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sábado, 29 de setembro de 2012

CONHECER PARA PROGREDIR

Roberto Cury




Esta é uma história que tem quase tudo a ver comigo. Entretanto, os valores me chegaram através de pessoas maravilhosas que faço questão de ressaltar neste escrito, porquanto, tiveram a ousadia de enfrentar minhas antigas posições religiosas, espirituais e também como ser humano inserido na sociedade, conseguindo me fazer enxergar desconhecidos horizontes novos e romper com tudo o que eu considerava irretocável, trazendo-me para a realidade do ente que descobriu que nada tinha a não ser um grande orgulho e uma vaidade inesgotável por ter nascido no estado paulista, até hoje considerado um país de primeiro mundo dentro do Brasil de 3º estágio, no concerto das nações civilizadas.


E foi aqui em Goiás que meu espírito se libertou das principais amarras que o prendiam na ignorância do verdadeiro bem, abandonando, de vez, as falsas idéias do cristianismo, até então vivido, entrando para o reino do Conhecer para Progredir.


Disse que a história tem quase tudo a ver comigo porque se eu não fosse um dos protagonistas, os demais não teriam importância, porquanto foi a minha teimosia que me manteve durante mais de 32 anos desta encarnação no obscurantismo me imaginando grande, mas, sem objetivos e nem finalidades, até porque não entendia que o que é que eu fazia perdido aqui neste mundão, sem sentido! Lembro-me que aos 16 anos fizera estes pessimistas versos: “Eta!, vida mal dividida, de uma existência perdida!”


Por outro lado, justifico que os outros não teriam importância, não fora pelo fato de que meu errôneo entendimento de uma existência perdida, me deixava totalmente órfão.


Por bondade de Deus, eles se ligaram a mim proporcionando-me investigação dos princípios norteadores da encarnação que eleva pelo descortino da razão. São, pois, os responsáveis pela minha descoberta como ser espiritual, antes de corporal e a utilidade de cada passagem pelos mundos materiais.


Adentremos, sem receios, a história.


Segundo semestre de 1965, só não me lembro em que mês, Álvaro e Natália, pais de Maria Inês, a minha esposa (casáramos em julho daquele ano), mudaram-se de São Paulo para o Sarandi, pequeno lugarejo no município de Itumbiara.


Apesar de recém casados, Maria Inês e eu vínhamos de um estresse muito grande, resultado dos nossos trabalhos na Capital paulista e resolvêramos tirar um descanso na orla paulista curtindo uma praia deserta num prédio onde só nós dois estivemos todos os 15 dias, pelos lados da conhecida Cidade Ocian que nem sei se ainda existe com esse nome. Foi lá que nasceu a idéia maluca. -“Vamos mudar pra Goiás?”, disse eu que nunca antes havia imaginado morar neste estado. Maria Inês respondeu: -“Vamos, mas, primeiro você vai conhecer pra saber se é isso mesmo que você quer”.


Em dezembro vim a Itumbiara, hospedando-me em casa de Julio Menezes e dona Tarsila, tios de Maria Inês. Encantei-me com o Rio Paranaíba e com as possibilidades de pesca eu que tanto adorara pescar e que a anos não o fazia.


Professor, percorri os colégios e recebi promessas de muitas aulas, afinal eu vinha do centro mais avançado à época. Incontinente, aluguei uma casa na Sapolândia (beira rio).


Voltando a São Paulo embalamos móveis e outros utensílios, consegui um caminhão de carroceria simples (ficou mais barato) e logo no começo de janeiro de 1966, cheguei com a mudança recebendo, de chofre, a notícia desagradável de Zé Cheiro, dono da casa, de que não poderíamos morar na mesma porque ela estava à venda.


Reclamei que não tinha onde colocar os móveis e ele permitiu que eu deixasse lá, mas, sem poder armá-los, até que arrumasse um outro local. Logo, consegui um barracão da Dra. Zenaide e passamos a morar com as dificuldades naturais daquela época.


Nem tantas aulas prometidas me foram dadas, mas, logo me chegaram alunos particulares e pude, com isso, manter a casa e cuidar de Maria Inês que logo realizou seu sonho de gravidez. Em outubro, 16 ainda sob a comemoração do dia do professor, chegou Marileila, a primogênita.


Antes, porém, o Instituto Francisco de Assis, orientado e dirigido por um grupo espírita, convidou-me e aceitei muitas aulas de Português nos vários cursos ministrados ali.


Apesar de católico, convivi com muitos espíritas. Vigilato Pereira de Almeida, Presidente do Centro Espírita Eurípedes Barsanulfo, pai de Lívia, esposa de Diógenes Mortoza da Cunha, sempre me abordava dizendo: - “Roberto, você ainda vai ser espírita”. Jamais refutei, em consideração à idade e à postura de Vigilato, mas, sorria sempre e interiormente dizia-me: “É nunca!”.


Diógenes trabalhava no Banco do Brasil e apesar de morarmos na mesma rua e próximos um do outro jamais havíamos nos encontrado até um dia em que, saindo do banco, para o almoço, deparei-me com ele. Sentindo uma inexplicável repugnância, pois nunca o vira antes, mudei de calçada.


No final do ano de 1967, alguns alunos do curso comercial, pretendendo fazer vestibular de Direito me convidaram para dar aulas de Português e Espanhol. Silvia, cedeu seu escritório para as aulas. Foi lá que me vi frente a frente com Diógenes e sem mais nem menos começamos a discutir como se nos conhecêssemos de muito virando a discussão apenas questões de idéias entremeadas de um rancor surdo entre nós. Gastamos todo o tempo das aulas em discussão e os alunos nos chamaram à razão dizendo-nos que se fôssemos ficar brigando, eles nos dispensariam pois o que queriam era o aprendizado.


Pacto feito de não mais discutirmos, o resultado das aulas foi sucesso absoluto, pois tanto os alunos quanto eu e Diógenes conquistamos aprovação e iniciamos o curso na Faculdade de Direito de Uberlândia – MG, hoje Universidade Federal.


Do início de 1968 ao fim de 1972, com a desistência de três deles, bacharelamo-nos em Direito.


Em 1973, mudara-me para Santa Helena de Goiás, onde exerci a Procuradoria Jurídica da Prefeitura Municipal e advoguei tanto no cível, quanto no penal.


Transcorria o ano de 1974 e o meu espírito inquieto se assoberbava com certas questões de ordem religiosa, quando numa noite em que estive profundamente preocupado, orei assim: “Jesus, meu amigo e meu irmão (nunca acreditei que Jesus fosse Deus como pregam as igrejas), você sabe que estou muito confuso. Orienta-me e me ilumine para que eu saiba como proceder. Dormi e de nada me lembro, mas acordei eufórico no desejo de ler obras espíritas. Até então nunca lera nada sobre Espiritismo.


Pensei: - “Como fazer. Nunca vi livro espírita nas livrarias de Santa Helena e não conheço nenhum espírita aqui para que eu possa me orientar ou conseguir obras.”


Decidi ir a Itumbiara, pois lá tinha meus conhecidos e apesar de Vigilato já estar desencarnado, tinha seus descendentes, seu genro Diógenes e outros que poderiam me orientar no novo propósito.


Peguei meu fusquinha e me mandei pra lá. Além de “filar” o almoço na casa de Diógenes e Lívia, ainda ganhei “O que é o Espiritismo” e “O Livro dos Espíritos”, com a recomendação de que lesse o primeiro e só depois estudasse O Livro dos Espíritos.


A leitura dinâmica que possuía à época me permitiu engolir O que é o Espiritismo em meia hora, ficando assustado pois senti que já conhecia praticamente tudo que estava ali. Sim, assustado, pois jamais tinha lido qualquer assunto de espiritismo, como então poderia conhecer?


Entretanto, o que mais me tornou convicto de que agora estava no caminho certo foi descobrir, na primeira questão de O Livro dos Espíritos: O que é Deus? Deus suprema inteligência e causa primária de todas as coisas. Eis o Deus que sempre procurara e nunca antes havia encontrado, pois não aceitava aquele Deus que fizera o Mundo em seis dias e no sétimo teve de descansar, ou o Deus que pediu o sacrifício do primogênito de Abrahão como prova de sua lealdade, ou, ainda, o Deus que teve de fazer Adão dormir para, retirando dele uma costela, criar Eva.


O Deus cruel, falho, terrível, fraco consagrado no Velho Testamento, nunca pude aceitar.


Deus, Suprema Inteligência, Suprema Sabedoria, Causa primária de todas as coisas.


