.

domingo, 9 de março de 2014

JESUS CRISTO: ALGUNS APONTAMENTOS


Nota de esclarecimento: 
“O artigo abaixo trata-se do exercício natural do direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. Não me compete censurar opiniões, ainda mesmo que eu, Jorge Hessen, não defenda pessoalmente as concepções de Pietro Ubaldi. 
Assim, deixamos aos leitores do meu blog em O Rebate o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere a seguir, pois o mesmo direito que tem o articulista de argumentar , temos todos o mesmo direito de refutar , de aceitar, ou não, os seus argumentos.” 


Articulista: Fernando Rosemberg Patrocínio
Email: f.rosemberg.p@gmail.com
Blog: fernandorpatrocinio.blogspot.com.br

Os que me conhecem, pessoalmente, ou, pelos textos de minha humilde lavra, sabem que não sou dado a polêmicas descabidas e apaixonadas, preferindo um meio-termo, mais coerente e mais sensato, até que as coisas se acalmem, e, com mais prudência e sem paixões, possa me externar melhor, visando a conquista daquele bom senso preconizado pelo Mestre Codificador de tantas e tão belas páginas de seu próprio punho, bem como, é claro, de sua notável intuição.

Tanto é que, observando-se textos prós e contras, razões de uns e de outros, desta polêmica de Francisco Cândido Xavier - ser ou não-ser - a reencarnação de Allan Kardec, até hoje este modesto articulista não tomara uma posição a respeito, uma vez que tal nada mudaria das coisas de um (Chico) ter sido, ou não, o outro (Kardec), pois o que importa, de fato, são suas excelentes obras que, na minha concepção, creio que as de Kardec estão hoje fartamente ampliadas pelas de Francisco C. Xavier, sendo estas a essência mesma daquelas outras. 


Os que são contra a possibilidade do Espírito de Kardec ter reencarnado como Chico Xavier, observam, sobretudo, seus perfis psicológicos, que dizem: não se encaixam; e, os que são a favor, dentre outras observações, alegam que Kardec, de vasta erudição e sapiência, reencarnara como Chico para alavancar seus atributos morais na ação e na prática viva do “Evangelho”, aquele mesmo que, de antanho, codificara.


E o fato é que ambos os lados parecem ter suas razões. E, este modesto autor, claramente positivista, e, portanto, pretendendo provas mais cabais e evidentes, não se envolvera e não se envolverá com questões polêmicas, com ofensas, de uns e de outros, se contrapondo, se debatendo, e que, na dúvida e, no livre exercício do meu critério, prefiro laborar o meu bom senso, minha prudência, tato e moderação, dando tempo ao tempo: preferindo esperar sem desesperar.


Ora, para quê posicionar-me a favor ou contra, com “afirmações” que, mais ou cedo, ou, mais tarde, levar-me-ão a algum crédito, ou, ao descrédito, por considerar minha razão como algo infalível, e não sujeita a erros, quanto a vida nos mostra, todos os dias, o quanto podemos estar equivocados nisto ou naquilo, que, “indubitavelmente”, nos parecia ser o certo, e, de repente, confirma-se o desacerto, o erro, fruto danoso da nossa precipitação. Ora, ninguém é infalível num mundinho inferior como este nosso! Ninguém!!!


Para mim, o que é indubitável, é que Xavier ampliara Kardec, e, até mesmo no tocante a uma das mais esbravejantes polêmicas do nosso tempo: a que se refere ao corpo que Jesus teria envergado durante sua passagem pelo Orbe terreno (físico e biologicamente material, segundo Kardec; ou fluídico materializado, conforme Roustaing). Sabemos que Kardec, em magistral e lógica argumentação contida em “A Gênese, Os Milagres e as Predições” (Allan Kardec – 1869 - Ide), alegara, ao seu final, numa síntese preciosa, que:


“Jesus teve, pois, como todos, um corpo carnal e um corpo fluídico, o que atestam os fenômenos materiais e os fenômenos psíquicos que assinalaram sua vida”. (Opus Cit.).


E Xavier, desenvolvendo Kardec, e não o desmentindo, lhe aprofunda nos termos de que Jesus Cristo podia tudo, até mesmo desmaterializar e rematerializar o próprio veículo corporal, conforme citação em “Mecanismos da Mediunidade” (Espírito André Luiz – 1959 – Feb):


“Em Jerusalém, no templo, desaparece de chofre, desmaterializando-se, ante a expectação geral (João, 7:30), e...”. (Opus Cit.).


