absoluto, e sim relativo; ele está condicionado ao caráter de quem dele fizer uso e condicionado ao Tempo-Evolução, ou seja, às diversas circunstâncias do progredir humano, e espiritual, que se submetem, mas também influenciam o progredir doutrinário. 
Por ser um princípio criado pela mais avançada Razão, de Lógica nitidamente Formal, deve a ela, muitas das vezes, e não se sabe quantas, curvar-se de forma a não incapacitá-la com a retirada do seu mais legítimo atributo: o soberano e livre pensar.

CAPÍTULO 10
NOVA CONCORDÂNCIA: CUTE
Finalizando, minha observação analítica e racional do referido conceito da CUEE, demonstra sua relatividade que implica, também, no condicional de sua Alterabilidade pelo que estabeleço como CUTE, ou seja: Concordância Universal no Tempo-Evolução, consoante Quadro Relativista da CUEE:
           ==================================
                                             RAZÃO
                                                   |
                                              CUEE
                                                   |
                                     RELATIVIDADE
                                                   |
         APLICABILIDADE ------------ ELIMINABILIDADE
                                                   |
                                   ALTERABILIDADE 
                                                   | 
                                              CUTE
          =================================== 
Sendo que da sua Aplicabilidade e Eliminabilidade, os capítulos anteriores já se reportaram a tais situações; e, sobre sua Alterabilidade, e, como Kardec não retornara para submeter tal conceito a todos os novos princípios e novos ensinos doutrinários, e, como os ortodoxos não se pronunciaram, mas sim, cruzaram os braços, será preciso contar, então, com sua relatividade intrínseca, sendo possível, com isso, e, pelo menos teoricamente, fazer-se uma alteração em seu modus operandis criando uma sua re-interpretação doutrinária como CUTE: Concordância Universal no Tempo-Evolução, tal como espécie de antítese, de cuja discussão, dos mais adultos e experientes espiritistas, poderá surtir bons efeitos e novas sínteses.

Ora, derivando-se da Razão, a CUEE, de Allan Kardec, depende de suas análises, de normas, pois, concernentes à sua Aplicabilidade, Eliminabilidade e de sua nova, bem como teórica, condição de Alterabilidade, ou, como o disse, de uma sua Re-interpretação Conceitual, de seguintes termos:
-CUEE: parece-me que esta se aplica ou se aplicaria à apuração individual e específica de novos ensinos ou de novos princípios contidos nos ditados dos Espíritos, como por exemplo: Reencarnação;
-CUTE: vejo esta com o diferencial de se fazer uma admissão completa do conteúdo de determinadas coleções de ordem espirítica ou mediúnica, desde que observadas certas regras para a sua aceitação, ou, para a sua rejeição por questões de divergências doutrinárias, científicas ou filosóficas, decorrentes ou não, de mistificações ou de problemas contidos na filtragem do trabalho. Observando-se, todavia, que tais coleções, ou conjunto de obras, ensinos e princípios, já vem com o selo de garantia de dados, ensinos e princípios já consagrados e apurados individualmente pela CUEE, não os desmentindo em tempo algum, mas sim desenvolvendo os mesmos e os ampliando no Tempo-Evolução.
Por exemplo:
1 - A CUTE vê na obra de Chico Xavier uma Concordância Geral dos homens que acataram ou acatam a sua obra no Mundo e uma Concordância Geral dos Espíritos que a consolidaram, sendo que no tópico ‘homens’ se faz a seguinte ressalva: são apenas alguns poucos que por motivos banais a desaprovaram ou a desaprovam, sendo, pois, de um caráter irrelevante em face de sua ampla e total aprovação.
2 - A CUTE vê na obra de Pietro Ubaldi uma Concordância Geral dos homens que acataram ou acatam a sua obra no Mundo e uma Concordância Geral dos Espíritos que se pronunciaram em diversos paises por meio de numerosos médiuns distantes uns dos outros, sendo que no tópico ‘homens’ se faz a mesma ressalva do item anterior.