Durante dois anos seguidos, um dos irmãos desencarnados, possivelmente, companheiro de sacerdócio de outras encarnações, não me folgou, nem quando ia ao banheiro, lembrando-me que só a Igreja é que estava certa, que esses negócios de espírito era coisa do demo, mal sabendo que ele não pertencia ao mundo encarnado e que, apesar de estar me azucrinando todo o tempo, também não era demo, apenas um espírito que ainda não compreendera que a vida de relação é passageira e que a verdadeira vida é a Espiritual que jamais se acaba.


Finalmente, numa noite, encontrando-me em Goiânia, pelos idos de 1976, depois da desencarnação de Maria Inês, participara de um culto do Evangelho no Centro Espírita Amor e Caridade, fui convidado pelo Presidente Amir Salomão David a permanecer para reunião mediúnica e para minha surpresa, o meu obsessor se manifesta na minha mediunidade inconsciente, conta a história da sua desencarnação e com a libertação desenvolveu-se em mim os trabalhos na seara do Cristo com a assistência aos espíritos necessitados.


Passado mais um tempo, em julho de 1979 mudei-me para Goiânia, freqüentando um e outro centro sem compromissos maiores até que em 1981, quando já morava no Prive Atlântico, o culto do Evangelho no lar, por sugestão do espírito Padre Clarion que tanto me obsedara antes, foi transformado, abrindo-se as portas da residência a quem quisesse participar das reuniões.


Sem que soubéssemos, ali se dava o início do Grupo de Doutrina Espírita Professor Herculano Pires, que hoje está totalmente consolidado, graças a Deus, servindo de amparo e conforto a todos que o procuram e que tem como principal meta CONHECER PARA PROGREDIR.

CHICO XAVIER E CONCORDÂNCIA UNIVERSAL (CUEE)

“O artigo abaixo trata-se do exercício natural do sagrado direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. Não me compete censurar opiniões, ainda mesmo que não as defenda pessoalmente na íntegra.  Assim, deixamos aos leitores de O Rebate o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere a seguir, pois o mesmo direito que tem o articulista de argumentar , temos todos o mesmo direito , de aceitar, ou não, os seus argumentos.”  Jorge Hessen





Fernando Rosemberg Patrocínio
f.rosemberg.p@gmail.com

O Espiritismo, como se sabe, não é de caráter sistêmico, ou seja, ele se nos revela como sendo arredio ao espírito de sistema, pois que não é uma Doutrina sistematicamente fechada, ou, então, lacrada pelo Pentateuco Kardequiano, mas se abre para um mundo de novas informações que lhe vão sendo adicionado, que lhe vão aprofundando e, por sua vez, engrandecendo-o vastamente no tempo.

Ao tempo da Codificação, Kardec propusera algumas condições no sentido de se preservá-lo das teorias contraditórias, das seitas que dele quereriam se apoderar em seu proveito, em suma, estabelecera condições bastante claras para protegê-lo das inverdades e das mistificações. A primeira de tais condições era, e é, sem dúvida, o da razão: que a ela deveria ser submetido tudo quanto viesse dos Espíritos, confrontando-os ainda com o bom senso e com os dados positivos obtidos até então. Mas a sua experiência no trato com o Invisível mostrara a Kardec que essa primeira situação, por si só, era incompleta.

Ela era, evidentemente, necessária, mas deveria ser ampliada com a condição de que os ensinos revelados pelos Espíritos, para ser confiável e garantidamente sério, deveriam estar em Concordância com os demais ensinos revelados espontaneamente por diversos médiuns estranhos uns aos outros e em diferentes lugares. Esta é a essência mesma da CUEE: Concordância Universal no Ensino dos Espíritos.

Paradoxalmente, por ser o Espiritismo, maravilhosamente simples, em sua conceituação, e, maravilhosamente complexo, em sua profundidade e aprofundamentos que se vão lhe enriquecendo, muitos outros médiuns, no decurso do século vinte que se findara, vieram colaborar com o seu desenvolvimento doutrinário. Atualmente, pois, é óbvio que haveremos de encontrar inúmeros livros, estudos, ditados, opiniões e princípios ventilados aqui e ali, e que ainda estão distantes do quadro conceituado pela CUEE, caso em que, deverá o estudioso espiritista procurar, consoante Kardec, ouvir a voz da razão, do bom critério e do discernimento, ou, pelo menos, no quanto lhe houver de tais, pois que, referidas faculdades são nitidamente evolutivas, e, portanto, de constante mutabilidade ascensional.
Ora, já vimos nos artigos “Níveis do Psiquismo Humano” e “Sublime Matemática do Evangelho”, já disponibilizados na net pela webartigos, que o processo evolucional no campo das consciências despertas da humanidade, nada mais é que uma ampliação de paradigmas conducente a uma conscientização cada vez maior e que vai mudar sempre para melhor, espiritualizando o Ser não mais egoisticamente, mas sim, altruisticamente.

Mesmo ao âmbito de uma determinada classe de inteligência (da pré-lógica, da concreta, ou, da formal) - que são faixas distintas, mas intrinsecamente dinâmicas do psiquismo humano, pois que se vai evoluindo, crescendo e, ciclicamente, ampliando sua capacidade mental - pode-se detectar mudanças bem apreciáveis de comportamento mental; e isto porque as camadas do saber vão se acomodando nas estruturas anímicas do Ser e abrindo novos espaços (vibracionais) para outros entendimentos, maiores e melhores que aqueles já gravitados para o nosso interior. Para exemplificar, o paradigma deste autor mesmo, nos tempos estudantis, era constituído tão somente pelo ministrado na universidade. Conheci o Espiritismo de Kardec e se lhe ampliara os padrões de entendimento delineados pelo arrogante modelo anterior. Percebi que a Ciência Oficial e a Ciência Espírita se completavam e se completam realmente.

O paradigma material juntou-se ao espiritual constituindo outra esquematização de idéias: maior e melhor. Mas como o processo evolutivo não para, o conhecimento da obra mediúnica de Chico Xavier veio proporcionar-me uma nova e mais rica tela panorâmica das coisas: a humanística, de prática vivencial cristã. Não que o trabalho de Kardec não contenha e não permita tal visão. É que a obra de Xavier veio desenvolver e aprofundar tais parâmetros: da caridade, do amor sem fronteiras e, portanto, universal.

Mas a coisa não parou por aí. Tudo veio a completar-se e constituir-se no maior paradigma de idéias científicas, filosóficas e cristãs, já alcançados pela humanidade terrena com a esplêndida obra universalista de Pietro Ubaldi. O que significa uma notável ampliação de paradigmas: um completando o outro e vice-versa. Atravessei e vivi, pelo menos, quatro modelos conceptuais que se completam e se entrosam mutuamente:

-Ciência Oficial;
-Ciência Oficial e Espiritismo de Kardec; e, juntando-lhes:
-Obra Humanística de Chico Xavier, e mais adiante, ainda em complexão:
-Obra de Espiritualismo Monista de Pietro Ubaldi.

Assim, as Inteligências humanas vão progredindo pouco a pouco, num processo lento, mas seguramente factível e realizável na prática. Da Inteligência Operacional Pré-Lógica se vai alçando à Racional Concreta que, por sua vez, em constante progressão mental, se alça para a mais alta delas, à Inteligência das Operações Formais, que, por sua vez, vai ascender ainda, mais infinitamente ainda, até atingir, bem mais tarde, a Inteligência Crística de um Ser Angelical, agregando-se: “em processo de comunhão indescritível”, com as demais Inteligências Divinas: “ao influxo do próprio Senhor Supremo” conforme descrição filosófico-científica andréluizista da obra xavieriana.

Mas voltemos ao terra-a-terra de nossas experienciações, e prossigamos na recomendação de que, em nosso meio, em matéria de Espiritismo, não se deve dar crédito a tudo quanto lhe apareça pela frente, mas que tudo seja analisado com serenidade, buscando a lógica dos ensinos pertinentes e confrontando-os com os dados de Kardec, se os houver, e, com os da Ciência, se for possível algo se fazer nesse sentido, conquanto, muitas das vezes, ser impossível, em face do seu ateísmo e sua predominância nitidamente materialista. Mas a Ciência vem mudando, e para melhor.

