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terça-feira, 30 de julho de 2013

DISCURSO DO MÉTODO’ DE DESCARTES

Nota de esclarecimento: 
“O artigo abaixo trata-se do exercício natural do direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. Não me compete censurar opiniões, ainda mesmo que eu, Jorge Hessen, não defenda pessoalmente as concepções de Pietro Ubaldi. 
Assim, deixamos aos leitores do meu blog em O Rebate o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere a seguir, pois o mesmo direito que tem o articulista de argumentar , temos todos o mesmo direito de refutar , de aceitar, ou não, os seus argumentos.” 




Fernando Rosemberg Patrocinio
 f.rosemberg.p@gmail.com
fernandorpatrocinio.blogspot.com.br

Inicio o presente texto indagando: O que é a Verdade?

E, replico com algumas sentenças de Jesus, que expressava:

-Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará! (João 8:32).

-Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida! (João 14:6).

Entretanto, ao ser perquirido por Pilatos, sobre o que é a Verdade, constam, nos escritos da época, que Jesus se calara nada pronunciando a respeito. (João 18:38).

Do meu restrito, e, mui deficiente ponto de vista penso que a Verdade é progressiva e relativa à dinâmica dos seres, sujeitos que estão aos aperfeiçoamentos morais e cognitivos de si próprios, e, tendentes, pois, ao que seja, ou, ao que é, a Verdade Terminante: como Máxima Compreensão do Eterno. Neste sentido, a Verdade se pronuncia como uma espécie de desvelamento, ou, de retirada paulatina do véu das coisas, de algo que está sempre, e, estará sempre em construção, e que, ao seu topo, se é que se pode chegar a tal, se aproximaria dos cem por cento (100%) da Verdade Contida em Deus, ou, do paradoxal: Uno-Infinito de Deus.

No artigo intitulado “Teoria dos Montantes Evolucionais”, estive a propor uma fórmula matemática como sugestão para entender-se tal aproximação da criatura ao seu Criador que, por incessantes impulsos evolutivos vai se abeirando e se unificando ao Conhecimento Pleno das Coisas em Deus: Onipotente, Onisciente, Onipresente.

Por outro lado, alegarão os céticos que: Deus não existe!

Entretanto, nunca, jamais, nenhum deles pôde estabelecer provas cabais e definitivas do que dizem: de que Deus não existe. Sendo tais, tão só dignos de pena por suas fanfarronices e tolas pretensões.

Ora, dizer que Deus não existe é fácil. Difícil é provar. E creio, com absoluta convicção, que jamais o farão, destacando-se, da parte de tais, tão somente vãs palavras e falsos argumentos de sua filosofia anarquista, incorporando Nietzsche sua mais doentia e inconseqüente expressão. Pelo contrário, o cético puro, de incredulidade absoluta, é que não existe; como pessoa e como inteligência-moral, este sim, vem a ser algo apenas imaginário, inexistente, como já ratificado por um dos mais respeitáveis autores do século vinte, esclarecendo que: 

“O ateísmo ou a incredulidade absoluta não existe, a não ser no jogo de palavras dos cérebros desesperados, nas teorias do mundo, porque, no íntimo, todos os Espíritos (homens) se identificam com a idéia de Deus e da sobrevivência do ser, que lhes é inata. Essa idéia superior pairará acima de todos os negativismos e sairá vitoriosa de todos os decretos de força que se organizem nos estados terrenos, porque constitui a luz da vida e a mais preciosa esperança das Almas”. (1).

Por outro lado, e, por mais neguem, sempre se obterá, na sua negativa mesma, a Prova Existencial do Supremo, pois que tais não negariam a Deus se Ele não existisse, pois que o inexistente não existe e, portanto, não precisa ser contestado ou negado. Indubitavelmente, pois, Deus Existe! Conquanto seja indivisível, Deus Existe no aspecto Transcendente: em Si mesmo, como Deus Pessoal; e, no aspecto Imanente: nas suas criaturas, como Deus Impessoal, no mais íntimo de nós mesmos, de nossas consciências que não podem negá-Lo, conquanto cérebros desesperançados e frios o façam por pensamentos e palavras, se contrapondo, em vão, ao que deles dimana de forma ininterrupta e incessante expressando-lhes: “Eu Estou Aqui, Bem Dentro de Ti”!

