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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Maravilhas da Pessoa Humana


Os avanços surpreendentes da ciência e da técnica, ao longo do último século, têm possibilitado à humanidade desvendar realidades que antes eram consideradas inexistentes, utopias ou até mistérios. A Natureza circundante a todo o ser humano ainda não é, totalmente, conhecida, porém, muito se tem desbravado para chegar ao nosso conhecimento, aproveitarmo-nos dela e, em alguns domínios, a controlarmos ou, pelo menos, prevermos as suas manifestações e prevenirmo-nos contra as consequências dos respetivos fenómenos, o que evita ou atenua os efeitos catastróficos na sociedade humana.
Ao longo da história do planeta Terra, e de tudo quanto a seu respeito se sabe, tem-se a certeza de que o ser humano é o que mais tem evoluído e contribuído para uma permanente alteração das suas condições de vida, criando, transformando, alterando e conquistando situações, conhecimentos e técnicas para adaptar o mundo às suas próprias necessidades, cada vez mais exigentes e sofisticadas, tendo vencido em muitos domínios e continuando, incessantemente, na busca de novas soluções, para problemas que ainda estão por resolver, designadamente, a sua própria morte física, o controlo dos fenómenos naturais, a paz no mundo e a felicidade.
A dimensão físico-material da pessoa e os conhecimentos necessários à melhoria das condições de vida têm beneficiado de grandes avanços, ao nível da saúde, da longevidade, da erradicação de graves e mortíferas doenças, que durante séculos dizimavam populações inteiras, ao conforto habitacional, aos transportes, ao estudo do universo, enfim, ao bem-estar geral para muitas pessoas, povos e nações.
Haverá, todavia, uma outra dimensão que oferece mais dificuldades ao seu estudo, bem como o consequente conhecimento de realidades que transcendem o mundo físico que envolve a humanidade. Há como que um mistério acerca da pessoa, relativamente ao ser mais profundo que ela comporta, que não é, materialmente, visível  mas que se manifesta por determinado tipo de emoções, sentimentos e visionamentos, que se poderiam considerar inefáveis, cientificamente inexplicáveis.
Meritoriamente, as ciências com as tecnologias, buscam explicações para determinados fenómenos humanos, reações, consequências, controlo e tratamento, quando necessário, contudo, em muitos casos, não se consegue chegar a uma solução, a uma explicação, a uma fórmula, que a ciência valide, para se resolver no futuro, com a angústia de que, em certas situações-limite, se procurarem outros meios, outros tratamentos, outras soluções, sendo, aparentemente, verdade que, algumas vezes, com sucesso, muitas outras, não.
A posição da pessoa em matérias tão sensíveis e desconhecidas leva à aceitação do mistério da existência humana, em alguns aspetos da sua vivência, colocando-se, desde há milénios, questões que ainda não têm uma resposta convincente, para grandes camadas da sociedade: Quem somos? Para onde vamos? Qual o nosso destino?
É aqui que entra, para quem é crente, uma outra dimensão, uma outra componente da constituição da pessoa, o espírito, alma, consciência, sobrenatural, afinal, outros elementos, de acordo com as diversas culturas, religiões, crenças, valores, emoções e sentimentos.
Pode-se aceitar essa outra componente, para além da composição físico-material da pessoa, porque ela não envolve nenhum conflito prejudicial à humanidade, apenas discussão científica, ideológico-religiosa, incentivo à investigação, o que até é positivo, desde que no respeito pelas diversas correntes de opinião e também pela crença e pela fé que muitos têm e defendem, respetivamente, quanto à posição no mundo material em que se encontra a pessoa humana.
É claro que se desconhece se haverá, ou não, neste planeta, ou até noutros, seres tão completos quanto o ser humano e, não havendo tal conhecimento, então uma grande ideia fica patente: a pessoa humana é um ser maravilhoso, misterioso, dotado de capacidades ilimitadas, mas também um ser angustiado porque sabe que ainda não conhece tudo a seu respeito e, recordando Sócrates, o filósofo, até se pode concordar com ele: “Eu só sei que nada sei”, verdade que permanece como tal, desde há cerca de dois mil e quinhentos anos.