Ante tal problemática – recomendações de Kardec e diversificada categoria evolutiva e pensante dos seres humanos - como analisar as tantas coleções dos mais distintos médiuns psicógrafos do último século terreno? Existem algumas coleções que nem precisam ser submetidas à CUEE, em face de suas características claras e patentes de que não são obras espíritas, mas sim, dos adversários do Espiritismo, como, por exemplo, as de um Espírito Zombeteiro mostrado em meu artigo: “Espiritismo: Doutrina dos Espíritos Superiores”, já postado na net por meio do meu estimado amigo Jorge Hessen, que o editou no prestigioso Jornal eletrônico O Rebate.

Ora, um dos lemas fundamentais do Espiritismo é:

“Reconhece-se o verdadeiro espírita por sua transformação moral e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações”. (Vide: “O Evangelho Segundo o Espiritismo” – Allan Kardec).

É preciso, pois, então, elucidar aos que o desconhece, o que é, verdadeiramente, o Espiritismo: uma Doutrina consolidada por uma plêiade de Espíritos Superiores, tendo como codificador da mesma um missionário do mesmo porte: o digníssimo cientista, pedagogo, humanista e poliglota: o Sr. Allan Kardec. E, portanto, trata-se de uma Doutrina Superior que, em sua tríplice perspectiva intercomunicante de Ciência, Filosofia e Fundamentações Éticas e Religiosas, vêm constituir, integrar e consolidar a mais vasta e completa concepção do mundo, da vida e do universo. Trata-se, pois, de uma doutrina ditada pelos nossos superiores hierárquicos, e, não, de nossos inferiores de classificação espiritual atrasada, farsante, com sua enxurrada de obras desqualificadas e anti-doutrinárias.

Mas e com relação às obras de Chico Xavier?

Como fica o nosso prestigioso Chico em face da razão e da concordância universal, tidas como regras áureas de Kardec? Em face da primeira, da razão, digo que, de minha parte, de livre e espontânea vontade, acato todos os trabalhos e todos os novos ensinos do renomado médium. Obviamente que nele mesmo há de se encontrar, mas apenas minimamente, algo destoante do ponto de vista doutrinário, bem como do filosófico e científico, sendo este “algo” de total conhecimento do sábio estudioso espiritista, bem como do autor mediúnico em destaque. Mas é preciso analisar o conjunto de sua obra, a disciplina moral a que se submetera, sua ética, sua renúncia, seu amor pelos semelhantes que o qualificara como instrumental mediúnico insuspeito quanto à legitimidade e pureza de suas faculdades e de sua notável capacidade de comunicar-se com as mais altas correntes de pensamento.

Ora, não há nada que possa explicar a monumental obra desse médium, a não ser pela dedução matematicamente lógica e precisa de que ele é um Espírito muito avançado, comprometido com uma missão da mais alta envergadura junto aos homens do seu tempo e dos tempos por vindouros. Tudo isso é incontestável para mim. É o bastante para que eu credite nele a minha confiança sem os equívocos ingênuos do misticismo e da cega crença religiosa.

E daí minha adesão aos seus novos ensinos e novos princípios doutrinários. Falo, pois, pela minha intuição, pelo nível de fé e de racionalidade por mim alcançados. Racionalidade esta, aliás, tão recomendada por Kardec, como vimos, como primeira condição de nossos trabalhos com as coisas espirituais, prestando-se, ainda, ao uso do bom senso e do confronto com os dados positivos cientificamente apurados. Outros, igualmente, falarão por si mesmos, em vista das mais diferentes formas de entendimento, de razão e de fé, que coexistem e avançam evolutivamente dentro de cada um de nós, espiritistas ou não.

E, quanto à Concordância Universal, considero a obra de Chico Xavier como a concordância de Espíritos Elevados em torno de um mesmo objetivo: ampliação da Codificação Kardequiana nos precisos moldes do seu enquadramento filosófico e doutrinário. E mais: concordo ser esta uma das mais positivas empreitadas da Vida Espiritual Organizada, a ponto de se poder compará-la à chegada dos Espíritos Elevados que fecharam com Kardec a consolidação do Espiritismo na face terrena. É obvio que muitos críticos não vêem a coisa sob tal prisma. Mas o Chico convivera amistosamente com os maiores intelectuais e os maiores críticos de sua época e, a bem da verdade, o mesmo fizera calar muitos de seus opositores pela sua pena psicográfica, seu acendrado amor pelo semelhante, sua caridade legitimamente cristã.

Ora, os que criticam levianamente não têm nada de bom a oferecer. Estes não fazem e nunca fizeram algo realmente digno de nota e tampouco vão fazer, pois que só sabem criticar. Porque não produzem algo tão bom como, por exemplo, a “Série André Luiz” (Feb), ou, quem sabe, as inolvidáveis páginas do “Cristianismo Nascente” (Feb) retratadas por Emmanuel?

Os observadores críticos, na verdade, parecem morrer de inveja de um trabalho maravilhoso como, por exemplo: “Nosso Lar”, classificada, entre dez obras espíritas, como a primeiríssima e mais importante obra do século vinte. Porque tais críticos não produzem algo pelo menos similar aos ensinos contidos no capítulo alusivo à “Reencarnação de Segismundo”, retratada no livro andreluizista de título: “Missionários da Luz” (Feb)? Ora, façam isso que certamente eu vou ler, e, mais ainda, vou aplaudir e recomendar indubitavelmente.

Assim, humildemente, estou sugerindo uma reinterpretação da CUEE ministrada por Allan Kardec, e vejo, no caso de Chico Xavier:

“Uma Concordância Geral dos homens que acataram ou acatam a sua Obra Mediúnica e uma Concordância Geral dos Espíritos que a consolidaram no mundo, sendo que no tópico – homens – é feita a seguinte ressalva: são apenas alguns poucos que a desaprovaram ou que a desaprova em alguns poucos itens, sendo, pois, de uma condição e de um caráter irrelevante em face de sua ampla e total aprovação pela intelectualidade espírita, ou não”.

Mesmo um tanto diferente do preceituado na Codificação, posso afirmar com toda segurança, portanto, que há indícios de Concordância Universal na obra de Chico Xavier. Ora, as divergências são mínimas e perdoáveis, sendo suscetíveis de se encontrar em toda grande obra. Por outro lado, estamos assistindo essa concordância de olhos escancarados, pois que os seus novos ensinos estão sendo confirmados, paulatinamente, por outros Espíritos, bem como pelos homens de Ciência, espiritistas ou não, consolidando assim a sua genuína autenticidade e validade doutrinária por seu consenso e universalidade.

E, por outro lado, Jesus não se engana. Ao nos enviar Chico Xavier, penso que Jesus tinha e tem uma maneira diferente da nossa de enxergar o princípio que dimana da CUEE. Uma maneira não só relativa a cada caso em particular, mas, sobretudo, de uma forma elástica, refinada e bem mais engrandecida que a nossa, pois que a Sua visão é mais panorâmica, se estende ao infinito de insondáveis perquirições e entendimentos puramente humanos e, portanto, de nossa falha e equivocada interpretação conceitual.

Em sua majestosa Visão, o princípio da CUEE não se limitaria às incertezas de nossa visão ordinária, mas se abriria para um aspecto ilimitado de mais largas conceituações doutrinárias e espirituais.

Na minha observação do problema, pois, vejo que o referido princípio codificado da CUEE não é um conceito estático; ele também é suscetível de desdobramentos que, em sua dinâmica conceitual, incorpora e compreende outras nuanças suas mesmas, de sua lógica intrínseca, sua coerência e praticidade.

A imutabilidade é uma ilusão dos nossos sentidos: tudo é essencialmente evolutivo, e também é possível compreender-se novas conceituações do Consenso Universal como princípio positivamente mutável pelas eventualidades e sucessivos avanços doutrinários.

Finalmente: o princípio codificado da CUEE é necessário, mas não necessariamente estático, pois que se adapta à dinâmica do alterar-se, positivamente, é claro, pela onda mutável de todas as coisas; a não ser que queiramos contraditar a Vontade do Cristo, Nosso Eterno Mestre e Diretor de todas as coisas desde suas primeiras formações atômicas e moleculares.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

SUBLIME MATEMÁTICA DO EVANGELHO


“O artigo abaixo trata-se do exercício natural do sagrado direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. Não me compete censurar opiniões, ainda mesmo que não as defenda pessoalmente na íntegra.  Assim, deixamos aos leitores de O Rebate o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere a seguir, pois o mesmo direito que tem o articulista de argumentar , temos todos o mesmo direito , de aceitar, ou não, os seus argumentos.”  Jorge Hessen





Fernando Rosemberg Patrocínio
f.rosemberg.p@gmail.com



Os Espíritos Superiores que vieram consolidar a Codificação da mais alta sabedoria já disseminada no mundo informam em seu Tratado Basilar: “O Livro dos Espíritos”, que a inteligência do homem e a dos animais dimana de um mesmo manancial, a que se pode denominar: princípio inteligente do universo. Porém, eles preconizam que no homem ela recebera:

“... uma elaboração que o eleva acima da do animal”. (Opus Cit).

