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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

CORPO BIO-TRANSMUTÁVEL DE JESUS


“O artigo abaixo trata-se do exercício natural do sagrado direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. Não me compete censurar opiniões, ainda mesmo que não as defenda pessoalmente na íntegra.  Assim, deixamos aos leitores do meu blog em  O Rebate o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere a seguir, pois o mesmo direito que tem o articulista de argumentar , temos todos o mesmo direito , de aceitar, ou não, os seus argumentos.”  Jorge Hessen




Fernando Rosemberg Patrocínio
f.rosemberg.p@gmail.com

Qual é a essência mesma da moral espírita? Ou melhor: que preceitos morais seguem os espiritistas, adeptos do Espiritismo?

Para o primeiro questionamento: a moral espírita é a mesma moral cristã; e, portanto, para a segunda questão: os espiritistas seguem, ou, procuram seguir os preceitos que dimanam do cristianismo; do mais puro cristianismo. O grande codificador colocava a questão nos precisos termos:

“Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, quer dizer, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinamentos, ele mostra essas virtudes como sendo o caminho da felicidade eterna. Bem aventurados, disse ele, os pobres de espírito, quer dizer os humildes, porque deles é o reino dos céus; bem aventurados os que têm puro o coração; bem aventurados os que são brandos e pacíficos; bem aventurados os que são misericordiosos;”...

E, prosseguindo, acentuava ainda mais: “...

“Amai ao vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros o que quereríeis que vos fizessem; amai aos vossos inimigos; perdoai as ofensas se quiserdes ser perdoados; fazei o bem sem ostentação; julgai a vós mesmos antes de julgar os outros;” ...

E finaliza tal parágrafo nos termos de:

“Humildade e caridade, eis o que não cessa de recomendar, e ele mesmo dá o exemplo; orgulho e egoísmo, eis o que não cessa de combater; mas faz mais do que recomendar a caridade, coloca-a claramente, e em termos explícitos, como a condição absoluta da felicidade futura”. (Vide: “O Evangelho Segundo o Espiritismo” – Allan Kardec – Ide).

Vê-se, pois, que os mais importantes postulados de Jesus são os mais importantes postulados do Espiritismo e que, se fossem seguidos neste mundo provacional, seríamos todos felizes e estaríamos bem mais próximos da perfeição inaugurando um novo mundo: o de Regeneração.

Todavia, ainda se discute sobre a natureza do corpo que Jesus teria envergado quanto esteve entre nós, os terrícolas deste planeta provacional. E, temos o direito de saber? De, humildemente, questionar? Óbvio que sim. Mas talvez o presente artigo venha a levantar a ira dos adeptos mais radicais do roustainguismo e dos defensores pouco arrazoados do kardecismo; sendo que, estes últimos, pretendem blindar os conhecimentos espíritas aos padrões estritamente codificados, esquecendo-se de que os ensinos espíritas são progressivos, comportando, sempre, novas e mais novas, amplas e mais amplas revelações: sejam elas humanas ou sobre-humanas, venham elas dos homens ou da espiritualidade maior.

Mas asseguro-lhes que não estou nem um pouco apreensivo, seja com uns, seja com outros, pois que, afinal, e, conforme ditados kardequianos, somos livres pensadores, de fé consorciada à razão, e, por isso, quando escrevo alguma coisa, procuro analisar, sobretudo, se não estou extrapolando muito e se há algum traço de racionalidade e de lógica contida em meus escritos. E, confesso que não vi, assim, tanta heresia na idéia expressa no presente artigo que, talvez, possa agradar aos mais inclinados às novidades e coisas que tais do movimento espírita.

Se bem que isto não importa muito, mas sim, se a idéia tem o aval da verdade ou não, coisa que só o tempo e a lógica intrínseca da mesma, saberão dizer, uma vez que a discussão entre roustainguistas e kardecistas prossegue, num embate sem fim.

Ora, um dos contemporâneos e dos mais confiáveis instrutores da Espiritualidade, em relatando fatos da vida de Jesus, declara a um dado momento de seus ensinos que:

“Em Jerusalém, no templo, desaparece de chofre, desmaterializando-se, ante a expectação geral (João, 7:30), e, na mesma cidade, perante a multidão, produz-se a voz direta, em que bênçãos divinas lhe assinalam a rota (João, 12:28-30). Em cada acontecimento, sentimo-lo a governar a matéria, dissociando-lhe os agentes e reintegrando-os à vontade, com a colaboração dos servidores espirituais que lhe assessoram o ministério de luz”. (Vide: “Mecanismos da Mediunidade” – André Luiz – Feb).


E, por isto, questiono:

-O que conhecemos de coisas atinentes a um plano de ordem cósmica, que, por sua vez, escapa-nos em sua mais alta sabedoria e transcendentalidade?