Esta assertiva, de facto, preocupa-nos imenso porque revela a nossa limitação, em certos domínios, a nossa insignificância, porém, seremos humildes quando aceitamos este pensamento de Sócrates: «A sabedoria está em não acreditares que sabes o que não sabes» (SÓCRATES, in KARDEC, 2010:51).
Admite-se, para efeitos de estímulo à reflexão, que é através do pensamento organizado, da consciência, esta enquanto: «Identidade Psíquica e Moral: que permanece de forma intacta, inteiramente completa apesar do turbilhão de matéria que passa em nós; ou seja: Eu sou sempre Eu mesmo, conquanto possa até melhorar, aperfeiçoar, evoluir; mas Eu permaneço como Consciência estável, regular, atuante, porém insensível às mudanças da matéria orgânica que se permuta, que se troca, em sua eterna inconstância e variabilidade» (PATROCÍNIO, in http://fernandorpatrocinio.blogspot.com.br/, consultado em 10.01.2013), do espírito, que a pessoa humana reage a determinadas situações, dentro de um contexto específico, com regras, princípios e valores, por si criados.
A partir daqui, são muitos e diversos os sentimentos, os mais diferentes e díspares possíveis, concluindo-se muitas vezes por nem sequer saber porque reagiu de uma determinada maneira, mas ficando triste ou alegre, pelos resultados obtidos. Os paradoxos são imensos, o aglomerado de ideias, reações e consequências, multiplicam-se e, no final, a pessoa está pronta para novas situações, emoções, sentimentos e experiências.
Que maravilha é este desencontro de situações que a pessoa experimenta no seu íntimo sem, aparentemente, a intervenção material de algum outro elemento, para além de um eventual facto concreto que desencadeou tantas reações, sejam físicas, fisiológicas ou sentimentais/emocionais.
Algo escapará às explicações científica e tecnológica, e até de outras áreas, na circunstância, do conhecimento esotérico. É esta angústia maravilhosa que nos faz mover, alimentar a crença, a fé num outro ser que, provavelmente, transcende o ser humano físico-material.
A pessoa humana é, portanto, uma “misteriosa incógnita” para si própria e para os seus semelhantes. A admirável aflição de: por um lado, saber-se diferente e superior a todos os outros seres até agora conhecidos que, praticamente, os domina, quase como que deseja, que vai construindo o mundo como pretende, que seja ao seu gosto e que satisfaça as suas necessidades, por mais extravagantes que estas sejam; mas, por outro lado, vive numa certa obsessão em descobrir quem realmente é, o que estará, de facto, a fazer neste mundo e a dolorosa certeza da morte física que é agravada pela ignorância do seu destino último. É nesta dicotomia, parcialmente inexplicável, que a pessoa vai passando por este mundo.
A problemática existencial do ser humano constitui, efetivamente, o grande dilema, a preocupação maior que ao longo da vida terrena se depara a quem realmente se considera diferente, superior e maravilhoso, comparativamente com os restantes seres animados conhecidos.
É por isso que tal diferença e superioridade devem ser direcionadas para o bem, para os valores mais altruístas como: a solidariedade, a amizade, a lealdade, a saúde, a família, o trabalho, a paz, a felicidade e a graça de Deus, porque só assim esta vida tem sentido e este ser humano se tornará maravilhoso.
O princípio, segundo o qual: “tudo o que nasce morre”, aplica-se, inexoravelmente, à pessoa humana e tendo por base de vida esta certeza, então é do mais elementar bom-senso que a existência humana seja desenvolvida com um espírito filantrópico, de amor ao próximo.