Mas questiona-se ainda: onde estivera, ou, por onde houvera de passar a alma do homem em suas primeiras fases evolucionais? E, como resposta:

“Numa série de existências que precedem o período a que chamais humanidade”. (Opus Cit.).

Assim, pode-se questionar:

Quanto caminhara o princípio inteligente nos seres inferiores da criação para tornar-se digno de receber a honraria de ser um Espírito humano? Quanto caminhara e quanto ainda terá de caminhar, de evoluir e de ascender para alcançar ou louros, por exemplo, de uma inteligência crística, dotada de uma razão e de tantas faculdades outras que escapam à nossa frágil e tão tacanha inteligência que apenas abrange e toca, ainda, a superfície das coisas, sem conseguir penetrar o essencial, o mais íntimo das coisas que nos escapa por mais nos esforcemos por conhecer e penetrar? Quanto, portanto, ainda temos de crescer e de progredir pela imensidade dos tempos e dos espaços dos mais diversificados mundos universais?

De fato, se olharmos para trás, observamos que já caminhamos muito.

Hoje, temos o conhecimento de que o Espiritismo é sem margem para dúvidas: a Universidade do Espírito: Doutrina que é maravilhosamente simples em sua expressividade e maravilhosamente complexa em sua profundidade. Sabemos tratar-se, pois, da mais bela e mais importante Doutrina da face terrena.

E quando vislumbro a caminhada que o Espiritismo nos mostrara, e, que ainda temos de percorrer adiante, evolutivamente, pelos diversos mundos, numa escalada claramente sintetizada de cinco degraus ascensionais de:

-Mundo Primitivo: de evolução já atravessada pela humanidade terrena;

-Expiações e de Provas: de evolução planetária terminal; e já próximo:

-Mundo Regenerador; e, conquanto muito distante ainda, temos os:

-Mundos Felizes e, finalmente, no ápice da escalada ascensional, os:

-Mundos Celestes, sendo estes três últimos de nossa total ignorância;

Porque vivenciamos experiências próprias e específicas de um Orbe Provacional, ou, de Expiações e de Provas, dando-nos a clara percepção do quanto temos de caminhar e de aprender pelos mundos afora, e, portanto, estamos reduzidos o humildíssimo cisco cósmico em matéria de conhecimento estelar, físico e espiritual. E, por isto, preconizo enfaticamente que:

O espírita, sem margem para divergências, tem de estudar e de estudar sempre para que possa compreender, aprofundar e dilatar seus conhecimentos acerca dessa maravilhosa e tão importante Doutrina. Trata-se, de fato, de um conhecimento superior, de abrangência cósmica, universal. E daí, a urgente necessidade de nossa renovação, de novos e constantes aprendizados que enobrecem e ampliam os paradigmas do campo acadêmico, cultural, religioso e, portanto, espiritual.

Ora, só para termos uma idéia de nossa pequenez evolutiva, poderíamos conjeturar com uma espécie de Escala Espiritual e Moral das Humanidades Siderais, e certamente que nela teríamos, dentro da relatividade de tudo, é evidente, a montagem do seguinte e elucidativo esquema:

Escala dos Mundos       Aprendizado Espiritual       Níveis Comparativos

Mundos Excelsos               Curso de Doutorado            Alta Graduação

Mundos Sublimes              Curso Superior                    Universitário

Mundos Regenerativos       Curso Colegial                     Científico

Mundos Expiatórios           Curso Ginasial                        Ginásio

Mundos Primitivos            Curso Básico                         Primário

Ou seja, seria como se ainda estivéssemos numa espécie de curso ginasial de aprendizados espirituais. Falta-nos muito, evidentemente, para adquirir as mais altas patentes de doutores ou de autoridades no que quer que seja. Neste Mundo de Expiações e de Provas, ninguém é doutor em nada de nada, e muito menos doutores em Espiritismo que é, no entendimento de Kardec: a ‘Ciência do Infinito’, ou seja, de algo que não tem fim e cujas linhas mestras apenas principiamos adentrar de sua indiscutível grandeza.

Afirmava o maior de todos os sábios da comunidade científica que:

“Uma coisa eu aprendi nessa longa vida: toda a nossa ciência, comparada com a realidade, é primitiva e infantil – e ainda assim é a coisa mais preciosa que nós temos”. (Albert Einstein)


Se, pois, estamos ainda palmilhando os primeiros momentos da Ciência dita oficial que conta já com seus cerca de quinhentos anos desde Nicolau Copérnico (1473-1543), Giordano Bruno (1548-1600), e muitos outros, quanto mais não estaríamos palmilhando com o Espiritismo que conta com apenas cento e cinqüenta anos desde Kardec (1804-1869)?

Mas, paremos para refletir, ainda, com alguns apontamentos já mostrados em “Níveis do Psiquismo Humano” e já disponibilizados pela “webartigos”. Neste outro, repisarei trechos de André Luiz, um dos mais respeitáveis autores espirituais da atualidade. Na obra “No Mundo Maior” (1947-Feb) o erudito autor esclarece que mais da metade dos Espíritos em estágio reencarnatório em nosso mundo tem a “mente fixa na região dos movimentos instintivos”, encontrando-se, o seu psiquismo, no que ele descreve ser uma espécie de: “infância do conhecimento”, e que, de passo em passo, evoluindo, alcançará - como uma parte da humanidade já alcançou - uma mais perfeita consolidação de seus dotes racionais, podendo-se enquadrar-se, tal funcionamento mental, no que ele mesmo denominara: “razão particularista”, mas que, por sua vez, ainda haverá de consolidar novos progressos, se alçando para a “super-consciência” dos santos e sábios tão pouco numerosos em nosso mundo. Em termos numéricos, portanto, confirmo, com o notável Rino Curti, a hipótese de que:

-Sessenta por Cento da humanidade esteja na infância do conhecimento;

-Trinta e Sete por Cento já se alçara à razão concreta, falemos assim; e,

-Três por Cento já atua ao nível da superconsciência.

Dita classificação, como já dito, assemelha-se um tanto ao que Piaget pudera constatar em suas memoráveis pesquisas com o desenvolvimento da inteligência humana desde o nascituro, a cuja ciência chamara de Epistemologia Genética. Algo parecido com tal classificação de André Luiz, bem como a do intuitivo Pietro Ubaldi, Piaget postula a seguinte terminologia:

-Inteligência Pré-Lógica: egocentrismo, não realiza operações lógicas;

-Inteligência Concreta: de lógica razoável e habilidade matemática; e

-Inteligência Formal: reflexão sobre possibilidades, teorias, sistemas, e etc.

De um modo geral, vejo que a Pré-Lógica reflete o obscurantismo da imensa maioria dos nossos pares com suas posturas rasteiras, acanhadas e desprovidas de lógica, denotando, portanto, um tipo intelectual notoriamente Simplista, deixando-se ludibriar por inverdades, magias e coisas irreais, tendo, pois, baixa compreensão das coisas científicas e das leis de âmbito físico ou espiritual. No tocante à Inteligência Racional Concreta, ou Transitiva, vejo que os elementos dela portadores fazem um bom uso da razão, do raciocínio lógico e de suas leis, mas que ainda ascenderá para uma mais vasta expressão intelectiva, ou seja, a Formal, onde seus elementos são dotados de uma novíssima mentalidade, pois que operam o raciocínio teórico ou hipotético-dedutivo, e que, por isso mesmo, fizeram e estão fazendo a mais vasta reformulação do conhecimento dos dois últimos séculos.

Estes últimos, notoriamente Experientes nos caminhos da evolução, avizinham-se, ou operam, a superconsciência, consagrando-se em sabedoria e moralidade permitindo-lhes uma mais vasta compreensão das coisas, de sua complexidade, e de tudo o mais.