Onde creio, por aí, e por muito mais, que a obra de Xavier tão só amplia e desenvolve Kardec nos mostrando as divinas potencialidades e faculdades outras do Mestre Nazareno.


Como se vê, o insigne Codificador, não viera tudo ensinar e revelar, mas sim, lançar as bases fundamentais do Espiritismo, competindo a outros, tal como o Chico mesmo, complementá-lo na obra interminável do seu desenvolvimento e ampliação.


E o fato é que este meu retorno a tal polêmica do corpo de Jesus, visa, primeiramente: mostrar aos muitos aprendizes do Espiritismo a posição espiritista de tal, onde a obra de Kardec e de Xavier que não se contradizem, mas se completam exemplarmente com a verdade cristalina dos Espíritos Superiores que laboraram com um, e com o outro, avançando mais; e, em segundo, mostrar as tantas idéias hoje encontradiças no meio espiritualista como, por exemplo, de Ramatis, alegando que: Jesus não é o Cristo, mas um médium do mesmo; havendo, pois, nesta concepção, um Jesus homem e um Cristo Cósmico, quando o Espiritismo ensina que Jesus Cristo é um só e o mesmo Espírito, alegando, ainda, que o mesmo se enquadraria como: “Médium de Deus”.


Recentemente, um livro de Carlos Baccelli lança mão de teses a princípio interessantes, concordo, mas um tanto polêmicas quando bem sentidas e racionalizadas; seu título: “A Lei da Reencarnação” (Espírito Domingas – 2010 - Editora Leepp). Alguns sábios do citado livro, no capítulo quinto, levantam duas hipóteses para explicar o período de 18 anos que o Cristo desaparecera da história, ou seja: dos 12 aos 30 anos.


A primeira tese do livro defende que o Espírito de Jesus, mesmo que, à longa distância do seu corpo, pelo dom da ubiqüidade, poderia controlá-lo e, com isso, aguardar o tempo certo de a ele retornar para o cumprimento de sua jornada evangelizadora. E a segunda hipótese seria a de que outro Espírito lhe substituíra, em seu corpo, por aquele referido espaço de tempo, quando Jesus, então, a ele retornara e o retomara para o cumprimento de sua missão.


Mas vejamos no que tais proposições pedem novas luzes.


Ora, se o Espírito de Jesus, na citada obra de André Luiz, tinha a faculdade de desmaterializar (e re-materializar quando o quisesse) o seu veículo biofisiológico e material, por que, e, para que, então, utilizar-se dos meios da “ubiqüidade”, ou, “da substituição espiritual”, propostos pelos Sábios daquele livro? Sábios que, por sinal, lhes devo o devido respeito e consideração, conquanto tenha minhas dúvidas e gostaria de esclarecê-las no sentido de aperfeiçoar meus aprendizados. 


Todavia, enquanto não tenho uma resposta de tais Sábios, na dúvida, sinto-me constrangido a ficar, por enquanto, com as instruções de Allan Kardec e de Francisco Cândido Xavier; conquanto lhes aguarde os pronunciamentos devidos.


Obs. do Articulista:

Pude deixar claro que, em minha concepção, a obra de Francisco C. Xavier complementa vastamente a obra de Allan Kardec; não me refiro, pois, à disposição íntima de Xavier, de sua posição particular no tocante à aceitação ou não da obra de Roustaing. Creio seja preciso distinguir uma coisa da outra; a obra de Xavier, a meu ver, é uma coisa; e a sua crença pessoal é outra, tendo-se mostrado, como se sabe, tendente à aceitação das teses roustainguistas, como está registrado no trabalho de Suely C. Schubert, se a mesma estivera retratando a verdade contida nas cartas de Xavier remetidas à Feb.

Por outro lado, os espiritistas se esquecem de que mesmo aquilo que nos parece falsificado e ruim, ou, supostamente falsificado e ruim, do ponto de vista doutrinário (Roustaing, por exemplo), nos serve de grande e útil ensinamento. Ora, muito aprendemos com Kardec e com Roustaing, aprendendo a distinguir o racional, o sensato, doutrinariamente falando, do que é o seu oposto de irracionalidade, de insensato, nos parecendo anti-doutrinário.


































0 Comentários:

Postar um comentário

<< Home