Resultando da relatividade da CUEE, e, de certo modo lhe observando alguns passos, notem que a CUTE analisa, detecta e, pelo uso da Razão alberga e acata princípios novos, porém, estriba-se no conjunto e não no particular, na idéia geral e não no específico que fora alvo de analises e comprovações anteriormente firmadas. Diria mais: que a CUTE é uma derivada da idéia progressiva do Espiritismo como um todo, que não se detêm em tempo algum, que segue avante descortinando novos rumos doutrinários, científicos e culturais independente de posturas paralisantes de quem não lhe compreende a postura substancialmente reveladora.
Assim, eu não vejo no momento outra saída a não ser optar pelo conteúdo e pelo ditado da nossa Razão determinando a CUTE, e, também pela Razão Maior consubstanciada no Poder e na Vontade do Nosso Mestre Jesus de nos enviar seus muitos missionários e suas formidáveis coleções mediúnicas, tais como de Ubaldi, Xavier, Divaldo, Freire, Raul, Yvonne e tantos outros médiuns sérios, contando ainda com os clássicos, todos eles encarregados de desenvolver a Doutrina Codificada por Allan Kardec. Obviamente que, de tudo quanto fora exposto, muitas dúvidas aparecem e, por isto, questiona-se:
a) A CUEE deriva da Razão e é, pois, coadjuvante dela?
-Já vimos que sim, após verificar-se uma espécie de Consenso Universal nas mais diversas instruções espiritistas, Kardec, com sua Razão, estabelece um meio de se obter uma garantia um tanto mais segura e confiável de que o conjunto de tais instruções, em sendo uníssono, e acorde, se obtém a CUEE.
b) E também a CUTE nasce da Razão, não é assim?
-Sim, sem dúvida que sim.
c) Até que ponto isso tem validade científica?
-Num e noutro caso são apenas subjetivos. No caso da CUEE, por exemplo, pode ser levantado o seguinte questionamento: quantas comunicações são necessárias para se obter uma informação garantidamente séria e confiável? Pois que, afinal, patenteiam-se também as instruções discordantes formando o seu consenso particular. Assim, CUEE e CUTE não são, em suma, de qualquer validade científica nem para o Espiritismo e tampouco para a Ciência oficial; todavia, por questões maiores, se deve dar crédito ao Trabalho Concordante de Allan Kardec que, sem dúvida, estivera sob o amparo do Altíssimo e da plêiade de Espíritos superiores sob o comando de Jesus. Parece-me que CUEE e CUTE, são questões muito mais de índole filosóficas do que de caráter científico propriamente falando. Tanto é que a CUEE não pegou, não se lhe praticara e não se obtivera da mesma qualquer êxito neste sesquicentenário do Espiritismo no Mundo.
d- A CUEE, então, depende da mentalidade de quem a use?
-Não só a CUEE depende da Razão, mas a CUTE também; ou seja: depende do caráter pessoal de quem lhe fizer uso; sendo que a CUTE não exclui a CUEE, mas tão só lhe acrescenta novas possibilidades. Penso que a CUTE, na medida em que se vão fazendo novos avanços espirituais, novos progressos no campo da mais elevada Razão e da mais pura Mediunidade, a coisa tende a fluir melhor, a consertar-se, firmando-se num equilíbrio geral. Esta minha idéia, tenho cogitado, não antecipa coisa alguma, mas sim confirma o que já vem ocorrendo em nossa psicologia habitual. Ora, quem não tem suas próprias idéias, seu modo muito particular de agir e de pensar, de entender e de opinar, acatando ou não este ou aquele trabalho, esta ou aquela obra, de um ou de outro autor, médium ou não?