Tais ilações permitem compreender-se que nossa humanidade constitui-se, de fato, de um psiquismo variadíssimo, onde um plano de conhecimento entrosa-se (>) com outros (<) de maior ou de menor alcance intelectivo formando uma miscelânea intelectiva bastante interessante:

                                       (>)                      (<)
Pré-LógicaInteligência         Concreta        Inteligência Formal   
                                       (>)                      (<)


Mostrando-nos, assim, as sublimes razões do Evangelho em nossas vidas como um moderador de atitudes, instruindo-nos a todos para o equilíbrio, a compreensão e o bem comum. Ora, a “Sublime Matemática do Evangelho”, objeto deste artigo, é clara, de entendimento relativamente fácil, mas de tão difícil prática por nossa ignorância, teimosia, orgulho, egoísmo, vaidade, arrogância e tantos outros designativos do nosso estúpido primarismo, pois que a revelação divina claramente destaca:

[(Evangelho de Jesus) = (Amor Em Ação)]

É óbvio, portanto, que: como toda nova e grande revelação, o Espiritismo ainda é um grande incompreendido do mundo por suas perspectivas um tanto diferentes, abrangendo: Ciência, Filosofia e Moralidade Cristã; mas que se entrosam e se coordenam de forma equilibrada, porém, não sistêmica, pois que, sendo essencialmente progressivo, exonera-se do espírito de sistema, admitindo novas instruções desde que aprovadas pela razão, por um consenso universal ou já admitidas pela positividade da Ciência terrena.

Ora, em sendo uma doutrina tão dilatada, e, considerando-se nossas condições espirituais ainda primárias, de orbe provacional e de resgate de Espíritos comprometidos para com a Lei, é obvio que tais conhecimentos ainda não foram, e ainda demandará algum tempo para se acharem, plenamente consolidados em nosso íntimo.

Mas não tarda o dia de sua mais íntegra consolidação no seio das massas, pois que o Espiritismo está na natureza mesma das coisas e, no aspecto ético, sobretudo, não ensina nenhuma nova moral, mas sim, a mesma e milenar moral do Evangelho que encerra toda uma constelação de princípios ético-comportamentais, como por exemplo: caridade, honestidade, humildade, fraternidade, piedade, todas eles derivantes da prática viva do amor ao próximo, nosso irmão de tantas lutas pretéritas e que ainda está conosco no cadinho da dor que nos consolida a divina sublimação.

Isto porque o Espiritismo, na introdução mesma de “O Livro dos Espíritos”, permite-nos levantar argumentações filosóficas, religiosas e morais de que:

“O âmago da Ciência Espírita é a sua Filosofia Moral. Kardec elucida, pois, que a parte científica é apenas um acessório, um meio para chegar-se a um fim, qual seja: à parte filosófica da Doutrina que se estende ao mais alto grau da ética cristã, que lhe decorre naturalmente”. (Vide artigo: “A Notável Filosofia Espírita” – revista eletrônica ‘O Consolador’).

Assim, gostaria de encerrar nos precisos termos de que:

-O infinito nos espera; e aonde pretendemos chegar sem humildade, sem sacrifícios, sem amor e sem perdão?

ESPIRITISMO: DOUTRINA DOS ESPÍRITOS SUPERIORES


“O artigo abaixo trata-se do exercício natural do sagrado direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. Não me compete censurar opiniões, ainda mesmo que não as defenda pessoalmente na íntegra.  Assim, deixamos aos leitores de O Rebate o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere a seguir, pois o mesmo direito que tem o articulista de argumentar , temos todos o mesmo direito , de aceitar, ou não, os seus argumentos.”  Jorge Hessen





Fernando Rosemberg Patrocínio
f.rosemberg.p@gmail.com

Nada é tão sério, tão brilhante e de tamanha grandeza quanto o é o Espiritismo kardequiano. Em sua superioridade doutrinária, assente em bases consolidadas pelos maiores sábios do mundo, é óbvio que o Espiritismo transcende os padrões éticos, filosóficos e religiosos contemporâneos e, por isto, em sua altíssima concepção, Ele tem de aguardar o progresso das massas, que detêm ainda características mentais simplistas ou pré-lógicas em termos de conhecimentos superiores e, portanto, da mais autêntica moralidade cristã.
Assim sendo, se existe alguma forma de marasmo no mundo, há que se dizer que o mesmo se verifica no tocante às massas humanas que vagarosamente caminham, quase que sem um rumo norteador de suas ações.
Mas, antes de qualquer coisa, é preciso compreender que tudo quanto vivenciamos faz parte do nosso aprendizado, nosso crescimento e aprimoramento espiritual. Sob tal prisma, portanto, e, relativamente ao Espiritismo, pode-se dizer que tudo está sob as mãos do Altíssimo. Não se pode e não se deve exigir das pessoas, ou mesmo dos espiritistas, mais do que eles podem dar e compreender em termos de uma Doutrina tão abrangente e tão complexa com a preconizada pelos nossos maiores da Espiritualidade, e que acaba por entrosar-se com áreas culturais tão complexas como a nossa mesma. Em nossos estudos, tenho procurado fazer alguma coisa, tenho tentado mostrar a poderosa correlação de Kardec com os novos tempos e, dos novos tempos com Kardec, por meio do desenvolvimento doutrinário já estabelecido pelos mais sábios estudiosos encarnados e desencarnados.
Mas vejo confrades de longa data confundindo trabalhos sérios com outros nitidamente desqualificados e tudo o mais; e, como eles não possuem razoável compreensão dos primeiros, tendem à aceitação de tudo, e, principalmente, dos segundos, que lhes parece de mais fácil digestão intelectual.
Com isso, vejo que lhes falta aprofundamentos não só no Espiritismo codificado e de sérios trabalhos subseqüentes, mas também, e com maior ênfase, nos ligados às áreas acadêmicas contemporâneas.
Ora, J. H. Pires desenvolvera brilhantes estudos de Antropologia Cultural em sua obra “O Espírito e o Tempo” (Edicel); Rino Curti completou as descobertas da Epistemologia Genética de Piaget em seu “Espiritismo e Conhecimento” (Lake); Jorge Andréa ampliou o Evolucionismo Biológico com o trabalho “Impulsos Criativos da Evolução” (Arte e Cultura), e etc, etc. Mas, se nem todos os espiritistas conseguem aprofundar-se em Kardec, apesar de toda a sua clareza e simplicidade expositiva, quanto mais não conseguiriam, e não conseguem, fazer estudos de trabalhos culturais e acadêmicos de notável seriedade como estes aqui descritos?
E é aí, sobretudo, que posso constatar as mais diversas gradações conceituais, de entendimento e de evolução dos espiritistas; sendo que, muitos deles, preferem obras estilo romanceadas e coisas que tais. E o que se nos mostra, com clareza granítica e evidente, é o fato de constituirmos um conjunto de infinitas variantes intelectuais e morais.
Mas é preciso, sempre que possível, alertar e orientar os desatentos quanto à questão do que não é, e do que é, verdadeiramente, a Doutrina Espírita, cujos tentáculos culturais foram implantados por uma plêiade de Espíritos Superiores de inegável sabedoria e moralidade, sendo, pois, uma Doutrina Sua, e não nossa, pois que estamos na condição de meros aprendizes das novas luzes espirituais.
E o fato é que novas coleções de livros mediúnicos, de autorias duvidosas, vem causando um verdadeiro rebuliço no meio espírita, com prós e contras, favoráveis e desfavoráveis. Citemos um exemplo. No livro “Trabalhadores da Última Hora” (Espírito: Dr. Inácio Ferreira – médium: Carlos Baccelli – Editora Didier), o referido médico, em seu Capítulo 35, vem fazer um gracejo na forma de um brinde ao que ele chamou de “macaco espírita”, completando, tal irreverência, nos termos de que somos: “quase um mico de circo”; e isto só pelo fato de alguns confrades nossos pretender que ele nos apresente uma prova mais condizente de que realmente existe o que ele mesmo proclama como: “reencarnação no mundo espiritual”.
Ora, reafirme-se que: a nossa Doutrina não é nossa: e sim, dos Espíritos Superiores que a ditaram em cumprimento às profecias de Jesus Cristo de nos enviar “O Consolador”, o “Espírito de Verdade”, que haveria de fazer-nos lembrar o que Ele, Jesus, havia dito e feito e que haveria de ficar eternamente conosco.
Mas, vejam bem:
Doutrina dos Espíritos Superiores, e, portanto, superiores em sabedoria e moralidade, situados, pois, nos antípodas do que pretendem certos autores encarnados e desencarnados que, sem dúvida, pela liberdade de que gozam, tem todo o direito de dizer e de proclamar tudo, absolutamente tudo, o que queiram dizer e proclamar.
Mas nós, como Espíritos encarnados, igualmente dotados de liberdade, temos o direito de aceitar ou não aceitar, de acatar ou de não acatar, o que venha do Mundo Espiritual para nos instruir ou nos destruir, nos moralizar ou nos desmoralizar, nos alçar ou nos rebaixar, pois que estamos não só com os Espíritos Superiores que ditaram tão sublime Doutrina, bem como com os dizeres do mestre lyonês que ao seu tempo já nos instruía e proclamava:
“É preciso saiba que o Espiritismo aprecia toda obra realizada com critério, mas que também repudia todas as publicações excêntricas. Todos os espíritas que, de coração, vigiam para que a Doutrina não seja comprometida, devem, pois, sem hesitação, denunciá-las. Tanto mais porque, se algumas delas são produtos de boa-fé, outras constituem trabalho dos próprios inimigos do Espiritismo, que visam desacreditá-lo e poder motivar acusações contra ele. É necessário saibamos distinguir aquilo que a Doutrina Espírita aceita, daquilo que ela repudia”. (Vide: “Viagem Espírita” – Allan Kardec).