-O que sabemos do intrigante jogo de forças imponderáveis que regem toda a nossa bioquímica planetária?

E mais:

-O que se conhece da transcendente bioquímica de outros mundos, e, no caso, superiores ao nosso, caso em que, os corpos físicos de seus habitantes vão se aperfeiçoando, se sutilizando, tornando-se mais eterizados e capazes até mesmo de volitar pelos espaços circundantes, e onde os Espíritos encarnados e desencarnados de tais orbes, por sua elevação intelecto-moral, detêm amplo domínio e conhecimento das técnicas de materialização e rematerialização de seus próprios veículos de manifestação, bem como das coisas circunscritas ao seu ambiente natural?

-Que conhecimentos se têm das possibilidades e razões cósmicas de um Espírito tão elevado, tão puro, como o de Jesus de Nazaré e seu polêmico veículo de manifestação quando esteve entre nós: físico ou simplesmente materializado pelos fluidos ectoplásmicos e outros tantos elementos da natureza, do ambiente que nos cerca?

Ora, é claro que, quando me refiro às “razões cósmicas”, não me refiro, apenas e tão somente às suas razões de vir a este mundo nos instruir e nos mostrar o caminho da redenção, mas também à sua faculdade espiritual a que se poderia denominar Razão da Inteligência Crística, que se pode e se deverá concebê-la como uma forma de razão inimaginável pelos nossos tão restritos padrões de entendimento. Ora, se ela é, em nosso plano vivencial, uma faculdade evolutiva, então existirão razões acima da mais alta das razões humanas, ou seja, acima do entendimento, da razão, digamos assim, da inteligência formal que, por sua vez, transcendera a razão concreta, e que, da parte que lhe toca, é procedente da razão pré-lógica e das fases sensório-motoras da inteligência em paulatina progressão.

Portanto, André Luiz pode e deve sim, ser levado em conta. O que não se pode e não se deve é condenar o que se desconhece, sobretudo nos tempos dos mais relevantes estudos da eletricidade, do magnetismo, da energia, dos campos da vida, bioplasmáticos, bem como da relatividade, das certezas e incertezas da física quântica e das mais interessantes e sábias instruções da Espiritualidade Maior.

O universo que nos cerca, já não é mais o das coisas físicas e sim o das não-físicas, das ondas, dos elétrons, das eternas oscilações de um vasto mundo e de uma vasta rede de corpúsculos dinâmicos que nos envolve, e de que, afinal, somos constituídos, feitos e refeitos a todo instante na incessante renovação da matéria que nos serve de base e de composição temporária neste mundo provacional.

E, se o nosso organismo se renova permanentemente, conquanto a um longo prazo, porque o corpo do Ente Maior, que é Jesus Cristo, não poderia também renovar-se, porém, de forma instantânea e quando assim o quisesse, no instante mesmo de Sua soberana vontade?

Cogita-se, assim, com a possibilidade do Cristo ter sido portador de um organismo Bio-Transmutável, ou seja, biologicamente humano, mas capaz de tomar aspectos igualmente tangíveis da forma fluídico-materializada e, também, com a possibilidade de tornar-se invisível aos olhos carnais humanos, encerrando forma transcendental, ou, puramente espiritual, quando assim o quisesse e fosse o desejo de Sua vontade.

Jesus, pois, quando esteve entre nós, poderia e pode ter-se apresentado com um corpo de carne e osso que, graças à sua imensurável evolução, seus poderes e determinações de um Ser Crístico, poderia transmudar-se para as mais diversas formas situadas entre tal condição humana até às mais altas e mais puras situações da refinada energia espiritual, quando assim o pretendesse, consoante dados a seguir dispostos:
                                                                   
    (Estado Biológico)     (Estado Fluídico-Material)      (Estado Espiritual)
                                                                        
Assim, Jesus poderia estar na Terra e no Céu, entre os homens e Deus, experienciando, ainda uma vez, a Soberana Vontade do Pai, que se acha ausente de nada, estando presente em Tudo.

No âmago da maior das contradições doutrinárias, encontrar-se-ia, pois, a semente de uma possível consensualidade como a mais sublime luz da verdade em Cristo, Nosso Senhor. O nosso Mestre Maior, portanto, sofrera como todo homem teria sofrido para levar sua cruz ao calvário que lhe sacrificara o corpo carnal; mas não cometera, e, não cometeria tão indigno simulacro de sofrer quando não sofria, de chorar quando não chorava, de se derramar em sangue quando não sangrava, paródia indigna de um Espírito com tão altas patentes de Sabedoria, Honestidade e Amor.

A tese do Corpo Bio-Transmutável de Jesus não pretende, em tão sintética exposição, resolver todas as questões relativas à tão debatida problemática, mas quem sabe não possa representar o início de uma solução para tão insolúvel questão doutrinária.

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