Quero crer que, se a rebeldia de Friedrich Nietzsche (1844 – 1900) representa a não-conformidade humana, em seus antípodas René Descartes (1596 - 1650) representa a conformidade plena, em sua máxima expressão filosófica, e, por que não dizer: científica, no próprio campo dos conhecimentos acadêmicos, provando a Existência de Deus a partir de si mesmo, de sua existência permanente contida no “Cógito Ergo Sun”; do seu famoso: “Penso Logo Existo”.
Em seu célebre: “Discurso Sobre o Método”, mais conhecido como “Discurso do Método”, parte quatro, após exposição de suas mais importantes e mais profundas elucubrações pessoais, envolvendo aspectos de teor científico, e, onde descobrira o que considerava como sendo o mais importante princípio filosófico, proferia Descartes - ao constatar que podia existir e pensar, independentemente da existência do corpo, o que mais modernamente se constata por criteriosas pesquisas, sejam elas espiríticas (Allan Kardec, Denis, Delanne e demais clássicos), metapsíquicas (Richet, Geley, Crookes e outros), parapsicológicas (Rhine, Mc Dougal, e etc) - que:

“De maneira que eu, ou seja, a Alma, por causa da qual sou o que sou, é completamente distinta do corpo e, também, que é mais fácil de conhecer do que ele, e, mesmo que este corpo nada fosse ela não deixaria de ser tudo o que é”. (2).

E, mais adiante, o ilustre sábio conclui pela Existência de Deus por sermos detentores da idéia da Perfeição, do que seja Perfeito e, não podendo tal idéia ter por princípio o próprio homem, em toda a sua imperfeição e mazela, a causa da mesma provém de algo Perfeito, provém de Deus. E, mais ainda: o notável filósofo irá completar logo adiante suas elucubrações acerca do Existir Divino, pelo fato de que, afinal: eu, não me dou a mim mesmo, ou, noutros termos, eu não surjo neste mundo por mim mesmo; eu não me dou existência e não me crio por minha própria e específica vontade, e, portanto, devo a minha existência a Outrem, à Vontade Suprema, ou seja: 

-À Existência de Deus.

E afirmava, se acrescente ainda, a genialidade cartesiana:

“Pois, por exemplo, eu percebia muito bem que, ao imaginar um triângulo, fazia-se necessário que seus três ângulos fossem iguais a dois retos; porém, malgrado isso, nada via que garantisse existir no mundo qualquer triângulo”. (2). 

E prosseguia adiante seu indubitável pensamento:

“Enquanto, ao voltar a examinar a idéia que eu tinha de um Ser Perfeito, verificava que a existência estava aí inclusa, da mesma maneira que na de um triângulo está incluso serem seus três ângulos iguais a dois retos, ou na de uma esfera serem todas as suas partes igualmente distantes do seu centro, ou ainda mais evidentemente; e que, por conseguinte, é pelo menos tão certo que Deus, que É esse Ser Perfeito, É ou Existe quanto seria qualquer demonstração de Geometria”. (2).

Eis aí, por conseguinte, algumas descobertas de um verdadeiro gênio da humanidade que, amparado por sérias elucubrações filosóficas e matemáticas, e, portanto, por critérios favoravelmente científicos, encontrou a Verdade de nossa existência imortal, e, indo além, encontrou a Verdade da Existência de Deus, o Criador. De fato, para os Espíritos superiores, com o renomado Kardec: 

“Deus existe, não o podeis duvidar, é o essencial. Crede-me, não vades além. Não vos percais num labirinto de onde não poderíes sair”. (3).

Pela sua impotência em penetrar a grandeza do que é impenetrável, muitos dos nossos pares, em sua soberba fala, e, tola presunção, ao invés de se submeterem, combatem o Espírito e sua consciência mesma, discursando que Tudo surgira do nada, nesta arrogante aversão que tais elementos tem pelo Criador, para eles: o não-Ser, o inconcebível de um nada, porquanto Deus, que Tudo É (*), para tais enceguecidos nada representa, pois que, em sua fala, nada é!

(1) “O Consolador” (Espírito Emmanuel - Psicografia de Francisco Cândido Xavier – 1940 - Feb);

(2) “Discurso do Método” (Tradução de Enrico Corvisieri – versão eletrônica – homepage: http://br.egroups.com/group/acrópolis/ );

(3) “O Livro dos Espíritos” (Allan Kardec – 1857 – Ide);

(*) Deus Tudo É: Transcendente: como Deus Pessoal, e Imanente: como Deus Impessoal, presente na Sua própria criação. 






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