quarta-feira, 26 de setembro de 2012

CORPO BIO-TRANSMUTÁVEL DE JESUS


“O artigo abaixo trata-se do exercício natural do sagrado direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. Não me compete censurar opiniões, ainda mesmo que não as defenda pessoalmente na íntegra.  Assim, deixamos aos leitores do meu blog em  O Rebate o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere a seguir, pois o mesmo direito que tem o articulista de argumentar , temos todos o mesmo direito , de aceitar, ou não, os seus argumentos.”  Jorge Hessen




Fernando Rosemberg Patrocínio
f.rosemberg.p@gmail.com

Qual é a essência mesma da moral espírita? Ou melhor: que preceitos morais seguem os espiritistas, adeptos do Espiritismo?

Para o primeiro questionamento: a moral espírita é a mesma moral cristã; e, portanto, para a segunda questão: os espiritistas seguem, ou, procuram seguir os preceitos que dimanam do cristianismo; do mais puro cristianismo. O grande codificador colocava a questão nos precisos termos:

“Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, quer dizer, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinamentos, ele mostra essas virtudes como sendo o caminho da felicidade eterna. Bem aventurados, disse ele, os pobres de espírito, quer dizer os humildes, porque deles é o reino dos céus; bem aventurados os que têm puro o coração; bem aventurados os que são brandos e pacíficos; bem aventurados os que são misericordiosos;”...

E, prosseguindo, acentuava ainda mais: “...

“Amai ao vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros o que quereríeis que vos fizessem; amai aos vossos inimigos; perdoai as ofensas se quiserdes ser perdoados; fazei o bem sem ostentação; julgai a vós mesmos antes de julgar os outros;” ...

E finaliza tal parágrafo nos termos de:

“Humildade e caridade, eis o que não cessa de recomendar, e ele mesmo dá o exemplo; orgulho e egoísmo, eis o que não cessa de combater; mas faz mais do que recomendar a caridade, coloca-a claramente, e em termos explícitos, como a condição absoluta da felicidade futura”. (Vide: “O Evangelho Segundo o Espiritismo” – Allan Kardec – Ide).

Vê-se, pois, que os mais importantes postulados de Jesus são os mais importantes postulados do Espiritismo e que, se fossem seguidos neste mundo provacional, seríamos todos felizes e estaríamos bem mais próximos da perfeição inaugurando um novo mundo: o de Regeneração.

Todavia, ainda se discute sobre a natureza do corpo que Jesus teria envergado quanto esteve entre nós, os terrícolas deste planeta provacional. E, temos o direito de saber? De, humildemente, questionar? Óbvio que sim. Mas talvez o presente artigo venha a levantar a ira dos adeptos mais radicais do roustainguismo e dos defensores pouco arrazoados do kardecismo; sendo que, estes últimos, pretendem blindar os conhecimentos espíritas aos padrões estritamente codificados, esquecendo-se de que os ensinos espíritas são progressivos, comportando, sempre, novas e mais novas, amplas e mais amplas revelações: sejam elas humanas ou sobre-humanas, venham elas dos homens ou da espiritualidade maior.

Mas asseguro-lhes que não estou nem um pouco apreensivo, seja com uns, seja com outros, pois que, afinal, e, conforme ditados kardequianos, somos livres pensadores, de fé consorciada à razão, e, por isso, quando escrevo alguma coisa, procuro analisar, sobretudo, se não estou extrapolando muito e se há algum traço de racionalidade e de lógica contida em meus escritos. E, confesso que não vi, assim, tanta heresia na idéia expressa no presente artigo que, talvez, possa agradar aos mais inclinados às novidades e coisas que tais do movimento espírita.

Se bem que isto não importa muito, mas sim, se a idéia tem o aval da verdade ou não, coisa que só o tempo e a lógica intrínseca da mesma, saberão dizer, uma vez que a discussão entre roustainguistas e kardecistas prossegue, num embate sem fim.

Ora, um dos contemporâneos e dos mais confiáveis instrutores da Espiritualidade, em relatando fatos da vida de Jesus, declara a um dado momento de seus ensinos que:

“Em Jerusalém, no templo, desaparece de chofre, desmaterializando-se, ante a expectação geral (João, 7:30), e, na mesma cidade, perante a multidão, produz-se a voz direta, em que bênçãos divinas lhe assinalam a rota (João, 12:28-30). Em cada acontecimento, sentimo-lo a governar a matéria, dissociando-lhe os agentes e reintegrando-os à vontade, com a colaboração dos servidores espirituais que lhe assessoram o ministério de luz”. (Vide: “Mecanismos da Mediunidade” – André Luiz – Feb).


E, por isto, questiono:

-O que conhecemos de coisas atinentes a um plano de ordem cósmica, que, por sua vez, escapa-nos em sua mais alta sabedoria e transcendentalidade?

-O que sabemos do intrigante jogo de forças imponderáveis que regem toda a nossa bioquímica planetária?

E mais:

-O que se conhece da transcendente bioquímica de outros mundos, e, no caso, superiores ao nosso, caso em que, os corpos físicos de seus habitantes vão se aperfeiçoando, se sutilizando, tornando-se mais eterizados e capazes até mesmo de volitar pelos espaços circundantes, e onde os Espíritos encarnados e desencarnados de tais orbes, por sua elevação intelecto-moral, detêm amplo domínio e conhecimento das técnicas de materialização e rematerialização de seus próprios veículos de manifestação, bem como das coisas circunscritas ao seu ambiente natural?

-Que conhecimentos se têm das possibilidades e razões cósmicas de um Espírito tão elevado, tão puro, como o de Jesus de Nazaré e seu polêmico veículo de manifestação quando esteve entre nós: físico ou simplesmente materializado pelos fluidos ectoplásmicos e outros tantos elementos da natureza, do ambiente que nos cerca?

Ora, é claro que, quando me refiro às “razões cósmicas”, não me refiro, apenas e tão somente às suas razões de vir a este mundo nos instruir e nos mostrar o caminho da redenção, mas também à sua faculdade espiritual a que se poderia denominar Razão da Inteligência Crística, que se pode e se deverá concebê-la como uma forma de razão inimaginável pelos nossos tão restritos padrões de entendimento. Ora, se ela é, em nosso plano vivencial, uma faculdade evolutiva, então existirão razões acima da mais alta das razões humanas, ou seja, acima do entendimento, da razão, digamos assim, da inteligência formal que, por sua vez, transcendera a razão concreta, e que, da parte que lhe toca, é procedente da razão pré-lógica e das fases sensório-motoras da inteligência em paulatina progressão.

Portanto, André Luiz pode e deve sim, ser levado em conta. O que não se pode e não se deve é condenar o que se desconhece, sobretudo nos tempos dos mais relevantes estudos da eletricidade, do magnetismo, da energia, dos campos da vida, bioplasmáticos, bem como da relatividade, das certezas e incertezas da física quântica e das mais interessantes e sábias instruções da Espiritualidade Maior.

O universo que nos cerca, já não é mais o das coisas físicas e sim o das não-físicas, das ondas, dos elétrons, das eternas oscilações de um vasto mundo e de uma vasta rede de corpúsculos dinâmicos que nos envolve, e de que, afinal, somos constituídos, feitos e refeitos a todo instante na incessante renovação da matéria que nos serve de base e de composição temporária neste mundo provacional.

E, se o nosso organismo se renova permanentemente, conquanto a um longo prazo, porque o corpo do Ente Maior, que é Jesus Cristo, não poderia também renovar-se, porém, de forma instantânea e quando assim o quisesse, no instante mesmo de Sua soberana vontade?