 Este sentimento, talvez o mais nobre e sublime que o ser humano consegue vivenciar e revelar, passa por imensas atitudes, desde logo, pelo perdão, no sentido da tolerância, da solidariedade, da ajuda, porque: «A forma mais profunda de perdão é um processo de compreensão que exige esforço e mudança. (…) Quanto mais tomamos consciência de nossos sentimentos e os entendemos, mais podemos mudar de ideias e mais profundamente somos capazes de perdoar. (…) A vida de inúmeras pessoas foi transformada no decorrer da história humana por sentirem-se aceites e perdoadas. (…) O perdão remove os ressentimentos que nos impedem de desenvolver nossa espiritualidade. (…) Aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama. Existem ocasiões em que perdoar a nós mesmo é o mais árduo ato de amor.» (BAKER, 2005:83).
As diversas dimensões da pessoa humana, quer no domínio material, por exemplo, do saber-fazer, produzir objetos, construir monumentos, transportes, pontes, estradas, artefactos para diferentes fins, resolução de problemas de saúde, fabrico de medicamentos, que curam doenças complexas, já é uma inequívoca superioridade, em relação a todos os outros seres conhecidos, mas a dimensão que resulta das suas faculdades psicológicas, intelectuais e espirituais completa, sem dúvida, a grandiosidade deste ser maravilhoso que é a pessoa verdadeiramente humana. O pensamento humano leva a pessoa para onde esta ambicionar mas, desejavelmente, para o bem, assim se pretenderia que fosse.
É essencial, porém, compreender-se que a pessoa humana não é um ser perfeito embora, superior a todos os outros seres conhecidos. Com efeito há, ainda, muito por fazer no domínio do aperfeiçoamento das atitudes, dos projetos altruístas, do bem-comum.
Parece um paradoxo que, simultaneamente às práticas malignas, que conduzem à miséria e à morte prematura, também se verifiquem atos de grande nobreza, de inequívoca solidariedade, de amor extremoso e de outros valores, apenas existentes, conscientemente, nos seres humanos.
Esta bipolarização do bem e do mal, do amor e do ódio, da paz e da guerra, entre outras dicotomias, é uma batalha que urge vencer no sentido da consolidação dos primeiros termos dos binómios acima identificados, ou seja, que a saúde, a família estável, o trabalho, a solidariedade, a amizade, a lealdade, a paz e a felicidade, sejam os elementos fundantes da dignidade humana.
A complexidade do ser humano também constitui um património inigualável e inimitável. Na verdade, vive-se para o bem e para o mal mas, em situações-limite, surge a capacidade do perdão, da generosidade, do companheirismo, da tolerância, pelo menos em pessoas com um espírito bem formado, com uma consciência sensível aos dramas.
A pessoa humana é, realmente, um ser maravilhoso, com virtudes e defeitos, cometendo atos de inquestionável e excecional grandeza, quanto outros de desprezível crueldade e mesquinhez, todavia, possui o sentimento mais elevado, notabilíssimo e profundo que algum ser conhecido demonstra ter: o Amor.
Em bom rigor: «O amor é uma energia, a energia mais pura e mais elevada. Nas suas vibrações mais altas, o amor possui sabedoria e consciência. É a energia que une todos os seres. O amor é absoluto e não tem fim. (…) A energia curadora é uma componente da energia espiritual. (…) Quando os médicos referem a ligação entre a mente e o corpo, acredito que o Amor é a energia que estabelece essa ligação» (BRIAN, 2005:132). Parece, portanto, não restarem muitas dúvidas de que a pessoa humana é um ser maravilhoso, proteja-se e engrandeça-se este ser fantástico.

Bibliografia

BAKER, Mark W., (2005). Jesus o Maior Psicólogo que já Existiu.Trad. Cláudia Gerpe Duarte. Rio de Janeiro: Sextante.
BRIAN L. Weiss, M.D. (2000). A Divina Sabedoria dos Mestres. Um Guia para a Felicidade, alegria e Paz Interior. Trad. António Reca de Sousa. Cascais: Pergaminho.
KARDEC, Allan, (2010). O Evangelho Segundo o Espiritismo: contendo a explicação das máximas morais do Cristo, sua concordância com o Espiritismo e sua aplicação nas diversas situações da vida. Trad. de Albertina Escudeiro Sêco. 4ª Edição. Algés/Portugal: Verdade e Luz – Editora e Distribuidora Espírita.
PATROCÍNIO, Fernando Rosemberg, (2012). Evidências do Espírito na Matéria, in http://fernandorpatrocinio.blogspot.com.br/, consultado em 10.01.2013).  



Venade/Caminha – Portugal, 2013



Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Portugal: www.caminha2000.com (Link Cidadania)

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