A CUTE, pois, já é do nosso uso e caráter há décadas, séculos e milênios; mas, em nosso caso, mais especificamente, renasce da relatividade da CUEE. Ora, a Espiritualidade sempre nos inspirou, e, de tal forma que, não paira dúvidas sobre mim, de que ela nos dirige, nos influencia beneficamente, cotidianamente, nas rotinas de nossos trabalhos, na educação dos nossos filhos, nos desdobramentos espirituais, permitindo-me ver que, na medida exata dos nossos progressos concomitantes, vamos sendo engajados às idéias do belo, do que seja eticamente correto, do que esteja direcionado para o divino e sumo bem.
e) E a Humanidade vai se encaminhando...?
-Para o amor. Somos provenientes de um Supremo Ato de Amor. Com efeito, a Verdade é Una, o Evangelho Messiânico, de Deus e de Jesus, é norma insuflada no Universo inteiro, em toda a sua cósmica integralidade, e, portanto, mesmo na condição de livres pensadores, engajados à CUTE, chegaremos a um mesmo e recíproco entendimento sem barreiras institucionais, políticas ou territoriais, filosóficas ou científicas, porque estaremos sempre aderentes ao que houver e ao que há de melhor em nós mesmos, se qualificando altamente mais; aderentes, pois, ao que de melhor pudermos fazer em nosso mundo íntimo e pessoal.
f) Tais Consensos, CUEE e CUTE, existirão para sempre?
-Absolutamente não, pois que serão excluídos em nossa condição de Espíritos puros, onde tais consensos se transmudarão para a Pessoa e a Vontade de Deus. Mas, por enquanto, o nosso íntimo e pessoal, expressando o que há de melhor em nós mesmos, não exclui o fato de também estarmos aderentes ao que há de melhor em nossos superiores hierárquicos, ou seja, em nossos instrutores espirituais.
g) Então tais Consensos não desaparecerão por completo?
-No longo curso do processo evolutivo, não. Poderá até renovar-se na forma de novos entendimentos em função de sua relatividade no Tempo-Evolução. Mas só desaparecerá, como já visto, para converter-se com a transcendência de nós mesmos, onde, como Espíritos puros haveremos de ser iguais aos nossos superiores e Unos com a Vontade do Criador.
h) Devemos depender da CUEE e da CUTE?
-Isso lembra um pouco a dependência que algumas pessoas, espiritistas ou não, tem pelo seu guru, do seu médium ou coisa parecida. Algumas chegam ao ponto de não sair de casa sem antes consultar o seu guia. Ora, não somos dependentes de tais Consensos e tampouco dos nossos guias espirituais. Ora, se fosse assim, para quê, então, existiria a Razão? Se vamos ficar restritos aos nossos instrutores espirituais, não precisaremos nem de pensar, nem de laborar, mas tão somente de obedecer.
Mas sabemos que assim não é. Precisamos trabalhar, pesquisar e adquirir conhecimentos e aprendizados à própria custa e responsabilidade, pois que tais vão sendo incorporados a nós mesmos como frutos de nossa operosidade e das experiências adquiridas pela eternidade. Errar faz parte do processo educacional e, com o erro aparece o determinismo como resposta conseqüente e possibilidade de correção, de aprender de novo e de fazer certo, se alçando para frente e para o alto ascensionalmente.
Destarte, somos irmãos para toda uma imortalidade, onde, hoje, os nossos superiores nos ajudam, nos instruem e nos protegem se tivermos o devido merecimento, e, portanto, veladamente, sem nada nos cobrar por isto. E amanhã, se formos capazes, também teremos nossos tutelados que, de igual maneira, ajudaremos, instruiremos e protegeremos se também eles tiverem o devido mérito; e assim sucessivamente, ora aqui, ora acolá, mais ou menos esclarecidos e sábios, até alcançarmos a definitiva e divina luz em Deus Nosso Pai.
Finalizando:
CUEE e CUTE são conceitos de procedimentos relativos e dependem da Razão, de qualquer Razão observadora do que resulte do fenômeno paranormal, espirítico-mediúnico ou coisa que o valha no imenso campo do Espiritismo.
-fim-


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