Cogita-se, assim, com a possibilidade do Cristo ter sido portador de um organismo Bio-Transmutável, ou seja, biologicamente humano, mas capaz de tomar aspectos igualmente tangíveis da forma fluídico-materializada e, também, com a possibilidade de tornar-se invisível aos olhos carnais humanos, encerrando forma transcendental, ou, puramente espiritual, quando assim o quisesse e fosse o desejo de Sua vontade.

Jesus, pois, quando esteve entre nós, poderia e pode ter-se apresentado com um corpo de carne e osso que, graças à sua imensurável evolução, seus poderes e determinações de um Ser Crístico, poderia transmudar-se para as mais diversas formas situadas entre tal condição humana até às mais altas e mais puras situações da refinada energia espiritual, quando assim o pretendesse, consoante dados a seguir dispostos:
                                                                   
    (Estado Biológico)     (Estado Fluídico-Material)      (Estado Espiritual)
                                                                        
Assim, Jesus poderia estar na Terra e no Céu, entre os homens e Deus, experienciando, ainda uma vez, a Soberana Vontade do Pai, que se acha ausente de nada, estando presente em Tudo.

No âmago da maior das contradições doutrinárias, encontrar-se-ia, pois, a semente de uma possível consensualidade como a mais sublime luz da verdade em Cristo, Nosso Senhor. O nosso Mestre Maior, portanto, sofrera como todo homem teria sofrido para levar sua cruz ao calvário que lhe sacrificara o corpo carnal; mas não cometera, e, não cometeria tão indigno simulacro de sofrer quando não sofria, de chorar quando não chorava, de se derramar em sangue quando não sangrava, paródia indigna de um Espírito com tão altas patentes de Sabedoria, Honestidade e Amor.

A tese do Corpo Bio-Transmutável de Jesus não pretende, em tão sintética exposição, resolver todas as questões relativas à tão debatida problemática, mas quem sabe não possa representar o início de uma solução para tão insolúvel questão doutrinária.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Suicídio - Epidemia Silenciosa

LUIZ CARLOS FORMIGA
 
 
Estudos publicados recentemente no "Lancet" chamam a atenção para um tabu: o suicídio.
Um deles informa que essa é a primeira causa de morte entre meninas de 15 a 19 anos. Entre os homens, o suicídio ocupa o terceiro lugar, depois de acidentes de trânsito e da violência. E no Brasil? Terceira causa de morte entre jovens, ficando atrás de acidentes e homicídios. Vem aumentando entre as meninas (gestações precoces não desejadas, prostituição e abuso de drogas). As taxas sempre foram maiores entre homens na terceira idade (1), mas hoje está a se modificar e a taxa multiplicou-se por dez de 1980 a 2000, pulando de 0,4 para 4/100 mil pessoas. Adolescentes evitam procurar ajuda por temerem o estigma que possui grande comunicabilidade, como a gripe.
Os casos de suicídio aumentaram 60% nos últimos 45 anos. Um milhão de pessoas no mundo morrem dessa forma por ano. Estima-se que ocorram 24 suicídios por dia no Brasil, 90% estão ligados a transtornos mentais e que as tentativas são 20 vezes maiores do que o número de mortes. Alguns tentam mais de uma vez, como a esposa do Empresário Marcos Valério (3).

Uma estratégia é limitar o acesso a meios que facilitem o suicídio (2) Prestemos a atenção a sinais de automutilação nos adolescentes, porque a prática aumenta o risco de suicídio. Mutilação aponta para depressão, ansiedade, dificuldade para externar sentimentos e pedir ajuda.
Sabemos que a reencarnação de suicidas é problemática (4), por isso o espírita deve fazer esforço na prevenção de dores que podem aumentar, mesmo com “anestesia”.
Como atender a uma pessoa que pensa em suicídio?
Vamos responder a esta pergunta no dia 29 de setembro de 2012, no auditório do CEERJ e aguardamos a sua presença e sua colaboração na “medicina Preventiva”. Divulgar é ação de prevenção e a espiritualidade conta com a sua generosidade, diz Yvonne..


1. http://www.espirito.org.br/portal/artigos/neurj/por-que-criancas-se-suicidam.html

http://infinitaspossibilidadesdavida.blogspot.com.br/2010/09/suicidio-na-infanciaalerta.html

2. http://www.ceerj.org.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=1198:universidade-e-suicidio-discutindo-arquitetura-e-prevencao&catid=66&Itemid=314

3. http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/marcos-valerio-revela-os-segredos-do-mensalao-e-envolve-lula

4.  http://www.oconsolador.com.br/ano6/258/especial.html

sábado, 22 de setembro de 2012

“Franciscanismo 800 Anos”. Uma “Semana de Francisco”


LUIZ CARLOS FORMIGA


O primeiro foi um evento não amplamente divulgado. Só depois compreendi que os organizadores foram prudentes. O Teatro da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) não comportaria. Sem divulgação e estava lotado (1.200 lugares). O Seminário foi “800 anos de Franciscanismo”. O dia 4 de outubro de 2008, sábado, tornou-se inesquecível.

No fundo do palco a figura de Francisco parecia ter vida. O horário passou rápido deixando aquela sensação de “quero mais”. Francisco é envolvente. Quanta emoção, quanta luz. Agradeci as vibrações franciscanas que ficaram impregnadas na universidade, parte da minha vida, de calouro à aposentadoria. Deu até para esquecer os medos que insistem em me assombrar, desde 64, época da ditadura de “direita” aos dias dos mensalões “das esquerdas”.

No palco magicamente iluminado, vi a compositora preferida brincar com notas musicais. Marielza Tiscate amo seu trabalho.

Quando vimos o programa do Seminário ficamos surpresos. Como os franciscanos puderam reunir Brunildes do Espírito Santo (RJ); André Trigueiro (RJ) e Plínio Oliveira, Curitiba (PR), no Teatro da UERJ e anunciar entrada franca?

O Seminário teve o propósito de evidenciar a importância de Francisco de Assis e seus seguidores, e de como eles influenciaram o mundo com a prática diária de seu lema “Fraternidade, Humildade e Caridade”.

O final foi um abraço fraterno no teatro da “nossa” universidade.

Neste 2012, iremos vivenciar estes momentos de fraternidade, humildade e caridade, durante uma semana. Bom demais. Newton Leal nos convida para a “Semana de Francisco de Assis” a realizar-se do dia 02 a 06 de outubro de 2012 no GEFFA – Grupo Espírita Fraternidade Francisco de Assis. Estarão pré inaugurando a ampliação da sede, no dia 04 de outubro às 19:30 h. Se tudo correr bem, lá estaremos.

domingo, 16 de setembro de 2012

FRANCISCO DE PAULA CÂNDIDO OU PURAMENTE O “CÂNDIDO XAVIER” DE TODOS OS POVOS.


Temos acompanhado a votação do “Maior brasileiro de todos os tempos”. Observamos que há extraordinário entusiasmo da plateia do SBT. Percebemos isso, principalmente quando foi anunciada a vitória do Chico Xavier sobre Airton Senna, sendo, por esse motivo, eleito para a grande final do certame. Assim como o século XIX, em termos de Espiritismo, foi o “Século de Allan Kardec”, o século XX e XXI serão conhecidos, no Brasil, como os “Séculos de Chico Xavier”.  Há um intenso acatamento por Chico Xavier na Pátria do Evangelho e, em particular, em Minas Gerais, que o elegeu, em promoção da Rede Globo-Minas, em 2000, “O mineiro do século”, com mais de 700.000 votos, derrotando Santos Dumont, Pelé, Betinho, Carlos Drummond de Andrade, Juscelino Kubitschek, Carlos Chagas, Guimarães Rosa e outros. Há alguns anos ocorreu outro sufrágio para eleger o “Maior brasileiro da história” , realizada pela revista Época na internet, e na ocasião o médium de Pedro Leopoldo obteve 36% do total dos votos, sendo eleito o Maior brasileiro da história.
Transcorridos 102 anos do nascimento do maior médium da história e seu nome permanece estimado. É até natural que tenhamos uma renovação do interesse pelo tema “Chico Xavier”: desde filmes a livros e matérias de revistas conhecidas, além é claro dos costumeiros ataques. Chico sempre inspirou os crédulos e algumas vezes incomodou os agentes contrários ao Espiritismo. Curiosamente o filme As vidas de Chico Xavier foi baseado numa pesquisa do jornalista – e descrente – Marcel Souto Maior sobre a vida de Chico. Foi uma biografia escrita por um céptico que gerou um filme dirigido por um ateu (Daniel Filho), tendo o papel de protagonista incidido sobre um ator que além de ateu sempre foi comunista (Nelson Xavier). Detalhe: Todos se disseram “mudados” pela história de Chico (1).
A figura de Chico Xavier, como pessoa, ainda é insuficientemente conhecida. Newton Boechat dizia “Chico Xavier é indimensionável.  Sobre ele nada adiantam os critérios humanos que sempre refletem os seus biógrafos, nunca o biografado.(2)  Para Cesar Perri, diretor da Federação Espírita Brasileira, “a portentosa obra mediúnica de Chico Xavier constituir-se-á em matéria para metabolização em longo prazo, por parte da família espírita e da Humanidade. Há claras propostas traçadas para um novo homem e para a construção de uma nova sociedade.” (3)
Chico Xavier nunca pensou em si, e sim, no próximo, mormente os carentes. Seus mais de 400 livros somam aproximadamente 45 milhões de cópias vendidas, segundo Perri. “Somente o livro ‘Nosso Lar’ tem 2,5 milhões de edições comercializadas em 15 idiomas”.(4) São livros publicados em diversos idiomas, cerca de 600 autores e centenas de mensagens esparsas, cujos direitos autorais (se cobrasse)lhe granjeariam a fabulosa fortuna de aproximadamente 200 milhões de reais, que ele caridosamente doou e distribuiu para centenas de instituições filantrópicas.  Chico nunca ficou com um centavo do dinheiro arrecadado com as vendas. Viveu inteiramente a vida em residência humilde, sustentado por sua aposentadoria, e atendendo pessoas de segunda a sábado sem jamais cobrar nada de alguém.
Não há, na história humana, um único caso de potencial mediúnico que se compare a Chico na psicografia. Ele nunca foi psicopata ou epilético. Não há um único registro médico de alguma doença mental!Mas, em nome da pseudociência críticos de plantão apresentaram 4 explicações para o fenômeno “Chico Xavier”: psicose, epilepsia, criptomnésia e telepatia. Esqueceu-se, no entanto, de pedir aos “cientistas” para reproduzir em outras pessoas o fenômeno mediúnico e escrever obras do nível de “Evolução em Dois Mundos”, “Mecanismos da Mediunidade”, “A Caminho da Luz”, “O Consolador” com conteúdos cientificamente irrepreensíveis, e romances do gênero “Há Dois Mil Anos”, “Ave Cristo!”, “Renúncia”, “Paulo e Estevão”, incomparáveis em beleza e em profundidade.
O que seria a tal criptomnésia, por exemplo, é um tipo de distúrbio de memória que faz com que as pessoas se esqueçam de que conhecem uma determinada informação. Segundo essa teoria, Chico psicografava “sem saber” do próprio inconsciente, e resgatava as informações que já havia “lido em algum lugar” durante a vida. Porém, imaginemos que junto a sua biblioteca composta de poucos livros e algumas revistas que ocasionalmente leu durante a vida, expliquem como tais informações se alojaram no seu inconsciente sem que ele conhecesse, nada mais risível... E sobre as poesias? E quanto aos volumes científicos? E quanto às explicações a propósito de economia e outros temas completamente fora de sua competência que deu certa ocasião aos inquisidores da Revista Cruzeiro que tentaram humilhá-lo? 
Anotou Marcel Souto Maior que quando os jornalistas da Revista Cruzeiro realizaram a célebre reportagem tentando ridicularizá-lo e desacreditá-lo, Chico reclamou para Emmanuel e este respondeu: “Rejubile-se, lembre que  Jesus Cristo foi para cruz e você foi para o “Cruzeiro”.(5)
Lembram-se do espetáculo cultural que demonstrou durante o programa Pinga-Fogo da TV Tupi, realizado em 27 de julho de 1971?  Chico provou seu descomunal conhecimento e incomensurável  desenvoltura poética.  À época, os antagonistas insinuaram que Chico Xavier foi um fracasso no “Pinga-Fogo”, todavia, conforme o “IBOPE” da época, 40 milhões brasileiros assistiram ao programa. Considerando-se que a população na época era de 90 milhões de habitantes, estamos diante de um fenômeno único na tevê aberta do País. Foi a maior audiência em percentagem da TV brasileira, maior até do que a final da copa de 70. Chico sofreu uma devassa de indagações, mas, convenceu e agradou de tal maneira o público, que a TV Tupi deliberou produzir novo “Pinga-Fogo” em 12 de dezembro de 1971.
Para desgosto dos detratores, consignamos que os maiores poetas e eruditos brasileiros defenderam Chico Xavier.  Em 1932, Humberto de Campos, presidente da Academia Brasileira de Letras, indumentado de espantosa audácia ética, deu entrevista ao “Diário Carioca” acastelando o médium, exaltando os temas e os estilos dos espíritos comunicantes, fiéis aos que tinham em vida terrena. Sobre esta hipótese no mínimo tão fantástica quanto à hipótese dos espíritos existirem, Monteiro Lobato declarou: “Se Chico Xavier produziu tudo aquilo por conta própria, merece quantas cadeiras quiser na Academia Brasileira de Letras”. Agripino Grieco, um dos mais receados e reverenciados críticos literários do País, confessadamente católico, testemunhou, espantado, Chico psicografar escritos de Augusto dos Anjos e Humberto de Campos, deixando evadir-se no seu arrebatamento e admiração perante estilos sóbrios e irrepreensíveis.
Asseguramos, sem fanatismo nenhuma, que inexistirá quem possa substituí-lo com a mesma índole de coragem, humildade, amor e elevação espiritual. Percebemos que aguardaremos uma eternidade (coloca tempo nisso!), até que Deus expeça a reencarnação de outro ser humano (ou sobre-humano?) da mesma natureza moral de Francisco de Paula Cândido (nome civil), ou seja, Francisco Cândido Xavier (pseudônimo literário), o “Cândido Xavier” de todos os povos.
Uma situação que muito nos entristece presentemente são as bombásticas “revelações” dos que conviveram com ele e estão alegando que Chico disse lhes isso ou aquilo (assuntos forasteiríssimos tais como previsões com datações de catástrofes, extraterrestres, abduções, “suas” reencarnações anteriores etc...). Em verdade uma coisa é ouvir dizer que o Chico disse (!); outra é ouvir o Chico dizer. Uma coisa é ler narrações a respeito dele; outra é vê-lo expressar-se naquela simplíssima modalidade, como ele o fez.  Ele foi, no culminante da compreensão humana, aquele amor que se deu, firmemente, e que, agora, por íntimo regozijo de si mesmo empunhará das esferas luminosas o bastão dos destinos da Terceira Revelação na Terra.
Recordamos que no dia 30 de Junho de 2002, a televisão noticiou em apenas 15 segundos o seu falecimento para exibir horas a fio a repercussão da conquista do penta campeonato pela seleção brasileira de futebol. No dia seguinte as pessoas chegaram ao trabalho e conversaram, não sobre o Chico Xavier, mas sobre a Copa conquistada.
Em verdade, Chico deixou a existência no mundo discretamente, sem ostentação, sem algazarra.  Sua vida foi simples demais para se compreender assim com facilidade. O que é simples é profundo e difícil.  E por ser difícil é que muitos, sem compreenderem, tentaram lhe fazer justiça. Gritaram tardiamente o quanto foi digno. Tentaram contrabalançar a discreta notícia de sua “morte” com preleções e inscrições abrasadas, exaltando a sua excelsitude. Contudo, Chico Xavier nunca precisou dessas homenagens, porquanto, naquela manhã, foi recepcionado e abraçado pelo Governador da Terra nas paragens luminosas das Esferas Sublimes do firmamento.
Jorge Hessen
http/jorgehessen.net


Referências bibliográficas:
 
(1)    Essa “mudança” é narrada no livro de Marcel Souto Maior sobre os bastidores da filmagem de Chico Xavier, O Filme. Não quer dizer, nem de longe, que tenham se convertido ao Espiritismo... Mas o exemplo moral de Chico é capaz de afetar – no bom sentido – até os maiores opositores da doutrina, contanto é claro que se disponham a estudá-lo.
(2)    Boechat, Newton.Artigo Chico Xavier: a Liderança Insubstituível, publicado no Jornal A Nova Era - Setembro de 1980
(3)    Carvalho, Antonio Cesar Perri de. Admiração por Chico Xavier , artigo publicado no Dirigente Espírita número 66,  de julho/agosto de 2001
(4)    Disponível em acessado em 12/09/2012
(5)    Maior, Marcel Souto.  AsVidas de Chico Xavier, São Paulo: Editora: Planeta do Brasil, 2003